23.5.15
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Desta vez, sem Orson Welles!

 

Justin Kurzel (Snowtown) acaba por nada acrescentar à tão emblemática peça de William Shakespeare, Macbeth, para além de um tratamento visual mais apelativo e gráfico, infelizmente nada que surpreenda visto que vivemos numa época depois do êxito das adaptações de 300, de Frank Miller, e da Game of Thrones, de George R.R. Martin. Assim sendo, o que vemos é mais do mesmo, seguindo a mesma linha das mais variadas conversões da obra do famoso dramaturgo inglês para o grande ecrã, ou seja, preserva-se os diálogos proclamados de forma poética, pomposa e airosa, dignos do palco teatral, incorporando-os com uma linguagem cinematográfica.

 

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São os híbridos que invocam uma essência de estranheza, efeito também transmitido pela sua falta de liberdade fílmica. Vejamos o exemplo de Corolianus, a primeira obra dirigida por Ralph Fiennes, que pega num dos trabalhos mais políticos de Shakespeare e o leva para tempos modernos, conservando integralmente os diálogos. A ideia é boa, os textos do dramaturgo eram sofisticados para a sua época (como o são agora), mas enquanto não houver liberdade no seu registo, na sua acção e nas suas personagens, dificilmente um filme consegue sair das suas limitações de "teatro filmado". Macbeth, de Kurzel, sofre desses mesmos sintomas, mesmo que o estilo visual torne a experiência mais apelativa para as audiências mais jovens (um bom indicio para estes descobrirem, ou redescobrirem, a peça) e os actores sejam ricos nas suas performances.

 

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Michael Fassbender transforma-se assim no atormentado homem regido pela profecia e sede de poder. A personagem homónima é descrita de forma bruta, esquizofrénica e é erguida com robustez por parte do actor. Por sua vez, Marion Cottilard consegue emanar magistralmente a culpa da Lady MacBeth, e Sean Harris tem carisma suficiente para dar e vender com o seu Macduff. Mas isso tudo é quase inútil, sabendo que o filme nunca consegue respirar devidamente.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Justin Kurzel / Int.: Michael Fassbender, Marion Cotillard, David Thewlis, Sean Harris

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 13:57
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22.5.15

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O Principezinho, mas não o de Antoine de Saint-Exupéry!

 

O clássico literário de Antoine de Saint-Exupéry é transposto para o grande ecrã pela ambição de um grande estúdio de animação. Nada contra, mas é certo que uma obra tão complexa como O Principezinho merecia um tratamento bem menos mainstream. Encarregado por adaptar, e reinventar, está Mark Osborne, que esteve por detrás de Kung Fu Panda da Dreamworks, uma evidência que nos traz a ideia de como este material estava de certo condenado desde o inicio. Mas é verdade que não poderemos entrar em conclusões precipitadas, porque necessariamente existe aqui quem deseja devolver a dignidade desta história que contagiou gerações.

 

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Isso é confirmado com a fidelidade gráfica do enredo original, despachado a segundo plano, o qual indicia com tamanha glória. Porém, a história integral serve aqui como catapulta para um enredo criativamente original sobre a criança intrínseca dentro de nós, que se perde com "adult stuff" e o excesso de responsabilidades. Um pouco como Peter Pan e os Meninos Perdidos, The Little Prince tem a tendência de condensar questões filosóficas sobre a amizade e o amor em moralidades rectas e ingénuas, transcritas numa fantasia industrializada em constante contacto com uma animação digital profissional, mas sem grandes "voos" de personalidade.

 

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No final, a emoção envolvida neste produto está apenas intacta em derivação da preservação do conto, e o elo que interliga o espectador com a mesma. Enquanto a audiência mais nova, sem qualquer "intimidade" com o livro de Saint-Exupéry, apenas usufrui com um filme animado erguido com os mesmos códigos que muitas outras obras, de grandes estúdios, permitem deliciar dessa mesma faixa etária.

 

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No geral, eis uma matéria prima com potencial, mas cuja reinvenção pouco inspiradora a converte numa animação passageira, com aspirações para mais, porém, sem a capacidade de envergar pela sua própria essência.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Mark Osborne / Int.: Rachel McAdams, Benicio Del Toro, Paul Rudd, James Franco, Marion Cottilard, Mackenzie Foy, Jeff Bridges, Paul Giamatti, Albert Brooks

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 17:45
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Um mar de lágrimas. Assim foi recebido Le Petit Prince (O Principezinho) na sua apresentação hoje na 68ª edição do Festival de Cannes.

 

O filme de Mark Osborne (Kung Fu Panda), apresentado fora de competição, é uma adaptação livre do clássico da literatura de Antoine de Saint-Exupéry e contou com duas projecções para a imprensa: uma em francês e outra em inglês, esta última decorrida no Grand Théâtre Lumière. A sessão terminou sob fortes aplausos e não só. Foram poucos aqueles que saíram da sala sem o rosto coberto de lágrimas.

 

Nesta versão animada, o filme abre com a história de uma menina nos dias de hoje que descobre através de um idoso a história do Principezinho, iniciando-se assim uma aventura de descoberta da sua essência enquanto criança e do valor da amizade.

