Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Logan, o herói dos super-heróis do cinema

Hugo Gomes, 24.02.17

FB_IMG_1583085490738.jpg

O veio entre BD e Filme foi quebrado, já não estão em sintonia, mas sim, em oposição. A personagem ganha com esta nova forma de emancipação, uma carga dramática que sobrepõe ao heroísmo mercantil e o estabelece como um peão de uma tragédia existencialista. Sim, era este o filme que merecíamos em 2013, esta é a prova de que os super-heróis das nossas infâncias conseguem ser material para intermináveis histórias humanas, ao invés das fórmulas acostumadas.

A "manteiga" perdeu o seu encanto

Hugo Gomes, 22.02.17

FB_IMG_1583085660576.jpg

No preciso momento em que Marlon Brando pediu a manteiga, do cinema erótico pouco faltava para transgredir, a última "pedra" foi com Gaspar Noé, mas isso é outra história. Quanto a este Fifty Shades Darker ... é produto vindo da mais defeituosa linha de montagem. Devemos inclui-lo na lista de erotismo? Claro que não, é tudo tão pudico, limpo e absolutamente vendido à pop culture da MTV. E sim, no caso das dúvidas, é bem pior que o antecessor.

A comédia não foi inventada ontem ...

Hugo Gomes, 17.02.17

tonierdmann3.jpg

Será a comédia um solene ato de rir do outro? E o cómico? Uma mera figura possessora desses mesmos códigos de troça? Qual a finalidade da comédia? Por fim, será ela, um género menor, desprezado pela classe dignamente culta? Para responder a tais perguntas deveríamos espreitar pela História do Cinema e encararmos essa herança de "fazer rir", e ao mesmo, invocar subversivamente temáticas sociais e políticas que em outros géneros dificilmente estariam a salvo do contexto de época. 

Aliás, desde os preciosos momentos de que o Cinema ainda comunicava exclusivamente por imagens, a comédia surgiu, a par do terror, como um dos primórdios dos teores de stock, antes de ser definido os géneros, o que foi um método de classificação gerada e expandida pelos grandes estúdios de Hollywood, de forma a condensar e direccionar as suas audiências, a Sétima Arte já contava as suas "primeiras" piadas. Actualmente, quando falamos de comédia, atribuímos automaticamente aos produtos instantâneo reduzidos a alvos fáceis de sucesso. Quase como um escape, as audiências abraçam, não apenas a comédia pura, mas o tom aligeirado da ficção, de forma a descomprimir da realidade pelo qual são constantemente alvos.

Contudo, a comédia é também experimentada, e sempre fora seguindo as correntes cronológicas do tempo, e actualmente procura-se um novo movimento, e é nesse ponto, que surge a fascinação por este Toni Erdmann, o novo filme da alemã Mared Ade, que fora apresentado em competição no Festival de Cannes, e desde então, forma muitas as menções como Melhor Filme do Ano.

Será Toni Erdmann digno desta categoria de nova "onda" no seio cómico-cinematográfico? Simplesmente não, e que não caia no erro de apelidá-lo o "Adam Sandler para intelectuais", assim como fora referenciado vezes sem conta. O que encontramos nesta fita com mais de três horas de duração é a invocação do artificio mais antigo da comédia - o disfarce - método que se vingou nos reinados de Billy Wilder e até antes deste, hoje, mera rotina para a comédia norte-americana. Por isso, Toni Erdmann não diferencia desse mesmo tipo de produções, envolvendo-se em gags acostumados, truques dos nosso … avôs.   

 

Danny Boyle, o saudosista

Hugo Gomes, 17.02.17

FB_IMG_1583085926334.jpg

"És um turista no teu próprio passado" Danny Boyle sofre exactamente do mesmo, dessa tendência de olhar para trás, e nada contra a esse saudosismo que nos faz reflectir o que somos e o que seremos. Porém, Danny Boyle deveria mentalizar que ele próprio mudou, jovialidade foi-se, o toque anarquista e despreocupado são agora meras ilusões ópticas, o "choose life" em tempos de discórdia é só um slogan de campanhas de marketing. Tudo insere-se num acto de réplica, desprovido da anterior "desarrumação", apenas aceite como qualquer nostalgia mercantil que hoje parece abundar na indústria. "Primeiro vem a oportunidade, depois a traição"

O crucificado

Hugo Gomes, 15.02.17

mw-680.jpg

São Jorge não é um filme moralista, mas sim um filme de morais. Morais, essas, perdidas numa selva de asfalto, onde a lei do mais forte, um gesto animalesco de sobrevivência, se faz sentir em tão austero ambiente. Nuno Lopes é essa presa, submetendo-se em mais uma desesperada busca, sob o comando da câmara "incomoda" de Marcos Martins.

 

Precisávamos de Neruda para chegar a Jackie

Hugo Gomes, 07.02.17

4569.jpg

Neruda foi o esboço, Jackie foi "a prova dos nove". Neruda foi a desfragmentação, Jackie a fragmentação. Enquanto que um usufruía da liberdade em ficcionar, o outro tende em encontrar liberdade por entre a agenda de Hollywood. Mas Jackie, em todo os casos, é um oásis nesse deserto que têm sido os biopics da "award season". Pena é que Natalie Portman funcione como uma mimetização, algo representativo, onde serve de rebelião o olhar para com a rigidez da sua personalização.

 

Os coitadinhos de Hollywood

Hugo Gomes, 02.02.17

FB_IMG_1583154859274.jpg

Sem desprezar as vidas perdidas nos ataques de Boston e obviamente condenar o atentado em si, devo dizer que é por filmes como este que Brilliant Mendoza fez o seu Taklub. Porquê? Porque o cinema de Hollywood continua a bombardear-nos com estas histórias de "coitadinhos superados". Um filme que nos demonstra o quão incompetente são as autoridades e quanto amor por Trump existe em Hollywood. É que afinal não existem só liberais. De mãos dadas com "Hacksaw Ridge".