Data
Título
Take
31.1.09
31.1.09

Real.: David Fincher

Int.: Sigourney Weaver, Charles Dance, Lance Henriksen, Charles S. Dutton

 

 

Passaram seis anos desde que James Cameron converteu no “pânico espacial” de Alien de Ridley Scott num grandioso filme de acção com generosas doses de adrenalina e gore, com a entrada dos anos 90, 20th Century Fox tinha ideia de transportar Alien para os novo tempos e ainda mais ambicioso, criar um franchising de grande importância comercial para o estúdio. Contudo nem Scott, nem Cameron queriam voltar às criaturas alienígenas, Scott estava entretido com a viagem de Colombo (1492 – Conquest of Paradise) e Cameron tinha crédito próprio com a sequela de uma das suas criações (Terminator). Por isso, a solução foi contratar um novo autor, provavelmente um mais influenciável para as audiências mais novas que cada vez mais consistiam numa grande fatia dos espectadores de cinema. A escolha recaiu com David Fincher, que havia ainda apenas trabalhado em videoclipps, Express Yourself de Madonna é o seu maior trunfo. MTV? Videoclipps? Madonna? Era o homem perfeito para aquilo que o estúdio pretendia.

Óptimo, existe realizador e Sigourney Weaver concorda interpretar novamente o filme, mas quanto ao argumento, a história, seria mais do mesmo? Seria de um patamar diferente ou superior? Bem, foram contratados três argumentistas para escreverem o “screenplay” deste capitulo bastante decisivo no rumo da saga; David Giler, Walter Hill e Larry Ferguson foram os elegidos. O resultado foi um regresso às origens, mas ao mesmo tempo uma variação arrojada e corajosa. A premissa inicia onde o segundo filme terminou, Ellen Ripley (Weaver) segue numa nave de fuga com Bishop (Lance Henriksen) e Newt (Carrie Henn), sobreviventes do planeta LV 426, todos se encontram hibernados durante uma viagem sem destino e duração incógnita, mas acabam por aterrar em Florina 161, um planeta prisional. A nave havia sofrido graves danos. Newt morreu no percurso, Bishop encontra-se bastante danificado e Ripley, a única sobrevivente, é mantida na prisão de alta segurança de Florina, cujos prisioneiros seguem pró regra uma intolerante religião. Mas por mais estranho que pareça, não é desta que Ripley se livrou das tenebrosas criaturas do LV 426, tendo viajado com eles. Agora a criatura anda á solta nos estabelecimentos prisionais e promete fazer vítimas, mas existe algo diferente neste exemplar, ele não ataca Ripley, porque será?

Provavelmente foi a sequela de Alien, mais mal recebida pelo público, que de certa forma odiou as escolhas dos produtores, argumentistas e realizadores no desenrolar do filme. Trata-se de uma obra bem mais lenta, menos terror e acção, mas mais suspense que acima de tudo confirma o estatuto de Fincher, como um provável mestre na arte de intriga. O argumento é a mais bem valia do filme que se equilibra em conjunto com os cenários neo-góticos e da permanência da cor vermelho-barro na fotografia, dando o seu ar de claustrofóbica. Nas interpretações, Sigourney Weaver cumpre o propósito da sua heroína, não tendo a mesma força que obteve em Aliens de James Cameron e Charles Dance é de facto uma das melhores adições á série, pena que foi tão mal aproveitado. A destacar também a belíssima e aterradora banda sonora que compõe as emoções deste interessa novo capítulo de um dos mais bem sucedidos filmes de ficção científica de sempre, a afirmar também uma coragem, hoje rara, dos argumentistas quando trataram do final (para mim um dos mais bem sucedidos e poéticos).

A não perder – a confirmação de um autor e do negro futuro das criaturas alienígenas mais famosas do planeta cinematográfico.

O melhor – O ambiente neo-gótico e claustrofóbico, o final arrojado e cheio de méritos

O pior – Os CGI serem um pouco obsoletos

 

Recomendações – Alien (1979), Aliens (1986), Alien IV – Ressurection (1997)

 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:58
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1 comentário:
De Filipe Machado a 31 de Janeiro de 2009 às 20:00
Estava a pensar fazer uma reflexão sobre este filme em breve... Antecipaste-te :) Bem, vou ter de fazê-la noutra abordagem :) Penso que o primeiro filme e este terceiro são os melhores da saga. Grande David Fincher!


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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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