Foi lançado o primeiro teaser trailer de Megamind, a grande aposta da Dreamworks para Novembro deste ano, uma sátira ao universo dos super-heróis e vilões que conta com o elenco vocal, como é habitual do estúdio – de luxo, com Brad Pitt, Will Ferrell, Jonah Hill e Tina Fey. E já que falamos em vilões animados, não podemos esquecer de Despicable Me da Blue Sky, o mesmo estúdio que nos trouxe Ice Age e Horton Hears a Who!. A história centra-se num vilão com planos maléficos de conquistar a Lua, ao seu dispor está um exército não muito equilibrado. Steve Carrell, Russel Brand, Jason Segal e Julie Andrews fazem parte do elenco vocal. Para finalizar deixo-vos o trailer de How to Train your Dragon, a aposta da Dreamworks para Março, com estreia em Portugal para o próximo dia 25.
Puritanos e Bárbaros
Por entre a peste negra, bruxaria, religião e devastação nasce um herói improvável – Solomon Kane – um anterior mercenário agora convertido num homem de bem com intuito de redimir sua alma após saber que esta se encontra marcada no Inferno. Solomon Kane segue então a sua jornada para combater as forças do temível feiticeiro Malachi (Jason Flemyng) que ameaça destruir o mundo conhecido e capturar de vez a alma do nosso herói.
Adaptação de uma série de histórias escritas pelo mestre da literatura pulp Robert E. Howard (Conan, The Barbarian), Solomon Kane é uma negra e bem conseguida gótica fabula da eterna luta entre o bem e o mal, onde remete o espectador a um herói de contornos religiosos e de padecimento, desempenhado por James Purefoy (com um talento "quase" semelhante a de um Hugh Jackman) que consegue aqui transcrever um personagem fortemente carismático. Trata-se de um produção ligeira que nos garante em duas horas uma diversão mais adulta que a maioria das apostas deste Verão, com doses generosas de sangue e carnificina em envolvência com uma mitologia profana anglo-saxónica, totalmente evidenciado na caracterização dos arqui-inimigos de Solomon, entre eles um cavaleiro mascarado com sérias semelhantes com um grupo de música metal.
Porém é verdade que esta incursão religiosa não é perfeita, a meio de duração a fita perde um certo "gás" rítmico, os clichés acumulam-se antecipando o desfecho e o elenco secundário constrói personagens demasiadamente descartáveis para a narrativa. Mas em compensação, Michael J. Bassett invocar um certo sentimento de responsabilidade no seu herói, cingido em simbolismo, que enriquece a fita e assim sendo nasce uma noção de espectacularidade que se não fica dependente dos efeitos visuais. Por fim devo mencionar que a fotografia e a banda sonora são certeiras nesta atmosfera algo mística. Solomon Kane é assim, o inicio de uma trilogia, um arranque agradável que constitui assim uma bela surpresa no seu campo de simples entretenimento descartável.
“There are many paths to redemption, not all of them peaceful”
Real.: Michael J. Bassett / Int.: James Purefoy, Rachel Hurd-Wood, Max von Sydow, Peter Postlethwaite, Jason Flemyng
A não perder – um pequeno e agradável filme de aventuras!
O melhor – O visual e as cenas “oldschool” de espadachins
O pior – personagens descartáveis e alguma previsibilidade
Recomendações – Van Helsing (2004), Hellboy (2004), Ghost Rider (2007)
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Split Screen – Solomon Kane, por Tiago Ramos
O livro do poder e redenção!
O mundo como nós conhecemos morreu, a humanidade enfrenta a extinção, risco dos seus próprios actos, um homem solitário viaja para Oeste, transportando consigo um livro que qualquer morreria só por possui-lo. Eis The Book of Eli, o mais recente filme dos irmãos Hughes, noves anos de ausência na cadeira de realizador após a fracassada adaptação da graphic novel de Alan Moore – From Hell, que tal como a obra anterior justifica como um exercício de apelação visual, onde a escolha dos tons amarelados e o jogo de sombras (por exemplo, a magistral sequencia de luta debaixo do viaduto) contorna a fita para uma aspiração a comic book.
