30.10.17

Justin-Lin-Fast-and-Furious.jpg

Justin Lin poderá regressar à saga Fast and Furious (Velocidade Furiosa) em futuros capítulos. O anuncio foi feito pelo actor, e também produtor do franchise, Vin Diesel, através de um vídeo na sua página de Facebook. “Vocês querem que o 9º e 10º filmes da saga sejam incríveis. Nós ouvimos as vossas preocupações sobre onde a história deve chegar nos capítulos finais. Adivinhem quem é o realizador? Aquele que foi responsável por ressuscitar esta bela saga. Justin Lin!”

 

 

O realizador não foi o único retorno anunciado, outra cara bem conhecida dos fãs deverá marcar presença nos próximos episódios, a actriz Jordana Brewster, que participou em 5 filmes do franchise como irmã da personagem Dominic Toretto (Vin Diesel).

 

Recorde-se que os oito filmes da saga já renderam mais de 4,40 mil milhões de dólares em receitas. O nono Velocidade Furiosa encontra-se agendado para 2020, mas antes será avançado um spin-off que irá focar nas personagens de Luke Hobbs (Dwayne Johnson) e Deckard Shaw (Jason Statham), em  Julho de 2019.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 00:18
link do post | comentar | partilhar

29.10.17

transferir (1).jpg

Hollywood à espanholada!

 

Dezoito anos depois das peripécias tragicómicas de La Niña de tus Ojos, Fernando Trueba regressa a essas familiares personagens, a essas caras que cresceram com ele e na indústria espanhola. Penélope Cruz, por exemplo, transformara-se neste período de tempo numa estrela global. Em Rainha de Espanha seguimos a chegada de Hollywood a terras de Franco, a criação dos grandes épicos históricos espanhóis e a formação de grandes estrelas castelhanas; de Espanha para o resto do Mundo.

 

Cr0jhgsXgAARNc-.jpg

 

Sim, Trueba (do oscarizado Belle Epoque e Chico & Rita) consegue neste filme recuperar um certo tom de jubilo, enquanto olha satiricamente para o cinema norte-americano e os seus acréscimos. A obra é fustigada pela sua crítica politica, multifacetada, polivalente, mas completamente insaciável. Infelizmente, é essa característica que transforma a 'Rainha' num filme demasiado trocista e sem a devida credibilidade no seu discurso. É de verificar as diferenças estéticas entre a sequela e o original. A Rainha de Espanha funciona como uma representação da atual indústria espanhola (sem querer generalizar), a perda da sua identidade técnica e cinematograficamente linguística e o abraçar para dos códigos rotineiros do cinema mainstream ocidentalizado, ou simplesmente,  o mero telefilme.

 

pioner-cinema_ru_c32e2b1b3d0fe838ab21400032a0dde7.

É um filme que aposta sobretudo no seu conteúdo, acima da sua forma e, nesse aspeto, Trueba conduz-nos a uma revisitação cansada, ilibada pela culpa do oportunismo, mas que nem sempre encontra na homenagem um trunfo cinematográfico. Penélope Cruz revela-se na estrela formada, o astro que em 18 anos conquistou meio Mundo, mas hoje, "afagada" por um chama vencida. Talvez num terceiro filme, se Fernando Trueba permitir, Cruz seja convertida numa espécie de Gloria Swanson, uma diva decadente iludida pelo glamour de outros tempos. Mas por enquanto, fiquemos com esta "brincadeira franquista", o mais recente pronto e esquece do cinema espanhol.

 

Filme visualizado no Cine Fiesta 2017

 

Real.: Fernando Trueba / Int.: Penélope Cruz, Antonio Resines, Neus Asensi, Cary Elwes, Mandy Patinkin, Clive Revill, Santiago Segura, Chino Darin, Javier Cámara

 

MV5BNDZhYzJlMDgtM2U3NS00MmY2LThhMzYtNTQ4MTQ1NDNhOG

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 23:49
link do post | comentar | partilhar

tumblr_mcni43sSyD1qawprio1_1280.png

A Comédia de Deus (1995)

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 12:09
link do post | comentar | partilhar

M%26L_CUISINE.jpg

O certame da 15ª edição do Doclisboa contou com uma presença maioritariamente feminina, as mulheres governaram a mais recente mostra do cinema documental de Lisboa. Seis anos depois da sua primeira longa-metragem, Nana, Valérie Massadian regressa ao formato com Milla (que já havia sido apresentado no último Festival de Locarno), consagrando-se como o grande vencedor da Competição Internacional. Enquanto isso, Vira Chudnenko, de Inês Oliveira, é laureada como o Melhor Documentário da mostra nacional. Destaque ainda para o prémio de público atribuído a Diálogos ou Como o Teatro e a Ópera se Encontram para Contar a Morte de 16 Carmelitas e Falar do Medo, de Catarina Neves.

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme: Milla
, de Valérie Massadian
Prémio Sociedade Portuguesa de Autores: Why is Difficult to Make Films in Kurdistan
, de Ebrû Avci
Prémio Jornal Público / MUBI para Melhor Curta-Metragem: Saule Marceau
, de Juliette Achard
Menção Honrosa: Spell Reel
, de Filipa César


COMPETIÇÃO PORTUGUESA
Prémio Revelação / Prémio Canais TVCine para Melhor Primeira Obra: Those Shocking Days
, de Selma Doborac
Prémio NOVA FCSH/ Íngreme para Melhor Filme: Vira Chudnenko
, de Inês Oliveira
Prémio Kino Sound Studio: À Tarde
, de Pedro Florêncio


PRÉMIO DO PÚBLICO

Prémio RTP para Melhor Filme Português: Diálogos ou Como o Teatro e a Ópera se Encontram para Contar a Morte de 16 Carmelitas e Falar do Medo, de Catarina Neves
Prémio Escolas / Prémio ETIC para Melhor Filme: I Don't Belong Here
, de Paulo Abreu


COMPETIÇÃO TRANSVERSAL
Prémio Fundação INATEL para Melhor Filme de Temática Associada a Práticas e Tradições Culturais e ao Património Imaterial da Humanidade: Martírio
, de Vincent Carelli
Menção Honrosa: Medronho Todos os Dias
, de Sílvia Coelho e Paulo Raposo
Prémio José Saramago - Fundação José Saramago para Melhor Filme falado maioritariamente em português, galego ou crioulo de origem portuguesa: Spell Reel
, de Filipa César

 

VERDES ANOS
Prémio FAMU para Melhor Filme: Norley and Norlen
, de Flávio Ferreira
Prémio Especial Walla Collective: Pesar
, de Madalena Rebelo
Prémio Melhor Realizador: 
Ana Vijdea, John 746
Prémio Walla Collective para melhor Work in Progress - Arché: Sílvia
, de María Silvia Esteve
Prémio Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas para melhor Projecto em Desenvolvimento: Follha 84
, de Catarina Mourão

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 11:41
link do post | comentar | partilhar

gettyimages-670294666.jpg

O produtor e chef de cozinha Anthony Bourdain, falou, durante o seu painel na PGA Produced by Conference, que um dos impulsores da liberdade criativa é a sua chamada regra "não-a-idiotas". Ao exemplificar este mesmo termo, Bourdain, acompanhado pela produtora e co-criadora do programa "Parts Unknown", Lydia Tenagli, relatou um episódio em que ambos se afastaram de um magnata dos média, cujo nome não fora revelado [mas foi automaticamente entendido como Harvey Weinstein], que se encontrava disposto a financiar um dos seus projectos.

 

"O tipo era claramente um monstro, e ofereceu-nos riquezas incalculáveis - era o que sempre queríamos. Eu não quero trabalho com esse tipo, nunca. Não há quantidade de dinheiro no mundo que tornará isso mais fácil. Teria sido um compromisso letal. Teria sido um constante veneno que acabaria por comer as nossas almas até terminarmos como Quentin TarantinoOlhando para trás em uma vida de cumplicidade e vergonha e compromisso".

 

har.jpeg

Vale a pena mencionar que Bourdain é o namorado da actriz Asia Argento, uma das alegadas vitimas de Harvey Weinstein, e que a crítica directa a Tarantino deriva do o facto deste ter afirmado e lamentado não ter feito nada para auxiliar as supostas vítimas do produtor. "Havia mais do que apenas os rumores normais, as fofocas normais", disse ele ao New York Times, acrescentando que "Não lhe foi dito em segunda mão. Eu sabia que ele fez algumas dessas coisas (...) Gostaria de ter tomado responsabilidade pelo que ouvi. Se tivesse feito o que devia ter feito, não teria trabalhado com ele".

