17.11.16

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Chega a Portugal uma plataforma Video on Demand (VoD) dedicada ao cinema independente e de autor, o Filmin, que nos presenteia com um catálogo composto por mais 500 filmes, divididos em inúmeras secções como Novidade, Clássicos e até Cinema Português. Uma alternativa para a fraca aposta de cinema alternativo nas nossas salas, onde parece não terem lugar no circuito comercial mais tradicional, o Filmin espera conseguir converter-se num dos importantes focos para os cinéfilos em Portugal.

 

Para acompanhar o lançamento desta plataforma, o Cinematograficamente Falando … enumerou 10 propostas para usufruir no nosso Filmin. São secções, ciclos, filmes e autores a não perder.

 

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Jim Jarmusch

 

Uma colecção dos primeiros anos do realizador norte-americano, um dos mais prestigiados do cinema independente, estará à disposição do espectador. Entre os quais destacamos Para Além do Paraíso (Strangers on Paradise, 1984), a resistência de dois imigrantes húngaros em Nova Iorque,  e O Comboio Misterioso (The Mistery Train, 1988), uma comédia contada em três partes.

 

 

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Ettore Scola

 

 

Um ano depois da sua sincera homenagem a Federico Fellini em Que Estranho Chamar-se Fellini, o considerado "realizador menor" do cinema clássico italiano nos deixa com tamanha mágoa. Filmin apresentará alguns dos seus filmes mais célebres, para demonstrar de uma vez por todas que Scola nada tem de merecedor para o sufixo de "menor". Entre as recomendações, temos o poético O Baile (Le Bal, 1983) e a comédia de costumes ao extremo, Feios, Porcos e Maus (Brutti Sporchi e Cattivi, 1976).

 

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Luchino Viscontti

 

O pai do "neo-realismo" italiano. Os primeiros anos de Visconti marcarão presença no catalogo, com óbvias recomendações de Obsessão (Obsessione, 1943), considerado o inaugurador do seu estilo, Noites Brancas (Le Notti Bianche, 1957), contando com um grande desempenho do sempre carismático Marcello Mastroianni,Sentimento (Senso, 1954), que fora um dos filmes predilectos de João Bénard da Costa.

 

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Shirin

 

Um ensaio intenso no território do "fora-de-campo", onde catorze actrizes iranianas e a francesa Juliette Bincoche visualizam uma encenação teatral de Khosrow e Shirin, um poema persa do século XII. Neste filme de Abbas Kiarostami, o foco do olhar destas mulheres é invisível para o espectador, as suas faces "iluminam" esta narrativa reinventada e desconstruída através da percepção de outros.

 

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Tangerine

 

Uma das propostas indies mais faladas dos últimos tempos. Tangerine, de Sean Baker, segue duas transexuais que partem numa vingança pessoal nas ruas de Los Angeles. Filmado integralmente por um Iphone, uma das surpresas vindas do Festival de Sundance.

 

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Cartas da Guerra

 

Ivo M. Ferreira concentra nas cartas escritas por António Lobo Antunes durante a sua missão na Guerra Colonial, para criar um filme bélico onde a verdadeira guerra dá-se no intimo do seu protagonista. Um dos grandes trunfos do cinema português recente.

 

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The Raid

 

O mais electrizante filme de acção dos últimos anos é indonésio. The Raid: A Redenção parte de uma intriga simples e bastante minimalista para "crescer" como um "best of" do cinema de acção. Tiroteios, artes marciais, explosões e muita adrenalina, ingredientes principais para compor este prato pleno.

 

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Trilogia As Mil e uma Noites

 

O épico de Miguel Gomes estará presente no Filmin. Baseado num famoso livro persa, As Mil e uma Noites espelha um país sob um tremendo sufoco, onde tapetes voadores e sereias coabitam com políticos corruptos e juízas chorosas.

 

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Béla Tarr

 

A pérola do cinema húngaro, e adepto do tempo, não condensado, mas preservado em película, possui toda a sua filmografia no Filmin. Desde o seu derradeiro O Cavalo de Turim (The Turin Horse, 2011), passando pelo muito longo, mas primoroso, Tango de Satanás (Satántango, 1994) até à sua estreia, O Ninho Familiar (Családi tűzfészek, 1977), onde demonstrava um realizador sob forte vibração politica.

 

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A Regra do Jogo (La Règle du Jeu)

Datado de 1939, Jean Renoir exibe ao Mundo a sua façanha como crítico da alta sociedade francesa, nesta ácida comédia que cresceu lado-a-lado com o Cinema. Considerado por muitos como um dos melhores trabalhos cinematográficos de sempre, o Filmin dá-nos a hipótese de redescobrir ou descobrir este grande feito da Sétima Arte.

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:55
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16.11.16

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Todo o cinema é político!

 

Ewan McGregor junta-se à mesma mesa dos actores convertidos a realizadores e ceia através de uma ambiciosa operação de adaptar o romance de Philip Roth, American Pastoral, vencedor de um Pulitzer. É certo, que existe um preconceito, se não antes uma precaução, em relação a estas passagens para o outro lado da câmara, que diversas vezes obtiveram resultados "mais ou menos" desastrosos como Brown Bunny, por Vincent Gallo, e Lost River, de Ryan Gosling, para dar alguns exemplos.

 

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Mas, McGregor, mesmo não deslumbrando, não cede ao desastre egocêntrico e consegue um agradável ensaio de classicismo cinematográfico. O actor / realizador é o protagonista desta história que remexe em consciências obscuras de uma América em extrema rebelião, captando temáticas pouco períodos ignorados como o activismo The Weather Underground, ou do extremismo liberal que em paralelo com a sua oposição, adquirem tons de gravíssimas perturbações de percepção moral. Aliás, como refere a personagem de Dakota Fanning (ressuscitada das sombras, mas não na sua total forma) a certa altura deste enredo de gerações, "a Politica está em todo o lado, até mesmo lavar os dentes é um acto politico".

 

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É sabido que o cinema adquiriu a sua faceta politica no preciso momento em que aprendeu a narrar, se já os irmãos Lumière criaram ensaios de tal conotação?  Todo o acto é politico, até o mero entretenimento pode ser visto numa igual vertente. Em relação a American Pastoral, existe uma clara evidência de McGregor disfarçar a politica deste seu cinema com uma emoção vinculada nos desempenhos das suas personagens, porém, sobra-nos uma réstia de impressão nesta busca pela verdade negada.

 

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American Pastoral evita o território do thriller que por ventura poderia gerar, assume tons caricaturais do seu tempo descrito para integrar-se precisamente no foro sentimental desta família desfeita (perfeita aos olhos de fora, mas em "cacos" pelos olhos "de dentro"). Contudo, esta emocionalidade poderia tomar proporções furtivas se Ewan McGregor conseguisse controlar a durabilidade do momento, não cedendo aos fade outs estéreis, nem abraçar inteiramente a arte clássica de fazer cinema em Hollywood, que já soa como um guia "para totós".

