19.1.17

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No mesmo dia que estreia Silence, o esperado filme de Martin Scorsese sobre jesuítas portugueses que viajam para o Japão com intuito de propagar a sua fé, a 14ª edição do KINO: Mostra de Cinema de Expressão Alemã levará os seus espectadores também à terra do sol nascente. Mas ao contrário da produção de Hollywood, Grüße aus Fukushima (Fukushima, Meu Amor), de Doris Dörrie, não é um ensaio de pregação, mas o contrário; a busca de uma "", neste caso a crença na Humanidade.

 

Uma jovem alemã de sonhos desfeitos determinada a distanciar do seu Mundo para "mudar" o dos outros. É a história que remata o regresso do festival com desejos de quebrar as barreiras linguísticas e fronteiras nacionais. A edição deste ano terá como signo o feminino, representado desde a nova obra de Doris Dörrie (como havia sido referido), até à segunda longa-metragem da actriz e realizadora Maria Schrader, Vor der Morgenröte (Stefan Zweig: Adeus Europa) - um retrato biográfico do exílio do escritor Stefan Zweig, que encerra esta mostra de 11 dias, dividida em três cidades.

 

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Entre os nossos destaques, a não perder um curioso filme no dia 21: o ousado Wild (Selvagem), de Nicolette Krebitz, que demonstrará uma relação intensa entre uma miúda socialmente reprimida e um lobo adulto. Um filme que promete dar que falar. Filmes como Fado, de Jonas Rothlaender, 24 Weeks (24 Semanas), de Anne Zohra Berrached, que integrou a Competição de Berlim 2016, e o suíço Aloys, de Tobias Nölle (vencedor do Lince de Ouro do Festival FEST, em Espinho), são outras propostas convidativas da programação.

 

O evento de Lisboa decorrerá entre 19 a 24 de Janeiro, seguindo depois para a cidade do Porto  entre 26 a 29 de Janeiro, e terminando em Coimbra nos dias 1 a 3 de Fevereiro.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:25
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A nona aparição de Hugh Jackman como o anti-herói da Marvel, Wolverine, recebe um novo trailer e sob o aviso de … red band.

 

Realizado por James Mangold, que não é um novato nas aventuras do mutante Logan (como é assim intitulado) segue um velho “Wolverine” que exilia-se na fronteira mexicana, mas que regressa ao activo após o encontro com um novo mutante.

 

Logan terá estreia mundial no próximo Festival de Berlim, em Fora de Competição. Em Portugal chegará no dia 2 de Março.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:21
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Foi divulgado um novo trailer do filme de Power Rangers, o reboot da popular série infanto-juvenil chegará aos cinemas em Março de 2017.

 

O realizador Dean Israelite (Project Almanac) estará por detrás do projecto. Dacre Montgomery, Naomi Scott, Ludi Lin, Becky G, RJ Cyler, Elizabeth Banks, como a vilã Rita Repulsa, e Brian Cranston como Zordon.

 

Power Rangers segue cinco jovens comuns - Trini, Billy, Kimberly, Zack e Jason – que tornam-se os defensores da Terra contra uma ameaça vinda de outro Mundo.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:18
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17.1.17
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Faz-se o Silêncio de Deus … e de Scorsese!

 

Será Silence (Silêncio) a esperada epopeia da carreira de Martin Scorsese? O projecto constantemente adiado, por diversas vezes caracterizado como o “filme de uma vida” para o nosso movie brat, resultou numa obra que falha os objectivos do cinema mais ocidental.

 

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Scorsese, actualmente detentor de uma liberdade vivida nos grandes estúdios (e The Wolf of Wall Street foi o exemplo dessa “delinquência criativa”), afasta-se completamente do círculo fechado do chamado “Filme de Óscares” e aposta num storytelling sobretudo oriental. Aliás existem referências, planos “copiados” e uma fotografia que nos situa no foco do cinema nipónico, passando por Mizoguchi, Ozu e claro, visto o realizador ser um assumido admirador, Kurosawa. Talvez essa panóplia cinéfila nos satisfaça como o prazer de uma memória arrastada numa sétima arte fora dos habitués de Hollywood.

 

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Mas Silêncio reserva-nos mais que uma loja de souvenirs. É um filme sobre a fé, concebendo (da mesma maneira que The Last Temptation of Christ o fizera em 1988) um autêntico lobo sob vestes de cordeiro.  Curiosamente, o primeiro visionamento de Silêncio ocorreu no Vaticano sob o olhar de cardeais, bispos, jesuítas, e por último e não menos importante, o Papa Francisco, que declarou o seu agrado com o resultado final. Mesmo sendo um filme de fé (Martin Scorsese é um homem crente), Silêncio apodera-se de uma história de época (baseado no livro de Shûsaku Endô, anteriormente adaptado por Masahiro Shinoda em 1971) para entranhar-se como um statement crítico às bases das instituições religiosas, um enredo que se inicia com a viagem de dois padres jesuítas portugueses a um Japão feudal que teima em não ser “baptizado”.