 

Tarantino disse ainda que estava ciente do acordo entre Rose McGowan e Weinstein e que a sua namorada de então, Mira Sorvino, havia lhe contado sobre um incidente envolvendo o produtor, em que este fez avanços indesejados: "Eu não queria acreditar que ele fazia isso tão abertamente. Eu fiquei, como: 'A sério? A sério?' Mas o que eu pensei na época é que ele estava particularmente interessado na Mira", disse Tarantino.

 

631281498_0.jpg

 

Recorde-se que o caso Weinstein tem feito as manchetes da imprensa um pouco por todo o mundo, com actrizes como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Ashely Judd, Léa Seydoux, Cara Delevingne, Kate Beckinsale, Mira Sorvino e como já havia sido referido, Asia Argento, a revelarem situações de assédio sexual e mesmo violações executadas ao longo de décadas pelo magnata. O caso mais recente foi o de uma modelo italiana que diz que em 2013 foi violada por Harvey num hotel.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

tags:

publicado por Hugo Gomes às 10:01
link do post | comentar | partilhar

28.10.17

MV5BZTc5YTgwMmQtMmQxMi00NDUwLThmMjUtNTNhMjExYzFlYz

Nora Twoney, que fora uma das realizadoras de The Secret of Kells, apresenta The Breadwinner, já visto como um dos possíveis candidatos ao Óscar de Melhor Longa-Metragem de Animação.

 

Tendo arrecadado elogios durante a sua passagem nos festivais de Toronto e Londres, The Breadwinner revela-nos a história de uma jovem afegã que se disfarça de rapaz para conseguir sustentar a sua família.

 

O filme, que conta com produção de Angelina Jolie, chegará aos cinemas norte-americanos no mês de Novembro

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 18:53
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

pjimage.jpg

Segundo a Variety, o actor Zachary Levi (da série Chuck) foi o escolhido para interpretar Shazam na sua aventura a solo. 

 

David F. Sandberg, realizador de Lights Out e Annabelle: Creation, tomará as rédeas deste novo projecto da DC Comics, «Shazam!», o outrora conhecido como Capitão Marvel. Henry Gayden e Darren Lemke serão os argumentistas. 

 

O filme Shazam havia sido falado em tempos, muito devido à escolha e Dwayne Johnson como o arqui-inimigo - Adão Negro (Black Adam). Porém, foi divulgado que esse não será o vilão do filme, por sua vez a personagem antagónica protagonizará um filme próprio. O confronto entre as duas personagens estará agendada para um terceiro filme.

 

Shazam será produzido pela New Line Cinema, subsidiária da Warner Bros., especializado em filmes mais contidos e modestos, e irá arrancar a rodagem em Janeiro de 2018.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 13:38
link do post | comentar | partilhar

26.10.17
26.10.17

transferir.jpg

Efeito Lazarus!

 

Let’s the game (re)begin!” A saga de terror mais lucrativa regressa passados 7 anos, sob os moldes de reboot, acima do seu vendido teor de homenagem. Iniciado em 2004, Saw, do na altura desconhecido James Wan, consolidou-se como uma instantânea obra de culto, pelo arriscado passo do fascínio pelo serial-killer em tempos que a consciência moral debatia-se com a violência do género, colocando e recolocando tais temáticas a séries restringidas, longe do mediatismo industrial, e com um argumento em existência com o seu twist final.

 

MV5BMjAyOTMwMTM3N15BMl5BanBnXkFtZTgwNDEyOTc5MjI@._

 

Sim, parece uma tendência "Shyamaliana", algo que veio a transfigurar-se caricaturalmente na marca do realizador de The Sixth Sense e The Village, que Wan apropria, devolvendo o fator surpresa a esse dispositivo narrativo. Poderia ser um fracasso, mas não foi. Ainda hoje, o público que experienciou em tempo real Saw como um OVNI / incontornável thriller do ano, relembra o twist como impulso de deslumbramento, e consequentemente a estrutura óssea dos capítulos seguintes. Capítulos, esses, que se foram desenvolvendo com uma periocidade anual e assídua (Halloween era a meta de estreia), dando no seu total um franchise composto por 7 filmes (8, se incluirmos este Jigsaw), impressionante exemplo de como os baixos custos consistiam sobretudo em surpresas de box-office. O suposto último capítulo deu-se em 2010, uma manobra estratégica de “matar dignamente” o “menino” que tem erguido a produtora Lionsgate. O resultado, esse, foi dececionante e Jigsaw foi “definitivamente” enterrado. Rest in Peace.  

 

MV5BNjBmZmE1ODAtMzE4Ny00MTI2LWEwNjQtNDhiYjhlNDk2Y2

 

Porém, no cinema, nada morre, e é quase regido aos mandamentos de Lavoisier (“nada se perde, tudo se transforma”). Neste caso, o franchise converte-se num lutador exausto pronto para o segundo round, contornando os espinhos narrativos deixados pela ronda anterior. Agora sob a batuta dos irmãos Spierigs (Predestination, Daybreakers), este Jigsaw, que muito bem poderia intitular-se de Saw: Legacy, é um espécimen que deambula na sua sala de troféus, as armadilhas em modo “Jogos sem Fronteiras” motivadas por falsos moralismos e falsos profetas. O argumento não há que saber, é o gore arrancado de um causa-efeito, com personagens de papelão a jogarem numa perfeita sala mortuária.

 

MV5BMTYxMDY5OTU2NF5BMl5BanBnXkFtZTgwNzgzNjg2MzI@._

 

E quanto ao twist final? Sim, o "surpreendente” final está lá, como manda a lei “Saweana”, automatizada e devidamente questionada. Porém, não recomendável a tal, porque no fundo nada faz sentido. Aliás, a existência deste filme não faz sentido algum. Todavia, sabendo que as verdades devem ser ditas (neste caso escritas) a todo o custo, a dupla de realizadores apresenta um trabalho mais proporcionado, mais sereno e sóbrio, do que as confusões reféns da montagens rápida à lá MTV que a saga sempre nos apresentara (sim, James Wan foi o responsável pela tendência, as sequelas apenas usaram hipérboles desse mesmo estado).

 

Now the games are simple. Best ones are. You want mercy? Play by the rules.”

 

Real.: Michael Spierig, Peter Spierig / Int.: Matt Passmore, Tobin Bell, Callum Keith Rennie, Hannah Emily Anderson

 

MV5BMTU2NTQ3NjY3OV5BMl5BanBnXkFtZTgwNjgzNjg2MzI@._

3/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 17:36
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

image.jpg

Há uma vertente que levemente tem surgido no panorama do documentário português, uma vertente de jornalística, não a de mera entrega de informação, mas de investigação. Essa no qual poderá denotar o pessoal (identitário) ou coletivo (demanda para a divulgação, preservação de memória). Este tipo de documentários, que se prolongam ou evitam o cinema como mera lente de documentação de imagens (que porventura poderá anexar-nos a memórias etnográficas e épicas), não são de todo bem vistas na comunidade-nicho da cinefilia. Há quem os acuse de aligeirar o poder e possibilidades (de momento infinitas) de Cinema, desde a sua narrativa até ao estilo intrínseco e extrínseco, porém, e tendo em conta a muita da seleção presente de um Doclisboa, poderemos considerar esta “básica” forma de fazer documentário num registo outsider e porque não, na maioria dos casos, mais experimentes e concisos na sua abordagem.

 

Como exemplo desse cinema-investigação, Catarina Mourão [ler entrevista] elevou-se numa busca ínfima de autodescoberta com A Toca do Lobo, onde seguiria o paradeiro do avô da realizadora, figura que não conhecera por completo mas que marcas deixou. A realizadora / documentarista apresenta-nos um objectivo claro na sua proposta (“descobrir quem é este homem”), convite claro que o espectador retém no seu arranque, a viagem, essa, vinculada num hibrido entre a investigação propriamente dita e a deambulação pelas memórias pessoais. Em todo o caso, porque não reconhecer A Toca do Lobo como um objeto no limiar do intimismo e da retribuição social.

