4.4.10

O último e incompleto filme de Heath Ledger

 

Após 4 anos da sua fracassada produção Tideland (2005), Terry Gilliam, o ex Monty Python volta incursar os mundos paralelos e fantásticos intervenientes da sua imaginação. A sua filmografia rica em tais mundos que cruzam o surrealismo suposto com a fantasia metafórica e alucinante, desta vez Gilliam invoca a sua fantasia barroca e artesanal para suscitar um purgatório visualmente deslumbrante, sendo essa fantasia imaginária “dreamland” ser uma espécie de “fóssil vivo” numa época em que tais elementos são combinados com a sofisticação tecnológica e equipada com o fenómeno de moda denominada de 3D, obviamente falo do mega êxito de James Cameron, Avatar. The Imaginarium of Doctor Parnassus é mais uma fábula que cruza os toques já presentes na filmografia de Gilliam, o tom surrealista de Fellini, característica destacada pelos efeitos práticos e cénicos da fita como também na avaliação das suas personagens. Para além de isto tudo o filme que na nossa língua foi baptizada por Parnassus – O Homem Que Queria Enganar o Diabo será relembrado como o último filme de Heath Ledger, que empresta aqui a sua alma, não ao diabo literalmente, mas sim a uma personagem multi-facetada, dito na cultura popular, um sujeito com várias caras. Ledger desempenha a incógnita personagem de Tony, um homem apelativo na sua oração que ajudará Dr. Parnassus (Christopher Plummer), um homem com 1000 anos que encontra-se a merecer da maquiavélica mente do Diabo (Tom Waits), muitas vezes referenciado como Nick. E é nesta jornada de tão bizarras personagens que encontraremos um fértil campo divisório entre o misticismo infernal com a pura lúcida mente de Gilliam. Não sendo um filme perfeito, como é habitual na carreira do ex Monty Python, demasiado ambicioso para a sua própria concepção, mas mesmo assim é dos mais sóbrios filmes do autor que aqui soube comportar-se a altura de contornar a trágica morte de Ledger, utilizando a metáfora de multi-facetado, que no seu conceito foi interpretado por Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law, que prestam a cara às inconclusivas cenas de Ledger, nomeadamente as sequências em que a personagem é submetida ao purgatório de Dr. Parnassus. Internamente jovem, relembrado como uma promessa perdida, Heath Ledger que havia conquistado a estatueta póstuma de Melhor Actor Secundário na gala dos Óscares de 2009, apesar de tudo não consegue deslumbrar nesta fita mas o seu desempenho em tal é de ficar para a posteridade. Parnassus é mesmo assim uma fita bem interpretada, Christopher Plummer é um actor com boa postura trágico-dramática, Tom Waits é um Diabo apostador sínico e bem carismático e temos a revelação de Andrew Garfield (Lions for Lambs) e a bela Lily Cole. The Imaginarium of Doctor Parnassus é um antiquado filme de fantasia que não seguia pela esterilidade digital das mais recentes produções, mas mesmo assim é mais uma das promessas que ficou por cumprir de Terry Gilliam, detector de tão trágica carreira como autor cinematográfico, mas arrisco-me a assinalar como a fita chave que ditará na probabilidade uma revira volta na presença do «D. Sebastião» do cinema fantástico. O Homem Que Queria Enganar o Diabo não quer enganar o próprio espectador, assim sendo temos uma fita humilde, com pretensões para a complexidade, mas honesto quanto às suas complicações.

 

 

 

Real.: Terry Gilliam

Int.: Christopher Plummer, Heath Ledger, Lily Cole, Tom Waits, Andrew Garfield, Johnny Depp, Jude Law, Colin Farrell

 

 

A não perder – Heath Ledger pela última vez

 

O melhor – a imaginaria visão barroca do mundo de Gilliam

O pior – a narrativa não compensa a complexidade do argumento e do visual

 

Recomendações – Brazil (1985), The Adventures of Baron Munchausen (1988), Alice in Wonderland (2010)

 

7/10

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publicado por Hugo Gomes às 21:29
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Blockbuster do inicio dos 80!