 

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A perspectiva cristã evidencia-se como uma “pala”, cozendo-se em tendências colonialistas e obtendo como resposta a selvajaria de uma civilização do Oriente. Andrew Garfield (que aprende japonês, mas nunca uma palavra portuguesa com excepção de “Paraíso”) assume o protagonismo em mais uma “cruzada” após o fracasso de Hacksaw Ridge, o filme antiético do extremista Mel Gibson. A sua personagem em Silêncio serve como uma catarse às entidades heróicas que hoje tendem em posicionar-se na base do cinema norte-americano. Porém, a câmara não filma tal heroísmo.  Scorsese recusa a promover o seu catolicismo materializado. Passando por um efeito “desastreà lá Herzog, sentimos neste primeiro terço, os toques de uma animalidade produtiva, algo que possa ser equiparado a um Fitzcarraldo.

 

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No segundo tomo, somos envolvidos em personagens nipónicas budistas que, gradualmente, rasgam os seus disfarces de antagonistas sádicos. A partir deste momento o confronto entre as duas crenças levam o espectador a uma tremenda “faca de dois gumes”: De um lado, os métodos primitivos de induzir a fé instantânea e, do outro, a arrogância do nosso herói em "espalhar a sua verdade".

 

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A caminho recto do desfecho é que contactamos com a dimensão crente de Scorsese que se esconde num filme multi-disfarçado, nada contra a essas declarações de fé. Aliás, a Humanidade de hoje é incapaz de viver longe de tamanhas convenções afectuosas, idealistas e até politicas ("a religião é o ópio do povo" como dizia Karl Marx). O que de impressionante Silêncio possui na sua jornada é a sua fidelidade com um templant meramente oriental, a evasão ao evangelismo e a concretização de uma fé unificada.

 

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"Step on me, my Child", sussurra Jesus num verdadeiro acto de aparição, ligando este filme fora do seu tempo, seco e empestado pelas inúmeras referências (hoje incontornáveis), ao seu A The Last Temptation of Christ, umbilicalmente unindo a mistificação do primeiro com a desmistificação do martírio do segundo. O sofrimento em via-sacra de Garfield, as suas arrogantes aspirações em tornar-se num Messias de uma Igreja megalómana, pode muito bem tecer o paralelismo com a sedução de Satanás perante o Nazareno no seu retiro no Deserto, na dita obra de 1988.

 

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Um Admirável Velho Mundo sob a sonoridade minimalista da dupla Kluge, num dos maiores injustiçados da award season. Já agora, fica a recomendação da semi-versão portuguesa, Os Olhos da Ásia, de João Mário Grilo, datado de 1997.

 

Real.: Martin Scorsese / Int.: Andrew Garfield, Adam Driver, Liam Neeson, Ciarán Hinds, Issei Ogata, Tadanobu Asano

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 17:40
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O regresso do Córtex – Festival de Curtas Metragens, cuja sétima edição decorrerá entre os dias 16 a 19 de Fevereiro em Sintra, terá como grande destaque uma retrospectiva à realizadora neozelandesa Jane Campion.

 

Mundialmente célebre pelo seu galardoado trabalho em The Piano, uma história de amor e luxúria que a fez tornar-se na primeira realizadora a vencer uma Palma de Ouro em Cannes, Campion dará início a mais uma mostra internacional e nacional de curtas-metragens. Em sua homenagem, a programação dedicará uma selecção de curtas dasua autoria, inclusive trabalhos na escola de cinema da Austrália.

 

Para os directores artísticos do Córtex, Michel Simeão e José Chaíça, era inevitável que o festival de Sintra dedicasse um tributo à Mulher no Cinema, muito mais em tempos como estes, onde cada vez mais discutisse o seu papel no ramo artístico e profissional cinematográfico. Contudo, a tentativa, era antes de mais, não "cair em lugares comuns e propagandas de movimentos feministas".

 

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Córtex irá aliar-se ainda ao London Short Film Festival, um festival que tem nos últimos anos gerado imenso talentos britânicos do cinema independente, o programa contará com seis curtas. O director artístico, Philip Ilson, estará presente na referida selecção. Outra novidade é o “Cintra 35mm”, uma sessão especial de filmes em 35mm oriundos da década 20 e 30 do século XX. Um registo cinematográfico raro que condensa uma tamanha riqueza histórica, com o intuito de dar a conhecer ao público a Sintra de há 100 anos. A sessão será musicada ao vivo pelo Quarteto de Saxofones do Conservatório de Música de Sintra.

 

Há imagem dos anos anteriores, a parceria com a MONSTRA | Festival de Animação de Lisboa, irá manter-se. Esta colaboração com o festival enriquecerá secções destinadas ao público infanto-juvenil, o intitulado Mini-Córtex. Contando novamente com 10 metragens, quer internacionais, quer portuguesas, onde pais e filhos poderão votar no seu filme favorito. A juntar a esta secção, um workshop de cinema de animação para Pais e Filhos, coordenado por Fernando Galrito, director artístico da MONSTRA.

