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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Livre, só de nome!

Hugo Gomes, 30.06.16

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If we are all God's children, then no one can be owned."

Um pedaço de História dos EUA torna-se nas mãos de Gary Ross, o responsável pela adaptação do primeiro livro de “The Hunger Games”, num baço filme pedagógico. Ao que parece os tempos de John Ford já lá vão, o que se pretende não é revisitar a Guerra Civil norte-americana, o cenário bélico responsável pela formação do país que é hoje tido, mas sim apurar as causas para as irresponsabilidades sociais atuais. Obviamente, sem querer cair em correctas "politiquices", mesmo que os dias que decorrem motivam-nos a vergar por este ramo, “Free States of Jones” é um projecto desfragmentado, calculado para ofender o mínimo de faixas (quer etárias, raciais, religiosas e étnicas) possíveis.

A fórmula é simples - apoiar-se nos factos verídicos e exorcizarem-se nele uma espécie de catarse política. Até aqui tudo muito bem, o problema é que Ross não consegue decidir qual o melhor veículo para a difusão da sua mensagem (neste caso mensagens). O resultado é uma "trapalhice" narrativa; ora segue (sem aviso prévio) o corte temporal para a oferenda de subenredos despropositados, ora recorre às legendas para situar o espectador no tempo o qual é incapaz de transmitir, ou "tapa os seus buracos narrativos" com breves exposições de fotografias reais, como se tais mudos testemunhos invocassem forças necessárias a toda esta fachada. A história real por detrás deste “Free State of Jones” poderá ser cativante, nisso não poderemos negar, uma insurreição dentro de uma insurreição é pólvora ardente para um cinema de forte componente política, mas a maneira como se dispõe estes factos é de uma automatização alarmante, uma mecânica "mastigada" que nos finaliza com um terceiro acto isento de qualquer clímax ou de trabalhado conflito.

Pouco mais existe para dizer neste pseudo-bélico sem amor-próprio pelas personagens e sem compaixão alguma pelo esforço cometido por Matthew McConaughey no papel do "justo" Newton Knight, um dos herois esquecidos de um país que atualmente prefere venerar snipers [*cof *cof American Sniper”] e empresários na corrida presidencial [*cof *cof Donald Trump]. Ao que tudo indica, nem as produtoras tiveram fé nesta "causa", a resposta disso foi um filme deste género e com tamanho potencial ter sido lançado "à mercê da sua sorte" por entre os blockbusters de Verão. Lastimável!

No bailado dos opostos ...

Hugo Gomes, 29.06.16

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Depois de ter partilhado a sua dor através de um tributo íntimo à sua falecida irmã, Petra Costa decide explorar as crises existenciais de uma atriz promissora - Oliva - cuja vida se altera drasticamente após a descoberta da sua gravidez.

Tal como a sua primeira longa-metragem, “Elena”, Costa regressa ao estilo inconformado do documentário, numa reinvenção com pé assente na ficção e outro no limiar da realidade e da manipulação cinematográfica. Poderíamos salientar que em “Olmo e a Gaivota” somos remetidos à estranheza, à bizarria da forma narrativa e através disso a uma viagem direta para  sentido vital da sua protagonista / vítima. Enquanto que em “Elena” o espectador sentia incómodo por penetrar em territórios tão pessoais da autora, nesta nova longa-metragem (em colaboração com Lea Glob) temos a tendência de julgá-la pela persistência de entranhar na vida, ainda a ser “escrita”, da sua atriz, mesmo que esta demonstre por várias ocasiões as fronteiras impenetráveis e proibidas do seu ser.

