Real.: Seth MacFarlane / Int.: Mark Wahlberg, Mila Kunis, Seth MacFarlane
Filme – Do mesmo criador de Family Guy, eis Ted, um urso de pelúcia que ganha vida através do desejo do seu dono, John Bennett (Mark Wahlberg), ambos vivem hilariantes e palavrosas aventuras sem fim. Contudo quem não acha piada a esta estranha fraternidade é a namorada de John, Lori (Mila Kunis), que acredita que Ted está apenas a atrasar a vida do seu companheiro e adiar a sua maturidade. Comédia original e deveras divertida, recheada com o tipo de humor que Seth MacFarlane já nos habitou. Uma deliciosa metáfora.
AUDIO
Inglês
Alemão
Checo
Turco
LEGENDAS
Português
Alemão
Inglês
Checo
Grego
Hebraico
Islandês
Romeno
Turco
Estónio
Distribuidora – Zon Lusomundo
Ver também
As Sombras de Burton!
Johnny Depp e Tim Burton se reúnem pela oitava vez para tornar possível um dos seus objectos de admiração, uma soap-opera dos anos 60 equivalente a uma novela mexicana que se dá pelo nome de Dark Shadows, uma salganhada de temas que incluía algum frenesim sobrenatural como é o caso da sua estrela Jonathan Frid que interpreta nada mais nada menos que um vampiro (anyone?). Movidos por um passado de guilty pleasures, porém tão bem que sabem homenagear a matéria pouco prima, como foi o caso de Ed Wood, filme biográfico daquele que é considerado o pior dos realizadores e falamos a nível mundial, mas que nas mãos desta dupla imbatível resultou num excelente e excêntrico retrato da imperfeição artística. Será que poderia resultar em Dark Shadows? Felizmente nesta Sombras da Escuridão (titulo traduzido) temos a nosso dispor os ingredientes que mais afeiçoamos na carreira de Burton, desde os cenários góticos e imaginativos até às personagens excêntricas e claro, Johnny Depp no seu melhor a demonstrar que é um dos actores mais camaleónicos e flexíveis dos tempos actuais.
Cheio de referências á novela em questão como também dos próprios anos 70 o qual a fita decorre, Dark Shadows tenta incutir um certa tragédia ao vampiro Barnabas Collins (Depp), um anterior aristocrata playboy que comete o maior erro da sua mortal vida, parte o coração a uma bruxa, para ser exacto á rancorosa e sedutora Angelique (uma fantástica Eva Green). Como castigo a feiticeira lança a uma maldição a Collins e o remete a um sono de mais de 200 anos, quando é libertado, agora na década de 70, ele encontra-se convertido a um sedento de sangue, imortal e amaldiçoado, um vampiro assim por dizer. Segue então ao encontro dos seus descendentes, aqueles que eram uma das mais poderosas famílias do seu tempo são agora reduzidos a uma remanescência. Barnabas decide então ajudar os seus herdeiros a poderem erguer de novo.
Claro que este Dark Shadows é nem de longe nem dos mais complexos filmes de Burton, e para ser sincero tinha pano para muito mais, historia para dar e vender e personagens que mereciam ser exploradas ao invés de se auto-converter em somente referências. O que gera é uma narrativa bastante apresada no segundo tomo e uma falta de ligação entre as personagens. E é pena porque tínhamos a nosso dispor um excelente elenco que poderia funcionar no seio da extravagância gótica de Tim Burton entre os quais Chloe Grace Moretz, uma pequena actriz em ascensão, contudo é nostálgico ver de novo Michelle Pfeifer de novo sob as ordens do realizador, conta-se 20 anos desde Batman Returns. Na chegada do terceiro tomo, talvez o mais agradável em termos visuais mas o mais trapalhão a nível narrativo, nos revela caóticos twist que são desvendados á velocidade da luz. Porém no último acto o realizador invocar em Eva Green algo do género de Meryl Streep em Death Becomes Her de Robert Zemeckis (nostálgico assim por dizer).
Em Dark Shadows se consta o gótico de Burton em todo o seu esplendor, mesmo que o filme não funcione como uma obra plena da sua carreira é um amontoado de referências e homenagens não só á série em questão como também inúmeros filmes que fascinam o autor. Um elenco de luxo liderado por um Johnny Depp excelente!