 

Este ano, o Córtex contou com um número recorde de filmes inscritos, sendo que a Competição Internacional abrange 16 curtas-metragens e a Nacional com igual número de produções. O júri desta edição é composta pelas actrizes Leonor Silveira e Anabela Moreira, a realizadora Cláudia Varejão, a directora e programadora do Doclisboa, Cintia Gil e o director de fotografia, Vasco Viana.

 

A 7ª edição do Córtex realiza-se no Centro Olga Cadaval e com actividades paralelas no MU.SA (Museu das Artes de Sintra).

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:40
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16.1.17

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Maria Cabral, um dos ícones do Cinema Novo, faleceu este sábado, 14 de Janeiro, em Paris. Tinha 75 anos e para trás deixa um legado de memórias incontornáveis de um cinema, como também de uma geração de realizadores, que influenciaram para sempre o nosso rumo cinematográfico.

 

A Academia Portuguesa de Cinema noticiou o seu desaparecimento, relembrando as interpretações em filmes como O Cerco, de António da Cunha Telles (o grande impulsor da sua carreira), e das suas colaborações com João Botelho (Adeus Português), José Fonseca e Costa (O Recado) e Alain Tanner (No Man's Land).

 

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Maria da Conceição Gomes Cabral, nascida a 24 de Abril de 1941, em Lisboa, passou parte da sua infância em Luanda, Angola. Frequentou o curso de Filosofia e participou em filmes publicitários e até uma curta de João César Monteiro, o qual este nunca terminou.

 

Mas foi com o papel de Marta em O Cerco (1970) que Maria Cabral tornou-se numa das faces mais reconhecidas do Cinema Português. Em alturas do filme concedeu uma icónica entrevista para a RTP no interior do seu automóvel descapotável pelas ruas de Lisboa.

 

Voltaria a trabalhar com da Cunha Telles passados 14 anos em Vidas, com Paulo Branco e Carlos Cruz.

 

Maria Cabral (1941 - 2017)

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:19
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12.1.17

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Chamar-lhe "coming to age" é pouco!

 

"O Cinema é a arte do sensível, e não só do visível" já dizia Jacques Rancière num dos seus ensaios sobre a obra de Béla Tarr. Talvez seja essa a ligação emocional que traz algum sabor nostálgico e agridoce a esta nova obra de Ira Sachs, um realizador que tem merecido a atenção da crítica e cinefilia desde Love is Strange.

 

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Enquanto o enredo dessa obra seguia um casal homossexual pronto a oficializar a sua relação de quarenta e poucos anos, em The Little Men (Homenzinhos), o intuindo da fraternidade não consanguínea volta a ser destacada, os afetos sob o signo inocente de uma amizade entre duas crianças, cujos progenitores iniciam um confronto de interesses.

 

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É um registo ameno, simplista na sua concepção e na forma como os actores induzem nos espaços. Aqui, os apogeus emocionais e os overactings que o espectador mais mainstream gosta de recordar, é posto de fora. O que conta é um sentimentalismo contido por um elenco que se funde nestas personagens, que tão bem poderiam partilhar a nossa realidade. Ira Sachs prima por esse “keep it simple”, usufrui de uma tendência quase proustiana em relação à juventude, galgando pela tenra carne do elenco jovem, servindo-os de condutor para uma perspectiva de "dois gumes" por entre mundos não combinados. O lado adulto, imperceptível para os nossos protagonistas, e os anos verdes, negligenciados por adultos inseridos em vórtices existenciais e ideológicos.

 

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Por um lado, Sachs vem beber da mesma água dos grandes exemplos do cinema de Linklater, mas ao contrário do registo sensorial de um Dazed and Confused (Juventude Inconsciente), por exemplo, vem culminado dum verdadeiro conto moral com início no incógnito e com desfecho incerto num futuro ainda por prescrever. Sem mais demoras, saliento que poderemos estar presentes num dos melhores exemplos cinematográficos do ano. Um pequeno grande filme!

 

Real.: Ira Sachs / Int.: Greg Kinnear, Jennifer Ehle, Paulina García, Theo Taplitz, Michael Barbieri, Alfred Molina

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 19:31
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11.1.17

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Mesmo sob algumas perturbações financeiras, sugeriu Mário Dorminsky, director do festival, o Fantasporto irá arrancar com uma programação moderna e diversificada, tendo como principal foco o "cinema dos nossos tempos".

 

A 37ª edição do festival internacional de cinema do Porto apostará numa selecção vasta de cinema oriental e argentino, para além das habituais projecções de cinema fantástico e de português. A mostra mais esperada da cidade iniciará com a exibição de The Age of Shadow, o thriller de acção de Jee-woon Kim (I Saw the Devil) ambientado numa Coreia dos anos 20. Foi o filme seleccionado pela Coreia do Sul para o representar no Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

 

A Floresta das Almas Perdidas - O destino de Carol

 

Na secção de competição contaremos com a presença de três filmes portugueses: A Floresta das Almas Perdidas, de José Pedro Lopes, Comboio de Sal e Açúcar, de Licinio Azevedo, e A Ilha dos Cães, de Jorge António, o último trabalho do actor Nicolau Breyner no grande ecrã.

