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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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The Sea of Trees "vaiado" em Cannes!

Hugo Gomes, 15.05.15

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O filme de Gus Van Sant, The Sea of Trees, foi vaiado durante a sua premiere na 68ª edição do Festival de Cannes. A sessão que contou com a presença do realizador e dos respectivos actores (Matthew McConaughey e Naomi Watts) decorreu no Grand Théâtre Lumière e terminou com furiosos assobios e apupas. A crítica foi automaticamente feroz com a obra, apelidando de o "First Stinker", ou a primeira desilusão desta edição do mais mediático festival do Mundo.

 

The Sea of Trees segue a história de um homem que decide por fim à sua vida. Para tal viaja para Aokigahara, uma densa floresta no Japão que tem sido nos últimos anos um recordista como palco de suicídios. Para além McConaughey e Watts, o novo filme de Gus Van Sant conta com o desempenho de Ken Watanabe. Será distribuído em Portugal pela Leopardo Filmes, provavelmente tendo estreia nacional no Lisbon & Estoril Film Festival.

 

 

Ver também

Naomi Watts junta-se a Matthew McConaughey no novo filme de Gus Van Sant!

 

 

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Terceiro trailer de Minions!

Hugo Gomes, 15.05.15

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Mais um trailer da nova animação da Universal Pictures, Minions, está disponível online. Trata-se do esperado spin-off de Despicable Me, o qual seguimos a origem dos carismáticos ajudantes amarelos do franchising e as circunstâncias que conheceram o seu futuro patrão, Gru (com a voz de Steve Carrell). Minions contará ainda com as vozes de Sandra Bullock, que será a vilã Scarlet Overkill, Jon Hamm, Hiroyuki Sanada, Steve Coogan e Michael Keaton . Estreia a 23 de Julho de 2015 em Portugal.

 

 

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Despicable Me (2010)

 

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Novo trailer de Minions!

Vejam o primeiro trailer de Minions!

Minions em destaque em poster do seu filme a solo!

 

 

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The Sea of Trees (2015)

Hugo Gomes, 15.05.15

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Um mar de árvores, a morte ao alcance de todos!

 

Matthew McConaughey quer morrer e para isso viaja dos EUA, onde reside, para o Japão, mais concretamente para Aokigahara, ou a chamada "Floresta dos Suicídios", o local que nos últimos anos tem atingido um recorde de suicídios. Só por esta premissa era de prever o quanto difícil seria um filme envolto, e muito mais para um homem tão moralista que é Gus Van Sant (vencedor da Palma de Ouro em 2003 com Elephant). The Sea of Trees poderá ser visto como um produto falhado, uma invocação mista do drama mais lamechas com o perigoso território já pisado por M. Night Shyamalan, mas uma coisa é certa, não vamos pinta-lo como fosse a pior coisa do mundo, "shall we".

 

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Aokigahara assume-se como um cenário perfeito, atmosférico e eficazmente sinistro, funcionando quase mo uma personagem própria e animada, mas o pior para este está para vir. Não refiro à entrada de Matthew McConaughey neste domínio, nem mesmo o perdido Ken Watanabe, ambos enclausurados numa floresta que parece não querer larga-los. Não, o pior deste The Sea of Trees é o seu argumento (da autoria de Chris Sparling, o mesmo por detrás de Buried [ler crítica]), que é facilmente corriqueiro, involuntariamente cómico e muito dado a pedagogias de auto-ajuda dignas dos livros de género (por pouco não caia em reino religioso, mas isso é outra conversa). A acompanhá-lo temos uma narrativa preguiçosa que recorre maioritariamente a flahsbacks para desenvolvimento do enredo principal.

 

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Triste, visto que o potencial da nova obra de Gus Van Sant está à vista de todos, a força do desempenho de McConaughey é evidente, o teor paranormal adquirido a certa altura estabelece certos pontos de interesse e a realização é versátil o suficiente para aguentar a pedalada. Mas quanto ao titulo do "pior filme da sua carreira", por favor, será que existe algo pior que a preguicite crónica por detrás do remake de Psycho? Será?

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Gus Van Sant / Int.: Matthew McConaughey, Naomi Watts, Katie Aselton, Ken Watanbe

 

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Irrational Man (2015)

Hugo Gomes, 15.05.15

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Os Crimes de Woody Allen!

