Data
Título
Take
14.3.09
14.3.09

Real.: Henry Selick

Int.: Dakota Fanning, Keith David, Ian McShane, Teri Hatcher

Se tentarem juntar Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll ou Hansel e Gretel e um certo conto de Tim Burton, temos Coraline, a fábula gótica escrita por Neil Gaiman, o que é considerado um dos mais imaginativos autores da actualidade. Publicado em 2002, inicialmente pela editora HarperCollins, Coraline, a história de uma jovem rapariga que descobre uma porta secreta em sua casa que lhe dará acesso a uma vida alternativa, conquistou a crítica e público o qual venceu o premio Hugo como distinção. Trata-se da segunda adaptação cinematográfica de um conto de Gaiman, após dois anos de Matthew Vaugh ter recriado Stardust – O Mistério Da Estrela Cadente que conheceu um simpático êxito. A fértil imaginação de Neil serviu como desculpa para uma enriquecida fonte de matéria-prima e quanto a Coraline, uma história infanto-juvenil mas com traços adultos, Henry Selick, realizador do aclamado Nightmare Before Christmas, apaixonou-se pelo conteúdo da obra e a sua flexibilidade para com seu estilo animado que o caracteriza.

Mãos á obra! Selick produz, escreve e realiza uma animação tradicional em stop-motion, tal como os seus antecessores, contudo este é característico por uma maior eficácia técnica, logicamente concebido pela mesma equipa de Nightmare Before Christmas (1993). Além da animação gráfica, o filme dá como presente Dakota Fanning, a menina-prodígio de I Am Sam (2001 - Jessie Nelson) ou War of the Worlds (2005 – Steven Spielberg), no elenco vocal dando voz a Coraline, a rapariga que encontra-se fadigada com a sua vida normal, Keith David (First Sunday) dá a voz do gato e Ian McShane ao excêntrico Mr. Bobinsky. Contudo o nosso “pequeno país” foi palco d uma pseudo-manobra d distribuição que subestimou á partida o potencial deste neo-gótico conto. Sem tirar o mérito á excelência da versão dobrada, a sua exclusividade levou a pensar-nos se não existe um certo preconceito em termos das animações por parte das nossas distribuidoras que parecem concordar que desenhos animados são sinónimo de salas cheias de crianças. Pois bem, falo por experiencia própria que Coraline não deve ser encarado como filme infantil, o conto de Neil Gaiman é demasiado obscuro e sombrio para uma mente em desenvolvimento e a sua temática é deveras complexa, apenas o adultos conseguiram compreende-la. Graças a esta referida manobra, o filme de Henry Selick recebeu um pouco por todo o país o catálogo de “animação violenta e desapropriada para crianças”, injustamente, pois claro!

Com o auxílio de uma maravilhosa historia, que facilmente daria um filme de terror da autoria de Jaume Balagueró, Henry Selick conseguiu combinar a sua visão flexível da animação gráfica que se revela bastante simbiótica com o universo adquirido, contudo falta-lhe aquele toque burtonesco que lhe poderia garantir uma maior auto-dependência. Contudo a maturidade da animação faz com que Coraline seja uma animação divertida, visualmente arrebatador e com doses graduadas de imaginação, mesmo como já havia referido limitada ao “ecossistema” em questão. No final toda a gente aprende uma velha lição: “a felicidade é também contentar-se com aquilo que temos” A primeira grande animação do ano, arrumem já espaço entre os candidatos ao Óscar!

A não perder – a qualidade gráfica

O melhor – a versão dobrada da autoria de Nuno Markl

O pior – a versão dobrada da autoria de Nuno Markl (exclusivamente), e o tratamento por parte das distribuidoras (Coraline recebeu nos EUA a classificação PG-13).

Recomendações – Pan’s Labyrinth (2006), Alice in Wonderland (1951), Corpse Bride (2005)

8/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:41
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1 comentário:
De Tiago Ramos a 14 de Março de 2009 às 15:32
Se conseguir resistir até lá, seria um excelente candidato para o Óscar de Melhor Filme de Animação. Mas vem aí o Up e já se sabe...


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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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