A criança e o monstro … dentro de nós!
A adaptação de uma das obras-primas da literatura norte-americana não foi tarefa fácil, tudo porque Maurice Sendak, autor do livro “O Sitio das Coisas Selvagens” sempre rejeitou os nomes que encontravam-se anexados ao projecto de adaptação do inicio dos anos 90, porém se diz que Sendak encontrou sua “musa” enquanto visualizava Being John Malkovich (1997). A musa tinha um nome, Spike Jonza, um realizador acabado de sair do mundo dos videoclippes, que aceitou na altura a difícil tarefa da conversação de um dos livros mais amados de sempre para a grande tela. Porém devido a dificuldades nas relações do realizador e o estúdio que se encontrava anexado, Universal Pictures, o projecto ficou em stand by até o realizador encontrar nova “casa” no seio da Warner Brothers, o qual realiza em 2002 aquele que seria o seu filme mais aclamado – Adaptation com Nicolas Cage e Meryl Streep nos principais papéis. Só em 2005 é que o projecto se reiniciou após o término do argumento pela parte de Jonza e Dave Eggers, a rodagem só foi iniciada em 2006, numa produção em que Maurice Sendak encontrava-se presente, sugerindo e aprovando os ideais de Jonza, que desafiava a própria matéria-prima em transferi-la com uma veia mais adulta e negra.
Where the Wild Things Are –O Sítio das Coisas Selvagens é a historia de uma criança de nove anos, Max (Max Records), problemática e revoltada que foge de casa após ver sua mãe (Catherine Keener) com o seu novo namorado (Mark Ruffalo). Após uma longa corrida, Max confronta-se com um pequeno barco á deriva no lago, o qual decide viajar sem sabendo que esta o levaria para uma terra distante habitada por enormes monstros. Tais monstros o nomeiam como rei, cabendo a Max a missão de uni-los e livrar-lhes da solidão e tristeza.
Spike Jonza realiza um filme de coragem, uma fita que de certo será catalogada como “filme para crianças”, mas a sua temática é ousada, negra e sem imaturidade, como muitos projectos cinematográficos desta temporada destinado á família. Os efeitos visuais são sofisticadamente realistas, tendo em conta o pormenor da pelagem dos monstros, todos eles anexados com vozes célebres entre os quais James Gandolfini que condiz exactamente com a sua personagem, uma combinação de camaradagem com ferocidade, ainda se destaca para Forest Whitaker, a amorosa Lauren Ambrose, Paul Dano nas vozes das criaturas selvagens. Os aspectos das criaturas até podem ser caricatas, mas os seus temperamentos representam algum dos sentimentos que segundo a visão de Sendak são adquiridas às crianças após a face adulta; solidão, pessimismo, tristeza, revolta e incompreensão, fazendo com que Max é a inocência num mundo onde não o há, ele é de certa forma um subestimado messias, porém é ele que aprende a mais valiosa lição, lição essa que apesar de todos os conflitos uma família deve estar unida nem que seja pelos traços de luta e coragem em desafiar os mais diferentes obstáculos.
A nível técnico a fita é invejável, a fotografia de Lance Acord oferece uma certa melancolia e a banda sonora é vivaça e longe do pop que habitualmente se liga a este tipo de produções. Um emotivo objecto que desperta em nós a criança que reside dentro, por isso famílias, esqueçam os esquilos cantores, os anões digitais de Luc Besson, os vampiros apaixonados e a dupla John Travolta e Robin Williams, Where The Wild Things Are é o filme familiar desta temporada, devido a isso não percam o mais belo do género desde, sei lá … E.T?
