30.3.18

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Ethan Hawke interpreta um reverendo com crise de fé que tenta lidar com a morte do seu próprio filho. Enquanto isso, um membro de sua igreja  (Amanda Seyfried) cujo marido, um ambientalista radical que comete suicídio, pede a sua ajuda.

 

Trata-se do trailer do novo filme com direção de Paul Schrader, o conhecido como argumentista de Taxi Driver que se tem aventurado numa carreira múltiplas vezes, grande parte dessas sem sucesso nem reconhecimento. Recordamos que a sua obra anterior, Dog Eat Dog, teve o privilegio de encerrar a Quinzena de Realizadores em 2016.

 

First Reformed foi apresentado mundialmente no último Festival de Veneza o qual competiu pelo cobiçado Leão de Ouro. Estreia no mês de maio em território norte-americano.

 

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29.3.18

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A essência da verdade!

 

O nome de Koreeda transporta-nos diretamente para um termo saudosista da memória do cinema deixado por Ozu, sendo que Still Walking (2008) foi a sua grande consolidação com estes efeitos de legado. Contudo, um objeto como The Third Murder (O Terceiro Assassinato) representa uma espécie de rebelião, uma tendência atípica de descartar as associações do seu nome até então. O que nos é apresentado é um filme de tribunal, com um prefixo de thriller de investigação extremamente sereno e paciente para com a sua própria astucia, brincando sobretudo com a semiótica das suas situações. Poderia ser um prolongado jogo de dedução, mas Koreeda brinca a outro “santo japonês”, Akira Kurosawa, não no sentido épico shakespeariano que mais uma vez é associado, mas à sua obra Rashomon e as bifurcações da chamada verdade, se é que existe essa presunção “totalitarista” que é isso mesmo … a verdade.

 

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Tal como a obra de 1950, onde um julgamento constitui uma narrativa encadeada por relatos, quer os flahsbacks pelo qual são constituídos, ou o relato principal que transforma o próprio tribunal num integrado flashback, O Terceiro Assassinato joga com as questões e como elas se confrontam com a realidade jurídica (mais uma vez, realidade, a servir de dilema). O que é a verdade? Ou a verdade para existir deve ser acreditada? Ou defendida? Não esperamos respostas, até porque, tendo como espelho o próprio decorrer do julgamento, Koreeda é engenhoso na implementação dessas mesmas dúvidas, nos debates que poderão ser formados nas “caixas de vidro” que são agora confessionários improvisados. Aliás, os reflexos postos e sobrepostos aludem à própria natureza desta ficção que busca, apesar de tudo, um só propósito: o porquê da Pena de Morte? Assim como Orson Welles, ciente dos crimes cometidos pelos seus defendidos lançaria numa furtiva resposta ao direito da vida, mesmo esta condenada ao enclausuramento, em Compulsion (O Génio do Mal, 1959), Masaharu Fukuyama (que trabalhou com Koreeda em Tal Pai, Tal Filho) é encarregue de livrar o seu “assassino” da sentenciada morte, especificando através dessa ação os diferentes atos de matar.

 

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Em certo aspeto, O Terceiro Assassinato leva-nos a conhecer um outro sistema jurídico sem as ênfases orquestradas por episódios hollywoodescos. Uma obra curiosa que salienta uma versatilidade incomum num autor como Hirokazu Koreeda, pronto a deixar os seios familiares em prol de uma pertinente essência de verdade parcial e os caminhos traçados por essas divergências percetivas (assim como é metaforizado na sequência final, as encruzilhadas guiadas pelas nossas convicções).

 

Real.: Hirokazu Koreeda / Int.: Masaharu Fukuyama, Kôji Yakusho, Shinnosuke Mitsushima, Suzu Hirose

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 18:30
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O futuro do Cinema segundo Spielberg!

 

Para onde o Cinema poderá evoluir? Uma das respostas a essa derradeira questão surgiu no calor da edição de 2017 do Festival de Cannes. Aí, o realizador mexicano Alejandro G. Iñarritu orquestrou a experiência de Realidade Virtual – Carne y Arena – onde o espectador se colocava na pele de quem tenta atravessar a fronteira norte-americana rumo a um sonho vendido por yankees. Enquanto se celebrava uma competição recheada de nomes autorais do cinema presente, outros invocando memórias de tempos em que o futuro do Cinema não era pensado como um dilema, a instalação de Iñarritu tornou-se gradualmente numa espécie de “elefante na sala”. Seria esta a resposta para a crise cinematográfica? O salvador da Sétima Arte frente à modernização do streaming e da emancipação do pequeno ecrã? Ou seria, como muitos preveem, o nascimento de uma nova Arte “vampírica” (citando João Botelho na sua relação com a natureza do Cinema)? O Cinema sem tela e a 360 graus?

 

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Enfim, enquanto se espera pela realização de tais profecias, a Realidade Virtual detém, para além de um desígnio cientifico, um sonho humano, a catarse dos avatares, a alteração radical da nossa realidade e quem sabe da nossa própria existência. Recentemente, filmes como Avatar, de James Cameron, ou o mais incisivo e profundo The Congress, de Ari Folman, centraram, cada uma à sua maneira, esta filosofia de individualidade. E eis que surge neste panorama Ready Player One, a adaptação visual de Steven Spielberg da obra literária de Ernest Cline, um enredo que dispõe futuros próximos, tecnologias omnipresentes e, como já é código no cinema dito de entretenimento, os desígnios traçados do protagonista (o “The One”, para ser mais exato na designação). Assim, Spielberg dispõe duma construção narrativa com base na estética digital, por sua vez diluindo um dos “venenos” transladados do Cinema atual, a experiência videojogo que tem aqui o seu auge de pertinência cinematográfica. Se é bem verdade que em termos visuais este Ready Player One seja comparado com um novo Avatar, também não é mentira que estas escolhas virtuosas em prol de uma experiência, tornam o novo trabalho de Spielberg não muito longe dos habituais simulacros de feira.

 

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Contudo, regressando a esta Terra em pleno 2045, o Homem, incapaz de lidar com a realidade, criou a Arte de forma a moldar o seu próprio realismo, neste caso, um prolongado videojogo sob os moldes dos habituais RPG. É um escape que se revela numa autêntica prisão. Contudo, o filme encontra formas de celebrar esse mesmo enclausuramento, e fá-lo tornando-se num campo de referências minado. Neste momento sentimo-nos cada vez mais distantes da década de 80, sendo que toda a sua cultura é convertida para os patamares de imunidade critica. Por via pratica, temos personagens de um novo milénio a citar constantemente essa mesma apropriação com mais fulgor e fascínio do que aqueles que realmente viveram esse período.

