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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Falando com Lea Glob e Petra Costa, realizadoras de Olmo e a Gaivota

Hugo Gomes, 30.04.16

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Por entre a realidade filmada em jeito documental e a encenação não como um dispositivo fictício, mas antes uma ferramenta para compreender esse mesmo veio de veracidade, Olmo e a Gaivota [ler crítica] é um dos filmes mais fascinantes a chegar aos nossos cinemas este ano. As autoras desta obra, a brasileira Petra Costa e a dinamarquesa Lea Glob, falaram com o Cinematograficamente Falando … sobre esta colaboração não voluntária que resultou numa catarse sobre o cinema propriamente dito, sem limitações a géneros nem estilos. No seio de Olmo e a Gaivota esconde-se ainda temáticas a merecer da nossa consideração, algumas delas fazendo parte da luta de Petra, os direitos das mulheres e a soberania destas pelo seu próprio corpo.

                                                     

 

Começo com a pergunta mais básica, como surgiu este projecto?

 

Petra Costa: Este projecto surgiu através do Dox Lab, num festival da Dinamarca. Todo os anos são convidados dez realizadores não-europeus para co-dirigir com dez europeus. Eu fui convidada para trabalhar com a Lea, tinha até um certo interesse no cinema dinamarquês e queria conhecer um pouco mais sobre ele. Tínhamos uma semana para decidir que tipo de filme iríamos conceber, mesmo antes de conhecer-nos pessoalmente. Vim com dez ideias que tinha guardado desde então, uma delas era a documentação de um dia na vida de uma mulher onde nada acontece, mas que tudo acontece na sua cabeça. Entretanto, a Lea sugeriu: "e que tal pegasse-mos numa mulher real". Ela estava mais interessada em fazer documentário e no meu caso, ficção. Ela queria ir para a Amazónia e eu para Dinamarca.

 

"Sim, vamos pegar numa mulher real, mas se for actriz, pegaríamos na vida real dela, e eu conheço uma actriz". A actriz que falava era Olivia Corsini, que estava no momento a fazer uma turneê no Brasil através da companhia teatral francesa Theatre du Soleil e que tinha visto o meu primeiro filme [Elena]. Ela havia sugerido fazer um filme comigo, então falei-lhe da ideia. A Lea gostou. Fizemos uma reunião através do Skype com Olivia que demonstrou automaticamente interesse. Todavia, ela disse "estou grávida", e foi aí que decidimos alargar um dia para nove meses.

 

Lea Glob: Foi um convite através do CPH:Dox, a escolha seguiu do comité do festival, por isso não tivemos decisão nenhuma com a formação deste par. Enquanto isso, eu tinha visto Elena, e encontrei similaridades com a minha curta [Mødet med min far Kasper Højhat], ambos falavam de histórias pessoais que tinham como temática o suicídio. Esse era o primeiro filme da Petra, e no meu caso, tinha acabado de formar na Escola Nacional de Cinema da Dinamarca, eu sou europeia, ela não, por isso julgo que quem decidiu esta dupla encontrou uma espécie de ligação, algo em comum.

 

 

O facto de trabalhar com uma actriz, seria a melhor forma de trabalhar ambos os lados, o lado ficcional e o lado verídico, neste caso documental?

 

 

LG: Absolutamente, tal era essencial. Aliás ela era bastante dada a trabalhar desta maneira, isso nota-se ao longo do filme. Ao trabalhar com actores assim tornaríamos realizadores mais livres e chegaríamos facilmente à intensidade do material.

 

PC: Na grande maioria dos documentários, uma das grandes questões é ter acesso ao personagem e a questão dos limites, se está ou não a invadir a vida daquela pessoa, ou se está usando ela num filme que supostamente poderá não ser tratada da forma como ela pretende. Mas a grande vantagem de trabalhar com um actor é que o desejo é recíproco, ela não quer contar uma história, ela quer ser usada, porque essa é a sua profissão, o seu desejo, a de estar ao serviço de uma história nem que para isso tenha que usar o corpo e a mente. Mas quando a história é na realidade a vida dela, o ângulo inverte mas continua no âmbito do desejo.