Tendo como Denzel Washington como protagonista (e que protagonista!), esta nova incursão do apocalipse remete-nos á memoria os tempos em que a trilogia Mad Max reinava nas salas de cinema, onde Mel Gibson, tal como o actor de Malcolm X nos consagram espiritualidade semi-messiânica, se não fosse o caso de todo este frenesim de fim dos tempos se concentrar no último exemplar da Bíblia Cristã, o incógnito livro que o nosso herói valoriza mais que a sua própria vida. Washington é um Moisés de poeira e podridão que encaminha o espectador a uma reflexão da própria existente desse livro milenar, Gary Oldman equilibra a “balança”, voltando a desempenhar um vilão, aclamado o livro como uma arma poderosa apontada a uma das fraquezas como força do ser humano, a sua fé.
Com este tipo de relato, o espectador tem a hipótese de reflectir o papel da Bíblia ao longo dos tempos, sua posição nas civilizações e sociedades que aí apareceram, são poucos os filmes pipocas capazes de provocarem esse tipo de debate, todavia não pensem tratar-se de um dramalhão religioso apocalíptico. Porém longe de qualquer metáfora crítica, temos sim um entretenimento de acção, com tudo o que publico mais pipoqueiro exige, sequências de acção, um herói sempre cool, um vilão que gostamos de odiar, portanto toda aquela solidez narrativa e argumentativa, derivado da escrita de Gary Whitta, é um brinde que só valoriza o filme, tornando mais inteligente e menos inconsequente, sem esquecer também, do cruzamento do toque de cinema western, os únicos senão é que as personagens femininas são tão maltratadas nesta obra tal e qual como a maior parte das produções hollywoodescas, a bela Mila Kunis sofre desse síndrome, guiado por um final ridículo para a personagem.
The Book of Eli é uma fita de acção vistosa, discreta de olhar e rica em termos de conteúdo, é uma grande surpresa no seu campo, mesmo vindo dos irmãos Hughes, é pena que poderá saber a pouco após a grande odisseia intrínseca que foi The Road de John Hillcoat, outro drama apocalíptico que estreou neste inicio de ano no nosso país.
Real.: Albert Hughes, Allen Hughes
Int.: Denzel Washington, Mila Kunis, Gary Oldman, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Tom Waits, Michael Gambon, Malcolm McDowell, Keith Davis
A não perder – Denzel Washington empunhado de katana e pistol
O melhor – as referências em relação á bíblia por parte de Washington e Oldman
O pior – cair na tentação de ser uma obra exclusivamente pipoqueira
Recomendações – The Road (2009), Mad Max (1979), Mad Max 2 – The Road Warrior (1981)
Ver Outras Fontes
Split Screen – O Livro de Eli, por Tiago Ramos
Enquanto a trilogia de Millennium, o grande sucesso sueco, adaptação de uma saga literária do falecido Stieg Larsson, encontra-se ao rubro por este Mundo fora, o segundo volume – Millennium 2: The Girl Who Played With Fire – preste a estrear em Portugal, no outro canto do Atlântico já se fala de um remake americano. Para o lugar de realizador da trilogia norte-americana, já se falou de Quentin Tarantino (o facto do autor ter revelado admiração pelo projecto), mas de momento é David Fincher (Se7en, Panic Room, The Curious Case of Benjamin Button) que toma as rédeas. A Sony Pictures é a detentora dos direitos de adaptação, falando de Carey Mulligan (nomeada ao Óscar por An Education) para desempenhar o papel da bizarra Lisbeth Salander, a protagonista dos três filmes.