 

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Em tempos que celebramos o anterior da mesma forma que o posterior (basta termos séries com valor quantitativos de marcos e easters eggs para serem elogiados, basta ver o fenómeno Stranger Things), Ready Player One usa iguais armas de uma nostalgia mercantil, mas que deve sobretudo ser questionada para os tempos de hoje em nome do individualismo (“O nosso amor vem do Mundo que nascemos e daquele que integramos ao crescer”, frase repescada de Que le Diable nous Emporte, de Jean-Claude Brisseau). Por isso é normal que saiamos do visionamento exclamando coisas como “o filme mais geek de sempre”, ou “vindo diretamente da nossa juventude”, mas a situação é a seguinte: sem todo este dispositivo prazenteiro, Ready Player One funcionaria como uma crítica sobre a (sobre) importância de outras realidades que nos comprometem a uma deterioração dos nossos laços comunicativos e sociais?

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Provavelmente é o próprio filme a responder a isso através da “catch phrase” que ecoa vezes sem conta: “o criador que abomina a sua criação”. Ora, enquanto se destrói a memória de Shining de Kubrick, Spielberg parece desculpar-se em toda esta salganhada tecnológica que em certo sentido tenta disfarçar as suas legíveis fraquezas enquanto entretenimento cinematográfico (desde os diálogos pueris até a um cliché por aquelas bandas hollywoodescas, um terceiro ato autodestrutivo). No fim de contas, é isso. A celebração das artimanhas que sobrecarregam a indústria e a (não) proeza de confundir progresso com o acrítico.

 

Real.: Steven Spielberg / Int.: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Mark Rylance, T.J. Miller, Lena Waithe, Simon Pegg

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 12:10
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Christopher Nolan marcará pela primeira vez presença no Festival de Cannes. Porém, não será para apresentar nenhuma das suas obras, mas sim para celebrar os 50 anos de 2001: Uma Odisseia no Espaço, a ficção cientifica clássica de Stanley Kubrick.

 

Datado de 1968, o filme que se tornou numa das incontornáveis referências do género no Cinema será projetado na 71ª edição do festival com uma cópia de 70 mm (formato que será exibido pela primeira vez desde a estreia do filme). A sessão será apresentada pelo realizador de Dunkirk, no dia 12 de maio, sendo que no dia seguinte, o cineasta coordenará uma masterclass onde abordará a influência da obra de Kubrick na sua própria carreira, em especial o seu trajeto na ficção científica em Interstellar (2014).

 

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Uma das minhas primeiras recordações no cinema foi de ver o filme de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisseia no Espaço, em 70mm, no Leicester Square Theater, em Londres, com o meu pai. A oportunidade de estar envolvido na recriação dessa experiência para uma nova geração e de apresentar a nova cópia não restaurada de 70mm da obra-prima de Kubrick em toda a sua glória analógica no Festival de Cannes é uma honra e um privilégio. ” declarou Nolan em comunicado oficial.

 

O Festival de Cannes começa a 8 de maio e prolonga-se até dia 19 do mesmo mês. A seleção oficial será anunciada no dia 12 de abril.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:22
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28.3.18

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Foi divulgado o primeiro trailer The House with a Clock in its Walls, o próximo filme de Eli Roth (Hostel, Knock Knock).

 

Baseado numa coleção de livros infanto-juvenis de John Bellair, com ilustrações de Edward Gorey, The House with a Clock in its Walls remete-nos às aventuras de um órfão que passa a viver com o seu tio, descobrindo a sua verdadeira identidade, que se trata de um medíocre bruxo e que um dos seus relógios pode trazer o Armagedão. Jack Black e Cate Blanchett são os protagonistas.

 

A obra tem estreia para setembro deste ano nos EUA.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:49
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15 anos é uma longevidade a merecer ser celebrada, mas o Indielisboa não apresentará nenhuma novidade ou reestruturação no seu mapa de secções, assim como na natureza do próprio festival. “Perguntam-me quais são as novidades do Indielisboa deste ano e eu respondo que há 245 novidades, que são os filmes”, afirmou o diretor e programador Nuno Sena em conferência de imprensa. Mesmo não tendo qualquer alteração radical na sua programação, a festividade desta edição adquirirá um certo gosto nostálgico, um 15º festival que dialoga sobretudo com os primeiros passos do evento de Cinema Independente de Lisboa.

 

Nesse sentido, o contingente português continua em altas. O Indielisboa continuará a contar com um grande número de obras portugueses que vão desde curtas a longas metragens, estreias a confirmações, passando por estudantes a veteranos. É uma celebração lusitana, por outras palavras, 49 produções portugueses a figurar a montra deste ano, sendo que 18 comporão a Competição Nacional. E sob aventuras portuguesas, o Festival arrancará e encerrará com uma obra nacional. Drvo: A Arvore de André Gil Mata (filme que debruça sobre os fantasmas permanentes da Guerra dos Balcãs, tendo marcado presença na secção Panorama do último Festival de Berlim) terá as honras dar o passo em frente na programação, enquanto que Raiva, a nova obra de Sérgio Tréfaut, salienta-se, autor habitual na História do Festival, é encarregue de marcar o “The End” da temporada.

 

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Falando em habitués, a programação deste ano prepara-se para reencontrar novos trabalhos de "velhos amigos", grande parte deles reunidos na secção Silvestre. Poderemos contar com Paul Vecchiali, o herói independente da edição passada, que regressa a Lisboa para apresentar os seus recentes Les sept déserteurs ou La guerre en vrac e Train de vie ou les voyages d’ Angellque, o duo do bielorrusso Serge Loznitsa (A Gentle Creature, Victory Day), Eugène Green (Waiting for the Barbarians), James Benning (Readers), Claire Simmon (Young Solitude), Claude Lanzmann (The Four Sisters) e Radu Jude (The Dead Nation). Em destaque, e um dos grandes focos do festival, O Processo, filme controverso de Maria Ramos que aborda o julgamento da destituída presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

 

Sem surpresas as secções Indiemusic, Director’s Cut e Boca do Inferno se manterão, esta última com uma sessão espacial no terraço do Capitólio com a exibição de As Boas Maneiras de Juliana Rojas e Marco Dutra, dupla impagável do cinema de género brasileiro. Ainda podemos contar com o especial televisivo, a projeção dos dois primeiros episódios de Sara com Beatriz Batarda, trabalho de Marcos Martins (Alice; São Jorge) sobre uma atriz farta de chorar no cinema, e ainda uma montra de metragens que visam o relacionamento entre Portugal e Macau, o Ocidente e o Oriente.

 

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Por fim, como também é habitual, os heróis independentes. Lucrecia Martel, um nome que acompanhou os primórdios do festival, vai marcar presença e será acompanhada com uma mostra integral da sua filmografia. É de notar que para além dos seus trabalhos consagrados como La Niña Santa (A Rapariga Santa) e La Mujer sin Cabeza (A Mulher Sem Cabeça), será ainda exibido Zama, até à data o seu último filme.

 

Um autor cirúrgico”, assim o descreve Maria João Madeira, programadora da Cinema-Portuguesa, sobre o segundo Herói Independente do Indielisboa, o histórico Jacques Rozier, apontado como um dos pilares da Nouvelle Vague, mas que infelizmente não usufrui da mesma notoriedade de Godard, Truffaut e até mesmo de Rohmer. O realizador de Adieu Philippine e Maine Ocean será homenageado pelo festival através de uma retrospetiva organizada em colaboração com a Cinemateca Portuguesa e a Cinemateca Francesa.