 

Os golpes sempre fizeram parte do cinema de Woody Allen, mas desta vez o cineasta pegou no livro de receitas de Hitchcock e sob o seu signo incutiu Stranger in a Train (1951)  como a mais evidente influência. É que a busca pelo crime perfeito, aquele que segundo o "mestre do suspense" é isento de culpa, já vinha no vocabulário de Allen (nota-se, por exemplo, o seu negro Match Point), mas nunca analisado de maneira mais meticulosa que as anteriores abordagens.

 

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Contudo, com isto não esperem nada de exaustivamente sério por aqui. Allen brinca com as suas próprias fórmulas e o existencialismo irónico e cínico das suas personagens são os seus brinquedos predilectos. O tratamento destas aufere um tom quase caricatural, mas a caricatura aqui é mais densa do que se julga, e nisto sente-se a própria marca autoral do cineasta, pois todas essas personagens têm algo de seu. Nota-se por exemplo que Joaquim Phoenix é uma personificação fantasiosa de um Woody Allen psicologicamente hipocondríaco, o qual fala de sentimentos e que tenta incuti-los com tragédias passadas, sendo assim um ser interminavelmente infeliz que encontra a experiência na transgressão do corretamente cívico. Ou seja, somos induzidos por uma rebeldia inerente do realizador, o qual deposita nas personagens um regresso ao seu espirito adolescente, desafiante e revoltado com o posicionamento da sociedade.

 

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Se por um lado o filme é um "abaixo" as morais formalizadas, por outro é um debate sobre o maniqueísmo imposto pelas mesmas. Nesse sentido tudo é resolvido, de certa forma, com uma referência a Hannah Arendt e à sua Banalidade do Mal. Mas se Joaquim Phoenix mostra-se versátil, o melhor é mesmo "espreitar" a confiante Emma Stone, que se encontra cada vez mais emancipada num protagonismo, sem falar do seu contagiante carisma do qual é impossível desviar o olhar.

 

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Porém, fica a questão. Será este um "bom" Woody Allen? Na verdade é apenas "morno". O que encontramos é um filme pontuado com o seu característico humor, com tudo aquilo que poderíamos esperar de um regresso do cineasta nova-iorquino, mas onde se nota que a imaginação começa a faltar-lhe. Isso é sentido principalmente nas resoluções arranjadas à última da hora para encontrar um desfecho para a intriga. Desfecho que parece ter sido concretizado para funcionar como uma anedota, onde a grande piada reside no seu final.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Woody Allen / Int.: Emma Stone, Joaquin Phoenix, Parker Posey

 

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The Lobster (2015)

Hugo Gomes, 15.05.15

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Os complexos amorosos da lagosta!

 

Não há mal nenhum em estranhar, até porque essa parece ser a atitude certa para uma obra como este The Lobster (A Lagosta), a nova criação do cineasta grego Yorgos Lanthimos, que se dispõe como uma fria sátira do quão burocráticos se tornaram os compromissos afectivos e a relevância impar que o estatuto social adquiriu na nossa sociedade. Obviamente, em toda essa crítica, na forma de uma prolongada metáfora distópica, o bizarro faz definitivamente parte da experiência, sendo incutido um surrealismo e um non sense nos desempenhos, todos eles aludindo a um alvo social, ou, neste caso, a um conjunto deles.

 

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A mente por trás do bizarro Canino, essa hipérbole da distorção social perpetrada pelos sistemas totalitaristas, tem ao seu dispor um elenco internacional que conta com as presenças de Colin Farrell, Rachel Weisz, Lea Seydoux e até Ben Whishaw. Apesar disso, Lanthimos não arredou o pé quanto à sua excentricidade e revelou-se um arquitecto niilista, onde um mundo não identificável é a sua maior obra de arte. Neste mundo ser solteiro é um crime, uma marginalidade onde os recém-solteiros apenas possuem um de dois objectivos da vida: ou arranjam um par, ou transformam-se num animal. Um pouco com Huxley e o seu Admirável Mundo Novo, aqui encontramos uma sociedade que coloca o sexo como o tópico mais natural e trivial de sempre, e nele reside a grande combustão para o quotidiano de qualquer um.

