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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

A Oportunidade Perdida de Z

Hugo Gomes, 27.04.17

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A Amazónia foi em tempos vista como uma selva indomável e impenetrável, o novo filme de James Gray apenas tem em comum o último ponto. É um registo domado pela fanfarrice e pelo constante estatuto de "aluno aplicado" que o realizador sempre fora. Sim, Gray é mesmo o pior que The Lost City of Z tem para nos oferecer, porque de resto encontramos uma autêntico anti-aventura com vinculo na matriz da tão chamada "civilização".

O que é pior que um filme fascista?

Hugo Gomes, 24.04.17

87954081_1474278289404971_7778152860721610752_n.jp«O Círculo» é de uma incompetência extraordinária. Um filme sobre o fascismo providenciado das novas tecnologias, cuja ingenuidade e a veia moralista o torna tão totalitário quanto o tema que invoca. Para além disso, é a "pirosidade" da sua direcção e o elenco que parece repudiar a matéria em si. Acrescento ainda que nunca vi Emma Watson em tão má figura.

A série B como denunciador social ... recomenda-se!

Hugo Gomes, 20.04.17

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Questões raciais num EUA ideologicamente repreensivo que parece ter encontrado lugar nos discursos de Trump. É cliché, mas sob esse carvão pelo qual Get Out se torna num entusiasmante exercício de Série B, com uma clara mensagem que condensa esse ponto de ebulição e ainda lança farpas à mob flash politicamente correcta que se mantêm hoje em vigor.

 

La Chiesa: os demónios que nos livre!

Hugo Gomes, 20.04.17

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Inicialmente tido como uma terceira parte de Demons, a saga demoníaca levado a cabo por Dario Argento e Lamberto Bava (filho do cineasta Mario Bava), Michele Soavi declarou independência e o transformou em algo autónomo, mas ... não devidamente emancipado do estilo dos seus "padrinhos".

La Chiesa (The Church) leva-nos ao tormento das Idades das Trevas, por entre templários e inquisições de desfechos sangrentos. São as cruzadas, trazendo consigo o derrame de muitos "hereges", cúmplices das forças demoníacas que sempre ameaçaram o espírito humano. No seio do massacre submetido ao nome divino, é erguido um monumento, um edifício que pudesse consagrar o amor terreno por Deus e que aprisionasse qualquer forma inglória. Como tal é construído uma Catedral, um símbolo vitorioso. Anos passaram, até chegarmos aos tempos actuais, onde a chegada de um bibliotecário faz adivinhar tamanha tragédia, um desconhecido que se deixará vencer pelos espiritos torturados e pelas entidades que se escondem nas sombras, no mais remoto lugar daquela "prisão" de pedra sobre pedra.

Em La Chiesa, devido ao seu pretensiosismo aguçado e quase arquitectónico, o fracasso é um iminente destino, agravado pela incapacidade de construção de personagens ou na condução de um argumento escrito e transcrito e assim crucificado na falta de coerência. Se tudo está destinado ao mais martirológio dos falhanços, deve-se salientar a forma com que Michele Soavi manobra-se pelo estilo vincadamente série B, pela redução aos lugares-comuns e pelo humor involuntário refeito a partir da não exactidão do enredo. A verdade é que Soavi aproveita a cenografia gótica, a atmosfera por vezes sacrificada e a via sacra como inspiração para este modelo de pesadelo cinematográfico.

No terceiro acto, La Chiesa transforma-se num atento filme de cerco (a invocação da saga não assumida), onde "bonecos" (ao invés de personagens) são subjugados a uma orgia de tentações infernais, heresias que se enquadram como formas demoníacas. É assim que recomeça o sangue, a "nova" cruzada, agora invertida e altamente comunicativa com o veio sexual e por vezes, profano. Sim, tal como uma descida danteana, este é um filme recheado de luxuria, de trevas que embicam para os sonhos molhados dos nossos negados temores e medos. É o Inferno sedutor e indesejado descrito nas escrituras e na memória humana quando esta proclama os feitos cometidos por Deus e a tentação empestada pela Besta.

"Não há Deus sem Diabo", diz o bispo (Feodor Chaliapin Jr.), espalhando o medo pelo desconhecido que os envolve. Michele Soavi conseguiu no meio do caos um pesadelo, e por pouco dava-nos a sua obra-prima (dentro dos parametros mimetizados do legado Bava / Argento). Mas grandes monumentos tendem em cair e La Chiesa cede abruptamente.

 

Velocidade no feminino

Hugo Gomes, 13.04.17

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Mulheres ao volante! São duas mulheres que apresentam algum profissionalismo a uma saga cada vez mais reduzida aos dispositivos primários do espectáculo. É longo demais, ridículo para a sua condição de cinema de acção e sim ... como parece ser moda lá para os lados de Hollywood ... cada vez mais despersonalizado.

Suspirar ... pelo Suspiria

Hugo Gomes, 07.04.17

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Hoje, o cinema de terror tem que se apresentar fiel ao realismo, ao grotesco, à tendência de criar no espectador a sensação de "vivência". Mas houve um tempo em que o artificialismo e o género encontravam-se de mão dada. Suspiria é esse exemplo, onde a estética prevalece frente ao virtuosismo argumentativo e interpretativo. Ai ... que saudades deste Dario Argento, tão série B e ao mesmo tempo tão A!

 

A cansativa experiência

Hugo Gomes, 07.04.17

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Cansaço ... é o que sentimos no final desta peregrinação. Simplesmente cansaço! Mas não é um defeito, é uma virtude, um sentimento pretendido neste novo rol de realismo à lá Canijo, onde uma vez mais são as suas actrizes a liderar o processo criativo, mulheres que mimetizam o real e não o oposto.O embate final é um atalho para Fátima, o refúgio religioso que se converte na perfeita união de espírito (imagens assombrosas!).

 

Uma tribo que demorou a chegar

Hugo Gomes, 02.04.17

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Vi-o no Festival de San Sebastian de 2014, numa sessão que ficou marcado pelo repudio geral de muitos jornalistas e críticos, assim como a saída repentina de muitos nas sequências mais controversas. Na altura fiquei deslumbrado com a lavagem ousada e politicamente incorrecta de um filme ucraniano sobre a repreensão social, sobre as sociedades mantidas e vividas no silêncio que encontram na violência a sua liberta forma de expressão. The Tribe terá estreia (finalmente) no próximo dia 20 de abril. É cliché dizer isto, mas ... é um soco no estômago.