Hugo Weaving (Matrix, V For Vendetta) será Red Skull, o arqui-inimigo do Capitão América na adaptação cinematográfica dirigida por Joe Johnston, com estreia marcada para 2011. O adversário deste vilão de peso da Marvel será desempenhado por John Krasinski, destacado em It’s Complicated, em cartaz ao lado de Meryl Streep, Steve Martin e Alec Baldwin. O argumento é levado a cabo por Christopher Markus e Stephen McFeely (The Chronicles of Narnia, The Life and Death of Peter Sellers).
Divorciados … com mais regalias do que é o normal!
Após setes anos do aclamado Something’s Gotta Give, Nancy Meyers prova ser uma artesão naquilo que se refere no romance sénior, em que os “alvos” do cupido não são mais aqueles jovens esteticamente belos, mas sim personagens maduras e com grande experiencia de vida, assim sendo filmes como o já referido e este It’s Complicated conseguem interagir com o espectador mais graúdo e remete-los algumas das muitas situações que tenta descaradamente esquecer, se não fosse o inicio da velhice como uma segunda adolescência. Em 2006, Meyers dirige The Holiday, com o título traduzido e apelativo como O Amor Não Tira Férias, que foi um sucesso entre o público, mas a sua mudança radical do registo etário, faz com que as situações transcritas nessa obra estão cheias de inverosimilhanças e chegando mesmo a ser rebuscados, Nancy Meyers está numa idade em que os contos de fadas já não fazem sentido e é por isso que neste It’s Complicated tudo resulta “quase” na perfeição.
O argumento, escrito pela própria realizadora, remete-nos á caricata historia de Jane (Meryl Streep) que se encontra divorciada há uma década, a vida desta mulher de sucesso não é dada a romance, nem sequer a sexo, e com o crescimento dos seus filhos, que cada vez menos necessitam de sua mãe, Jane começa a sentir-se sozinha. Porém o sol começa de novo a brilhar na sua vida, quando a nossa protagonista inicia um caso amoroso com um homem casado … imaginei só! Com o seu ex-marido, Jake (Alec Baldwin). A premissa é divertida e original, não é por menos que It’s Complicated esteve nomeado aos Golden Globes pela categoria de Melhor Argumento Original, como também nada desta história no mínimo criativa resultaria se os actores não ajudassem, e no novo filme de Nancy Meyers brinda-nos com um trio de luxo, destacados e desenvolvidos de forma aproximar o público com os caracteres cinematográficos.
Meryl Streep é uma “one-woman-show”, bela, extrovertida e sempre expressiva, Baldwin, amaldiçoado nos últimos anos por papéis secundários de fraco calibre, é fortemente carismático com esta combinação de grosseiro e charmoso e até mesmo Steve Martin (suportável) consegue criar naquele seio um personagem bem cativante, mesmo sendo o terceiro elemento do triangulo amoroso, que em muitos casos é o mais descredibilizado. Na secção mais discreta, temos a revelação de John Krasinski que consegue até mesmo roubar as cenas do trio maravilha e veterano, ao contrário da escolha para os filhos de Jake e Jane, demasiado estereotipizados e sem pingo de maturação como personagens (Caitlin Fitzgerald, Zoe Kazan e Hunter Parrish).
It’s Complicated é uma lufada de ar fresco na comédia romântica, ousada, original com evidentes toques de Billy Wilder ou até mesmo Woody Allen, criativos dialogos que soam no filme como tiros certeiros e bem orquestrada com os seus protagonistas, por momentos esqueçam a lamechice e “abraçam” uma metáfora não platónica de romance. Hilariante!
Real.: Nancy Meyers
Int.: Meryl Streep, Alec Baldwin, Steve Martin, John Krasinski, Caitlin Fitzgerald, Zoe Kazan, Hunter Parrish
A não perder – comédia romântica para a pós-menopausa
O melhor – o trio de actores, o argumento, os diálogos ousados e inteligentes
O pior – mesmo assim ainda existe arestas por limar no que requer ao desenvolvimento das personagens secundárias.
