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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Nem tudo vai ficar bem

Hugo Gomes, 23.02.21

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Podemos estar sentados nos nossos sofás à vontade, os filmes de confinamento estão somente no seu sorrateiro início, porém, trazendo consigo, elementos não de todo novos.

Safer at Home” é o mais recente thriller de Will Wernick, realizador dotado nos últimos tempos de um apetite voraz a enclausuramentos, nem que seja por meios recreativos que de alguma forma dão para “o torto”, as armadilhadas “Escape Rooms”, impostas no seu homónimo projeto de 2017 e na sua variação de 2020 – “Follow Me”. Contudo, é com o dito locked down, que regressa, em recursos voluntariamente limitados e de narrativa de igual ambição. Aqui, em “Safer at Home”, no meio da pandemia de Covid-19 nos EUA, sete amigos reúnem-se numa videoconferência para emborcar e se envolverem em jogos lúdicos de forma a facilitar os dias monótonos e cinzentos. E é no calor desse convívio, acompanhados por álcool e drogas, que a situação descarrila, adquirindo contornos trágicos.

Safer at Home” é, na sua composição, um desktop film – estilismo que tem vindo a ser preparado para os nossos dias graças a cultos de género como “Open Window” (Nacho Vigalondo, 2014),Unfriended: Desprotegido” (Leo Gabriadze, 2014) e “Searching: Pesquisa Obsessiva” (Aneesh Changathi, 2018), tendo sido anteriormente introduzidos, em contextos divergentes (pressuposto), em ensaios como “Transformers: The Premake (A Desktop Documentary)” (Kevin B.Lee, 2014) ou como dispositivo narrativo de “Hermosa Juventud”, do catalão Jaime Rosales – que nos leva a questionar sobre a nossa própria segurança, e mais, impotência sentida num isolamento destes tempos incertos (a verdade é que esta descrição já se tornou mais que cliché). Sem grandes apetites para ambições, tratando-se de um thriller que encaminha o nosso conforto para territórios comuns, com isto levando-os posteriormente a uma hiperbólica distopia (se bem verdade, há aqui vestígio de reciclagem às fórmulas de found footage).

Sendo aí [a dita distopia], perante algumas inverossimilhanças palpitam intermitentemente no enredo, que este estilo emergente (confessamos, já soam caducados) assume como novidade. É o medo partilhado e instalado em cada um de nós, a de um confinamento indeterminado. Porém, tal como aconteceu com outros exemplares desta vaga de produção pandémica, “Safer at Home” é novamente um retrato do recolhimento privilegiado, dando a entender que estamos “todos no mesmo barco”. Infelizmente, não é isso que temos vindo a experienciar – porque há quem esteja num cruzeiro, outros num iate, e vários de nós em botes salva-vidas.

Michael Douglas: o homem que odeia mulheres?

Hugo Gomes, 14.02.21

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Fatal Atraction (Adrian Lyne, 1987)

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Basic Instinct (Paul Verhoeven, 1992)

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Disclosure (Barry Levinson, 1994)

Digamos que o maior inimigo de Michael Douglas sempre fora a Mulher, o resumo da suas intrigas hollywoodescas, muitas destas integradas na sua joia da coroa enquanto ator. Assim foi em 1987, quando por vias do desejo (sempre o desencadeador desta trindade que vos falo) envolve-se com Glenn Close em “Fatal Atraction”, de Adrian Lyne (que mais tarde concederia uma resposta mais amena a este extremismo com “Unfaithful”), uma espécie de “Jaws para homens casados”, adquire nos dias de hoje um novo sentido e compaixão pela, diversas vezes reduzida a psicopatia compulsiva, Alex Forrest (Close).
 
Cinco anos depois, na pele de um detetive, Douglas viola o seu próprio código deontológico, seduzindo e deixando-se seduzir pela novelista e principal suspeita do brutal homicídio que investiga - Catherine Tramell (Sharon Stone) - em “Basic Instinct”. Não tendo o mesmo impacto que os anteriores, e porque por vezes a “terceira não é de vez”, Douglas, mero empregado, é assediado sexualmente pela sua superior hierárquica, uma Demi Moore pronta a destruir tudo e todos em nome da sua fantasia em “Disclosure”.
 