Um exercício narrativo que tem sido várias vezes comparado com os triunfos literários atingidos por Virginia Woolf (“Mrs. Dalloway”). A obra assenta num diversificado registo tão distinto da autora, que se comporta como uma entidade divina no preciso momento em que chega a transformar a sua própria realidade, como se esta fosse barro maleável pronto para uma exibição. É uma peça de arte, se assim acreditarmos, que reúne a performance artística em conjugação com uma veia teatral forte (a protagonista é uma atriz de teatro em plena encenação de “A Gaivota”, de Anton Tchekhov, logo é evidente essa matriz) com a complexidade literária; a experimentação dos pensamentos da sua “heroína” como conduta narrativa a reter. Aliás, ela é o leme, enquanto as realizadoras adquirem um papel de almirantes em alto-mar.

Os medos da maternidade, a cedência às trivialidades do quotidiano e os sonhos desfeitos em prol do ciclo que a vida suscita, são pontos de reflexão que Oliva contrai, sujeita às intervenções das suas respectivas “patroas”, agora ditadoras do seu dia-a-dia. Uma luta assinalada como se uma gaivota resistisse à tempestade. Olivia é essa gaivota (alusão ao filme), contando com Serge, o seu “olmo”, a árvore medicinal que contrabalança a sua alma enclausurada.

Uma história de amor atormentada, mas rica em momentos românticos que salientam o seu “quê” de realidade, e tal é testemunhado logo nos primeiros minutos, onde Serge recita com tanta afeição Mi Sono Innamorato di Te (Luigi Tenco). Ocasionalmente belo e narrativamente utópico, “Olmo e a Gaivota” é uma peça-mestre na maleabilidade narrativa, e mostra como Petra Costa poderá tornar-se mais que somente uma promessa: uma poeta visual. Apesar de tudo, e infelizmente, não é o turbilhão de emoções que “Elena” fora, essa ainda (um pouco) desconhecida pérola do género documental.

Novamente à "batatada" pelo Planeta

Hugo Gomes, 23.06.16

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Passemos então para a desforra! Foi um dos maiores êxitos dos anos 90 e uma sequela disto já soava uma miragem, mas é então que surge entre nós aquele que poderá ser o grande regresso de Roland Emmerich aos blockbusters de Verão, isto depois de ter falhado com abordagens mais pessoais em “Stonewall” e “Anonymous”, e no ataque à Casa Branca com Channing Tatum (o público preferiu o muy bronco “Olympus has Fallen”). Estamos obviamente a falar de “Independence Day" (“O Dia da Independência”), título inesperadamente patriótico para a obra de um realizador alemão, mas como os yankees tem por hábito pronunciar – “cheesy” – o suficiente para entreter nas horas vagas. 

Contudo, o trabalho do crítico não é o de aconselhar quais filmes a ver ou a não ver, nem sequer avaliá-los consoante o grau de entretenimento, nesse sentido a palavra divertido é relativo, mas sim lançar o debate e idealizar o filme em questão. Sob esse signo poderemos dizer que o segundo “Dia da Independência” é uma “trapalhice” pegada, que mesmo assim conserva o de lúdico e ingénuo tem este tipo de blockbusters (longe dos tempos da seriedade hoje envolvida nas produções “kind of likeChristopher Nolan). Agora insinuar que é um bom filme desde que se “desligue o cérebro”, é nada mais que uma desculpa esfarrapada de quase querer “vender a mãe”, mas isso são outras guerras, passemos então à guerra transposta pelo filme.

Como sabem, 20 anos se passaram desde a destruidora “visita” dos alienígena na Terra (sim, a sequência da Casa Branca reduzida a cinzas pode muito bem considerado um déjà vu), sendo que o Mundo é agora um espaço simbiótico, onde todos os povos dos quatros cantos do Globo vivem numa total utopia harmónica (ora quanta inocência!). A tecnologia deu um valente “pulo”, como tal, foram concebido postos de vigia intergalácticos (vá os extraterrestres “visitar” novamente o planeta), armas laser (inspiradas no armamento alienígena) e Jeff Goldblum novamente como o cientista que ninguém quer acreditar mas que deveriam apesar de tudo. 