 

Ainda na programação, a retrospectiva o cinema de artes marciais de Taiwan e a homenagem ao realizador holandês Ate de Jong (Drop Dread Fred), que estará em Portugal para receber o Prémio de Carreira. Serão ao todo 132 filmes vindo de 35 países diferentes.

 

O 37º Fantasporto decorrerá entre 24 de Fevereiro até 4 de Março no Rivoli: Teatro Municipal do Porto. A programação completa poderá ser vista aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:20
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10.1.17

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Um dos filmes mais aclamados de 2016, e um dos fortes candidatos ao Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, Toni Erdmann, poderá contar com um remake norte-americano.

 

Por enquanto, a notícia de uma nova versão é somente especulação, mas uma previsão tendo em conta a maneira como Hollywood trabalha actualmente. A realizadora desta comédia dramática de 3 horas, Maren Ade, falou para a Bild, garantindo que uma refilmagem de Hollywood não afectaria de todo a sua visão original, chegando mesmo a sugerir uma versão mais curta e regida à pura comédia.

 

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Ade referiu ainda que "não serei eu a fazê-lo. Estou imensamente feliz pelo meu filme, pelo qual demorei cerca de 5 anos e meio a escrevê-lo".

 

Toni Erdmann, apresentado em Competição na última edição do Festival de Cannes, centra na história de Ines (Sandra Hüller) uma mulher de negócios de uma grande empresa alemã sediada em Bucareste, que é surpreendida pelo pai (Peter Simonischek), ausente após vários anos, que tem a persistente missão de lhe fazer feliz. Para isso cria um personagem: Toni Erdmann.

 

Estreia no dia 16 de Fevereiro, com distribuição da Alambique.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:05
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O Bom Gangster!

 

Será Ben Affleck capaz de ressuscitar o apelidado cinema de gangsters na sua quarta longa-metragem, a segunda tendo como base um livro de Dennis Lehane? Definitivamente não. Nada de novo ou rejuvenescente parece querer germinar aqui. Eis um décor prolongado da Lei Seca e arredores que nos remete com um imaginário saudosismo. Mas este Live By Night (Viver na Noite) opera como uma confirmação da destreza e, sim, vitalidade do actor convertido a realizador por detrás das câmaras.

 

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A História de um homem "bom" (para implementar-nos em mais um confronto de consciências maniqueístas pintado sob tons cinzentos), que se vê gradualmente corrompido pela ambição ascendente no negócio ilícito (misturando por aqui uns certos toques de vingança), é a esperada rasteira na carreira de Affleck enquanto homem polivalente. Não pretendo com isto afirmar que este conto do vigário é um total desastre artístico. Para além do narcisismo do ator que ousa em protagonizar e adaptar-se a um ambiente envolto (fica o aviso: papéis de gangster não nasceram para Ben), é a câmara que ousa em "cuspir" no academismo-fantasma que nos faz prezar por este fracasso acima dos anonimatos que têm sido feitos para award seasons.

 

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Affleck parece determinado em recalcar as imagens perante uma narrativa que respira, ora vintage, ora uma dinâmica articulada. Veja-se, por exemplo, na condução de travellings e panorâmicas em espaços limitados, dando a noção de "acção" mesmo que o ato seja o simples abanão de gelo num copo de whiskey. No feito da direcção, e sem insinuar inovação, Viver na Noite aposta num registo dotado em reconstituições e em marcos coadjuvantes deste subgénero.

 

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O grande senão é o argumento, uma facada sem objectividade no livro de Dennis Lehane que resultou no mesmo modelo pastelão do qual são feitos as cinebiografias galardoadas, com as mesmas personagens esquemáticas e aprisionadas em estereótipos que, facilmente, habitam neste Universo. Uma ambição de curto rastilho, porém motivado no interesse de assistir a um dos mais bem-sucedidos atores-realizadores a operar na Hollywood actual.

 

Real.: Ben Affleck / Int.: Ben Affleck, Elle Fanning, Brendan Gleeson, Zoe Saldana, Sienna Miller, Chris Messina, Remo Girone, Chris Cooper

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 18:42
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9.1.17

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La La Land está destinado a ser o grande triunfante desta award season, fala-se de Óscar por estes lados, sendo que a grande concorrência seja Moonlight. Contudo, existe um pequeno grupo que aposta num eventual despertar de Fences, de Denzel Washington, por enquanto é o grande “front runner” de actriz secundária.

 

Manchester By the Sea tem todos os motivos para sorrir, mais concretamente Casey Affleck e o seu motivador underacting. Os Globos de Ouro acabam por demonstrar o quanto os Óscares perderam em retirar Elle dos pré-nomeados do Prémio de Melhor Filme de Língua Estrangeira, felizmente a premiação de Isabelle Huppert é uma luz ao fundo do túnel. Esperemos que os Óscares tenham tamanha coragem para laurear a actriz.