 

maxresdefault (1).jpg

 

De estética pessoal, mas de caracter mais urgente, está Quem é Bárbara Virgínia?, de Luísa Sequeira, outra investigação (presente desta edição do Doclisboa) que regista um pedaço de História portuguesa, neste caso Bárbara Virgínia, a multifacetada artista que se tornou na primeira mulher realizadora nacional, atualmente “apagada”, é o corpus de estudo que despoleta uma tremenda jornada de conhecimento pessoal com vista maioritária para o público e memória futura na “salvação” deste personalidade. O objectivo neste caso encontra-se no título (Quem é Bárbara Virgínia?). O espectador tem com isto a certeza do que vai encontrar, a proposta é clara. Quanto à forma como a mensagem é emitida, essa, tem a sua razão de divergir dos moldes, digamos, televisivos. Luísa Sequeira consegue sobretudo uma investigação com uma apresentação intimista, até porque esta procura torna-se, para todos os efeitos, bastante pessoal (apercebemos o quanto a imagem de Bárbara Virgínia transgride da meta de estudo para a transferida pessoalidade numa determinada sequência, a anunciada morte de Virgínia e a reação da nossa documentarista perante tal).

 

Porém, talvez de caracter urgente acima da sua pessoalidade, temos Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro, uma contagem de linguagem televisiva que visa em projetar o legado de Macedo e apurar as causas do seu “desaparecimento”. Obviamente que este documentário completamente destilado por entre footages e talking heads possui um propósito de preocupação pública e patrimonial, mas se o considerarmos como um objeto cinematográfico de requinte, a sua pobreza não o exaltará como algo mais. Contudo, o objetivo de Monteiro é mais do que simplesmente integrar uma teoria estilística, social e cinematográfica, é como um apelo, um ato ativista, esse, que poderá originar consequências futuras, quem sabe, a revalidação absoluta de Macedo, não simplesmente como tentador do cinema de género em Portugal, mas como cineasta. Estes três exemplos recentes de documentário português, uma minoria perante a divulgação dos festivais, formam um cinema de causa-efeito, a investigação como uma narrativa que não deve ser sobretudo desprezada.

 

e21e5897-9fd0-4398-8bd0-c69954682722-754x394.jpg

 

O outro cinema, com excepção de alguns casos que conseguem através dos seus meios desbravar a sua linguagem, apresenta-se como máscara, escondendo a incapacidade e o amadorismo de muitos “documentaristas” pretensiosos, em busca do caminho fácil do estatuto autoral. Esse anti-cinema não deve ser sobretudo erguido como o Cinema, assim como o cinema na sua forma mais clássica, universalmente empática, não deve ser rebaixado a anti-cinema. 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.


publicado por Hugo Gomes às 17:09
link do post | comentar | partilhar

25.10.17

Feiticeira do Amor, A.jpg

Vieste a mim … feiticeira!

 

Anna Biller é fascinada pela cinematografia extinta, pela vibe anterior à década de 70s, e este The Love Witch, fruto de uma carreira refém a essa mesma natureza, é um tremendo exemplo disso. Por entre as invocações de um satanismo trash, ou da bruxaria envergada pelo artificialismo risivelmente voluntário de um Ken Russell, Biller apresenta-nos a caricata personagem, Elaine (Samantha Robinson), uma jovem infortunada no campo amoroso que recorre à feitiçaria como apelo a um “príncipe andante”.

MV5BMTA1OTdiNDYtYWQyMi00ZDE5LTgzZjQtOGQxOTMyMWQzYj

Com uma interpretação deliciosamente caricata e voluntariamente canastra, a protagonista assume de imediato a voz da emancipação feminina, fazendo-o através de um contexto historizado, algures entre a ficção preconceituosa indiciada pelo termo de paganismo (claras insinuações à dominância da igreja cristã) e do papel da mulher vitimizada por esta prolongada e injustificável inquisição. Obviamente que The Love Witch brinca com essa dualidade de versões em prol de uma ambiguidade dissolvida na trama, e também, é bem verdade que todo aquele discurso contra a opressão feminina tem um tanto reflexivo como de satírico (separando-o da comparação óbvia com Goddess of Love, de Jon Knautz).

MV5BNGE3OGViM2UtNjgyMy00NmMzLWI1ODEtNDM1YzM1MDRkZD

Mas se The Love Witch não consegue “libertar-se” dessa pretensão de ser algo mais que um mero produto de referência cinematográfica, é naturalmente visível que essa incompatibilidade de nuances atribui ao dito tributo um certo elo com o humor involuntário. Porém, a comédia descrita pelas etiquetas de género, camufla-se com a tragédia pessoal de Elaine, obcecada com o romance fabulista, como a certa altura diz: “como nos contos de fadas”, que visa oposição a um mundo actual, devidamente condenado à dependência sexual. E se a sexualidade é um arma transgressiva na conquista dos seus parceiros, Elaine é acima da sua submissa passividade que demonstra e que se orgulha proclamar, um símbolo de insurreição da “domesticação”.

MV5BZGI0NDdkMTUtNmJmMy00ZDBlLWEzMmMtODBiMWFjNjRjYW

Tecnicamente, o filme corresponde a esse desafio de alusão fílmica, prestando uma clara e polivalente homenagem através da ausência de virtuosismo nos desempenhos, assim como o visual alicerçado aos decores e fotografia contagiada por suaves cores em conformidade com expressionismos estéticos de ocasião, ou do flashbacks, em jeito de onirismo, através de planos fechados como um interrompido fade out em escarlate. Aliás, todo o filme é uma fantasia, uma farsa por entre metas que consolida com um casamento de mentira, tal como o “príncipe” e o “faz-de-conta” numa recriação medieval. Anna Biller é a nossa ilusionista, fazendo-nos acreditar num passado diluído na actualidade. Na nossa “boa” actualidade. Um desconecto e artesanal mimo aquele que deparamos.   

 

Real.: Anna Biller / Int.: Samantha Robinson, Jeffrey Vincent Parise, Laura Waddell

 

MV5BNjhiMzgzZGYtZTNkYy00ZGVlLWFmOGEtMDU3MzE5YWNlYj

7/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 13:19
link do post | comentar | partilhar

MV5BNmNhOTE5NDctM2RiMi00OWM0LTlhMjYtNzAyNGQ0MWM2Zj

Helen Mirren no cinema de terror sob o “convite” dos irmãos Spierig (Pedestination, Daybreakers, Jigsaw) em Winchester: The House that Ghosts Built.

 

A oscarizada actriz de The Queen desempenhará a excêntrica viúva Sarah Winchester, cujo marido fora o fabricante da espingarda Winchester. Proprietária de uma majestosa mansão sempre em construção, Sarah acredita estar assombrada pelas vitimas da criação do seu marido.

 

O filme tem como base, a História, os relatos e os rumores envolto da assombrada mansão Winchester. Jason Clarke (Terminator Genisys) e Sarah Snook (Predestination) também integram o elenco.

 

Com estreia prevista para Fevereiro do próximo ano.

 

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 00:13
link do post | comentar | partilhar

23.10.17

Untitled201710231513705.jpg

Chega-nos o trailer de Phantom Thread, a esperada reunião do realizador Paul Thomas Anderson com o ator Daniel Day-Lewis, dez anos depois do muito aclamado There Will Be Blood.

 

Centrado no mundo da moda dos anos 50, Day-Lewis interpretará um estilista londrino que é contratado para “vestir” alguns membros da alta sociedade inglesa, e até mesmo a realeza. Lesley Manville, Camilla Rutherford e Jane Perry são outros nomes integrados no elenco.

 

Phantom Thread tem estreia prevista para o mês de dezembro, com claras ambições para a época dos prémios. Recordamos ainda que este filme será, segundo o actor vencedor de três Óscares da Academia, o último papel de Daniel Day-Lewis antes da sua anunciada reforma.

 


publicado por Hugo Gomes às 17:44
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Thor Ragnarok.jpg

À terceira é de vez … em 9 anos!

 

Não vamos aqui “histericamente” proclamar que este Ragnarok é o Filme da Marvel por excelência, como muita da imprensa norte-americana interessada em seguir como insiders os estúdios da Marvel / Disney considera em cada produção lançada, mas poderemos garantir que este era o filme que precisávamos (não totalmente) neste universo cinematográfico.

10-thor-2610.jpg

Era fácil superar os dois standalones anteriores, tendo em conta que The Dark World (O Mundo das Trevas) representou tamanha pedra na qualidade narrativa e produtiva destes episódios-fílmicos. Em Ragnarok, o neozelandês Taika Waititi (What We Do in the Shadows, da série Flight of the Conchords) percebeu a tempo que a personagem-título necessitava de um “refresh”, de uma actualização (digamos assim), trazendo com isso consequências e implicações. Primeiro, a auto-paródia que preenche o protagonista, tornando-o adaptável para uma variedade estilística. Sim, Thor 3 é dos poucos que aposta numa divergência de estilo (anteriormente este título era de Guardians of Galaxy), nem que seja pelos cenários deliciosamente coloridos ou da música techno 80 de fazer chorar David Hasselhoff, tudo isto em enquadramento com o nosso “herói”, que subliminarmente é movido por vingança, sentimento primitivo raro neste universo colorido da Disney.

