17.9.09

Brad Pitt está insólito como o Tenente Aldo Raine no novo filme de Quentin Tarantino – Inglourious Basterds, um jogo de conspirações ambientados na Segunda Grande Guerra que já frequenta aquela “listinha” de melhores do ano. Iniciado como vedeta, um suspiro para as jovens fãs e não só, um desejo “caliente” de inúmeras mulheres, porém Pitt passou desse ídolo sexual do cinema para um dos actores mais sólidos da nossa geração. A simplificar isso temos a sua ousadia em desafiar a sua “invejável” aparência física. A Cinematograficamente Falando elabora aqui as setes personagens mais marcantes da sua carreira.

 

Mickey O’Neil (Snatch, 2000) Guy Ritchie

Jesse James (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 2007) Andrew Dominik

Benjamin Button (The Curious Case of the Benjamin Button, 2008) David Fincher

Tyler Durden (Fight Club, 1999) David Fincher

Aquiles (Troy, 2004) Wolfgang Peterson

Early Grayce (Kalifornia, 1993) Dominic Sena

Chad (Burn After Reading, 2008) Joel & Ethan Coen

 

Nota – apesar de seleccionar estas personagens mais pela sua aparência, não posso deixar de referir a sua brilhante interpretação como Detective Mills no igualmente majestoso Se7en de David Fincher.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:55
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publicado por Hugo Gomes às 21:03
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publicado por Hugo Gomes às 21:02
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Parece ser o novo fenómeno do terror, segundo a Paramount Pictures, contudo é fiel seguidor das novas tendências entre elas o mockumentario que parece ser o parto do dia no género fantástico. Chama-se Paranormal Activity, realizado, escrito e produzido pelo estreante Oren Peli, é a nova aposta do ramo do terror - fantástico que o estúdio que nos brindou com The Godfather, Iron Man e Transformers quer arriscar. O primeiro trailer apresenta-nos uma reacção bem viva do público (sim, muito plagiado do primeiro trailer de (REC), mas o que se há de fazer, são americanos). Paranormal Activity é já distinguido como uma das melhores experiencias do terror, uma espécie de “Poltergeist meets Blair Witch” Project. Estreia nos EUA no dia 25 de Setembro.


publicado por Hugo Gomes às 20:55
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Real.: Gianni Di Gregorio

Int.: Gianni Di Gregorio, Valeria de Franciscis, Marina Cacciotti

 

 

Filme

Gianni (Gianni Di Gregorio) é um homem de meia-idade cheio de dívidas, mas com pacto feito pelo administrador do prédio em que vive, que cancelará as dividas se este receber a sua mãe num almoço de 15 de Agosto. Automaticamente Gianni aceita, até o seu medico querendo aproveitar da situação, pactua da mesma forma.

Veredicto

Um filme italiano, bem-humorado e simpático que certamente irá fazer as delicias dos espectadores mais centrados no cinema mais cultural. Quem não queria que tudo fosse tão fácil (ou não) como as situações caricatas transpostas pelo filme.

AUDIO

Italiano Dolby Digital 5.1

 

LEGENDAS

Português

 

EXTRAS

Dossier de imprensa

Fotos de Rodagem

Receita de 15 de Agosto

Cartaz

 

Distribuidora – Atalanta Filmes

 

FILME –

DVD –

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:47
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16.9.09

Real.: Jorge Queiroga

Int.: Diogo Morgado, Soraia Chaves, Claudia Vieira, Margarida Carpinteiro, Ana Padrão

 

 

Governou o nosso país por mais de 40 anos, o seu nome fazia temer muitos, revoltar alguns e adorar por outros, anjo ou demónio, António de Oliveira Salazar ainda permanece como uma figura indiscutivelmente relevante para a Historia de Portugal, um fantasma que ainda povoa as memórias de muitos que conheceram o seu regime totalitário, mas também a sua devoção a um país praticamente na miséria. É inegável que a história e vida de Salazar é quase como obrigatório ser representado como biopic no cinema, sem dúvidas nenhuma. As suas vivencias tinham panos para mangas para um forte registo de um homem que muitos não conhecem e que outros pensam conhecer, o verdadeiro homem por detrás da negra e fria figura do “senhor” que ditou preferir governar o país com o medo do que o respeito, todavia foi das personalidades tão mal tratada, cinematograficamente falando, pelo cinema português, cujo caso de Salazar – A Vida Privada é de facto pitoresca e caricata.