 

Zootopia a exibir o favoritismo da Disney, tendo em conta que Kubo and the Two Strings e Ma Vie de Courgette são melhores propostas no ramo animado e Meryl Streep a proferir um valente discurso sobre a Humanidade na politica, tendo como principal alvo a Trump e este a responder, por via Twitter, que foi atacado por uma das sobrevalorizadas actrizes de Hollywood. Infelizmente, nesse ponto, concordo com Trump.

 

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Melhor Filme (Drama): "Moonlight"

Melhor Filme (Comédia/Musical): "La La Land"

Melhor Realizador: Damien Chazelle, "La La Land"

Melhor Actor (Drama): Casey Affleck, "Manchester by the Sea"

Melhor Actriz (Drama): Isabelle Huppert, "Elle"

Melhor Actor (Comédia/Musical): Ryan Gosling, "La La Land"

Melhor Actriz (Comédia/Musical): Emma Stone, "La La Land"

Melhor Actor Secundário: Aaron Taylor-Johnson, "Nocturnal Animals"

Melhor Actriz Secundária: Viola Davis, "Fences"

Melhor Argumento: "La La Land"

Melhor Filme em Língua Não-Inglesa: "Elle" (França) 

Melhor Filme de Animação: "Zootopia"

Melhor Banda Sonora Original: "La La Land"

Melhor Canção Original: "City of Stars", "La La Land"

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:07
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7.1.17

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Os actores Hugh Laurie e Ralph Fiennes irão integrar o elenco da comédia Holmes and Watson, a terceira colaboração entre Will Ferrell e John C. Relly para a Sony Pictures.

 

Contando com o argumento e direcção de Etan Cohen (Get Hard), esta produção prevista para estrear 2018 será uma variação cómica das famosas personagens de Arthur Conan Doyle, o detective Sherlock Holmes e o seu assistente Dr. John H. Watson. Ferrell será Holmes, enquanto que C. Relly desempenhará Watson.

 

Até ao momento, ainda não foi definido as personagens que a dupla Fiennes / Laurie irá interpretar. No elenco poderemos ainda encontrar Kelly Macdonald (Anna Karenina), Rebecca Hall (Chistine) e Rob Brydon (Cinderella).

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:53
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O filme suíço Ma Vie de Courgette (My Life as a Zucchini), de Claude Barras, apontado como um eventual candidato aos Óscares da Animação deste ano, contará com antestreia portuguesa na próxima edição da Monstra | Festival de Animação de Lisboa.

 

Apresentado pela primeira vez na Quinzena de Realizadores de Cannes, Ma Vie de Courgette, sobre a história de um rapaz que após o desaparecimento da sua mãe é forçado a viver num orfanato, conquistou no Festival de Annecy o Prémio do Público e o Cristal para Longa-Metragem (o mais importante galardão desse certame). De momento, conta com uma nomeação aos Globos de Ouro.

 

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Ma Vie de Courgette irá integrar a Competição de Longas-Metragens do festival lisboeta ao lado de Molly Monster, de Ted Sieger, que teve estreia na passada edição do Berlinale e que conta com uma premiação no Shangai Film Festival. O enredo de Molly Monster centrará nas aventuras de um amoroso monstro.

 

Monstra | Festival de Animação de Lisboa, terá lugar nos dias 16 e 26 de Março de 2017.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:11
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6.1.17

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Emoção à beira-mar!

 

Dramaturgo, argumentista e agora realizador (contando com três obras no curriculum), Kenneth Lonergan parece cada vez mais chamar a atenção no campo dramático do cinema norte-americano actual, e não é por menos. Manchester By the Sea é-nos apresentado como uma faca afiada de ênfases dramáticas e picos de emotividade através da, e somente, a adaptabilidade dos seus atores, neste caso especifico, Casey Affleck.

 

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Irmão mais novo da reascendente estrela de Hollywood, Ben Affleck, Casey é aquilo que vulgarmente poderíamos denominar de “ninja”, ninguém parece dar por ele, mas quando por fim se revela, é arrebatador. É difícil ficar indiferente ao seu underacting (vertente popularizada por Marlon Brando em que descredibiliza os rasgos de interpretação dramática). Actualmente, Tommy Lee Jones detém o título de mais sucedido dessa categoria, porém, Affleck converte-se numa autêntica carta de trunfos ao conseguir fugir das eventuais armadilhas do campo da comédia involuntária que a sua personagem e enredo parecem suscitar. Por exemplo, a sequência do hospital, após o anúncio de morte do seu companheiro confraternal, a sua visível indiferença abate-nos com um indigestível sabor de dúvida. Por momentos suspeitamos de “canastrice”, mas cedo somos engolidos pela sua figura vencida pela dor, cuja origem será desvendada mais tarde.

 

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Sim, Casey Affleck é o melhor que o novo filme de Lonergan tem para nos oferecer. O resto induz-nos para o maior engodo de “colo”. Ao contrário das aclamações que têm sido viabilizadas lá fora, Manchester By the Sea é enfraquecido pela tendência de Lonergan transformar este ensaio de interpretações num filme, sob o signo cinematograficamente mainstream. Até porque o importante é chegar às audiências mais vastas e, porque não, miná-lo de flashbacks. A cortante e afiada fórmula narrativa parece despedaçar a minimalidade do enredo (pelo menos era o que julgávamos) e o plot twist precocemente concebido trai-nos e leva-nos a uma previsibilidade sem limites quanto aos modelos de redenção emocional.