Tal como o original, considerado por muitos como um livro infantil rico em questões filosóficas, o filme de Osborne preserva tais dilemas e doutrinas, mas tenta seguir uma aventura própria e imaginativa. A animação cruza o habitual CGI com um estilístico stop-motion (e de certa forma nostálgico, devido à fidelidade com os desenhos da obra literária).


O Principezinho estreará em França no final do mês de Julho. A versão inglesa contará com as vozes de Rachel McAdams, Jeff Bridges, Paul Rudd, Paul Giamatti, Benicio Del Toro, Marion Cottilard e James Franco.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:04
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22.5.15

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O Amor, segundo Noé!

 

Love é um plano antigo, um projecto de sonho que ousa em desafiar as próprias convenções do cinema, politicamente aceite, e resgatar muito do teor, agora reduzido à industria pornográfica, ao serviço do storytelling. Esta ideia permaneceu em Gaspar Noé anos antes do trabalho que o consagrou como um dos mais irreverentes e controversos cineastas do nosso tempo - Irréversible [ler crítica] - sendo que uma proposta de protagonizar, o que o realizador apelida de "sexo com sentimento", seguiu primeiramente aos actores Vincent Cassell e Monica Bellucci, numa altura em que ambos constituíam um casal e que tal factor atribuiria à eventual perfomance uma intimidade requisitada. Porém, a dupla recusou, tendo Love ficado residido ao limbo cinematográfico.

 

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Limbo, esse, que fora retirado recentemente, mas antes Noé havia experimentado novas formas narrativas e estéticas com o não muito consensual Enter the Void [ler crítica]. A proposta de uma trip narcótica em mistura com o esoterismo tibetano serviu de objecto de estudo e incentivo para o avanço deste projecto (agora protagonizado por desconhecidos, talvez os únicos que aceitaram tal excentricidade ou estratégica executada para que o espectador não identifique as caras desta "relação" com outros trabalhos) que se revelou muito pessoal. Love arranca com uma amostra daquilo que havia sido prometido enquanto produto choque, o que se resumiria vulgarmente de filme pornográfico em 3D. O sexo parece real, de certa forma sujo e "ordinário", afastando-se de qualquer indicio de encenação, neste caso Gaspar Noé consegue o seu "quê" de atenção e superar o limites estéticos estabelecidos pelo cinema erótico.

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Mas, Love apresenta mais do que simplesmente exploração a foro sexual e do muito publicitado ménage-a-trois, o filme funciona como um romance vincado em memórias autobiográficas, sim, leram bem, uma biografia complementada sob uma liberdade criativa e ficcional em concordância com toda uma colecção de fetiches que operam num júbilo masturbatório, para ele e não para o espectador. Noé acaba por abordar a sua veia mais romântica, entregue numa bandeja de perversão para "inglês ver", até que por fim essa mesma capa dissipa e a lamechice extrema é realçada e desmesurada no seu requinte visual.

 

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Temos uma estética retirada através dos estudos feitos por Enter the Void - as suas concepções aqui reaproveitadas em prol de uma nova trama, e a narrativa enxertada por falsas elipses e malabarismo temporal - aliás, tais referências autorais são assumidas com os inúmeros easter eggs que acompanham o regresso ao passado de Murphy (Karl Glusman), um homem que viveu intensamente uma paixão, cuja ruptura é ainda tida como um dos seus maiores arrependimentos. Electra, nome dessa sua "Vénus", é novamente ouvida após uma tremenda ausência, abrindo "portas" para emoções e recordações não sentidas há muito tempo.

 

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Gaspar Noé interage com a lei de Murphy ("qualquer coisa que possa correr mal, ocorrerá mal, no pior momento possível") para basear nesta matriz que vai ao reencontro do seu pessimismo e arrependimento - o tempo destrói tudo de Irréversible - o não retorno emocional e físico das suas personagens e a aura fantasmagórica que permanece no final da sessão. No final, somos todos criaturas taradas por experiências, apenas submetidas a uma derradeira fragilidade, é que sabemos, ou julgamos saber, amar. 

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Gaspar Noé / Int.: Aomi Muyock, Karl Glusman, Klara Kristin

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 13:35
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Perdendo a identidade!

 

Existe mais para onde olhar nesta nova obra de Jia Zhang-Ke do que o drama sobre a criação e preservação de relações afectivas no rumo de um conflituoso triângulo amoroso, como uma subliminar distopia às consequências da globalização e a invasão do Ocidente na cultura oriental. Nesse sentido, os primeiros minutos deste Mountains May Depart arrancam com a crítica estabelecida por Zhang-Ke em toda a sua narrativa. Enquanto vemos os nossos protagonistas jubilantes dançando ao ritmo de Go West, dos Pet Shop Boys, reparamos numa sequência de um dragão chinês pavoneando-se nas ruas da amargura. É a premonição da morte da cultura chinesa, algo que parece contrariar tudo aquilo que se tem dito por este mundo fora: "Os chineses vão invadir o Mundo". A verdade é que Jia Zhang-Ke vai mais fundo nessas palavras e explora a fragilidades de uma identidade cultural cada vez mais decadente.

