Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008
21.8.08

Real.: Andrew Stanton

Int.: Fred Willard, Paul Eiding, Jeff Garlin, Sigourney Weaver

 

 

Para começar quero apenas dizer que a Pixar é talvez o único grande estúdio de animação digital a apostar em novas narrativas para os seus filmes, novos elementos e conteúdo, remodelado o classicismo próprio da Disney, o qual empregou e da sofisticação dos novos tempos, nomeadamente os desenhos cada vez mais elaborados e vistosos. Ao contrario da muito comercial Dreamworks, que vive apenas da sombra dos seus sucessos e no esgotamento dos seus filões bem sucedidos, a vencedora Pixar deu nestes últimos anos 9 filmes de animação irreverentes, cada um marca o seu tempo e todos eles dão que falar, como também são incríveis êxitos de bilheteira e publico, ou seja não são poucos os que emocionam com a historia de brinquedos falantes, a de monstros carinhoso, formigas com mais miolos que força, carros animados e até mesmo um rato que cozinha. Em pleno ano 2008, o estúdio pertencente de John Lasseter faz aqui a sua mais arriscada animação de sempre, ao apresentar ao mundo Wall-E, o originário digital de Charles Chaplin.

 

O filme inicia numa viagem pouco usual no futuro do planeta Terra, que se resume a uma gigantesca lixeira e nela encontramos Wall-E (Waste Allocation Load Lifter Earth- Class), um robô criado com o propósito de limpar e “arrumar” o lixo apropriadamente, o problema reside no seguinte; passado centenas de anos continua a fazer aquilo que foi programado, sendo o único “habitante” do planeta abandonado. Um dia que começou como tantos outros, surge uma nave espacial que liberta Eve, uma andróide que vem a Terra com o propósito de relatar as suas condições e esta descobre em Wall-E a solução para o regresso dos humanos. Inicia-se como um conjunto de gags bem-humorados por parte de Wall-E que resume numa perfeição técnica e graficamente simples, sem precisar de diálogos Wall-E cativa a multidão, tal como há 70 anos, quando Charlot Chaplin regia o cinema mudo com as suas comédias físicas que nos dias de hoje ainda residem com as melhores. Tendo a sua temática semelhante a do conto de Richard Matheson (I Am Legend), a passagem do simpático robô na Terra é um dos melhores misé-en-scene deste ano e a não perder.

O desenvolvimento ilude o próprio espectador que poderá pensar estar perante apenas duma comédia animada, mas discretamente e fluentemente a premissa evolui para uma comédia romântica e mais tarde para uma ficção cientifica moralista, que utiliza a seu favor as referencias do melhor do género, falo obviamente de 2001 – Odisseia no Espaço e Blade Runner, tendo como palco de fundo uma mensagem ecológica, mas nisso até trata-se de outra ilusão. Porquê? Porque detrás dessa mensagem fácil esconde como por aviso um certo criticismo ao sedentarismo e ao isolamento, esse factor está presente no paralelismo da raça humana com a da tecnologia que cada vez mais impossibilita o contacto humano, em Wall-E esse conceito está presente na composição dos humanos do futuro que se reflectem na imagem quase caricatural dos países desenvolvidos. Outro factor para tal e mais evidente, é a história de amor entre Wall-E e a “esteticamente” simples Eve, que se constituem num dos melhores romances cinematográficos dos últimos anos.

È o prodígio da nova animação e para quem pensava que a Pixar já tinha esgotado a sua formula de sucesso desde as maravilhas que forma Carros e Ratatui, enganaram-se redondamente porque em Wall-E, não está só o melhor do ano no género, mas sim a melhor animação dos últimos tempos, o seu arrojamento é a sua simplicidade que o torna único. Uma obra-prima e mais uma vez parabéns Pixar.

O melhor – A coragem da Pixar em produzir um filme de animação tão arrojado

O pior – o preconceito de ser uma animação e ser semi-mudo.

 

Recomendações2001 : A Space Odyssey (1968), I Am Legend (2007), Modern Times (1936)

 

 

10/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:51
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