 

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American Pastoral pode não ser a adaptação perfeita do prestigiado bestseller, mas adquire tudo menos o efeito de desastre. Provavelmente temos em Ewan McGregor um sólido realizador. Veremos se este não será a sua única experiência no ramo. 

 

Real.: Ewan McGregor / Int.: Ewan McGregor, Jennifer Connelly, Dakota Fanning, Rupert Evans, Valorie Curry, David Strathairn

 

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7/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:50
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Com o sucesso crítico de Elle, Paul Verhoeven parece ter regressado às luzes da ribalta. Durante a reavaliação dos seus 50 anos de carreira, foi questionado diversas vezes sobre o tratamento do seu legado norte-americano por parte dos grandes estúdios, em particular às novas versões de Total Recall e Robocop. O realizador holandês declarou que os estúdios de hoje em dia são incapazes de lidar com o sarcasmo e que a ironia, visto que ambas as versões modernas diferenciaram das suas criações graças a um tom mais dramático. Para Verhoeven, essa foi a causa do insucesso das duas obras, assim como a sequela de Basic Instint (Instinto Fatal), em 2006.

 

Actualmente, segue as notícias de que a Columbia Tristar encontra-se interessada em "refazer" outra obra sua, Starship Troopers, que Verhoeven filmou em 1997 e que apesar do insucesso no box-office e na crítica da altura, tornou-se num objecto de culto graças ao seu circuito no home-video.

 

Uma semana depois de Donald J. Trump ser eleito o novo Presidente dos EUA, curiosamente, o original Starship Troopers, foi apresentado no Film Society of Lincoln Center. Presente na sessão estava o próprio Verhoeven e o actor Casper Van Dien que integraram um QaA. Durante essa sessão, o realizador foi confrontado a responder a sua opinião sobre o eventual remake.

 

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Verhoeven afirmou “Foi dito no artigo que a equipa de produção iria fielmente basear-se no livro [da autoria de Robert A. Heinlein]. Claro, eu realmente, realmente tentei afastar-me do livro, simplesmente porque senti que a matéria-prima é simplesmente fascista e militarista.” “Sente-se que ao concentrar no livro originará um filme que enquadra-se na Presidência de Trump.”

 

A nossa filosofia era bem diferente dele [do livro], procurávamos uma história dupla, uma incrível e aventureira história desses jovens que iriam combater, mas ao mesmo tempo queríamos mostrar às audiências o tipo de pessoas que são, o que está por dentro dos seus corações, que sem saber, estavam a caminho do fascismo

 

As fontes adiantam que esta refilmagem será escrita por Mark Swift e Damian Shannon, os mesmos argumentistas de um outro reboot com estreia prevista para 2017, Baywatch - As Marés Vivas, com Dwayne Johnson e Zac Efron.

 

Vale a pena recordar, que Starship Troopers: Soldados do Universo, seguia o percurso militar de Johnny Ricco (interpretado por Casper Van Dien), numa sociedade em "pé de guerra" com criaturas alienígenas semelhantes a insectos. O realizador atribui nesta pura aspiração de série B, uma satirização à propaganda fascista e militarista, a relembrar os tempos de Leni Riefensthal ao serviço do Partido Nazi.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:37
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15.11.16

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Será Tom Ford um homem singular?

 

Aviso desde já, que este não é A Single Man, o filme que marcou a estreia do estilista Tom Ford na realização, um ensaio poético sobre a perda dirigido por um Colin Firth na sua melhor forma. Sim, uma obra inesquecível, onde Ford provou capacidade para induzir-se numa carreira cinematográfica, visto que conseguiu evitar, no seu primeiro filme, os erros que muitos cometeriam à primeira.

 

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Com Nocturnal Animals (Animais Nocturnos), a perda já lá vai, contudo, é o ensaio de uma infelicidade “bovariana” que perdura neste cheesecake cinematográfico, um filme de duas camadas que exorciza fantasmas que o próprio Tom Ford interage, simultaneamente invocando um medo quase irracional a uma América cosmopolita e burguesa, que tal como os créditos inicias indicam, viventes de um país de excessos. Amy Adams, destroçada e vencida pela melancolia, é uma dona de uma galeria de arte que descobre que mesmo tendo tudo ao seu alcance, a sua vida é um mero vazio. Esse vácuo é perpetuado até certo ponto que recebe um romance escrito pelo seu ex-marido. Perdida nas insónias que teimam não a deixar, a personagem de Adams arranca numa leitura a este livro misterioso, o que encontra é uma intriga de vingança e de impotência que parece, gradualmente, confundir com a sua vida em ruínas.

 

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O expoente estético de Ford é uma meticulosa arte de engano e desengano, até porque a “beleza” fingida de Animais Nocturnos disfarça a sujidade formal exposta na sua segunda camada do filme, a ficção por detrás da ficção, onde Jake Gyllenhaal é um homem duplamente perturbado, pela desilusão de um homem fraco e indefeso que habita no seu ser até à sede insaciável de vingança que parece alimentá-lo furtivamente. As duas camadas, tão diferentes como água e azeite interpõem-se uma à outra, sucessivamente, e aí que entra a maior falha de Tom Ford neste segundo produto, a ficção ficcionada é mais interessante que a história primária, e o pior é que sentimos que não foi preciso muito esforço para o conseguir.

 

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Sim, sabemos, Tom Ford quis explorar o vazio do mundo de aparências que o próprio intriga, mas é incapaz de tecer a crítica apropriadamente, mas pelo menos, faz melhor figura que Nicolas Winding Refn e a sua passerelle que fora The Neon Demon, simplesmente porque não cede à provocação fácil, tentando encontrar nos seus becos sem saída, uma eventual escapatória. Como cúmplice desta artimanha montada, está o elenco que consegue descolar dos bonecos que o próprio insuflou, nesse contexto as nossas atenções vão para Michael Shannon, um peixe dentro de água, cujas movimentações levam Gyllenhaal aos seus picos de indecência emotiva.

 

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Voltando ao ponto inicial, não temos aqui um A Single Man, infelizmente, Ford parece ter tremido por momentos, mas não o suficiente para ceder à pressão. Ele constrói um filme de camadas, como já havia sido referido, e a gosto, coloca o seu “quê” de sugestão. O final inesperado que atraiçoa o espectador e a catch phrase, “um romancista escreve sobre ele próprio”, a persistir após o desfecho dos créditos. Afinal, há aqui margem para explorar!

 

"When someone loves you, you have to be careful with it!"

 

Real.: Tom Ford / Int.: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson, Isla Fisher, Armie Hammer, Laura Linney, Karl Gusman

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:52
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14.11.16

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Vamos caçar Pokémons … peço desculpa … "Criaturas Fantásticas"!

