30.11.17

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Um cowboy de boxers a regar o seu cacto, uma imagem que marca qualquer cinéfilo que recorda precisamente deste homem situado algures entre Paris e Texas. Trata-se de Harry Dean Stanton, naquele que é o seu desempenho final, o derradeiro filme que começou como uma celebração e terminou numa marcha fúnebre.

 

John Carroll Lynch desconhecia essa transformação. O actor conhecido por filmes como Zodiac, Gran Torino e da série American Horror Story: Cult, avança para o cargo de realização numa primeira, mas emocionalmente desafiante obra. A experiência adquirida, a sabedoria recolhida através dos seus protagonistas, das memórias guardadas e da vontade alimentada de estar no outro lado da câmara. O Cinematograficamente Falando … falou com John Carroll Lynch, o realizador de Lucky.

 

Como descreve esta sua primeira experiência como realizador numa longa-metragem?

 

Tentei trazer a minha experiência para esta nova experiência. Na altura que estava a filmar tinha 32 anos como ator e isso influenciou bastante a minha abordagem com os atores, desde a nível de vocabulário até à confiança que depositava e recebia deles. Acreditava que o meus atores eram capazes de atingir os seus objetivos de representação através dos métodos que selecionavam. Contudo, como primeira experiência como realizador, tive que aprender bastante sobre o oficio, e consegui através do processo de rodagem. O filme estimulou o meu intelecto e com isso descobri capacidades que desconhecia. Enquanto actor, a minha experiência adquirida proporcionou-me uma boa perceção a nível narrativo, mas ainda encontrava-me na curva da aprendizagem. Respondendo à tua pergunta, não consigo concretamente descrever esta minha iniciação na realização, porque foi exatamente isso, uma iniciação … uma experiência nova.

 

Durante o processo de rodagem descobriu algo de si que desconhecia” … o quê exatamente?

 

Descobri alguns aspetos surpreendentes em relação à minha pessoa. Por exemplo, desconhecia o facto de ser bastante paciente, algo que apenas notei durante esta minha experiência. Outro fator que descobri sobre mim foi, até certo ponto, a capacidade de decisão. Obviamente que tinha colaboradores que sugeriam, e com isso debatíamos ideias, mas a minha palavra enquanto realizador era a definitiva. Fiquei surpreso por deparar-me com essa aptidão pela decisão. Como acréscimo, a minha diplomacia. Mas alguém teria que decidir, e essa pessoa era eu. Isso revelou-se crucial na maneira como lidei com este projecto.

 

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Como surgiu a escolha de Harry Dean Stanton? O filme mudou com a sua chegada ao elenco ou já estava tudo definido no argumento?

 

Obviamente. Não existia mais ninguém para o papel. Este projeto nasceu e idealizou-se através da imagem de Harry. Quando debati com os dois argumentistas e com os produtores que “embarcaram” neste projeto, todos nós, por unanimidade, afirmávamos que este papel era exclusivo para ele. Se Harry dissesse que não, ou se Deus quisesse, ou o levasse antes do tempo,  este filme nunca seria feito. Não havia, nem haveria, substituto.

 

Deparamos aqui com um caso de um filme que se transformou com a tragédia de Harry Dean Stanton. Acredito que Lucky não foi concebido para ser uma homenagem.

 

Infelizmente, não estou num universo onde Harry Dean Stanton vivesse tempo suficiente para ver o filme, por isso não tenho nenhuma noção acerca dos seus pensamentos e sentimentos acerca deste. Mas sim, o filme mudou, simplesmente porque os espectadores trazem essa informação com eles quando o veem. A obra alterou com essa perceção, principalmente com a maneira como encerra e até mesmo nalguns diálogos. É a realidade, ou como Lucky diz, “realism is a thing” [realismo é algo].

 

A verdade é que quando terminamos de filmar, nenhum nós preveria que Harry Dean Stanton morresse antes da estreia do filme. Ele encontrava-se completamente saudável. Quer dizer, estava nos seus 90 anos mas continuava com uma “saúde de ferro”. Só depois, quando a saúde dele começou a fraquejar, aí sim, pensei no inevitável: “ele não vai sobreviver até à première”. Foi a primeira e única vez, porque como nós sabemos ele faleceu duas semanas antes da estreia.

 

Com aquela idade, a morte é algo que já faz parte do nosso pensamento. Não era impensável. Mas ninguém previa. Acreditávamos que ele duraria mais. Contudo, o que quero dizer é que Lucky foi concebido uma celebração à sua pessoa, não uma elegia.

 

Em Lucky reparamos que a personagem principal foi escrita exclusivamente para Harry Dean Stanton. Apesar da transformação, e tentando abstrair desse contexto, nota-se uma espécie de saudação ao ator nesta personagem. Desde a sua caracterização até às reuniões com outras personagens.

 

Sim, e isso está implícito no filme assim como esteve no argumento. Não só apenas reuniões, mas também à sua “personagem”. Acho impossível termos o Harry Dean Stanton a vaguear no deserto e não, automaticamente, pensar em Paris, Texas, por exemplo. Encarei toda esta homenagem direta e indiretamente como algo verdadeiramente interessante. Poucos filmes conseguem isso.