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E pronto, dá-se o segundo round desta invasão que já persegue o Cinema quando este dava os primeiros passos, as criaturas “from outer space” chegam à Terra com promessas de destruição elevado a dez e Roland Emmerich ostenta novamente os seus apetites apocalípticos, e para sermos sinceros, não existe pessoa indicada para destruir a Terra que ele. Contudo, todo este espetáculo é deveras corriqueiro, previsível e extremamente anorético no que requer a construir personagens, conflitos e relações, aliás o primeiro ponto é dividido entre “retornados” e estereótipos, nada mais que isso. É tudo um jogo de referências, réplicas e “brincadeiras” de CGI sob uma conduta implacável de apresentar muito em tão pouco. 

Mas o pior é mesmo a saturação dos efeitos visuais, neste momento a destruição tecnológica apresentada em “Independence Day: Resurgence” leva-nos a temer o pior – como espetador, este tipo de truques são cada vez mais difíceis de surpreender – um mau sinal tendo em conta que as primeiras imagem de uma nave alienígena a reduzir a Casa Branca a “cacos” em 1996 causou uma tamanha euforia no público. A culpa, talvez, não seja da produção de Emmerich, mas do facilitismo (e o lufa-lufa) como também da preguiça em reduzir-se todo a meras imagens CGI que as produções deste género têm cedido. Agora como anexo a este problema exaustivo, basta verificar a quantidade de produções que apresentam imagens de destruição de qualquer tipo de cenário (não andará uma pessoa farta!). 

Eis o enésimo atentado à Terra por Emmerich, que apenas ganha com a sua valente ironia autorreferencial (por pouco não destruiu novamente a tão famosa habitação presidencial), e o facto de ser um blockbuster que tem a perfeita noção daquilo que é, e não mais um “bigger than life” que a Marvel e companhia parece submeter-mos. Para terminar fica a frase do ano, proclamada pelo nosso velho Goldblum, que refere aos ditos E.Ts: “Eles adoram monumentos”.

Pixar com memória de peixe

Hugo Gomes, 22.06.16

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Atenção à navegação, “Inside Out” foi só faísca, a originalidade já não mora na Pixar e a prova está nesta sequela / spin-off de um dos maiores êxitos do estúdio. Muitos são aqueles que emocionaram com Nemo, o pequeno peixe-palhaço que perdeu-se do seu progenitor e cujo reencontro tornou-se no leitmotiv de uma demanda pelo fundo marinho, mas mais foram os que realmente “derreteram” com Dory, o cirurgião azul com problemas de memória que funcionou numa das mais divertidas personagens secundárias do reino da animação.

Acompanhado pela voz da mundialmente conhecida apresentadora Ellen DeGeneres, Dory tornou-se numa trademark a não perder de vista, que facilmente poderia ser rentabilizado numa nova aventura animada com um leve sabor estival. Em “Finding Dory” seguimos a mesma fórmula de “Finding Nemo”, ou seja, um início que nos leva ao passado trágico da personagem e uma procura pelos entes queridos que resulta em mais uma interminável viagem pelos cantos e recantos do Oceano.

Mas como não poderia faltar, visto que a fórmula tem que ser repetida, o Homem está presente como uma manifestação antagónica, uma mensagem ecológica com evidentes inspirações do polémico documentário de 2013 – “Black Fish” (de Gabriela Cowperthwaite) – o qual adverte ao espectador o perigo do cativeiro para algumas espécies marinhas e a hipocrisia das ditas instituições marinhas (com alusão à Sea World) que proclamam reabilitar os seus provisórios “habitantes”.