 

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A viagem torna-se então atribulada, mas Casey Affleck é um resistente, a demonstrar que é um campeão no que requer a embater em filmes que, cada um à sua maneira, fogem da conformidade do espectador. Longe da obra-prima que fora catalogado, Manchester By the Sea é a presença de um actor pouco convencional nas tendências oscarizadas.

 

"I can't beat it. I can't beat it. I'm sorry."

 

Real.: Kenneth Lonergan / Int.: Casey Affleck, Michelle Williams, Kyle Chandler

 

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6/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:26
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Antes de ser presidente, era escritor e foi a sua paixão pela escrita que fez Manuel Teixeira Gomes lançar-se no anonimato, viajar para uma Argélia colonialista e escrever a sua mais concretizada obra-prima. Esse pedaço de História esquecida fascinou Paulo Filipe Monteiro, actor e argumentista, e através da imagem de Teixeira Gomes lança-se na aventura da sua primeira realização. Mas o anonimato não mora aqui, e o Cinematograficamente Falando … testemunhou essa autoria.

 

Sabendo que esta é a sua primeira longa-metragem, o porquê de Manuel Teixeira Gomes? O que lhe fascinou?

 

Fascinou-me em primeiro lugar este gesto desmesurado dele de largar tudo, a presidência, a sua vida elegante, a sua colecção de arte, e partir no primeiro barco a sair de Lisboa. Isso, no geral, foi o que primeiramente me fascinou. À medida que ia pesquisando, aprofundando esta história, encontrei outros factores interessantes na sua vida, uma delas foi o facto de ter sido um caso único no Mundo, o de um escritor de literatura erótica a chegar à presidência de uma Nação. O sensualismo da sua obra, assim como a proclamação das suas raízes, algarvias com ligação ancestral à cultura árabe, a sua paixão pelo Magred [região noroeste da África] que vem em contraponto com a actual demonização do Islão, o seu percurso como Presidente, que foi bastante importante, tendo sido uma figura politica reformista que lutou contra a especulação da banca, a crise financeira (tema actual).

 

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Como funcionou o casting? Porquê Sinde Filipe na pele de Manuel Teixeira Gomes?

 

Para além de ser também actor, conhecer os meus colegas, e gostar de dirigi-los, faço apostas e pelos vistos, ganhei as todas. A nível de interpretação, Sinde Filipe está alto, e eu queria apostar numa nova linguagem, uma nova dimensão, um novo estilo. Com Zeus vão ver actores que por exemplo, toda a gente conhece das novelas ou dos palcos de teatro, duma outra maneira.

 

Paulo Filipe Monteiro é também o argumentista de Zeus, tentou evitar a esquematização das biopics convencionais?

 

Pois, eu já escrevi sete longas -metragens, para outros. Aqui, o que consistia era o desejo de fazer um filme em três blocos, como The Hours ou até Magnólia. Zeus presta-se a esses mesmos blocos. O bloco da presidência, escuro e claustrofóbico, em contraponto com o da Argélia, bastante solar e luminoso, e ainda, o romance de Maria Adelaide, que ele escreveu aos 77 anos no seu "quartinho" de hotel. Portanto, o filme vai saltando entre os três e penso que os espectadores vão gostar disso.

 

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Manuel Teixeira Gomes é um homem interessado quer na politica, quer no meio artístico. Como foi consolidar esses dois "mundos" que parecem antagonizar um ao outro?

 

 

Ter um homem na política que é um escritor, para além de mais, ser um esteta, um interessado em artes plásticas, na pintura, um coleccionador de arte, faz com que se acha um casamento natural, mais fácil em relação à Arte. Se tivéssemos um presidente, ou até mesmo um primeiro ministro assim, teríamos uma grande afinidade entre a politica e o meio artístico.

 

Zeus apresenta uma época pouco retratada no cinema português, e até mesmo um pouco esquecida dos nossos manuais de História. Com a cada vez mais adesão ao período salazarista em relação a adaptações cinematográficas, acha importante explorar outros episódios da nossa própria História?

 

Sim, se repararmos no cinema dos EUA, eles tem menos História, mas a exploram até à exaustão. Quantos filmes existem sobre o Vietname? Nós temos menos filmes históricos, provavelmente por serem de produção cara, e difícil em termos de recursos reconstruir essa visão de época, mas nós temos muito material para explorar, para filmes. Não pensem que vou ser a fazê-los, eu não me vou especializar em filmes de época [risos]. Fiz este, mas o próximo projecto que tenho na cabeça é absolutamente contemporâneo.

 

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Quer falar mais sobre esse novo filme?

 

É um projecto que tenho na minha mente, veremos se tem financiamento, e é previsto ser um filme bem contemporâneo, moderno, experimental, prometo "rasgar".

 

Para além de realizador, Paulo Filipe Monteiro é actor. O facto de ter sido um interprete o ajuda na direcção do seu próprio elenco?

