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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Filme de tema?

Hugo Gomes, 31.03.17

JVj2mj7IkFavk0QpQJ1ZYbM_Z1I.jpgO filme é medíocre, o debate suscitado não. Denial fornece-nos as ferramentas para a mias derradeira discussão e reflexão do Mundo que vivemos actualmente e que estranhamente assistimos à sua metamorfose. O negacionismo, o populismo, a xenofobia, o antissemitismo, e até que ponto podemos violar a liberdade de expressão através do politicamente correcto, uma mixórdia a ser servida no final da sessão.

 

Perdendo o ar da sua graça ... pelo conformismo

Hugo Gomes, 17.03.17

MV5BMTU5NDEyOTkwNl5BMl5BanBnXkFtZTgwNDAyOTE1MDI_._Temos efeitos visuais, cenários grandiosamente artificiais, um elenco que está ali para cumprir o cheque e zero em criatividade. The Beauty and the Beast chega quase a ser um frame-to-frame da amada versão animada, aquela que resgatou a Disney das ruas da amargura. É um filme espalhafatoso que demonstra o quanto o estúdio está empenhado em manter a sua rigor mortis de conformismos mercantis.

Sentido clássico em vestes computorizadas

Hugo Gomes, 14.03.17

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O clássico filme de aventuras parece guardar algum fôlego nesta demanda ao serviço da tecnologia e da reciclagem cinematográfica. Porém, não esperem uma variação moderna do clássico de 1933, ao invés disso, temos a enésima "desculpa" para mais um universo partilhado no cinema. Mas não é de todo esfarrapada, e surpresa, este Kong: Skull Island reserva alguma leitura mais densa da psicologia bélica e ocasionalmente cumpre essa falta de honestidade na indústria das grandes produções.

L’Ombre de Femmes: Philippe Garrel, o feminista?

Hugo Gomes, 11.03.17

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Será esta a maldição de Philippe Garrel reviver nestes últimos tempos as mesmas intrigas adulteradas? L’Ombre de Femmes tem sido visto como a tendência feminista no seu discurso das traições, da natureza frágil das relações amorosas e da condição imposta pela sociedade ocidentalizada em matéria da monogamia "forçada".

Sim, para quem assistiu à trilogia dos "Amantes", é melhor apertar o "cinto", porque a mesma jornada é induzida em mais uma tonalidade de tons cinzentos. Em comparação com La Jelouise, esta À Sombra das Mulheres é um upgrade dessas mesmas "sombras", fora Louis Garrel carnal, e entra dois desconhecidos neste mundo "garreliano" para servir de vitimas em mais um fraudulento "faz-de-conta" amoroso. Garrel [pai] aposta numa visão que coloca a mulher acima da fragilidade luxuriosa do homem, entendendo que com essa inclinação sentimental, esteja a conduzir-se num proclamado retrato feminista.

Mas não. Existe sim, um lisonjear ao sexo oposto, abdicando do seu "eu" intimamente masculino para forçosamente inserir-se numa "troca-de-papeis", de forma a quebrar o circulo que o próprio havia criado em loop. Mas a Mulher, valorizada ao estatuto de "Vénus" amorosa, é uma somente doce vingança para a carência impelida pelo seu marido. Voltamos ao palco das milésimas Sabrinas, Rebeccas e de outros romances de cordel - a mulher é ultra-sensível, colocando primeiramente o seu sentimento mais inocente frente ao desejo sexualizado, ao contrário do homem, novamente posicionado como o "sacana" de serviço rendido aos instintos primitivos (será a poligamia um acto meramente primitivo?).

Aqui, o que está em causa não são hierarquias, mas sim igualdades, e neste momento queremos mulher a persistir no seu desejo, na fantasia, não no platónico amoroso que parece aqui instalar-se. Sem com isso negar a possibilidade "civilizada" de uma relação afectuosa ao mais alto nível. Até porque temos dois seres que se completam, que se amam, mesmo expostos a "pecados carnais" de diferentes objectividades. O final, essa quebra de uma maldição "teimosa", é inteiramente enxertada como uma vinha de cultivo, não se sente, apenas "engole".

Todavia, há que valorizar o esforço de Garrel em fugir dos grandes pecados de La Jelouise, começando por diálogos cuidados e trabalhados, "migalhas de pão" em direcção ao adultério, os actores e o seu orgulho de "vestir" tais personagens e a realização menos apressada por parte do nosso Philipe. Por outras palavras, talvez seja a melhor obra do realizador nos últimos tempos, mas longe do feminismo pelo qual é vendido.

Um novo Matrix?

Hugo Gomes, 03.03.17

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Depois da velha cantiga de "homem de barba rija" que o antecessor possuía (aquela psicologia barata de que um homem não pode nutrir sentimentos por um animal, condenou a simplicidade da acção em um statement a uma fantasia de masculinidade), a sequela avança num tom estilizado, quase ritualista perante uma subversiva distopia. Não há que enganar, este é dos filmes de acção recentes que mais próximo se encontra do fenómeno Matrix (e não é só pelos ajuntamentos de Keanu Reeves e Laurence Fishburne).