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27.4.09

CINEMA PORTUGUÊS EM DESTAQUE NO INDIELISBOA'09


O IndieLisboa'09 abriu a 6ª edição do festival com uma grande salva de palmas ao cinema português, um gesto prolongado ao longo dos 11 dias do festival com a exibição de 29 filmes de produção nacional e as LisbonTalks, os debates do IndieLisboa que põem na mesa as questões mais prementes que preocupam os profissionais da indústria cinematográfica portuguesa.

A ver e ouvir, durante a próxima semana:

 

LisbonTalks

 

O Aparecimento de Novos Realizadores em Portugal. Haverá espaço para eles?
Segunda-feira, 27 de Abril, às 17h30, na Sala 2 do Cinema São Jorge

Em 2004, quando o Festival IndieLisboa se iniciou recebemos um conjunto pequeno de filmes portugueses, a maioria apoiado pelo Instituto de Cinema. Hoje em dia, esse número multiplicou-se e recebemos na última edição mais de 200 filmes. As escolhas estão cada vez mais difíceis de fazer, o que atesta que a qualidade vem a aumentar, o que muito nos satisfaz enquanto programadores e organizadores de festival. Mas aquilo que nos preocupa é que a maioria destes realizadores seleccionados, não só pelo IndieLisboa, mas em muitos outros festivais internacionais estrangeiros, não vai continuar a fazer cinema, se as estruturas de apoio ou o meio profissional não mudarem muito rapidamente. (Com Miguel Valverde)

Salas Independentes de Cinema em Portugal. Urgente?
Terça, 28 de Abril, às 17h30, na Sala 2 do Cinema São Jorge

Em Portugal, praticamente não há salas de cinema que não estejam integradas num grupo ou que não estejam ligadas a distribuidoras. É cada vez maior a tendência para a concentração da oferta cinematográfica. A escassez de salas que exibam documentário, curta metragem ou cinema de países de baixa produção é gritante. Como aumentar a diversidade da oferta cinematográfica em Portugal? (Com Rui Pereira)

A Internacionalização do cinema português. Repensar metodologias e estratégias de internacionalização do cinema português.
Quinta, 30 de Abril, às 17h30, na Sala 2 do Cinema São Jorge

O cinema português continua a precisar de reforçar a sua visibilidade nos mercados internacionais. É hoje necessário contrariar as dificuldades de implementação no mercado de distribuição e exibição internacional, e repensar novas estratégias de internacionalização. Vamos repensar metodologias, discutir formas de solução e colocar as perguntas certas. (Com Ana Isabel Strindberg)

Cinema

 

Birth of a City, de João Rosas
Segunda, 27 de Abril, às 21h45, na Sala 1 do Cinema Londres

Era uma vez um rapaz em Londres. Dia após dia, ao andar pela rua, o rapaz, não sendo doido, ouvia a cidade falar consigo. Não eram só as pessoas, eram também os edifícios que falavam, e os autocarros e os comboios, os parques e os mercados. E diziam – ora gritando, ora sussurrando – fi lma-me! E o rapaz, dia após dia, de câmara em riste, em peregrinação, fi lmou. O quê? O seu bairro e quem lá vive e trabalha. E uma rapariga. Claire. Pintora. De quê? Cidades. Assim se fez Birth of a City, como se de um diário se tratasse. Espero que gostem.” (João Rosas)

Muitos Dias tem o mês, de Margarida Leitão
Segunda, 27 de Abril, às 21h45, na Sala 2 do Cinema São Jorge
Sexta, 1 de Maio, às 21h15, na Sala 2 do Cinema Londres

É um documentário sobre a realidade actual e emergente na sociedade portuguesa: o endividamento das famílias portuguesas. Procura resgatar do anonimato dos números e estatísticas a voz e o rosto de pessoas que entre o sonho e o desespero, entre a ilusão e o esforço, se vêem a braços com difi culdades de fazer face aos compromissos assumidos. Surge de uma inquietação sobre uma situação humana limite, sobre a natureza do ser humano e as suas contradições. Revela a luta diária de pessoas, com os seus calendários povoados por dias em que é preciso cumprir obrigações. É um retrato urgente de uma sociedade centrada na satisfação imediata do eu. Uma sociedade onde tudo nos indica que a felicidade só se alcança com consumo. Só assim os nossos desejos podem ser saciados. Propõe um olhar sobre os mecanismos de aquisição de crédito, os seus intervenientes e protagonistas. Um olhar atento que questiona e provoca a refl exão. Um olhar que, para além da apresentação de factos e informação, procura alertar e ter um efeito pedagógico na sociedade. Põe em confronto dois padrões antagónicos: expectativa e realidade, necessidade e desejo, prazer e disciplina. Procura refl ectir sobre a nossa postura enquanto trabalhador devedor e consumidor gastador. Estes dois padrões são o reverso de uma mesma moeda: NÓS.” (Margarida Leitão)