Real.: Spike Jonza
Int.: Max Records, James Gandolfini, Forest Whitaker, Mark Ruffalo, Catherine Keener, Paulo Dano, Lauren Ambrose
A não perder – Um filme de crianças para adultos
O melhor – é de facto um notável objecto cinematográfico
O pior – os pais continuam a levar as crianças a ver cinema imaturo que pouco distingue das produções televisivas
Recomendações – E.T – The Extra-Terrestrial (1982), The Chronicles of Narnia – The Lion, The Witch and the Wardobre (2005), The Neverending Story (1984)
A moda parece que foi feita para ficar, o cinema 3D evolui muito neste pequeno espaço d e tempo, sendo que muitos estúdios principalmente os de animação como a Dreamworks já afirmaram que só produziram filmes com este tipo de tecnologia, porém os psicólogos alertam aos país que tal experiencia cinematográfica é desaconselhável às crianças menores de 12 anos. Tal afirmação advém de vários relatos de distúrbios de sonos que inúmeras crianças sofreram após a visualização de um filme 3D. Avatar de James Cameron, que já é um sucesso mundial e uma sofisticada apresentação de uma nova tecnologia suportável de 3D veio reforçar tal ideia, após a queixa de muitos espectadores nomeadamente crianças que reclamavam de dores de cabeça, náuseas e como já havia referido perturbação de sono. Sendo o filme recomendado para maiores de 12, ainda assim muitos país levam as suas crianças menores a ver este tipo de película.
Fonte – Diário de Noticias
Gripe A em versão hipérbole.
Num 2009 propício de cinema fantástico, nas proximidades do final sob a sombra dos grandes blockbusters da temporada fria como New Moon ou 2012, surge-nos este pequeno, mas curioso Carriers dos irmãos Pastor, destacando Álex Pastor (vencedor do prémio de Melhor Curta Metragem no Festival Sundance de 2006). Carriers é de certa forma uma hipérbole do pânico da Gripe A nos dias de hoje, retratando um mortal contágio de um vírus capaz de extinguir toda a Humanidade, a fita segue a sobrevivência de um quarteto de jovens que fazem de tudo, nem que a fidelidade às suas regras para viver neste ambientem hostil. Com bases a um certo cinema de ficção científica dos anos 50 e 60 dos EUA, Carriers encontra-se longe de tal cinema, concentrando mais na “imitação de realidade” dos factos, cuja realização aparentemente descuidada nos oferece uma experiencia mais próxima a uma vivencia e por mera sorte ou não, o espectador consegue emocionar através das decisões terríveis dos nossos sobreviventes até á frieza com que o Homem se revela a sua natureza de continuidade. Possuindo alguns actores capazes como o conhecido Christopher Meloni da série Law & Order e Chris Pine do recente êxito de Star Trek, ainda somos brindados pelas revelações de Lou Taylor Pucci (recentemente visto em The Informers e Fanboys) e da “foragida” Piper Perabo (que vimos no pieguice de Coyote Bar em 2000). Uma pequena surpresa do seu campo.
Real.: Álex e David Pastor
Int.: Chris Pine, Lou Taylor Pucci, Piper Perabo, Christopher Meloni
Imagens
A não perder- Para quem pensa seriamente na eventual “epidemia”.
O melhor – os personagens e manter longe do esquema de cinema hollywoodesco
O pior – o publico pipoqueiro de certo não irá simpatizar com ele.
Recomendações – Doomsday (2008), Children of Men (2006), Dawn of the Dead (2004)
Um ano de cinema português
Há quem discute o futuro da nossa 7ª arte, existe quem defenda que o nosso distinto cinema perdura em Manoel de Oliveira e que a comercialidade da nossa cinematográfica advém de projectos meramente televisivos, e quem acredita que o cinema português está aos poucos a “abraçar” o publico latino. Conforme seja a teoria é evidente que o ano 2009 foi rico em êxitos portugueses como por exemplo o primeiro filme do primeiro franchising cinematográfico do nosso país, Uma Aventura na Casa Assombrada de Carlos Coelho da Silva terminou o ano visto por 100 mil espectadores, sendo o maior êxito de bilheteira de uma produção luso. Atrás dele só mesmo Second Life de Alexandre Valente, que mesmo repudiado pela critica e publico chegou a ser visto por 90 mil. Outros “pequenos” sucessos foram Contrato, a estreia de Nicolau Breyner na cadeira e realizador que alcançou os 45 mil, a A Esperança Está Onde Menos se Espera de Joaquim Leitão foi visto por 40 mil, que não foi mais devido a uma desastrosa campanha de marketing, e por fim Star Crossed – Amor em Jogo de Mark Heller com 12 mil espectadores. Com certeza ano não era ano sem a estreia de um novo filme de Manoel De Oliveira, a adaptação de um romance de Eça de Queiros para os tempos modernos, A Singularidade de uma Rapariga Loira que obteve cerca de 6 mil espectadores, menos dois mil que outra conversão de uma obra-prima da literatura nacional, desta vez a de um livro de Camilo Castelo Branco, Um Amor de Perdição de Mario Barroso, o nosso candidato aos Óscar de Melhor Filme de Lingua não Inglesa. A destacar também este ano a celebração de Morrer Como Um Homem, mais um conto homossexual de João Pedro Rodrigues.