 

Cinco antes depois do encerramento da saga Harry Potter, que no cinema, como nas livrarias, encantou gerações e as fez fascinar pelo Mundo da Feitiçaria, uma fórmula que fortunas deu a sua mentora, J.K. Rowlings, chega-nos outra adaptação de um Universo que não teima em deixar-nos. Fantastic Beasts and Where to Find Them, é a conversão de um livro para cinco filmes, com a escritora a assumir-se como argumentista de uma saga que vem apelar aos repetentes, assim como as novas audiências, provavelmente tendo em conta este formato, os viciados da aplicação Pokémon.

 

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Pois, leram bem, Newt Scamander (interpretado por Eddie Redmayne), é um estudioso em criaturas mágicas que após um pequeno acidente perde alguns dos seus exemplares em Nova Iorque. O objectivo, e grande conflito do filme, trata-se obviamente de encontrá-lo e reavê-los ao respectivo cativeiro. Obviamente, como pano de fundo existe uma conspiração e mais um "dark lord" a ameaçar a existência do nosso novo herói, assim como a comunidade de feiticeiros, que para mal dos seus pecados ainda tem que se preocupar com "muggles" (os humanos normais, aqui sob o termo "no-mags"), que desejam regressar aos tempos da inquisição. O argumento tenta conciliar o cinema espectáculo sob fórmulas recentemente identificáveis, até ao fan service em doses mínimas (não vamos exagerar como os filmes da Marvel nem os da DC).

 

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Fantastic Beasts and Where to Find Them é todo aquele mimo visual, pomposo e oleado já habitual na saga da Warner Bros., e o facto de David Yates estar novamente nas rédeas deste Universo Hogwartiano é uma evidencia de que o maior interesse dos estúdios é conectar este novo segmento aos parâmetros do definido franchise. Porém, esta nova aventura, agora centrada num herói mais carismático que o anterior Harry Potter (não era preciso muito), é uma prova de que o cinema blockbuster encontra-se mais que homogéneo, com estruturas narrativas industrializadas e agendas de condensação no ponto máximo.

 

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Não importa a temática, o registo é formatado, respeitando os parâmetros básicos do argumento academista e das tendências de mercado. Por exemplo, temos um estapafúrdio de conflito final a dar a lide aos efeitos visuais e à sonoplastia de "parte-pratos". Todo este primeiro capítulo nos deixa um certo sabor de "revisto", mas a verdade é que até podemos "encontrar" qualidades aqui, deixo só o aviso, não são "fantásticos".

 

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Há um enriquecimento por parte do elenco, assim como o esforço em compor personagens, ultrapassando-as do mero cartão (vale sublinhar a palavra "esforço"), e um bem conseguido comic relief por parte Dan Fogler. Outro factor que nos faz visualizar com certo agrado este primeiro tomo, é que o filme de David Yates funciona num todo, ou seja, não ostenta imperativos cliffhangers para futuros capítulos … Contudo, vamos tê-los, sim senhor, de certeza que vamos tê-los.   

 

"So you're the guy with the case full of monsters, huh?"

 

Real.: David Yates / Int.: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Alison Sudol, Colin Farrell, Ezra Miller, Dan Fogler, Samantha Morton, Ron Perlman, Zoë Kravitz, Jon Voight, Johnny Depp

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:43
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O homem que a História quer esquecer, mas o Cinema quer cobiçar!

 

Num determinado momento de Le Divan de Staline (O Divã de Estaline), uma fotografia do verdadeiro líder soviético é gradualmente sobreposta por uma imagem da personagem homónima encarnada por Gérard Depardieu. Não existem muitas semelhanças entre os dois (o real e o da ficção), mas somente a vontade de recriar e trabalhar a História, tirá-lo do seu estatuto imaculável e intocável, e fazer o Cinema exercer-se como um poço de criatividade em vias de exploração.

 

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O homónimo livro de Jean-Daniel Baltassat (uma perspectiva freudiana a uma das figuras incontornáveis da nossa História) é transportada para o grande ecrã pelas mãos de Fanny Ardant, a emblemática actriz que teima em deixar a sua marca como realizadora. A sua terceira longa-metragem vem inicialmente evitar os "becos sem saída" e o pedantismo "farsolas" de Cadências Obstinadas (Cadences Obstinées). Onde antes havia vazio emocional, agora há um outro sob o desejo de ser preenchido, como uma tela aguardando pelas suas cores. É nesse aspecto que o filme vem ganhando a sua devida forma. Assume-se então uma representação de um pedaço de História vencida, onde o teor psicológico aventura-se acima da veracidade dos factos.

 

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Há um regresso à ritualidade de Cinzas e Sangue (Cendres et sang), aquele fascínio pela plasticidade do organismo fílmico e a aspiração pela arma mais potente do teatro: a sua recorrente imaginação, aquele "faz-de-conta" na recriação. Talvez seja por isso que Depardieu funciona simbioticamente como uma alternativa estalineana, mais do que as vestes camaleónicas que um qualquer biopic de Hollywood tentaria culminar.

 

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Neste universo, o actor é o perfeito Estaline, numa versão que anseia respirar a breve emancipação. Um homem frio, calculista, inteiramente regido às ideologias criadas por ele próprio e estabelecidas no seu regime, um reinado com tamanho medo. O líder soviético espera aqui o seu momento de fragilidade, a desmistificação dos métodos de Sigmund Freud - a psicanálise - que o próprio considera charlatanices igualmente competentes que "roubam segredos a burgueses ricos" do outro lado da Europa. As sessões improvisadas, ensinadas no momento, servem de catarse para a desconstrução dessa mesma personalidade.

 

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Em contracampo, surge Emmanuelle Seigner como Lídia, a referida improvisada "psicanalista", a mulher "privilegiada" no seio afectuoso de Estaline, encarada como uma "ponte quebradiça" entre a emocionalidade resgatada do seu líder. As duas figuras constituem dois vértices de um triangulo formado por ódio / amor / medo, completado pelo pintor Danilov (Paul Hamy), um artista reprimido por uma expirada inspiração. Mas este triângulo é isósceles, dois lados servem como "sessões" de teor psicanalista a uma só figura, e a esta altura o leitor já se apercebeu qual sai beneficiada neste registo.

 

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Mesmo que a psicologia não esteja no ponto(uma ciência não exacta neste filme) é indiscutível o passo em frente que Fanny Ardant dá na sua carreira de direcção. O Divã de Estaline, é até à data, a sua obra mais completa, concisa e sobretudo, cinematográfica. Acreditando que o Cinema é uma arte de criação desprovida de rédeas, eis a minha saudação a Madame Ardant!

 

Filme visualizado no 10ª Lisbon & Estoril Film Festival

 

Real.: Fanny Ardant / Int.: Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner, Paul Hamy, Joana de Verona

 

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7/10
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publicado por Hugo Gomes às 18:42
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14.11.16

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Um trabalho de actriz!