“My name is Barnabas Collins. Two centuries ago, I made Collinwood my home... until a jealous witch cursed me, condemning me to the shadows, for all time.”
Real.: Tim Burton / Int.: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Eva Green, Helena Bonham Carter, Chloë Grace Moretz, Jackie Earle Haley, Christopher Lee
Com Twilight terminado no grande ecrã, as produtoras tem de pensar em algo rápido para poder preencher a lacuna deixada por este fenómeno de popularidade cinematográfica. Porém já temos candidato e é já agendado para o próximo ano, titula-se de The Mortal Instruments: City of Bones, trata-se de uma adaptação de uma série literária da autoria de Cassandra Clare, e volta a reunir sobrenatural e romance. Conhecido no nosso país como Caçadores de Sombras – A Cidade dos Ossos, a história se centra em Clary Fray (Lily Collins, Mirror, Mirror), uma adolescente que começa a explorar a sua linhagem de sangue, descobrindo segredos que desafiam a sua própria compreensão, enquanto tenta salvar a sua mãe (Lena Headey) que foi levada por um demónio. Realizado por Harald Zwart (Karate Kid) e com um elenco compost por Jonathan Rhys Meyers (Match Point), Robert Sheehan (Season of Witch, a série Misfits), Jamie Campbell Bower (The Twilight Saga: The Breaking Dawn Part 1), Jared Harris (Sherlock Holmes: Game of Shadows), Kevin Zegers (Transamerica, Dawn of the Dead), Aidan Turner (The Hobbit: An Unexpected Journey) e Kevin Durand (Cosmopolis), The Mortal Instruments: City of Bones tem data de estreia para dia 29 de Agosto de 2013 em Portugal.
Real.: Simon West / Int.: Sylvester Stallone, Jason Statham, Arnold Schwarzenegger
Filme – Um elenco lendário de eternos “actions mans”, sequências de acção rebuscadas porém com toda a testosterona de antigamente, referências de um cinema algo perdido que só os sobreviventes ainda incutem, ah, e tem Chuck Norris em acção. Um filme de acção desmiolado mas que serve como homenagem de um tempo em que se acreditava em “rambos”.
AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1
LEGENDAS
Português
EXTRAS
Cenas Cortadas
Apanhados
Distribuidora – Zon Lusomundo
Ver também
“My name is Bond, James Bond” quem é que nunca ouviu esta frase? Trata-se do quote de uma das mais famosas e velhas personagens do cinema, James Bond, nome de código: 007, protagonista de acção de uma série de saga cinematográfica que conta com mais de 23 filmes, ainda uma aventura não oficial (Never Say Never, 1983) e um spoof (Casino Royale, 1967), tornando-se assim num dos franchisings mais longos e antigos, contando com 50 anos de existência. E qual é a melhor forma de celebrar o 50º aniversário deste operacional agente da MI6? Um novo filme que já anda a fazer estragos nas bilheteiras de todo o Mundo, Skyfall de Sam Mendes, que se rende ao melhor e mais icónico que a saga originária do autor literário Ian Fleming consistiu. O Cinematograficamente Falando … também celebra o aniversário desta eterna figura de acção, elaborado assim um top 10 das melhores aventuras do agente ao Serviço de Sua Majestade.
#10) Quantum of Solace (Marc Forster, 2008)
A sequela linear de Casino Royale é um ensaio imparável de acção, onde mais uma vez confirma Daniel Craig como o James Bond de uma nova geração. Quantum of Solace, um dos títulos mais sugestivos da saga, foi porém castigado pela greve dos argumentistas que abateu o ano 2008, sendo que o seu guião aspire um pouco de vazio devido ao facto. Mas mesmo assim nada impediu de concluir um dos mais arrasadores filmes do agente secreto mais famoso do Mundo.
#09) You Only Live Twice (Lewis Gilbert, 1967)
Uma das grandes aventuras da era de Sean Connery. O frio e sedutor agente da MI6 que tem por hábito sorrir do perigo iminente, viaja para o Japão a fim de impedir o início de uma terceira Guerra Mundial entre as duas superpotências mundiais (EUA e Rússia). Nesta obra, James Bond irá enfrentar um dos inimigos mais mortais, a organização terrorista SPECTRE, liderada por Ernst Stavro Blofeld (Donald Pleasence).
