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6.9.08

“Anibatman”!

 

Warner Bros fez exactamente o mesmo com a sua antiga pérola de êxito –Matrix, em que na produção da sua sequela, Reloaded, lançou para o mercado o experimentalista Animatrix, que servia de ponte para o filme de 1999 á sua sequela de 2003. Combinando o melhor de Hollywood e da animação japonesa (Anime), reunindo sete dos mais prestigiados autores desta arte cinematográfica. Sendo Batman, o novo Matrix da Warner e para poder talvez facturar mais um pouco à conta deste franchising e acima de tudo criar expectativas mais fortes para aqueles que esperam ansiosamente The Dark Knight, eis a produção de Gotham Knight, tal como Animatrix é um experiência animada e criativa que constitui como ligação entre Begins e Knight.

 

 

Gotham Knight é a interligação entre seis histórias animadas de diferentes autores de animação japonesa, cujos respectivos tem a marca do seu criador, uma ilimitação visual artística. As seis histórias formam um argumento pouco consistente, que apenas funciona como uma experiência de estilo múltiplo. Quanto à obra interligada, não esperem grande fidelidade à saga de Nolan. A caracterização das personagens, quer fisicamente como psicologicamente, como também na figura que Gotham City tem ao longo desta fita são verdadeiros anti-Nolan. Para os mais puristas fãs de The Dark Knight, fica o conselho de encarar Gotham Knight como um spin-off animado, uma interessante incursão abstracta da série que já faz (muito) sucesso em todo o Mundo.

 

 

Batman é uma personagem americana que cai em perfeito equilíbrio com o estilo japonês, a visão da entidade heróica pelos nipónicos é bastante requerida em o Homem-Morcego; passados trágicos, lutas constantes nas consciências e uma melhor verosimilhança na sua própria figura. Batman é um personagem romanesco com contornos de um detective moderno que encontra neste “extenso mar”, a sua aparição criativa na sociedade. Quanto às seis histórias, elas variam entre o mais intrínseco e a pura simplicidade, do experimental ao mais básico em termos animados. O filme inicia com Have I Got A Story For You, uma perspectiva da figura sombria através dos olhos de uma criança, o mais experimental dos seis, depois seguimos com Crossfire, talvez o mais desequilibrado das histórias, a animação é boa, mas a premissa não chega a cumprir. Neste segmento, a promessa está numa discussão entre dois policiais, Agente Ramirez  (voz de Anna Ortiz) e Detective Crispus Allen  (com voz de Gary Dourdan, mais conhecido como Warrick Brown da série CSI) que se debatem sobre a influência de Batman em Gotham City, um tem a opinião de que se trata de um salvador, o outro demonstra constantemente que não se conforma em receber ordens de um vigilante. Os diálogos dessa mesma discussão são bacocas, repetitivas e sem argumentos, além das fúteis e maniqueístas palavras como “Batman é bom” ou “Batman é mau”.

 

 

Field Test é o segmento mais tradicional em termos de desenho, onde assistimos um Bruce Wayne 100% nipónico, mas inconsequentemente caracterizado. É um objecto interessante, mas não devidamente coeso. In Darkness Dwells, a animação mais sombria, assemelha-se a um simples episódio de um série animada, com acção do início até ao fim, talvez seja a de todos os episódios, o mais fútil e sem sabor. Nesta criação de Yasuhiro Aoki, que coordenou a animação de muitos animes célebres como Sailor Moon e Neon Evangelis, surge a versão japonesa de Scarecrow, o vilão inicial de Batman Begins, sobrevém da forma mais clássica, mas afastada da caracterização da saga, se a intenção de The Gotham Knight era para ser uma espécie de “ponte” entre os dois filmes da Warner Bros, então temos aqui uma inverosimilhança a corrigir. O quinto segmento, Working Through Pain é talvez a mais equilibrada, quer em termos de animação, quer em termos de argumento, a cabo de Brian Azzarello e Jordan Goldberg. Uma viagem intrínseca à um dos factores de conversão de Wayne para Batman. O último e talvez mais agradável para os fãs é Deadshot, que apresenta o grande vilão do filme, o homónimo hitman num básico argumento de herói contra vilão. A animação é das melhores, a caracterização da cidade de Gotham é a mais próxima com dos filmes.

 

 

Algumas inverosimilhanças desta “ponte” com os filmes está na caracterização de Alfred, o fiel mordomo de Batman que aqui surge da forma mais clássica da personagem, um simples mordomo moralista, calmo e sempre a servir o seu amo, ao contrário da incursão de Michael Caine que soa mais como um pai adoptivo de Wayne, um aposentado sargento que “guia” o constantemente o justiceiro das trevas. Outro “erro” assim por dizer, é as imagens em que surge Wayne e Alfred dentro, daquilo que parece ser, a mansão Wayne, e para quem viu Batman Begins  (2005) sabe muito bem que destino teve este luxuoso imobiliário.

 

 

Para os amantes da animação oriental, eis um objecto a não perder. Batman: Gotham Knight é uma incursão interessante em termos visual e uma pequena “alegria” para o novo legado de fãs deste herói da DC Comics. Não esperem aqui uma obra-prima, porque evidenciamos neste filme um certo desequilíbrio narrativo, todavia, tolerável.

 

Real.: Yasuhiro Aoki, Futoshi Higashide, Toshiyuki Kubooka, Hiroshi Morioka, Jong-Sik Nam, Shoujirou Nishimi / Int.: Kevin Conroy, Jason Marsden, Scott Menville, George Newbern, Gary Dourdan, Anna Ortiz




O melhor –  as diferentes disponibilidades e diversidade de desenho

O pior –  nem todas as histórias apresentam o mesmo rigor argumentativo.

 

Recomendações – Batman: Mask of the Phantasm (1993), Animatrix (2003),Star Wars: Clone Wars (2008)

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:16
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