Um ano de Quentin Tarantino
Ingloruious Basterds foi indiscutivelmente o filme mais destacado do ano, e com ele, um realizador com uma “mão” cheia de referências, diálogos cativantes e bem escritos e personagens que tem de tão violento como de sedutor, falo obviamente de Quentin Tarantino e o seu ego incontornável na cinéfilia. Para a opinião de muitos estamos perante na melhor obra do autor desde os tempos de Pulp Fiction e Reservoir Dogs, onde o realizador e argumentista traz até nós a verdadeira palavra ficção, recriando o Holocausto duma maneira quase distorcida e genial. Inglourious Basterd rendeu mais de 312 milhões de dólares em todo o Mundo, sendo o maior êxito desde sempre do realizador de Kill Bill.
Os Focados
Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes, The Soloist, Charlie Barlett)
Brad Pitt (The Curious Case of Benjamin Button, Inglourious Basterd)
Mickey Rourke (The Wrestler)
Anne Hathaway (Rachel Get Married, Bride Wars, Passengers)
Taylor Lautner (The Twilight Saga – New Moon)
Christoph Waltz (Inglorurious Basterds)
Kate Winslet (The Reader, Revolutionary Road)
Os Desfocados
John Malkovich (Disgrace)
Bruce Willis (Surrogates, What Just Happened)
Robert De Niro (What Just Happened)
Cate Blanchett (The Curious Case of Benjamin Button)
Imelda Staunton (Taking Woodstock)
Samuel L. Jackson (The Spirit, Cleaner, Soul Men)
John Travolta (The Taking of Pelham 1 2 3)
Ver também
Singularidades de uma Rapariga Loira (2009)
Estás na lista!
Jonathan McQuarry (Ewan McGregor) é um contador financeiro, sem vida, sem família e sem namorada que por acaso conhece o carismático Wyatt Bose (Hugh Jackman) que o leva a conhecer um “mundo á parte”. Isso tudo consiste numa lista em que recebemos chamadas telefónicas de mulheres o qual McQuarry poderá envolver sem compromissos. Após uso e mais que uso, McQuarry apercebe que as intenções de Bose não foi apenas inicia-lo, mas sim trama-lo para um objectivo maior, a sua ambição.
Trata-se do primeiro filme do realizador Marcel Langenegger, que teve a oportunidade na sua primeira obra trabalhar com um elenco chamativo como este, através do argumento de Mark Bomback (cuja a “obra-prima” foi Die Hard 4.0). A intriga inicial contrai algum suspense digno de nota que capta o interesse do espectador, a premissa “embrulhada” com toques de thriller erótico e luxurioso fazem com que nos cativamos pelas personagens; Ewan McGregor a cumprir o inexperiente e tímido contador, Michelle William aprovar a grande actriz (um pouco distante do seu desempenho em Incendiary que também contracenou com McGregor, aqui a química é visível) e Hugh Jackman, cujo charme sem precedentes, dá-nos a ideia de um homem misterioso que de certo não devemos confiar.