#08) Thunderball (Terence Young, 1965)
Sean Connery de novo em grande forma como um 007 capaz de passar todos os obstáculos possíveis para conseguir cumprir a sua missão, até mesmo enfrentar os seus inimigos debaixo de água o qual esta terceira colaboração de Terence Young no franchising é repleta de fantásticas sequências submarinas. Quanto a bond girl, não poderíamos estar melhor servidos que Claudine Auger.
#07) From Russia With Love (Terence Young, 1963)
O segundo filme de James Bond é um clássico instantâneo contendo de novo um mortal Sean Connery na pele do omnipresente agente secreto da MI6. Terence Young é de novo realizador após ter iniciado a saga com Dr. No (Agente Secreto) no ano anterior, neste filme, James Bond irá enfrentar pela primeira vez a temível organização SPECTRE (uma alusão á antiga União Soviética).
#06) Goldeneye (Martin Campbell, 1995)
Tina Turner abre com estilo este primeiro filme com Pierce Brosnan na pele do sedutor agente James Bond com o seu genérico musical. Onze anos antes de Casino Royale, este Goldeneye foi talvez dos capítulos mais inovadores da saga, tendo modernizado a trama e conseguindo apresenta-la a novas audiências. Com Sean Bean, Famke Janssen e Judi Dench como “M”.
#05) Dr. No (Terence Young, 1962)
O inicio de tudo, Sean Connery como o imortalizado herói sempre com gags na manga que enfrenta vilões megalómanos (Joseph Wiseman) e também mulheres esculturais com roupas menores (Ursula Andress, como a bond girl mais icónica). Dr. No é como reduzisse todos os filmes de 007 num só modelo. Uma aventura clássica ao estilo de Ian Fleming.
#04) On Her Majesty's Secret Service (Peter R. Hunt, 1969)
Foi a primeira mudança na pele de James Bond; Sean Connery é substituído por George Lazenby, o mal-amado de todo os 007, porém ele protagoniza aquele é um dos melhores e mais pessoais argumentos da saga. O nosso agente secreto terá que ir para os Alpes Suíços para combater mais uma vez a temível organização SPECTRE que planeia fabricar uma arma biológica capaz de matar milhões. Uma missão arriscada acompanhada por vertiginosas perseguições de ski e Diana Rigg como uma interessantíssima e pessoal bond girl.
#03) Goldfinger (Guy Hamilton, 1964)
Uma escultural mulher que surge petrificada em ouro na cama de James Bond, uma das imagens de marca e icónicas da saga que dá início a uma das mais excitantes aventuras de Sean Connery como 007. Desta vez tem a seu dispor um vilão de peso, o maníaco Goldfinger (Gert Fröbe) que tem como desejo destruir todo o ouro concentrado no Mundo para assim poder destruir a sua economia.
#02) Casino Royale (Martin Campbell, 2006)
Muito discutido na altura que estreou, Daniel Craig não foi inicialmente muito bem aceite pelos seus fãs, talvez devido às suas atribuições físicas nada de relacionado com a figura de James Bond em si. Contudo este Casino Royale, talvez um dos mais fieis á obra de Ian Fleming e ao mesmo tempo o mais sofisticado, remetendo James Bond aos mais perigosos desafios até mesmo apaixonar-se, Eva Green detém esse “calcanhar de Aquiles”.
#01) Skyfall (Sam Mendes, 2012)
Skyfall tinha tudo para falhar, levar James Bond ao extremo e explorar a sua faceta mais humana e frágil como também esboçando as suas imperfeições como herói de acção, não era tarefa fácil mas o realizador Sam Mendes (American Beauty) consegue com este novo êxito da saga, uma antologia da figura criada por Ian Fleming. Referencias e homenagens são postas lado a lado com a renovação que 007 recebeu no reinado de Daniel Craig. Skyfall nos revela ainda um apurado elenco que vai desde a fria Judi Dench como M, Ralph Fiennes, Noami Harris, uma bond girl exótica que é Bérénice Marlohe e por fim Javier Bardem a relembrar o como megalómanos e psicóticos os vilões de James Bond são. Uma fita de acção completa e única.
Menções Honrosas – Licence to Kill (1989), Diamonds Are Forever (1971), The Man with Golden Gun (1974), Never Say Never (1983), For Your Eyes Only (1981)
Ver também
Real.: Quentin Tarantino / Int.: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz / Ano.: 2009
O que é? A história decorre numa França invadida por alemães nazis, no seio deste país sofrido pelos temores da Guerra encontra-se uma elite secreta de soldados norte-americanos conhecidos como os Sacanas sem Lei que operam independentemente e apenas tem como objectivo matar o máximo de nazis possíveis.