 

Benoît Jacquot não é necessariamente o realizador agressivo que o Cinema necessita, a sua passividade tem vindo a tornar-se, de certa maneira, uma rédea que o encurta de explorar psicologicamente e atmosfericamente as suas personagens. Como tal, esta adaptação de uma das obras mais exquisite de Don DeLillo, Body Artist, foi visto inicialmente como um projecto arriscado e demasiado ambicioso para os dotes de Jacquot. A merecer a bênção do próprio escritor, que supervisionou esta co-produção luso-francesa de Paulo Branco, e a protagonista, Julia Roy, a revelar os seus “truques” no argumento e na construção autodidacta da sua personagem, À Jamais é uma surpreendente nova faceta de um realizador em vias de penetrar territórios nunca antes explorados pelo próprio. Porém, não a sua total entrega carnal.

 

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A intriga, cenicamente transladada a Portugal, leva-nos a Laura (Julia Roy), uma artista performativa que terá que lidar com o suicídio do seu companheiro (Mathieu Almarich). De forma a lutar contra a perda e a constante saudade que a sufoca, Laura utiliza o seu método artístico para mimetizar os movimentos, os gestos, o dialecto, as rotinas, mais concretamente “ressuscitar” mentalmente o seu amor como um método freudiano enviusado em "mitologia" de Mary Shelley tratasse.

 

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Não existe um cadáver, uma entidade física onde uma vida pode ser devolvida de forma lazariana, abundam sim, as memórias, e a força destas que são “armas de apelo” da nossa protagonista, “barricada” na casa do seu ente querido, aguardando por fantasmas. Benoît Jacquot filma um trabalho de concepção de uma artista, o método invocado e elaborado como uma manifestação emocional, um saudosismo pesaroso pelo qual Julia Roy espelha no grande ecrã.

 

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À Jamais vive da actriz, vive do seu trabalho, da sua dedicação, e é nessa força que o espectador contempla, por fim, a fraqueza de Benoît Jacquot por detrás das câmaras, a referida passividade. O realizador revelou que não interferiu no desempenho de Roy, dando a liberdade para a sua criação. O resultado desta saudação à protagonista, é um ensaio psicológico que manifesta e expande para a além da sua atmosfera, mas a isso, devemos inteiramente a Laura Roy.

 

Filme visualizado no 10º Lisbon & Estoril Film Festival

 

Real.: Benoît Jacquot / Int.: Laura Roy, Mathieu Almarich, Jeanne Balibar, Victória Guerra

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:12
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13.11.16

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The Last Family torna-se no grande vencedor da 10ª edição do Lisbon & Estoril Filme Festival. O filme do polaco Jan P. Matuszynski conquista o Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre, enquanto que The Sand Storm, de Elite Zexer, recebe a menção honrosa. O júri da Competição Oficial foi composto pelo cineasta Jerzy Skolimowski, que foi homenageado no festival, as actrizes Marthe Keller e Valentina Lodovini e o artista visual André Saraiva.

 

O mais recente trabalho de Paul Verhoeven, Elle, que tem arrecadado elogios por onde passa, foi o escolhido pelo público para o respectivo Prémio. Em relação às curta-metragens, The Sleeping Giant, de Laura Samani (Centro Sperimentale de Cinematografia, Itália), triunfa o Prémio, enquanto  que Paul Est Là, de Valentina Maurel (INSLA, Bélgica), recebe uma menção honrosa. O júri era composto pelos realizadores Daniel Rosenfeld e Lola Peploe e pelo actor Stanislas Merhar.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:54
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O cinéfilo limitado e o Wim Wenders recuperado!

 

Qualquer cinéfilo que se preze é incapaz de conformar com as descrições de “arte menor”, ou “não arte”, assim como “mero entretenimento de feira”, o qual são dirigidas ao Cinema em geral. O verdadeiro cinéfilo nega, com todas as suas forças, a franqueza e simplicidade face em comparação com as outras artes. O cinéfilo é impuro, por vezes limitado à sua verdade, mas em isso do que desprezar o amor pela Sétima Arte e nunca abandoná-lo à sorte do menosprezo artístico. E se para muitos o Cinema não possui a profundidade da literatura, o uso imaginativo do “faz-de-conta” do teatro, a contemplação divina e quase artesanal da pintura, ou a monumentalidade da arquitectura, para o cinéfilo é nada mais, nada menos, que a fusões de todas essas plataformas artísticas, o filho bastardo que aos poucos toma o seu lugar.

 

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Mas abandonada a oligárquica ideologia de cinéfilo, sabendo que o Cinema não é par para a literatura e à dramaturgia, Wim Wenders aventura-se num extremo jogo “faz-de-conta”, experimentando uma adaptação de uma peça de Peter Handke (o dramaturgo tem um pequeno papel neste filme) para superar as limitações que inicialmente o colocaram. Infelizmente, Wenders cede à “burguesia” de um cinema erudito, tentando sobretudo apoiar-se nos textos que, para sua desgraça, não contrai a poética sonoridade nem os ecos de filosofia citada. Se o cineasta alemão tenta percorrer Eric Rohmer neste seu quadro vivo, esta prova auto-rejeita-se, os diálogos não foram o seu forte muito menos a proclamação destas prosas faladas, despejadas sem a orgânica, nem compostura.

 

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Porém, Wenders brinca com as dimensões, atropela-se nas plataformas artísticas que ele própria cita e tenta dar luzes a uma fértil amostra imaginativa, uma alusão da criação térrea de uma realidade. Assim, são duas que se embatem e dispersem, vidas artificiais pulsadas pelo toque do seu criador na sua máquina de escrever. Jens Harzer é um Deus para estes seres preenchidos por linhas, mecanizadas nas suas palavras, e é então que o improviso surge, os fatos que alteram a cor consoante a vontade do mentor, as falas que são interrompidas pelas mudanças musicais … e novamente a realidade paralela a funcionar quando entra Nick Cave em cena, a música pode ser o nosso álibi imaginativo.

 

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Mas o nosso leitor questiona neste preciso momento, do que se trata este "Os Belos Dias de Aranjuez"? A resposta esconde-se por entre estes artifícios manipuláveis, Wim Wenders tenta reinventar o seu cinema, colocando e transcendo das suas limitações enquanto criação visual. Obviamente, que esta nova obra não goza desse statment artístico, pelo contrário este retrocedo a um cinema burguês o coloca na pista donde o seu cinema evoluirá. Tal como o relato de uma das suas personagens, durante uma viagem a Aranjuez, a desilusão o tomou ao ver que a chamada “Casa del Labrador” não passava de um anexo no Parque Real, mas é nas groselhas, outrora domésticas, que adaptaram-se ao assilvestrado do meio, expandido e tomando o lugar das amoras e outros frutos que habitavam nos bosques para além do Tejo. Por outras palavras, Wenders descarta o seu cinema, assume a arte de outro e espera que esta toma a sua forma. Trata-se de cedência para mais tarde evoluir. Esperemos que sim.