 

O 15º Indielisboa decorrerá na capital de 26 de abril a 6 de maio na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal. Este ano, a Biblioteca Palácio Galveias funcionará como uma espécie de Festival Center.

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publicado por Hugo Gomes às 00:07
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27.3.18

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Javier Bardem vai protagonizar uma minissérie a ser preparada por Steven Spielberg e pelo argumentista Steven Zaillian (A Lista de Schindler) para a Amazon Studios. O ator será Hernán Cortes, o célebre e infame conquistador espanhol do século XVI, apontado como um dos responsáveis pela dizimação da  cultura Azteca no México.

 

A série encomendada não possui de momento qualquer título. Em relação ao enredo, sabe-se apenas, através do comunicado da Amazon Studios, que remeterá às expedições de Cortes e as consequências de tais “aventuras” na cultura azteca. Spielberg assumirá também o papel de produtor executivo, ao lado de Darryl Frank e Justin Falvey, responsáveis pelo departamento televisivo da produtora Amblin.


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As obras Colo, Verão Danado, e Terra Franca serão exibidos no ACID: Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffusion, evento que decorre todos os anos em paralelo com tão mediático festival de Cannes.

 

Inseridos num programa especial - ACID TRIP 2 # Portugal – que para além da projeção das três longas-metragens será ainda organizadas uma mesa redonda com fins de discutir o cinema português, a sua visibilidade e diversidade no resto do Mundo. O debate contará a presença e apoio da APR – Associação Portuguesa de Realizadores, e a sessões terão lugar entre os dias 11 a 13 de maio, o primeiro fim-de-semana do Festival de Cannes (8 a 19).

 

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Colo, que estreou há poucas semanas nos circuito comercial, é uma das últimas obras de Teresa Villaverde, um filme que debate sobre a crise no seio familiar, enquanto que Verão Danado, a primeira longa-metragem de Pedro Cabeleira, retrata uma juventude desiludida com o rumo que as suas vidas parecem tomar. Terra Franca, estreia de Leonor Teles (Urso de Ouro em Berlim de 2016 com a Balada do Batráquio) no formato das longas, é um documentário sobre a vida de um pescador do Tejo, abordado o seu oficio, vida conjugal e pessoal. O filme encontra-se a ser apresentado no Cinéma du Réel, em Paris.

 

É de relembrar que esta não será a primeira vez que a realizadora Teresa Villaverde é promovida no ACID, a sua estreia nesta disposição aconteceu em 1998 com a consagração da sua terceira longa Os Mutantes.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:31
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26.3.18

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Melhor Filme

São Jorge

 

Melhor Realizador

Marco Martins, São Jorge

 

Melhor Atriz

Rita Blanco, Fátima

 

Melhor Ator

Nuno Lopes, São Jorge

 

Melhor Atriz Secundária

Isabel Abreu, Uma vida à espera

 

Melhor Ator Secundário

José Raposo, São Jorge

 

Melhor Fotografia

Carlos Lopes, São Jorge

 

Melhor Documentário em Longa-Metragem

Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro

 

Melhor Documentário em Curta-Metragem

O homem eterno, de Luís Costa

 

Melhor Curta-Metragem de Ficção

Coelho Mau, de Carlos Conceição

 

Melhor Curta-Metragem de Animação

A Gruta de Darwin, de Joana Toste

 

Melhor Argumento Original

São Jorge, de Ricardo Adolfo e Marco Martins

 

Melhor Argumento Adaptado

A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, baseado na peça original The Nothing Factory, de Judith Herzberg

 

Melhor Banda Sonora Original

Rita Redshoes & The Legendary Tigerman, Ornamento e Crime

 

Melhor Canção Original

Fim, de Lúcia Moniz, Uma Vida à Espera

 

Melhores Efeitos Especiais/ Caracterização

Nuno Esteves "Blue", Peregrinação

 

Melhor Série TV

Madre Paula

 

Melhor Direcção Artística

Wayne dos Santos, São Jorge

 

Melhor Som

Pedro Melo, Elsa Ferreira e Branko Neskov, Al Berto

 

Melhor Guarda Roupa

Sílvia Grabowski, Peregrinação

 

Melhor Maquilhagem e Cabelos

Rita Castro, Felipe Muiron, Peregrinação

 

Melhor Montagem

Cláudia Oliveira, Edgar Feldman e Luísa Homem, A Fábrica de Nada

 

Prémio Sophia Estudante

Snooze, de Dinis Leal Machado (ESMAD)

 

Prémio Mérito e Excelência

Ana Lorena (caracterizadora), Lauro António (realizador) e Artur Correia (realizador)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:28
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23.3.18

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Ozu é um fantasma que assombra o cinema nipónico.

(imagem.: «Still Walking», Hirokazu Koreeda)

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:01
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20.3.18

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Os capitães desta vida!

 

Os prisioneiros alinham-se em frente à vala que lhes servirá de derradeiro leito. A artilharia-carrasca encontra-se apontada a estes corpos condenados. Do outro lado do eixo, um capitão observa serenamente todos estes preliminares. Ordena-se Fogo, o rompante mecanismo dispara furtivamente. Os corpos cedem a este tremor, caem na fossa, já sem vida. São nanossegundos que marcam a transição entre vida e morte. O Capitão berra, expressando a sua repugna pela “valsa de horrores” que presenceia. O espectador vê-o gritar, mas na verdade não grita. Momentaneamente está novamente sereno, olhando friamente para aquele monte de carne que se vai apinhando em terra de ninguém. O que vimos, aliás, o que o espectador viu, foi somente um lapso, uma impressão, ou quem sabe, uma expressão oculta, travada por uma capa. Sim, a capa que separa os monstros dos homens. Falando em capas, porque não fardas.

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De outro modo, O Capitão, o filme de Robert Schwentke (o realizador alemão que se aventurou em Hollywood para se embarcar em produtos como Insurgent e R.I.P.D.) relata os finais da Guerra com tamanha anarquia que uma farda simboliza a ordem alcançada nesta profunda entropia humana, ou a fonte de um mal imperativo, desculpada pela "banalidade” arendteana. Momentos antes do cair do pano do grande episódio bélico, um soldado desertor (Max Hubacher), fugindo à sua própria condenação, alcança o seu Deus Ex Machina, uma “miraculosa” farda oficial, a de um Capitão, para ser mais claro. Ao vesti-la, este soldado raso deixa de ser um soldado e transforma-se numa personagem até então inexistente, a do Capitão. Esse desencadear metamórfico irá despertar-lhe uma faceta anteriormente adormecida (ou provavelmente negligenciada).