 

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Mas também é verdade que o filme recupera outra personalidade. James Darren, que não entrava numa produção cinematográfica desde 2001.

 

Foi incrível o facto de o termos no filme. James Darren trabalhou com um dos produtores de Lucky na série Star Trek: Deep Space Nine. Contudo, a entrada dele no projeto foi bastante curiosa. O actor que inicialmente iria fazer o seu papel teve que sair devido a conflitos de agenda, sendo que, como não tínhamos nenhum para interpretar a personagem e que continuávamos a procura do ator certo, combinei com Harry filmar as sequencias de casa todo o domingo. Certo Domingo, a caminho do local, encontro o carro do James Darren avariado à beira da estrada. Encosto e pergunto-lhe o que aconteceu. Ele respondeu que o carro tinha avariado e eu disse o seguinte: “olha, eu sei que este não é o momento indicado, mas estou a rodar um filme e um dos atores teve que abandonar. Se quiseres eu envio-te o guião e a partir daí, aceitas ou não

 

Darren aceitou a proposta e quarta-feira já estávamos a contar com ele nas filmagens. Mas a maneira com que ele “agarrou” aquele papel, alterou para sempre a personagem, e a química desta com os restantes atores. Ele trouxe uma variação de dureza e ao mesmo tempo doçura à personagem. Alterou por completo a via do filme.

 

Mas existe algum teor autobiográfico na sua personagem? Eu senti isso.

 

Julgo que a personagem dele nada tem de relacionado com material autobiográfico, até porque já estava escrito. O feito dele foi transformar esses diálogos, essa aura, em algo próprio da sua figura. O contexto de “nicles” que a sua personagem até a certa altura diz, veio com ele. Agora, falando disso, recordo-me da confusão que houve em tentar traduzir aquilo para legendas. Em Locarno, houve uma espécie de “lost in translation” com a palavra “nicles” (ugatz), julgo que foi traduzido para “il cazzo”, que tem um significado completamente diferente, o que não deixou muito feliz os próprios italianos que assistiam o festival.

 

Mas voltando ao ponto da personagem que se confundia com Harry Dean Stanton, e tendo em conta, não o filme, que nos leva à dúvida, mas a sinopse oficial de Lucky que refere a crise existencialista de um ateu. Pela sua experiência com o ator, consegue dizer se essa “fé” é partilhada pelo homenageado, ou simplesmente pela homenagem?

 

Quer dizer, ele como Harry acreditam 100% que não existia Deus. Que depois da vida não existia nada. A personagem lida com isso enquanto questiona os seus termos de mortalidade. Lucky detém uma visão distinta do fim da vida que os cristãos, por exemplo, ou os budistas, que acreditam na reencarnação, não têm. O que tentei fazer aqui não foi uma demanda pelo divino e dessa vida pós-morte. O que fiz foi transmitir a visão de quem acredita no nada. No nascer, viver e morrer simplesmente.

 

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Mas é curioso o facto da personagem principal ser um ateu, visto que em Hollywood e muito do outro cinema norte-americano, eles são vistos como “ferramentas morais”.  Seres impuros que no final encontram o castigo ou a discórdia daquilo que sempre acreditaram. Você trouxe dignidade a essa faixa.

 

Sim, o ateísmo niilístico não é pessimismo, é realismo. Eles podem não acreditar em nada, mas se não houver “fé” na Humanidade ou  simplesmente no próximo, não podem existir. Acredito que o ateísmo é o equivalente ao aumentar a expetativa, a equação da noção de mortalidade, e isso não muda aquilo que queremos fazer, como viveremos na verdade ou na realidade. Não basta visitar Deus no seu templo diário. O ateísmo como as outras religião tem como base a escolha. Como nós, escolhemos viver a vida tendo noção da nossa própria mortalidade.

 

Para Lucky, o seu templo era a sua rotina quotidiana, desde o dinner onde almoçava até ao bar que frequentava todas as noites.

 

Obviamente, mas tudo é uma fachada. Quando algo lhe atinge, Lucky começa a questionar essa mesma rotina, essa sua crença. Esse templo.

 

Quanto a novos projectos? Irá se manter como realizador?

 

Bem, estou bastante “apaixonado” por uma história. Tenho um amigo meu que é escritor e não faz qualquer questão que adapte a sua história, a qual gostei imensamente. Quero alargar sobretudo a minha experiência na realização.

 

Curiosamente, o que levou a apostar na direção foi que há 16 anos atrás fiz uma curta com um ator chamado Drago Sumonja [risos]. Ninguém esperava por isso. A verdade é que, no ponto-de-vista de Harry, não fazemos as coisas acontecer. As coisas acontecem. Ponto. E para ser sincero, neste aspeto, ele está absolutamente certo. 

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:04
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28.11.17

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Vários cinemas do Reino Unido foram ameaçados de destruição caso se exibirem o épico de Bollywood, Padmavati, que tem causado tumulto na Índia e cujo realizador e equipa chegam mesmo a temer pela própria vida. As ameaças advém de um grupo extremista da casta Rajput, intitulado de Karni Sena, que prometeu “queimar cinemas” caso o filme de Sanjay Leela Bhansali seja projectado.