 

MV5BMTNhYTQwNTAtYWQ1YS00OTEwLWIzNjEtZTI5MmM5ZWNmYj

 

Porém, se ficamos minimamente satisfeitos com este upgrade, por este precioso momento de causa-efeito, e as inconsequências disfarçadas por alguma preocupações de insurreição, Ragnarok é para todos os termos uma produção gloriosamente engendrada no seu A a B em linguagem argumentativa, pelo lufa-lufa narrativo e pelas constantes personagens unidimensionais (Cate Blanchett e Tessa Thompson são exemplos disso) que apenas vingam por alguns pormenores irreverentes.

 

MV5BMGIwMzU5NzAtMGNlNi00ODg0LWEyYWItZDVjZTljMWM0Nj

 

A cobardia da Marvel ao longo de 9 anos é compensada com “passos-coxos” avante, oferece-nos um entretenimento visual com uma noção satírica invejável … ou Jeff Goldblum como o merecedor imperador de uma nação. Já esperávamos isto por muito tempo (não me refiro apenas à iconoclastia de Goldblum), mas aos “ventos de mudança” que entraram no estúdio mais sobrevalorizado dos dias de hoje.  

 

"We know each other. He's a friend from work."

 

Real.: Taika Waititi / Int.: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Tessa Thompson, Anthony Hopkins, Idris Elba, Karl Urban, Ray Stevenson, Jeff Goldblum, Mark Ruffalo, Benedict Cumberbatch, Taika Waititi, Matt Damon, Sam Neill

 

MV5BYmE3NmU3NDItMmUzYi00YjFkLTkzNzQtZDg5NTM2OTkzNT

 

 

6/10
tags: , ,

publicado por Hugo Gomes às 12:46
link do post | comentar | partilhar

20.10.17

Castelo de Vidro.jpg

Dramas de vidro!

 

É uma estrutura quebradiça no qual este "dramalhão" baseado nas vivências da escritora e colunista Jeannette Walls se sustém. Depois do vibrante e independente Short Term 12, a segunda longa-metragem de Destin Daniel Cretton, este trabalho com vista direccionada à temporada dos prémios desprovêem de aptidão dramática para além dos remoinhos característicos deste tipo de produções, e, quiçá, mais detentores do termo telefilme.

MV5BMjM5MDI1ODY3NF5BMl5BanBnXkFtZTgwNTQ1ODQwMzI@._


É uma história "real" orquestrada pelos elementos do espectáculo da tragédia cinematográfica alicerçadas pelo meloso do moralismo. Brie Larson é a repetente do universo de Cretton, infelizmente reduzida a um mero gancho para dois espaços temporais, um esquemático mapa de uma família disfuncional, doutrinada por rebeldias sociais mas "assombrada" pela esquizofrenia do patriarca, aqui interpretado por um forte e previsível Woody Harrelson. As frases feitas, o dramalhão de empastelada narrativa (os habituais slow motion musicados como "explosões" emocionais) que desesperam por fazer chorar as "pedras da calçada", da guerra entre classes induzidas por maniqueísmo evidentes e os fantasmas do alcoolismo a fugir da subtileza e astúcia de um Billy Wilder e o seu, ainda imponente, The Lost Weekend: O Farrapo Humano (hoje visto como o ode da temática do álcool no cinema).

MV5BODg1ODQzMzg0M15BMl5BanBnXkFtZTgwNDQwNzgwMzI@._


Há que reconhecer que mesmo dentro dessa ênfase de telefilme ou do drama de espectáculo confundível, exista um certo rigor técnico de colectividade, essa fragilizada como o "castelo de vidro" projectado nas fantasias das suas personagens, a aspiração impossibilitada pelas limitações do enredo, os sonhos desfeitos pelas falsas promessas. Até porque foi disso que Short Term 12 se assumiu, a promessa de um realizador melhor que o sistema em que se insere. Neste caso, o sistema acabou mesmo por "engolir" a promessa.

 

Real.: Destin Daniel Cretton / Int.: Brie Larson, Woody Harrelson, Naomi Watts

 

MV5BZGY0Y2EwYzQtNTNjZi00NzA5LWJiNmQtZjM0ZmYxYjg4MT

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 12:22
link do post | comentar | partilhar

19.10.17
19.10.17

Ramiro.jpg

"Queriam o quê? Telenovela"

 

Ramiro é aquilo que poderíamos apelidar cinematograficamente de «loser», uma personagem à deriva da sua sorte, encostada às “cordas” do passado, da glória que lhe nunca passou, nem sequer o esforço que detêm para a atingir. A certa altura, o protagonista-titulo confessa aos seus amigos que acabara de descobrir a sua passividade (“Sou uma pessoa passiva”), sequência-chave que revelará por completo a sua anti-tour de force, até porque o seu talento, diversas vezes mencionado por outros, nunca fora devidamente reconhecido, assim como conquistado. O seu proclamado bloqueio criativo é simplesmente fruto desse autodesprezo.

 

image_426.jpeg

 

Mas Ramiro não é de todo um desprezível, é dotado de um boa índole, o espectador crê isso através dos seus actos minuciosos, na sua teimosia controlável que nos leva aos seus próprios demónios, o medo; o medo de falhar, automaticamente, o medo de tentar. É fácil simpatizar com este Ramiro, nem que seja pela interpretação derivante do actor António Mortágua, um laço de empatia com uma audiência que se lança nas prateleiras de um alfarrabista em busca de preciosidades. O que encontramos é “livros esquecidos”, estilos não vingados, enredos antiquados com o intuito de agradar aos “velhos do Restelo” ou os reféns das “coisas que outros amaram”. Porém, e utilizando esse mesmo lugar, Ramiro enquadra-se num cinema português desadequado, não pela inutilidade estilística, mas como oposição às novas vagas que tendem em: a) manejar a experimentação narrativa e visual no qual diversas vezes disfarça a pura incapacidade; b) a sedução pelos formatos wannabe hollywoodescos, de forma a repudiar toda uma História da nossa cinematografia.

 

RAMIRO_07.jpg

 

Tal como a personagem, Manuel Mozos cria um filme passivo na sua positiva afirmação, até porque é em Ramiro que evidenciamos um cinema lúcido, intrinsecamente português-alfacinha e discretamente irónico, mesmo sob as influências de João Cesar Monteiro e dos seus constantes e castiços trocadilhos. Talvez tenha sido a experiência com Miguel Gomes, outro influenciado pela natureza do anterior “João de Deus”, o catalisador para esta invocação. Porém, Mozos não pretende o mero tributo. O filme concentra-se sobretudo numa saudação, a vénia a uma iminente emancipação, assim como a transformação de Ramiro após a perda do seu mentor.  Eis um pequeno achado do cinema português, um “livro” poeirento e esquecido na mais oculta das prateleiras que resulta na mais graciosa das descobertas. Sem alterar o curso do nosso cinema, temos aqui filme e não pretensões.   

 

Filme de abertura do 15º Doclisboa: Festival Internacional de Cinema

 

Real.: Manuel Mozos / Int.: António Mortágua, Madalena Almeida, Fernanda Neves

 

9e960e815a3c08595788f6c56f4ff785_L.jpg

7/10

publicado por Hugo Gomes às 17:36
link do post | comentar | partilhar

7f28e603-67ea-4019-ada6-6fc00c1f6c3f.file

Os realizadores Dorota Kobiela (DK) e Hugh Welchman (HW) envolveram-se nesta paixão do artista, que em conjunto com mais de uma centena artistas, compuseram um trabalho com mais de 62 mil frames pintados a óleo, cujo tal feito levou 6 anos a concretizar. O resultado foi Loving Vincent, a biografia ficcionada do pintor Van Gogh, um ensaio de animação que por si torna-se um ensaio anti-noir.

 

Numa conversa com o Cinematograficamente e com o jornalista e crítico Jorge Pereira do C7nema, o duo falou do início do fascínio pela personagem de Van Gogh, as dificuldades e restrições que tiveram de lidar e da satisfação com que veem a reação do público ao resultado final. Ah! E falaram também dos seus próximos trabalhos, que passam por um filme em imagem real e uma nova animação de horror inspirada nos quadros de Goya.

 

[para Dorota Kobiela] Como começou esta sua fascinação por Van Gogh? Antes ou depois de ter entrado na Universidade de Artes?