Tudo começou por ser uma mini-série produzida e exibida pelo canal de televisão, SIC, onde exibia um Diogo Morgado na personificação do “Sr. Presidente”. Tal transformação contribuiu para um forte envolvido na área da caracterização, como tal tivemos direito a um trabalho invejável, mas não de todo eficaz (obviamente não podemos considerar ao nível de The Curious Case of Benjamin Button, pois não). No elenco secundário ainda tivemos direito a uma vasta gama de actrizes (ou aspirantes) de nome ou de apelativos atractivos, e a juntar isso temos a pior das decisões, uma exploração á vida amorosa do político, como um Don Ruan se trata-se. Mini-série, esse que deu polémica nos diferentes movimento partidários portugueses, mas no geral não obteve o êxito que pretendia, por isso nada melhor que arranjarem outro “remédio” para a SIC vender o seu produto, a solução surgiu na grande tela, em que Salazar – A Vida Privada rapidamente se transformou num filme por via de duas marteladas e vários cortes de duração. Todavia, nem mesmo o cinema apelou aos portugueses, sendo assim, Salazar estaria condenado a ser um “bobo” num circo novelesco sem audiência.

Salazar – A Vida Privada contem bons valores de produção, bem raros na produção de cinema português, uma fotografia fresca, uma montagem de igual adjectivo e a criação de uma narrativa mais convincente e acessível, mas tudo cai por terra quando somos “atirados” a uma novela televisiva em que Morgado veste um Salazar sem sal, nem diferenciação, para isso o desempenho desconhecido Ruy Siqueira em Amália (2008, Carlos Coelho da Silva) é mais credível. Noutras vestes, Soraia Chaves continua a ser a exploração sensual do cinema, Cláudia Vieira é o adereço de estimação, Ana Padrão nem chega a estabelecer um desempenho e Margarida Carpinteiro está perdida com a sua personagem seca e sem ponto de vista. Sendo quase uma cópia do anteriormente exibido Amália, este produto quimera priva o público de conhecer uma das figuras mais altivas da nossa Historia, dando apenas a ideia de estarmos perante num “boneco” de telenovela. E como sempre, o português preocupa demais com a vida alheia da pessoa que propriamente com os seus feitos relevantes ao rumo de Portugal.

A não perder – A sequência final na praia

O melhor – o trabalho técnico

O pior – o que vemos não é Salazar!

 

Recomendações – O Crime do Padre Amaro (2005), Call Girl (2007), Amália (2008)

 

4/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:52
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Já nas bancas a revista de cinema Premiere, com grande destaque a Penélope Cruz e Pedro Almodovar em Abraços Desfeitos (o filme da semana aqui no Cinematograficamente Falando …). E Ainda não percam o inicio da colecção de DVDs inéditos, aquele conjunto de filmes que as nossas distribuidoras “esqueceram-se” de lançar no cinema, simplesmente “esquecimento”. O primeiro filme da colecção é Hell Ride de Larry Bishop, um filme com Michael Madsen e David Carradine, apadrinhado por Quentin Tarantino.

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:33
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16.9.09

Real.: Alex Proyas

Int.: Nicolas Cage, Rose Byrne, Chandler Canterbury

 

 

Filme

O professor John Koestler (Nicolas cage) fica intrigado com o papel que o seu filho recebeu na escola, graças á abertura de uma cápsula do tempo. Este papel contém uma enorme sequência de números que relatam acidentes e desastres que aconteceram ou que estão preste a acontecer.