Porquê? Se julgávamos que filmes sobre a Segunda Guerra Mundial tinham que prioritariamente ser baseado em factos verídicos ou possuir um conteúdo dramático que revela os horrores desse negro período, Quentin Tarantino provou que é possível o oposto. Trata-se de um enredo fictício e de liberdade criativa que consolida todos os tiques do autor neste cenário dignamente bélico e dramático, com isso conseguiu trazer até nós uma história original, flexível, com fidelidade linguística e altamente temperada com personagens imperdíveis como o tenente Aldo Raine (Brad Pitt) e o vilão carismático, coronel Hans Landa (Christoph Waltz), galardoado com o Óscar de Melhor Actor Secundário desse ano.
Alternativas.: Inglourious Basterds é um filme impar da Segunda Guerra Mundial, porém vale a pena lembrar outros planos secretos da resistência aliada deste período tais como Zwartboek, o regresso de Paul Verhoeven ao seu país de origem e o pretensioso Valkyrie de Bryan Singer, onde Tom Cruise veste a pele de um célebre herói nazi, Coronel Stauffenberg, que planeia assassinar o próprio Hitler.
Ver também
Real.: Eric Darnell, Tom McGrath, Conrad Vernon / Int.: Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer
Filme – Numa época como esta que se avizinha o Natal, o circo é sempre uma óptima recomendação para se divertir e não é por menos que a versão DVD do terceiro filme de Madagascar é uma óptima sugestão para miúdos e também graúdos. O quarteto animalesco mais louco (e os psicóticos pinguins) está de volta e desta vez para poderem escapar à brigada de Controlo Animal decidem viajar com um circo ambulante e deveras decadente. Mais colorido e tecnicamente irrepreensível, Madagascar : Europe’s Most Wanted pode não ser o melhor nem o mais hilariante da trilogia, mas é um entretenimento animado e pleno para os mais novos e nisso podem depositar a vossa fé.
AUDIO
Português Dolby Digital 5.1
Inglês Dolby Digita 5.1
LEGENDAS
Português
Distribuidora – Zon Lusomundo
Ver Também
Madagascar: Europe’s Most Wanted (2012)
Depois de 007, os gauleses em missão ultra-secreta!
Asterix é já um ícone da literatura francesa e não só, arriscando a torna-se um símbolo do próprio país tal Rato Mickey para os EUA. Eis o eterno herói de banda desenhada, protagonista de aventuras escritas e concebidas por Goscinny e Uderzo, o qual encontra-se sempre acompanhado pelo gigante simpático Obelix e o seu fiel amigo canino, Ideiafix, detentor de um universo composto por um humor satírico e inteligente sobre as conquistas do Império Romano e a resistência do povo bárbaro Gaulês (uma alusão da Resistência Francesa), isto tudo resumindo a matéria-prima rica e plena para merchandising, o qual não tem sido desperdiçado pelos verdadeiros “gauleses”. O fruto desta união, do artístico com o comercial, Asterix passou das páginas aos quadradinhos até aos videojogos, filmes animados fieis e constantemente sobre o visionamento dos seus criadores e por fim filmes de acção real, onde já contamos com quatro obras cinematográficas, livres adaptações do material de Goscinny e Uderzo que já conheceu o ameno, o melhor e o pior (o terceiro e fracassado filme) passando agora em território mais próprio assim por dizer.
Astérix et Obélix: Au Service de Sa Majesté leva aos nossos amigos a viajar para a Bretanha (antiga Inglaterra) a fim se auxiliar os bretões contra as forças imperialistas romanas e os seus mercenários Normandos (um povo temido naquela época). Tem as suas falhas, o seu desgaste como sequela de um longo franchising que ainda não dá sinais de desfecho, mas acima disto temos características que tornaram este capítulo deveras interessante dentro da própria fasquia, que é o seu humor próprio que vai desde a satirização digna de Goscinny e Uderzo até aos puros gags caóticos que são marca distinta da comédia francesa.