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Não se trata de hora marcada com a raiz do mal, a farda não descreve o nazismo fechado a conceito implantado (mesmo que fascínio entre uniformes e alemães seja algo mais interiorizado e já citado no Cinema, a ter em conta O Último dos Homens, de F.W. Murnau). Sim, as divisas de capitão funcionam como o mais recente acordo do demónio Mefistófeles, oriundo do romance de Goethe. A sua escapatória e, ao mesmo tempo, a agendada descida aos infernos existencialistas, o animalesco da sua própria vivência.

 

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O Capitão é esse embarque pelo  contido maligno, pelo despertar antagónico no qual concentra o inicio e desfecho de Guerra, e, quem sabe, repercutido pela modernidade da nossa Europa velha e cansada que anseia explodir, expondo o seu primitivismo emocional. Sim, um conto de Segunda Guerra Mundial que mimetiza a expansão (se alguma vez estivesse escondido) de um certo pensamento discriminatório e extremista. Robert Schwentke percebe dessas facetas e humoriza acidamente nos créditos finais, filmando a surpresa do século XXI perante Nazis de um tempo passado (quase como um “parque jurássico” antropológico).

 

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Uma obra emocionalmente caótica que revela a sua corrupção humanista perante o Poder, ou a sensação deste. E perante tal exercício de reflexão, Robert Schwentke veste a sua farda. Pensando melhor, despiu-a. Refiro-me a de tarefeiro desperdiçado na indústria norte-americana, de forma a regressar à sua terra natal com um incisivo olhar aos tempos atuais, invocando como moral o passado que desejamos esquecer. E falando em capas, a fotografia de Florian Ballhaus é de certa forma uma brilhante enclausuramento destes horrores cometidos e ilustrados.

 

Real.: Robert Schwentke / Int.: Max Hubacher, Milan Peschel, Frederick Lau

 

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9/10
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18.3.18

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A animação italiana Gatta Cenerentola (Gata Cinderela), de Ivan Cappiello e Marino Guarnieri, foi premiada na 17ª edição da MONSTRA. O júri laureou o filme com o cobiçado Grande Prémio, distinguindo-o "grande técnica de animação, uma boa adaptação de uma história bem conhecida de um ponto de vista moderno; e também pela forte e original culturalidade e pelas grandes personagens." O filme ainda recebeu o Prémio de Melhor Banda Sonora.

 

Enquanto isso o chinês Have a Nice Day (Tem um Bom Dia), de Liu Jian, vence o Prémio Especial do Júri e The Breadwinner (A Ganha-Pão), de Nora Twomey, conquista o Público. Já A Sonolenta, de Marta Monteiro, arrebata a a Competição Portuguesa - Prémio SPAutores / Vasco Granja, "uma história encantatória que nos atraiu pela sua coerência forte, com uma excelente qualidade de desenho e, genericamente, de realização", segundo o júri. A Surpresa, de Paulo Patrício recebeu o Prémio do Público nessa mesma competição.

 

COMPETIÇÃO PORTUGUESA - PRÉMIO SPAUTORES / VASCO GRANJA

Melhor Curta Portuguesa

A Sonolenta/Sleepy | Marta Monteiro | Portugal, 2017, 10´20

Menção Honrosa

Água Mole/ Drop by Drop | Laura Gonçalves, Alexandra Ramires (Xá) | Portugal, 2017, 9´15

Prémio do Público

Surpresa/ Surprise | Paulo Patrício | Portugal, 2017, 8’40

 

COMPETIÇÃO DE LONGAS-METRAGENS

Grand Prix MONSTRA Longas-Metragens

Gata Cinderela/Cinderella The Cat, Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Alessandro Rak, Dario Sansone | Itália/Italy, 2017, 86´

Melhor Banda Sonora

Gata Cinderela/Cinderella The Cat| Ivan Cappiello, Marino Guarnieri, Alessandro Rak, Dario Sansone | Itália/Italy, 2017, 86´

Prémio Especial do Júri

Tem um Bom Dia/Have a Nice Day | Liu Jian | China, 2017, 77´

Prémio do Público

A Ganha-Pão/The Breadwinner | Nora Twomey | Irlanda/Ireland, Luxemburgo/Luxembourg, Canadá/Canada, 2017, 94´

 

COMPETIÇÃO DE CURTAS-METRAGENS

Grand Prix MONSTRA Curtas-Metragens

Espaço Negativo/Negative Space | Max Porter & Ru Kuwahata | França/France, 2017, 5´30

Melhor Curta-Metragem Experimental

Das Gavetas Nascem Sons/The Sounds From the Drawers | Vítor Hugo | Portugal, 2017, 6´16

Melhor Curta-Metragem Portuguesa

Água Mole/Drop by Drop | Laura Gonçalves, Alexandra Ramires (Xá) | Portugal, 2017, 9´15

Prémio Especial do Júri

Quarta-feira com Goddard/Wednesday with Goddard | Nicolas Ménard | Reino Unido/United Kingdom, 2016, 4´

Menções Honrosas

O Ogre/L'ogre | Laurène Braibant | França/France, 2017, 9´41

Manivald | Chintis Lundgren | Estónia/Estonia, Croácia/Croatia, Canadá/Canada, 2017, 13´

Avô Morsa/Grandpa Walrus | Lucrèce Andreae | França/France, 2017, 14´53

Prémio do Público

Espaço Negativo/Negative Space | Max Porter & Ru Kuwahata | França/France, 2017, 5´30

 

COMPETIÇÃO DE CURTAS-METRAGENS DE ESTUDANTES

Melhor Curta de Estudantes

Penelope | Heta Jäälinoja | Estónia/Estonia, Finlândia/Finland, 2016, 4´08

Melhor Curta de Estudantes Portuguesa

The Voyager | João Gonzalez | Portugal, 2017, 4´39

Menções Honrosas

Quando substituí Camille/Quand j'ai remplacé Camille | Nathan Otaño, Rémy Clarke, Leïla Courtillon | França/France, 2017, 6´47

Prémio do Público

Love me, Fear me | Veronica Solomon | Alemanha/Germany, 2017, 6´07

 

JÚRI JÚNIOR (apenas aplicável a estudantes)

Melhor Curta-Metragem de Estudantes

Night Witches | Julie Herdichek Baltzer | Dinamarca/Denmark, 2016, 8´12

Melhor Curta-Metragem de Estudantes Portuguesa

A Viagem | João Filipe Horta Monteiro; Luís Daniel David Vital; Ricardo Jorge Aguiar Livramento | Portugal, 2017, 3´41

Menção Honrosa

Count Your Curses | Lorène Yavo | Bélgica/Belgium, 2017, 8´30

 

