28.10.18

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Greetings From Free Forests de Ian Soroka foi consagrado como o grande vencedor da Competição Internacional da 16ª edição do Doclisboa. Eleito por um júri composto pela premiada diretora de fotografia Agnès Godard, o escritor e curador Leo Goldsmith, a realizadora Mariana Gaivão, o multifacetado artista Mike Hoolboom e a artista visual e cineasta Yael Bartana, a longa-metragem recebe, para além da estatueta, uma quanta de 8.000 euros. Terra, da dupla Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres conquistaram o certame nacional, tendo como destaque ainda para Terra Franca, a primeira longa-metragem de Leonor Teles, que venceu o Prémio Escolas.

 

Na cerimónia de encerramento do Doclisboa’18, que fora sucedida pela projeção de Infinite Football, do romeno Corneliu Porumboiu, a direção do festival divulgou algumas novidades quanto à próxima programação da APORDOC, assim como da estreia comercial de Chuva É Cantoria Na Aldeia dos Mortos, de João Salaviza e Renée Nader Messora, um retrato docuficcional da situação atual e emergente dos índios Krahô no Brasil. O filme teve estreia mundial na secção Un Certain Regard no Festival de Cannes.

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme: Greetings From Free Forests, Ian Soroka

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores: The Guest, Sebastian Weber

 

COMPETIÇÃO PORTUGUESA

Prémio Doclisboa para Melhor Filme: Terra, Hiroatsu Suzuki e Rossana Torres

Prémio Escolas (ETIC): Terra Franca, Leonor Teles

Prémio Kino Sound Studio: Pele De Luz, André Guiomar

Menção Honrosa do Júri da Competição Portuguesa:  Vacas e Rainhas, Laura Marques

 

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COMPETIÇÃO TRANSVERSAL

Prémio revelação Canais TVCine para melhor primeira longa-metragem: Cidade Marconi, Ricardo Moreira

Menção Honrosa  – Amanecer de Carmen Torres e Paul Is Dead de Antoni Collot

Prémio Ageas Seguros para melhor curta-metragem : The Guest, Sebastien Weber

Prémio do Jornal Público para melhor filme português: Vadio, Stefan Lechner

Prémio Prática, Tradição e Património Fundação Inatel: Vacas e Rainhas, Laura Marques

 

VERDES ANOS

Prémio Kask/Brussels Airlines para Melhor Filme: After The Fire, Ahsan Mahmood Yunus

Prémio Especial Walla Collective: Aos Meus Pais, Melanie Pereira

Prémio Doc’s Kingdom para Melhor Realização Verdes Anos:  Song Of The Bell, Hosein Jalilvand

 

ARCHÉ

Prémio RTP para Melhor Projeto em Fase de Pós-Produção / Coprodução – Fantasmas: Caminho Longo Para Casa, Tiago Siopa

Prémio FCSH para Melhor Projeto das Oficinas Arché – Viagem Aos Makonde de Moçambique, Catarina Alves Costa

Prémio Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas para Melhor Projeto em Fase de Escrita - La Playa De Los Encharquidos, Iván Mora Manzano

Prémio Bienal Arte Jovem - Amor e Medos Estranhos, Deborah Viegas

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:13
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21.10.18

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Pelas fronteiras do vazio!

 

Encaramos como poesia abstrata um homem moldavo [Kolya] que vai ao encontro dos fragmentos de uma antiga nação de forma a promover uma nacionalidade inexistente (Transnístria). Extinção, um dos mais recentes trabalhos de Salomé Lamas (El Dorado XXI), depara-se com questões identitárias para se envolver em elementos tão precisos na filmografia da realizadora – os “não-locais”, as ditas “terras de ninguém” – ou seguindo as condutas do cineasta e poeta F.J. Ossang, “o Cinema parte de territórios e de como podemos distorcer essas fronteiras”. Mas essa inteiração de distorção da nossa geografia ou despir o reconhecível com o irreconhecível, parece materializar-se com os dilemas de uma URSS extinta, porém, de espirito assombrado e ansioso por uma silenciosa ressurreição.