 

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Contudo, o cineasta alemão tem sido dos poucos que tem associado o 3D ao cinema dramático, “despindo” das suas conotações circenses, porém, faltará uma maior emancipação para que sinta o uso dessa mesma tecnológica.

 

Filme visualizado no 10º Lisbon & Estoril Film Festival

 

Real.: Wim Wenders / Int.: Reda Kateb, Sophie Semin, Jens Harzer, Nick Cave

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:20
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12.11.16
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"Suícidio on Live"

 

Antonio Campos repesca um dos episódios mais trágicos da televisão norte-americana - o suicídio em directo da pivô e jornalista Christine Chubbuck - para apurar as causas que levaram esta mulher a cometer acto tão grotesco.

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A composição desta personagem misteriosa deve-se muito a Rebecca Hall que subjuga-se a este tormento psicológico num filme que aposta desde cedo na iminência da catástrofe. Obviamente, que o espectador sabe como terminará esta aventura pessoal, assim como um certo filme de James Cameron que "flutuou" nos box-office em 1997, mas o aqui em causa não é um filme válido pelo seu desfecho, e sim, um episódio recorrido em decadência humana, uma tragédia grega que joga o meta-palco da sua criação.  

 

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Campos sempre teve um "fraquinho" por personagens torturadas, absorvidas por um ambiente em total decomposição, assim como o destino destas. Rebeca Hall cria em Christine um derradeiro duelo intrínseco entre uma réstia de esperança, uma salvação que o espectador aguarda desesperadamente, porém, sabendo à partida que tudo é em vão. Sim, este é o tipo de obra que qualquer guia televisivo expõe o aviso do "anti-feel good movie", o cinema que reflecte o quão frágeis nós somos, o quão vitimas somos dos nosso próprios objectivos profissionais, ao mesmo tempo, Antonio Campos dá-nos certas luzes sobre a condição e evolução da comunicação social, em certa parte, a forma como o jornalismo adaptou-se às audiências e não o oposto.

 

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Existe aqui, evidente inspiração aos dotes dramáticos de Network, de Sidney Lumet, à hipocrisia implementada pela "caixinha mágica" e a sua interacção com o exterior. Contudo, como biopic, se é que Christine anseia afirmar-se como tal, o filme tende em afastar-se desses lugares comuns de agenda award season, apostando da ênfase dramática e na criatividade desse sentido nas suas personagens. A depressão é um efeito secundário e o complexo desempenho de Rebecca Hall a principal medida.   

 

"Yes, but …"

 

Filme visualizado no 10º Lisbon & Estoril Film Festival

 

Real.: Antonio Campos / Int.: Rebecca Hall, Michael C. Hall, Tracy Letts

 

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8/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:55
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A voz, a letra, a melodia, o homem por detrás de algumas canções mais memoráveis do nosso tempo. Leonard Cohen deixou-nos, mas não totalmente, para trás temos um infinito legado de contribuições cinematográficas, singles que fizeram parte de bandas sonoras, assim como apogeus da emocionalidade cinematográfica. As sua músicas foram as palavras não ditas, os sentimentos não demonstrados e a articulação necessária das suas personagens. O Cinematograficamente Falando … recorda 7 das suas contribuições mais memoráveis ...

 

 

L'Attesa (2015)

 

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Que música mais indicada para um filme sobre a "espera" que Waiting for a Miracle. A obra de Piero Messina, L'Atessa (A Espera), encanta-nos com um momento musical sob a voz de Leonardo Cohen, para além de uma câmara que se move de modo réptiliano pelo espaço, os atores expressam, não através das palavras, mas de uma linguagem corporal que disfarça a sua intrínseca tristeza, porém, que não ilude totalmente o espectador. A troca de olhares entre as actrizes Juliette Binoche e Lou de Laâge, revelam a existência de assuntos pendentes. Um filme onde as palavras não são par para as imagens, onde a letra de Cohen, mesmo assim, contagia o enredo de forma "milagrosa".

 

 

 

Watchmen (2008)

 

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Para muitos a sequência é hilariante, para outros é inspiradora e atmosférica para a acção decorrida em Watchmen. Este julgamento, tem como derivação a nossa própria apreciação ao cinema de Zack Snyder (um autor de uma Hollywood tecnológica). O sexo mais que antecipado é descrito como um erotismo satírica, visualmente a relembrar a pop culture dos anos 80 ou do golden age da pornografia em 70, mas é a música algo imprevisível de Cohen que atribui o tom paródico desta mesma cena de sexo há muito procrastinado.

 

 

 

Caro Diario (1993)

 

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"I'm Your Man" é o single que acompanha a viagem de Nanni Moretti em uma Roma fora dos circuitos turísticos. Deslocando-se na sua vespa, em Caro Diario, um dos filmes mais impares da carreira de tão politicamente ácido realizador italiano, a música de Leonard Cohen resulta como uma afirmação máscula perante uma cidade representada como a matriarca da civilização ocidental.

 

 

 

Exotica (1994)

 

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Um dos trabalhos mais célebres de Atom Egoyan contou com um momento "à lá Leonard Cohen". Trata-se de Exotica, um filme sobre fantasias alternativas, escapes aos nossos profundos pesares, em que a música de Cohen, "Everybody Knows", assenta que nem uma luva ao luto recíproco do protagonista. O espectador conhece o seu sofrimento, e a dança desta bailarina do clube nocturno Exótica é uma interacção com estes fantasmas interiores. Até porque todos sabem.

 

 

 

The Ernie Game (1967)

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Leonard Cohen faz uma aparição em The Ernie Game, a história de um homem mentalmente perturbado forçado a cometer actos criminosos. Neste filme de Don Owen, o nosso músico surge interpretando The Stranger, um estranho num filme que envolve-se na própria estranheza do seu protagonista.

 

 

 

Félix et Meira (2014)

 

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A música é a libertação imaginária de qualquer regime opressivo, Meira vive em constante luta contra essa educação hereditária, a cultura ultra-ortodoxa judaica que a integra, uma prisão imaginária onde só os acordes musicais a fazem antever qualquer sopro de liberdade. Sister Rosetta Tharpe também tem um papel decisivo nas emoções da nossa protagonista, mas é em Leonard Cohen que sentimos o quanto a vida passa-nos ao lado. [ler crítica]

 

 

 

Natural Born Killers (1994)

 

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Provavelmente, o mais "cohenesco" dos filmes, Natural Born Killers, de Oliver Stone (baseado numa história de Quentin Tarantino), foi considerado por muitos anos, um dos filmes mais politicamente incorrectos dos anos 90. Uma crítica ao mediatismo dos medias, e a sua insaciável sede por violência, embrulham este conto de um casal de assassinos, cujo amor de ambos prevalece sob qualquer moralismo. Para além dos créditos iniciais com Waiting for a Miracle, Leonard Cohen ainda colaborou com The Future e Anthem.