COMPETIÇÃO MONSTRINHA

Grand Prix MONSTRINHA

The Box | Merve Cirisoglu Cotur | Reino Unido/United Kingdom, 2016, 6´48

Menção Honrosa 3 aos 6

Two Trams | Svetlana Andrianova | Rússia/Russia, 2016, 10´

Menção Honrosa 7 aos 12

Homegrown | Quentin Haberham | Reino Unido/United Kingdom, 2017, 9´15

Menção Honrosa > 13

Hedgehog's Home | Eva Cvijanovic | Croácia/Croatia, 2017, 10´

Prémios do Público

MONSTRINHA 3 aos 6/ 3 to 6

Two Trams | Svetlana Andrianova | Rússia/Russia, 2016, 10´

MONSTRINHA 7 aos 12

Ethnophobia | Joan Zhonga | Grécia/Greece, Albânia/Albania, 2016, 14´20

MONSTRINHA > 13

Hedgehog's Home | Eva Cvijanovic | Croácia/Croatia, 2017, 10´

Prémio Especial do Júri Programa Pais & Filhos

Birdlime | Evan DeRushie | Canadá/Canada, 2017, 10´53

Menção Honrosa Programa Pais & Filhos

Bene's Horizon | Jumi Yoon and Eloic Gimenez | França/France, 2016, 13´01

 

COMPETIÇÃO CURTÍSSIMAS

Melhor Curtíssima

CNN Colorscope Black | Matt Abbiss | Reino Unido/United Kingdom, 2017, 1´30

Melhor Curtíssima Portuguesa

Uma Manhã na Feira | Alunos da ESMAD e do 12º ano, sob a orientação de Laura Gonçalves e Xá | Portugal, 2017, 2´30

Menções Honrosas

Hate for Sale | Anna Eijsbouts | Países Baixos/The Netherlands, 2017, 2´39

Max Morrison | Ziga Pokorn | Eslovénia/Slovenia, 2017, 1´56

 

CINEMA MAIS PEQUENO DO MUNDO - COMPETIÇÃO AMENDOIM DE OURO

Amendoim de Ouro

Island | Robert Löbel, Max Mörtl | Alemanha/Germany, 2017, 2´30

Amendoim de Prata

Disillusionment of 10 point font | Greg Condon | EUA/USA, 2017, 1´12

Amendoim de Bronze

Handbook for a Happy Scout | Billy Huntington | Reino Unido/United Kingdom, 2017, 2´30

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:09
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No covil do Diabo!

 

O nosso amor vem do Mundo que nascemos e daquele que integramos ao crescer”. É com esta tradução não literal das palavras proferidas por uma das personagens após testar o dito “gosto interpretativo” duma outra, o qual arranco este texto sobre a mais recente obra de Jean-Claude Brisseau. Como tal, enquadrarei esta mesma frase no sentido de que Brisseau, segundo as novas gerações, é um perverso voyeurista em busca do derradeiro orgasmo feminino. Assim se poderia resumir a sua célebre e, ao mesmo tempo infame, Trilogia Tabu (Coisas Secretas, Os Anjos Exterminadores, À Aventura), a esquecer com isto a sua faceta mais “primordial”, onde se realçava um furioso estado de espirito em prol do proletariado.

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Sim, o seu cinema tornou-se mais pessoal, para muitos, de produção artesanal e cada vez mais devedora aos “pecados” da Sétima Arte face à veia teatral (a reprodução de algo torna-se numa autenticação totalitária), e esse culminar originou “raparigas de parte nenhuma”, um tentador convite ao seu leito intimo, aquele apartamento preenchido por livros, DVDs e sobretudo coabitado por fantasmas, cenário e seus pertences reciclado neste Que o Diabo nos Carregue. Brisseau não se afasta da proposta indiciada no seu subliminarmente referido filme anterior, a pessoalidade continua lá, mas em jeito de pós-rendição, o dito voyeurismo centra-se uma vez mais como a psicanalise dos seios afetivos e amorosos, e quiçá, frente aos modelos estabelecidos da sexualidade.

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E por busca desta primeira e citada frase do texto, saliento o conceito que amamos, o Amor que poderá nada ser mais que uma ideia na qual agarramo-nos fielmente. Talvez por isso que com tanta facilidade são proclamadas juras de amor, o “amo-te” vulgarizado como uma salvação desesperada dos nossos espíritos aqui neste “filme do Diabo”. Assim como Clara (Anna Sigalevitch) propõe ao desconhecido, Fabrice (Fabrice Deville), um homem doente dessas mesmas paixões fabricadas, uma terapia afetiva: “foca-te em mim, nos meus olhos, nos meus seios, nas minhas coxas”. Esta substituição de uma imagem por outra, onde a representação se mantêm intacta, nos evidencia que amamos não apenas as pessoas, mas a sensação de sermos amados, glorificados e sobretudo acarinhados. Assim nascem “amores platónicos”, induzidos somente pela imagem, pela estética, pelas formas, pelo ícone sustentado pelas ideias impostas pela sociedade vivente (eis aqui o eco da frase inicial). Em contraponto, a obsessão de Fabrice, Suzy (Isabelle Prim), tenta preencher o seu vazio existencial através do apelo a forças metafisicas.

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Sim, no seio de toda esta desventura sexual-amorosa, evidencia-se uma pertinente superação das ideias feitas e simultaneamente a subjugação dessas mesmas. São invocações que nos levam a conferir Que le Diable Nous Emporte como um filme teorizado. À imagem das suas últimas obras, Jean-Claude Brisseau constrói filmes-teses, e através desse corpus de estudo alicerça uma panóplia de narrativas em composição de uma mesma elucidação. Mesmo não possuindo a bravura da pessoalidade transmitida em La Fille de Nulle Part (A Rapariga de Parte Nenhuma), essa suplicação filmada (tendo em contexto o julgamento e condenação de Brisseau em 2005 e 2006 face às acusações de assédio sexual), Que Le Diable nous Emporte opera como um vórtice referencial. Uma reutilização que nos faz pensar e repensar a ideia de Cinema, longe do virtuosismo e sobretudo perto das fronteiras da representação e da sugestão.

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É por detrás dessa perversão, esse masturbador laboratório de corpos nus e do faz-de-conta que nos arranca gargalhadas involuntárias (será?), a proposta utópica sentimental que se desdobra entre tempos, no qual deparamos uma infernal disposição de valores e ideologias, emoções e psicologias condensadas como o Diabo sabe tão bem fazer. Um filme inseguro apesar de tudo, que celebra o reencontro de velhas caras no Cinema de Brisseau (o regresso de Fabienne Babe desde De Bruit et de Fureur, de 1988), e as temáticas anexadas a este Universo tridimensional e imenso de fetichismos pessoais.

 

Real.: Jean-Claude Brisseau / Int.: Fabienne Babe, Isabelle Prim, Anna Sigalevitch, Fabrice Deville

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 18:21
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A preocupação do storytelling e o aparecimento do Cinema!

 

O ensino do português não se pode limitar aquilo que chamamos matéria”, como refere o jovem professor Alberto Soares (Jaime Freitas) perante o reitor do Liceu de Évora (João Lagarto), uma pequena lição que poderia ser seguida pela nosso Fernando Vendrell (aqui registando o seu regresso à realização, 12 anos desde Pele). Reformulando essa doutrina algo ativista citada pela personagem, o Cinema não se pode limitar aquilo a que chamamos narrativa, visto que no caso de Aparição, a adaptação do homónimo livro de Vergílio Ferreira, exista uma clara sede de ir além do seu próprio enredo.