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Relembramos as palavras do argumentista e produtor James Schamus, durante uma convenção de argumentistas em Setembro de 2014, onde declarou que Hollywood encontrava-se de momento apenas interessado em fazer filmes direccionados para adolescentes chineses [devido à importância do país nas receitas globais]. Este depoimento demonstrou sobretudo preocupação nos modelos de produção de alguns dos maiores estúdios norte-americanos e dos riscos que isso implicava. Se por um lado os filmes norte-americanos tornam-se acessíveis às audiências chinesas, por outro, nenhum destes produtos instala-se com respeito cultural. Ao invés, são apontados como injecções de arquétipos dignamente ocidentais nesse mesmo público.

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Obviamente a culpa não é inteiramente do cinema, mas sim dessa globalização, que por sua vez é um beneficio para a própria China, propicia à proliferação dos seus negócios pelo resto do Mundo. Talvez um dia iremos necessitar de escolas especializadas como aquelas que vemos no terceiro ato desta fita, onde num futuro próximo, os chineses residentes da Austrália frequentarão estabelecimentos de ensino para serem relembrados que realmente são chineses. Jia Zhang-Ke constrói esta história sobre um triângulo amoroso dilacerado em três actos temporais, repartidos em décadas diferentes, acompanhando os seus protagonistas e as suas tramas num mundo unificado por antigos sonhos. Sonhos esses que exploram a ausência das fronteiras culturais, quase invocando o conceito de superestados Orwellianos nessas mesmas condições.

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Mas acima de tudo, Mountains May Depart revela-nos a crise identitária como um dos maiores medos perante esses mesmos sonhos e o quão urgente é recuperar essa mesma identidade, da mesma foram que devemos preservar as nossas relações familiares e afectuosas. Assim, Mountains May Depart é um exercício desafiante que já se apresenta como um dos melhores filmes do cineasta e um filme obrigatório para todos os seus conterrâneos.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Jia Zhang-Ke / Int.: Tao Zhao, Yi Zhang, Jing Dong Liang

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 01:35
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21.5.15

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O filme argentino La Patota (Paulina) foi o grande vencedor da 54ª Semana da Crítica no Festival de Cannes, tendo arrecadado o Grande Prémio Nespresso. Dirigido por Santiago Mitre (El Estudante), o filme é uma nova versão da obra de 1960 assinada por Daniel Tinayre, que remete-nos a uma mulher tentar lidar com traumas e medos após ter sido violada por uma gangue.

 

 

Grande Prémio Nespresso
La Patota (Paulina), de Santiago Mitre

 

Prémio SACD
La tierra y la sombra, de César Augusto Acevedo

 

Prémio Visionário France 4
La tierra y la sombra, de César Augusto Acevedo

 

Prémio Descoberta para Curta-Metragem
Varicella, de Fulvio Risuleo

 

Prémio Canal + para Curta-Metragem
Ramona, de Andrei Cretulescu

 

Garantia de Distribuição da Fundação Gan
The Wakhan Front, de Clément Cogitore

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:24
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21.5.15

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Os imigrantes!

 

Existem claros problemas em Dheepan, o mais recente filme de Jacques Audiard (Un Prophète, Rust and Bones), principalmente na sua estrutura narrativa e nas constantes mensagens que poderão transmitir. É que a história de sobrevivência de uma família fictícia vinda do Sri Lanka para França, a fim de escapar à desolação da guerra, é regida pelos mais variados lugares-comuns, os quais tão bem integrariam uma produção de Hollywood.

 

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É verdade que Jacques Audiard é um cineasta competente em induzir uma ênfase dramática às suas personagens, e conseguiu fazer com as suas anteriores obras uma espécie de meio-termo, ou seja, não muito dado ao lado autoral e sendo acessível sem com isso requisitar o bacoco do mainstream. Mas em Dheepan, Audiard mete a "pata na poça". Aquilo que aparentaria ser cinema de inserção social depressa se converte num drama sobre a criação de laços familiares e afectuosos quando no preciso momento em que os três membros deste "embuste familiar" começam por fim a interagir e a definir as relações afectivas.

 

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Até aqui todos os clichés do retrato social de um bairro suburbano algures na França são invocados sob um jeito pastiche. Estes propósitos depressa convertem-se em episódicos tomos de traumas e de construção inapta com a realidade do Sri Lanka, mas isso é desprezado quando o climax começa a "bater à porta" e Dheepan (filme e personagem) revela a sua face mais fácil e de certa forma "pirosa", transformando-se num arquétipo de Rambo. Pois é, um drama que se adivinha próximo do cinema verité, abordando temas de imigração e de reinserção social, depressa vira um filme de acção filmado em handycam. Nem Paul Greengrass conseguia melhor (evidente ironia, para quem não tenha percebido).

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Mas o pior não está ai, o autêntico degredo é no seu "happy ending", uma hipocrisia que esboça ignorância em prol de uma mensagem de militância. Nesse sentido, as boas intenções são ultrapassadas pelo valor da imagem. O seu constante simbolismo emocional instiga um debate sobre a imigração na sociedade francesa, mas com uma miopia constante. É que afinal, segundo Jacques Audiard, a França é o pior país para um estrangeiro se reintegrar e até mesmo o mais violento e desumano. Uma mensagem que poderia soar a crítica, não fosse o facto de este cair em comparações evidentes e descabidas.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Jacques Audiard / Int.: Jesuthasan Antonythasan, Kalieaswari Srinivasan, Claudine Vinasithamby

 

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Rust and Bone (2012)

 

2/10

publicado por Hugo Gomes às 12:11
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20.5.15

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Quando ser belo não chega!