 

Na passada sexta-feira, nas proximidades dos locais de rodagem, na região de Jaipur, um corpo enforcado foi encontrado, contendo uma mensagem dirigida ao filme. A ANI News divulgou que o corpo fora identificado como um local e junto ao cadáver estaria uma nota embrulhada em papel com a seguinte mensagem “Nós não queimados efigies, nós enforcamos”. A produtora Viacom 18 adiou indefinidamente o lançamento em território indiano. A Paramount, que detém o direitos de distribuição no resto do Mundo, aguarda uma decisão.

 

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Padmavati relata o conto de Rani Padmavati, uma rainha do Mewar que surge nas estrofes de um poema do século XVI por Malik Muhammad Jayasi, que comete auto-imolação ao invés de ser capturada por um sultão que a deseja profundamente. O filme tem como base uma interpretação operística de Bhansali do poema, o qual apresentou em Paris e Roma. Padmavati é interpretada pela estrela Deepika Padukone (xXx: The Return of Xander Cage), que também recebera ameaças de morte. Em Janeiro, o realizador foi agredido durante a rodagem por um membro do grupo.

 

Em causa está, segundo o Karni Sena, as incoerências históricas e o conteúdo sexualmente ofensivo, entre elas uma alegada sequência onde a rainha hindu tem sexo com um sultão muçulmano. O realizador nega a existências destas mesmas cenas.

 

O líder da Karni Sena surgiu num canal de televisão de Mumbai, apelando à comunidade Rajput residente nos Reino Unido ao protesto contra o filme: “Qualquer cinema que exiba Padmavati deve ser incinerado”. Contudo, a mesma tem apelado à BBFC que revogue o certificado de distribuição do filme, tendo como pretexto a incoerência histórica. 

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:48
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26.11.17

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Coimbra será novamente a capital do Cinema Português com o arranque da 23ª edição do festival Caminhos do Cinema Português, que nos apresentará mais uma mostra do melhor que se produziu este ano no nosso país.

 

Serão mais de 50 filmes selecionados, entre animações, curtas ficcionais e documentais e longas de toda a espécie que poderão ser visualizados em grande ecrã entre 27 de novembro até 3 de dezembro. Este leque variadíssimo vem demonstrar a cada vez mais diversificação do panorama cinematográfico nacional, um Cinema que adquire a capacidade de abranger diferentes perspetivas e fenomenologias.

 

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Basta olhar para a programação e perceber essa ramificação de géneros, desde a cinebiografia do poeta Al Berto, por Vicente Alves de Ó, até à série B A Ilha dos Cães, de Jorge António, passando pelo nosso candidato ao Óscar, São Jorge, de Marcos Martins, a curiosa comédia de ficção cientifica A Mãe é que Sabe, de Nuno Rocha, e o humor carnavalesco de Edgar Pêra em Delírio em Las Vedras. O documentário ganha também força com as projeções de A Rosa de Ermera, de Luís Filipe Rocha, o regressar de Susana Sousa Dias aos arquivos da PIDE, A Luz Obscura, a viagem pelo Tarrafal no homónimo trabalho de João Paradela e o hibrido de forte teor politico num dos mais premiados filmes do ano, A Fábrica do Nada, de Pedro Pinho.

 

A longa-metragem encontra-se de boa saúde, porém, é a curta-metragem que continua o veiculo mais capaz de condensar histórias e olhares em Portugal. A seleção é grande, e apesar da duração menor, desprezar este formato é desprezar o Cinema mais experimental, ousado e audacioso. Salomé Lamas, João Salaviza, André Marques, Gabriel Abrantes, Ico Costa e Jorge Jácome são nomes reconhecidos deste universo novamente reunidos para demonstrar a vitalidade da curta-metragem enquanto expressão. Destaque também para Terreno Baldio, por Latifa Said.

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Com a Seleção Ensaios, a mostra estende-se para outras nacionalidades, conjugado uma utopia fílmica composta por diversos trabalhos académicos e escolares, representado por diversas escolas nacionais e internacionais, tendo como objetivo dar a conhecer “sangue novo” por estas “vizinhanças” cinematográficas.

 

XXIII Caminhos Film Festival ocorrerá no Teatro Académico Gil Vicente e no Mini-Auditório Salgado Zenha do Centro de Estudos Cinematográficos assim como reposições no NOS do Alma Shopping. Ver programação completa aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:36
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Tesnota, do jovem realizador russo Kantemir Balagov, torna-se no grande vencedor da 11ª edição do Lisbon & Sintra Filme Festival.

 

Balagov é considerado um dos autores mais promissores de 2017, o seu Tesnota foi apresentado pela primeira vez na secção Un Certain Regard do último Festival de Cannes tendo sido laureado com o Prémio FIPRESCI. Tendo como enredo um rapto numa comunidade judaica na Rússia, a longa-metragem conquista o Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre, e ainda o Prémio Revelação TAP atribuído à actriz Olga Dragunova. Cocote, de Nelson Carlo de Los Santos Arias, recebe Prémio Especial do Júri João Bénard da Costa. O júri da Competição Oficial foi composto pelos cineastas David Cronenberg, Ildikó Enyedi, a pianista Momo Kodama e as escritoras Hanan Al-Shaykh e Ersi Sotiropoulos.

