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Título
Take
18.8.08

Real.: David Cronenberg

Int.: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, William Hurt

 

 

O cinema sempre foi apaixonado por passados misteriosos, no conceito que por detrás da mais desinteressante personagem esconde uma história improvável e decisiva para a volta do enredo. David Cronenberg converte esse já revisto cliché para se integrar numa jornada ás profundezas da alma humana, nas consequências que isso envolve com os outros em redor, na transformação de um homem comum na contemplação de um herói. È essa incursão a la Alfaiate, que o prestigiado realizador canadiano, que largou já há muito o cinema fantástico, inicia o seu filme. Tom Stall (Viggo Mortensen) é um homem feliz com a sua mera e normal vida familiar e profissional. Vive com a mulher que ama (Maria Bello) e com os seus dois filhos numa pacata e pacifica cidade, o seu emprego é apenas servir num restaurante, nada mais do que isso, mas é quando esse estabelecimento é assaltado, Stall se exibe uma enorme sincronização de movimentos, uma agilidade invulgar e uns reflexos duvidosos que impedem de acontecer o pior, para ele, para o restaurante e para os clientes. Automaticamente é aclamado de herói popular, mas não passando muito tempo, um misterioso homem chega á cidade e diz que o pacato Tom foi no passado um extremo assassino.

Trata-se de um filme impulsivo entre o Inferno e o Paraíso, a consagração do termo herói e vilão não são muitos diferentes daquilo que julgamos, divididos entre uma barreira quebrável, além de um thriller psicológico é um drama familiar da maior força de vontade por parte de Cronenberg. Nesta viagem aos confins da negrura da violência de cada um, o autor de Spider faz uma inseminação das suas personagens, constituídas com caracteres sólidos e intrigantes, tendo todas elas a sua singularidade e consequências. Viggo Mortensen encontra aqui aquilo que poderá muito bem ser uma escapadela ao cinema mainstream e um encontro duro com um circuito mais independente e mais carnal. O sempre conhecido rei Aragorn de o Senhor dos Anéis se provenha de uma interpretação forte e dual, mesmo que o melhor desempenho da fita, a meu ver, pertença a discreta Maria Bello que corresponde á doçura e á magoa em pessoa. No mesmo propósito ainda podemos contar com um Ed Harris sempre deslumbrante (ainda não observei nenhuma interpretação fraca deste actor, personagens sim, mas interpretações não) e William Hurt que consegue trazer alguma personalidade a um final que cai como “anjo na Terra” na simbiótica relação com a banda sonora de Howard Shore, que perdura mesmo na saída do cinema.

A narrativa e lenta, cuidada e cheia de esperança, como também imprevisível que é algo de bom num drama destes. Trata-se de um filme duro em termos psicológicos, de violência possui pormenores chocantes e não é só o poder das imagens que resume um filme, mas o poder da alma que é depositada em qualquer um. È de louvar um grande filme vindo de Cronenberg, principalmente um de conteúdo poderoso difícil de esquecer, uma obra adulta a frequentar as listas dos melhores do ano 2005.

 

O melhor – A realização cuidada de Cronenberg e a anda sonora de Shore

O pior – saber que tudo o que se perdeu não voltarei a ser recuperado

 

RecomendaçõesEastern Promises (2007), The Bourne Identity (2002), Leon (1994)

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:12
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3 comentários:
De Pedro Almeida a 18 de Agosto de 2008 às 22:15
Adorei este filme
Não percebi o que queres dizer com o O pior – saber que tudo o que se perdeu não voltarei a ser recuperado.


De Hugo Gomes a 18 de Agosto de 2008 às 22:32
De inicio, Tom Stall tem uma vida perfeita, mas depois dos acontecimentos nada voltará como dantes, e mesmo com esforço por parte da familia em tentar aceita-lo, não daria em nada, porque a experiencia já está marcada. O final é meio cliffhanger e com todo o direito, o desfecho é interpretado diferentemente por cada um.


De Pedro Almeida a 18 de Agosto de 2008 às 22:39
Afirmativo.
Gostei mais do Históry Of Violence, do que as Promessas Perigosas.
Mas também os filmes não têm nada a ver um com o outro.
Continuação

^^


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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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