Data
Título
Take
17.3.09

Real.: Rob Reiner

Int.: Tom Cruise, Jack Nicholson, Demi Moore, Kevin Pollak, Kevin Bacon, Kiefer Sutherland, Cuba Gooding Jr.

 

 

What’s happen?”. Tom Cruise é uma das mais famosas estrelas de Hollywood, um dos actores que conseguiu destacar enquanto jovem adquirindo com o passar dos anos um estatuto mais elevado, que por sua vez evolui de promessa para actor, actor para estrela da mega-indústria cinematográfica. Ainda existia o tempo em que todo o mundo corria para as salas de cinema para ver um filme protagonizado por ele, agora, desde os episódios ridículos no sofá da Oprah e o seu envolvimento com a Cientologia fizeram com que o publico fugisse. O actor tornou-se descredibilizado, motivo para spoofs em demasia em séries de televisão, humor de youtube, sites de categoria “Hate” que rebaixam Cruise e até mesmo os Razzies, como é claro, a seguir a pseudo-cultura cinematográfica dos EUA, nomeiam vezes sem conta o protagonista de Jerry Maguire nas suas piores categorias, inclusive a nomeação de Pior Actor através do filme War of the Worlds de Steven Spielberg. Tom Cruise parece estar injustamente condenado a figurar-se no ódio, as pessoas esqueceram por completo os seus grandes êxitos que tantos agradaram público (e critica), amnésicos face á sedução de Jerry Maguire, da intriga futurista de Minority Report, do frenético agente Ethan Hunt em Mission: Impossible e pior, ignoram o excelente actor que é.

Sim, actor! Não podemos desprezar os seus desempenhos que conquistaram meio mundo; esteve ao nível de Newman em Color of Money de Martin Scorsese, foi o secundário de luxo em Magnólia, o indomável Lestaf em Interview with The Vampire ao lado de Brad Pitt, o veterano paraplégico em Born of the 4th of July de Oliver Stone (desempenho aclamado) e o orquestrado “homem errado no lugar errado” em Eyes Wide Shut, o ultimo filme de Stanley Kubrick. Contudo existiu outro filme, o qual o “unfamous” actor se destacou entre um magistral elenco, encabeçado por Jack Nicholson (no seu melhor), Kevin Bacon (também em grande forma), Kevin Pollak (como nunca voltaremos a ver) e um Demi Moore (mais estrela que actriz) no aclamado filme A Few Good Men de Rob Reiner.

A Few Good Men – Uma Questão de Honra é um drama jurídico provenientes dos tribunais militares, em que dois marines são julgados por homicídio, os seus advogados defesa são o Tenente Daniel Kaffee (Tom Cruise), brilhante mas desequilibrado, Tenente Sam Weinberg (Kevin Pollak), especialista na investigação e recolha de provas e a Tenente Galloway (Demi Moore), o trio faz de tudo para provar a inocente dos dois jovens, contudo terão que enfrentar um adversário de peso, Coronel Nathan R. Jessep (Jack Nicholson), que comanda a base de Guantanamo, aquele que os dois marines se residiam, um homem intolerante e responsável pela acusação. Ficamos de inicio maravilhados com a abertura em que assistimos a uma dinâmica “recolha de armas” em tons cerimoniais, a partir daí a intriga segue do mesmo básico e hollywoodesco possível, todavia, Rob Reiner apresente uma energia tremenda que mesmo prevendo o final e duvidarmos dos histerismos e ênfases dramáticos no decorrer da audição, somos tentados a cativarmos pela sua estrutura dramática.

Contudo, não há dúvida nenhuma que o grande mérito desta fita é o leque de actores que preenchem o ecrã com grandes desempenhos, emocionais, sólidos e distintos. Nesse caso, destacamos Tom Cruise e Jack Nicholson, ambos apresentando personagens difíceis movidos por diálogos bem ditados e estruturados. Apenas Nicholson foi nomeado ao Óscar, na categoria de Melhor Actor Secundário, distinção essa que “caiu” nas mãos de Gene Hackman em Unforgiven, o grande western de Clint Eastwood. A grande capacidade do veterano actor reproduzir vilões é inegável, cuja ironia, o sarcasmo e os característicos “olhos de fúria e ódio” compõe nas melhores personificações antagónicas do cinema, todavia mesmo não sendo um vilão 100% ficcionário, a sua postura pode suscitar criticas á frieza que é levada a cabo a militarização americana. Quanto a Cruise, tal como sucedera com Color of the Money (1986) ao lado Paul Newman e Rain Man (1988) o qual contracena com Dustin Hoffman, volta a exibir que chega aos calcanhares com qualquer actor veterano, e o confronto com o protagonista de The Shining é de memorável. Dois actores de diferentes classe, diferentes faixas etárias, diferentes registos, debatendo quem é o melhor, claro de forma simbiótica para a historia. O resultado final fica pela interpretação do espectador. O resto do elenco encontra-se eficaz, apenas Demi Moore volta a desiludir, demonstrando que tem mais talento estético que artístico, e a química com Cruise é inexistente. Nomeado a 4 Óscares incluindo a de Melhor Filme, apesar de não ter o mesmo rigor do sistema jurídico dos filmes de Sidney Lumet, é uma obra a ver e a verificar que Cruise tem mais do que se diga.

A não perder – O “puxão de orelhas” da personagem de Nicholson a Demi Moore na base de Guatanamo

O melhor – o elenco

O pior – a formula demasiado hollywoodesca

 

Recomendações – Witness to Prosecution (1957), 12 Angry Men (1957), Find Me Guilty (2006)

 

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:56
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