É uma obra que celebra excelente visual gráfico e toques de grande produção e com um elenco que vai em prol do mesmo, com destaque para o sempre presente Gerard Depardieu (o qual já é difícil separar do seu Obelix), um hilariante Guillaume Gallienne na pele do “cavalheiro” Jolitorax até uma Catherine Deneuve a desempenhar uma figura iconográfica e satírica da Rainha de Inglaterra (com direito a Yorkshires Terrier e tudo). Quanto á personagem principal, Asterix, que muda de cara pela terceira vez nesta saga: Edouard Baer (Moliére) é neutro e também suportável no papel.
Porém uma das grandes fraquezas de Astérix et Obélix: Au Service de Sa Majesté é que juntar mais que uma banda desenhada num só argumento não é para todos, resultando por vezes numa história trapalhona, desanexada e dissipada, contudo compensada por um humor ligeiro, divertido e sob constante clima de sátira. Ocasionalmente divertido!
Real.: Laurent Tirard / Int.: Gérard Depardieu, Edouard Baer, Guillaume Gallienne, Catherine Deneuve
Ver Também
Astérix & Obélix: Mission Cléopâtre (2002)
Astérix aux Jeux Olympiques (2008)
O Belo Amigo!
Enquanto se faz sentir o frenesim de que Robbert Pattinson estará envolto na estreia do derradeiro e ultimo capítulo da saga Twilight, convido a espreitar uma das suas interpretações no início deste ano e não falo da sua bem-sucedida cumplicidade com Cronenberg. Deixando de lado o vampiro brilhante com ausência de bronzeamento e da lamechice e impotente figura que se comporta, Pattinson se transforma em Georges Duroy, um galã sedutor que influencia numa Paris do seculo XIX através das mulheres dos mais poderosos homens dessa mesma sociedade, a fim de atingir o seu maior objectivo, deixar de lado as suas origens humildes de pobreza e sacrifício.
Adaptação de uma novela de Guy de Maupassant, já várias vezes convertido ao cinema, Bel Ami de Declan Donnellan e Nick Ormerod é porém talvez o mais majestoso em termos cénicos e técnicos e também o mais ousado dos que as anteriores versões, contudo é um dos mais vazios e desequilibrados. Nota-se esforço em Pattinson em tentar atingir o grau de rancor e fraca intelectualidade deste oportunista, contudo é triste em invocar sedução perante as respectivas damas do que apenas olhar vagos e profundos, tornando-se no elo mais fraco do elenco. Mas é nas personagens secundarias que se sente alguma solidez de construção, todavia tudo sem qualquer efeito numa fita mais preocupada com as conquistas deste Bel Ami do que no clima de conspiração que tenta em vão tecer, sendo assim somos induzidos, conduzidos aos desvaneios da estrela e perdidos perante uma obra que se identifica com qualquer telefilme de luxo da BBC.
Por entres os actos corriqueiros até explosões sem gravidade e efeito do actor / vedeta face a um elenco secundário desperdiçado e despedaçado por esquematização, Bel Ami até tinha estofo para mais mas infelizmente é um veículo para a sua estrela, de narrativa desinteressada.
“I loved you when you had nothing.”
Real.: Declan Donnellan, Nick Ormerod / Int.: Robert Pattinson, Christina Ricci, Uma Thurman, Kristin Scott Thomas, Colm Meaney
Psicologicamente Cronenberg …
Aparentemente David Cronenberg parece ter abandonado as suas histórias repletas de violência gráfica cobertas por um clima igualmente tenso para nos adaptar a peça The Talking Cure de Christopher Hampton, que por sua vez é baseado em factos verídicos sobre um cuidadoso triângulo composto por dois génios da psicologia humana, Sigmund Freud e Carl Jung, e a paciente Sabina Spielrein que abalará os vértices desta contraditória relação. Porém mesmo sobre os factos históricos e os planos rígidos, A Dangerous Method tem tendências de um universo “cronenbergeano”, onde a violência apesar de não estar expostas em termos visuais encontra-se presente entre os cruzar de olhares entre personagens e a própria dissecação de suas mentalidades.