 

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Geopolíticas à parte, Salomé Lamas evidencia investigação no terreno e de forma a conduzir-se fora dos formatos estruturais do documentário, encontra no eclético a sua solução. O resultado é um ensaio, um mero artificio visual que desapega do seu corpus de estudo e que abandona, em certa parte, a coerência do seus discurso. Assim sendo, Extinção exibe a criatividade do olhar, o reencontro com a ferrugem e a ruina da paisagem captada para metaforizar a decadência de um Império, ao mesmo tempo que adquire a audácia de seguir em fronte uma investigação nas sombras. Sim, entendemos perfeitamente onde Lamas quer ir e atingir, mas o rodopiante embelezamento leva-nos à instalação acima de uma mostra do seu curso empírico. Continuando então a persistir na alegoria do discurso ao invés da natureza deste, ao perceber que por vezes as imagens operam de maneira autónoma a esse registo (ao contrário do estruturalismo de muitas das vagas de 20 e 60, Salomé Lamas tenta lançar o visual como cúmplice de um discurso).

 

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Infelizmente, Extinção prolonga uma passividade que nesta altura do campeonato não prevíamos em Salomé Lamas. Enfim, uma proposta entendida entrelinhas, cuja beleza estética não faz jus à pesquisa elaborada. Que poucas respostas nos dá, mas, mais que tudo, menos perguntas incentiva.

 

Filme visualizado no 16º Doclisboa

 

Real.: Salomé Lamas

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 20:05
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4.10.18

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Com 330 milhões de dólares rendidos em todo o Mundo, The Nun - A Freira Maldita é um sucesso garantido e com isso a franquia Conjuring avança a todo o gás. Com o anunciado terceiro da saga Annabelle prestes a começar as rodagens, o terceiro Conjuring é a fita que se segue.

 

James Wan garantiu que não voltará à direção de mais um caso dos Warrens, em seu lugar estará Michael Chaves; que segundo as palavras do responsável por este universo partilhado tem a “capacidade de trazer emoção a uma história, e a sua compreensão de estado de espirito e sustos o tornam perfeito para dirigir o próximo filme Conjuring.” É de salientar que Chaves trabalhou em The Curse of La Llorona, obra de terror que conta com produção de James Wan e que chegará aos cinemas em 2019.

 

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Recordamos ainda que neste franchise poderemos ainda contar com um anunciado filme em torno de Crooked Man, entidade que surge no segundo Conjuring, porém, ainda sem data de estreia nem de inicio de rodagem visto que o argumentista Gary Dauberman (que estreia na realização no Annabelle 3) afirmou ainda não ter encontrado nenhuma ideia concreta.

 

The Conjuring 3 está previsto começar a ser filmado em 2019 e estrear em 2020.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:31
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3.10.18
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Num outro universo …

 

Em termos industriais, fora da chamada MCU (Marvel Cinematic Universe), questionamos. Será que existe vida no subgénero de super-heróis? Venom, a primeira aposta de um novo universo cinematográfico (será que hoje ninguém pensa em sagas?), poderia funcionar em tudo aquilo que queríamos num descarrilamento aos eixos da Disney. Basta ver os exemplos de Logan e Deadpool (anteriormente sob o mando da Fox) para, comparativamente, perceber que a Casa do rato Mickey é incapaz de resolver o “anti-hero issue”. Desse lado recolhemos Han Solo, a prova capaz que a Disney possui, quase patologicamente, o medo de sujar, a fobia da ambiguidade e o pavor da ausência de moralismo. Agora, chegamos a outra questão. Será Venom o produto messiânico direcionado a encher esse mesmo vazio? Enquanto assistimos a um filme que alude ao deterioramento das tendências atuais desses mesmos territórios, vemos um produto ao limite da sua classificação etária, onde as suas trapalhadas rumam aos disfarçados clichés do subgénero. Portanto, nas apetências do argumento, nada de novo a oeste nem a este, quanto mais a norte ou a sul.