Veredicto

Proyas, realizador de The Crow e The Dark City, traz-nos aqui a sua visão de um iminente apocalipse cheio de twists reveladores e bons efeitos especiais. Como entretenimento este Knowing funcionará muito bem, mas não contem com algo intelectual ou culto.

 

AUDIO

Inglês Dolby Digital 5.1

 

LEGENDAS

Inglês

Português

 

EXTRAS

Comentário Áudio do Realizador Alex Proyas

Saber Tudo – Os Bastidores de um Thriller Futurista

Visões do Apocalipse

 

Distribuidora – Zon Lusomundo

 

Ver também

Knowing (2009)

 

Filme –

DVD –

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:31
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15.9.09

 

Após uma longa batalha contra o cancro que possuía no pâncreas, o actor Patrick Swayze cedeu-se, tendo falecido esta segunda-feira, tinha 57 anos. Swayze ficou celebre pelas suas participações em filmes de grande sucesso como Dirty Dancing, Road House, Point Break e por fim o celebre Ghost ao lado de Demi Moore. Mesmo tendo sido um pouco esquecido com o avançar dos anos 90 e a situação piorou com a entrada do ano 2000, em que projectos falhados e pequenos papeis eram o prato do dia. Em 2008 foi lhe diagnosticado o cancro, o qual os médicos só lhe davam dois anos de vida. O actor deixou-nos, mas o seu legado ficou.

Patrick Swayze (1952 – 2009)

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:21
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Escrito por Diablo Cody, a argumentista vencedora do Óscar em Juno, tendo como protagonista a sensual Megan Fox (Transformers), eis o novo poster de Jennifer’s Body, a nova mistura de terror e comedia realizada por Karyn Kusama (Aeon Flux, a série L Word). Jennifer’s Body, ou título traduzido de O Corpo de Jennifer relata a possessão de uma “cheerleader” que rapidamente se converte numa serial-killer. O filme tem data de estreia em Portugal no dia 29 de Outubro.

 


publicado por Hugo Gomes às 22:12
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Real.: James Wong

Int.: Justin Chatwin, Chow Yun-Fat, James Marsters

 

 

Filme

Goku (Justin Chatwin), é um jovem rapaz que vive com o seu avô, o qual lhe ensinou artes marciais. Num dia, Goku chega a casa e observa a sua casa em ruínas, o seu avô moribundo que lhe revela um segredo revoltante. O jovem rapaz é o único que poderá derrotar Piccolo (James Marsters), um temível demónio vindo dos confins do espaço e reunir as setes bolas de cristal, cujo poder é tão forte que é capaz de acordar o sagrado dragão que lhe concederá um desejo.

Veredicto

Se cresceram ao ver a serie animada que conquistou milhões de todo o Mundo, se vibravam com as aventuras de Goku e a sua trupe, bem, então um conselho sincero e talvez marcante para a vida … poupam o dinheiro do DVD que tanto jeito dará num futuro próximo, porque Dragonball - Evolution é revoltantemente mau.

AUDIO

Inglês Dolby Digital 5.1

Espanhol Dolby Digital 5.1

 

LEGENDAS

Português

Inglês

Espanhol

 

EXTRAS

Featurette: Goku’s Workout
Teledisco - Worked Up by Brian Anthony
Gag
Fox Movie Channel Presents – Making A Scene
Life After Film School with Justin Chatwin”

 

Distribuidora – Castello Lopes Multimedia

 

Ver Também

Dragon Ball – Evolution

 

Filme –

DVD –

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:09
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13.9.09

Real.: Hiroyuki Kitakubo / Chris Nahon

Int.: Youki Kudoh, Saemi Nakamura, Joe Romersa / Gianna Jun, Allison Miller, Koyuki, Liam Cunningham

 

 

