Data
Título
Take
17.1.09

Real.: David Fincher

Int.: Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Tilda Swinton, Jason Flemying, Taraji P. Henson, Fiona Hale

 

 

Considerados por muitos, um realizador “frio” e “calculista”, David Fincher, é um dos herdeiros da arte de Alfred Hitchcock, concebendo aqui, naquilo que se aclama, como o seu Citizen Kane. Trata-se da adaptação da obra literária The Curious Case of Benjamin Button escrito por F. Scott Fitzgerald, um dos meus escritores de eleição e um dos génios da literatura norte-americana, como tal foi o homem por detrás da obra-prima The Great Gatsby, que também fora adaptado para o cinema sobre a mão de Jack Clayton, com Roberf Redford e Mia Farrow nos principais papéis. The Curious Case of Benjamin Button é a historia de um ser humano invulgar, ele nasceu velho e com o passar dos anos vai-se rejuvenescendo, tendo uma vida etária oposta ao de gente normal, contudo mesmo sendo diferente a sua vida resumiu-se a grandes feitos, procuras insaciáveis e á presença em muitos dos grandes momentos mundiais, tal como Forrest Gump, mas acima retratava-se de uma arrebatadora historia de amor, cujo tempo e a natureza da bizarria são os verdadeiros inimigos. Como seria a nossa vida de trás para a frente? Melhor? Pior? No mínimo estranho.

Benjamin Button, o nome principal da personagem, é interpretado por Brad Pitt, a cada vez a dar mais razões da sua postura de bom actor (provavelmente um herdeiro do talento de Robert Redford) e pelos efeitos especiais “avançadíssimos” que substituem a vulgar maquilhagem caracterizando um Pitt idoso e decadentes nos seus primeiros passos. Nesses irreconhecíveis efeitos visuais, discretos e não embalando a narrativa, encontram-se talvez os mais perfeitos da história do cinema, provando que um filme não tem que ser feito exclusivamente por esse factor.

Trata-se de um filme quer técnico, quer argumentativo negro, que se decompõe entre uma ênfase fantástica envolvida num drama romântico onde muitas vezes a imagem sobrepõe às emoções. O novo filme do “ressuscitadoDavid Fincher, que após a grande ausência no mundo cinematográfico após Panic Room e terminada cinco anos depois por Zodiac (2007), parece seguir a temática de freguês de Hollywood (e espero bem que sim, para podermos ver mais obras da sua autoria), é uma fita ambiciosa, complexa e sobredotada de mais variados elementos que solidificam uma obra ao estatuto de prima-obra. Temos uma certa veia do cinema de Tim Burton, mas a aparência cuidada, menos burlesca e de certa forma académica faz com que pertence a uma categoria á parte da galeria do realizador de Sweeney Todd. È difícil negar a negra beleza deste filme.

Se Brad Pitt destaca pela positiva, Cate Blanchett, normalmente, deslumbra e mais uma vez é actriz e tanto para comandar o filme na ausência do galã loiro de olhos azuis, o se talento é simbiótico com a bem detalhada caracterização da sua personagem, a ver a transformação da belíssima actriz para uma idosa á beira da morte. Tilda Swinton também surge no filme, sendo a sua presença cada vez mais frequente, aqui constrói uma mulher adúltera, requintada com uma “mão cheias” de sonhos por concretizar, uma das suas melhores interpretações, para mim melhor que o oscarizado papel em Michael Clayton (2007 – Tony Gilroy). Temos ainda Taraji P. Henson, de forte carácter, uma pequena pérola como actriz e como personagem, desempenhado aqui a mãe adoptiva de Benjamin Button, conhecida pela sua participação na série Boston Legal, consegue beneficiar da maravilhosa composição de uma personagem deixada a segundo plano. Jason Flemying, um daquelas caras conhecidas, mas que por norma não decoramos o nome, tem aqui a oportunidade de brilhar no papel de Thomas Button, pai biológico de Benjamin. Quanto a Julia Ormond, bem, a sua personagem não deu muitas oportunidades de destacar.

Os estúdios expressaram que Fincher pressionou demasiado a produção, segundo eles, o realizador de Se7en e Fight Club queria fazer o melhor filme possível para arrebatar nos Óscares, tendo causado algumas implicações dentro da produção do filme, se tal for verdade e se este filme vencer na cobiçada estatueta de Melhor Filme, é as provas que temos que quando querem e acreditem, os autores e os envolvidos conseguem premeditar na qualidade do filme. Calma amigos, o veredicto disto tudo, é que expectativas, trailers, posters negros, não defraudam ninguém, The Curious Case of Benjamin Button é mesmo aquele “grande” filme que toda a gente ansiava. Realização, fotografia, ambiente, efeitos visuais, actores (a química entre Pitt e Blanchett é perfeita), o argumento, maquilhagem, etc, etc, resultam numa obra indispensável neste novo milénio.

My name is Benjamin Button, and I was born under unusual circumstances.

 

A não perder – para termos uma ideia de como será Brad Pitt daqui a uns anos.

O melhor – A sua negra postura dá-lhe uma beleza invulgar

O pior – só mesmo as criticas do jornal Publico acerca do filme

 

Recomendações – Forrest Gump (1994), Edward Scissorhand (1990), The Elephant Man (1980)

 

 

9 estrelas” “O Cinema tem o dom de falar todas as línguas e tocar toda a gente de forma diferente. Muitos de vocês serão arrebatados por Benjamin Button, alguns nem tanto. Claramente, eu faço parte do primeiro grupo. Porque este não é um filme apenas sobre a vida de um homem que vive ao contrário; porque este não é apenas um filme que versa sobre as dificuldades da vida; porque este não é, no fundo, "apenas" um filme.Close-Ups

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:08
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4 comentários:
De Tiago Ramos a 17 de Janeiro de 2009 às 21:47
Sim, concordo realmente com a tua crítica. É material para Óscares e com muito boa vontade, arrebatava-as quase todas. Parece apenas é que vai acabar por passar um pouco à margem, infelizmente... Espero estar enganado, mas se acontecer o mesmo que nos Globos de Ouro... :(


De Siul a 17 de Janeiro de 2009 às 22:06
Como eu digo e volto a repetir é um excelente filme e também merece um oscar.


De Filipe Coutinho a 17 de Janeiro de 2009 às 22:38
Parece que voltamos a estar de acordo :p Também partilho da tua nota, apesar de ela ser proveniente de muita ponderação. É que no início tudo parecia um pouco estranho mas no final tudo encaixou perfeitamente.

Obra-prima.

Abraço

PS: Para quando a crítica do Changeling?


De Catarina d´Oliveira a 18 de Janeiro de 2009 às 10:02
Eu avisei que era brilhante :P

Ao grande nivel (apesar de noutras circunstancias) de seven ou fight club...fincher é sem duvida um dos grandes e indubitavelmente um dos meus realizadores de eleição!

E que Button faça melhor carreira nos oscares do que tem feito ate agora nos outros premios:S é que merece mesmo!

PS (gostei muito da tua escolha da frase do close up :P)


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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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