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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

As belas trazem a morte consigo

Hugo Gomes, 30.03.19

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Michel Poiccard assim como a “oitava maravilha do Mundo” King Kong são “criaturas” fora do seu habitat natural que deambulavam numa selva de asfalto em busca de uma salvação possível, sob a conveniência de salvaguardar o seu projectivo romance. Ambos foram traídos pelo que mais amavam, consequentemente fuzilados à queima-roupa, sendo o alcatrão, o seu improvisado túmulo. A multidão cerca-os de igual forma nos dois casos.

Os diálogos finais e últimos atos pouco diferem, mas cujas divergências poderiam ser trocadas que mesmo assim preservariam o exacto simbolismo. Enquanto que na leva de Poiccard facilmente ouvir-se-ia “It was beauty killed the beast”, e no caso do símio “Qu'est-ce que c'est, "dégueulasse"?”.

Mas a cerimónia fúnebre está longe da convergência. Num deparamos com a morte da besta, enquanto que o outro é a morte do cinema clássico e a longa vida para o cinema moderno.

O pão de cada dia obriga a um esforço constante

Hugo Gomes, 20.03.19

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A oportunidade de assistir à versão longa de um dos filmes cruciais da carreira de Manoel de Oliveira é uma experiência única. Digo crucial, porque apesar de não ser o seu filme mais mencionado, nem sequer está nos 10 primeiros, foi um impulsor para uma mudança na sua visão de Cinema.


Escrevi alguns pensamentos sobre este filme, que na altura foi uma encomenda da FNIM (Federação Nacional de Industriais de Moagem), que mesmo não sendo de todo grandioso, existe alguma grandiosidade na sua natureza.


"O Pão segue a jornada de fabrico de tal suplemento "divino", e simultaneamente em paralelo com todos os quais o destino se cruza nesta manufaturação, desde os jovens camponeses que proclamam os votos matrimoniais até ao trabalho árduo no campo, passando pela sua distribuição e os diferentes destinatários, sejam eles o guloso da pastelaria, ou a criança de rua pronta a saciar a fome. O pão de cada dia, assim como é lembrado no início do filme, o divino e a divindade juntos para reforçar a vida de uma Pátria. Claramente, a obra de Oliveira apresenta-se como um objeto de fascínio do regime de época, carregando nas vontades leccionadas por Salazar: a Família acima de tudo, Deus acima de nós e o Pão como elo que interliga os imortais e mortais. É um imagem sacra, do trabalho exaustivo e ininterrupto para a conceção de tal herança. O português a ser escravo do Pão, ao invés do oposto." Ler texto completo aqui

A matemática de Jordan Peele resulta em génio?

Hugo Gomes, 19.03.19

54525216_10213542574495605_4279517542722043904_o.jJordan Peele banha-se no sucesso de Get Out e joga-se de cabeça a uma mescla de referências e jump scares fáceis. Aliás, é isso mesmo, Us é um filme fácil em todo o seu registo. Um Funny Games com cruzamentos de Twilight Zone e Crazies de Romero. Uma equação que parece apetitosa? Olha que não. De tudo isto, ao menos, viva a Lupita Nyong'o.

 

 

O meu Cinema é feito de Mulheres!

Hugo Gomes, 09.03.19

Não é só o dia 8 de Março que as mulheres devem celebradas, aliás, o dia da Mulher deve ser, sobretudo, normalizado. Todos os dias são dias de mulheres, e todas as mulheres fazem parte dos nossos dias. Como tal, eis o meu contributo, as mulheres especiais que integram o meu Cinema … digo por passagem, que são somente algumas.

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Feminismo capitalista inserido na MCU

Hugo Gomes, 05.03.19

53111028_10213458896923718_8476755997522657280_o.jPor mais montagens motivacionais que deparamos aqui, daquelas que facilmente encontramos nas redes sociais aos trambolhões, não existe feminismo em todo este quadro, apenas marketing com propósitos. Tudo isto serve para desmistificar o que o filme tem para oferecer fora dessas “mensagens”, o que é quase nada. Não existe ligação nem preocupação com as personagens (Samuel L. Jackson e o seu gato salvam de uma Brie Larson sem carisma), o argumento é dos mais rotineiro possível, as referências aos anos 90 são engodos sem importância, e a ação, muito devedora aos slow-motions, é tosca. Sim, Captain Marvel rompe até ao próprio automatismo da sua indústria / casa, para se tornar num dos piores da saga desde Thor: Dark World.

Antes que venha os fundamentalismos, havia muito mais em Wonder Woman que somente uma “cara bonita” (mas também não é o hino do empoderamento feminino que se tentou vender).