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:05
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10.11.16

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O cineasta português Miguel Gomes prepara-se para adaptar o romance "Os Sertões", de Euclides da Cunha, um livro seminal da Guerra dos Canudos. Este projecto terá semelhanças com a sua anterior trilogia, As Mil e uma Noites, ou seja, será composto por três partes, respeitando assim a própria estrutura do livro que é dividido pelos capítulos A Terra, O Homem e A Luta.

 

Gomes sempre expressava o desejo de filmar no Brasil, tendo considerado a terceira parte de As Mil e uma Noites, o seu filme mais "tropicalista", de acordo com o site Cine Festivais. O cineasta declarou então que foi na 30ª página do homónimo livro de Euclides da Cunha, que automaticamente mentalizou-se que aquela seria a sua futura obra. O director de som Vasco Pimentel, habitual colaborador de Miguel Gomes, estará a bordo do filme.

 

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O argumento ficará a carga de Telmo ChurroMaureen Fazendeiro, Mariana Ricardo e do próprio realizador. Os Sertões terá produção de O Som e a Fúria, Shellac Sud e Komplizen Films.

 

A obra de Euclides da Cunha retrata um verdadeiro retrato do Brasil no fim do século XIX, abordando o conflito da Bahia, que suscitou a chamada Guerra dos Canudos. O confronto deu-se entre o Exército Brasileiro e o monarquista e fanático religioso Antônio Conselheiro.

 

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Ver Também

Mil e uma Noites: O Volume 1, O Inquieto (2015)

Mil e uma Noites: O Volume 2, O Desolado (2015)

As Mil e uma Noites: O Volume 3, O Encantado (2015)

Tabu (2012)

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:16
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10.11.16

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O Contacto de Villeneuve!

 

Arrancando sob acordes de Max Ritcher e o seu On the Nature of Daylight, Arrival exibe a pior faceta de Denis Villeneuve, a ausência de personalidade. Depois de um grupo de obras que tem-se destacado pelas diferentes virtudes, tons e estilos, tendo como ponto alto o ainda fresco "Sicário", Villeneuve começa por fazer "maliquices", ou seja "caiu" na ideia, na possibilidade alguma de ser Terrence Malick. Se Malick já existe um, e mesmo assim, essa unidade chega-nos a irritar perante um estilo tão caoticamente ambicioso, quanto mais as imitações. Enfim, com filmagens de natureza, crianças e um coming-to-age em modo flash forward, tudo pontuado com a narração "filosófica" de Amy Adams, este é o nosso "primeiro encontro". Queremos sair, até porque este não foi o filme que nos prometeram, aquele dos trailers e das boas críticas vindas directamente de Veneza que nos falavam duma continuação intra-espécies de Sicário. Não, ao invés disso temos uma insuportavelmente e pretensiosa esquizofrenia.

 

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Mas esperem, existe uma esperança ao fundo do túnel, é que depois de terminada as "maliquices", segue assim, a premissa, as invasões alienígenas e um Mundo em pleno estado de alerta perante estes "visitantes from outter space". A nossa Amy Adams é um linguista prestigiada (considera o português numa língua romântica e artística), que é abordada pelo Exército Norte-Americano para servir de ponte diplomática com estes "visitantes", que cujo grande obstáculo é a discrepante divergências entre as duas línguas e dicções. A nossa protagonista avança então com um elaborado plano para conhecer radicalmente o alfabeto destes, e vice-versa.

 

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Em Arrival (não confundir com o filme protagonizado por Charlie Sheen), existe ecos desse Sicário - a força da protagonista, a mulher que quebra a fronteira e relaciona com um mundo inimaginável. A fórmula está aqui representada, só fica a faltar as particularidades desta nova aventura de Villeneuve. Enquanto uns, pasmaceiam perante o ritmo calmo e astutamente manipulado por Arrival, outros questionarão o próprio argumento que se assume "inteligente". Há dois anos consecutivos que levamos com filmes que tentam contrair esse mesmo estatuto, o de "muito inteligente para as audiências, e ao mesmo tempo entretenimentos de qualidade". Refiro a Interstellar e The Martian, duas obras que beneficiaram das ligações publicitárias da NASA, porém, este Arrival não possui o mesmo tratamento, mas a sensação é exactamente replicada.

 

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Serão poucos que vão constatar as inverosimilhanças do argumento, principalmente no "motivo criado" para colocar a heroína na dita acção e assim avançar-se na intriga, da mesma forma que nos tremendos Deus Ex Machina. Soluções de última hora, que não são mais que meros "tapa-buracos" com graves aspirações a um determinado filme de Robert Zemeckis, sim, esse mesmo, O Contacto (1997). Se já Interstellar, de Christopher Nolan, ia buscar essa fonte, em Arrival a inspiração é mais que evidente, e o filme não consegue contornar isso, mesmo pretendendo seguir direcções menos identificáveis. Ah … já me ia esquecendo, sabem que mais? Eis mais um bajulador produto para os mercados chineses.

 

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O que nos resta? Bem, este "lost in translation" tem a maior ambição de transformar-se numa "pescadinha com rabo na boca", até porque pensávamos que as "maliquices" tinham terminado no prelúdio. Pensávamos que sim … mas não é que Villeneuve recorda-se desse mesmo cosplay! E assim ficamos com um filme tecnicamente irrepreensível (nota-se a repescagem do compositor de Sicário, Jóhann Jóhannsson) , com desempenhos agradáveis dos seus actores e uma tendência de se perder gradualmente do seu carris. Esta é a provável grande desilusão do ano, a prova de que Denis Villeneuve está no "caminho certo" para virar tarefeiro em terras de Hollywood.

 

Real.: Denis Villeneuve / Int.: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Tzi Ma, Michael Stuhlbarg

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 13:55
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Com a verdade me enganas!

 

Promete dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade?” Prometo … e prometo afirmar que os papeis de advogados para o inexpressivos Keanu Reeves assenta-lhe que nem uma luva. Prometo ser sincero que ao declarar que nesta réplica ao sucesso de Devil's Advocate, Reeves é um rei, mesmo que o filme que lhe sirva de trono é um thriller padronizado de Courtney Hunt, a mesma realizadora de Frozen River. Confesso ainda que The Whole Truth não é, nada mais, nada menos, que o título que fugiu do circuito home video (ou VOD, adequando-se aos novos tempos). Um filme que recupera alguns “mortos vivos” de Hollywood, entre quais um Jim Belushi que evita o foro cómico como o “diabo foge da cruz”, e uma irreconhecível Renée Zellweger, que tirando o seu “não estava a espera disso” êxito de Bridget Jones, parece não ter lugar no cinema actual.