 

Visto como uma das grandes apostas para os Óscares, Call Me By Your Name (Chama-me Pelo Teu Nome), de Luca Guadagnino, foi o escolhido pelo público para o respetivo Prémio. Em relação às curta-metragens, A Man, My Son, de Florent Gouëlou (La Femis - Paris), triunfa o Prémio, enquanto  que Les Yeux Fermés, de Léopold Legrand (Institut National Supérieur Des Arts Du Spectacule - Bruxelas), e Heimat, de Emi Buchwald (The Polish National Film Television And Theater) recebem uma menção honrosa. O júri era composto pelas realizadoras Bette Gordon, Stéphanie Argerich e Olga Roriz.

 

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publicado por Hugo Gomes às 10:30
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25.11.17

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Roland Emmerich  e o seu Centropolis Entertainment coproduzirão uma nova versão da famosa ópera de Wolfgang Amadeus Mozart, a Flauta Mágica. Andrew Lowery será o argumentista do projecto que tem como objectivo modernizar o trabalho do mundialmente célebre compositor.

 

Segundo a Variety, a história seguirá um adolescente londrino enviado para a Escola de Mozart, situado nos Alpes Austríacos. Certo dia, o jovem descobre uma passagem secreta na escola que o levará a um mundo fantástico da baseado na ópera de Mozart. O filme está previsto chegar aos cinema no Natal do próximo ano.

 

Recordamos que a ópera de Mozart obteve grande sucesso durante a sua estreia em 1791, e é hoje visto como um dos melhores trabalhos da sua carreira e uma das mais polémicas, sendo evidente a sua ligação com o pensamento iluminista que propagava na altura. Uma das adaptações mais famosas de A Flauta Mágica fora concretizada pelo cineasta sueco Ingmar Bergman em 1975, um filme televisivo que teve exibição especial no Festival de Cannes.

 

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24.11.17
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Harry Dean Stanton morreu! Longa vida a Harry!

 

Lucky metamorfoseou, não durante o seu processo de criação e idealização, mas adaptando locucionariamente o seu discurso para os tempos que o abrangem. E quem o confirma é o próprio realizador, John Carroll Lynch, actor de longa carreira aventurosa na sua primeira longa-metragem. Este concebeu a obra como uma celebração ao actor Harry Dean Stanton, porque em todo ele, uma personagem-tipo, concentrava todos os elementos e aspecto no qual o identificamos acima da ficção, e sobretudo fora da realidade desconhecida, a figura que a cinéfilia nos impôs - o Harry Dean Stanton que o cinema criara.

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Mas a tragédia bateu à porta do ano 2017. O célebre actor de Paris, Texas deixou-nos; uma despedida que transforma o célebre numa melancolia prolongada, a celebração torna-se assim numa homenagem fúnebre, e a personagem-tipo num esboço da memória cinéfila. Provavelmente, com o infortúnio, Lucky adquire uma dimensão que o favorece, o “cowboy” solitário que vive a sua rotina como um “safe place” e que perante o primeiro sinal vindo do ceifeiro questiona todo esse ciclo, é agora uma cuspidela” na cara da Morte”, um sorriso malicioso perante os desfechos incutidos pela sociedade.

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Haverá vida depois da morte?” Para Lucky a vida é única e sem acréscimos, a Morte é o fim e imperativamente aceite. “The only thing worse than awkward silence: small talk” (Pior que o silêncio constrangedor é a conversa barata). Harry Dean Stanton projecta o seu eu” num sofrimento invisível, uma espécie de solipsismo que adereça o seu quotidiano, encarado com uma automatização sacra e uma ironia crescente.

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Sentimos que o actor não esmera em criar algo novo na sua partitura interpretativa, nem há sentido para tal, é a memória funcional a insuflar com vida este “farrapo humano”, um homem posicionado entre a sugestão e o segredo, a coragem e o medo, que tende em ceder por entre fissuras em relação à maior das doenças da Humanidade: a velhice, consequencialmente a solidão e o fim de um legado. A personagem é só, mas o filme não acolhe um sentido miserabilista perante a sua pessoa; é só porque assim o espectador o sente, mais do que as palavras proferida ocasionalmente sobre o assunto. “There's a difference between lonely and being alone" (Há uma diferença entre solidão e estar só), ou dos temas quase paradoxais induzidos num bar de esquina, tendo como parceiros do crime", um ressuscitado James Darren e um David Lynch como consolo da tão referida memória.

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E em orquestração com essa, o encontro com outro parceiro, Tom Skerritt, 38 anos depois de Alien, a invocar a Morte como um vilão pelo qual escaparam e que mesmo assim vivem no receio da eventual riposta. O sorriso aqui aludido que será transmitido nas proximidades do final - a essência que pedíamos após a desintegração completa da rotina vivente. Apela-se à anarquia tardia. Ou será antes rebeldia? O olhar matreiro de Stanton proferindo um último discurso, uma última resposta para o seu fim. Para depois seguir ao seu Paraíso, o leito dos laicos, o deserto que o acolhera no seu apogeu e que tanta vida reminiscente oculta.