Porém todo este chamariz termina quando a intriga dá asas ao clímax, a partir daí tudo se torna menos denso, mais déjà vu e confuso em termos de credibilidade, Jackman dá lugar a uma mal concebida variante do psicopata Tom Rippley e Ewan McGregor esforçadamente compondo o seus papel de herói, por vezes perdido com o rumo que o filme deu. Chegando a ser interessante, toda a trama se torna ilusão face a uma iminente desilusão que é o final. Um thriller com ambição para mais, para muito mais.
Real.: Marcel Langenegger
Int.: Ewan McGregor, Hugh Jackman, Michelle Williams, Charlotte Rampling, Maggie Q, Natasha Henstridge
A não perder – para quem sonhou com listas destas
O melhor – os actores e a cena do charro
O pior – um thriller com mais olhos que barriga
Recomendações – Talented Mr. Ripley (1999), Call Girl (2007), Firewall (2006)
Real.: Carlos Saldanha
Int.: Ray Romano, John Leguizamo, Denis Leary
Filme
A Terceira aventura do trio amigo leva-nos a uma descida ao centro da Terra, onde os dinossauros sobreviveram á extinção. Manny e Diego irão ao resgate de Sid, que fora “raptado” por um T-Rex fêmea.
Veredicto
O terceiro filme da trilogia de sucesso da animação de Blu Sky é dos mais frescos episódios das criaturas que tanto fazem divertem os mais novos e graúdos. E enganam-se se penso que este é o fim, porque á imagem desta comédia animada a Idade do Gelo ainda tem muito que dar.
AUDIO
Português
Inglês
Checo
Polaco
LEGENDAS
Português
Checo
Esloveno
Inglês
Polaco
EXTRAS
“Buck’s survival guide: Fun Fossilized Factoids”
Featurette “Falling for Scratte”
Teledisco Walk the Dinosaur
Distribuidora – Castello Lopes Multimedia
Ver também
Ice Age – Dawn of the Dinosaurs (2009)
Vince Vaughn já é presença habitual na temporada de Natal, Couples Retreat têm um bom elenco, alguns bons momentos, mas é mais uma comédia que “bate no ceguinho” em termos de gags. Previsível, o típico produto preferido da Zon Lusomundo.
Mais negro, mais violento, mais sádico …
Real.: Lexi Alexander
Int.: Ray Stevenson, Dominic West, Julie Benz, Doug Hutchison, Wayne Knight
Teoricamente é a resposta da Marvel ao sucesso de The Dark Knight da DC Comics, o clima negro, sério, realista e violento num herói de banda desenhada. Produzido pela Lion’s Gate, a mesma produtora da série Saw, o qual verifica-se nas doses generosas de violência gráfica, Punisher – War Zone é a adaptação de uma BD spin-off do anti-heroi da Marvel, Punisher, que conheceu a grande tela em 1989 sob a pele de Dolph Lundgren e em 2004 com Thomas Jane a vestir a camisola da caveira estampada. Ray Stevenson é talvez o mais fiel até agora, a sua frieza se transmite numa personagem tão sádica como o Punisher, o qual condiz exactamente com o negro e corrupto ambiente onde isola-se. Muito próximo do recente Rambo do que a versão de 2004, Punisher – War Zone é uma fita de acção divertida e gore que nos desperta o prazer pecaminoso que há em nós, uma reciclagem da serie B dos anos 80. Dominic West consegue ser um vilão de respeito e é bom voltar a ver Wayne Knight, o celebre “gordo” de Jurassic Park (1993).
Compras, compras, compras ….
