Real.: Sofia Coppola
Int.: Kirsten Dunst, Jason Schwartzman, Rip Torn
O filme centra-se na história da vida de Marie Antoinette, princesa austríaca que chega a França, com 14 anos, para casar com o futuro rei Luís XVI e originar um herdeiro.
Depois de deslumbrar meio mundo com a sua obra anterior (Lost In Translation), o novo filme de Sofia Coppola era um dos mais esperados do ano, tornando-a automaticamente uma celebração, uma promessa forte para o mundo da realização cinematográfica. O problema está que Coppola assumiu-se prematuramente como uma mestre na arte e deu asas á imaginação para qualquer liberdade artística descrita no filme. Nomeadamente a banda sonora, indigna de um filme de época, a escolha de música rock e pop, faz com que por vezes nos ocorre estarmos a ver um simples filme de adolescentes, lembramos outro caso semelhante (A Knight's Tale).
O filme começa bem descritivamente na retratação dos costumes, vestuários e etiquetas da época, uma das melhores desde Barry Lyndon e Il Mestiere delle Armi, relembrando a cena do ritual de acasalamento, tão bem montado como escrito no Memorial Do Convento de José Saramago. Nesse caso o filme consegue enrolar-se pormenorizadamente e consegue tornar-se num exercício de estilo encabeçado por uma Kirsten Dunst nunca vista (sua melhor interpretação). Mas chegada a ultima metade, como qualquer informado de história sabe o negro destino de Marie Antoinette, Coppola esqueceu disso e atribuiu uma narrativa episódica e pouco esclarecedora, ausente de qualquer suporte histórico que apoie o espectador a seguir a fita e de repente como não teve mais para dizer (com certeza teria, mas Coppola foi preguiçosa) constrói um final apressado e com pouco paladar (relembramos também Lost In Translation e o seu insonso final).
Marie Antoinette é uma desilusão, acaba por ser um filme fútil, sem emoção e com vários erros de casting, mas contundo não deixa ser interessante o seu conteúdo, a sua reconstituição histórica, apesar de muito mal aproveitada pela realizadora. È a prova que Coppola ainda tem muito para aprender.
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