O que tem em comum Buffy, Blade e Van Helsing? Eles são personagens fictícias que tem apenas em comum o facto de caçar vampiros ser o seu modo de vida, pois bem, abrem espaço para mais um, neste caso uma, porque acabou de chegar Blood, que veio directamente dos cantos mais “obscuros” do Oriente. Blood – The Last Vampire começou por ser um anime de cerca de 50 minutos criada por Hiroyuki Kitakubo, que remota a historia de uma organização caçadora de uns seres demoníacos que povoam a Terra, essa mesma organização tem como arma principal a mortífera Saya (com a voz de Youki Kudoh), provavelmente a ultima vampira original. Saya tem uma nova missão, o que requer a infiltração da mesma num colégio situado numa base naval americana no Japão, com o intuito de caçar um demónio que a agência havia detectado.

Simples em termos argumentativos e sem meias palavras para a acção, mas este exemplo de experiencia no ramo da animação nipónica podemos contar com um feito que até mesmo James Cameron elogia, a de ser a primeira anime a combinar CGI com a animação tradicional. Com isso podemos visualizar o melhor de dois mundos, a tradição e a sofisticação. Todavia a animação poderá ser apenas considerado um exercício de estilo, já que a fita em si não consegue fazer jus á sua beleza técnica. Blood – The Last Vampire é demasiado vazio, demasiado simples e plano, não tende nada mais do que contar com uma história que assemelha a um episódio de uma serie qualquer. Mesmo assim é uma experiencia que vale a pena, destinada ao culto e com seguidores múltiplos que o classificam como uma obra-prima da animação japonesa.

Após o êxito de Blood, passado nove anos e com uma industria cinematográfica que adapta quase tudo o que tiver á mão, eis a longa-metragem de acção real dirigido por Chris Nahon, realizador do vazio, mas hiperactivo Kiss of Dragon. Blood – The Last Vampire é fiel na primeira meia-hora ás suas origens, a anime de 2000, apenas com ligeiras diferenças que o tornam mais acessível ao publico ocidental. A partir daí assistimos ao menos imaginativo e humano que Hollywood sempre nos ofereceu e que Hong Kong tenta ao máximo adquirir. Por outras palavras tudo se torna numa variante de Blade ou Buffy, em que a nossa protagonista (Gianna Jun) exibe os seus dotes de destreza física (claro com auxilio de CGI e duplos!) do que o talento artístico no ramo da interpretação. Eis um filme que se esquece facilmente com um entretenimento bastante digestível e fácil que patenteia com excelentes stunts dignos dos projectos dos seus produtores, que orgulham de criar o celebre O Tigre e o Dragão e uns efeitos especiais que variam do mais lúdico até ao mais artificial. Enfim tudo se resume a um jogo de vídeo em que nós não podemos jogar.

 

A não perder – A sofisticação da animação e a tentativa de sofisticação do filme de acção real

O melhor – (Blood 2000) os gráficos / (Blood 2009) as sequências de acção

O pior – (Blood 2000) o vazio / (Blood 2009) o vazio

 

Recomendações – (Blood 2000): Ghost in the Shell (1995), Batman – Gotham Knight (2008), The Chronicles of Riddick – The Dark Fury (2004) / (Blood 2009): Tsui Hark’s Vampire Hunters (2002), Vampire Effect (2003), Blade (1998)

 

 

(2000’Blood – The Last Vampire)

6/10

 

(2009’Blood – The Last Vampire)

5/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:54
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Este fim-de-semana revi King Kong, o original clássico de 1933 (critica em breve), um magnífico filme cujo os efeitos especiais da época marcaram o Mundo e a história desesperada de uma besta e de uma bela fez encantar todos aqueles que o viram no cinema. King Kong é um dos mais poderosos filmes dos anos 30, porém mesmo tendo “adorado” a sua visualização, a obra de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack não é superior (desculpem a heresia) á revisão de Peter Jackson em 2005, não refiro isto pelos efeitos especiais, nem pela noção mais acentuada de aventura dada pelo realizador de O Senhor dos Anéis, mas sim pela ousadia de transcrever um amor impossível, em que a “bela” ao invés de resistir á força obsessiva de Kong, se cede ao seu amor “animal” convertendo-se numa das mais conversões do clássico conto de “A Bela e o Monstro”. Um dos mais belos Amores Impossíveis do cinema.