Real.: P.J. Hogan
Int.: Isla Fisher, Hugh Dancy, Krysten Ritten, John Goodman, Joan Cusack, John Lithgow, Kristin Scott Thomas
Rebbeca Bloomwood (Isla Fisher) possui um emprego com futuro como colunista de uma revista financeira de sucesso, além de estar apaixonada pelo seu chefe, Bloomwood possui um grave problema, ela é viciada em compras e tal vicio a levará a cometer loucuras que ameaçam a sua estabilidade financeira e psicológica. Uma comédia romântica com tudo no sítio nos parâmetros comerciais, parece a segunda versão de The Devil Wears Prada de David Frankel, porém não possuído nada de original nos requisitos de comédia romântica nos dias de hoje, consegue funcionar graças a uma protagonista divertida, Isla Fisher e algumas interpretações surpreendentes neste tipo de produção (a revelação Krysten Ritten). No geral é um filme que nos faz sorrir por momentos, os seus momentos de diversão são o que chega para alegrar-nos o dia, mas infelizmente esquecemos no seguinte.
Vampiras … e lésbicas! Será obra-prima?
Real.: Phil Claydon
Int.: James Corden, Matthew Horne, Silvia Colloca, Margarita Hall, Sianad Gregory, Vera Filatova
Num ano em que assistimos a paródia ao mundo de George A. Romero em Zombieland de Ruben Fleischer, os vampiros também tiveram a sua chance de brilhar na comédia satírica em Lesbian Vampire Killers de Phil Claydon, que ao contrário do filme anterior é menos pretensioso e mais serie Z. Temos assim uma comédia que roça o caseiro ao piroso, mas é esse factor que o faz de divertido, arrancando ao espectador algumas gargalhadas. Lesbian Vampire Killers apresenta dois jovens que iniciam uma trip com o intuito de esquecer as suas desventuras amorosas, perdidos num local isolado e longínquo de Inglaterra, são ameaçados por uma temível e antiga maldição que segundo o qual anuncia o despertar de uma vampira rainha, que por sinal é … lésbica. O filme de Phil Claydon é um daqueles casos de projectos que nasce a partir de um nome, tal como aconteceu á 3 anos atrás com Snake on Planes de David R. Ellis. Um guilty pleasure semi-grindhouse para todos aqueles que acham que Twilight não é digno do nome “filmes de vampiros”, nem mesmo este. Divertido, mas não é brilhante. Já agora, não percam de amores por Vera Filatova.
No dia 10 de Janeiro, será postado neste blog a minha lista dos 10 melhores de 2009, enquanto isso gostaria que os leitores expressassem sobre as suas indicações de fitas mais marcantes do ano. Para isso é só enviar um email para hugogomes9665@sapo.pt com a lista de 10 filmes por ou sem ordem de preferências. O top será postado também no dia 10 de Janeiro de 2010, por isso, boas escolhas e bons filmes!
Para todos aqueles que viram e ficaram rendidos com Moon – O Outro Lado da Lua de Duncan Jones, maravilhados com o desempenho de Sam Rockwell, aquele que é dos melhores actores mais subestimados pela Academia, as nomeações que esta produção tem direito poderá ser apenas sonhos, tudo porque a Sony Pictures, a distribuidora do filme, não disponibilizou qualquer cópia para os votantes da Academia, decidido a não inclui-lo na sua lista de Consideração. O realizador e o actor mostram indignação, porém corre em online uma petição para que o filme seja visualizado pela Academia o quanto antes, principalmente a nomeação de Melhor Actor. Ver aqui!
O poder da dedução.
Tal como acontecera com outra personagem literária, o James Bond de Ian Fleming, que teve direito à sua sofisticação em Casino Royale, de Martin Campbell (convertendo-o num herói mais moderno e menos cândido), o novo milénio parece também apropriar do seu próprio Sherlock Holmes. Longe da figura vitoriana e imaculada da mente de Arthur Conan Doyle, eis um ser imundo, irónico e violento, cuja dedução extraordinária de uma mente brilhante seja talvez o que resta da fonte primária. Robert Downey Jr. é o "cabecilha" desta nova transformação, interpretando uma versão egocêntrica para com a personagem de Doyle, o qual, nós espectadores, somos deduzidos por uma carisma natural de quem, com tais "utensílios" desempenhou o Iron Man (Jon Favreau, 2008), e não os tiques clássicos da figura literária que fora inúmeras vezes reproduzido no grande ecrã.
