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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Porque acreditar na nossa mera existência ... é pouco!

Hugo Gomes, 25.09.20

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“No que vamos acreditar, se Deus não existir?”
“Sei lá eu, talvez na nossa existência?

O pombo descolou do seu ramo, migrou com promessas de uma primavera vizinha, deixando para trás a Humanidade debatendo sozinha com a sua mortalidade com tamanho absurdismo. Entre perdas de fé à tristeza embaraçosa ou somente a cobiça pelas conquistas dos outros que envergonham as nossas vivências, um “bando” (assumindo a semântica ornitóloga) de infelizes, e zombificados, condenados à tumba, que durante as ditas “férias da morte” promovem os seus problemas de primeiro “mundinho”.

Setes anos depois do seu consagrado filme – “A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence” – o sueco Roy Andersson traz até nós mais uma colheita de episódios de um humor mórbido, seco e tão familiar para com as nossas “diferentes” peles. Depois da pandemia e as ameaças de uma segunda vaga, este conjunto de quadro-vivos chamado “About Endlessness” resultou numa boa interação com o nosso bovarismo crónico.

Como odiar Antebellum?

Hugo Gomes, 23.09.20

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É possível odiar “Antebellum” sem seguir-se por ideologias políticas de ultra-direitas (para disfarçar o extremismo patético)? Obviamente que sim, até porque todo o filme joga com a abjeção de consciência perante as sequências de “horror” e pelo oportunismo da temática e consequentemente tecer um dispositivo quase demagógico. Porém, é nesse sentido que “Antebellum” consegue inverter a tendência e ser um objeto frágil mas confiante nos seus emotivos gestos (defendo a sua quebradiça postura de importunação). Agora, se odiamos o filme dentro dos quadrantes políticos, bem, isso entramos num território ético do qual não existe discussão possível.

Été 85: o verão de um "condenado" amoroso

Hugo Gomes, 11.09.20

MV5BOTM4ZTg5ZjItNzdhNy00M2E1LThkOTUtODAyMzdiZjJjMjFalou-se aqui de um “Call Me By Your Name” francês, sendo que a única coisa que tem de comum (para além do óbvio romance homossexual) é o saudosismo para com a época descrita, transformando músicas pirosas em marcos da nossa emotividade e paixonetas estivais por amores shakespearianos com a sua pitada de macabro. É um (pequeno) grande passo de Ozon após o certinho e igualmente deslavado “Grâce à Dieu”, evidenciando aqui um jeito algo tosco em salivar por velhos temas existenciais e eternos gestos autorais. É um filme com a sua personalidade, mesmo que por vezes seja levado pelas ondas ("como uma onda no mar", já dizia o 'outro')