 

Descontextualizar um género como o wuxia é uma tarefa um quanto complicada, mas mesmo assim um autor como Wong Kar-Wai executou de forma peculiar o seu Ashes of Time (As Cinzas do Tempo, 1994). Hou Hsiao-Hsien, um autor dotado de um certo respeito pelo realismo e a veracidade do tempo de duração dos planos, desafia ao integrar-se num estilo que não o seu. Estranho será dizer que The Assassin lacrimeja pela sua falta de ritmo, uma frase hipócrita visto que a obra conserva todos os toques dignos do autor. Mas será que o wuxia necessitava de tal tratamento? A resposta deve ser dada com outra pergunta, que tratamento? The Assassin regista-se na mesma liga que Tales of Tales, de Matteo Garrone (também visto na competição oficial do Festival de Cannes); é demasiado técnico e pouco consistente.

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A história leva-nos a uma China do século IX, onde a filha de um general foi abduzida por uma freira que a converte numa perfeita assassina. Treze anos mais tarde, Nie (Shu Qi, vista em Three Times, outro filme de Hou Hsiao-Hsien) falha pela primeira vez uma missão e como castigo a sua mestra decide enviá-la para a sua terra natal, com ordens para abater o homem pelo qual estava comprometida – o seu primo – agora detentor de um extensa força militar. Ao chegar à sua terra, Nie reencontra os seus pais e as memórias passadas, o que a levarão para um derradeiro dilema. Será que Nie é capaz de cumprir a sua missão com êxito?

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Todo este percurso do dever e sangue é concretizado com um câmara "lenta" mas contemplativa para com um trabalho rico na produção e que reconstituiu uma época distinta (provavelmente este seja um dos wuxia mais credíveis dos últimos anos). Com poucas coreografias de acção, até nisso foge da fórmula genérica, evitando o espalhafato do kung fu e a toda aquela suis generis liberdade em "violar" as regras da física. Mas em The Assassin faltam-lhe personagens com que nos possamos identificar, falta conflito, climax, elipses. Por outras palavras, é o dinamismo da narrativa que temos mais saudades. Essa ausência transforma esta obra supostamente em algo mais sério, estilístico e visualmente belo num poço de situações involuntariamente cómicas. O mesmo pode-se dizer dos enredos e subenredos, exaustivamente anorécticos e até mesmo para hora e meia de filme.

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Vergonhosamente o filme não consegue atingir a diferença, porque todo este trabalho resultou numa extrema indiferença emocional. Pelos vistos, os wuxia não foram feitos para Hou Hsiao-Hsien, pelo menos não nestes termos. Um dos filmes mais fracos da sua carreira.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Realização.: Hsiao-Hsien Hou / Int.: Qi Shu, Chen Chang, Satoshi Tsumabuki

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 23:38
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Foram divulgadas mais imagens do muito antecipado The Hateful Eight, a oitavo obra de Quentin Tarantino, um western cujo enredo gira envolta de oito desconhecidos que se refugiam num abrigo após a passagem de uma tempestade em Wyoming, durante a Guerra Civil Norte-Americana. Durante esse refúgio, muito serão as revelações e as decepções que levarão a oito personagens a trágicos destinos. Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Tim Roth, Michael Madsen, Denis Menochet, Channing Tatum, Zoe Bell, Demian Bichir e Bruce Dern compõem o elenco.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:55
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O encanto da desolada inquietação!

 

Duas partes são o que bastaria para confirmar o quanto gratificante é este novo projecto de Miguel Gomes, Mil e uma Noites. Livremente baseado no famoso conto persa, o qual respeita a sua estrutura narrativa, este épico revela-nos mais do que a sátira furtiva ao panorama social português como tem sido descrito, e sim num quadro de o quanto diversificado e criativo pode tornar-se o nosso cinema.

 

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O segundo tomo, O Desolado, foi um exemplo flagrante dessas referências cinematográficas, um remendo de estilos próprios e alusões a outros mestres esquecidos, tecidos em prol de um filme-denúncia, frontal, mas sempre emaranhado num tom irónico e caricatural. Com O Encantado, Miguel Gomes guia-se novamente por essas matrizes do tão nosso cinema para encerrar uma trilogia sustentada por uma militância quase guerrilheira. Comparativamente, este terceira parte é a mais fraca, em principio, sofrendo de um síndroma digno das trilogias, ou porque simplesmente Miguel Gomes tenta encerrá-la de uma forma mais emocional, do que concretamente mais incisiva.

 

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O Encantado inicia com um vislumbre do mundo envolto de Xerezade, a bela jovem que é obrigada a casar com um tirano e angustiado Rei, célebre por matar as suas esposas após a primeira noite núpcias. Para além de bela, Xerezade é também inteligente, culta e possuidora de dotes oratórios, virtudes que a auxiliam no seu prolongado plano de sobrevivência. Todas as noites, ela conta uma história sobre um país longínquos e respectivas crónicas mirabolantes envoltas, de forma entusiasmante para que o rei se encha de curiosidade e aguarde pacientemente pela noite seguinte para mais uma história, evitando assim, a mortal noite de núpcias. O primeiro plano de O Encantado é quase como um tributo ao cinema mais marginal de Fritz Lang, O Tumulo Índio, para depois fundir na intimidade das imagens invocadas. Este mundo descrito por Xerezade, tem de tanto místico como alusivo, e caricatural como surreal.