Com esta trilogia e a passagem de anos que acarreta, começamos a duvidar da, até então, “inocência” de Douglas nestas suas avessas com o sexo feminino, e sob um novo olhar (entendendo a dominância masculina em Hollywood), questionamos se não será o próprio ator o verdadeiro antagonista, o atormento deste clube de incompreendidas? A verdade, é que todas elas cedem ao seu encanto de alguma forma!

 

 

Um colecionador de autores ...

Hugo Gomes, 09.02.21

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Jean-Claude Carrière (1931 – 2021) foi um dos mais impressionantes argumentistas do nosso tempo, e não há adjetivos que chegue para representar a sua genialidade e, mais que isso, hiperatividade. Digamos que a sua carreira fala por si.

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Birth (Jonathan Glazer, 2004)

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L'ombre des femmes / In the Shadow of Women (Philippe Garrel, 2015)

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Le Charme Discret de la Bourgeoisie / The Discreet Charm of the Bourgeoisie (Luis Buñuel, 1972)

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Cyrano de Bergerac (Jean-Paul Rappeneau, 1990)

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The Tin Drum (Volker Schlöndorff, 1979)

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The Unbearable Lightness of Being (Philip Kaufman, 1988)

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Possession (Andrzej Zulawski, 1981)

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Passion (Jean-Luc Godard, 1982)

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Antonieta (Carlos Saura, 1982)

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Valmont (Milos Forman, 1989)

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Milou en Mai / Milou in May (Louis Malle, 1990)

 

Calma ... aqui o bem é praticado

Hugo Gomes, 07.02.21

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Da mesma forma que um suposto “maluco” que diz ser “maluco”, verdadeiramente nunca o é, uma “pessoa de bem” que diz ser “de bem” nem próximo está. E quem mais apropriado para nos pregar isso mesmo que “Viridiana” de Luis Buñuel (1961), filme que remexe em territórios profundamente sagrados da Cristandade, o seu Poder entre os desfavorecidos e carenciados que nunca resultam na imunidade moral. Enquanto temos um filme-fenómeno na Netflix - “The White Tiger” (Ramin Bahrani, 2021) - que discursa que para subir nesta vida há que corromper os seus próprios ideais sem qualquer tipo de remorso ou consequências, o clássico aqui exposto nos oferece a possibilidade de olhar para o miserabilismo sem candura alguma. A podridão nasce, cresce e persiste, até mesmo nos seios dos “coitadinhos”. É a raça humana, diriam alguns, sem distinção quanto a classes.

Todo o amor do mundo para Plummer

Hugo Gomes, 05.02.21
Há poucos dias de Hal Holbrook ter “ido” sem nos avisar, chegou a vez de Christopher Plummer, um daqueles atores que tem sido um secundário de luxo, uma honra de cumplicidade, partir aos 91 anos de idade. Tendo um carreira longuíssima desde o inicio dos anos ‘50, contando com alguns filmes memoráveis entre os quais o melhor dos Michaels Manns – “The Insider” – ou alguns dos trabalhos mais reconhecíveis de Terry Gilliam. Até mesmos nos esquecíveis o homem conseguia encher a tela com a sua presença e posicionar-se em escolhas ingratas como aquela substituição de Kevin Spacey no hediondo filme de Ridley Scott (“All the Money in the World”).
 
Uma vénia da minha parte ...
 

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The Imaginarium of Doctor Parnassus (Terry Gilliam, 2009)

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Wind Across the Everglades (Nicholas Ray, 1958)

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The Girl with the Dragon Tattoo (David Fincher, 2011)

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The Insider (Michael Mann, 1999)

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Eyewitness (Peter Yates, 1981)

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The Sound of Music (Robert Wise, 1965)

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Beginners (Mike Mills, 2010)

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Stage Struck (Sidney Lumet, 1958)

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