David Cronenberg enriquece assim em atribuir a sua interpretação e avaliação acerca desses dois mestres da psicanalise, dois amigos que se afastaram cada um em conjunto com as suas crenças, um enorme passo para a ciência mental que hoje encontra-se evoluída porém nem por isso mais explorada. Mesmo sob a sua riqueza e contexto histórico que faz desta obra calma porém não ausente de rasgos artísticos num produto obrigatório para qualquer conhecedor, é no seu casting que reside a sua maior força. A começar por Viggo Mortensen como mor Sigmund Freud, o actor eternizado na trilogia vencedora de estatuetas de Peter Jackson, The Lord of the Rings, exibe o porquê de David Cronenberg o persistir nos últimos três filmes da sua carreira, uma versatilidade como actor que resulta em carisma, talento e perfeita sintonia com os personagens que desempenha, na outra face da moeda o em ascensão Michael Fassbender consegue compor um notável Carl Jung conseguindo, sem humilhar a sua personalidade, expor as suas fragilidades.
Quanto a Keira Knightley que tinha nesta obra o papel mais complexo, porém a actriz de Atonement de Joe Wright e da primeira trilogia bilionária de Gore Verbinski, Pirates of the Caribbean, tem aqui material de primeira classe recriando uma personagem perturbada e propositalmente desequilibrada. As suas primeiras cenas conseguem submeter desconforto no espectador bem-sucedidamente. Por fim o talentoso Vincent Cassel ainda tem tempo para deixar a sua pegada nesta obra. Esta obra de Cronenberg que poderá não agradar a muitos dos adeptos do autor devido alguma falta de energia (porém desculpável visto se tratar de uma conversão dos palcos para a grande tela) e da esquemática narrativa, contudo funciona como um método cinematográfico, um olhar adentro dos homens por detrás da psicanálise. Provocador!
“Experiences like this, however painful, are necessary and inevitable; without them, how can we know life?”
Real.: David Cronenberg / Int.: Viggo Mortensen, Keira Knightley, Michael Fassbender, Vincent Cassel
Aprisionadas!
Quando três baleias cinzentas ficaram aprisionadas no gelo do Alasca, os EUA literalmente parou e uniu magnatas, ecológicas, militares russos, todos para um só objectivo, poderem resgatar os ditos mamíferos marinhos. Inspirado em factos verídicos, The Big Miracle é um básico modelo de filme familiar com os ingredientes certos para entreter e emocionar uma vasta gama de espectadores. Poderá até certo ponto culminar os mesmos sentimentos para quem viu e comoveu com o famoso Free Willy de Simon Wincer (1993), o novo filme de Ken Kwapis (He's Just Not That Into You) até consegue ser um profissional ensaio de drama animal e capaz de criar simpatia mesmo sob um signo de “fita domingueira”. Contudo a grande falha é mesmo os seus personagens, pouco coesos e pouco libertos do seu modelo de estereótipo e noutros casos como a personagem de Drew Barrymore, pode chegar ao ponto de ser irritante em demasia para o próprio desenrolar da fita.
Real.: Ken Kwapis / Int.: Drew Barrymore, John Krasinski, Kristen Bell, Dermot Mulroney, Ted Danson, Vinessa Shaw
No que se tornou o capuchinho vermelho?
Foi uma das animações mais imperfeitas que estrearam nas nossas salas no ano 2005, porém ninguém nega o seu ponto de vista divertido e sarcástico e para uma produção animada independente, Hoowinked! (tendo o titulo traduzido de Capuchinho Vermelho - A Verdadeira História) conseguiu mesmo assim render mais de 100 milhões de dólares em todo o Mundo, por isso não é novidade que uma sequela seja assim facilmente produzida. Longe da perfeição que estávamos habituados às produções da Pixar e Dreamworks, Hoodwinked Too! Hood vs. Evil é um pouco obsoleto e amador em termos visuais, mas esses términos não impedem o espectador de divertir, ou será que impede? Enquanto a obra anterior, dirigida por Cory e Todd Edwards, se brincava com o tão amado conto dos irmãos Grimm ao mesmo tempo que satirizava os policiais, principalmente os da autoria de Agatha Christie, esta sequela é uma trapalhada pouco imaginativa e sem grandes rasgos de comédia. A ironia e a satirização são demasiado forçadas e o enredo cede ao infantilismo. E quanto às personagens, bem, nada de realmente carismático aqui. Uma animação que nem as referências salvam.
Real.: Mike Disa / Int.: Hayden Panettiere, Glenn Close, Cheech Marin, Joan Cusack
Depois do Orfanato!