 

DK - A fascinação começou com os meus 16 anos. Era uma adolescente no museu de Van Gogh e aquilo foi para mim uma experiência. E as cartas? Bem. Depois, seguiu a minha tese de mestrado, com 22 anos (sim, sinto alguma vergonha por ter feito a minha tese tão tarde), que consistiu em traçar um paradoxo sobre escritores, pintores e filósofos, e de que forma as suas saúdes mentais influenciaram os seus trabalhos, ou o inverso, se a sua saúde mental inspirava os seus trabalhos. E por fim, novamente, as cartas.

 

Creio que foi dito numa entrevista vossa, que numa exposição em Londres, ficaram fascinado por os visitantes fazerem fila só para ver as cartas e não as pinturas.

 

HW - Sim, era impressionante o facto de esperarem mais de 3 horas para apenas vislumbrar as suas cartas dentro de caixas [risos]. Ao contrário de Dorota, que leu-as quando tinha uns 16 anos, eu comecei com 33 anos e isso foi depois dessa exposição, no qual questionava o porquê de serem tão “populares” e o porquê desta loucura, essa dita paixão por Van Gogh. E foi ao lê-las que me apercebi o porquê. A verdade é que após começar nunca mais quis parar. A minha fascinação pela personalidade dele expandiu-se para lá dos seus escritos. Li todas as biografias escritas possíveis, incluindo o importante livro de Julius Meier-Graefe, de 1921, na Alemanha. É uma história poderosa.  

 

comamorvangogh.jpg

 

Foi nessa altura que surgiu a ideia de avançar neste projeto, que inicialmente era para ser uma curta-metragem.

 

HW - Nessa altura a Dorota iria fazer uma curta e eu iria produzi-la, até porque apaixonei-me pela realizadora e não por Van Gogh [risos]. Essa foi a verdadeira razão pelo qual integrei o projeto [risos].

 

DK - Foi uma boa tática, porque eu lembro-me que tinha outro produtor e ele “roubou-lhe” o projeto.

 

HW - Sim, porque estava interessada na realizadora.[risos] Imagina, se continuasse com o mesmo produtor, a vida seria completamente diferente.

 

DK - Sim, mudar a vida das pessoas é a sua habilidade especial [risos].

 

A certo ponto tiveram uma campanha no Kickstarter. O que pensam dessas plataformas?

 

DK - Eu adoro-as. Eu penso que ela abrem tantos canais a pessoas que não conseguem financiamento de outra maneira. Recentemente falei com um amigo, que teve uma ideia incrível para um jogo de tabuleiro, e é lindo e inteligente, e ele falou com pessoas (…) porque fazer algo original é algo difícil de fazer (financiar), por isso no Kickstarter temos uma ideia original e a plataforma para as pessoas apoiarem o projeto. E isso é brilhante.

 

HW - Este filme sempre foi do público, que esteve sempre à frente da indústria em termos de fazerem as coisas acontecer. E a querer que essas coisas aconteçam. Primeiro foi o Kickstarter, e queríamos para uma coisa muito específica, porque já tínhamos dinheiro para o desenvolvimento da ideia dado pelo Instituto do Cinema da Polónia. Mas eles não nos deram dinheiro para treinar os pintores, e nós não tínhamos dinheiro para contratar animadores para este tipo de trabalho, até porque eles não existiam. Certamente não existiam 125 que pintassem no estilo do Vincent Van Gogh. Por isso, o Kickstarter foi muito útil pois conseguimos juntar dinheiro para recrutar e treinar a nossa força de trabalho.

 

Foi também através do Kickstarter que encontramos dois dos nossos investidores privados, pois não estávamos a ter sorte nenhuma com os financiadores da indústria do Cinema. E com o dinheiro destes investidores conseguimos começar a produção. E só quando entramos em produção conseguimos reunir algum material, que usamos em anúncios a procurar pintores.

 

Este anúncio tornou-se viral, porque o fã de um dos atores, o Douglas Booth, que tem uma grande base de fãs em Itália, colocou uma publicação no Facebook e ela foi partilhada e partilhada.

 

Eu não percebia muito de redes sociais na época, e nem sabia que aquilo se conseguia fazer. A verdade é que em 24 horas, 2 milhões de pessoas viram a publicação. Em 2 meses, 200 milhões de pessoas viram-na. Foi por causa desses 200 milhões de pessoas que uma série de coisas aconteceram: primeiro, encontramos financiamento; segundo, vendemos os direitos para todo o mundo, até agora para 135 países; terceiro, tivemos mais 4 mil pessoas a candidatarem-se para trabalhar connosco.

 

ENTER_LOVINGVINCENT-MOVIE-REVIEW_2_MCT.jpg

Então tiveram de fazer um casting para os pintores?

 

HW- Ao todos tivemos 5 mil pessoas que se inscreveram para trabalhar connosco.

 

DK - É interessante porque tivemos pessoas que trabalharam para criar algo que se tornou muito viral. E se isso acontece por acidente, tu agradeces muito.

 

HW- Tivemos 5 mil pessoas a se inscreverem, depois disso escolhemos 500 pessoas para fazer uma audição de pintura de animação, depois disso 125 foram escolhidos para serem treinados. Era um treino de 200 horas a ensinar-lhes a pintar no estilo de Van Gogh. E 100 horas a ensinar-lhes as bases do cinema de animação. Depois disso eles seguiram para a produção

 

E como escolheram os actores? Como foi o processo de casting?

 

DK - Alguns escolhemos porque era importante que fossem semelhantes às personagens das pinturas.

 

HW - Sim, nós quisemos sempre que eles fossem parecidos aos retratos.

 

DK - Outros não tinham grandes marcas distintivas, como a Marguerite, quando a vemos por exemplo a tocar piano.

 

HW- Nos dois quadros que o Vincent fez dela não se vê a face dela.

 

DK - Acho que foi nisto que tive a visão da Saoirse (Ronan) no papel, e ela é uma atriz brilhante. Eu acompanho-a desde que ela é pequena, no Atonement (2007), no Hanna (2011).

 

HW - Tu sempre a quiseste para o papel da Marguerite.

 

DK - Sim, eu sempre a quis e quando ela aceitou, eu fiquei… feliz

 

HW - Depois houve outras escolhas como o Chris O'Dowd, que realmente queríamos ter….

 

DK - Outros ainda porque seria interessante vê-los pintados, e eles queriam-se ver pintados. Isso foi divertido.

 

HW - Eles gostaram do guião, por isso foi muito mais fácil encontrar atores, a equipa, etc, que o financiamento. A maioria das pessoas que se juntaram a nós entendiam o que estávamos a querer fazer e estavam todos muito excitados com o projeto.

 

Obviamente quando fomos falar com os financiadores foi mais difícil. Eles perguntavam que filme na mesma linha tinha sido feito e corrido muito, muito bem. Porque eles querem investir em algo seguro. E nós tínhamos de dizer que nunca ninguém tinha feito isto, e então diziam, ‘Ah, não. Não queremos investir.’.

 

Estão contentes com o resultado final? O filme vai estrear em mais de uma centena de territórios…

 

DK– Cento e trinta e cinco

 

image.jpg

Quando começaram a trabalhar no filme, alguma vez imaginaram que iam estrear em tantos países?

 

HW  - Não em tantos. Eu sabia que as pessoas iam gostar do filme, pois sabia que o Van Gogh tinha uma grande legião de seguidores, mas ficamos sempre surpreendidos com a forma como as pessoas têm reagido ao filme, de forma apaixonada. Temos pessoas depois dos visionamentos que vêm ter connosco…Que nos dizem, ' Nós seguimos este projeto há quatro anos, desde que ouvimos falar dele'. Isso é fantástico. Temos também pessoas que chegam até nós a chorar, muito emocionadas. Sinceramente, não esperava esse nível de envolvimento emocional.

 

O filme teve a sua estreia no Festival de Cinema de Animação de Annecy. É um festival importantíssimo para os filmes de animação…

 

Sim, foi fantástico….

 

Vocês consideram mesmo um filme de animação?

 

DK- Sim, claro. Há pessoas que falam num trabalho de rotoscopia, mas não é. É mesmo animação.

 

HW - É stop-motion. Um trabalho frame a frame. É isso que a animação é….

 

Já leram as críticas ao filme?

 

HW- Eu não leio, mas a Dorota lê.

 

DK- Li, mesmo no início do lançamento do filme. Depois parei.

 

Não gostam de ler essas críticas?

