Data
Título
Take
19.10.08
19.10.08

Real.: Matteo Garrone

Int.: Salvatore Abruzzese, Simone Sacchettino, Salvatore Ruocco

 

 

Gomorra era uma das duas cidades destruídas por Deus devidos as práticas excessivas dos pecados carnais e mortais, segundo a Bíblia, é aqui neste filme de Matteo Garrone que o trocadilho de Camorra para Gomorra, faz todo o sentido. Sendo uma adaptação cinematográfica do livro de Roberto Salvatore, um retrato documental e jornalístico da Máfia presente em Nápoles, Gomorra foi um dos filmes italianos mais aplaudidos dos últimos tempos, que revela um nova energia num subgénero que se guia na sombra dos clássicos como The Godfather e Scarface. Cheio de referencias a esse género cinematográfico, a fita, tal como o livro é um “quadro” cru, neorealista que combina o documental com o ficcional, englobado por varias histórias de puro realismo e credibilidade que vão desde dois jovens que decidem sozinhos desafiar a máfia local, roubando-lhes a sua artilharia, um alfaiate que se vê envolvido em conflitos após dar aulas de costura a uma fabrica controlada por chineses, uma criança que tem que submeter a provas de lealdade para entrar no circulo mafioso da sua terra e um jovem licenciado que começa a notar irregularidades e ilegalidades no seu primeiro emprego, tudo isto forma um mosaico que reflecte mão pesada e sem maniqueísmos, o crime organizado (Camorra) que ainda se pratica na zona de Nápoles.

È um filme sem introdução ficcional e nem artifícios de encenação cinematográfica, as personagens surgem e desaparecem sem aviso prévio, tal como na vida real, o que temos á nossa frente é apenas um só carácter, o cefalópode que é a Máfia, cujo os tentáculos englobam todas as formas possíveis e é controverso pensar que tudo e todos são dispensáveis e descartáveis face a tal “monstro”. Gomorra compete a proeza de ser o mais realista de todos os filmes da máfia, enquanto The Godfather apresentava uma riqueza narrativa e ficcional, o filme de Garrone apresenta-se na simples morfologia de ser, contudo é na sua crueza que se diferencia de tudo o resto.

O cinema “mafioso” sempre teve um impacto colossal na historia do cinema, por norma são filmes ricos e complexos, qual apresentam personagens marcantes cujo a linha que separa do bem e do mal nunca é tão definida, e segundo a lição que a referida historia sempre deu, quanto mais fundo e profundo retratar as finalidades destas organizações secretas, maior é o resultado e a margem para conceber uma viagem estonteante, o desconhecido sempre fascinou o homem. Enquanto nos inúmeros filmes do subgénero seguimos a jornada de fora para dentro em Gomorra, o espectador já se encontra no seio, numa profundidade perturbante. O filme mais intrigante do ano.

O melhor – a crueza e o realismo quase documental

O pior – uma fraca recepção das personagens devido a registo narrativo

 

Recomendações – The Godfather (1972), Scarface (1983), Sleepers (1996)

 

8/10 ****

 

"Gomorra" – 8 estrelas “(…) aproxima-se não só ao excelente cinema italiano mas, sobretudo, à comunidade da cinefilia europeia onde a crueza, a naturalidade e o realismo da filmagem fazem toda a diferença. Mas estes não são os únicos aspectos que permitem um distanciamento face à indústria de Hollywood já que existe uma palavra denominada "intensidade" e, neste caso concreto, é ela que define o principal contorno que "Gomorra" optou por seguir em uma espécie de documentário transformado em ficção." Cinema is my Life

 

Gomorra” – 8 estrelas "Atrevo-me a dizer que foi um dos retratos da máfia mais reais que alguma vez vi, em parte pelas excelentes interpretações dos actores, na sua maioria amadores, que entregam ao seu papel tamanha dedicação e intensidade, que cheguei ao ponto de me questionar se estes não pertenciam à Camorra."Ante-Cinema

 


publicado por Hugo Gomes às 21:52
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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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