 

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Uma opção arriscada por parte de Miguel Gomes para complementar este O Encantado com uma sentimentalidade e cariz distinto, para depois avançar com um profundo registo etnográfico, enquanto mergulha no submundo dos “passarinheiros”e dos seus tentilhões em “The Inebriating Chorus of the Chaffinches” e a cruza com imagens dos protestos policiais decorridas em Novembro de 2013, em simultâneo, com o relato de uma imigrante chinesa “Hot Forest”, uma combinação sobretudo bizarra mas que de certa forma fiel ao paralelismo iniciado em O Inquieto: os encerramento dos estaleiros com a dizimação das pragas de vespas asiáticas em Viana do Castelo. Um paralelismo que o próprio Miguel Gomes revelou ser de uma “abstracção que lhe dá vertigens”, para poder encenar de seguida o papel de realizador desaparecido.

 

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Desaparecido, enquanto corpo, porque a alma de autor encontra-se nas mais tenras veias deste Mil e uma Noites, a maior epopeia cinematográfica do cinema português. O Encantado pode não ter o seu total encanto, mas curiosamente, tal como os outros capítulos, funcionam como obras soltas, percorridas pelo criativo imaginário da crítica social.

 

Filme visualizado na 47ª edição da Quinzena de Realizadores em Cannes

 

Real.: Miguel Gomes / Int.: Joana de Verona, Carloto Cotta, Gonçalo Waddington, Cristina Alfaiate, Xico Xapas

 

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Mil e uma Noites: O Volume 1, O Inquieto (2015)

Mil e uma Noites: O Volume 2, O Desolado (2015)

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 22:12
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20.5.15

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Uma Segunda Juventude!

 

É verdade que todos esperavam que Paolo Sorrentino fosse reciclar o estilo vencedor de La Grande Bellezza num filme próximo, e ei-lo: Youth, o seu olhar luxurioso à segunda juventude de cada um, onde Michael Cane e o "ressuscitado" Harvey Keitel compõem um par de amigos de longa data (a caminhos dos 80) que passam férias num requintado hotel situado nos Alpes. Entre spas e saunas, Youth converte-se gradualmente numa poesia industrializada sobre a velhice e a confrontação com o passado, num registo que por si já parece "velho" no grande ecrã.

 

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Mas Sorrentino revela-se ainda, aquilo que já fora considerado na obra anterior: um VJ, apostando num filme sob um visual estilizado e de uma riqueza acolhedora. Se o realizador filma bonito, isso já se sabia, mas em Youth revela-se mais livre, confiante e sim ... egocêntrico. Porém, nem tudo o que vemos é realmente dispensável. É fácil emocionar com Youth (até certo momento uma das personagens expressa o quão subvalorizado estão os sentimentos) com toda aquela revisão dos nossos medos íntimos desconhecidos, mas sobretudo devemos louvar o facto do nosso realizador, que é também o argumentista, acertar com as suas cartadas nos diálogos, surgindo frases deliciosas, alguns dos quais incutindo uma filosofia sincera, talvez mesmo a única sinceridade da obra.

 

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Existe ainda outra aposta vencedora neste novo filme de Sorrentino, o seu humor digno de "buddy movie", como que - de certa maneira - Caine e Keytel fossem reincarnações longínquas de Jack Lemmon e Walter Matthau. A química transmitida por ambos pode ser demasiado frígida para os parâmetros estilísticos do filme, mas mesmo assim eles respondem com exactidão aos requisitos. Salienta-se ainda as participações de Paul Dano, que demonstra novamente o seu talento de difícil reconhecimento, sendo o responsável por uma das sequências que revela o quanto "infantil" podem-se também tornar essas filosofias de Sorrentino, que aqui reflecte sobre os horrores da vida na personificação de uma óbvia personagem histórica. Por outro lado, eis que também surge Jane Fonda (no melhor papel em anos), que encoraja, ao lado de Keitel, a inserção de um dos diálogos mais deliciosos e frontais deste Youth, um debate irónico sobre um tema bem actual , a proclamada morte do cinema e a "vingança" da televisão no futuro.

 

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Sim, há muito por onde gostar nesta obra, nem que seja para matar as saudades de uma certa "beleza". Desde o desempenho de Michael Caine, ao bom regresso de Harvey Keitel, passando pelo hedonismo, até chegar ao glorioso momento final, acompanhado por uma música que assombra a narrativa: "The Simple Songs". Youth pode não ser a obra que se esperava de Sorrentino depois de La Grande Bellezza, mas para todos os efeitos é pura sedução.

 

"Intellectuals have no taste."