 

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Dividido em dois actos evidentes, The Lobster tenta colidir com os dois lados da mesma moeda. Em consequência disso, é dada uma profundidade, apesar de não parecer, a essa mesma distopia. Lanthimos contraiu uma linguagem influenciada pelo cinema inibido norte-americano, como o de Wes Anderson, tão presente nos desempenhos e personagens caricatas, assim como os diálogos que estão algures entre o delicioso e o surreal. Sim, eis uma viagem pelo sobrenatural das distopias, uma complexa crítica à essência sexual humana que, como animal monogâmico ou simplesmente solitário, define a sua estrutura social e matrimonial. Já os animais, mais que um dispositivo narrativo, comportam-se aqui como signos, como a própria lagosta, que possui um papel fundamental e simbólico.

 

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Nisto, muitas ideias poderão ser retiradas daqui, visto que Lanthimos dá espaço para ambiguidades e paradoxos. Porém, gosto de pensar como Orson Welles: "Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos". Tal citação enquadra-se na perfeição na sequência final, sugestivamente dolorosa mas que sublinha com acidez o seu ponto de vista.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Yorgos Lanthimos / Int.: Colin Farrell, Rachel Weisz, Lea Seydoux, Ben Whishaw, John C. Reilly, Jessica Barden, Michael Smiley

 

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Les Anarchistes (2015)

Hugo Gomes, 15.05.15

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A anarquia é a raiz, não o estilo!

 

Les Anarchistes (Os Anarquistas) leva-nos à curvatura da mudança do século, onde somos acompanhados com a vinda de novos pensamentos, quer políticos ou sociais e as declarações de guerra para com as bases ideológicas estruturadas do passado. Estamos em Paris de 1899, onde um jovem polícia parisiense, Jean Albertini (Tahar Rahim), tem a importante missão de infiltrar no seio de um grupo de jovens idealistas, anarquistas, segundo o Inspector-Chefe da Policia (Cédric Kahn). Durante a sua arriscada missão, visto que terá que se envolver nas operações “criminosas” da sua nova comunidade, Jean envolve-se romanticamente com um dos seus membros, Judith (Adèle Exarchopoulos), e fraternalmente com os restantes, tornando a missão num dilema sobre compromisso e lealdade.

 

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A segunda obra de Elie Wajeman resume-se a um filme de época que tenta contextualizar as ideologias anárquicas para fomentar uma crítica político-social. Mas cai no erro de concretizar o enésimo registo da dita fórmula de infiltrados e dilemas, o que converte Les Anarchistes num filme composto por uma ideia, mas executada na senda da previsibilidade, para não falar da câmara indisposta do realizador e do desequilíbrio ideológico. É que Elie Wajeman não esforça em ser um anarquista com isto, mas sim um hipster munido por uma direcção sem objectividade. Os actores fazem o que podem mas são desaproveitados em consequência de uma montagem isente de ritmo.

 

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Um desses casos de desperdício é o de Adèle Exarchopoulos, “violada” pela mesma decisão artística como também pelas pretensões de transforma-la num sex-simbol, uma imagem que parece ter sido adquirida desde o êxito de L’ Vie de Adèle (A Vida de Adèle), dissipando assim as suas habilidades como motor dramático, o qual a actriz é capaz. Les Anarchistes é pura desilusão e desbaratamento de recursos.

 

Filme visualizado de abertura da 54º Semaine de la Critique em Cannes

 

Real.: Elie Wajeman / Int.: Tahar Rahim, Adèle Exarchopoulos, Swann Arlaud, Guillaume Gouix, Cédric Kahn

 

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Un Etaj Mai Jos (2015)

Hugo Gomes, 14.05.15

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A suspeita é coisa de vizinho!

 

A Nova Vaga Romena é dotada pelo realismo rígido e de algumas melancolias. Radu Muntean (Tuesday, After Christmas) consegue através dessa característica do seu cinema construir um anti-thriller, uma obra alicerçada por dilemas de culpa e insuspeita. Em Un Etaj Mai Jos (One Floor Below) seguimos Patrascu (Teodor Corban), um homem comum, pai de família, acomodado com a sua vida, trabalho e amigos, cuja curiosidade o leva a territórios psicologicamente perturbados. Certo dia, Patrascu ouve uma discussão da vizinha do andar de baixo e, para poder acompanhar os pormenores dessa valente discussão entre uma jovem rapariga e o seu amante, também ele um vizinho, é apanhado a escutar por detrás da porta. No dia seguinte, a mesma vizinha aparece morta, a polícia investiga e o suicídio é a causa mais provável. Porém, para Patrascu o evento é um claro homicídio, e a suspeita do eventual culpado surge na sua mente. Apesar de decidido a continuar com a sua vida, Patrascu vê-se perseguido pelo alegado homicida.