Claro que toda esta temática é uma “faca de dois gumes” que nunca é, de maneira alguma, debatida numa animação provida de claros fins morais. Novamente a família como o vetor de toda a demanda e a ingenuidade de uma educação ecológica de igual adjetivo. Obviamente que todo este teor é servido por um grafismo de “arrasar”, nunca a água teve de forma tão realista representada numa animação CGI, e um humor ligeiro anexado a algumas personagens construídas de forma inteligente. E sim, como não poderia faltar de enumerar, a aparição do primeiro casal homossexual numa produção animada da Disney, nem que seja por instantes, o que não deixa de ser uma pequena proeza.

Porém, não deixa ser desconcertante um filme, mesmo tendo como objetivo o público mais infantil e as famílias, apostar numa credibilidade, quer visual, quer comportamental, quer no argumento e no fim possuir uma ou outra “gafe” que nos faz pensar se os envolvidos pesquisaram alguma “coisa” sobre a condição de um peixe. Por fim, fica o conselho, não deixe as vossas crianças sozinhas perto de um aquário depois de assistirem a este filme, porventura poderão fazer o que acharem mais “correto”.

Demasiado cedo ...

Hugo Gomes, 20.06.16

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Only Lovers Left Alive (Jim Jarmusch, 2014)

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The Beaver (Jodie Foster, 2012)

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Burying the Ex (Joe Dante, 2014)

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Hearts in Atlantis (Scott Hicks, 2001)

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Terminator Salvation (McG, 2009)

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Charlie Bartlett (Jon Poll, 2007)

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Green Room (Jeremy Saulnier, 2015)

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Star Trek (J.J. Abrams, 2009)

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Fright Night (Craig Gillespie, 2011)

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Alpha Dog (Nick Cassavetes, 2006)

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House of D (David Duchovny, 2004)

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Porto (Gabe Klinger, 2016)

 

Anton Yelchin (1989 - 2016)

"É esta a tua carta?"

Hugo Gomes, 15.06.16

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Juntamente com o recente “Alice Through the Looking Glass", este “Now You See Me 2” é já um dos fortes candidatos ao título de “sequela não pedida de 2016”, um filme cujo título português (“Mestres da Ilusão”) adequa-se perfeitamente à sua natureza.

Mais do que um filme, este é um verdadeiro truque de ilusionismo, que procura convencer o espectador de que todo este espetáculo é no mínimo saudável para a massa cinzenta de cada um. Contudo, a verdade está longe de ser mágica – tudo se resume a um argumento reciclável que utiliza como desculpa “o ilusionismo” para explicar o inverosímil. A prequela podia seguir os mesmos erros, mas no caso da sequela, o registo é insuportavelmente longo, atrapalhado com o excesso de informação e precocemente reprimido em consequências de “milésimos” falsos twists, engodos lançados para a audiência como se de burlas se tratassem.

Nem mesmo a ironia o filme consegue suportar. Aliás, temos aqui um enredo sobre mágicos e ilusionistas com Daniel “Harry Potter” Radcliffe como o vilão em cena, o “ateu” nesta ordem apocalíptica de coelhos e cartolas, infelizmente uma piada digna de “stand up comedy” desvanecida por um tom hiperativo e exaustivamente industrial. Continuando com o fracasso de todo o tamanho, “Mestres da Ilusão 2” ostenta um visual de brilhantismo que afoga qualquer indício provocado de “filme de golpe”, e quanto toca a explicações de planos intermináveis, o “cenário” torna-se ainda mais desesperado por atenção (verifica-se na entediante e demasiado longa sequência no laboratório).

Por fim, o elenco poderia ajudar a tornar esta experiência mais capaz na sua entrega mais cinematográfica e menos “videoclippeira“, mas a esta altura do texto o leitor já deve ter percebido que são mais um … fracasso. Um Jesse Eisenberg nos seus piores dias, um Woody Harrelson mais preocupado com o cheque (provavelmente a dobrar neste produto), um Dave Franco sem expressão e uma Lizzy Caplan como pneu suplente em modo “Kat Dennings wanna be“, não são certamente os anfitriões que queremos no nosso serão.