 

 

No caso de Petra, visto que já conta com duas longas-metragens, Elena e Olmo e a Gaivota, existe uma palavra que caracteriza esse seu cinema - intimidade. Enquanto que em Elena, o espectador sentia-se incomodado por invadir a sua intimidade, neste filme, estamos a invadir a intimidade de uma actriz, o qual em certas sequências Olivia pede mesmo para parar. Como sente em invadir a intimidade de outras pessoas?

 

PC: É um pouco mais que isso, porque é justamente nessas questões que estou a falar, quando é a sua própria intimidade vai da vontade, não existe um limite imposto. Mas essa tensão foi frutífera, é como estivéssemos constantemente a jogar aquele jogo de cordas onde cada um puxa para o seu lado. Nós tentamos chegar um pouco mais fundo na intimidade dela, e ela, com clareza, deixava, depois há um momento em que colocamos visivelmente as nossas interacções com ela. Nesse aspecto, tratou-se de revelar esse limite - as portas  - como as do banheiro que se fecham, neste caso conseguimos estar do lado dentro do banheiro (risos).

 

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Em Olmo e a Gaivota, o que é que poderemos considerar ficção e documentário?

 

LG: Não existe resposta para isso (risos), nem sei se consigo responder correctamente a isso. Julgo que é a mais bela parte do filme, porque incentiva os espectadores, mas não se trata de um jogo do que é falso ou real. Diria antes que é uma "onda" de interacção, sim diria antes isso, e como tal gosto do filme por causa disso, porque faz-me sentir que fizemos algo certo naquilo.

 

PC: Sim, essa é a questão que motiva o filme, que analisa todas as cenas, é como fizéssemos um filme hermafrodita, qual seria a parte masculina, qual seria a feminina. O filme é precisamente a tensão entre os dois géneros.

 

 

Quais as grandes influências para a condução deste filme?

 

LG: O teatro, assim como a peça de Anton Tcheknov, que foram bastantes importantes para o tom do filme.

 

PC: Primeiramente o teatro, Olivia integrava o Theatre du Soleil, por isso temos registos dos seus ensaios e encenações. Temos ainda influências do cinema francês, não da Nouvelle Vague, mas da facção Rive Gauche, como Chris Marker, Alain Resnais e Agnès Varda, que usualmente abordam as questões da identidade, da memória, mais do feminino. O livro de Virgina Woolf, Miss Dalloway, que foi para nós essencialmente um guia, visto que era para ser um dia na vida de uma mulher, mas que fez com que olhássemos para a vida de Olivia através da moldura desse livro.  

 

 

No final, Olmo e a Gaivota resultou num retrato de um romance. Uma romance entre dois actores, marido e mulher que teriam que lidar com o maior dos fardos. O filme captou esse amor na sua integral forma, relembro da sequência musical [Mi Sono Innamirato di Te], por exemplo. Tal factor [o romance] já estava prescrito na ideia ou foi uma oportunidade que surgiu durante o processo?

 

LG: Diria que foram os dois casos. Visto que temos uma história sobre gravidez e era normal termos um amor, uma relação amorosa, que poderíamos aprofundar. Bem, eu penso que sou a pessoa mais romântica da "equipa" (risos) o que fez também abordar esse tópico.

 

É bom sentir o amor, e existe bastante neste filme. Petra também mencionou que tal transmitia uma empatia entre os dois, não apenas como marido e mulher, mas também como actores, o que permitiu-nos segui-los, o qual tornaram uma relação gentil. Eles são gentis juntos, e isso foi bom. Quanto às canções, como também muitos outros gestos, surgiram através deles. Foram tudo ideias deles.

 

PC: Sim, penso que isso está muito presente na sua relação. Talvez tenhamos provocado mais o outro sentido, do que mostrar mais amor. O amor surgiu naturalmente, assim como demonstraram as "fracturas" desse relacionamento.

 

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Quanto a novos projectos? Regressarão como equipa ou separadamente?

 

LG: Bem, ambas temos novas ideias, mas serão em separado. Não temos ideia de regressar a esta colaboração, quer dizer, se Petra pedir estarei disponível, assim vice-versa. As portas estão abertas e continuarão assim. Neste momento, estou a preparar um filme sobre a sexualidade, a interpretação de mulheres através de memórias erradicadas, como elas procedem a esse encontro.