Recomendações – Julie & Julia (2009), Something’s Gotta Give (2003), Prime (2005)
Meryl Streep quebrou o seu próprio recorde na última gala dos Óscares, sendo que a nomeação em Julie & Julia (Nora Ephron) seja a sua 16ª indicação para o mesmo prémio. Relembremos uma das estrelas mais carismáticas e adoradas de Hollywood, através dos outros 15 papeis que lhe valeram as nomeações e alguns deles, mesmo o Óscar.
Doubt (2008 – John Stanley Patrick) – Streep interpreta uma tolerante directora de uma escola em Bronx.
The Devils Wear Prada (2006 – David Frankel) – Uma patroa que se torna num dos piores pesadelos da jovem recém-licenciada, Andrea Sachs (Anne Hathaway).
Adaptation (2002 – Spike Jonza) – ela é Susan Orlean, uma escritora que escreve um livro sobre um ladrão de orquídeas que serve como argumento para um filme em que Charles Kaufman procura sua inspiração.
Music of the Heart (1999 – Wes Craven) – Um realizador costumado com filmes de terror como Scream e A Nightmare on Elm Street dirige uma Meryl Streep encantadora neste melodrama em que uma professora luta para ensinar violino numa escola em Harlem.
One True Thing (1998 – Carl Franklyn) - Uma mulher que sofre de cancro, Renée Zellwegger é a filha que abandona a carreira para tomar conta dela.
The Bridges of Madison County (1995 – Clint Eastwood) – Uma mulher casada tem um caso com um fotografo da National Georgraphic (Clint Eastwood), que se encontra na cidade para registar imagens das famosas Pontes de Madison County.
Postcards from the Edge (1990 – Mike Nichols) – o realizador de The Graduate dirige uma cómica Meryl Streep que desempenha uma viciada actriz de Hollywood.
A Cry in the Dark (1988 – Fred Schepisi) – Uma mãe é acusada de matar o filho, após este ter sido atacado por um animal.
Ironweed (1987 – Hector Babenco) – Meryl Streep ao lado de um esquizofrénico Jack Nicholson num filme do mesmo realizador brasileiro de Kiss of the Spider Woman (1985) e de Carandiru (2003).
Out of Africa (1985 – Sydney Pollack) – Um dos filmes mais celebres do falecido director Sydney Pollack, Out of Africa é a historia de uma mulher que dirige uma plantação de café no Quénia que se apaixona por Robert Redford, um caçador.
Silkwood (1983 – Mike Nichols) – Nichols volta a dirigir Meryl Streep, o argumento de Silkwood foi levada a cabo por Nora Ephron.
Sophie’s Choice (1982 – Alan J. Pakula) – Venceu o segundo Óscar de interpretação, Streep num dos seus mais aclamados papeis, uma mulher que tem uma difícil decisão na sua vida, escolher um dos seus dois filhos.
The French Lieutenant’s Woman (1981 – Karel Reisz) – Streep interpreta duas histórias paralelas, num filme dentro de um filme. A actriz encontra-se ao lado do igualmente carismático Jeremy Irons.
Kramer Vs Kramer (1979 – Robert Benton) – Dustin Hoffman luta pela custódia do seu filho, do outro lado está a mãe, uma Meryl Streep com todo o seu esplendor, que não o deixará alcançar o seu objectivo. Streep venceu o primeiro Óscar.
The Deer Hunter (1978 – Michael Cimino) – Robert De Niro, um regressado soldado da Guerra do Vietname, enamora com a namorada do seu camarada e velho amigo que desapareceu misteriosamente na Guerra. Essa mulher é nada mais, nada menos que Meryl Streep.