 

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Mais alguma coisa a declarar neste tribunal?” Posso dizer que o filme não merece este esforço conjuntivo de ser falado. Todo o enredo oscila entre a vulgaridade, até ao involuntariamente cómico, passando por um plot twist que nos envergonha com tamanha incapacidade. Mas devo acrescentar que perante uma indústria que nos conduz a filmes exageradamente pretensiosos, politicamente perversos, um leque imenso de super-heróis e adaptações de tudo e ao mesmo tempo de nada, biopics a cobiçar prémios sazonais ou ainda comédias com Melissa McCarthy, The Whole Truth convence-nos pela sua humildade. Aquela honestidade de não querer ser mais do que realmente é, nem de se convencer com grandes aptidões enquanto não os tens, e mais, aguentar-se “à bomboca” perante o enredo ridículo que ostenta.

 

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Então, considera o nosso réu inocente?” O que tentei dizer é tendo em conta o nosso panorama industrial cinematográfico, The Whole Truth é tão inofensivo que o torna inocente. Sim, isso mesmo, inocente. “Meritíssimo, não tenho mais nenhumas perguntas para a nossa testemunha?””Muito bem, testemunha dispensada.”

 

Real.: Courtney Hunt / Int.: Keanu Reeves, Renée Zellweger, Gugu Mbatha-Raw, Jim Belushi

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:56
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8.11.16

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A célebre comédia de terror,  An American Werewolf in London (Um Lobisomem Americano em Londres), irá ter uma nova versão, novidade nenhuma para os tempos que decorrem. Porém, foi anunciado que o filme de John Landis será escrito e realizado pelo próprio filho do realizador, Max Landis. A nótícia foi avançada primeiramente pela Deadline. Vale a pena relembrar que Max esteve por detrás do argumento do filme original ao lado do seu pai.

 

Para além da colaboração com o progenitor, Max Landis teve como primeira longa-metragem dirigida Me Him Her, uma comédia romântica pouco elogiada. Na sua carreira conta-se ainda os trabalhos escritos em filmes como Chronicle, Mr. Right, American Ultra e Victor Frankenstein.

 

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Um Lobisomem Americano em Londres remete-nos à trágica aventura de dois turistas norte-americanos que durante uma viagem pela Grã-Bretanha, sã atacados por um lobisomem. Datado de 1981, o filme ficou conhecido sobretudo pelas sequências de efeitos visuais, em particular a transformação de uma das personagens para a criatura fantástica. Venceu o Óscar de Melhor Caracterização.

 

Contou com uma sequela em 1997, deslocando a acção de Londres para Paris e com Tom Everett Scott e Julie Delpy. O filme foi muito mal recebido.

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:31
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6.11.16

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Perfeito, perfeito … era inovação!

 

Vamos por partes, a esta altura do campeonato, cruzar ficção com documentário, o docudrama que os portugueses tão bem sabem fazer, já não possui ciência nenhuma, muito menos quando os objectivos de um filme como este El Futuro Perfecto não sejam sobretudo claros.

 

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Dirigido por Nele Wohlatz, alemã radicada na Argentina, este é um filme onde a evidente intenção é apresentar a condição do imigrante e demonstrar que mesmo em perseguição de um “better place”, sonham e aspiram por um "futuro perfeito". A língua é também um importante vinculo identitário e até certa altura El Futuro Perfecto aposta nas palavras soltas, ensinadas sob a intenção de sobrevivência e sem um mínimo despejo emocional. Mas também é sob esse tratamento frio e encoberto que nos descortina uma mensagem perigosa e por vezes nacionalista, será que este grupo de personagens que cede à cultura de fora é característica de tamanha inexpressividade, será que uma língua oposta aquela que nós dialogamos as tornam em relativos "humanóides robóticos".

 

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Emoção, é decerto, aquilo que a obra de Wohlatz não ostenta, e como prova dessa falta de interacção humana, empatia é algo que nos falha enquanto espectador. Mas enfim, o que dizer do resto deste exercício de hibridez documental? El Futuro Perfecto esgota a sua virtude experimental em minutos, depois do "I get it", tudo é recorrido para crise identitária por parte da personagem principal, a jovem chinesa Xiaobin, que auto-intitula-se de Beatriz e até certa altura de Sabrina. A rapariga, que entra em restaurantes para poder ler o respectivo menu, em busca de uma ligação carnal com as palavras em dialecto latino, vive um romance imaginário que a coloca no trilho da sua escapatória emocional.

 

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Essa dita relação é vazia e penosa de assistir, a culpa é diversa, ou os actores (não-actores) não possuem a aptidão de ultrapassar as palavras, ou a realizadora não procurava qualquer foro emocional para não cair no erro de ceder ao telenovelesco. Conforme tenha sido a decisão, este é o romance (se poderemos chamar assim), mais "gelado" dos últimos anos. El Futuro Perfecto fica-se pelo exercício, mas uma experiência vista e revista vezes sem conta. Esperemos que o futuro de Nele Wohlatz soe melhor que isto.

 

Filme visualizado no 10ª Lisbon & Estoril Film Festival

 

Real.: Nele Wohlatz / Int.: Xiaobin Zhang, Saroj Kumar Malik, Mian Jiang

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 19:08
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5.11.16

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Considerado por muitos, uma das mulheres mais belas do Cinema, Monica Bellucci é uma das presenças de honra deste 10ª Lisbon & Estoril Film Festival. Na sua passagem pelo mediático festival lisboeta, a actriz foi convidada a escolher um filme para apresentar nesta programação, a sua decisão caiu em Málena, o filme de Giuseppe Tornatore o qual interpretava uma mulher que desperta sexualmente um jovem. A representação da musa feminina que leva “bambinos” à fase adulta, é para Bellucci um dos papeis cruciais da sua carreira.

 

Málena foi “importante para o meu processo de trabalho como actriz”, argumenta Bellucci perante a questão da escolha deste filme, “Impulsionou a minha carreira internacional. Enquanto atores, procuramos sempre algo, mas nunca sabemos ao certo o que procuramos. Hoje vejo melhor o que estava a procurar e penso que tenha encontrado na minha experiência em Málena. Existiu aqui algo no meu processo de trabalho.

 

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Julgo o que procurava e que acabei por encontrar neste filme foi o poder da feminidade e isso sempre reflectiu na escolha dos meus papeis, pretendia personagens com feminidade, frágeis e igualmente fortes.” Ainda sobre Málena, Bellucci situou o filme e o entusiasmo geral suscitado na altura da sua estreia [no ano 2000] com a indústria cinematográfica italiana, “Sempre tivemos nomes importantes no nossa cinematografia: Sicca, Vischonti, Fellini, mas depois isso perdeu-se, e nesse período interessou-me trabalhar com realizadores de outras nacionalidades, desde a americanos, franceses e até sérvios (risos). Málena, por outro lado, demonstrou que o cinema italiano ainda pode ter visualização global na actualidade”. 

 

Mas Málena não será o único filme presente no Festival com a participação da actriz, em estreia nacional vamos ser presenteados com On the Milky Road, a sua colaboração com o sérvio realizador Emir Kusturica, também em retrospectiva neste evento. Bellucci afirmou que o seu processo de trabalho no filme de Tornatore tem “uma continuidade com On a Milky Road”.