Ver Também

King Kong (2005)

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:01
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12.9.09


 

Real.: Quentin Tarantino

Int.: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Eli Roth, Til Schweiger, Michael Fassbender, Diane Kruger, Mike Meyers, Martin Wuttke, Dennis Menochet, Samuel L. Jackson, Harvey Keitel

 

 

Quando ouvi pela primeira vez que Quentin Tarantino iria realizar um filme ambientado na Segunda Guerra Mundial, algo me abateu a memória. Instantaneamente filmes da sua autoria como Reservoir Dogs e Kill Bill surgiram na minha mente, imaginava um Hitler a dialogar com os seus subordinados sobre a cultura pop, imaginava violência extrema, frieza no acto e uma certa ironia durante o percurso de sangue, imaginava um Pulp Fiction em que as personagens de Samuel L. Jackson e John Travolta eram substituídos por dois nazis que procuravam insaciavelmente os judeus escondidos (só faltava um deles citar uma grande reza antes de mata-los). Porém não escondi entusiasmo neste projecto, porque não era todos os dias que um realizador lúdico e talentosos como Tarantino pegasse no tema da Segunda Grande Guerra e a enchesse com todos os elementos que caracteriza o seu dito cinema, e isso é um facto insólito.

O mais insólito é que a imaginação ficcional foi aprovada neste exemplo, se os filmes que exibem a Alemanha Nazi são quase todas baseadas em histórias verídicas ou seguem a mesma linha narrativa histórica, Inglourious Basterds ousa em desafiar essa “lei” em levar-nos a um mundo alternativo e convencional de um assunto tão “sagrado” que foi a Segundo Guerra Mundial, Alemanha Nazi e Terceiro Reich. Um dos factores que preocupou muita gente e a mim também era o facto de Tarantino ser uma espécie de adulto imaturo tão apaixonado pelo cinema que faz desta arte uma espécie de “playground” só para ele, com isto quero dizer que a violência gráfica, as conversas fiadas de tudo e mais alguma coisa e a experimentalidade fílmica poderiam fazer desta obra uma “masturbação artística”. Ao vermos o filme apercebe-nos de uma coisa, Quentin está mais maduro, mas sem esquecer a criança que encontra dentro dele que faz com que o autor brinca á sua maneira com o tema. A madureza ganha pelo realizador de Pulp Fiction deriva da experiencia que foi Kill Bill, em que a luta de uma ex-assassina (Uma Thurman) ao vingar a morte da sua criança criou desafios a Tarantino na criação e concepção de um drama consistente e superior às suas brincadeiras que foram a sua obra-prima de 1994, Jackie Brown e Death Proof (a primeira parte de Grindhouse, projecto em conjunto com Robert Rodriguez) que foi dos filmes mais inconsequentes da sua filmografia. A criança intrínseca ainda bate o que nos transporta para este conto de vingança, ódio, conspiração com toda a glória que só os bravos conseguem.