Ver Também
Morreu na passada Quarta-Feira, 10 de Março de 2010, o jovem actor Corey Haim, muito conhecido pelo seu papel como Sam no filme êxito de Joel Schumacher – The Lost Boys (1987) e na respectiva sequela em 2008. Haim, com apenas 38 anos, morreu com uma congestão pulmonar na Providence Saint Joseph Medical Center, a causa, segundo as autoridades, foi deveras acidental, uma overdose para ser exacto. O actor, também ficou celebre pela sua amizade com Corey Feldman, sua parelha no já referido filme de êxito, porém foi a atribulada vida cheia de sexo e drogas que os levaram a semi-ruína. Que a sua alma descanse em paz.
Corey Haim (1971 – 2010)
A Maravilha do Digital!
Em 1865, Lewis Carroll (pseudónimo do professor de matemática, Charles Lutwidge Dogdson) publica o seu conto infantil - Alice in Wonderland - no qual baseou em algumas das suas próprias experiências. O sucesso do livro foi tanto, chegando a ser apreciado por variadas personalidades de calibre como o escritor Oscar Wilde e até mesmo rainha de Inglaterra Victoria, que anos mais tarde gerou uma sequela – Through the Looking-Glass, and What Alice Found There - escrito e publicado em 1875 por Carroll. Em 1951, a Walt Disney apoderou-se do material, concebendo um dos mais famosos clássicos da animação do estúdio, preservando o enigmático ambiente vindo da imaginação fértil e incógnita do escritor. Porém, passados 145 anos desde a tiragem do primeiro exemplar literário, Tim Burton decide contagiar esse intacto universo carrolleano (como proeza, voltando ao serviço da Disney após ter abandonando-o em 1984 com Frankenweenie, como causa descrita as divergências artísticas).
Com a desculpa dos avanços tecnológicos e da reinvenção do 3D, o estúdio do Mickey Mouse utiliza tais artifícios para regressar às personagens tão embutidas na sociedade actual, as estrelas da dita obra-prima literária. Tim Burton reinventa assim o Universo da Alice, todavia, a sua Wonderland perde o adjectivo de Maravilha e recebe os contornos de uma Nárnia imaginada por C.S.Lewis ou a Terra Média de Tolkien, ou seja adquire periferias mais negras, mais violentas, mais reflectivas ao Mundo Actual, perdendo assim a metáfora ou as hipérboles dignas do conto original. É um trabalho que se anuncia independente à sua matéria-prima, neste caso, a culpa é mais do argumento concebido por Linda Woolverton que propriamente de Burton.
Mas mesmo sentindo uma certa aderência do realizador ao mundo de Carroll, como “peixe na água”, o fardo de transcrever o mundo e as personagens que encantaram gerações é demasiado para o ego e espírito do autor, neste caso, em Alice in Wonderland, este abandona o gótico descrito nos cenários construídos ou nos efeitos práticos e sonoros e entrega-se de corpo e alma ao digital, ao facilitismo de resultados "perfeitos". Mesmo sendo inegável a qualidade do material aqui reunido, é discutível de que o realizador perdeu a sua essência, e aquilo que vemos no grande ecrã não é o que possa ser chamado de filme de Burton. A juntar a isso, uma narrativa demasiado rápida e tratada com demasiada leveza.
Contudo, os recursos digitais foram capazes de fornecer ao público, alguma vida entre as personagens do imaginário de Carroll, recorrendo ao já habitual freakshow digno de Burton, Johnny Depp (não é o Depp extrovertido que esperávamos) como Chapeleiro Louco e Helena Bonham Carter (melhor desempenho do filme) como a maligna Rainha Vermelha são dois exemplos disso, como também figurinos de que a tecnologia da manipulação está avançadíssima para transformar dois actores de calibre em dois seres que parecem saídos doutro planeta (sem referência a Ed Wood). Entre o elenco que empresta voz e pouca alma ao resto das personagens encontramos Michael Sheen como o indecifrável coelho branco, Stephen Fry com um riso caricato em o gato de Cheshire, Crispin Glover (River’s Edge) como o Valete, Anne Hathaway como a demasiado dócil Rainha Branca, segundo Burton, inspiração clara a Nigella Lawson, uma estrela de um programa de culinária da TV, Alan Rickman na enigmática Lagarta Azul, Timothy Spall como o Bayard e por fim, Christopher Lee dando vida ao temível e negro Jabberwocky (que esteve presente no livro Through the Looking-Glass, and What Alice Found There). No papel de Alice deparamos com australiana e ainda desconhecida Mia Wasikowska (Rogue) que compõe uma pré-adulta versão da protagonista de Lewis Carroll. A actriz consegue um desempenho afável, mas infelizmente, não deslumbra como tal, a personagem chave do filme parece ser guiado por um extenso cepticismo.