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Mesmo que Stanton aposte no “realismo” que acabara de definir (“realism is a thing”), e nas verdades entre indivíduos que nunca corresponde uma verdade absoluta, este cantinho transforma-se o seu Éden, prevalecendo memórias e garantido o merecedor descanso eterno. Isto acontece porque o sentido alterou com o contexto, a celebração aos vivos é agora uma dedicada canção para os mortos. 

 

Real.: John Carroll Lynch / Int.: Harry Dean Stanton, David Lynch, Ron Livingston, James Darren, Beth Grant, Tom Skerritt

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:46
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Robert Pattinson estará presente na 11ª edição do Lisbon & Sintra Film Festival. O actor que se tornou mundialmente famoso com o fenómeno Twilight irá apresentar duas sessões do festival. Hoje, pelas 21h00, estará presente no Centro Cultural Olga Cadaval, ao lado do escritor Don Delillo, para apresentar Cosmopolis, a sua colaboração com David Cronenberg que resultou numa atípica versão de um mundo à beira de uma apocalipse económico.

 

No dia 25, Pattinson estará no Cinema Medeia Monumental para a projeção de Good Time, dos irmãos Safdie, obra que concorreu à Palma de Ouro do último Festival de Cannes e cujo seu desempenho foi, acima de tudo, elogiado. A sessão será seguida por um Q&A com o actor.

 

O 11º LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival, decorre em Lisboa (Cinemas Monumental, Nimas, Amoreiras; Teatro Nacional D.Maria II) e Sintra (Centro Cultural Olga Cadaval, Palácio de Queluz, MU.SA-Museu das Artes de Sintra), até dia 26 de Novembro.

 

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publicado por Hugo Gomes às 07:36
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23.11.17

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Apesar de ter conquistado o Prémio de Realização no último Festival de Cannes e com um elenco de luxo dirigido por Sofia Coppola, The Beguiled não chegará às salas de cinema em Portugal, sendo lançado diretamente no mercado home vídeo (DVD e Blue-Ray), no VOD e por via streaming. O filme foi o escolhido para abrir a 4ª edição do Porto/Post/Doc que arranca já no próximo dia 27 de Novembro, segundo o press release do festival, esta será provavelmente a única oportunidade de o vermos projectado num grande ecrã.

 

Sofia Coppola concebeu o filme como uma resposta feminina à obra de Don Siegel em 1971, com Clint Eastwood e Geraldine Page nos principais. Com uma intriga que nos transporta para os meados da Guerra Civil Norte-Americana onde um soldado da União encontra exilio numa casa habitada por mulheres sulistas, conquistou elogios pela crítica durante a sua passagem na competição de Cannes, onde foi realçado principalmente as suas virtudes técnicas, assim como o elenco que operava coletivamente neste conto de violência idealista (Nicole Kidman, Colin Farrell, Kirsten Dunst e Elle Fanning).

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:25
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Morreu João Ricardo, o ator e encenador acarinhado pelo grande público graças à sua presença em inúmeras telenovelas e séries televisivas. O ator não resistiu a um tumor no cérebro que fora diagnosticado em 2016, tendo na altura sido submetido a uma cirurgia de urgência. Encontrava-se numa unidade hospitalar de Lisboa desde quarta-feira.

 

Tinha 53 anos e para trás deixa uma longa carreira dividida entre televisão e teatro. No cinema a sua presença foi escasso, mas mesmo assim trabalhou com os realizadores Luís Filipe Rocha (A Passagem da Noite), Margarida Cardoso (A Costa dos Murmúrios) e João Botelho (Corrupção, A Corte do Norte e Filme do Desassossegado).

  

João Ricardo (1964 – 2017)

 


publicado por Hugo Gomes às 22:09
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21.11.17

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A Twentienth Century Fox encontra-se a prepara uma continuação do filme A Murder on the Orient Express (Um Crime do Expresso Oriente), tendo como base outro conto de Agatha Christie, Death on the Nile (Morte no Nilo). Para quem assistiu ao filme dirigido e protagonizado por Kenneth Branagh apercebe-se da referência final a esta importante aventura do detetive Hercule Poirot.

 

O argumentista Michael Green irá regressar a este universo. Quanto à realização, ainda não existe pormenores se Branagh voltará ou não ao seu anterior cargo, mas é mais que certo que retomará o papel do detetive belga imortalizado pelo imaginário de Christie.

 

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Publicado em 1937, três anos depois de Um Crime no Expresso Oriente, Morte no Nilo é considerado uma das obras maiores de Agatha Christie, e possivelmente uma das mais ricas aventuras vividas pelo seu personagem, Hercule Poirot. A intriga segue o nosso detetive, que se encontra de férias no Egipto, ao mesmo tempo que tenta decifrar um crime ocorrido no rio Nilo. O livro já fora adaptado ao cinema em 1978 por John Guillermin, com Peter Ustinov como Poirot a liderar um elenco de luxo composto por Jane Birkin, Bette Davis, David Niven, Mia Farrow, Jack Warden, Maggie Smith e Jon Finch.