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Paolo Sorrentino / Int.: Michael Caine, Harvey Keitel, Paul Dano, Rachel Weisz, Jane Fonda, Roly Serrano, Madalina Diana Ghenea

 

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Ver Também

La Grande Bellezza (2013)

 

7/10

publicado por Hugo Gomes às 14:20
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Cannes recebeu hoje o novo filme de Paolo Sorrentino (La Grande Bellezza), Youth (Juventude), que foi acolhido entre apupos e aplausos acompanhados com gritos de "Bravo, Bravo". Uma verdadeira batalha para ver quem pronunciava mais alto o seu agrado, ou desagrado, no fim da apresentação à imprensa. Até agora, Youth é o filme menos consensual do festival.

 

Esta é história de dois amigos de longa data a caminho dos 80 anos, Fred (Michael Caine), um compositor aposentado, e Mick (Harvey Keitel), um realizador em busca do seu filme-testamento, que passam as suas férias num hotel situado entre os Alpes. Durante esta estadia são constantemente confrontados com o passado que os persegue e com um futuro cada vez menos risonho. Contado ainda com os desempenhos de Paul Dano, Rachel Weisz e Jane Fonda, Youth acerca-se da experiência de vida e questiona o "para onde caminhamos?".

 

As críticas mais positivas apontam um filme da mesma linha de A Grande Beleza (La Grande Bellezza), porém, ainda mais estilizado, consistente e conservador nas suas influências Fellinianas, ao mesmo tempo mais emocional e belo. Já as opiniões menos positivas descrevem-no como um trabalho previsível que cobiça forçosamente a Palma de Ouro, tudo isto emaranhado num registo copista, demasiado encartado, manipulador e exibicionista. A localização nos Alpes e algumas temáticas semelhantes, colocam ainda Sils Maria, de Olivier Assayas, como fonte de comparação.

 

A NOS comprou os direitos de distribuição do filme em Portugal, mas ainda não há data para a sua estreia.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:51
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19.5.15

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Foi revelado um novo video de  Love, o novo filme de Gaspar Noé (Irréversible, Enter the Void), que será apresentado Quinta-Feira, dia 21 de Maio, na sessão de meia-noite do Festival de Cannes, o qual exibirá um escaldante ménage-a-trois.

 

Segundo a sinopse oficial, a história centrará na solidão de um jovem, Murphy (Karl Glusman), que sozinho no seu apartamento em pleno dia chuvoso, é "sucumbido" às recordações da sua mais marcante paixão, Electra, o qual conviveu durante dois anos. Anos, esses, recheados de jogos, paixão ardente, tentação e excessos.

 

O realizador havia descrito o seu trabalho como “um filme que excitará os rapazes e que as raparigas chorarão”. Aomi Muyocl e Klara Kristin também fazem parte do elenco

 

 

Ler críticas de outros filmes de Gaspar Noé

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publicado por Hugo Gomes às 21:09
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Chegou entre nós um novo trailer de Pan, uma espécie de prequela da clássica história de J. M. Barrie que agora conta com a realização de Joe Wright (Atonement, Pride and Prejudice). Pan acompanha as origens da Terra do Nunca e o primeiro contacto do jovem Peter Pan com ela. Peter Pan será uma das crianças órfãos raptadas pelo Capitão Barba Negra (Hugh Jackman), o mais temível pirata, num tempo em que o celebre Capitão Gancho, desempenhado por Garrett Hedlund, ainda não possuía o seu famoso gancho. Levi Miller, Rooney Mara, Amanda Seyfried, Kathy Burke, Leni Zieglmeier e Cara Delevingne completam o elenco. Pan tem estreia prevista para 15 de Outubro nos cinemas portugueses.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:51
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Foi divulgado o primeiro trailer de Maze Runner: The Scorch Trials, a adaptação do segundo livro da série literária infanto-juvenil de James Dashner. A história um grupo de jovens que num futuro distante se vêem forçados a serem testados em labirintos. O primeiro filme, Maze Runner, estreou ano passado e conseguiu um êxito moderado, arrecadando cerca 340 milhões de dólares em todo o Mundo. Wes Ball volta à realização, tendo ao seu dispor um elenco constituído por jovens estrelas como Dylan O'Brien, Katherine McNamara, Thomas Brodie-Sangster e Kaya Scodelario, e actores veteranos como Patricia Clarkson, Aidan Gillen e Barry Pepper. Estreia dia 17 de Setembro em Portugal.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:03
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Um misto de emoções. Assim foi recebido o último filme de Brillante Mendoza, Taklub, hoje apresentado à imprensa no Festival de Cannes. Inserido na secção Un Certain Regard, aquele que segundo o realizador é «uma história de sobrevivência e coragem» e «uma homenagem às vítimas e aos sobreviventes» do Tufão Yolanda (Hayan), que provocou uma onda de destruição nas Filipinas em 2013, contou com sala cheia, tendo ficando cada vez mais reduzida durante a sessão.

 

Mendoza fez um filme com base em experiências reais dos sobreviventes, tendo contraindo um tom de sofrimento acentuado em toda a sua narrativa. Provavelmente foi isso que fez  que muitos desistissem gradualmente do visionamento, enquanto os mais resistentes demonstravam sinais de agitação, constantes olhares para o relógio, suspiros de aborrecimento evidentes e, por fim, um final que foi aplaudido por alguns e olhado com indiferença por outros.