Vale a pena relembrar que a primeiro participação desta personagem no mundo cinematográfico decorreu em 1905, com a intitulada curta Adventures of Sherlock Holmes, de J. Stuart Blackton, onde Maurice Costello (uma das estrelas do cinema mudo que não conseguiu sobreviver na transposição sonora) interpretava o homónimo detective. Este início serviu de catapulta para que a "criação" de Doyle, outrora aventureiro do mundo literário que por si gerou um dos primeiros franchisings do século XX, fosse agora protagonista dos mais variados mistérios cinematográficos, desde a série de filmes interpretada por Eille Norwood (que parece ter nascido para o papel desempenhado de 1921 a 1923), passando por Basil Rathbone, que interpretou um dos melhores capítulos The Hound of the Baskervilles (1939, Sidney Lanfield). Mas antes de Robert Downey Jr., afastá-lo do habitual snobismo, é de salientar as encarnações de Peter Cushing no final dos anos 50, Robert Stephens na visão pessoal de Billy Wilder (The Private Life of Sherlock Holmes, 1970) e até Peter O’Toole no começo da década de 80.
Todavia, voltando ao sofisticado Sherlock Holmes de Guy Ritchie, somos surpreendidos com uma cómica figura no limiar da natureza do actor com a insólita caracterização do autor. Com o mesmo tratamento obteve Watson, o fiel companheiro de Holmes, que aqui se encontra longe do anafado e inseguro médico. Agora interpretado por um eficaz Jude Law, eis um brutamontes veterano de guerra que muitas recorre aos arquétipos de “ama-seca” do nosso protagonista, como também o seu mais fiel conselheiro. uma espécie de “alma gémea” de camaradagem, que sem ele Holmes nunca estaria completo. A química entre ambos (Downey Jr. e Law) é facilmente jogável e flexível com a intriga proposta.
Nas ruas hibridamente digitais desta Londres vitoriana, caminha também Rachel McAdams como uma das rivais do nosso detective misantropo, provavelmente a sua única paixão fora o mistério em si (e obviamente o incontestável ego). Ela que fora a inimiga de Holmes no capítulo Scandal in Bohemia, adaptado em 1921 para o cinema e mais recentemente em 2001 para a televisão produzido pela Hallmark, exibe uma graciosidade estética, mas nunca convence como antagonista que é. Para tal papel recorre-se a Mark Strong, como Lord Blackwood, que funciona como o vilão de serviço, preenchido com uma enigmática aura, provavelmente sob influência de um Christopher Lee. O actor que Guy Ritchie tentou celebrizar em RockN´Rolla (2008), o qual nos ofereceu um forte empenho, é já uma presença habitual nas suas produções, e em Sherlock Holmes poderá por fim, encontrar o seu bilhete de ida para o estrelato. Destaque também para Kelly Reilly que vimos amedrontada em Eden Lake, de James Watkins, aqui, como Mary, noiva de Watson.
Enfim, se a personagem de Arthur Conan Doyle perdeu o seu espírito, nisso verifica-se em Guy Ritchie, que parece realizar um filme sem a sua alma, onde a única sequência que visualizamos e que reconhecemos como toque pessoal do autor é o combate organizado com o nosso protagonista, em que ele com uma experiência notável em artes marciais consegue “desfazer” o seu adversário em poucos segundos. Aqui são utilizados os mesmos efeitos slow motion da mítica cena de Snatch, com a personagem de Brad Pitt, Mickey O'Neil, em perfeita perfomance numa das mais delirantes sequências de acção do cinema recente.
Todavia, apesar da sua intensa sensação de plasticidade transvestida, Sherlock Holmes funciona como um aventureiro divertimento que nos faz esquecer por momentos que estamos perante na mais recente adaptação da velha personagem de Doyle. Não conserva os seus maneirismos, nem sequer espírito, mas à sua maneira mais libertina e livre permanece a sua classe e astúcia. Uma experiência de liberdade criativa e de requisitos autorais!