Alasca, de Miguel Seabra Lopes
Segunda, 27 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema Londres

Alasca surge enquanto condição material e relacional das personagens e não como identificação de uma paisagem ou de um lugar. Quem vive dentro de si tem os gestos contidos, as acções agrilhoadas nessa impossibilidade que é evoluir. Questionar seria permitir o surgimento da outra coisa, do desconhecido - zona de agitação e medo. E ninguém quer isso, pois não? Cada novo objecto possibilita laborar ou adentrar assuntos formais pendentes ou mesmo desconhecidos. Para mim prevalece o trabalho sobre a estrutura e sobre a dimensão. Neste fi lme tentei introduzir a elipse como um pós-fora-de-campo e a placidez no olhar frontal da câmara de fi lmar. Com os actores o que vigora, apesar de imberbe, é que seja garantida certeza em cada gesto ou em cada acto, que a gravidade da representação vacile entre a solenidade e o ridículo, que o que é consumado tem valor concreto e evita uma leitura aberta sobre o que se vê. Na montagem concentrámo-nos em distinguir a incompreensão da ilegibilidade, tendo como vontade a supressão da primeira e a vontade da manutenção da segunda enquanto parte do todo. Alasca é apenas um dia, sabendo que amanhã será igual.“ (Miguel Seabra Lopes)

A Nossa Necessidade de Consolo, de André Santos e Marco Leão
Segunda, 27 de Abril, às 18h30, na Sala 2 do Cinema Londres

"No fundo, o tempo de nada serve, inútil instrumento de medida que só regista o que a vida já me trouxe." (Stig Dagerman) Ao ler o ensaio de Stig Dagerman A Nossa Necessidade de Consolo É Impossível de Satisfazer, fomos levados a lugares da nossa história pessoal que tornaram conscientes inquietações que nos têm acompanhado toda a vida. O nosso fi lme é uma breve refl exão sobre a passagem do tempo e sobre a vida. Quisemos expressar-nos com os pés bem assentes na realidade, pois esta questão é, para nós, algo demasiado presente. Já que o objecto que queríamos criar era de tal ordem pessoal, sentimos a necessidade de nos vermos, no interior do nosso fi lme. Ao olharmos à nossa volta, encontrámos nas nossas mães as parecenças físicas que nos poderiam representar, e nas suas vidas a profundidade emocional que nos traria a intimidade e a proximidade que queríamos sentir no nosso fi lme. Fazê-lo foi, de certa forma, a nossa maneira de encontrar algum consolo, ainda que momentâneo. É isto que o nosso fi lme representa, a impossibilidade de nos sentirmos completamente consolados uma vez que o tempo não pára, a vida não pára e tudo o que conseguimos são breves momentos em que nos sentimos completos.” (André Santos e Marco Leão)

Santos dos Últimos Dias, de Leonor Noivo
Segunda, 27 de Abril, às 18h30, na Sala 2 do Cinema Londres
Quarta, 29 de Abril, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

É um filme sobre os jovens missionários domovimento Mórmon, os Elders e as Sisters. O modelo que estes jovens perseguem assemelha-se a uma prova pessoal, iniciática, durante os dois anos que passam longe de casa. Saíram do seu país para estudar outra língua e outra cultura, absorvidos por esse espírito de missão. Hoje discutem as questões da fé, da família, da religião, da existência, aspirando a ser os exemplos dos rapazes e raparigas perfeitos. Neste filme, como nos anteriores, volto a olhar para um grupo e para a forma como este se organiza. Esta é uma instituição que preza a ordem e o auto-controle, que aprofunda as regras de comunicação, assumindo por vezes a encenação como necessária, para levar a sua mensagem às pessoas. Interessam-me as regras e os seus desfasamentos. Todo o processo de aproximação a este grupo obrigou-me a entendê-las e a “jogar” de acordo com elas. Mais do que falar sobre a instituição, este fi lme fez-me chegar aos outros, àqueles a quem os missionários procuravam levar a mensagem. O fi lme acaba por assumir esses dois caminhos que raramente se cruzam. O das pessoas, em busca da fé, da salvação, de companhia. E o dos missionários que se esforçam, com escrituras e ensinamentos, para as doutrinar. O contraste é evidente. De novo, uns e outros, à procura de uma razão no que é irracionável, à procura de uma forma de organizar o mundo.” (Leonor Noivo)