 

Brillante Mendoza, realizador de Lola Captives, volta aqui a trabalhar com a actriz Nora Aunor, com quem já havia colaborado em Sinapupunan (apresentado na edição de 2013 do Indielisboa e ainda inédito no nosso país). Em Taklub ela interpreta uma personagem inspirada numa sobrevivente real, uma mãe que procura os seus familiares numa região desolada pela força da Natureza.

 

Para além desta, o filme centra-se em infortúnios de outros sobreviventes, entre uns quais um homem que perdeu toda a sua família num incêndio, tornando-se protagonista de uma das cenas mais intensas e fortemente emocionais. A catástrofe que o filme aborda decorreu em Novembro de 2013 e devastou quase todo o arquipélago filipino, vitimando mais de dez mil pessoas. Foi considerado um dos mais fortes tufões algumas vez registados, mas foi completamente ignorado pelos medias do Ocidente uns dias depois do evento.

 

Talvez seja sob esse contexto que fez com que Mendoza dirigisse uma obra em constante estado martirológico, embora o cineasta sempre tenha afirmado que quando lhe propuseram que fizesse uma fita sobre a tragédia, que achava que «seria inapropriado e indelicado fazer um filme que explora a pena dos outros». Curiosamente o cineasta já anunciou que vai filmar uma nova obra e que de certa forma tem ligação a este projecto: «O meu próximo filme será um arrazoado contra as alterações climáticas. Eu quero que toda a gente tenha consciência desse problema mundial antes que seja tarde demais.»

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:25
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Numa entrevista ao site C7nema, o cineasta croata Dalibor Matanić, que se encontra em Cannes a apresentar o seu último filme, The High Sun (Zvizdan), inserido na Un Certain Regard, revelou que a obra é a primeira de uma trilogia denominada de "Sun". O próximo filme dessa trilogia terá como título Dawn (Amanhecer) e abordará temas idênticos a The High Sun, ou seja, expõe lado a lado o amor e o ódio. Contudo, neste novo projecto, a inveja será o principal toque incutido nas suas personagens.

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Recordamos que The High Sun acompanha histórias de amor separadas por diferentes religiões e etnias, fazendo igualmente um retrato do ódio. A base são casais que vivem em aldeias diferentes. As pessoas desaprovam essas relações, mostrando o quão difícil é superar um ódio profundamente enraizado. Esta história sob contornos shakespearianos é contada em três partes. Cada uma ocorre num intervalo de dez anos, desde o início de 1990 até o presente. Assim, seguimos seis amantes diferentes ao longo de três décadas consecutivas, onde cada personagem - em cada década - é desempenhada pelo mesmo actor (Tihana Lazovic, Goran Markovic).

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Na mesma entrevista, Matanić revelou ainda que o argumento que escreveu para o filme tem como base os conselhos da sua avó. Segundo este, ela era afectivamente incondicional, mas proibia-o de ter algum tipo de relacionamento com os sérvios, nomeadamente de namorar com raparigas sérvias. Tal acto confundia-o bastante, tendo assim procurado no seu filme aprofundar as bases para esse ódio enraizado.

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Vale a pena lembrar que esta não é a primeira vez que o cineasta está presente em Cannes, visto que apresentou as curtas-metragens Drought na Quinzena dos Realizadores em 2002 e Tulum (The Party) na Semana da Crítica em 2009.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:50
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18.5.15

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Foi divulgado uma nova imagem explicita de Love, o novo filme de Gaspar Noé (Irréversible, Enter the Void), que será apresentado Quinta-Feira, dia 21 de Maio, na sessão de meia-noite do Festival de Cannes.

 

Segundo a sinopse oficial, a história centrará na solidão de um jovem, Murphy (Karl Glusman), que sozinho no seu apartamento em pleno dia chuvoso, é "sucumbido" às recordações da sua mais marcante paixão, Electra, o qual conviveu durante dois anos. Anos, esses, recheados de jogos, paixão ardente, tentação e excessos.

 

O realizador havia descrito o seu trabalho como “um filme que excitará os rapazes e que as raparigas chorarão”. Aomi Muyocl e Klara Kristin também fazem parte do elenco

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:27
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Em busca de um país com identidade!

 

Depois de O Inquieto, chega-nos O Desolado, a segunda parte do já proclamado épico social de Miguel Gomes, As Mil e uma Noites, que tem como base o famoso conto persa, onde a bela Xerazade, a fim de preservar a sua vida, tenta entreter o diabólico rei com os seus relatos de histórias fantásticas povoadas de misticismo. Porém, esta livre adaptação não incute narrações a lendas persas nem algo que valha. Miguel Gomes substitui com outro tipo de histórias, as de um país socialmente desesperado, onde reina o insólito e o descontentamento. Esse país é Portugal.

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Na primeira parte, o realizador do muito prestigiado Tabu conseguiu captar a atenção de todos ao esboçar um mundo que funde a realidade com um surrealismo caricato e sempre abrangido com um constante tom de denúncia. Com O Desolado esse extenso surrealismo é salientado logo no primeiro ato – Chronicle of the Escape of Simão 'Without Bowels' (Crónica da Fuga do Simão 'Sem Tripas') – no qual seguimos um fugitivo à polícia em montes de aldeias vizinhas de Viseu. Uma história que na pratica soa mirabolante é na verdade inspirado num mediático caso real que fez as manchetes dos nossos jornais. Aqui, Miguel Gomes revela uma faceta mais contemplativa, mais paciente e nem por isso menos lunática, trabalhando com atores (Chico Chapas) e alguns não-actores. Mil e uma Noites invoca uma linguagem enraizada na nossa "portugalidade".