Começamos com uma magnífica sequencia situada algures nas proximidades dos Alpes franceses, em que o vilão de serviço, o Coronel nazi Hans Landa (Christoph Waltz) interroga Pierre LaPedite (Denis Menochet) devido a suspeitas de este estar a cobrir judeus na sua habitação. Hans Landa, conhecido como o “caçador de judeus”, consegue decifrar o esconderijo e ordena que os execute dentro dos seus refúgios. Entre a família judia que se encontrava escondida, apenas um membro consegue escapar miraculosamente, trata-se de Shosanna (Mélanie Laurent), que pouco tempo depois assume a identidade de uma francesa proprietária de um pequeno cinema algures em Paris. Sob este disfarce e devido às circunstâncias que a vida lhe proporciona, poderá exercer a sua tão desejada vingança. Depois disto temos uma história paralela dos “Bastardos”, um grupo não reconhecidamente militar de americanos judeus que tem uma missão em mente – matar nazis – de qualquer maneira possível. O grupo liderado pelo tenente Aldo Raine (um hilariante Brad Pitt com um sonante sotaque do Tennessee) irá executar a operação Kino, um assalto a uma “premiere” num cinema de Paris (coincidência ou não, no cinema de Shosanna), onde estarão presentes os grandes da politica nazi incluído o próprio Fuhrer. Os “Bastardos” irão necessitar da ajuda e sedução da actriz alemã, Bridget von Hammersmark (Diane Kruger) para poderem infiltrar nessa mesma dita “premiere”.

Mesmo sendo uma historia da mais fictícia que há, existe um enorme respeito pela linguagem e nacionalidade, Tarantino pretendeu criar uma narrativa tão credível que fez com os alemães falassem alemão, franceses o francês e italianos, a sua língua mãe, aqui não há nada de fingimentos como todos os personagens a falarem americano com sotaque, nulo, e esse respeito, invulgar na grande industria cinematográfica norte-americana, faz com Inglourious Basterds marcasse pontos no tratamento do realismo. Falando de pontos, o elenco também ajuda na concepção da vida interior desta obra á Tarantino, entre eles temos o sensacional Christoph Waltz, que volta a confirma o faro do realizador em ressuscitar ou revelar actores que passam ao lado do grande público. Waltz, o qual foi vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, cabe a dar ao público um carismático, inteligentíssimo, extrovertido vilão num desempenho eficiente, o qual a nomeação ao Óscar é mais que previsível, se não for o caso, então teremos um grande erro da Academia. Outras grandes interpretações da fita pertencem a Brad Pitt, cada projecto que passa, mais irreconhecível está e Michael Fassbender (Hunger, Eden Lake) que mesmo por curto tempo, tem carisma suficiente para encher um filme. Outra revelação é Mélanie Laurent, que esteve presente no Paris de Cédric Klapisch, tem um personagem bem relevante á historia, a actriz não desilude a cumprir esse trabalho de grande responsabilidade, mas falta-lhe carisma e uma maior expressividade para que a encarnação fosse perfeita.

O título de Inglourious Basterds é baseado numa obra italiana de 1978 de Enzo G. Castellari, o qual Tarantino é fã, porém o titulo traduzido nas terras de Camões foi Sacanas sem Lei. Felizmente é com gosto que vejo esta fita a ser bem sucedida quer nos EUA, quer no nosso pequeno país, pelos vistos muito aderiram á fantasia adolescente de Tarantino. O autor tem aqui a sua marca, sem lei, nem piedade, violência gratuita ao seu jeito, diálogos inteligentes, personagens “semi-vivas”, tudo num argumento que demorou uma década a ser escrito. O realizador melhora a sua ênfase dramática a olhos vistos, todavia Inglourious Basterds é um sucesso por aquilo que Tarantino sempre nos habituou o seu exagero. Ninguém sairá indiferente da sala de cinema, isso é vos garanto.

A não perder – a cena inicial da interrogação, a tentativa de Aldo Raine falar italiano (hilariante).

O melhor – um filme insólito, divertido e muito bem estruturado.

O pior – se Christoph Waltz não for nomeado ao Óscar.

 

Recomendações – Black Book (2006), The Longest Day (1962), Les Femmes de L’ Ombre (2008)

 

 

Ver Também Outras Fontes

Cinema is My Life – Inglourious Basterds (part 1 / part 2)

Close-Ups – Point-of-View Shot: Inglourious Basterds (2009)

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:27
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10.9.09


 

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publicado por Hugo Gomes às 22:29
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Real.: P.J. Hogan

Int.: Isla Fisher, Joan Cusack, John Goodman

 

 

Filme

Becky Bloomwood (Isla Fisher) sempre sonhou escrever para uma importante revista de Nova Iorque e é então que inicia com a escrita de uma coluna financeira de uma publicação da sua irmã. Tal coluna traz-lhe êxito e Becky vive novas peripécias e experiencias, sem esquecer que ela esconde um “terrível” segredo, é uma viciada em compras.