 

PC: Estou a trabalhar num filme ficcional que decorre nos anos 80, no Brasil, sob o ponto-de-vista de uma jovem rapariga, focando na maneira como ela interage com a diferença de classes e politicas. Também estou a trabalhar num documentário sobre a crise politica brasileira.

 

 

Para Petra, gostaria de falar sobre a sua campanha "O Meu Corpo, as Minhas Regras"?

 

PC: Sim. Surgiu quando o nosso filme ganhou o Prémio de Melhor Documentário no Festival do Rio. Fiz um discurso em que dedicava o prémio a todas as mulheres, para que nenhuma sofresse de machismo no Brasil, desde a presidenta até à doméstica, e que todas tivesse a soberania sobre o próprio corpo, seja para mergulhar numa gravidez como a nossa personagem, com todos os direitos para isso, ou fosse para interromper, como já é legal na França e EUA há mais de quarenta anos.

 

Nessa noite fui dormir feliz, até porque tinha ganho um prémio (risos) e feito um discurso. Na manhã seguinte, acordo com uma invasão de milhares de comentários muito agressivos na minha pagina de Facebook, "sua abortista, você deveria morrer, é pena que a tua mãe te teve, fecha a perna, sua vagabunda", um machismo que nunca tinha encontrado, pelo menos a este nível. O que demonstra um ódio crescente que o Brasil tem experimentando.

 

Então através disto fiz um vídeo, pelo qual já tinha vontade de fazer, que tratasse das questões do filme que não estão claramente abordadas nela, que é a falta de interpretação de mulheres no cinema, a questão do corpo e do próprio aborto. Tinha alguns actores que tinham visto o filme e que tinha gostado, e então sugeri a ideia, eles gostaram e prosseguimos com a iniciativa. A ideia era pegar no figurino de Olivia, mulheres e homens engravidando até para colocar na mente das pessoas o que aconteceria se o sexo masculino pudesse mesmo engravidar. No Brasil, muitos colocavam a hipótese se o homem engravidasse o aborto já teria sido legalizado há muitos séculos.

 

O vídeo surgiu disso, brincar com todas essas questões e ele viralizou, teve umas 14 milhões de visualizações e partilhas em diferentes páginas de Facebook. Acabou por virar uma "onda", que fora a primeira "onda" feminista de grande impacto no Brasil. O país teve um movimento feminista nos anos 60 e 70, mas foram bastante reprimidos. Ou seja, eles afirmaram menos do que desafirmaram, virou quase "xingamento", só em Novembro do ano passado é que ser feminista deixou de ser "xingamento" no Brasil.

 

Tudo também foi possível porque temos um forte antagonista que é Eduardo Cunha, presidente da Câmara, que é um dos políticos mais machistas que o Brasil presenciou, e também um dos corruptos, o qual vem retrocedendo diversas pautas que foram conquistados pelas mulheres.

 

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O que está a tentar dizer que o Brasil é no fundo um país conservador?

 

É um país contraditório, para muitos é a terra do samba, da mulher "pelada", do homem cordial, da igualdade racial, mas isso é falso de certa forma, essas contradições é como estivessem enterradas por ali. Somos um país que comemora a democracia, mas na realidade ela é uma fina camada de papel, que por baixo vai sendo corroída por ratos. Esses mesmos ratos, comeram, comeram, até que quebraram a coluna vertebral, e os ratos estão agora expostos, mas na verdade eles sempre estiveram ali. Talvez seja do facto do Brasil nunca ter tido uma Guerra Civil como os EUA ou uma grande luta pela independência. Nunca houve esse embate de ideais.

 

Hoje assistimos a um país sob uma Guerra Civil retardada, uma parte, esclavagista, machista, oligarca e conservadora contra uma outra porção que luta pelos direitos humanos.    

      

 

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Seth Grahame-Smith abandona realização de The Flash

Hugo Gomes, 30.04.16

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Segundo a The Hollywood Reporter, Seth Grahame-Smith abandonou a direcção de The Flash, o filme-solo do homónimo super-herói da DC Comics que se encontra agendado para 2018.