 

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No filme de Kusturica, a actriz é novamente uma atracção amorosa, mas desta vez para um leiteiro interpretado pelo próprio realizador. “Fiquei maravilhada com o seu talento. Emir Kusturica é um talentoso artista, é realizador, músico, compositor, actor, é um poeta interior, mesmo com a sua aparência algo rude.”Em relação à linguagem, visto que Bellucci fala sérvio em On a Milky Road, a actriz referiu o apoio que teve durante a rodagem, salientado que inicialmente tinha medo de apostar numa língua tão desconhecida para si. “Foi difícil de inicio. Não sabia o que fazer.

 

A actriz, com a sua invejável beleza aos 52 anos, falou com os jornalistas sobre a relevância da beleza nas actrizes, e visto que essa opressão estética esteja a mudar na indústria, “As novas formas de amar uma mulher e actriz. Devemos passar da beleza exterior para a beleza interior.” Sobre o seu confronto com um eventual envelhecimento, Bellucci referiu que “muitas actrizes são belas, mas há que aceitar que a beleza jovial facilmente desaparece e quando isso acontecer temos que aceitar um outro tipo de beleza. A beleza muda e o envelhecimento é por si, belo, e as interpretações vem da alma e não da aparência.

 

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Como não podia deixar de ser, as questões sobre Portugal e a sua adaptação à capital lisboeta. “A primeira vez que estive em Portugal foi há 14 anos, e automaticamente fiquei apaixonada pelo país, sobretudo pela cidade de Lisboa. Quando fui convidada a fazer um anúncio aqui, mentalizei-me do seguinte, ‘um dia vou comprar uma casa aqui’, e assim foi.” Quanto ao cinema português, revela que “estou na fase de descobrir, mas obviamente, que um dia, se tiver oportunidade, irei integrar um filme português.

 

Monica Bellucci irá fazer parte do elenco da série Mozart in a Jungle, ao lado de Gael Garcia Bernal, sobre o papel da televisão nos dias de hoje, a actriz reconhece o crescimento e a diversidade da aposta, “actualmente, como actriz posso interpretar grandes papeis na televisão, e mesmo assim não ter barreiras para o cinema”. Mas em contradição, diz que a televisão tem limitações e que nunca tirará lugar à Sétima Arte, “acredito que no Cinema, as imagens sobrepõem às palavras. As imagens falam por si.”

 

Mas existe algo certo no futuro de Monica Bellucci, é que a nossa diva do Cinema nunca apostará na realização, palavras suas. “Neste momento tenho um projecto onde serei actriz e produtora, nunca chegarei a realizadora, é uma área que sinceramente não tenho qualificações, nem interesse.”.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:30
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Os sonhadores do Desterro!

 

El Destierro é a prova de que Arturo Ruiz Serrano precisava, passando das curtas elogiadas em inúmeros festivais para a sua primeira longa-metragem. O Desterro desta história leva-nos aos anais da Guerra Civil Espanhola para espelhar fantasias de poligamia sob certos contornos feministas. Um posto de vigia numa remota região (o filme foi filmado nas ilhas Baleares), onde dois sentinelas, que divergem ideologicamente um do outro, encontram uma misteriosa mulher polaca. Sem saber o que fazer com ela, os dois homens acabam por aceitar os termos propostos por esta “femme”, que para sobreviver ao rigoroso Inverno tomará o lugar de esposa para estes “solitários” militares. 

 

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El Destierro é meticuloso no seu minimalismo argumentativo, colocando diversas vezes o espectador à deriva de uma intriga com poucas respostas e background definidos pelas personagens. É uma posição ingrata, mas necessária, a audiência nunca sabe mais que estes "peões" dum prolongado jogo de sedução. Contudo, existe na obra de Arturo Ruiz Serrano uma certa urgência para resolver assuntos pendentes quando ao feminismo representado no grande ecrã, a mulher, interpretada por Monika Kowalska, é um subliminar panfleto dessas ideologias crescentes, salientando diversas vezes um papel faz-de-conta que é o de dona de casa para incutir reservadamente a posição da Mulher na sociedade actual. Infelizmente, este seu discurso termina como um incrédulo amontoado de palavras que traem a personagem num ápice, até porque este enredo, que segue sobre uma simplicidade exemplar, erra em permitir tais ideologias proclamadas enquanto a personagem metamorfoseia em algo mais rudimentar.

 

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Apesar dos deslizes, El Destierro tende em aguentar-se graças a um forte alicerce que consiste nos desempenhos (nomeadamente Juan Carles Suau) e numa belíssima fotografia (autoria de Nicolás Pinzón Sarmiento) que capta a indomável terra árida que serve de cenário. Arturo Ruiz Serrano não desaponta nesta sua estreia no formato de longas, mas faltava-lhe sobretudo mais sangue na guelra para sair da lógico do exercício cinematográfico. Enfim, vê-se com interesse.

 

Filme visualizado no âmbito do Evolution! Mallorca Internacional Film Festival 2016

 

Real.: Arturo Ruiz Serrano / Int.: Eric Francés, Juan Carles Suau, Monika Kowalska, Chani Martín

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 14:03
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Conhecido como a estrela da série sensação Mr. Robot, Rami Malek foi o escolhido para interpretar Freddy Mercury na biopic a ser preparada pela Fox em conjunto com a New Regency.

 

Intitulado de “Bohemia Rhapsody”, esta cinebiografia do músico, compositor e vocalista da banda rock britânica Queen, será dirigida por Bryan Singer (X-Men). O anúncio foi feito pelo próprio através de uma foto no Instagram, assim como o ator Rami Malek. Anthony McCarten, argumentista de The Theory of Everything, está por detrás do guião.

 

Recordamos que Sacha Baron Cohen esteve prestes a encarnar Mercury numa produção biográfica da Sony, porém, desistiu em 2013, por divergências artísticas com um dos membros da banda Queen. Tom Hooper e David Fincher foram falados para o dirigir.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:24
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4.11.16

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Ciarán Hinds, conhecido pelo seu papel na série A Guerra dos Tronos, será o grande antagonista do próximo League Justice (A Liga da Justiça), o novo tomo do Universo Cinematográfico da DC pela Warner Bros.

 

O actor vai encarnar Steppenwolf, um dos lacaios do megalómano Darkseid, aquele que é considerado o grande vilão deste franchise. A personagem de Hinds teve um primeiro vislumbre numa das cenas inéditas da edição estendida de Batman V Superman: Dawn of Justice.

 

O filme da A Liga da Justiça chegará aos cinemas em Novembro de 2017. Dirigido por Zack Snyder, esta "liga" contará com Ben Affleck como Batman, Gal Gadot como Wonder Woman, Henry Cavill como Superman, Jason Momoa como Aquaman, Ezra Miller como Flash e Ray Fisher como Cyborgue.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:43
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10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
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