 

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One Floor Below contrai um sentimento anti-climax em toda a sua execução, a começar por uma câmara que segue fielmente o seu protagonista, onde esse efeito (que funciona como uma rêmora num tubarão) não limita o olhar do espectador quanto ao desenrolar da intriga, mas finca sobretudo o realismo das suas sequências. O resultado é feliz nessa transmissão de credibilidade. O protagonista, Teodor Corban, demonstra firmeza no seu desempenho, o esboço de um homem comum, transparente quanto às suas emoções e dimensão psicológica, funcionando como uma personagem que não nos importamos de seguir nesta jornada ao andar de baixo. Quanto à sua aventura propriamente dita, Radu Muntean tece uma intriga em constante confronto com os seus dilemas, quase referenciando o cinema de Hitchcock sob o vínculo da culpa.

 

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Mas a questão da autodestruição derivada por um silencio criminoso revela as suas fraquezas enquanto produto independente. One Floor Below possui na sua carta alguns valores de ouro quanto à entrega do enredo, a dissipação do climax como uma opção direccionada ao debate fora do filme e a sua ambiguidade afiada. Contudo, o filme está demasiado preso ao seu clubismo estilístico, com um realismo exaustivamente reforçado pela sua própria frigidez. Ainda assim, não deixa de ser uma curiosa experiência.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Radu Muntean / Int.: Teodor Corban, Constantin Dita, Ionut Bora, Liviu Cheloiu, Calin Chirila

 

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An (2015)

Hugo Gomes, 14.05.15

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O recheio da vida segundo Naomi Kawase!

 

Com An é impossível negar que Naomi Kawase faz pinturas a óleo com a sua câmara, e tal evidência é-nos demonstrada logo na sua abertura, onde as cerejeiras em flor atribuem às imagens captadas a sua distinta beleza, quase plástica, assim como a sua essência etnográfica. Depois de abranger questões sobre a vida e a morte em Still the Water (presente na anterior edição do Festival de Cannes), Kawase regressa a tais tópicos através da adaptação de uma obra literária de Durian Sukegawa, onde coloca três gerações completamente diferentes a debaterem os seus respectivos papéis na sociedade, e como esperam reintegrar-se nela.

 

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O título da obra advém do recheio dos dorayakis, esse popular doce japonês que serve de ligação para as referidas personagens. Tal como é descrita a sua receita, o filme também contrai um conflito inerente de teor, ora doce, ora salgado. Essa dita doçura contagia e cinicamente nos manipula a amar as suas personagens. Isso é conseguido, eficazmente, sob um toque de inocência apurada. Porém, não se aflijam, de inocente este An nada tem. A verdade é que por detrás de cada gesto de optimismo esconde-se uma crítica subliminar a uma sociedade em evolução, onde o tradicional dá lugar ao moderno, e cujo moderno é isento de alma.

 

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Obviamente existe muito por onde gostar neste novo filme da nipónica: os planos são encantadores e as interpretações são de uma simplicidade afectuosa, mas infelizmente surge um terceiro ato onde a ênfase dramática é aprofundada e adquire um paladar melodramático com os artifícios de "puxar lágrimas" quase próprios de qualquer filme de Hollywood. Assim, Naomi Kawase conseguiu até um produto "bonito", nisso não há duvida alguma, mas cuja inocência está apenas à flor da pele. O mesmo se pode dizer da sua suposta simplicidade dramática.

 

Filme de abertura do Un Certain Regard do 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Naomi Kawasake / Int.: Kirin Kiki, Miyoko Asada, Etsuko Ichihara, Masatoshi Nagase

 

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Primeiro vislumbre de Noomi Rapace como Maria Callas!