Enfim, o 3D mantêm todo o seu esplendor. A animação é sem falhas, a banda sonora de Danny Elfman é infalível, mas o material reunido remete-nos a um filme tão estéril de ideias. Inclassificável, no sentido que não evidenciamos uma obra de Burton, nem o toque excentrico e alusivo de Lewis Carroll. Diz-se chamar Alice, mas não o é. Eis uma decepcionante a nível estrutural, consolidado com um esplendor a nível visual.
"Lost my muchness, have I?"
Real.: Tim Burton / Int.: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Stephen Fry, Crispin Glover, Michael Sheen, Imelda Staunton, Timothy Spall, Alan Rickman, Christopher Lee
A não perder – quando uma obra-prima literária roça a vulgaridade
O melhor – o visual e Helena Bonham Carter
O pior – o material promissor transformado num filme tão déjà vu como este
Recomendações – Avatar (2009), The Chronicles of Narnia: The Lion, The Witch and the Wardrobe (2005), The Chronicles of Narnia: The Prince Caspian (2008)
Real.: Jaume Collet-Serra
Int.: Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman
Filme
Depois da perde do seu terceiro filho, o casal Coleman (Farmiga e Sarsgaard) decide então adoptar uma criança, com fins para terminar o trauma. No orfanato escolhem a carismática Esther (Isabelle Fuhrman), de inicio a criança demonstra amor, carinho e uma invulgar madureza, passado algum tempo coisas estranhas começam a ocorrer nas vidas dos Coleman, e Esther encontra-se presente em todas elas. Será que existe algo estranho com a menina?
Veredicto
The Orphan se demonstra como um dos melhores exercícios de terror que os EUA nos ofereceu nos últimos anos, os desempenhos são excelentes, a intriga é envolvente e intensa, pecando apenas por um final facilista e deveras decepcionante, mas de resto temos si, dos melhores títulos comerciais do ano 2009.
AUDIO
Inglês
Francês
Castelhano Dolby Digital 5.1
LEGENDAS
Português
Sueco
Holandês
Espanhol
Francês
Norueguês
Dinamarquês
Finlandês
EXTRAS
Cenas Adicionais – Um final alternativo horripilante
Distribuidora – Zon Lusomundo
Jackson entre o Céu e o Inferno!
