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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

E os Óscares?

Hugo Gomes, 25.02.19

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A convite do Cinetendinha e do caro amigo crítico e jornalista de cinema Rui Tendinha, estive presente (indiretamente) na noite de entrega das estatuetas douradas para mandar uns quantos bitaites sob o gosto dos comes e bebes e do cansaço sempre habitual desta espera pelo hipoteticamente Melhor do Ano. E sempre bem acompanhado por Paulo Portugal (da Insider) a mostrar novamente aqui o seu encanto. Muito grato pelo convite e pela oportunidade.

PS: a nossa intervenção surge a partir das 4:50:00

Enquanto isso, e após a “surpresa” do Green Book, expressei numa crónica corrida no C7nema. “Poderia ter sido o ano da mudança nos Oscars, mas não o foi. Preferiram ficar à sombra da bananeira.” Ler crónica completa aqui.

Gueule d'ange, de anjo só de cara!

Hugo Gomes, 19.02.19

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Disponível no Filmin Portugal (em exclusivo), um dos filmes menos consensuais da passada edição do Festival de Cannes. Estreado na secção Un Certain Regard, Gueule d'ange, de Vanessa Filho, é acima de um filme sobre a juventude perdida, é um retrato das novas convenções da maternidade e o que ela representa nos dias de hoje.

 

Caímos que “nem uns patinhos” nas referências e influências entranhadas desse mesmo Cinema, desde Little Fugitive, de Ray Ashley e Morris Engel (a promessa de Coney Island trocada pela promessa do Carnaval), até 400 Coups, de Truffaut (a mentira, “a minha mãe morreu”), passando por Nana, de Valérie Massadian (a emancipação imediata da criança) e porque não, o recente The Florida Project (a criação de uma realidade em separado para a distancia do mundo adulto). Vanessa Filho prova ser conhecedora desses mesmo códigos e entranhando no universo Lolita tece uma “naperon” por uma existência deslocada, emitida por um crescimento anti-natura.Ler crítica completa.

O cinema e os seus loops ...

Hugo Gomes, 17.02.19

52153211_10213359283273439_3289079375386902528_o.jCom Ghost Stories, de Jeremy Dyson e Andy Nyman, prestes a chegar aos nossos cinemas gostaria de recordar uma das mais impressionantes antologias do género de terror (e possivelmente das pioneiras no grande ecrã), que parece atualmente ganhar pó perante as memórias efémeras dos cinéfilos de “nowadays”.

Tendo as antologias de género uma “moda” que tenta colar-se nas industrias atuais, em 1945 surgia Dead of Night, um conjunto de cinco episódios e mais uma narrativa de ligação concebido a oito mãos, destacando obviamente Alberto Cavalcanti que emana um pesadelo psicológico e psicadélico tendo um boneco ventríloquo ("don’t call it dummy") como estrela. Por vezes esquecido face a muitos dos seus “filhos e bastardos”, como a série The Twilight Zone ou até mesmo o "cultuado" Groundhog’s Day e o agora fenómeno da Netflix, Russian Doll. Dead of Night é mais que antologia, é um corrente de temores da noite materializado no derradeiro ano da Segunda Grande Guerra.

Vale a pena espreitar, antes de dar atenção aos seus promíscuos influenciados.

Era uma vez … um anjo que cobiçava os Homens.

Hugo Gomes, 16.02.19

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Ele olhava de cima para estes minúsculos pontos em vanglória intensa, enquanto desperdiçavam a sua existência com futilidades. Mas o anjo não quis saber de morais, apenas desejava aquele (des)encanto, e acima de tudo a liberdade destes, a negação das asas, as mesmas que o mantinham preso ao seu céu. Tanto pediu que acabou por se tornar num eles; colorido, pecaminoso e efémero de desejos. Num ápice essas imperfeições converteram-se em qualidades. O anjo caiu, coexistiu com a gente mortal para depois, após ter experienciado todos os sabores da vida, voltar ao seu Reino. Se viveu feliz para sempre? Não sei, mas a eternidade foi lhe devolvida e agora é o “fruto” que mais lhe convém.

Para sempre nos nossos corações cinéfilos – Bruno Ganz

 

Falando com Dídio Pestana. Um pouco sobre tudo. Um pouco sobre nada.

Hugo Gomes, 13.02.19

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Tinha tudo para ser uma conversa intelectualizada, mas a humildade de Dídio Pestana me conquistou. Responsável pelo sound design dos filmes de Gonçalo Tocha, o agora realizador aventura-se num cinema íntimo a referenciar Jonas Mekas e Ross McElwee, porém, o resultado final é algo tão seu que merece ser partilhado ao Mundo.

Em Sobre Tudo Sobre Nada pretendia pegar em imagens pessoais e transformá-las num filme narrativo, uma história, neste caso diria 100% real, mas foi um processo em que permiti. Como falei, interessa-me esse lado pessoal do cinema, assim como cinema que se expõe, aquele em que vemos o realizador do filme ou o técnico de som, ou simplesmente a camara cai acidentalmente. Para isso, diversas vezes dava a câmara a outros para que pudessem filmar-me, porque no fundo o Cinema é isso, uma partilha.” Entrevista completa aqui.

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“É um bonito ensaio, sem com isto declarar o adjetivo como primário e infantilizado. Quem dera que muito do nosso cinema umbiguista tivesse este terra-a-terra das suas intenções, ao invés de cair por campos sem pássaros, silenciosos e pedantes na sua caminhada. Este é simplesmente um filme sobre tudo … e sobre nada.”  Crítica completa aqui.

 

 

 

 

A Portuguesa não nos deixa respirar ... por outros motivos.

Hugo Gomes, 13.02.19

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Por entre o uso dos planos conjuntos que tornam cada cena num quadro vivo, devemos olhar para A Portuguesa e procurar uma luz de enfoque que nos tire dos traços de natureza morta aqui perpetuados.

Morta? Sim, porque nada disto acrescenta, avança, nem inova no panorama de cinema português dito autoral, até porque, dentro do universo de Rita Azevedo Gomes, já acontecera oportunidades que chegue de sair do dito circulo de amigos o qual influencia e se deixa influenciar. A fragilidade do Mundo e até as vinganças femininas transportaram-nos para outros ares (esperanças assim sublinhadas), mesmo respeitando um legado em cima (devidamente homenageado nos créditos), mas depois da quebra imagética que houvera com Correspondências (a passividade visual ao invés do transe), A Portuguesa é um limbo. Esse mesmo que impede Azevedo Gomes de ser algo mais do que uma condutora de referências. Assim sendo, temos uma ditadora do cinema confortável.