Sangue Frio, de Patrick Mendes
Terça, 28 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema Londres
Quarta, 29 de Abril, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

Sempre gostei do universo do fantástico. Nunca imaginei que iria fazer fi lmes fantásticos. No fim da montagem fi quei surpreendido com o resultado: fantástico.” (Patrick Mendes)

Singularidades de uma Rapariga Loura (Ante-estreia), de Manoel de Oliveira,
Terça, 28 de Abril, às 22h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

Macário ocupa o lugar de contabilista do armazém do tio Francisco, em Lisboa. É o seu primeiro emprego. Do outro lado da rua habita Luísa Vilaça, a rapariga loura por quem logo se apaixona perdidamente. Quer casar-se com ela. De imediato. Acabou de a conhecer mas não pode esperar. O tio discorda, despede-o e expulsa-o de casa. Macário vai contando estas atribulações amorosas a uma senhora desconhecida, numa viajem de comboio a caminho do Algarve. Continuando a história, parte mas leva a certeza de que não desistirá da amada - o que pode um tio contra o mais genuíno amor? Segue para Cabo Verde, onde consegue enriquecer. Quando volta, tem já a aprovação de Francisco para o casamento. Vai, finalmente, desposar Luísa Vilaça. Que mais poderia desejar? É só então que descobre a “singularidade” do carácter da noiva. Uma extraordinária adaptação do conto original de Eça de Queiroz.

Passeio de Domingo, de José Miguel Ribeiro
Quarta, 29 de Abril, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

Passeio de Domingo é um filme que conta a história de um dia na vida de uma família que se esqueceu de si, no meio de uma cidade que os empurra para dentro. Uma história onde o espaço entre as pessoas e as coisas é valioso e um pedaço de terra livre é transformado em caldo verde e sonhos de crianças. Um dia em que não é possível continuar igual. Um filme viagem construído num estúdio de animação de volumes que vai de Lisboa a Montemor-o-Novo passando por Bruxelas, Valence e Utrecht. Com várias equipas, línguas, alguns anos e os amigos do costume. Com o empenho de todos foi possivel chegar ao fim. Obrigado.” (José Miguel Ribeiro)

Exótica, de Sérgio Cruz
Quinta, 30 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema São Jorge
Sexta, 1 de Maio, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

Este filme nasce de um convite feito pelo coreógrafo português Miguel Pereira para colaborar numa residência de três semanas em Moçambique para o seu novo espectáculo, estreado em Junho de 2008 no festival Alkantara, em Lisboa. Dentro do trabalho de pesquisa durante a residência tínhamos como intenção inicial investigar e documentar, para além das questões pessoais (passado) da infância do coreógrafo, alguns elementos da cultura africana, através do contacto com a comunidade local da dança e da musica. No entanto, durante a residência fomos confrontados com uma situação deveras insólita: “a cidade de Maputo, pensada e edificada na altura pelo “espírito pioneiro e empreendedor dos Portugueses”, estava a ficar coberta e envolvida por um tecto verde, frondoso, enorme, que pelas fachadas dos edifícios, com as suas raízes-tentáculos furando e rasgando os passeios. (texto de Miguel Pereira) Exótica é o resultado da compilação de algumas das imagens e sons recolhidos durante a residência em Maputo. O filme apresenta justaposições de fragmentos da floresta com fragmentos de edifícios de betão e rituais de dança e música capturados na cidade de Maputo. A banda sonora combina sons originais das filmagens, incluindo sons naturais, sons de batuques, de trabalhadores e tráfego na cidade que se vão transformando progressivamente numa faixa de drum & bass.” (Sérgio Cruz)