Susan Salmon (Saoirse Ronan), segundo cita “like the fish” tinha 14 anos quando foi assassinada pelo vizinho do lado, mesmo estando morta o seu espírito contínua vaguear entre o real e o “limbo”, a paragem principal antes de alcançar o tão cobiçado Paraiso. Sua alma continua atenta aos acontecimentos que havia deixado para trás, assistindo á decadência da família e da má aura do seu homicida. Peter Jackson captou a atenção do Mundo com a milionária trilogia “The Lord of The Rings”, a fiel e bem trabalhada adaptação do clássico da literatura de Tolkien, tendo arriscado em converter o romance de Alice Sebold – Lovely Bones – para a grande tela, com o cunho de Steven Spielberg que juntamente com o realizador, são dois dos mais poderosos Homens do Cinema. Produzido pela Paramount Pictures, esta foi a grande aposta do estúdio para os Óscares, sendo o qual a sua estreia marcada em 2008 foi adiada para poder integrar na temporada dos prémios, como é assim chamada, porém a critica não lhe foi afável e até mesmo a Academia o ignorou por completo. Lovely Bones é um filme pretensioso que tenta descaradamente reunir o drama humano de certa afronta ao cinema de Eastwood com as sofisticadas tecnologias que recriam um mundo paralelo que envolve confusão e ainda mais pretensiosismo visual. Tudo se torna banal, bacoco, sem emoção, nem uma direcção de alma, Peter Jackson perdeu a sua crença no cinema o que torna tudo tão claro quando o espectador e a narrativa se perde num extenso monólogo que invoca filosofia de vida e mais filosofia de vida, repetindo a si próprio sob a voz de Saoirse Ronan, que esforça, mas que o director não a destaca. No resto do elenco, encontramos personagens de teor idêntico a de qualquer papelão inconsequente, Susan Sarandon no papel de uma avó invulgar que não apelida nenhuma simpatia, Rachel Weisz desaproveitada e Mark Walhberg de novo a cumprir aquilo que nos sempre deu, mais um mau desempenho. Se não fosse a caracterização de Stanley Tucci na pele de um verdadeiro predador sexual, o filme teria adquirido resultados mais bocejantes. A banda sonora de Brian Eno é intensa e dá uma ajuda, Jackson brinca com os efeitos especiais, mas não deslumbra, no final de todo este espectáculo, ficamos surpreendidos é quando chegamos aos créditos finais, mais propriamente na exacta altura em que surge as palavras “Directed By Peter Jackson”. Pois bem, existe esforço, mas o filme perdeu-se mesmo no limbo.
Real.: Peter Jackson
Int.: Saoirse Ronan, Stanley Tucci, Mark Wahlberg, Susan Sarandon, Rachel Weisz, Michael Imperioli
Imagens
A não perder – quando os autores falham redondamente
O melhor – Stanley Tucci, o psicopata
O pior – O limbo de Jackson é tão incredivel quanto piroso
Recomendações – Ghost (1990), Just Like Heaven (2005), Mystic River (2003)
No People Choice, segundo o título provém das escolhas do público, o filme Twilight vence o prémio de Melhor Filme e Taylor Lautner como Actor Revelação, isto foi sim, a opinião do público, sendo assim o meu contentamento quando festejei a vitória do filme The Hurt Locker de Kathryn Bigelow vence o Óscar de Melhor Filme, uma obra bélica de baixo orçamento e de baixo rendimento. A minha felicidade quando vi Bigelow a receber a estatueta alguns minutos após de ter vencido a categoria de Melhor Realizador (um memorável dia da Mulher para a realizadora), não foi pelo facto de ter se feito justiça no que requer á qualidade cinematográfica, mas por contrariar os próprios parâmetros da Academia. Os vencedores da mais respeitosa gala de cinema são motivados pelo marketing e pelas influencias culturais e sociais do ano, no caso do Melhor Filme segundo os Óscares, o distinguido era na maior parte dos casos o mais rentável a nível de bilheteira, ou seja uma forma de consolidar com o publico em questão, todavia não só The Hurt Locker foi o filme menos vistos dos dez nomeados á estatueta como também competia directamente com um gigante, um colosso de nome Avatar de James Cameron (ex-marido de Kathryn) que já fez pelo mundo fora cerca de 2 biliões de dólares de rendimento. Sem querer desfazer da qualidade de Avatar, um blockbuster rico no visual e pobre na estrutura dramática e narrativa, era nas eventualidades o favorito do Grande Publico, a academia acabou por contrariar o “filme do povo” e galardoou o esquecido do mesmo, aquele que só foi apoiado pela crítica e rejeitado pelas audiências de rendimento. Porém é obvio que o desapontamento dos mesmos pela escolha da Academia está a provocar uma espécie de campanha negra, subvalorização de The Hurt Locker, mesmo por aqueles que não o viram sequer, contudo esse “sindroma de pós-Óscar” é natural, é sim, cínico, mas natural e presente em quase todos os anos. The Hurt Locker é em suma um filme que o espectador necessita de ver para abrir horizontes e não no caso do Avatar, a obra que todos querem ver.