Hugo Gomes, 13.05.15

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Foi revelada a primeira imagem de Noomi Rapace (Millennium) como Maria Callas, cantora lírica norte-americana de ascendência grega, considerada uma das mais influentes vozes da ópera do século XX. Um projecto desenvolvido durante 5 anos, onde actrizes como Eva Mendes e Eva Green já foram cotados para o papel, Callas (titulo do filme) vai por fim chegar aos cinemas em 2016. Será dirigido pela cineasta neo-zelandesa Niki Carou (Whale Rider) e terá como base uma biografia romanceada da vida de Callas escrita por Alfonso Signorini, que focará na sua relação com o magnata Aristóteles Onassis.

 

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Mad Max: Fury Road (2015)

Hugo Gomes, 13.05.15

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O regresso do guerreiro da estrada, ou melhor, da guerreira!

 

Trinta anos passaram desde a Cúpula do Trovão (Beyond Thunderdome) e ainda hoje a existência de um quarto Mad Max nos cinemas continua a ser levada com uma certa incredibilidade. Mas a verdade é que o nosso anti-herói presente num mundo pós-apocalíptico em que a Humanidade parece estar reduzida a pequenas e violentas tribos, está mais vivo que nunca, e a relembrar os seus tempos áureos de Road Warrior (1981) - o que parece mentira, visto que nem Mel Gibson nem Tina Turner encontram-se presentes nesta nova aventura. Aliás, a icónica e homónima personagem tem uma nova cara - Tom Hardy (The Dark Knight Rises) - e uma incursão mais filosófica do que o normal, mas entenda-se que tudo isso é sol de pouca dura, porque o real objectivo deste Fury Road é simplesmente entregar-se a um entretenimento voraz repleto de ápices frenéticos de acção (semi) artesanal.

 

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30 anos foram muito tempo para a saúde de Mad Max. O mundo que o acolhera em três bem-sucedidos filmes tornou-se drasticamente diferente. O cinema dito de entretenimento evoluiu para formas mais reflectidas e milimetricamente pensadas para agradar a gregos e troianos. Assim, para este novo projecto era necessário o lema de Darwin: evoluir ou morrer. Porém, para Darwin, Mad Max apenas responde com a necessidade de sobrevivência. Como resultado temos uma exaustiva produção ao nível dos maiores espectáculos hollywoodescos e ao mesmo tempo um júbilo cinematográfico à moda antiga, com um requisito megalómano de stunts e todo um universo demasiado sujo para uma indústria cinematográfica deveras limpa.

 

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Depois temos a Mulher. Mais do que mero activismo politico ou social, Charlize Theron partilha o protagonismo com Hardy, e, para ser sincero, de forma desigual, já que a actriz rouba qualquer cena que surja com a sua trágica "mulher de armas", Furiosa. Tal como sucedera em Snow White and the Huntsman, Theron prova mais uma vez que nenhum papel é pequeno. Neste caso, as comparações que tem suscitado com a Ellen Ripley de Sigourney Weaver, esse símbolo da mulher de acção no Cinema, não são tão descabidas assim, visto que a sua personagem é uma emancipada, subjugada aos códigos do feminismo militante e intercalada com uma extrema necessidade de apelar ao lado mais emocional. George Miller conseguiu aqui, subtilmente, um hino ao retorno da acção no feminino através de uma manobra bem perigosa, mas com resultados felizes. Mad Max não é o único herói acidental aqui, desta vez é uma mulher que está no volante.

 

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Mas não nos fiquemos por questões de igualdades, nem de profundidade por vezes imperativas nos blockbusters dos dias de hoje. Fury Road é, sim, uma montanha russa, imparável, pomposa, mas sempre fiel aos códigos de série B. É entretenimento para massas, eficazmente direccionado a todos os que cresceram com o herói de Gibson (em jeito de homenagem, o vilão deste capitulo é interpretado por Hugh Keay-Byrne) ou pela ausência de limites na acção. É uma reciclagem das grandes perseguições, enraizadas na narrativa com uma explosiva força motora.

 

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Se formos descrever este Mad Max numa simplicidade quase massacrante, poderemos insinuar, e com convicção, que todo o filme é uma ida e volta, um autêntico "freak show" que não irá deixar defraudados quem tem como único propósito a diversão. Esteticamente é um novo Mad Max, porém, o modelo continua a ser o antigo.

 

"Oh what a day, what a lovely day!"

 

Real.: George Miller / Int.: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keay-Byrne, Rosie Huntington-Whiteley, Zoë Kravitz, Riley Keough, Nathan Jones

 

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