 

Com a passagem de Jaws (1975) de Steven Spielberg, surge aquilo que denominamos de produções para massas ou do estrangeiro “blockbusters”, hoje fonte vital do rendimento cinematográfico, que outrora algo foi encarado como um case study. Depois de o tubarão apavorar regiões costeiras de todo o mundo, quebrando recordes de bilheteira naquele quente Verão de 75 e originando um hype bem sucedido, entram em cena Superman (Richard Donner, 1978) e Star Wars (George Lucas, 1977) que fortalecem essa nova vaga de cinema. Porém o conceito de blockbuster não difere muito do estilo épico dos "grandes clássicos", mas sim da maneira em que são produzidos tais fitas, apresentando características que possam agradar todo a vasta gama de espectadores. Um dos factores desse mesmo estilo cinematográfico é de não apresentar tempos mortos, e se usam é para demonstrar os avanços tecnológicos como espectáculos de feira, a mise-en-scené é reduzida ou praticamente nula e toda a narrativa dos ditos blockbusters deriva do mainstream, uma básica evolução histórica e da solidez das suas personagens. Contudo os blockbusters poderão se caracterizar como estrondosos êxitos de bilheteira, todavia seguido tal forma, fitas como Gone With The Wind (Victor Fleming, 1939) e Ben-Hur (William Wyker, 1959) poderiam ser incluídas nesse termo, nos dias de hoje o conceito de “arrasa-bilheteiras” consiste na sua relação orçamento / rendimento, e na grande aposta do marketing em redor da película. Aliás é o marketing que define o blockbuster.

 

 

Em 1981, estreou entre nós uma fita de teor épico, com influências do subgénero peplum (também denominado por sword & sandals) vindo directamente dos recantos da série Z italiana. Contudo este blockbuster contrariou a brisa da sofisticação das grandes produções cinematográficas que se fazia sentir no momento, o tal filme é intitulado de Clash of Titans, e é nada mais, nada menos que uma distorcida reconstituição de uma fábula grega, a história de Perseus, um herói que desafia os deuses e enfrenta a temível Medusa e o colossal Kraken, dois dos últimos titãs da Terra. Desmond Davis (realizador) e o argumentista Beverley Cross combinam aqui as suas forças para trazer esta lenda mitologia à grande tela, mas a sua concepção é antiquada, algo como obsoleto, quer nos dias de hoje, quer na época que foi concretizado. Os efeitos especiais que sofrem uma rápida evolução no inicio dos anos 80, muito graças à influência de Spielberg e Lucas, são renegados por uma pratica quase rudimentar de stop-motion (na recriação das criaturas e outros, visionados por Ray Harryhausen que tem aqui o seu ultimo filme) e na fragmentação e sobreposição de planos que criam assim por exemplo, um cavalo alado a voar num céu azul ou um modelo stop-motion entre uma multidão de actores reais. Na sua concepção, Clash of Titans relembra a obra-prima de The Thief of Bagdad (1924) ou Jason and the Argonauts (1963), dois exemplos de épicos inovadores no requerimento dos efeitos visuais e sonoros, assim sendo a fita de Desmond Davis é corajosa e arrojada.

 

 

Quanto à sua estrutura dramática e narrativa, chegando muitas vezes a roçar a poesia teológica, Clash of Titans não é nenhum Satyricon de Federico Fellini, não conseguindo reproduzir o intrínseco da cultura grega e do mito. Tudo aquilo que é representado na duração de 118 minutos de filme é nada mais, nada menos que pura homéricidade hollywoodesca, e não na sua melhor forma. No geral, sendo tratado com alguma leveza, Clash of Titans é um filme competente a nível técnico, cénico e interpretativo, tendo o “grandiosoLaurence Olivier na pele de Zeus, Jack Gwillim no pequeno papel de Poseidon (deus dos mares), Maggie Smith (viria a torna-se celebre na saga Harry Potter) na maliciosa deusa dos mares, Tetis, Burgess Meredith como Ammons, Neil McCarthy se converte no trágico Calibos (personagem reduzida a vilão de serviço nesta produção) e por fim Perseus é desempenhado por Harry Hamlin (com mais semelhanças a Luke Skywalker do que a um herói grego).

