2.11.13

A estática como influência musical!

 

Uma retrospectiva da musica minimalista norte-americana é vista de maneira embelezada pelo casal Caux (Jacqueline e o Daniel, este ultimo falecido em 2008), neste Les Couleurs du Prisme: La Mécanique du Temps. Tal como o titulo deste produto documental indica, se explora a mecânica do som transmitido por esta manifestação musical e ainda mais as suas influências, quer na sociedade envolto, quer nos artistas de diferentes nacionalidades e géneros musicais. Enquanto nos aventuramos neste mundo estilizadamente "underground" e sugestivo, inúmeras questões e dilemas deparam entre o espectador sem nunca ser conduzidos como debate, noutros casos chegando mesmo a não tolerar esses mesmos rumos que o filme poderia entretanto ter seguido.

 

 

Como já havia dito anteriormente, é o embelezamento que nos dita a nossa crença, é a invocação poética do exagero gustativo que força o espectador a adoptar tamanha reviravolta a seu redor. Ou seja, questões como "o que se pode considerar música e o que não", onde inicia ou onde termina a tal categorização, são postas de parte num puro e simples registo retrospectivo. Somos então introduzidos a artistas de renome como John Cage, Philip Glass ou o electrónico Richie Hawtin (Plastikman), nesta demanda pela melodia simples, estática e acima de tudo experimental. E é nessa temática que Les Couleurs du Prisme: La Mécanique du Temps se vinga, ora com momentos agradáveis dessa manifestação artístico-musical, ora pelo embaraço que ocasionalmente emane.

 

 

Quanto a enumeração desses sentimentos vertidos pelo filme, vai dependendo do gosto do espectador e da sua própria ideia estabelecida de música como também a sua iniciativa de experiência. Contudo o discurso imperativo e adjectival do narrador (Daniel Caux) e de nunca debater-se na sua interna composição, torna este Les Couleurs du Prisme numa força contraria e algo persuasiva na interacção com o público.       

 

Filme visualizado no DocLisboa'13

 

Real.: Jacqueline Caux / Int.: Philip Glass, John Cage, Terry Riley, Steven Reich, Gavin Bryars, Richie Hawtin

 


 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 13:57
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Uma relação atribulada entre o visual e o inerente!

 

Cada vez mais fascinado pelo bizarro e a diferença como linguagem fílmica, Michel Gondry aventura-se na obra-prima de Boris Vian, um dos pais do movimento surrealista na literatura, L’Écume des Jours (A Espuma dos Dias). Uma reflexão algo pessoal do autor que conecta aqui a sua distorcida, ao mesmo tempo criativa, visão com as suas vivências a foro pessoal que nas mãos do realizador assemelha a um substituto incomparável de Charlie Kaufman, o argumentista que havia trabalhado na concepção de inúmeras obras como o caso de Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Aliás existe algo de semelhante entre o filme de 2004 interpretado por Jim Carrey e o escrito de Boris Vian, ambos parecem desconstruir a estrutura modelar do dito romance, enquanto Eternal Sunshine o concebe através do gosto melancólica de uma ficção cientifica,  L'Écume des Jours parece usufruir da linguagem surrealista como metáforas expostas para os mais atentos.

 

 

Porém o que indicava ser uma cumplicidade "explosiva" de duas perspectivas (o visual e o imaginado) em compartilha do mesmo mundo se revela num elo quebradiço que tende em agravar a incompatibilidade dos dois autores. Enquanto Boris Vian é profundo nas suas palavras, Gondry apenas o ilustra sem a naturalidade dos seus fluxos imaginários, é como ver uma pintura que ostenta elementos barrocos que nunca encontra uma objectividade fluida capaz de envolver o espectador a integrar no seu encanto.

 

 

Devido a isso, L'Écume des Jours soa a plasticidade, a algo forçado e com aspirações para tal, o que de certa forma prejudica as prestações do seu elenco (Roman Duris é admirável pela sua flexibilidade quanto às constantes mudanças de ritmo transmitidas pela obra) e dos rasgos criativos e competentes que Michel Gondry parece invocar. Nota-se a criação de cenários e a metamorfose tingida nestes que de certa forma adulteram o estado dos seus personagens e uma sonoplastia de citações boémias. Mas esses momentos puramente prazenteiros parece não possuir relevância a um burlesco espectro daquilo que poderia ter sido. Fantasia decepcionante, mesmo que simbólica!

 

Filme visualizado na 14ª Festa do Cinema Francês

 

Real.: Michel Gondry / Int.: Romain Duris, Audrey Tautou, Gad Elmaleh, Omar Sy

 


 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 13:44
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O canal BIO vai exibir a quarta temporada da série Intervention (Vício), o relato corajoso de pessoas "acorrentadas" aos seus "demónios", que tentam lidar com reabilitação, contando com os apoios da sua família e amigos. A partir da próxima segunda-feira, dia 4 de Novembro, às 21h30. A não perder!

 


publicado por Hugo Gomes às 13:26
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