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8.11.08

Deixando-se levar pela sofisticação!

 

Depois de uma segunda estância, parece que o público já se habituou a assistir Daniel Craig como 007. Pudera, após os resultados obtidos em Casino Royale [ler crítica] que colocaram este arriscado reboot no mapa das melhores missões do agente secreto mais famoso do Mundo. Martin Campbell, o maestro desse mesmo episódio, inverteu a tendência bondiana e enraizou Bond a uma humanidade envolvida, até porque o nosso imaculado herói revela-se frágil, sentido e sob a capacidade amar, acima dos seus dotes de Casanova do século XX. O mesmo podemos referir à acção, induzida e injectada por doses de realismo e alicerçadas a uma paciência invulgar neste tipo de franchise, transladando os seus climaxes a uma simples troca de olhares entre jogadores de uma mesa de póquer do que o habitual confronto físico entre herói e vilão. Pois, Casino Royale ficou-se como um anti-Bond, uma lufada de ar fresco que fez com que os produtores esfregassem as mãos. Tudo porque os seus desejos foram concretizados, 007 está mais próximo de Jason Bourne, o pseudo-espião que alterou para sempre a maneira de fazer cinema de acção pós-11 de Setembro, e através disso, chegando ao seu público.

 

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Neste segundo filme, e sob um dos títulos mais sugestivos da saga, Quantum of Solace, a atenção centra-se sobretudo na acção propriamente dita, não por esta sequela ter vivido em tempos negros da greve dos argumentistas (tal factor condicionou o próprio argumento e as sequências desta natureza eram os melhores exemplos de, literalmente, "tapar buracos"), mas porque após a introdução deste novo universo não haveria tempo a perder com tais formalidades. Nesse sentido, Marc Forster (Monster's Ball, Finding Neverland), o novo detentor da batuta, conduz um filme sob um velocidade excedida de 100 km/h, mas com um pé constantemente assente no pedal da "embraiagem", para eventuais abrandamentos de ritmo e de certa forma seguir o estilo incorporado de Casino Royale. Esta sequela directa tem a vantagem de ser menos despreocupada e confiante, mas não por isso ignorado o trabalho esboçado por Martin Campbell e sua equipa (a pressão do estúdio e muito maior, e tal é evidenciado, no ritmo desequilibrado que o filme apresenta constantemente).

 

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Mas nem tudo é pólvora seca nesta promissora continuação que continua as respectivas obras de modernização. Quantum of Solace manobra-se em uma intriga sob contornos ecológicos de geopolíticos (argumento de Paul Haggis, do oscarizado Crash), porém, amenizados pelos também protótipos de uma eventual sofisticação a nível de franchise, entre eles o  seu vinculado teor de heist movie e a caracterização da elegida bond girl, interpretada por Olga Kurylenko que após o fracassado Hitman [ler crítica] é novamente a "menina irrequieta". A nossa sidekick feminina concentra numa mulher movida pela vingança, desejos esses que estão a acima de qualquer envolvência amorosa com o nosso herói, agora convertido a anti-herói. Pois claro, existe aquela elipse que nos aborda o arrependimento e por sua vez o perdão como moralidade requisitada e embutida pelo meio, mas isso é outra conversa, porque tal injecção forçada nos leva a territórios inconsequentemente bacocos.

 

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Contudo, Quantum of Solace, que tão longe encontra do surpreendente Casino Royale e até mesmo dos mais divertidos episódios do nosso espião ao serviço da Majestade, serve somente como confirmação de que Daniel Craig está para as "curvas" na pele de tão enigmático personagem. Sua escolha não foi em vão, não senhor!

 

PS – destaque para as referências de outros filmes da saga Bond, nomeadamente um cena em particular que serve de homenagem ao filme Goldfinger (1964), da dinastia de Sean Connery.

 

"The first thing you should know about us is... we have people everywhere."

 

Real.: Marc Forster / Int.: Daniel Craig, Gemma Arterton, Jeffrey Wright, Mathieu Amalric, Giancarlo Giannini, Anatole Taubmann, Judi Dench, Olga Kurylenko

 

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O melhor – Ser um filme de acção, e como tal não envergonha na sua respectiva categoria

O pior – Não possuir a paciência narrativa e dramática de Casino Royale

 

Recomendação - Max Payne (2008), The Bourne Ultimatum (2007), Transporter 2 (2005)

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:42
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