 

A fonte adianta que a saída do realizador derivou de "divergências artísticas" com o estúdio, Warner Bros., e a pressão exercida pelo mesmos nos seus filmes após os decepcionantes resultados de Batman V Superman: Dawn of Justice.

 

Depois das notícias da saída de Grahame-Smith ao universo DC, surgem rumores de que James Wan, ingressado na direcção de Aquaman, poderá também sair da produção devido às mesmas causas que o seu colega. As mesmas fontes adiantam que o estúdio não está a poupar esforços para negociar a sua estadia, mas segundo o realizador, o stress obtido nesta produção está a atingir proporções insustentáveis.

 

Quanto a Seth Grahame-Smith, conhecido como o escritor dos livros Orgulho e Preconceito e Zombies e Abraham Lincoln: O Caçador de Vampiros, ambos já originaram respectivas adaptações cinematográficas, está de momento encarregue escrita da sequela de Beetlejuice: Os Fantasmas Divertem.

 

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Vem aí uma nova versão de Dennis, O Pimentinha!

Hugo Gomes, 29.04.16

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Dennis, O Pimentinha (Dennis, The Menace), poderá contar com uma nova versão para os cinemas. A personagem de BD criada por Hank Ketcham em 1959 contou com uma adaptação cinematográfica em 1993, através de um filme de Nick Castle sob um argumento de John Hughes. Quanto à nova produção, de momento Stacey Menear (The Boy) encontra-se encarregue da escrita.

 

Recordamos que o filme de Dennis, O Pimentinha, seguia a história de um rapaz traquinas (Mason Gamble) que é um ávido "poço" de sarilhos para o seu vizinho, Wilson (Walter Mathau). A obra foi um sucesso de bilheteira.

 

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Agora sim, temos Tomb Raider!

Hugo Gomes, 28.04.16

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Segundo a Variety, a actriz sueca Alicia Vikander, a mais recente vencedora do Óscar por The Danish Girl, será a nova Lara Croft na adaptação cinematográfica do famoso jogo Tomb Raider que se encontra a ser preparada.

 

O argumentista Evan Daugherty (Snow White and the Hunstman) será o autor desta reinvenção, enquanto que o realizador Roar Uthaug, que esteve por detrás do filme-desastre norueguês, The Wave (a estrear em Portugal), "tomará as rédeas" do projecto. Neste novo filme será apresentado uma protagonista mais nova e provavelmente a viver a sua primeira aventura.

 

Recordamos que Tom Raider, criada pela Eidos em 1996, nos remete a uma arqueóloga, Lara Croft, astuta e atlética que vive aventuras idênticas ao de Indiana Jones (o qual foi sempre comparado). Gerou duas adaptações cinematográficas, ambas protagonizadas por Angelina Jolie, em 2001 e 2003.

 

 

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Sam Mendes irá presidir júri do Festival de Veneza!

Hugo Gomes, 28.04.16

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O realizador Sam Mendes (American Beauty, Spectre) foi o escolhido para liderar o júri da Selecção Oficial da 73ª edição do Festival de Veneza, sucedendo assim ao cineasta mexicano Alfonso Cuarón.

 

Recordamos que Sam Mendes estreou no certame de Veneza em 2002 com o filme Road to Perdition (Caminho da Perdição).

 

 

O Festival de Veneza deste ano decorrerá entre 31 de Agosto até dia 10 de Setembro na dita cidade italiana.

 

 

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Everybody Wants Some!! (2016)

Hugo Gomes, 27.04.16

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Os inconscientes anos 80!

 

Dazed and Confused, que por cá obteve o título de Juventude Inconsciente, reivindicou um efeito proustiano nos espectadores de 1993, ano em que a obra estreava nos cinemas. É que este espontâneo filme do "hiperactivo" Richard Linklater trouxe-nos à memória, algo mais que um retorno à década de 70 com todos os seus "adornos" e marcos, mas si a juventude de cada um. Sem ser especifico nesta detenção de recordações, Juventude Inconsciente teve como enredo um grupo de jovens a viverem o seu último dia de aulas de liceu, depois disto só mesmo a Universidade, o destino que muitos destes partilham num dia pleno de "liberdade". Disposto por uma rebeldia única, cujas intrigas encontram-se endereçadas nas espontaneidades destas personagens "abertas" e "intermitentes" (o espectador apenas sabe tão pouco de cada uma delas e o que se conhece é somente aquilo que as personagens estão dispostas a distribuir).