 

O facto de ser actor permite-me compreender os actores, como tocá-los, chegar a eles, como conseguir deles certas coisas, ou seja, esses dois mundos complementam.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:18
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Zeus, a primeira longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro, apresenta-nos a história real de um escritor ascendido a Presidente da República, que passado dois anos de mandato vira as costas ao máximo cargo para viver no anonimato numa Argélia colonial. Esta é a biografia de Manuel Teixeira Gomes, um homem, actualmente, esquecido da memória dos portugueses, que encontra nova vida na interpretação de Sinde Filipe. Cinematograficamente Falando … falou com o veterano actor, um dos mais queridos da sua arte, demonstrando o quanto sabe sobre esta desafiante personagem.

 

O que lhe interessou em Manuel Teixeira Gomes?

 

Manuel Teixeira Gomes interessou-me por vários factores, como cidadão, exemplar devo dizer, como diplomata, como presidente, mas sobretudo pelo seu lado de escritor. Esse seu lado é grande, pelo que deve ser lido, e irá ser lido.

 

Mas actualmente a obra de Teixeira Gomes encontra-se um "pouco" esquecida.

 

Não, muito esquecida, é por isso que este filme é importante. Para trazer à memória dos portugueses esta personalidade tão rica e de grande relevância literária.

 

Fez pesquisa sobre a personalidade ao integrar o elenco de Zeus?

 

Obviamente que fiz uma pesquisa sobre a personagem. Contudo, devo dizer que já tinha conhecido desta importante figura, mas foi durante a pesquisa e a sua encarnação que tentei descobrir mais e mais sobre Manuel Teixeira Gomes. Tentei impregnar a personagem, espero ter feito justiça.

 

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Ao longo da rodagem, descobriu algo de novo em Manuel Teixeira Gomes que não havia encontrado durante o seu processo de pesquisa?

 

Não lhe consigo dizer, tenho a noção de que as biografias que li fora devidamente esclarecedoras e clarificadoras quanto à sua personalidade. Não senti, de todo, que ao longo filme tenha feito alguns importantes descobertas. Julgo que não tenho acrescentado muito sobre a sua figura.

 

O período que Manuel Teixeira Gomes integra, é um período esquecido entre os portugueses. Até mesmo nos manuais de História. Acha importante explorar no cinema esta subestimada época? Visto que exploramos em demasia o período salazarista.

 

Da mesma forma como referi a figura de Teixeira Gomes, este filme também tem o dever de trazer à memória dos portugueses esta fatia de História pouco falada, os primeiros passos da República em Portugal. E claro, Manuel Teixeira Gomes é uma personagem, que em muitos aspectos, precisa de ser redescoberto e revalorizado nos dias de hoje. Precisamos tirá-lo da sombra.

 

Manuel Teixeira Gomes foi um homem dividido entre o seu lado artístico - a escrita - com a sua politica. Qual destes lados vingou-se na nossa História? Segundo a sua opinião.

 

 

Como escritor. Ele quando esteve na presidência não escreveu muito, aliás ser Presidente sobrepôs-se bastante à escrita. Foi como fizesse uma pausa nessa sua vertente artística, felizmente foram só dois anos. Porque a politica não o invalidou de ser o grande escritor, pelo qual deve ser reconhecido.

 

Ele sempre foi um escritor, acima de politico, mesmo na sua fase de diplomata, Teixeira Gomes não desistiu de escrever. Apenas parou temporariamente essa sua arte durante o seu cargo presidencial.

 

Novos projectos?

 

Apenas teatro, foi trabalhar numa peça que fora feita por Villaret há muitos anos, Esta Noite Choveu Prata.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:19
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4.1.17
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Nos escritos do Presidente!

 

Se considerarmos Zeus um biopic é como se a banalizássemos perante os seus "primos" americanos (que segundo Tarantino são motivos para atores vencerem Óscares) e de alguns dos horrores nacionais que temos vindo a testemunhar nos últimos anos. A primeira longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro é uma descoberta por um período quase negligenciado nos manuais de História e a ribalta de uma das figuras mais esquecidas no Portugal contemporâneo: um escritor de contos eróticos que ascende a Presidente de República; um homem que abandonou o seu cargo para poder viver no anonimato numa Argélia colonial. Trata-se de Manuel Teixeira Gomes, um ilustre caso de literatura nefelibata no nosso país, sendo que um filme sobre a sua personalidade requeria algo mais que somente fórmulas reutilizadas.

 

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Zeus não tenta de maneira nenhuma abandonar o seu estatuto de cinebiografia. A sua personalidade não o aflige como um caso único e inédito, quer no nosso panorama cinematográfico, quer em relação com o dito "World Cinema". Mas Paulo Filipe Monteiro tudo fez para o demarcar dos restantes produtos de linha de montagem que o subgénero tem atingido, e muito mais desligou-se da dependência televisiva que muito do cinema comercial português não consegue emancipar-se.