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Tal sente-se, numa narrativa descosturada, que desesperadamente liga e interliga situações, figuras e pensamentos que são aqui e ali invocados de maneira despachada. Pena, até porque em termos produtivos, Aparição comporta-se como uma lição bem estudada às milésimas estruturas televisivas que se confundem nas grandes telas, porém, para este filme em si ser sobretudo incisivo era preciso não se contentar com a superficialidade e num ato como o de beber e gargarejar por completo os reflexos contidos na obra.

 

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O incentivo da criatividade, o existencialismo que desafia a religiosidade de um Portugal (ainda) refém e a subliminar crítica a um país que se vive nas odes das “limitações seguras” (“não é permitido ter mais que a quarta classe ou mais de 300 porcos”), sugestões desaproveitadas em prol de uma narrativa direta que não despreza a intelectualidade do espectador, mas que nunca verdadeiramente a incentiva.

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Um caso em que o storytelling não é tudo enquanto não existir uma profunda introspeção à relação à matéria-prima, e que por sua vez, não basta ser “boa adaptação” como se limitasse “aquilo que chamamos matéria”. Entretanto, existe sempre uma luz no fundo disto tudo, da mesma maneira que Amor Impossível, de António Pedro-Vasconcelos, usufruiu da sua “força centrifuga”: Victoria Guerra releva-se mais uma vez, que mesmo sob pequenas doses, é um dos must do cinema nacional e esperamos que não só dele.

 

Filme visualizado na 9ª edição do FESTin: Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa

 

Real.: Fernando Vendrell / Int.: Jaime Freitas, Victoria Guerra, Rui Morisson, Rita Martins

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 00:55
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James Bond será enquadrado aos novos tempos, assim promete Danny Boyle, o realizador que tomará rédeas do 25º filme da saga 007, que conta novamente com Daniel Craig no papel de tão famoso agente secreto.

 

Questionado pela Page Six sobre as suas envolvências num novo filme de James Bond nos tempos “quentes” do Time’s Up e de #Metoo, o realizador de Trainspotting e Slumdog Millionaire declarou “Escrevemos em tempo real. Temos conhecimento do legado do universo de Bond e escrevemos no mundo - mas também escrevemos no mundo moderno".

 

De momento, Danny Boyle trabalha no argumento em conjunto com John Hodge, argumentista que colaborou nos dois Trainspotting, The Beach, Transe, Shallow Grave e a curta Alien Love Triangle.

 

 

A nova missão de 007 chegará aos cinemas 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:22
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17.3.18

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Shia LaBeouf terá uma biopic e mais, irá fazer parte do elenco dessa mesma. Porém, o ator não desempenhará ele próprio, deixando essa tarefa para Lucas Hedges (Manchester By the Sea, Lady Bird). Ao invés disso, LaBeouf interpretará o seu próprio pai, que o próprio declara ser alcoólico e abusivo.

 

Intitulado de Honey Boy, o filme, tal como é descrito, será um relato da vida do ainda jovem ator que encontrou o estrelato na saga Transformers de Michael Bay, mas foi a sua revisão de carreira que o fez tornar-se numa excêntrica figura. Para além das vivências, a obra, que contará com realização de Alma Har’el (Bombay Beach), retratará as suas filosofias e as questões existenciais que o levaram a ser o ator que é hoje.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:02
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15.3.18

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Lara Croft por entre os tempos!

 

O que está em causa aqui não é comparar nem sequer declarar qual foi a melhor personificação: Angelina Jolie ou Alicia Vikander? Até porque ambas, em paralelo com o próprio videojogo, representam duas doutrinas diferentes que se instalam na industria. Recordamos que Tomb Raider [o videojogo] surgiu entre nós em 1996, um sucesso estrondoso das consolas que gerou igualmente bem-sucedidas sequelas. Com o passar dos anos, muito se debateu na figura da heroína Lara Croft, desde os parâmetros sexualizados que representava no universo do videojogo, questões que levaram a uma lavagem em 2013.

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No cinema, quase como em paralelo com as tendências da sua matéria-prima, Angelina Jolie a reencarnar o ícone quase como uma cosplay, evidenciado a preocupação do sex appeal acima da natureza aventureira à lá Indiana Jones. O sucesso moderado de 2001 indiciou uma sequela em 2003, um par de obras que encaminhou a personagem do videojogo a diluir-se com o imaginário das adaptações cinematográficas. Mas muito mudou desde esses filmes e esta nova versão, ou como querem publicitar, reinvenção, passa pela linguagem do cinema entretenimento e pela representação da Mulher em solo cinematográfico.

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Tomb Raider foi “vitima” dessa mesma evolução, a começar pela “(des)sexuallização” e com isso a criação de uma faceta frágil e humana, que se pode clamar como slogan pré-fabricado. A heroína omnisciente e imaculada, impulsora constante das fantasias eróticas de muita da audiência masculina, é agora revelada como uma discípula entre ensinamentos para a derradeira emancipação. Mas a escolha de Vikander para o papel da mais famosa das mulheres dos videojogos é somente a ponta do icebergue para este inicio de um possível franchise, visto que foram importar Roar Uthaug, o aclamado “Michael Bay norueguês”, para o cargo de realizador.

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Não se trata da habitual rotina de corromper uma revelação independente perante a megalomania da industria de Hollywood, pois Uthaug não pertence a essa classe. Aliás, blockbuster, mais que um termo é um universo reconhecível, e este é o seu nome do meio em terras norueguesas. A sua transladação revela-se somente linguística. Tomb Raider mantém a sua garra como fabricante de grande produções, expondo os códigos de entretenimento apurados neste tipo de cinema, um senso de aventura aguçado que o evita diversas vezes do estapafúrdio que se poderia esperar.

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Sim, a competência técnica em conjugação com a devoção, sobretudo física, de Alicia Vikander, ou de um vilão enraivecido (Walton Goggins) a servir de suplemento, são elementos que preenchem um produto genérico - de enredo previsivelmente bocejante - que mesmo assim faz inveja a muitas das “infames adaptações de videojogos”. Mas fora o entretenimento passageiro sem muito para dizer e enquanto obra única, é curioso olhar para Tomb Raider como um modelo da adaptabilidade de Hollywood aos novos tempos. 

 

Real.: Roar Uthaug / Int.: Alicia Vikander, Walton Goggins, Dominic West, Kristin Scott Thomas, Daniel Wu, Derek Jacobi

 

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:31
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13.3.18

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Margot Robbie (I, Tonya, Suicide Squad) encontra-se em negociações finais para integrar o elenco de Once Upon a Time in Hollywood, o novo filme de Quentin Tarantino. A atriz nomeada ao Óscar irá interpretar Sharon Tate, a atriz assassinada em 1969 por Charles Manson. Robbie junta-se a Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Ambos já tinham trabalhado com o cineasta em Inglourious Basterds e Django Unchained, respetivamente.