Real.: Guy Ritchie / Int.: Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdam, Mark Strong, Eddie Marsan
A não perder – uma visão moderna de Sherlock Holmes
O melhor – a dupla Downey Jr. e Jude Law
O pior – existe muito pouco do espírito de Arthur Conan Doyle
Recomendações – The Private Life of Sherlock Holmes (1970), The Hound of the Baskervilles (1939), Snatch (2000)
Ver Também
The Private Life of Sherlock Holmes (1970)
Ver Outras Fontes
Ante-Cinema – Critica «Sherlock Holmes»: Um Detective Aventureiro
Clint Eastwood após um 2008 brilhante (The Changeling e Gran Torino), regressa á cadeira de realizador trazendo até nós uma história de liberdade e esperança de um povo. Morgan Freeman é Nelson Mandela que tenta unir o seu povo, abalado pelos confrontos raciais, através do seu apoio á equipa de Rugby sul-africana no Campeonato Mundial. Matt Damon é o jogador François Pienaar. Estreia 28 de Janeiro em Portugal.
Falando em Damon, ele também irá protagonizar outro esperado filme de 2009, Green Zone de Paul Greengrass, o regresso ao espírito de Jason Bourne. Desta vez o actor celebrizado pela trilogia Bourne e Ocean’s irá enfrentar um inimigo invisível, o qual em reflexão com a realidade interpreta um oficial do Exercito dos EUA que busca implacavelmente armas de destruição maciça no Iraque. No elenco podemos ainda encontrar Jason Isaacs (Harry Potter and the Chamber of Secrets), Amy Ryan (Gone Baby, Gone), Greg Kinnear (Ghost Town), Brendan Gleeson (In Bruges) e Yigal Naol (Munich). Estreia no nosso país 18 de Março.
Para finalizar um dos filmes mais aguardados do ano e um possível candidate aos Óscares, Lovely Bones de Peter Jackson é a história de uma garota assassinada, mas na chegada ao Paraíso que o seu espírito irá acompanhar a jornada do seu carrasco e o sofrimento dos seus pais. Com Saoirse Ronan (Atonement), Susan Sarandon (Thelma & Louise), Rachel Weisz (Ágora), Mark Wahlberg (Max Payne), Stanley Tucci (Julie & Julia) e Michael Imperioli (The Lovebirds). Estreia 11 de Março em Portugal.
Dança rebelde, MTV ao rubro!
Channing Tatum é o único nome que sobrou da última produção – Step Up de Anne Fletcher que foi um sucesso garantido em 2006. Porém a sua personagem, Tyler Gage surge por pouco tempo nesta sequela do desconhecido Jon Chu, exibindo a sua perícia na dança. Enquanto o resto é um leque de novas personagens, novas danças, novas musicas e toda aquela copy/paste bastante MTV de Fame. Eis um filme que celebra a dança da rua, dá-lhe nome e respeito, mas o facto de tentar agradar aos adolescentes adeptos deste estilo musical faz com que torna-se fascista e estereotipo, enquanto ao ritmo de hip hop é sinal de moda e liberdade, as danças mais tradicionais como o ballet que em muitas ocasiões da Historia formaram mensagens de revolução e ousadia são descritas como ultrapassadas e representadas pelo totalitarismo e intolerância. Como sempre é um tipo de produção ignorante e sem pingo de cinema, argumento é reciclagem mal concebida de tantos outros do género e interpretações são do mais plano que há. Sendo assim a recompensa está de facto da sequencia musical final, electrizante e original, pois é com isso que nos fazem esquecer que tivemos cerca de hora e meia aturar pseudo - romantismos e teimosias ditas adolescentes. Step Up 2 é o exemplo de quando o cinema é só visual e não existe nada mais além.
Real.: Jon Chu
Int.: Briana Evigan, Robert Hoffman, Channing Tatum
Imagens
A não perder – se danças na rua ou tens admiração por tal arte, não podes perder isto …
O melhor – a sequencia musical final, arrasadora, oxalá que o filme fosse todo assim.