O quanto custa a vida!
Uma cooperação animada entre Israel e Austrália que resulta num alternativo filme de animação da israelita Tatia Rosenthal, que foi autora da congénere curta animada a Buck’s Worth (2005). Esta obra bem peculiar foi concebida em stop-motion e representa uma adulta história de uma comunidade que vive num apartamento em Sidney e as suas “ligações” entre si. Mesmo se tratando de uma animação, $9,99 não deve ser comparando com um entretenimento para menores, nem nada do género, mas sim um reflexo sarcástico á falta de contacto humano e á ausência de ambição nesses próprios seres que se auto-titulam como “filhos de Deus”. Um filme adulto de teor de tal adjectivo que compensa o espectador com uma visão bem realista do quotidiano, acompanhando com um exuberante trabalho de stop-motion, porém esta incursão indie prova um pouco do seu remédio, nas alturas perto do final, “foge a sete pés” do mainstream e se refugia no surrealismo pretensioso de cinema de autor, tirando isso, estaríamos perante de um filme da mesma magnitude que Waltz with Bashir de Ari Folman, estreado no nosso país em 2009. Mesmo assim é uma interessante experiencia de talento cinematográfico, a voz de Geoffrey Rush no sarcástico anjo sem-abrigo é fenomenal. $9,99 venceu o prémio de Melhor Filme no Festival de Cinema Contemporâneo da Cidade do México.
Real.: Tatia Rosenthal
Int.: Geoffrey Rush, Anthony LaPaglia, Samuel Johnson
Imagens
A não perder – uma animação diferente
O melhor – as personagens
O pior – a queda surrealista e demasiado artística que atinge na proximidade do final.
Recomendações – Crazy Glue (1998), A Buck’s Worth (2005), Persepolis (2007)
Real.: Guillermo Arriaga
Int.: Charlize Theron, Kim Basinger, Joaquim De Almeida
Filme
O amor proibido é aqui retratado como mosaico entre várias personagens; Sylvia (Charlize Theron) é uma mulher perturbada pelo seu passado. Gina (Kim Basinger) vive uma paixão escaldante com Nick (Joaquim De Almeida), tal relacionamento colidirá com Sylvia.
Veredicto
Guillermo Arriaga foi durante tempos o argumentista de serviço de Guillermo Iñarritu (Amore Perro, Babel), um artesão de narrativas fragmentadas e perpendiculares que neste momento escreve para si próprio, dirigindo o seu primeiro filme. Reconhece-se talento na escrita e na direcção, porém existe a falta de existência de um autor necessitado por outro. Não surpreende contudo, mas não é mau drama, não senhor.
AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1
LEGENDAS
Português
EXTRAS
Selecção de Cenas
Distribuidora – Prisvideo
Após ter caindo em graça com a sua magistral interpretação em An Education de Lone Scherfig, Carey Mulligan irá ser protagonista em conjunto com Keira Knightley (The Pirate of the Caribbeans) no próximo thriller de Mark Romanek (autor de vários vídeos musicais de Michael Jackson e Madonna), intitulado de Never Let Me Go, adaptação cinematográfica de uma homónima obra literária de Kazuo Ishiguro. A história segue três amigos que se reúne e decidem então desvendar os seus segredos mais obscuros. O realizador Romanek esteve em tempos relacionado com o filme The Wolf Man, mas teve que abandonar o projecto para dirigir este filme, que para além de juntar as duas actrizes britânicas do momento, ainda poderemos assistir a Charlotte Rampling e Sally Hawkins (que contracenou com Mulligan em An Education) no elenco. Never Let Me Go tem estreia marcada para Novembro de 2010.
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