Real.: Marcus Nispel
Int.: Jared Padalecki, Danielle Panabaker, Travis Van Winkle, Aaron Yoo, Amanda Righetti
Ele anda munido com uma katana, uma mascara de hóquei, frequenta as escuras e húmidas florestas e não é dado ao socialismo, trata-se do célebre Jason Vorhees, o famoso psicopata que protagonizou dez filmes e um crossover com o seu rival Freddy Krueger em Freddy Vs Jason (2003) de Ronny Yu. Friday 13th, sendo este o título da série de sucesso inicialmente produzido pela Paramount Pictures, o qual muito “dinheirinho” encheu os seus cofres, é um dos filmes da minha infância, o qual o terror de fancaria dos anos 80 fazia-se sentir, na realidade se bem me engano, o terror foi um dos géneros que mais inovou na referida década. Admito que eram no seu total filmes maus, compostos por maus argumentos, realizadores em piloto automático e actores sem nenhuma inspiração, alguns deles a roçar a pornografia, quer pela actuação, quer pelos rudimentares diálogos, mas pessoalmente sempre os considerei o melhor do cinema trash, bom para ver com os amigos, pares de cervejas e sexo para o final do serão. Bem, para dizer a verdade este tipo de filmes agradará de certo os que se identificam com os “ocos” protagonistas, ou seja a camada jovem, sedenta de sangue e com hormonas em demasia. Friday The 13Th foi o primórdio do filme de terror para adolescentes que ainda hoje fazem parte entre os títulos mais vistos.
Sean S. Cunningham, realizador do original de 1980, concebeu uma variante de John Carpenter mais propriamente o seu Halloween e Mario Bava, o qual utilizou os temas vingança, massacre, adolescentes, sexo, sangue e a temática de Sexta-Feira 13, como sendo o conjunto dos mais variados e afortunados destinos dos personagens. Enquanto no primeiro Sexta-Feira 13, o assassino era a mãe do psycho-killer Jason, as sequelas evoluíram de forma mais adaptável ao público e ao futuro do franchising, tornando-se em filmes mais viáveis da comercialidade, o qual a opção de representar Vorhees como o “main killer” foi uma manobra de génio que garantiu que pouco esforço na produção dos filmes resultasse em grandes quantias angariadas para os cofres da Paramount. Contudo, depois do auge surgiu o desgaste que presenciou no oitavo filme, deixando um nono pouco viável, o qual foram precisos oito anos para “ressuscitar” Jason num novo filme, Jason X (2001) de James Isaac, uma tentativa descarada de inovação que nada fez além de provocar risos e uma certa repugna nos fãs. Depois seguiu o sucesso de Freddy Vs Jason (2003), e com a ”avalanche” de remakes que tem surgido, alguns da autoria da Platinum Dune, produtora pertencente a Michael Bay conhecida por este tipo de películas, tem tido bons resultados em bilheteira, dando a ideia que uma certa “limpeza” no poeirento baú dos clássicos de terror resultaria nalgumas minas de ouro, por isso Friday 13th merecia acima de tudo um recomeço digno para a nova geração.
Se as ideias faltam para o lado de Hollywood, principalmente o terror, o género mais desleixado pelos grandes estúdios norte-americanos, todavia não me opus á revisão deste filme. Porquê? È o seguinte, vamos por parte, há que admitir que o original de Sean S. Cunningham não é um clássico do género, nem se quer uma obra intocável, porque simplesmente é classe B (menos), e qualquer um com um bom orçamento e uma história no mínimo credível, não tem que ser o novo Moby Dick, a tecnologia dos dias de hoje e um elenco inexperiente, não medíocre, conseguiria de certeza absoluta concretizar um filme bem melhor e sem grande esforço, mas por incrível que pareça, algo de irónico abateu-se sobre a produção deste filme. Se refizeram The Hitcher na integralidade, sabendo que o original é no mínimo um bom thriller, The Texas Chainsaw Massacre também foi, e o original é um clássico imponente do género até mesmo Halloween, um dos influentes filmes de terror de sempre teve direito a um recomeço (bastante “backside”) por parte de Rob Zombie, então, mas por “carga de água” tiveram receio de refazer todo o Friday The 13Th. È que não se iludem não se trata de um remake do original, mas sim a sequela do filme de 1980, ou seja que levou uma revisão foi as sequelas que seguiram, processo que fora utilizado na saga Halloween em 1998 com H20 de Steve Miner, quando a Dimension Film decidiram produziram um reboot partir do segundo capitulo, com receios da definição que a saga estava a sequenciar.
O elenco é jovem e integrada por caras conhecidas quer de filmes populares, quer em séries; Jared Padalecki (da série Sobrenatural), Danielle Panabaker (Mr.Brooks), Travis Van Winkle (Transformers) e Aaron Yoo (Disturbia, 21), todos eles se convertem no mais habitual estereotipo “teenager” fanáticos por álcool e droga, sedentos por sexo, e em termos de interpretações tudo parece seguir o modelo de papelão, até mesmo Jared Padalecki está lá apenas como atractivo é certo, mas reciclando a sua personagem de Sam na famosa série “monster of the week” que tanto sucesso tem feito, o único desempenho acima da mediocridade é pertencente a Amanda Righetti que aparece por tão pouco como Whitney Miller, obviamente não esperem nenhum registo digno de Óscar nem nada do género.
Friday The 13Th (2009) combina o melhor do slasher movie clássico e da nova vaga de gore que tem surgido sob a influência de Saw, com certos toques de humor que tornam a fita digestível, o bastante para não ser empurrado para o direct-to-DVD. Inicialmente o realizador escolhido era John Moore, que também trabalhou noutro remake de clássico (The Omen) e mais recentemente no “intragável” Max Payne, mas acabou por sair do projecto, sendo substituído por Marcus Nispel, um dos homens fortes da Platinum Dune, detentor do êxito do remake de Texas Chainsaw Massacre, o qual serviu de referência para dirigir este filme e não só. A conversão de Jason Vorhees para a nova geração tem de muito do filme base de Nispel. Contudo mesmo com as ideias novas e um certo ar de sofisticação e adaptação para os novos tempos, a nova “aventura” de Jason Vorhees peca por ressuscitar os elementos mais básicos da antiga série, uma narrativa imprópria para lógicas, algumas reacções cheias de inverosimilhanças face às ocorrências que surgem pelo caminho e pior de tudo, a falta de identidade. Que faz com que este filme, se não fosse pela mítica figura do serial-killer mudo, se tornaria num banalíssimo “gore movie”. È melhor que as muitas sequelas, mas não esperem nada mais que cinema trash.
A não perder – o bom humor “campy”
O melhor – o retorno de uma “lenda” do teen slasher
O pior – confusões de identidades, ou está-se a realizar um Sexta-Feira 13 ou está se a realizar um Massacre no Texas
Recomendações – The Hills Have Eyes (2006), The Texas Chainsaw Massacre (2003), See No Evil (2006)
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