 

DK- Quando és um realizador, um artista, um escritor, não interessa qual, és a pessoa que toma certas decisões e caminhos, e essas são as tuas escolhas, e tens de viver com elas. As pessoas gostam dessas escolhas, ou não. Umas vezes eles criticam as tuas escolhas, outras vezes não…  Por isso não dou assim muita importância.

 

HW- Para mim os críticos são como a audiência. Estes lêem o que os críticos dizem e seguem-nos, se gostarem do crítico, e isso vai influenciar se vão ver o filme ou não. A nós não, porque nós fizemos o filme…

 

Sim, mas para o futuro, ou seja, a crítica muitas vezes “leva um filme para o futuro”...

 

HW- Pensas que os críticos vão me ensinar como filmar?… Pensas que o feedback de um crítico vai fazer de mim um melhor realizador?

 

DK- Às vezes acho que o feedback é bom. O que faço quando os leio - se é sobre algo que não envolva as minhas escolhas pessoais que tinha a certeza que queria tomar - é ver se isso ajuda-me e me faz pensar que podia ter feito de maneira diferente. Isso gosto, algo construtivo.

 

HW- Eu prefiro ver a reação do público. Eu fiz este filme para eles. Eu não fiz para os críticos, mas para as audiências. E eu todos dias vejo a reação do público.

 

DK- Depende, porque os críticos também constroem a reação da audiência.

 

HW- Sim, mas não foi para eles que fiz o filme.

 

KW- Sim, podemos ir ao Rotten Tomatoes e…

 

HW- … ficar muito contentes porque temos a melhor reação deste ano no site - desde que abrimos nos EUA há 4 semanas atrás.

 

Então sempre liga aos críticos?

 

HW - (risos) Estou a falar da reação da audiência. Dos críticos de topo temos 85% de aprovação e das audiências temos 94%. No geral da crítica temos 77% [entretanto este valor já subiu para 78%], o que é mais que eu esperava, por isso estou contente. Mas na verdade estou é maravilhado com os valores da audiência, porque isso sim era o meu sonho.

 

DK-  Eu respeito a crítica. Eu sei que faço escolhas e que as pessoas podem gostar delas ou não. Se alguém me diz algo de uma escolha na qual hesitei, isso dá-me algo, ajuda-me a fazer algo melhor no futuro.

 

E no futuro. Como acha que as audiências vão ver o filme…

 

HW- Eu penso que quando uma pessoa pensa em filmes sobre Van Gogh, falam do Lust for Life (1956). Nos meus melhores sonhos, e se pensar daqui a 50 anos, penso que vão dizer o Loving Vincent. Mas veremos. [O primeiro] é com o Kirk Douglas, uma produção de Hollywood… mas quem sabe. O meu sonho é que digam A Paixão de Van Gogh, que vejam o nosso filme como O FILME sobre Van Gogh.

 

Postman-Roulin-Chris-ODowd-1600x1168.jpg

 

Há uma enorme influência do Cinema Noir nesta obra. Houve algum cineasta ou filme que vos influenciou para A Paixão de Van Gogh?

 

HW - Eu vi The Big Sleep (1946), sete ou oito vezes.

 

DK - A sério? Eu vi …

 

HW: Tu viste o Double Indemnity (1944).

 

DK: Sim, eu vi porque é um clássico. Quer dizer, eu gosto das personagens de detetives relutantes…

 

HW - Eu adoro os diálogos desses filmes, são fantásticos.

 

DK - E a cinematografia deles, é algo que considero tão incrível.

 

HW - Por exemplo, a abertura do The Big Sleep é tão inteligente

 

DK - Mas por exemplo. No Citizen Kane temos aquela cena com o sinal de «Não Passar» (No Trespassing), e acho que isso é uma grande influência para construir uma personagem sem nunca saber realmente a verdade sobre ela… Houve outras influências. No início vimos muitos documentários…

 

HW - Sim, o The Thin Blue Line (1988), do Errol Morris, foi uma das primeiras coisas que vimos um par de vezes

 

DK - Sim, adorei. Como ele consegue ter um documentário de investigação tão da velha escola e ao mesmo tempo tão emocional.

 

HW -E com uma banda-sonora fabulosa….

 

DK - Sim, é do Philip Glass

 

HW - Para além disso já vi vezes sem conta o final do Dreams of a Life (2011), da Carol Morley. É um documentário fabuloso…

 

DK- E por acaso nem tem grandes críticas

 

HW - A sério? É tão poderoso.

 

DK - Sim, mas há pessoas que não gostam porque não existem resoluções.

 

HW-  Sim, mas eu vi o final desse documentários muitas vezes…

 

DK - E é sempre poderoso.

 

E agora. Têm algum projeto em desenvolvimento?

 

DK- Eu tenho um filme que gostava muito de fazer, um filme em imagem real. Gostava de passar seis meses a fazer um filme em vez de seis anos. Eu gostei muito de trabalhar com os atores no Loving Vincent, foi fantástico. Não digo que gostei mais dessa parte do que do resto, mas é algo que me atrai.

 

Esse filme é sobre uma mulher, já falecida, muito conhecida na Polónia, durante a era comunista. É uma personagem feminina muito forte. É uma ideia, vamos ver onde culmina essa ideia.

 

HW - Bem, nós criamos esta técnica, e treinamos todas estas pessoas para o Loving Vincent.

 

DK -  E elas  agora semanalmente questionam o que vamos fazer a seguir.

 

HW - Por isso estamos a pensar fazer um filme de horror pintado inspirado nos últimos trabalhos de Goya, Não queremos contar a história dele, mas ser inspirado por ele para contar uma história. No Loving Vincent tínhamos muitas amarras – à sua história, aos seus quadros – até nas decisões da realização. Por exemplo, não podíamos mudar os enquadramentos dos seus quadros para contar a sua história, embutir a história dramática e os enquadramentos dos seus quadros e interligar com a parte histórica. A parte mais difícil foi mesmo escrever o guião para este filme… Por isso, dissemos para nós mesmos que no nosso próximo projeto teríamos de ter uma mais liberdade.

 

loving_vincent.jpg

 

Voltando ao Loving Vincent, como conjugaram as pinturas do Van Gogh e a construção do guião. Como geriram esse processo?

 

DK - As pinturas definiam o local, o ambiente, o guarda-roupa…. Veja-se a Adeline Ravoux, nós sabemos que ela está sentada e vamos apresentá-la a partir dessa imagem, por isso influencia muito o guião.

 

HW - Sim, por exemplo, quando vemos pela primeira vez o Armand Roulin, ele tem de surgir com o verde em pano de fundo. Por isso temos de pensar como vamos colocar a personagem com um fundo verde. E o Milliet, a primeira vez que o vemos ele tem uma estrela sobre si. Como metemos uma estrela? E o Zuavo? Uma parte do fundo é verde e o resto é tijolo. Por isso ele só podia estar num sítio onde isso acontecesse. Por isso criamos a cena de luta e ele cai, ficando com a parede em tijolo e o verde no fundo… e tudo acontece à noite porque o Milliet tem de ter a estrela.

 

Temos de pensar em todas estas coisas quando escrevemos o guião. Outro exemplo, o carteiro Roulin tem no quadro um fundo amarelo, por isso colocamo-lo no Café à noite, porque o Café é amarelo…. Quando escrevemos o argumento criamos estes “Clusters” e depois ainda temos de juntar todos esses Clusters.

 

Por isso, no final, não existia assim muita liberdade na construção do guião…

 

HW - Sim, é verdade, mas às vezes as restrições obrigam-te a surgir com soluções que não tomarias se não tivesses esses constrangimentos. As vezes isso é bom. Mas penso que num próximo filme gostaríamos de ser mais livres, embora mais tarde possamos novamente trabalhar em algo tão restrito. Mas queremos agora mais liberdade. Queremos mudar a posição das câmaras, etc…

 

DK - Freedom [risos]

 

loving-vincent.jpg

 

 Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 14:48
link do post | comentar | partilhar

18.10.17

transferir.jpg

Thrillers nórdicos de pacote!

 

O conceito whodunit (Quem matou? Quem fez?) não é um exclusivo fílmico ou um atalho de pré-concepção narrativa. Todo esse “mistério”, resolução criminal, nascera da literatura, desde as manchetes “gordas” da imprensa que notificavam periodicamente os mais horrendos crimes da época, preenchendo a mente dos seus leitores com uma mórbida curiosidade, ou na expansão do policial literário com principal foco nas criações de Arthur Conan Doyle (Sherlock Holmes) e Agatha Christie (Hercules Poirot).