 

Recordamos que a versão da Twentienth Century Fox de Um Crime no Expresso Oriente, tem de momento, uma performance de 148 milhões de dólares globais.


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publicado por Hugo Gomes às 16:24
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Ghost Dog: O Método do Samurai, um dos filmes mais populares de Jim Jarmusch, terá sequela com direcção do próprio realizador. A revelação foi feita por RZA, o rapper que tanto compôs a banda-sonora como também participou na obra de 1999, que confirmou à Telerama que a continuação encontra-se a ser preparada.

 

"Jim Jarmusch, o meu bom amigo, e Forest Whitaker, assinaram comigo e com outro escritor chamado Dallas Jackson, para produtor executivo de outro 'Ghost Dog'. E já temos algo escrito. Então, talvez 'Ghost Dog' regresse para a grande, ou pequena tela".

 

Nenhuma palavra acerca se Forest Whitaker irá ou não regressar como protagonista, mas curiosamente, foi reportado há sensivelmente um mês atrás que Tilda Swinton encontrou-se com Jim Jarmusch para um novo projecto. Possivelmente Ghost Dog?

 

Recordamos que o filme de Jim Jarmusch centra-se numa estranha figura, apenas conhecido como Ghost Dog, que opera como assassino para a Máfia, apenas respeitando um só dono, como manda o código samurai que fielmente segue.

 

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publicado por Hugo Gomes às 08:08
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20.11.17

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Era considerada a resposta da DC Comics para Os Vingadores da Marvel, mas Justice League, apesar de não fracassar nas bilheteiras, falhou completamente o alvo estimado para primeiro fim-de-semana, que rondava os valores de 130 milhões de dólares. O resultado foi um valor estimado de 96 milhões em território norte-americano, um valor portanto bastante abaixo do esperado e pouco otimista para uma produção que custou cerca de 300 milhões de dólares.

 

Fontes do The Hollywood Reporter referem orgulho ferido na Warner Bros., simplesmente pelo facto de uma das esperadas equipas de super-heróis da DC não conseguir, citando, nem sequer ombrear com um herói de classe B da Marvel (referência direcionada a Thor: Ragnarok). Tentando apurar as causas, fala-se sobretudo da fraca receção critica e apreciação da imprensa, até à confiança do espectador (sabendo que Batman V Superman e Suicide Squad desiludiram até mesmo na aprovação dos fãs), e a atribulada produção de Zack Snyder, que teve que sair devido a uma tragédia familiar, tendo a tarefa de terminar o projeto ficado atribuída a Joss Whedon, que exigiu reshoots e a garantia de um tom mais descontraído que os episódios anteriores.

 

Justice League torna-se, até então, o filme da DCEU (DC Expanded Universe) com a mais baixa abertura nos EUA. Surpreendente revelou-se a mais recente obra de Stephen Chbosky, o realizador de The Perks of Being a Wallflower, Wonder, que arrecadou mais de 27 milhões de dólares, conquistando assim o segundo lugar da tabela, ficando acima do terceiro Thor (que já conta com 247 milhões nos EUA e 738 milhões globalmente).

 

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18.11.17

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Possivelmente das sequelas mais esperadas, a continuação de um dos grandes êxitos da Pixar, The Incredibles, deixa-nos um sinal da sua vinda. A Disney / Pixar divulga o primeiro teaser trailer deste retorno à família de super-heróis Parr, com estreia prevista para verão do próximo ano.

 

Brad Bird regressa à direção, e o mesmo se pode afirmar quanto aos actores Craig T. Nelson, Samuel L. Jackson e Holly Hunter no elenco vocal.

 

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17.11.17

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Arranca hoje o 11º LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival, que decorrerá entre Lisboa (Cinemas Monumental, Nimas, Amoreiras; Teatro Nacional D.Maria II) e Sintra (Centro Cultural Olga Cadaval, Palácio de Queluz, MU.SA-Museu das Artes de Sintra), de 17 a 26 de Novembro. Nesta nova edição contaremos com grandes destaques a homenagem a Isabelle Huppert, uma das grandes donzelas do cinema francês, e retrospetivas dedicadas aos cineastas Abel Ferrara, Alain Tanner e o português João Mário Grilo.

 

O mais recente filme de Richard Linklater, Last Flag Flying, terá as honras de oficializar a abertura do festival no Monumental. A história de luto e reunião de velhos camaradas tem sido visto como um dos potenciais filmes para a temporada de prémios. Bryan Cranston, Laurence Fishburne e Steve Carrell compõem o elenco desta nova façanha do mesmo realizador de Boyhood e da amada trilogia Antes do Amanhecer. Em paralelo teremos as primeiras obras das ditas retrospetivas, desde a obsessão fetichista de Michael Haneke (A Pianista), inserido no ciclo Isabelle Huppert, ou a projeção das cópias restauradas de A Salamandra, de Alain Tanner, um cocktail de proletariado e fascinação criminal, e ainda a vingança que vira vigilância no feminino com MS. 45, de Ferrara.