 

No filme, descrito na linha de Pulp Fiction, DiCaprio será Rick Dalton, um ator que protagonizava um programa televisivo, Bounty Law, que esteve no ar de 1958 a 1963. Infelizmente para a personagem, a transição para o cinema não funcionou. Por volta de 1969, ele surge como convidado em programas com outros protagonistas e contempla ir para Itália, onde os westerns de baixo orçamento estão na moda. Pitt será Cliff Booth, o seu duplo há longos anos.

 

Passado em Los Angeles durante o Verão dos assassinatos de Manson, este projeto vai ter Roman Polanski como uma personagem chave. Tom Cruise e Al Pacino são outros nomes especulados, mas não confirmados.

 

Once Upon a Time in Hollywood chega aos cinemas em Agosto de 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:20
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Manuel Mozos é uma peça importante no cinema português contemporâneo. A sua geração, na qual cabem autores como Pedro Costa, Teresa Villaverde e Joaquim Leitão, tem sido apontada desde sempre como “salvadores” de um cinema escasso. A sua prolificidade tem o transformado numa figura constantemente presente, contudo, em comparação com os demais, a sua visibilidade é quebradiça. A culpa, possivelmente, é de um certo e proclamado fantasma: Xavier.

 

De qualquer modo, é Ramiro que com carinho o recebemos no seu regresso à ficção, nove anos depois de 4 Copas. Esta história de um alfarrabista preso à sua passividade e ao passado glorioso que deixou fugir entre mãos é uma comédia tragicómica que vai ao encontro de uma Lisboa a passos da sua modernidade, assim como da personalidade que Mozos assume nesta Glória que é Fazer Cinema em Portugal.

 

De onde surgiu a ideia de Ramiro?

 

Bem, a ideia não é minha. Esta surgiu de Telmo Churro e de Mariana Ricardo, que escreveram o argumento, e me propuseram certo dia. Aceitei e, uns dias depois, eles apresentaram-me uma versão reduzida que gostei. Foi então que incentivei-os a avançar com essa mesma ideia. A partir daí trabalhamos em conjunto, tínhamos reuniões, encontros, mais propriamente, íamos falando. No fundo [...] o projeto encontrava-se bastante próximo daquilo que tenho feito na arte da ficção. Uma intriga sobretudo centrada nas personagens, sendo a central alguém um pouco desfasado da realidade, e os espaços que vão desaparecendo e que se vão transformando.

 

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De certa forma, Ramiro é uma personagem tragicómica, como disse, o seu mundo está a transformar, mas ele não recusa tal metamorfose.

 

Ou seja, a ideia era mesmo ter esse pendor tragicómico. Porém, não queríamos uma personagem somente restringida a esse sentido. Não pretendíamos um “velho do Restelo”, que olhava permanentemente ao “antigamente”. Queríamos fragilidades, uma figura inábil na sua relação com os outros, criando assim uma certa comicidade, digamos.

 

Existe uma frase dita pelo próprio Ramiro que desmistifica toda a sua personagem que é “E foi então que descobri que sou um ser passivo”. Aliás, porque como nós já percebemos, o mundo mudou mas ele não quer saber dessas mudanças.

 

Concretamente há uma certa resistência saliente da parte dele em fechar-se ao Mundo, não é que esteja contra o Mundo, mas ele próprio forma ao seu redor um casulo. Depois, quando tenta espreitar fora dele, depara-se com um cenário não muito confortável. Ramiro vai repentinamente viver com algumas situações que para pessoas “mais normais” [risos] não seriam nenhum problema, mas para ele são grandiosos desafios, porque simplesmente limitou-se àquela redomazinha, o entre a casa e a loja, a loja e a tasca com os amigos. Um mundo pequenino, portanto.

 

E aí entra o paralelismo com as novelas. Ramiro consegue por fim ver telenovelas no ecrã e subitamente a sua vida transforma-se em conformidade com isso.

 

Sim, queríamos brincar com essa dimensão. Ele não ligava às novelas e à conta de outros acaba por tornar-se espectador às mesmas. As novelas acabam por ser um reflexo do mundo em que ele vive, que transforma-se num autêntico conto novelesco.

 

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Quanto à entrada de António Mortágua no elenco? A sua escolha até o processo criativo da personagem.

 

Não gosto de fazer castings, até porque a certa altura, tendo um argumento sólido, começo a pensar quais os atores que servirão para essas personagens criadas. Uns são mais fáceis de encaixar, outros mais complicados, consoante as hipóteses e dependendo do conhecimento que tenho desses mesmo atores. O único casting feito para Ramiro foi o da personagem de Daniela, que seguiu para Madalena Almeida, devido à sua faixa etária. Esse casting exigiu muito trabalho, visto que muitos desses candidatos são atores que fizeram pouco ou que ainda estavam a estudar interpretação. Muitos deles apenas sonhavam.

 

O caso do António foi mais complexo. Eu conhecia-o, não pessoalmente, de duas peças de teatro, e ele não tinha feito nenhum filme. Portanto, decidi arriscar e contactei-o. Ele ficou surpreendido, até porque não estava à espera de fazer cinema, assim me disse numa conversa muito aberta, onde também lhe confessei o pouco que conhecia do seu trabalho. Começamos a fazer ensaios e a perceber melhor como iriamos conceber a personagem central. Pouco a pouco, íamos tendo conversas sobre o argumento, sobre a personagem e às tantas julgo que ficamos convencidos que valia a pena o risco. Sinceramente, estou bastante satisfeito com a decisão dele e da sua parte julgo também estar.

 

Até que ponto esta personagem do Ramiro tem um polvilhar de autobiografia?

 

De alguma maneira sim. Na verdade, quando li a primeira versão do argumento que me entregaram automaticamente exclamei, pelo que eles afirmaram: “Sim, é verdade. Por isso é que propusemos a ti”.

 

De facto, o que não quero é que julguem que aquilo representado é a minha vida. Sim, existem algumas similaridades, ou proximidades da minha vivencia com a vivencia com o Ramiro, sem duvida, mas isto não é um filme autobiográfico. Ao trabalhar no filme notei sobretudo esses elementos, mas de certa forma os meus filmes anteriores já indiciam isso, essa conformidade com a minha vida. Aqui talvez possa ter mais proximidade, mas sempre vi este lado biográfico representado em outros projetos meus como Xavier ou … Quando Troveja, que respetivamente marcam e espelham etapas da minha vivência. Em relação a Ramiro, não gosto de carregar isso, quem me conheça poderá identificar tais ligações.

 

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O Manuel tem a consciência de que a personagem do Ramiro possui um livro da sua autoria que é visto como uma obra fundamental da literatura portuguesa, mas esquecido e cujos objetivos não foram cumpridos. Isso torna-se uma alusão ao seu Xavier, cujas infelicidades de produção o desviaram da obra que poderia ter sido. Quero com isto pegar numa frase apropriada de um documentário, “Glória de Fazer Cinema em Portugal” – Custa fazer Cinema no nosso país?