 

MV5BM2MwZmM5ZDUtYzQzYi00MzQzLTk4MWItZWVkM2I0NTMzNG

 

O Cinema, como sempre, pediu emprestado esse conceito e transformou-o num dos mais atrativos e clássicos chamarizes. Se Hitchcock foi uma incontornável referência, David Fincher ampliou a temática e simultaneamente reduzi-a a segundo plano. Como exemplo, olhando com mais atenção nas entrelinhas do seu Se7en, apercebemos a analogia da condição do policia num mundo cada mais desarmado pela violência nos mais diferentes graus.

 

MV5BMWMyMWE4NDYtY2EwNy00MzU3LWFhMWUtNzA0MGVhZmI1MT

 

Depois de Fincher,thriller desta espécie pouco evoluiu, e com a chegada deste The Snowman, inspirado no best-seller de Jo Nesbo, percebemos o quão escasso e até retrocesso é essa linha evolutiva. Sob as pisadas do chamado subgrupo do thriller nórdico, Tomas Alfredson, responsável pelas façanhas de Let the Right One In (Deixa-me Entrar) e de Tinker, Tailor, Soldier, Spy (A Toupeira), abandona o seu cinema calculista e completamente imposto ao presente, para se inserir numa tentativa de franchise “amerikansk”. Nesse sentido deciframos uma Oslo de lugares-comuns e com graves crises identitárias e linguísticas que servem de cenário para hediondos crimes cometidos por um assassino alcunhado de Boneco de Neve.

 

MV5BYmVkZWI4M2ItOGE3Mi00ZDRmLTg4ZjgtMzExNTg1YmIzNG

 

O presente de Alfredson é cedido à preguiça dos flashbacks e da dependência do whodunit (em modo plot twist) acima de qualquer leitura intrínseca. Mesmo com as breves eclipses de uma reflexão tecnológica dentro da ciência criminal, nada detém Boneco de Neve de seguir as suas mesmas pisadas em encontro à resolução do crime, por entre enredos e subenredos mais próximos do “encher chouriços” do que enriquecer este universo, principalmente o do nosso protagonista, Harry Hole (Michael Fassbender), uma espécie em extinção dentro do seu departamento policial. O actor faz o que pode, e a mais não é obrigado, revelando-se incapaz de retirar esta produção do contexto de mero produto corriqueiro, engendrado numa agenda descontaminada de ensaios autorais.

 

MV5BMjFhMDc4YWQtODY4NC00N2Y0LTgyNDMtNzQzNTMzMDU4Y2

 

Não existe aqui sobretudo preocupação em criar uma ligação invisível deste detetive com o seu pecaminoso perseguido, assim como, e mais uma vez referindo Fincher (com particular olhar no seu Zodiac). Este Boneco de Neve não é alvo algum, é a desculpa esfarrapada para nos esfregar na cara o conceito de “cinema adulto”, sem a maturidade cinematográfica para tal. O tempo passa, os mortos acumulam-se, o serial killer torna-se mais habilidoso. Enquanto isso, o espectador mostra-se em todas as ocasiões sempre indiferente.   

 

Real.: Tomas Alfredson / Int.: Michael Fassbender, Rebecca Ferguson, Charlotte Gainsbourg, Val Kilmer, J.K. Simmons, Toby Jones, Jonas Karlsson

 

MV5BZTYzOGFlZTAtN2E0Ni00MjZjLTg5MzUtMThjNjNkMTM5YT

 

 

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 19:13
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

14.10.17

harvey_weinstein_1280_gettyimages-633045584.jpg

O produtor Harvey Weinstein é expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (AMPA).

 

Foi esta a decisão tomada na reunião de emergência convocada hoje com 54 membros do conselho da Academia, no qual se incluem Steven Spielberg, Kathleen Kennedy e Whoopi Goldberg, na sede de Beverly Hills. O comité considerou, via comunicado, que o seu ex-membro “não merece o respeito de seus colegas”, desta forma a decisão serviu para “enviar uma mensagem que a era da ignorância voluntária e vergonhosa cumplicidade no comportamento sexual predatório e assédio no local de trabalho na nossa indústria acabou".

 

Recordamos que Weinstein já havia sido despedido da sua própria empresa após o conhecimento das acusações de assédio, abuso de poder e até violação. Esta última negada pelo produtor.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 

tags:

publicado por Hugo Gomes às 23:44
link do post | comentar | partilhar

vf_mathieu_amalric_arnaud_desplechin_slider_4578.j

O realizador francês Arnaud Desplechin, cujo o seu recente Les Fantômes d'Ismaël [ler crítica] estreou esta semana nos cinemas portugueses, revelou ao site C7nema pormenores acerca do próximo filme, que segundo o próprio, terminara o primeiro rascunho do argumento.

 

Ainda sem título, o realizador de Rois et Reine e Trois souvenirs de ma Jeunesse revelou que com esta sua futura obra entrará “em território desconhecido” da sua carreira. “Uma produção singular que bravamente entra num universo hitchcockiano”. Tendo como inspiração “um artigo de jornal. Um homicídio, para ser mais exato.”, Desplechin falou-nos que apenas interessa “focar nos factos … somente nos factos.” O filme “será um objeto completamente seco, despido do lado ficcional, mas ao mesmo devedor do estilo imposto por um The Wrong Man, de Hitchcock.”, chegando mesmo a comparar “com o livro In Cold Blood (A Sangue Frio), de Truman Capote, apenas a narração do real, do facto, não havendo espaço para imaginação e pelo suposto.”

 

Quanto a mais pormenores, Desplechin retratará “a condição da mulher nos dias de hoje”, esperando com isso “uma atmosfera bem sociopolítica, nada parecido do que fizera anteriormente.”

 

O realizador espera começar a filmá-lo já neste Inverno.

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 23:39
link do post | comentar | partilhar

CineEco_Bannerweb2_final.png

Arranca hoje (14/10) o Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema Ambiental, o único festival de cinema com temática ambiental em Portugal e um dos poucos eventos desta magnitude cinematográfica fora das grandes metrópoles dos país. A decorrer, de forma ininterrupta, desde 1995, a localidade de Seia, na Serra Estrela, acolhe mais um espectáculo cinematográfico com elevada preocupação ecológica, procurando-se entre debates e reflexões sobre a actualidade do nosso Mundo ver a maneira como poderemos solucionar alguns destes estados.

 

A abertura será tremendamente especial para a localidade, com a exibição de um dos grandes clássicos do cinema português, Os Lobos, recentemente editado e restaurado em DVD pela Cinemateca Portuguesa. Registo da passagem do italiano Rino Lupo em Portugal, Os Lobos fora rodado em diferentes localidades da cidade beirã e é hoje tido como uma das "jóia da cinematografia portuguesa", citando Félix Ribeiro na altura da sua estreia em 1923.

 

29B.jpg

A sessão será apresentada por Tiago Baptista, director do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento (ANIM), e acompanhada pelo pianista britânico radicado em Portugal Nicholas McNair. Lobos é uma das propostas que José Vieira Mendes, crítico e programador do Cine'Eco, mais destaca nesta nova edição do simpaticamente apelidado de "festival ecológico". Em conversa ao Cinematograficamente Falando …, e em resposta quanto ao que destacaria da programação deste ano, Mendes diz: "Já fiz as minhas escolhas ao fazer a selecção e programação dos filmes. Portanto destacaria todos os filmes, porque todos merecem destaque inclusive uma forte selecção de curtas-metragens sobre a Água, como recurso escasso que compõe quase uma secção e que este ano vai ter um Prémio Especial para este tema.

 

Mas lá vai, para quem não possa estar em todos: Para além da antestreia nacional do filme do Al Gore [An Inconvenient Sequel: Truth to Power], temos Os Burros Mortos Não Temem Hienas, de Joakim Demmer, que olha para a especulação aos terrenos para exploração agrícola na Etiópia; Nahui Ollin ­Sol em Movimento junta oito realizadores a darem a sua visão sobre a biodiversidade do México e a forma como está a ser alterada; A Idade das Consequências, realizado por Jared P. Scott, um filme muito abrangente e polémico que olha para a intersecção entre fenómenos como a Primavera Árabe, o chamado Estado Islâmico e a radicalização de pessoas, bem como a crise dos refugiados, e as mudanças do clima; Perseguido Corais, de Jeff Orlowski, mostra o fundo dos oceanos e como os corais estão a desaparecer; Ondas Brancas, com realização de Inka Reichert, envolve os esforços de surfistas que lutam contra a contaminação do mar, quer pelo lixo quer pelos micro-plásticos; Rio Azul: Pode a Moda Salvar o Planeta?, da dupla David McIlvride e Roger Williams, atira-se à indústria da moda e ao impacto considerável que esta tem sobre o ambiente e a poluição das águas e rios. 