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Porém, este é o ato menos conseguido pelo autor nesta sua jornada. O ritmo fraqueja e infelizmente Gomes cai no erro dos muitos autores portugueses. Mesmo assim, a narração é digna de um ar de revolta constante, ares que se prolongam ao ato seguinte, The Tears of the Judge (As Lágrimas da Juíza), uma verdadeira queda de dominós que expõe muitos dos problemas que afectam a nação. Luísa Cruz consegue levar a sua personagem ao extremo, num misto de teatralidade com o seu ego oculto e uma vontade inerente de denúncia. Se Simão 'Without Bowels' foi a menos conseguido das histórias, aqui Miguel Gomes encontra a sua pequena "obra-prima": um vórtice de bizarrices, comédia non sense e uma crítica sem receios.

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Diríamos que estamos no auge das Mil e uma Noites, apogeu que acalma com a passagem ao ato seguinte, The Owners of Dixie (Os Donos de Dixie), que tal como acontecera com O Inquieto é o último tomo onde é transferida toda a emoção antes ignorada. A jornada de um cão e dos seus donos recebe contornos etnográficos quando tenta esboçar a comunidade de um bairro suburbano de Lisboa. Três actos sob tons opostos e divergentes que indiciam uma só verdade: Miguel Gomes é um conhecedor nato de todos os códigos do cinema português, sendo óbvio que a sua carreira como crítico favoreceu essa diversidade criativa, a qual não se via desde João César Monteiro.

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O cinema contemplativo de autor em Simão 'Without Bowels', o conto ácido e de influências teatrais de um Manoel de Oliveira em The Tears of the Judge e o cinema com toques de Pedro Costa e Marco Martins no último capítulo, fazem daqui três histórias, três estilos diferentes, três razões para proclamar As Mil e uma Noites como um grande evento do cinema português e até mesmo mundial. Fantástico.

 

Filme visualizado na 47ª edição da Quinzena de Realizadores em Cannes

 

Real.: Miguel Gomes / Int.: Joana de Verona, Teresa Madruga, Gonçalo Waddington, Cristina Alfaiate, João Pedro Bénard, Xico Xapas, Luísa Cruz

 

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Mil e uma Noites: O Volume 1, O Inquieto (2015)

9/10

publicado por Hugo Gomes às 20:46
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Temas delicadas sob exposições agressivas!

 

Muitos filmes tentaram abordar o tema, mas de momento Las Elegidas detém a proeza de conseguir uma exposição de um problema tabu com toda a frontalidade e controvérsia. Mas atenção. Fá-lo sem com isso ter de recorrer à exploração gráfica. David Pablos concentra aqui uma história de ouro, não no sentido da originalidade ou complexidade, mas sim no desafio em recriar uma trama que mantém-se a léguas do já visto e revisto na forma de melodrama ou novela.

 

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A prostituição infantil é um dos problemas mundiais que deve ser sobretudo combatido, porém, Las Elegidas não se comporta como um panfleto moralista com fins pedagógicos ou instrutivos. Ao invés disso, o filme joga a sua ambiguidade, sempre pressionada, para reflectir e mobilizar as audiências com a invocação simples do drama. Talvez seja este um dos motivos pelo qual a obra funcione como uma dolorosa experiência visual e emocional.

 

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No seio deste retrato social, seguimos uma adolescente, Sofia (Nancy Talamantes), que se encontra apaixonada por Úlisses (Óscar Torres), um rapaz um pouco mais velho que ela. A jovem é feliz, contudo, está longe de saber que o seu namorado provém de uma família de mafiosos. Família essa que tem como principal negócio o rapto de adolescentes e a prostituição das mesmas. Apanhada nesta teia corrompida, Sofia é agora obrigada a ser uma mercadoria sexual. Gradualmente vai perdendo a esperança de um dia poder rever a sua família, enquanto Úlisses prepara outra vítima para o seu legado familiar.

 

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David Pablos recria um México pastiche, mas não totalmente plástico na sua concepção. A ferocidade com que aborda o tema e o desafio com que executa, algo fora dos parâmetros maniqueístas e facilmente moralistas, torna Las Elegidas numa experiência de outra dimensão. O choque é unânime, visto que Pablos não arrenda pé nessa sua frontalidade e sem se conduzir pelo grafismo, usufrui do poder da sugestão como uma arma de destruição massiva. O repúdio do público perante esta manobra é suportada ainda pelo som, o qual tem aqui uma importância fulcral na conjuntura emocional. Os desempenhos suportam igualmente o peso da narrativa. Incisivo, negro e diversificado no seu olhar, o difícil mesmo é sair do visionamento com indiferença. Poderoso!

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: David Pablos / Int.: Nancy Talamantes, Óscar Torres, Leidi Gutiérrez

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9/10

publicado por Hugo Gomes às 18:09
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