Veredicto

Uma comédia romântica simpática com alguns gags agradáveis que confirma a actriz Isla Fisher como um “alvo” a ascender na comédia. Realizado por P.J. Hogan (My Best Friend’s Wedding e Peter Pan), eis a adaptação cinematográfica do bestseller de Sophie Kinsella.

AUDIO
Inglês Dolby Digital 5.1
Inglês com Áudio Descrição 5.1
Espanhol Dolby Digital 5.1

 

LEGENDAS
Português
Inglês
Espanhol
Holandês
Sueco
Norueguês
Dinamarquês
Filandês
Islandês
Hindu
Inglês para Deficientes Auditivos

 

EXTRAS
Cenas Eliminadas
Cenas Engraçadas
"Stuck With Eacj Other" Vídeo Musical interpretado por Shontelle e Akon

 

Distribuidora – Zon Lusomundo

 

Ver Outras Fontes

Split Screen – Louca Por Compras, por Tiago Ramos

 

Filme –

DVD -

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:21
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7.9.09

 

De Cormac McCarthy o mesmo autor de No Country For Old Men, chega-nos (em breve) The Road, o novo filme do promissor John Hillcoat (The Proposition), que conta com Viggo Mortensen, Robert Duvall, Charlize Theron, Guy Pearce e Molly Parker (The Wicker Man). A história remete-nos a um futuro pós-apocalipto, em que um homem (Mortensen) e o seu filho (Kodi Smit-McPhee) tentam sobreviver nele. Uma curiosidade é que o bestseller usa o mesmo estratagema que José Saramago em Ensaio sobre a Cegueira, em que as personagens não possuem nome próprio. A estrear 16 de Outubro de 2009 nos EUA.

 


publicado por Hugo Gomes às 22:47
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publicado por Hugo Gomes às 22:41
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Real.: Neil Marshall

Int.: Rhona Mitra, Bob Hoskins, David O’Hara, Malcolm McDowell

 

 

Neil Marshall sempre se revelou num amante do cinema de terror, suas obras anteriores, Dog Soldiers e The Descent se revelam em boas homenagens aos seus conteúdos de eleição. O primeiro datado de 2002 é uma referência ao cinema “slasher movie”, quanto ao The Descent de 2005 é a narrativa de tantos “horror road movies”, obras fiéis aos seus arquétipos e homenagens que revelam uma sensível maturidade no tratamento de todos os elementos favoráveis aos seguintes espectáculos. The Descent causou impacto na crítica e publico pela boa utilização da claustrofobia que nos trazem a nós, um dos mais sufocantes ambientes de um filme de terror, elevando num patamar que o afasta do habitual amadorismo comercial. A sua terceira obra, Doomsday, afasta-se ligeiramente do género do terror e explora as profundezas de muitos filmes apocalípticos muito comuns dos anos 70 que vão desde Street of Fire, o celebre Mad Max de George Miller (os filmes que lançaram Mel Gibson no conjunto de estrelas de Hollywood) e o incontornável Escape From New York de John Carpenter, destacavelmente presente na caracterização da heroína, Major Eden Sinclair (Rhona Mitra), que desempenha uma variante feminina do “imortalizado” Snake Plissken (interpretado por Kurt Russell).