 

 

Uma aventura clássica de Hollywood, que não deslumbra nem sequer nos dias de hoje, nem na época que foi filmado, porém é sim, uma nostalgia ao mais primitivo do cinema fantástica. Destacado por ter sido o ultimo filme produzido por Charles H. Schneer, produtor de inúmeras fitas de Sinbad e de Jason and the Argonauts.

 

"Find, and fulfill your destiny!"

 

Real.: Desmond Davis / Int.: Harry hamlin, Laurence Olivier, Maggie Smith, Neil McCarthy, Burgess Meredith, Jack Gwillim

 

 

 

A não perder – para ver antes do remake musculado de Louis Leterrier

 

O melhor – a ousadia em presentear o espectador com stop-motion enquanto o mundo piscava os olhos às mais avançadas técnicas trazidas pelos filmes de George Lucas e Steven Spielberg

O pior – é obsoleto mesmo para sua época

 

Recomendações – Jason and the Argonauts (1963), Satyricon (1969), The Thief of Bagdad (1924)

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:11
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publicado por Hugo Gomes às 18:55
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1.4.10

 

Segundo a Fox, graças ao estrondoso sucesso de Avatar, de James Cameron, a já falada sequela de Independence Day de Roland Emmerich irá mesmo ter luz verde. O realizador do grande êxito de 1996 revela estar a trabalhar em Independence Day 2 e 3 instantaneamente, logicamente será produzido em 3D e irá estrear em 2011. Will Smith recentemente encontra anexado ao projecto, sendo que a sua personagem obviamente irá regressar aos palcos desta guerra dos mundos.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:42
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publicado por Hugo Gomes às 23:23
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Blogs, Mulheres e Cozinha!

 

Um blog poderá ter a mesma força política e intrínseca que um jornal, livro ou outro meio de publicação física, tal afirmação pode parecer exagerada, mas nos dias de hoje se torna numa proximidade daquilo que esses distintivos online podem se tornar num futuro próximo, porém o passado o reflectiu, vejamos o caso de Julie Powell, uma mulher sem força de vontade condenada ao seu cubículo que amigavelmente chama de emprego e as suas velhas amigas a subirem nas suas carreiras, cuja criação de um blog que data o seu desafio espiritual, cozinhar num ano as 524 receitas do livro de culinária de Julia Child, vivência a sua que irá servir para solidificar o seu amor-próprio e melhorar a auto-estima que a ajudara para enfrentar os obstáculos dia-a-dia como também controlar a sua própria vida em visão de Julia Child que está para a personagem de Amy Adams como Jesus Cristo está para os cristãos. Baseado em duas histórias verídicas, o veículo da internet retratado na fita Ephron irá inspirar milhões de leitores em todo o Mundo, tanto como qualquer best-seller. Entre o blog de Powell e o livro de sucesso de Child, dois órgãos distintos unidos pelo estro que trouxeram às donas de casa e não só, são repercutidas em meio de narrativa temporal a relembrar o The Hours de Stephen Daldry ou mesmo a segunda parte The Godfather de Francis Ford Coppola, nem que seja pela união de duas das melhores actrizes do seu tempo que por sua vez interpretam duas mulheres influentes de espaços temporais distintos. Entre dois biopics resumidos a mero argumento, bem escrito por sinal, dirigido por uma igualmente genial Nora Ephron, autora do falhado Bewitched (2005), Julie & Julia se revela numa apetitosa comédia ligeira com excelentes desempenhos; Meryl Streep inconfundível (juntando a sua 16ª nomeação ao Óscar), Amy Adams assumindo como a excelente actriz que é e Stanley Tucci está brilhante como Paul Child, marido de Julia Child. Toque de especiarias ali e acolá numa narrativa que venera a independência feminina e a sua força face a um mundo “governado” por homens, um recheio romancista da internet, tão vulgar nos dias de hoje, e a cobertura da comédia romântica nova-iorquina e voilá, de resto Bon Apetit! Como já dizia Julia Child.