O pior – os mesmos defeitos de sempre.
Recomendações – Step Up (2006), Fame (2009), Save The Last Dance (2001)
Real.: McG
Int.: Christian Bale, Helena Bonham Carter, Sam Worthington
Filme
Num futuro não muito distante, a Humanidade estará ameaçada com a independência das máquinas, os quais adquiram inteligência própria para declarar Guerra. John Connors (Christian Bale) é o líder da resistência humana, como também para alguns é o messias dos tempos apocalípticos.
Veredicto
È o quarto filme de uma saga celebre de Hollywood, Terminator originalmente criada por James Cameron, desta vez realizado por McG que injecta adrenalina suficiente para deixar qualquer espectador colado ao assento. Não desilude o espírito da série, como também não o inova, mas como entretenimento é dos melhores blockbusters deste ano.
AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1
Espanhol Dolby Digital 5.1
Catalão Dolby Digital 5.1
LEGENDAS
Português
Inglês
Espanhol
EXTRAS
Nos Bastidores
Recriando O Futuro: Nos Bastidores do Making Of de Exterminador Implacável
O Moto-Terminator: Efeitos Especiais de Exterminador Implacável
Hydrobots
O Regresso de um Ícone
Fábrica de Exterminador Implacável
Explosão de Napalm
Distribuidora – Sony Pictures, LDA
Ver Também
Odisseia no Centro da Terra
Baseado num livro juvenil de Jeanne Duprau, City of Ember de Gil Kenan tem qualquer coisa de semelhante a Waterworld de Kevin Reinolds (1995), apesar de ambos serem autênticos fiascos de bilheteira, os dois filmes separados por treze anos representam novas alternativas para colonizações humanas descritas. Enquanto em Waterworld, os humanos estariam condenados a viver sobre o Oceano devido ao aumento do nível do mar causado pelo aquecimento global (uma visão futurista bem real) em City of Ember vemos os humanos limitados a uma pequena povoação no subsolo, vivendo sob a dependência de geradores, canalizações e inúmeras leis. O filme de Gil Kenan, o mesmo da surpresa animada de 2006, Monster’s House, descreve-nos uma aventura bem ao jeito das novas tendências literárias juvenis com habituais mensagens ambientais e criticas acida às civilizações capitalistas. Além de contarmos com um cenário insólito e bem agradável de visualizar, aind atemos a nosso dispor um elenco carismático de “old school” composto por Bill Murray, Tim Robbins, Martin Landau e o subestimado Toby Jones, e revelações juvenis como Saoirese Ronan, após o seu excelente desempenho em Atonement (Joe Wright, 2006) e Harry Treadway (Control, 2007). Assim sendo City of Ember tem potencial de ser uma vertiginosa aventura para todas as idades, porém tudo parece ser desperdiçado por uma narrativa demasiado apressada e de nenhum dos actores conseguir destacar, Bill Murray encontrou a melancolia de Lost in Translation e parece ter ficado, e a falta de ousadia de uma projecto que requeria tal, ao invés disso sentimos que Kenan deu todos estes elementos ao seu filme anterior, atirando de cabeça ao futurismo de Duprau sem que houvesse amanhã. Vale pelo visual e pela premissa, porém não esperem nada demais. Uma aventura em modo fast forward.
Real.: Gil Kenan
Int.: Saorise Ronan, Harry Treadway, Bill Murray, Tim Robbins, Martins Landau, Toby Jones
Imagens
A não perder – se vivêssemos debaixo do solo?
O melhor – o cenário
O pior – o potencial que tinha, aquilo que chegou a oferecer
Recomendações – Waterworld (1995), The Village (2004), Mad Max 2 – The Road Warrior (1981)
Ver Outras Fontes
Split Screen – Cidade das Sombras, por Tiago Ramos
Ante-Cinema - «Critica» - Cidade das Sombras
Arquivo de Criticas
Outras Categorias
Sites de Cinema
CineCartaz Publico