 

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Ruben Fleischer não tem mãos a medir quanto a um enredo reduzido a “três pancadas”, a personagens despachadas com uma alarmante unidimensionalidade e a ação coreografada consoante à sua ostentação do tecnológico. Por outras palavras, CGI com “fartura”, que por sua vez  são bocejantes para audiências habituadas a videojogos. Embora Venom seja um tiro às escuras que atingiu a maciça parede, há como encontrar aqui um tom esperançoso, principalmente no que refere ao trabalho de Tom Hardy em compor uma disputa identitária entre “anti-herói” e o seu hospedeiro (ou será parasita?). O ator endereça-se a um protagonista sem a inserção do comic relief, visto ser ele, em virtude de um slapstick em modo Buster Keaton, o próprio cabecilha das vontades dramáticas e cómicas, mesmo que a comédia revele aqui o seu quê de involuntário.

 

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Por palavras mais precisas, é um entretenimento saído da caixa e ao mesmo tempo com pé dentro para uma recolha fácil, rápida e indolor. Por que como todos nós sabemos, a indústria faz parte de modelos e replicas desses mesmos, e difícil mesmo é contorná-los. WE... aren’t Venom.

 

Real.: Ruben Fleischer / Int.: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Jenny Slate

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:57
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Novamente, o Doclisboa demonstra um forte contingente de produções nacionais na sua programação. Esta 18ª edição conta-se com 18 filmes, oscilando entre a curta e longa metragem, dispersado em autores já conhecido entre o avido público do certame como Salomé Lamas (Extinção), Leonor Teles (que estreia no universo das longas com Terra Franca), Paulo Abreu (Alis Ubbo), Filipa César (Sunstone), entre outros.

 

Na Competição Internacional, os títulos chegam aos 22, destacando Brisseau – 251 rue Marcadet, de Laurent Archard, um filme-testemunho do cineasta, agora “maldito”, Jean-Claude Brisseau; e Antecâmara, o regresso de Jorge Cramez (Amor, Amor) à realização. Quanto às secções habituais, Da Terra e da Lua exibirá os novos filmes de Rithy Panh, Michael Moore, Frederick Wiseman e Wang Bing. Na Riscos, o espaço mais ousado do festival, temos James Benning e Mike Hoolboom como realizadores convidados e ainda um especial da filmografia do ator francês Jean-François Stévenin que estará presente no festival para exibir os seis trabalhos enquanto realizador.

 

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Já o Verdes Anos repesca os três primeiros filmes dos cineastas Miguel Gomes, David Pinheiro Vicente e Cláudia Varejão, que acompanharão toda uma seleção de novos trabalhos com a eventualidade de descobrir novos autores. Quanto à Heart Beat, possivelmente a secção mais aderida e apreciada do festival, Depeche Mode, Chilly Gonzales, Aretha Franklin e o jazz norte-americano serão os acordes celebrados ao ritmo do Doclisboa.

 

Decorrendo de 18 a 28 de outubro, na Culturgest, no Cinema São Jorge, na Cinemateca Portuguesa e no Cinema Ideal, o Doclisboa será marcado por uma retrospetiva a Luis Ospina, realizador colombiano que terá aqui o seu mais exaustivo ciclo na Europa, e ainda o raro filme Melodrama, de Jean-Louis Jorge, escolhido pelo próprio. Premiado em Berlim, The Waldheim Waltz, de Ruth Beckermann, que explora o passado negro e a ligação nazi de Kurt Waldheim, antigo Secretário-Geral das Nações Unidas, terá a honra de abrir o certame, enquanto Infinite Football, do romeno Corneliu Porumboiu, encerrará o festival.

 

Toda a programação poderá ser vista aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:41
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