Depois do êxito geral de El Orfanato de Juan Antonio Bayona, a actriz espanhola Belén Rueda continua a garantir protagonismo no género do thriller / terror de uma forma intensa e nada descontrolada a fim de não garantir um estatuto de inconsequente de scream queen. Los Ojos de Julia é mais uma produção de Guillermo Del Toro, onde a actriz que também integrou filmes fora desse género comos os aclamados Mar Adentro e Savage Grace, interpreta uma mulher, Júlia, que investiga a misteriosa morte da sua irmã gémea, Sara, contudo é ameaçada por uma doença que gradualmente a tornará cega. Dirigido por Guillem Morales, este thriller misto de horror tece desde o início um clima de suspense digna do neo-noir que confere uma atmosfera arrepiante e prolongada, o mesmo se pode dizer do argumento que tenta comprimir ao máximo em prol de um twist final. Belén Rueda garante força na sua protagonista e uma interpretação acima da média, porém a fita é aligeirada por uma tremenda confusão de registos e numa dissipação na intriga devido á sua longa duração. Mas tirando isso estamos perante num dos melhores e mais assombrosos thrillers espanhóis do ano 2010. Vale a pena ver!
Real.: Guillem Morales / Int.: Belén Rueda, Lluís Homar, Pablo Derqui, Francesc Orella, Joan Dalmau
Como as pessoas crescem! Há alguns dias chegou “world wide web” uma fotografia do próximo filme de Robert Rodriguez, Machete Kills, a sequela de um homónimo filme de 2010 que junta Danny Trejo numa brutal matança e umas donzelas pelo meio. Na esperada sequela a dose de beldade foi posta ao rubro, porém o que mais impressionou na dita foto foi mesmo Alexa Vega com roupa diminutiva. É escaldante ver que a pequena actriz de Spy Kids afinal também cresceu. Machette Kills está agendado para 2013.
Apelidado de o Twilight com zombies, Warm Bodies irá surgir num ano saturado destes cadáveres andantes, mas felizmente a contar pelo trailer poderemos estar perante numa obra terna e com um ironismo irreverente. Realizado por Jonathan Levine (The Wackness, 50/50) e baseado num conto de Isaac Marion, Warm Bodies nos remete a um mundo infestado por zombies, porém um deles (Nicholas Hoult, X-Men: First Class) estranhamente apaixona-se por uma vivaça jovem adolescente (Teresa Palmer, I Am Number Four), e devido a essa reacção o nosso cadáver ambulante irá torna-se mais vivo cada dia que passa. Para além da invulgar dupla amorosa temos ainda John Malkovich (RED, Being John Malkovich), Dave Franco (21 Jump Street) e Analeigh Tipton (Crazy Stupid Love) no elenco. Ainda sem estreia nacional, porém nos EUA está marcado para o primeiro dia do mês de Fevereiro do próximo ano.
Remake futurista!
Os remakes abundam que nem pombos nos dias de hoje e principalmente lá para os lados de Hollywood, onde encontraram neste processo uma formula de reutilizar os rendimentos de velhas glórias entre os quais Total Recall. O filme em questão estreou entre nós há 22 anos atrás, actualmente goza o estatuto de culto quer na carreira de Arnold Schwarzenegger como no autor imperfeito e deveras trash, o holandês Paul Verhoeven. Pegando numa ideia do visionário escritor Philip K. Dick do seu conto We Can Remember It For You Wholesale, Total Recall – Desafio Total se centra numa aventura de ficção científica sobre máquinas de incursão de memórias e um planeta Marte no seio de uma revolução entre colonos e mutantes. A obra foi um êxito, mesmo sob o seu embrulho de produto série B despretensioso com o actor de The Terminator a oferecer uma prestação “mui generis”. E foi por isso que sob o atento olhares dos produtores em busca de velhos clássicos (ou não) para eventuais renovações (remakes), Total Recall era um potencial novo êxito, uma fita que aspirava nostalgia e muitas memórias sobre o espectador mais atento como também possuía ingredientes suficientes para agradar as audiências mais novas e desconhecedoras do êxito anterior, assim sendo e com as novas tecnologias que nos dias actuais detemos, a refilmagem desta obra de culto era uma espécie de “piece of cake” para os envolvidos hollywoodescos.