Vai com o vento, de Ivo Ferreira

Sexta, 1 de Maio, às 19h, na Sala 1 do Cinema São Jorge

As histórias são quase sempre as mesmas. Nas simples, as pessoas nascem e crescem num determinado sítio, estudam mais ou começam a trabalhar mais cedo. Trabalham no lugar onde nasceram ou mudam de lugar para procurar uma vida melhor e viverem outras experiências. Esta é uma história que se passa em qualquer cidade, em qualquer país. Ao filmar uma história assim, quis encontrar num personagem a complexidade destas decisões de forma a percebê-las (e perceber-me) melhor. Foi assim que no início de 2008 fui a Quingtian, Zhejiang, a cerca de 700 quilómetros a sul de Xangai, encontrar Wang Ping que tentava emigrar para Portugal. Sentei-me frente a frente com ele (e com outras personagens). Procurámos a autenticidade dentro de cada um de nós, dentro das nossas culturas. Acabei por segui-lo até Lisboa e encontrar-me com ele uns meses depois de ele estar instalado. Na China, quando alguém se despede de quem vai partir numa longa viagem diz: “Vai Com O Vento”. Fizemos esta viagem e este fi lme juntos porque o tínhamos de fazer. E assim ficámos mais nós. (Ivo M. Ferreira)

 

Visionary Iraq, de Gabriel Abrantes e Benjamin Crotty
Quinta, 30 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema São Jorge

Visionary Iraq conta a história de um teenager português e da sua irmã adoptiva angolana que durante a sua relação de pseudo-incesto decidem alistar-se na operação de libertação do Iraque. O drama atinge o seu expoente máximo quando eles descobrem que o pai está a lucrar com a reconstrução do Iraque. O filme termina com perguntas do género - “So dad is profiting from our suffering?” e afirmações como – “Democracy is just so many lies”. Penso funcionar bem como uma grande metáfora para os países que têm implicações em conflitos mundiais. Se pudesse escolher uma tagline para este filme seria algo do género: “Uma hiper-ficção surreal e cínica sobre o conflito actual no Iraque com um final sincero e comovente”. Este filme é político da mesma forma que Hollywood é política, cria falsas memórias sobre a nossa forma de ver o mundo. Eu partilho da ideia de Frederic, Jameson que considera o “trabalho político” como ficção científica. O livro Utopia é ficção científica. Um trabalho político é aquele que tenta imaginar o mundo, distorcê-lo e pervertê- lo, para que seja possível refl ectir moralmente sobre o que o nosso mundo devia ser. (Gabriel Abrantes, entrevista ao site Rua de Baixo.

 

Visita Guiada, de Tiago Hespanha
Quinta, 30 de Abril, às 21h15, na Sala 2 do Cinema São Jorge

Todos os anos vêm a Portugal milhões de turistas à descoberta de um país, um povo e uma cultura. Durante a viagem, grande parte vai contactando com vários guias-intérpretes incumbidos de os guiar nessa descoberta. Nos discursos dos guias cruzam-se elementos da história, da arte, lendas e contos da tradição oral, etc., tudo isto unido pela personalidade do narrador, daquele a quem cabe transmitir em dado momento a história do seu país. A construção dessas narrativas é o tema deste filme, ele é sobre a forma como nos damos a conhecer enquanto país, povo e cultura, através do turismo. A forma como nos apresentamos aos outros fala-nos daquilo que somos, da nossa auto-representação. Desde os anos 60, nos tempos do SNI (Secretariado Nacional da Informação) e de António Ferro, a profissão de guia-intérprete veio sendo valorizada e regulamentada, nessa época os guias eram “estimados” mas sobretudo controlados pelo regime; a principal preocupação era a de apresentar Portugal como uma nação grandiosa, que “abriu novos mundos ao mundo”, e como centro florescente de um vasto império colonial. Depois da revolução de 1974 esse programa alterou-se e os guias-intérpretes passaram a ter outra autonomia. Passados 35 anos sobre o 25 de Abril interessa-me neste filme explorar como é que hoje os guias-intérpretes apresentam Portugal aos turistas. A rodagem deste filme constituiu um mergulho no universo do turismo organizado. Durante três meses, numa equipa de duas, às vezes três, pessoas (realização/imagem, som e produção) acompanhámos inúmeros grupos de turistas, viajámos de norte a sul, em várias línguas, atentos à forma como os guias-intérpretes constroem os seus discursos e como neles se inscreve uma ideia de história e identidade nacional. Este filme parte de uma reflexão sobre o que é o turismo de massas, o que é que se conhece através dele, de que forma se estrutura esse conhecimento e qual a ideia do país e da cultura portuguesa se pode construir neste universo.” (Tiago Hespanha)

Algo Importante, de João Fazenda
Quinta, 30 de Abril, às 18h45, na Sala 3 do Cinema São Jorge