 

the-odyssee-still-1.jpg

Também serão mostrados, na competição de filmes em língua portuguesa, por exemplo, Moon Europa, de Nuno Escudeiro — que estreou no IndieLisboa 2017 —, filma o Árctico a e as poucas pessoas que lá vivem em invernos inóspitos; Belo Monte: Um Mundo Onde Tudo é Possível, de Alexandre Bouchet, que examina a construção e exploração da controversa barragem brasileira com o mesmo nome; Deriva Litoral, de Sofia Barata, que olha para os temporais do inverno de 2013 e 2014 e o seu impacto ao longo da costa portuguesa; ou Terra e Luz, um filme de ficção pós- apocalíptica do brasileiro Renné França, que é um filme ambiental e que passou no Fantasporto 2017. Entretanto, hoje já houve actividades para crianças com a belíssima longa de animação Song of the Sea, que esteve nos Óscares há dois anos e passou relativamente despercebido nas sessões comerciais. A abertura começa logo ao final da tarde, com a A Odisseia, de Jérôme Salle, o biopic que também esteve pouco tempo em cartaz, sobre o lendário explorador dos mares Jacques Cousteau."

 

Como programador, José Vieira Mendes teme efectuado um trabalho árduo em conseguir seleccionar e compor um programa de filmes e propostos para todos os públicos, porém condicionadas a uma só temática. "Os requisitos obviamente que tenham implícita uma mensagem, de preferência positiva com melhorar os nosso comportamento em relação ao ambiente, por outro lado também que coloquem questionamento e provoquem discussão sobre os grandes problemas ambientais". Obviamente nem tudo com motivações ecológicas possui a qualidade de integrar o Cine'Eco, nesse caso, segundo o programador, o que se procura é tudo aquilo que todos os festivais de cinema procuram "bons filmes, de preferência inéditos ou que não tenham tido a visibilidade que merecem tanto nos outros festivais como nas salas de cinema comerciais." 

 

theageofconsequences_4-h_2016.jpg

Desde 1995, que o festival existe e cresce sem interrupções, toda esta motivação vivente deriva sobretudo do "do empenho do Município de Seia, que suporta o festival quase na íntegra e faz dele um dos eventos âncoras do concelho. E por outro uma pequena equipa que vive literalmente o Cine’Eco Todo o Ano entre Seia e Lisboa — como é o caso do meu colega Mário Branquinho, Director do Cine’Eco e da Casa Municipal da Cultura de Seia, e meu caso como programador, que sou um senense adoptado, e vivo em Lisboa e outras pessoas da autarquia e colaboradores voluntários —  que procura estar atento (ou mesmo participar) ao mundo dos festivais de cinema de ambiente da GFN (e não só) procurando trazer os melhores filmes de ambiente, para apresentar no Cine’Eco".

 

Quanto ao crescimento, o Cine'Eco tem vindo "crescer um pouco à proporção das preocupações das pessoas em relação às questões ambientais, a sua mediatização e essa tal agenda político-ambiental. Assim para além das sessões competitivas e sessões especiais, o festival realiza várias actividades paralelas, onde as questões ambientais estão sempre presentes. A realização de uma grande conferência sobre questões ligadas ao ambiente e ao desenvolvimento, consta sempre da programação do festival, para a qual são convidadas figuras de referência e que envolve o público da região. O programa conta igualmente com exposições, workshop’s, concertos e outras iniciativas de e para a comunidade. As escolas são mobilizadas para as sessões do festival, mas o festival também vai aos estabelecimentos de ensino do concelho e da região."

 

777_a_Terra_e_Luz_77.jpg

Mas existe um enorme perigo cultural e em Portugal o "afunilamento" de propostas deste género restringidas às grandes cidades como Lisboa e Porto, sobretudo exclusivamente transladadas para a capital. Em resposta a isso, o Cine'Eco possui "uma vasta rede de extensões por todo o país, como a que decorre ao longo do ano — Cine'Eco Todo o Ano! —, o que ajuda a ir ao encontro de um público mais vasto, possibilitando que os filmes e as suas mensagens circulem e cheguem a um número mais alargado de espectadores. Este ano, conseguimos uma nova parceria. O Cin'Eco será alargado aos 15 concelhos da Comunidade Intermunicipal das Beiras e da Serra da Estrela, composta por 250 mil habitantes, que constitui um novo contributo de aproximação à região." Das extensões, é ainda destacado "os Açores, outra região com um forte apelo à natureza e onde também é muito acarinhado pelo público."

 

Contudo, ao dito "afunilamento cultural" que atinge o país, José Vieira Mendes comenta: "Isso é normal que os festivais se centrem nas grandes capitais, pois é onde alcançam mais público, mais orçamento, mais mediatização e até mais patrocinadores e parceiros.  Fugimos à regra e conseguimos no Cine'Eco e em pleno interior do País, por exemplo um forte mobilização dos alunos do concelho e da região, numa perspectiva de sensibilização para as questões ambientais e na procura de criação de público para o cinema. Por outro, envolvemos várias personalidades do concelho na dinâmica do festival. Seja como elementos do júri, seja na mobilização e acompanhamento de grupos para as sessões de cinema. Este ano, foram designadas 27 pessoas da comunidade para apadrinharem as 9 longas-metragens internacionais, contribuindo para essa aproximação e um maior envolvimento da população de Seia e da região. 

 

p9-hadfield-song-a-20160818.jpg

"O cinema de ambiente não é propriamente uma área para as grandes massas de público, mesmo que seja especializado. Por isso, o Cine'Eco tem feito o seu caminho, conquistado públicos e despertando consciências para as questões ambientais, embora se reconheça que o público seja ainda uma fragilidade do festival e onde ainda há muito trabalho a fazer mesmo a nível da componente de turístico ambiental, nacional e internacional, apesar de estar-mos integrados e ser-mos membros fundadores da Green Film Network, a rede de festivais de cinema de ambiente."

 

Provavelmente, 2017 tem sido o ano onde o aquecimento global apresentou-se mais como uma agenda politica, é nos recordado o caso de Donald Trump e a saída dos EUA do Tratado de Paris, e a sequela Uma Verdade Inconveniente [An Inconvenient Sequel: Truth to Power], que integra a programação do Cine'Eco. José Vieira Mendes esclarece até que ponto a ecologia é uma perspectiva politica e como o festival contorna / ou abraça essa mesma vertente: ao longo do seu percurso de mais de duas décadas, o Cine'Eco tem mesmo abraçado essa causa procurado ir de encontro ou acompanhar às grandes questões ambientais da actualidade ou da agenda político-ambiental mundial, dai este ano termos escolhido como inspiração o bestseller, Tudo Pode Mudar: Capitalismo vs. Clima, da Naomi Klein, bem como o documentário Uma Verdade (Mais) Inconveniente, do Al Gore, — que vai ter estreia nacional na quarta, dia 18 no Cine'Eco, em sessão especial — que chega na hora certa depois de facto o Presidente Donald Trump ter anunciado que ia se distanciar do Acordo de Paris do ano passado sobre o limite das emissões de carbono causadoras das mudanças climáticas.  Por outro lado, o CineEco vai de encontro às necessidades da comunidade local, através de vários mecanismos desencadeados, no quadro da dinâmica cultural e ambiental do município de Seia."

 

A 22ª edição do Cine'Eco vai decorrer até dia 21 de Outubro, na Casa Municipal da Cultura de Seia e no CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela.

 

la-et-mn-an-inconvenient-sequel-truth-to-power-tra

 

Acompanha-nos no Facebook, aqui, e no Twitter, aqui.

 


publicado por Hugo Gomes às 11:41
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Encontrado realizador par...

Venom (2018)

Doclisboa'18 revela toda ...

Cary Fukunaga será o real...

A Simple Favor (2018)

Edgar Pêra "ataca" salas ...

Morreu Kirin Kiki, a noss...

Marco Martins tem novo pr...

The Predator (2018)

Rumor: Kit Harington pode...

últ. comentários
Um filme lindo. Um dos melhores do Ang Lee. O meu ...
"Deveria ser um crime ignorar um filme destes.". B...
Nem tinha vontade de ver o filme. Pensei que apena...
Sei que um filme é bom quando, assim que acaba, te...
Acho que será muito bom. O Joker é um personagem ...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
SAPO Blogs