Porém a pergunta se mantem: será que uma nova versão do Desafio Total conseguiria atrair público suficiente num Verão tão competido como o do ano 2012? A resposta fica porém pouco agradável, nos EUA, o remake de Total Recall foi quase esquecido nas bilheteiras, um fracasso num mês que se registou na mais fraca adesão às salas de projecção de sempre, que foi esse maldito mês de Agosto. O filme apenas sobreviver do eminente fiasco graças a uma performance razoável, mas mesmo assim pouco rentável fora das terras do tio Sam. Será que todos estes sinais indiciam a uma saturação a estas “cópias” ou reboots como muitos querem apelidar de forma a amenizar o lado criativo do projecto? Bem, passemos á frente.
A versão do seculo XXI desta livre adaptação de Philip K. Dick foi concretizada por Len Wiseman (Underworld, Die Hard 4.0) com um auxilio de um argumento escrito por Kurt Wimmer (Equilibrium), neste filme esquecemos por momentos todo aquele ambiente trash e até mesmo Marte, a intriga ficou em casa, ou seja na Terra, onde num futuro longínquo quase 90% do planeta estará contaminado e improprio para habitação, sendo que os últimos redutos do ser humanos estão divididos em dois grandes territórios, a União Federativa da Grã Bretanha e a Colonia, que se situa onde era antiga Austrália, o único meio de transporte entre os dois centros é a chamada “The Fall” (A Queda), uma espécie de comboio que atravessa o centro da Terra. Ambos os territórios encontram-se constantemente em confrontos entre os federais e os rebeldes, que anseiam a independência da Colonia. Face a este deprimente cenário seguimos de perto Doug Quaid (Colin Farrell), um simples cidadão da Colonia assombrado por estranhos sonhos de que se trata de um espião. Um dia, seduzido pela publicidade da Total Rekall, uma espécie de agência de viagens que opera em implantar memorias, Quaid decide experimentar o fruto dessa empresa. Porém durante o processo, algo desperta na sua memória e instantaneamente começa a ser perseguido pelos federais e até a sua mulher se revela numa agente dupla. Afinal quem é Quaid?
Ao contrário da despreocupada variação de 1990 por Paul Verhoeven, este Total Recall tenta incutir alguns problemas sociais na sua trama, sendo que impõe um clima mais sério e alarmante. O argumento de Kurt Wimmer e Mark Bomback (que auxiliou Wiseman em Die Hard 4.0) explora o conceito de minoria neste futurístico cenário de guerrilha, onde aparentemente a personagem de Colin Farrell parece fazer a diferença. Tudo se torna mais automático e com isso mais mecanizado, enquanto o anterior ser um produto de “mau gosto”, porém admito, tem alguma personalidade, enquanto em Total Recall de Len Wiseman sentimos apenas o simples espectáculo hollywoodesco que os Verões já estão acostumados. Todavia, Farrell (cada vez mais a confirmar como a face dos remakes) consegue dar mais carácter ao seu personagem e ser mais ágil e coreografado que Arnold Schwarzenegger no seu próprio jogo. O actor como herói encontra-se dividido entre duas das maiores beldade de Hollywood, Jessica Biel e Kate Beckinsale (a sidekick amoroso e a vilã, respectivamente), contudo nenhuma delas consegue ser capaz de oferecer carnalidade às suas amplas personagens. A juntar este elenco podemos contar com Bill Nighy e o talentoso Bryan Cranston, ambos sob o signo do desaproveitamento.
Sente-se as potencialidades pipoqueiras deste Total Recall, porém Len Wiseman parece trocar a inteligência da sua intriga em prol do espectáculo rotineiro cinematográfico. De Philip K. Dick só mesmo as referencias expostas na tecnologia, entre os quais os andróides personalizados (alguém falou de I, Robot). Mais um remake pouco sucedido a juntar a lista, mesmo não sendo fã do original admito que esta versão é porém menos divertida e mais rotineira. PS – Calma fãs, mesmo estando despropositado com o clima desta versão, a mulher com três seios faz aqui a sua aparição, neste caso sob a pele da actriz Kaitlyn Lee (Wrong Turn 4 : Bloody Begginings).
“The past is a construct of the mind. It blinds us. It fools us into believing it. But the heart wants to live in the present. Look there. You'll find your answer.”
Real.: Len Wiseman / Int.: Colin Farrell, Kate Beckinsale, Jessica Biel, Bryan Cranston, Bokeem Woodbine, Bill Nighy, John Cho, Kaitlyn Lee
Ver também
Sites de Cinema
CineCartaz Publico