 

A contar ainda nesta abertura, agora no Amoreiras que estreia este como espaço para o festival, o regresso da dupla de realizadores Olivier Nakache e Eric Toledano, do muito popularizado Amigos Improváveis, que nos trazem um casamento recheado de surpresas com O Espirito da Festa.

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:56
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16.11.17

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O quadrado, objecto de provocação!

 

Ruben Östlund filma os seus filmes com uma certa intenção, uma provocação no qual tenta debater-se com a consciência moral do espectador. Se em Force Majeure (Força Maior), especificaria o medo como uma catarse ao rompimento de uma relação, em The Square (O Quadrado) somos ainda levados ao extremos nessa encruzilhada de decisões. “E se fosse consigo?” - mais do que um programa pedagógico, Östlund perpetua uma tragédia cómica minada de experiências que vai de encontro aos nossos próprios medos, provavelmente o maior dos medos sociais, o de agir na altura certa.

 

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Em paralelo com a avalanche de Força Maior, em O Quadrado assistimos a uma particular sequência de uma arte performativa levada ao extremo, a besta que encarna no homem-artista e a manada indefesa que encarna numa multidão intelectualmente homogénea. A situação torna-se tão drástica que nós próprios [espectadores] questionamos a nossa experiência, a impotência nos nossos activismos, e o desprezo pelo próximo como um mecanismo de defesa. Nessas ditas situações, O Quadrado envolve-nos com uma tese psicológica desafiadora, um filme revoltante … silenciosamente revoltante que poderá dizer mais de nós que qualquer divã. E esse quadrado, engenho simetricamente perfeito que reflecte a igualdade de quem o penetra, um produto de museu no qual Östlund manipula como objecto de estudo a outra das questões da sua obra. Até que ponto a arte pode ser considerada arte? Ou simplificando, o que é a arte?

 

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E toda essa arte tem consequências, assim como os actos do protagonista, Christian (Claes Bang), que concentram todos esses confrontos invocados numa só persona. Aquele, e já referido, medo social, âncora das nossas relações afectivas assim como comunicativas, que elevam a um certo grau de passividade. Até porque existe dentro de nós um certo Christian, que se esconde em plataformas para expressar os seus sentimentos mais primários, no sentido em que essas emoções são eventualmente subvalorizadas por uma comunidade artística, pensante que anseia atingir o pedestal da racionalidade, quer do real, quer do abstracto.

 

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O Quadrado é um exemplar de um filme subjugado ao debate dele próprio, pronto para o dialogo com o espectador, entre espectadores e sobretudo depois do seu visionamento. São as questões sugeridas pela obra que nos tornam aptos para as suas interpretações; porém, Östlund tenta acima de tudo obter essa função, fugindo da pedagogia infantil e da essência solipsista que invade a comunidade arthouse, mas foge, também, da objectividade.

 

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O Quadrado prolonga-se até não possuir mais uma questão nova a indicar, torna-se com o tempo obtuso, fácil e previsivelmente moralista, como se toda esta galeria resumisse a uma fábula, citadina e moderna que exorciza a realidade como a vemos. Depois vem a obsessão de Östlund pelas escadas, a técnica e como filmá-las, uma tese na qual não procuramos aqui dar respostas, mas que preenche em demasia uma obra sobretudo comunicativa que oscila pelo simples ilustrativo.

 

 

Real.: Ruben Östlund / Int.: Claes Bang, Elisabeth Moss, Dominic West

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 17:22
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O ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual) vai apoiar com cerca de 2,4 milhões de euros para quatro novas longas-metragens, incluindo o próximo projecto de Pedro Pinho, o realizador do multi-premiado A Fábrica do Nada.

 

Dividido em quatro parcelas - i.e. 600 mil euros por obra - os projectos que receberão apoio serão a quinta longa-metragem de Pinho, intitulada de Amanhã Será Outro Dia; a biografia do pintor de vanguarda Amadeo de Souza-Cardoso por Vicente Alves de Ó (Florbela, Al Berto), a obra terá como título simplesmente como Amadeo; e os retornos de João Mário Grilo (Os Olhos da Ásia, O Processo do Rei) com Campo de Sangue e Tiago Guedes (Coisa Ruim, Entre Mãos) com A Herdade.

 

O júri deixou de fora projectos como A Casa Flutuante, de José Nascimento; A Cura, de Luís Filipe Rocha; O Voo da Coruja, de Vítor Gonçalves; Trans Iberic Love, de Raquel Freire; e D. Afonso Henriques - o Primeiro Herói, de José Carlos de Oliveira.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:57
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Come together …

 

Não se consegue salvar o Mundo sozinho”, nem sequer levar um franchise às costas. Justice League adivinhava-se a léguas como um ser atribulado, desde a perda do seu realizador Zack Snyder, que abandonou por motivos de tragédia familiar, mas encontrava-se igualmente pressionado pelos estúdios, o que obrigou a diversos reshoots.