Poltergeists, possessões ... e uma freira

Hugo Gomes, 13.06.16

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Por estas alturas, James Wan goza de um implacável estatuto! Deu nas vistas em 2004 com o exercício de serial killers que originou um dos mais rentáveis franchises do género do terror, “Saw”, até chegar a todo um conjunto de obras de baixo-orçamento que garantiram sucessos instantâneos (sem falar da sua contribuição no cinema blockbuster como em “Furious 7” e “Aquaman”, este último ainda a ser preparado). O realizador malaio é atualmente um dos braços fortes desse “império” low cost do produtor Jason Blum (cada vez mais visto como um Roger Corman da nova geração), mas é inegável o toque que atribui a este conjunto de “produtos“, transformando ideias recicladas em matéria (pseudo)refrescante para ávidos apreciadores do cinema de terror.

Esta sequela do seu maior êxito de bilheteira, “The Conjuring” (com o orçamento de 20 milhões de dólares, rendeu mais de 300 milhões em todo o Mundo), é a prova viva desse veio “artístico” que Wan injeta (a sua ausência, por sua vez, foi catastrófica no terceiro capítulo de "Insidious") em terreno extremamente maleável. Infelizmente, o realizador preferiu-se vincar no seu guia “old school“, apresentando ao espectador os mais velhinhos truques do livro, uns com resultados satisfatórios e outros … nem por isso. 

Arrancando com uma ida e volta à célebre mansão de Amityville (o caso de investigação mais famoso do casal Warren), “The Conjuring 2” avança como uma auto-referência do cinema de Wan, neste caso Insidious é estampado no início deste “take“. Aí desenvolve os primeiros jump scares, com direito a monstruosos fantasmas e ameaças proclamadas que iremos seguir mais tarde (basta verificar a fórmula do primeiro filme para apercebemos como a “coisa” irá desenrolar). Depois desse início acelerado, com os Warrens (interpretados novamente por Vera Farmiga e Patrick Wilson) a serem puxados para segundo plano, seguimos para Inglaterra onde uma família é assombrada por um poltergeist “traquinas”. 

Trata-se do caso Enfield, o mais documentada da História da sobrenaturalidade, que acabou por revelar-se numa farsa. Porém, “The Conjuring 2” o visualiza como um caso de crença, onde o espectador mais informado sobre o sucedido terá que “fingir” que tudo não passa de uma possessão demoníaca de “colossal” tamanho. Tal como foram acusados o verdadeiro casal Warren, igualmente Wan traz um exagero a toda esta “assombração“, como tal basta comparar a entrevista televisiva da BBC feita a uma das crianças perturbada por estes fenómenos paranormais e a encenação fictícia neste filme. 

Obviamente que todo aquele argumento de que “isto não é mais que um filme” é uma cartada neste embate entre ficção e factos reais, porém, esse dito exagero cinematográfico que Wan traz a Enfield Poltergeist é rodeado pelos maiores clichés do género; as luzes descontroladas, as ameaças vindas de uma outra dimensão (temos uma freira demoníaca que é uma fábrica de pesadelos), os reflexos, a manipulação da sonoplastia, as crianças demoníacas e os artefactos infantis que de alguma forma servem de “ponte” entre vivos e os supostos mortos. Mas não é por isso que a viagem faz-se de maneira menos agradável, o que acaba por “desgraçar” toda esta pintura é um último ato, vulgarizado e estupidificado por um twist forçado, que de maneira alguma tem significado no percurso percorrido até então. De certa forma, este “The Conjuring 2” está mais próximo ao anterior “Poltergeist”, de Tobe Hooper, o qual ambos apostam num clímax mirabolante e demasiado vistoso para a sua condição de filme de “assombração”. 

Provavelmente, James Wan ainda estava a pensar no seu “Velocidade Furiosa”, esquecendo de desacelerar a narrativa deste exercício de terror de estúdio. Confirma-se, bastante inferior ao seu antecessor.

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