 

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São 24 horas descritas de pura imersão neste mundo inconsequente, onde a folia é a palavra de ordem e o futuro, algo não desejado e ainda disforme. Mas passados 23 anos, surge uma sequela que só vem a confirmar o quanto Linklater não gosta de estar parado. Contudo, este Todos Querem o Mesmo (tendo como titulo original Everybody Wants Some, como tributo à homónima  música de Van Halen) está mais próximo do anterior Boyhood do que propriamente da referida prequela. Até porque a edição neste capítulo tem uma presença mais prejudicial no próprio decorrer temporal na narrativa.

 

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Enquanto que em Juventude Inconsciente, a “intriga” foi nos entregue como um cartão de visita para um dia na vida destas personagens, em Todos Querem o Mesmo, a proposta torna-se mais ambiciosa e simultaneamente mais simples de transcrever para o grande ecrã: o último fim-de-semana de férias de um caloiro universitário, que porventura foi uma das personagens destaque do filme de 1993. Esse e mais uma personagem repetente que surge lá pelo meio, são as únicas ligações "vivas" com a anterior de Linklater.

 

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Neste fim de semana que antecede a mais um ciclo de rotinas, "liberdade" é vendida, como é de esperar, ao redor de três elementos - álcool, droga e sexo. Porém, ao contrário do que esses trindade de factores poderia culminar, provavelmente uma qualquer "canção" de rockstar, a verdade em que em Todos Querem o Mesmo, o teor é ingénuo, apenas descontraído e isente de qualquer julgamento vindo para lá do politicamente correcto ou da propaganda de mocidade. A sensação é simples, é como se as personagens e o próprio espectador experienciasse pela primeira vez essas ditas experiências ao som de uma colectânea musical dos anos 80.

 

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Mas voltando ao tema da edição: devido à narrativa centrada em três dias, onde vemos jovens a serem inconsequentemente jovens, o filme possui uma maior manipulação quanto à edição e a respectiva influência no tempo decorrido. Entre outras, a edição torna-se mais omnipresente, visto chega a funcionar em prol das emoções das personagens, com por exemplo, o slow motion e cabelos "ao vento" tão digno das enésimas comédias adolescentes. Chegamos até a sentir saudades da entrega ao natural de Juventude Inconsciente, provavelmente uma das propostas mais bem-vindas do cinema pseudo-neorealista dos anos 90.

 

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Mas existe todo aquele senso nostálgico digno de Richard Linklater, um homem que tão bem filma actos de camaradagem como de puro hedonismo juvenil. Talvez a culpa desta "inferioridade" nesta revisão, não seja do realizador, da reciclagem das histórias, da sua esperada edição, da falta de naturalismo apresentado, mas sim dos anos. Com sabem são os 80 e não os libertadores e rebeldes 70, como se costuma dizer. Não sei se tal terá alguma influência, mas é certo que a surpresa dissipou, o que vemos é uma aventura que se gostaria recordar, infelizmente sem esses referidos momentos "proustianos".

 

"We came for a good time, not for a long time."

 

Real.: Richard Linklater / Int.: Blake Jenner, Tyler Hoechlin, Ryan Guzman, Wyatt Russell, Zoey Deutch, J. Quinton Johnson

 

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Trailer: Snowden, por Oliver Stone

Hugo Gomes, 27.04.16

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Eis que é revelado o primeiro trailer de The Snowden Files, o próximo e, provável, controverso filme de Oliver Stone. A obra girará em torno de Edward Snowden e os seus ficheiros, aqui interpretado pelo actor Joseph Gordon-Levitt.

 

Baseado na publicação de Anatoly Kucherena [o advogado russo de Snowden], The Time of the Octopus, e no do jornalista Luke Harding, The Snowden Files, The Inside Story of the World's Most Wanted Man. Shailene Woodley, Melissa Leo, Zachary Quinto, Nicolas Cage, Tom Wilkinson, Rhys Ifans, Joely Richardson e Timothy Olyphant compõem o elenco.

