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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Fantastic Four (2015): apurando as causas do "atentado"

Hugo Gomes, 28.01.17

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Tendo em conta o hype negativo que o afronta e as notícias saídas da "tumba" que nos demonstram uma produção complicada, quase digna de um futuro documentário, este Quarteto Fantástico não é pior, nem melhor que muitos dos produtos que nos são sugeridos do Universo dos super-heróis de comics. Aliás, atrevo-me a dizer que a própria Marvel, enquanto estúdio já nos presentearam exemplos bem mais degradante, basta só verificar alguns dos filmes-a-solos com narrativas apressadas cuja existência serviram para um único propósito - The Avengers.

O grande problema deste falhado filme de Josh Trank, para além da fama adquirida, é a constante "batata quente" nas culpas, e obviamente o interesse quase comum de uma das importantes séries de banda-desenhada da Marvel integrar o seu, por direito, Universo Cinematográfico. Há muitos factores que poderíamos explorar para o insucesso da fita, mas uma coisa é certa, este Quarteto Fantástico tentou a diferença de alguma forma, começando por esquivar dos lugares-comuns do porte e anti-socializar da homogeneidade que estes produtos têm sido alvo.

Tudo começa com um filme negro, isente de pingos de comédia (e cameos de Stan Lee), quatro jovens actores "embrulhados" por promessas de potenciais carreiras futuras e a credibilidade, sim, a vontade de Trank de executar uma ficção de cientifica, acima dos vínculos do comics. O realizador de Chronicles havia citado que cobiçava levar o Quarteto Fantástico a território de Cronenberg, como o "body horror" de The Fly por exemplo, e o que consegue é apenas um invocar dessas extensas fronteiras. Talvez seja por isso, que Fantastic Four fuja do ambiente pitoresco e colorido do diptíco de Tim Story e de que modestos sucessos haviam culminados, nesse sentido eis um dos mais violentos e negros da sua classe. Porém, o elefante ainda se encontra bem presente na sala, demasiado grande para ser ignorado, e depois de um início bem envolvente e enraizado na veia de ficção científica, o filme de Josh Trank começa a evidenciar os seus legítimos problemas, entre os quais, uma grave crise de identidade.

Após o fim do primeiro acto - a introdução das personagens ao universo adaptado - o filme começa a contrair uma tendência de "crowd pleaser", aliás tudo se resume a um filme de super-heróis, e não existe heróis sem o habitual plano de salvação do Mundo como nós conhecemos. E é a partir daí que tudo corre a passos largos, deixando de lado qualquer ênfase e literalmente "despachando" todo o enredo e introduzindo um vilão descaradamente intrusivo à narrativa. Pois bem, o resultado neste perdido terceiro acto que evidencia os propósitos comerciais por parte do estúdio e envolvidos, é que este "onírico sonho" de dimensões paralelas e os seus artefactos científicos, assim como uma revolta anti-NASA (para contrariar a tendência de coadjuvação), foi vítima de inúmeros factores saídos das "câmaras de horror".

São os "meninos" malcomportados que desafiam realizadores, por sua vez oprimidos por estúdios dominados por produtores que vêm os seus filmes como meros produtos de comércio a grande escala, como um videojogo tratasse, e os espectadores cada vez menos conscientes de que o cinema não é sinonimo de portes nem universos partilhados, nem sequer fidelidade com a matéria-prima. A criatividade é assim subestimada, até porque o desejo global é de ver Fantastic Four inserido na franquia da Marvel / Disney Studios. Resumindo e concluindo, uma tentativa falhada por consequência de diferentes factores, mas com potencialidades para algo mais do que o título adquirido de "pior filme do ano". Mesmo assim, um desperdício de talentos.  

 

"How did we get this far? Human beings have an immeasurable desire to discover, to invent, to build. Our future depends on us furthering these ideals, a responsibility that rests on the shoulders of generations to come. But with every new discovery, there is risk, there is sacrifice... and there are consequences."

M. Night Shyamalan automático ... para o melhor ou para o pior

Hugo Gomes, 27.01.17

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M. Night Shyamalan, temos que falar ... Sim, é competente, tem os teus traços, mas ... e como existe sempre um mas ... aguardava um tratamento mais rejuvenescente em relação ao teu Cinema. Não é o desastre de The Happening nem de The Last Airbender, nem sequer o brilhantismo de The Village e The Lady in the Water. Simplesmente morno e pouco complexo.

A anti-ética no suposto ético

Hugo Gomes, 24.01.17

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Definitivamente os Óscares viraram uma palhaçada autêntica, mas mais inacreditável é como uma Academia, muitas vezes composta por actores liberais que criticam cada suspiro de Donald J. Trump, possa nomear um filme tão anti-ético, misoginio, militarista, ultra-conservador, patriotismo de segunda, desonesto e apologista do conflito bélico que é «O Herói de Hacksaw Ridge»?

O "vintage" não paga imposto

Hugo Gomes, 09.01.17

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O VHS está morto! Portanto uma nova estância da maldição da cassete, que originou um enorme franchise no Japão e (agora) três filmes medíocres nos EUA, teve que atualizar-se perante os tempos modernos e de avanços tecnológicos. Como diz a certa altura uma das personagens descartáveis deste universo, "não é um antiguidade, é vintage", por isso, ao seguir essa onda de nostalgia mercantil, eis o ressuscitar de mais um pesadelo moribundo, sem razão de existência nem sequer direito a um argumento que não seja “abaixo de cão”.

 

Silêncio ... o filme de Scorsese vai começar

Hugo Gomes, 06.01.17

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Um Martin Scorsese irreconhecível, empenhado em construir uma obra-mestra? Será que conseguiu? Silêncio instala-se como uma faca de dois gumes, o que muitos poderão ver propaganda cristã, eu vejo um filme de crenças com especial alvo as instituições religiosas. De certa maneira foi como Scorsese replicasse Merry Christmas, Mr. Lawrence, o espírito do ocidental vergado em confronto com as doutrinas e disciplina do outro lado do Oceano.

Live by Night: Ben Affleck floresce enquanto realizador

Hugo Gomes, 05.01.17

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Ben Affleck tem um certo talento por detrás das câmaras, sem com isso afirmar-se como um pioneiro da sua arte. Contudo, apesar do esforço de um filme intrinsecamente irónico, o argumento (baseado num livro de Dennis Lehane) é demasiado condensado, levando assim, a um poço de personagens esquemáticas. Uma obra de gangsters com um certo apetite pelo vintage.