 

Sim, custa. E se custa. Mas não é só para mim, é para todos. Obviamente o título de Glória de Fazer Cinema em Portugal possui uma carga irónica, principalmente para mim hoje. Mas nem sempre foi assim, quando estava a fazer o Xavier, detinha um certo tipo de ambição, aliás trabalhava no filme um ano depois da primeira obra –Um Passo, Outro Passo e Depois....

 

Mas foi a partir daí que as coisas mudaram, quer dizer, até certa altura pensava “isto está a correr bem”, mas o “desastre” trazido por Xavier [devidos a problemas de produção] colocou isso de parte. Apesar de tudo, consegui ir fazendo filmes, uns mais visíveis, outros menos visíveis, e num determinado ponto, visto que já não tenho a juventude, nem o fulgor de há trinta anos, posso fazer uma autoironia daquilo que faço, e por outro lado estar apazigado com essa ideia.

 

Há ainda esse lado, o do realizador que teve um percalço e ficou numa situação esquecida de visibilidade. Esse é um lado que pode aproximar à figura do Ramiro, que trará escrito um livro importante de qualquer maneira, mas de algum modo bloqueou a sua criatividade.

 

Mas ao contrário de Ramiro, o Manuel não bloqueou …

 

Sim, não bloqueei, mas em termos de visibilidade é um bocado parecido. O de viver com a ideia de que poderia ir para um lado mas a carreira não seguiu. Nisso sim, há um paralelismo com o Ramiro.

 

De certa forma é um pouco triste todos lhes relembrarem que foi o realizador do Xavier e constantemente estarem a trazer isso à tona?

 

Não. Para já, há algo muito curioso que é o facto de muita gente não ter visto o Xavier. Sim, podem falar ou conhecer a história por detrás, mas são mais aqueles que o nunca viram. Por outro lado, felizmente, isso já é levado por outros dois filmes meus que eventualmente tiveram mais visibilidades, como no caso do Ruínas e do Outros Amarão As Coisas que eu Amei, ou até mesmo o já referido Glória de Fazer Cinema em Portugal, que de algum modo me deram um outro tipo de atenção. Mas é óbvio que terei o fantasma do Xavier para me assombrar [risos].

 

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É certo que em Ramiro encontramos influências do cinema de Miguel Gomes, aliás, recorda-se que trabalhou em inúmeros projetos do realizador e os argumentistas de Ramiro são colaboradores habituais.

 

Nós conhecemo-nos pela primeira vez no Porto durante uma edição do Fantasporto, onde projetava o meu … Quando Troveja. Na altura, Miguel era jornalista do Público, e em alturas do festival escreveu uma crítica muito benéfica, aclamado que o filme seria uma referência no cinema português. Lá contactou que gostaria de fazer-me uma entrevista e fez, e foi a partir daí, de algum modo, criamos uma amizade.

 

Na sua segunda curta-metragem (Inventário de Natal), o Miguel convidou-me para o cargo de anotador e responsável pela montagem do filme, uma colaboração que foi repetida com a sua primeira longa (A Cara que Mereces), onde trabalhei no argumento ao lado de Telmo Churro. Mais tarde conheci a Mariana Ricardo.

 

Quando tinha o projeto Ruínas, pertencíamos todos à mesma produtora, sendo que criamos uma espécie de relação quase familiar. Obviamente não é a única produtora em que tal sucede. Várias começaram desta maneira. Apesar de tudo, o Miguel nunca faria o Ramiro, assim como eu não faria o Mil e uma Noites, não por não querer, mas se isso acontecesse resultariam filmes completamente diferentes. O cinema do Miguel é dele mesmo, o meu é o meu. Não sei até que ponto as influências são obvias, mas acredito que o facto dos argumentistas oscilarem entre projetos, compõem uma espécie de núcleo o qual o Miguel assume. Núcleo base como motor da sua filmografia. Não trabalho assim, porém, se eles [Churro e Ricardo] propuserem outros argumentos para mim, ótimo.

 

Um facto curioso, Ramiro foi o filme escolhido para abrir a passada edição do Doclisboa …

 

[risos] Confesso que também fiquei surpreendido após a proposta do Luís Urbano [da produtora Som e Fúria], e ao mesmo tempo hesitante, visto que é uma ficção e não um documentário. Então falei com a direção do Doclisboa que se sentiam agradados com a escolha. O argumento encontrado é a possibilidade de abrir portas no festival, não o restringindo a um só formato de cinema.

 

É verdade que a fronteira do que é documentário e do que é ficção vai-se esbatendo ano após ano, mas mesmo assim … abrir um festival especializado em documentários. Lá, eles alegaram que de certa maneira Ramiro possui uma face documental, o retrato de uma Lisboa em transformação, e cuja inserção na programação poderia levar o festival a passar ficções, até porque os planos deles são apresentar retrospetivas de autores que desbravaram nesses dois mundos. Se formos a ver bem as coisas, o Indielisboa, por exemplo, não passa só cinema independente, nem o Curtas Vila do Conde é exclusivo a esse formato.

 

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Pegando nesse termo, “o retrato de uma Lisboa em transformação”, e no seu documentário, Lisboa No Cinema, Um Ponto De Vista, considera a cidade num local eficazmente cinematográfico?

 

Absolutamente. Lisboa é definitivamente cinematográfica. Desde o ambiente à sua atmosfera e até mesmo a qualidade e a disponibilidade da luz, apesar disso ser por vezes um pesadelo para os diretores de fotografia. Mas falamos de Lisboa, assim como falamos do Porto, que é igualmente cinematográfica, mesmo soturna e mais pesada. Aliás, gostaria de reformular que Portugal tem das cidades mais cinematográficas.

 

Novos projetos?

 

Quase garantido estou com um documentário, mas ainda não sei quando irei filmar e antes disso vou preparar o trabalho de pesquisa. Terá algumas proximidades com o Ruínas, e será sobre espaços concentracionários no qual esbaterei em algumas figuras históricas, como por exemplo Camilo Castelo Branco e o poeta António Gancho. Será um filme que relaciona espaços com as personalidades.

 

Ainda tenho algumas outras curtas a serem preparadas, mas ainda em fase embrionária. De momento procuro ideias para uma nova ficção.

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:12
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12.3.18

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Foi divulgado o primeiro teaser trailer de Loro, o novo filme de Paolo Sorrentino (La Grande Bellezza), que marcará o regresso do seu ator-fetiche, Tony Servillo, assim como à temática da politica italiana.

 

Loro explorará as complexidades de Silvio Berlusconi, o antigo primeiro ministro italiano sempre envolvido em inúmeras polémicas, desde a jogos de poder e de luxuria. Riccardo Scamarcio, Chiara Iezzi, Fabrizio Bentivoglio, Elena Sofia Ricci, Roberto Herlitzka, Ricky Memphis, Roberto De Francesco, Dario Cantarelli e Alessia Fabiani completam o elenco.

 

Loro poderá ter estreia mundial no próximo Festival de Cannes, e já se fala na possibilidade de ser apresentado em duas partes.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:13
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9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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