 

O filme está previsto chegar aos cinemas em Setembro de 2016.

 

 

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Revelada protagonista de Blade Runner 2!

Hugo Gomes, 26.04.16

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Conhecida pelo seu desempenho em a La Migliore Offerta [ler crítica], a actriz holandesa, Sylvia Hoeks será a protagonista da sequela de Blade Runner, cujas filmagens arrancarão no próximo mês de Julho.

 

Assim sendo, Hoeks juntará aos actores Ryan Gosling (The Big Short [ler crítica]) Harrison Ford, Robin Wright, Dave Bautista (Spectre [ler crítica]) e Ana de Armas (Knock Knock [ler crítica]). A direcção deste novo filme estará a cargo de Denis Villeneuve, o responsável pelo muito elogiado Sicario [ler crítica], enquanto que Ridley Scott apenas estará presente como produtor.

 

Relembramos que Blade Runner, de 1982, é baseado num livro de Philip K. Dick - Do Androids Dream of Electric Sheep? – O seu enredo leva-nos a um futuro longínquo, onde a civilização humana é ameaçada pela propagação dos replicantes, andróides que tentam estabelecer o seu direito à “vida” e à humanização. No centro da história encontramos Rick Deckard (Harrison Ford), um caçador de recompensas que se dedica à caça dessas mesmas imitações humanas.

 

Blade Runner é hoje considerado uma das obras-primas da ficção científica cinematográfica, mas na altura da sua estreia foi “abalado” por imensas críticas negativas e um desinteresse total pelo público em geral. O filme foi também prejudicado por inúmeras versões, sendo que todas elas debatiam na sequência final (crê-se que a Warner Bros, pretendia um final feliz, bastante divergente da vilão do realizador) e de uma cena chave que poderia questionar a condição do seu protagonista.

 

Com estreia agendada para Outubro de 2017, o filme será distribuído internacionalmente pela Sony, sendo que em Portugal a empresa responsável pela sua distribuição seja a Big Pictures.  

 

 

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Eis o júri oficial do Festival de Cannes!

Hugo Gomes, 25.04.16

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Foi anunciado as restantes personalidades que irão compor o júri da Selecção Oficial do próximo Festival Cannes.

 

No júri, que será presidido pelo realizador George Miller (Mad Max: Fury Road), estarão integrados os cineastas Arnaud Desplechin (Trois Souvenirs de ma Jeunesse) e László Nemes (Saul Fia), os actores Donald Sutherland (The Hunger Games), Mads Mikkelsen (da série Hannibal), Vanessa Paradis (Fading Gigolo), Valeria Golino (Per Amor Vostro), Kristen Dunst (Melancholia) e a produtora iraniana Katayoon Shahabi.

 

A 69ª edição do Festival de Cannes decorrerá entre 11 a 22 de Maio.

 

 

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Novo trailer de X-Men: Apocalypse (fiquem até ao final do video!)

Hugo Gomes, 25.04.16

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Foi revelado o trailer final de X-Men, Apocalypse (com um surpresa para os fãs). Tal como titulo e o video sugerem, a equipa de mutantes gerida pelo Prof. Xavier terá um desafio à sua altura, o imponente Apocalypse (Oscar Isaac).

 

Esta personagem antagonista [Apocalypse], cujo verdadeiro nome é En Sabah Nur (que significa numa língua ancestral como "o primeiro"),  foi criada por Louise Simonson e Jackson Guice e integrado na série de BD X-Men em 1986. É o mais puro dos mutantes e provavelmente a maior ameaça destes e da Humanidade. O primeiro vislumbre deste ser enigmático e tenebroso no cinema deu-se com a cena pós-créditos de X-Men: Days of a Future Past, o qual víamos um jovem Apocalypse (aqui interpretado por Brendan Pedder) a ser venerado como um Deus egípcio tratasse.

 

Bryan Singer regressa à franquia, assim como os actores James McAvoy, Jennifer Lawrence, Evan Peters, Nicholas Hoult e Michael Fassbender, enquanto isso, Sophie Turner, Olivia Munn, Ty Sheridan e Alexandra Shipp são as novas aquisições. X-Men: Apocalypse chegará aos cinemas nacionais no dia 19 de Maio de 2016.   

 

 

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