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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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O Halloween envelhecido

Hugo Gomes, 26.10.18

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Por mais que se escreva sobre Halloween, o original de Carpenter obviamente, há que afirmar que é um filme do seu tempo, e … agora vem a parte da controvérsia … deve estar lá contextualizado. Em relação a esta “prolongação” da fancaria, os primeiros minutos são cruciais para entendermos o quanto “datado” é este Halloween. É que após anos e anos de investigação médica conclui-se que “Michael Myers é puro mal”, ou seja estamos aqui escancarados num autêntico atentado à inteligência do espectador, muito mais tendo em conta que vivemos num mundo-Trump, onde o maniqueísmo primário é servido como reação à lá Pavlov. Obviamente que jogamos por entre uma comédia involuntária, bafienta para com os já conhecidos códigos do slasher movie onde só o final parece redimir, mas encontra-se longe de salvar um filme sentenciado à pena de morte. Depois disto, o tão infamado remake de Rob Zombie possui mais dimensão psicológica. Quanto a Carpenter, o facto de aprovar isto, nota-se obviamente que tem contas para pagar.

A esperança está na nova geração

Hugo Gomes, 21.10.18

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De Michael Moore aprecio o seu humor, até porque nunca o considerei um sujeito muito neutro (Sicko é um grande exemplo disso), mas em Fahrenheit 11/9, possivelmente, deparei-me com o seu filme mais ambíguo e pessimista.

Contudo, encontrei réstias de esperança na sua "América" que tão bem refletem o resto do mundo. Simplesmente, porque estes ciclos de extremismos e de ódios são apenas isso ... ciclos, e tal como Orwell escrevia no seu 1984 - "A esperança está nos proles" - eu readapto para a "a esperança está nos ‘miúdos’". Ao ver jovens a interessar-se na politica e nas questões sociais com tamanha compreensão e Humanidade me faz pensar que poderemos até contar com um futuro risonho, basta simplesmente que as gerações mais antigas, neste momento os DDT da Vida (Donos Disto Tudo), deixem de existir e “rezar” para que as suas ideologias do “arco da velha” não se transmitem para os descendentes. Enfim, são esses novos que serão num futuro próximo melhores seres humanos que os anteriores (refiro aos mais antigos), sublinhando sobretudo a minha geração o qual ainda testemunho resíduos de ódio irracional e extremismos sem pingo de sobriedade e com absoluta compostura no patriarcado.

Não sou de comentar politicas nas redes sociais (visto que isto anda tudo saturado), faço apenas o apelo a que estes ‘rebentos’ resolvam a tempo as merdas que nós cometemos e que continuamos a cometer.

Justiça para Damien Chazelle

Hugo Gomes, 09.10.18

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Deixe-me defender o Damien Chazelle. Deixe-me sublinhar o seu nome como um dos mais jovens mais talentosos de Hollywood na atualidade. Simplesmente deixe-me, porque neste The First Man há todo um rigor no detalhe (atenção à sonoplastia), uma ambição de ir mais além do formato biopic à americana (um estudo de caracter acima do retrato dos feitos), uma aproximação dos seus dois primeiros filmes (uma fenomenologia instalada na edição) e um intimismo que o separa da gritaria bacoca. É um espetáculo sensorial. Agora deixe-me ‘amá-lo’, porque até o perdoo das “maliquices” que insere a meio.