 

 

Real.: Nora Ephron

Int.: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina

 

 

A não perder – a importância do blog na definição de oportunidade

 

O melhor – o elenco e a realizadora

O pior – ser retratado como um “filme de emancipação feminista”

 

Recomendações – Bewitched (2005), Amelia (2009), The Hours (2002)

 

Ver Outras Fontes

Cinema is My Life - Julie & Julia (2009)

 

8/10

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publicado por Hugo Gomes às 23:01
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publicado por Hugo Gomes às 22:52
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publicado por Hugo Gomes às 00:36
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Mel Gibson – um Homem em estado de fúria!

 

Martin Campbell poderá ser confundido como um magistral artesão do cinema de acção graças aos seus inspirados trabalhos em The Mask of Zorro (1998) e na interessante incursão de um velho e celebre personagem de Ian Fleming (007) em Casino Royale (2006), motivo suficiente para utilizar o nome do realizador como um dos atractivos para o regresso de Mel Gibson ao cinema após sete anos desde The Singing Detective de Keith Gordon, produzido em 2003 (e não, as suas mãos em The Passion of the Christ não contam para o seu registo artístico).

 

 

O actor consagrado por Braveheart veste a pele de Thomas Craven, um federal da Brigada da Policia de Homicídios que se vê envolvido numa trama de conspiração de proporções mundiais, porém o motivo da sua entrada neste complexo caso de corrupção, negligencia e ilegalidade deriva da trágica morte da sua filha (Bojana Novakovic), uma estagiaria de um central nuclear, obviamente abatida por saber demais sobre o elusivo sistema da sua empresa. A intriga de Edge of Darkness é baseada na série de culto da BBC escrita por Troy Kennedy-Martin, que foi para o ar em 1985, protagonizado por Bob Peck, alguns episódios foram mesmo dirigidos pelo próprio Campbell, o que indica uma certa habituação á matéria-prima por parte do autor, porém esta fita de acção encontra-se mais perto do recente Taken de Pierre Morel do que a “antiguinha” série da BBC.

 

 

Assim sendo vemos Mel Gibson novamente como um policia vigilante, desta vez sem motas da morte, mas sim munido com o seu revolver e reflexos rápidos e imaculados, um herói completo relembrando os velhos tempos, mais concretamente os anos 90 onde tal subgénero se fazia sentir. O actor encontra-se em piloto automático, o suficiente para agradar os fãs, sendo desta forma a marca do melhor regresso do seu ego, o retorno do Braveheart ou Mad Max se assim quiserem chamar. Se Gibson voltou naquilo que estamos habituados e que sabe tão bem fazer, esta passagem pelo género da acção de consequências não é o mais feliz, muito devido a um hábil gosto em tecer uma complexa intriga, mas que no final não se entrega na totalidade, escolhendo seguir caminhos fáceis, preguiçosos, deixando para trás algumas pontas soltas e aresta por limar que contrariam a corrente da própria narrativa, por sua vez com queda para fragmentação e argumento.

 

 

A inserção da personagem secundária de Ray Winston define tal facilitismo, dispensável e espaçoso é aquilo que o decreta, construída por pseudo-filosofias que nada acrescentam á história sem lhe dar um toque mais fantasioso. Danny Huston mesmo sem grande esforço consegue caracterizar um vilão fácil de odiar, o exemplo capitalista da hipocrisia humana, o actor de 30 Days of Night de David Slade ou Wolverine de Gavin Hood encontra-se com o ego intacto, mas nem por isso negável. Edge of Darkness poderá se resumir como uma resposta norte-americana do sucesso do francês Taken, protagonizado por Liam Neeson, naquela que é a ressurreição do puro género de acção dos anos 80 e 90. Tendo mais olhos que barriga, a nova fita de Martin Campbell, longe do energético modelo que Hollywood nos está a habituar, é um filme de resultados minimamente satisfatórios … sublinhando minimamente.

 

Real.: Martin Campbell

Int.: Mel Gibson, Bojana Novakovic, Danny Huston, Ray Winston

 

 

 

A não perder – o regresso de Gibson

 

O melhor – o suspense inicial de uma intriga que prometia

O pior – não saber entregar totalmente á sua trama

 

Recomendações – Man on Fire (2003), Taken (2008), Death Wish (1974)

 

Ver Também

Taken (2008)

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:28
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