O filme desenvolve-se a partir da ideia de repetição, do desenho circular dos dias. É um filme sobre rotinas e projectos adiados, sobre a indecisão e o tempo a passar. A personagem é um homem magro que tem qualquer coisa importante para fazer, mas que hesita constantemente entre uma série de afazeres e pequenos acidentes domésticos. Há sempre outras coisas para tratar, para resolver, e o homem luta contra o tempo e por isso todos os seus dias duram uma vida. Como se trata de um filme de animação, a plasticidade da imagem ganha contornos narrativos. É no movimento do desenho, no ritmo das manchas, no encadeamento dos planos que o filme se conta, que o tempo passa.” (João Fazenda)

Ruínas, de Manuel Mozos
Quinta, 30 de Abril, às 22h00, na Sala 3 do Cinema São Jorge
Sexta, 1 de Maio, às 17h45, na Sala 2 do Cinema Londres

Fragmentos de espaços e tempos, restos de épocas e locais onde apenas habitam memórias e fantasmas. Vestígios de coisas sobre as quais o tempo, os elementos, a natureza, e a própria acção humana modificaram e modificam. Com o tempo tudo deixa de ser transformando-se eventualmente numa outra coisa. Lugares que deixaram de fazer sentido, de serem necessários, de estar na moda. Lugares esquecidos, obsoletos, inóspitos, vazios. Não interessa aqui explicar porque foram criados e existiram, nem as razões porque se abandonaram ou foram transformados. Apenas se promove uma ideia, talvez poética, sobre algo que foi e é parte da(s) história(s) deste País.”(Manuel Mozos)

Arca d'Água, de André Gil Mata
Sexta, 1 de Maio, às 21h30, na Sala 3 do Cinema São Jorge

Arca d’Água reflecte a visão de um pescador que entrega a vida a uma mulher, Vi, e ao sonho comum de viajar pelas águas. Ele vive num lago, circunscrito por uma civilização que “evoluiu” sem a sua percepção. O barco é a casa que ele constrói para essa viagem a dois. Um berço e um altar para Vi, que guarda e trata como se a morte a tivesse santificado pelas águas daquela arca. Arca d’Água é o olhar e a solidão de um homem que vive um presente de memórias cruzadas entre a sua infância, o seu casamemto e o filho que nunca teve.” (André Gil Mata)

Pássaros, de Filipe Abranches
Sábado, 2 de Maio, às 16h15, na Sala 3 do Cinema São Jorge

Tudo gira em volta de aves. A caracterização das figuras intervenientes passa pelo recorte e delineação das mesmas enquanto silhuetas num mundo peculiar. Esse mundo é de alguma forma desprovido de psicologia no que toca à construção de estruturas ou egos de personagens pelo método mais tradicional. Está mais próximo, pensando agora em teatro, do teatro de marionetas descrito por Meyerhold, do que de um teatro dito do Método protagonizado por Stanislavski, e que se estendeu aos Estados Unidos via Actors Studio. No primeiro a biomecânica, o cinético versus estático, no segundo, as memórias e a psicanálise. Sempre senti uma proximidade maior com os autores da primeira escola referida, tanto no cinema e teatro como nas derivações para outras formas de expressão artística. Esta proximidade está presente essencialmente no processo criativo pois enquanto espectador sou mais permeável aos géneros que são subsidiários da segunda linha. O cinema de Hollywood é uma referência incontornável, por diversas razões. Exige-se apenas um sentido crítico das coisas. A ideia para esta animação surgiu a partir de uma banda desenhada minha. O elemento dramático ali prevalecente é a identificação dos personagens com aves. Trata-se do desenvolvimento narrativo da expressão “não sejas mãe galinha” e do instinto de protecção maternal. Pode-se também encontrar outro paralelismo entre o final e a forma como as aves ensinam as crias a voar, isto é, empurrando-as do cimo de uma árvore. Foi pelo grafismo e o trabalho da linha tremida e instável que se arquitectou um mundo perturbado e perturbante. Um conjunto de linhas nervosas e instáveis que acabaram por delinear a ideia sonora e musical da animação.” (Filipe Abranches)

Uns tantos Milhares de Negativos, de Paulo Seabra,
Sábado, 2 de Maio, às 21h30, no Museu do Oriente

Como o próprio nome indica, é um documentário sobre o espólio de milhares de negativos de fotomaton detidos pelo realizador. Uma apaixonante redescoberta de um mundo já extinto através de imagens (algumas delas também à beira do desaparecimento) povoadas por anónimos lisboetas.

 

 


publicado por Hugo Gomes às 22:04
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