 

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O resultado está aqui: a reunião da equipa mais desejada é um blockbuster automatizado, sem estilo e colado a cuspo de forma a cumprir os requisitos mercantis. E é pena meus amigos, visto que, tal como acontecera com Suicide Squad, andam por estas bandas personagens que realmente nos cativam o interesse. É uma barafunda, mas um caos virtuoso. Ou pelo menos aparenta ser, escondendo as suas mazelas e o orgulho ferido, isto após o “tira tapete” a Snyder com o seu Batman V Superman (um filme que continuamos a defender). A anarquia mesclada com a genica de alguém que tinha algo para mostrar é hoje abalada pela passividade deste ser escorregadio, com escassos vislumbres de reanimação - nem sequer de sofisticação.

 

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Veremos as coisas por este prisma, antes que se condene o trovador ao invés da cantiga, Justice League irá fazer dinheiro … muito mesmo … não é o horror, a ofensa declarada ao cinema de entretenimento atual, nada disso. Estamos somente perante uma perda, estilística e progressiva, a um trilho que o poderia afastar da concorrente Marvel (que para ser sincero não tem ficado melhor com tempo, apesar da exceção do bravo Thor: Ragnarok). Tudo soa oleado, do mesmo óleo que o estúdio da Disney tem contaminado os seus produtos, um líquido espesso que branqueia aos poucos a sua negritude que tão bem serviria de contraste à rivalidade.

 

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Assim, temos um Jason Mamoa a servir barbaramente como Aquaman, um Ezra Miller a entender-se como um antidote à seriedade contida na trupe, um Ben Affleck cansado do traje e um Ray Fisher com pouco palco, enquanto que Gal Gadot continua a usufruir graciosamente a sua limitação interpretativa. São os “misfits” honrosos que nos convidam a duas horas de ritmos inconstantes, consolidados a um terceiro ato desesperadamente estapafúrdio (contudo, há que relembrar que a DC tem-se preocupado cada vez mais com o elemento civil) e um vilão em CGI que manifesta preocupações quanto ao rigor do produto. Cai bem dentro da saga, cai mal no panorama do Cinema enquanto entretenimento em evolução.  

 

What are your superpowers again? / I’m rich.

 

Real.: Zack Snyder (e Joss Whedon) / Int.: Ben Affleck, Gal Gadot, Jason Momoa, Henry Cavill, Ray Fisher, Ezra Miller, Amy Adams, Diane Lane, Billy Crudup, Connie Nielsen, Amber Heard, Ciarán Hinds, J.K. Simmons, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:11
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14.11.17

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Fox 21 e Hulu preparam série baseada no popular franchise de videojogo, Hitman, que terá episódio-piloto com argumento de Derek Kolstad (um dos criadores de John Wick). A ideia é que a série se torne numa das principais do serviço streaming da Hulu.

 

A saga de Hitman, produzida pela IO Interactive, leva-nos ao Agente 47, membro de uma organização secreta de assassinos. O jogador terá que aceitar inúmeras missões e cumpri-las através de táctica, intelecto e calculismo, sendo isso o elemento principal da saga que evita inúmeras vezes os clichés do género third-person shooters. Actualmente existem seis títulos da franquia.

 

Recordamos que Hitman gerou duas adaptações cinematográficas, ambas decepcionantes nas receitas e no teste dos fãs.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:22
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A Sony Pictures anunciou que irá desenvolver mais um spin-off baseado no universo de Spider-Man (Homem-Aranha), que tem como foco o seu estimado leque de vilões. Depois de Venom, com Tom Hardy no elenco, e Silver & Black, será Morbius, o conhecido "vampiro vivo" a integrar o franchise.

 

Os argumentistas de Power Rangers e Dracula: Untold, Burk Sharpless e Matt Sazama já finalizaram o guião, que foi mantido em segredo até então. Tal como os seus congéneres que se encontram em produção, o filme envolto de Morbius não será relacionado com o Universo Cinematográfico da Marvel.

 

Para quem desconhece, Morbius surgiu pela primeira vez em 1971 nas páginas do volume 101 do Amazing Spider-Man, por Roy Thomas e Gil Kane. O nome verdadeiro é Dr. Michael Morbius, um cientista que sofre uma rara doença sanguínea que o torna dependente de uma certo vampirismo. A personagem foi criada como uma alternativa a Drácula de Bram Stoker.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:49
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A Amazon Studios confirmou que irá transformar The Lord of the Rings (O Senhor dos Anéis) numa série televisiva. A criação do escritor e professor britânico J.R.R. Tolkien já rendera duas adaptações cinematográficas, uma animação de 1978, e uma trilogia de Peter Jackson (2001 – 2003) que vencera no total mais de 17 Óscares, incluindo o de Melhor Filme com o último capítulo – The Return of the King. O estúdio prometeu uma nova abordagem, assim como novas narrativas ao material escrito. 

 

Esta transportação da saga para o pequeno ecrã pela Amazon terá ainda a colaboração da New Line Cinema (a produtora que levou O Senhor dos Anéis aos cinemas), a Tolkien Estate and Truste e ainda a Harper Collins, a editora de Tolkien gerida pelos herdeiros do legado.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:23
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