 

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Até aqui existem motivos para sorrir. Zeus não é uma bestialidade como as mais recentes biopics nacionais. Relembro que já tivemos um Salazar playboy, uma Amália sob toques de loucura, e sem esquecer a quimera envolta no escândalo de Carolina Salgado. Por sua vez temos uma produção singela, bem intencionada (visto que vem recriar um pedaço de História esquecida), e um trabalho dedicado e forte por parte do actor Sinde Filipe, que transforma Manuel Teixeira Gomes num patriarcal bon vivant. Em nota, temos uma notoriedade na caraterização (coisa rara no cinema português) e efeitos práticos que nunca cedem à tendência failsafe.

 

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O grande senão deste Zeus está naquilo que o realizador fortemente apostou, na narrativa dividida em três camadas, na constante oscilação, meio "salta-pocinhas", envolvida nas suas devidas particularidades (Ivo Canelas quebra a quarta barreira, a fotografia varia consoante a história centrada), porém, subentendidas numa conexão desfragmentada. Mas nada que nos impeça de usufruir dos propósitos desta recriação saudosista, com mais atenção à figura homenageada do que propriamente conceber-se numa incisão político-social de época. Se no caso do espectador é a procura do último ponto, então este não estará na sala certa.  

 

Real.: Paulo Filipe Monteiro / Int.: Sinde Filipe, Paulo Pires, Ivo Canelas, Carlotto Cota, Idir Benebouiche

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 18:11
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Chega-nos o trailer de Kung-Fu Yoga, onde Jackie Chan será novamente um arqueólogo numa nova aventura dirigida por Stanley Tong, o realizador responsável pelo sucesso de The Myth.

 

Nesta produção sino-indiana, Chan terá que colaborar com a professora Ashmita (a estrela de Bollywood, Disha Patani) para conseguir encontrar um perdido tesouro indiano. Enquanto isso, são perseguidos por um temível descendente de um líder rebelde (Sonus Sood).

 

Estreia em território chinês ainda no final deste mês .

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:46
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Woody Harrelson encontra-se em negociações para integrar o universo Star Wars. O célebre actor de Natural Born Killers e Zombieland poderá participar no spin-off de Han Solo, de momento a ser preparado com Alden Ehrenreich a assumir o papel do famoso mercenário nos seus tempos de jovialidade. Se as negociações cumprirem, Harrelson interpretará o mentor de Solo.

 

Pouco se sabe sobre o projecto Han Solo: A Star Wars Story, a não ser que chega aos cinemas em Maio de 2018, contando com a realização de Phil Lord e Chris Miller e o regresso da personagem de Chewbacca ao enredo. Emilia Clarke e Donald Glover estão igualmente no elenco.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:21
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3.1.17

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Estamos cada vez mais próximos do fim da award season, e obviamente dos cobiçados Óscares da Academia. Entre os possíveis candidatos à estatueta de Melhor Filme, encontra-se Moonlight, a jornada humana de um jovem afro-americano na descoberta da sua mais intima natureza, tem sido apontado como um potenciais oscarizados de 2017, tendo como forte concorrente, La La Land. Porém, foi a obra de Barry Jenkins a arrecadar os principais prémios da OFCS (Online Film Critics Society), o qual Cinematograficamente Falando … encontra-se inserido, incluído o de Melhor Filme, Realizador (Jenkins), Actor Secundário (Mahershala Ali) e de Actriz Secundária (Naomi Harris)

 

Casey Affleck, um dos favoritos ao Óscar de Melhor Actor, foi premiado pela sua prestação em Manchester By the Sea, e Natalie Portman considerada a Melhor Actriz por Jackie, de Pablo Larraín.

 

À imagem do ano passado, os asiáticos continuam a seduzir a associação, o novo trabalho de Chan-wook Park, The Handmaiden [ler crítica], sucede assim ao The Assassin [ler crítica] de Hsiao-Hsien Hou, na escolha para Melhor Filme de Língua Estrangeira. Enquanto que o estatuto de Melhor Documentário do ano caiu nas mãos de O.J.: Made in America e Kubo and the Two Strings [ler crítica], dos estúdios Laika, destrona a forte competição da Disney e Pixar na categoria de Melhor Filme de Animação.

 

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Filme

Moonlight

 

Actor Principal

Casey Affleck, em Manchester By the Sea

 

Actriz Principal

Natalie Portman, em Jackie

 

Actor Secundário

Mahershala Ali, em Moonlight

 

Actriz Secundária

Naomi Harris, em Moonlight

 

Argumento Adaptado

Arrival por Eric Heisserer, Ted Chiang

 

Argumento Original

Hell or High Water por Taylor Sheridan

 

Edição

La La Land

 

Fotografia

La La Land

 

Filme de Língua Estrangeira

The Handmaiden

 

Filme de Animação

Kubo and the Two Strings

 

Documentário

O.J.: Made in America

 

Filmes sem Distribuição nos EUA

After the Storm

The Death of Louis XIV

The Girl With All the Gifts

Graduation

Nocturama

Personal Shopper

A Quiet Passion

Staying Vertical

The Unknown Girl

Yourself and Yours

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:20
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