Doomsday – Juizo Final inicia como uma epidemia de um vírus chamado “Reaper Vírus” que varre toda a Escócia, o qual as forças governamentais do Reino Unido tiveram a drástica decisão de isolar toda a ilha escocesa através da construção de um gigantesco muro, de forma a conter a epidemia. Passado alguns anos, o Reaper Vírus que outrora pensava estar contido, surge nas grandes metrópoles de Inglaterra, nomeadamente Londres, enquanto isso foram avistados sinais de evolução na população em quarentena na Escócia, que parecem adaptar á doença. São enviados para o lado do muro, a Major Eden Sinclair e uma elite de soldados e cientistas com o objectivo de recolher uma dita cura para o problema patogénico que afecta globalmente, o que lá encontram é algo mais sombrio, severo, bárbaro e canibal do que uma simples melhoria da população infectada.

Neil Marshall nos confere uma “louca” homenagem a esses filmes de acção num registo muito serie B, o qual as imperfeições do argumento e acção são mais que suficientes para a concretização de um entretenimento nostálgico de relembrar os tempos dos punk, canibais e motas alteradas e um neo-medieval de qualquer futuro apocalíptico alternativo. Já lá vai o tempo em que Cyborg, Mad Max e outros abundavam sem pudor nas nossas salas de cinema. Assim temos uma aventura em grande estilo com uma heroína perfeita (Rhona Mitra) e acção frenética, básica e imperfeita. Um filme feito á moda antiga para as novas gerações. Um generoso serie B!

A não perder – Para quem procura a essência dos filmes de antigamente.

O melhor – Mais uma vez repito, a essência e a referência.

O pior – certa indiferença do público, o atraso em Portugal (como sempre).

 

Recomendações – 28 Days Later (2002), Escape from New York (1981), Mad Max 2 (1981)

 

Ver Outras Fontes

AnteCinema – Critica «Doomsday – Juízo Final»

8/10

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:37
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6.9.09
6.9.09

A "fobia" de ficar por uma cinematografia!

 

É de facto inegável o crescente interesse pelo cinema asiático de terror, não só dos locais óbvios como o Japão, Coreia do Sul e China, mas como também, e muito raro no nosso panorama de distribuição, a Tailândia, todos eles servindo ultimamente de inspiração pelos grandes estúdios de Hollywood ou até mesmo pela transladação dos autores asiáticos para a industria norte-americana. Mas passando ao lado dessa "mesquice" mais badalada que só nos revelam uma certo fascismo financeiro neste estratagema chamado de globalização, 4Bia, evidencia outra tendência que parece surgir principalmente neste focos geográficos.

 

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Depois do sucesso de Three… Extremes (2004) que juntava três grandes autores do terror asiático (Chan-wook Park, Fruit Chan e Takashi Miike), 4Bia (titulo original See prang) é por sua vez o conjunto de quatro histórias de terror apresentadas por quatro mestres do cinema fantástico tailandês, compondo uma obra que explora o medo em mosaico, narrativamente falando. Apresentado em Portugal, na segunda edição de MoteLX em Lisboa, 4Bia constituiu uma experiência de terror deveras pouco desequilibrada, mas provocadora em alguns sustos memoráveis que tiveram o privilégio de “encantar” as audiências. Neste quarteto podemos encontrar as "mãos" de Banjong Pisanthanakun, Paween Purikitpanya, Youngyooth Thongkonthun e Parkpoom Wongpoom, os quatro incontornáveis mestres do chamado “Thai-Horror”.

 

phobia.jpg

 

O primeiro segmento é “Happiness”, a história de uma rapariga com uma perna engessada, limitada ao seu apartamento, e sozinha, que inicia uma conversação com um estranho através de mensagens de telemóvel. Uma metragem sem diálogos, mas com um clima pesado e altamente intriguista de relembrar as melhores obras do clássico “filme de assombração”. A graciosa actriz (Laila Boonyasak) consegue aqui um convincente desempenho, e temos ao dispor um susto final de fazer "saltar da cadeira", literalmente. Tal segmento é dirigido por Youngyooth Thongkonthun, o mesmo realizador de Alone.

 

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A segunda parte é “Tit for Tat”, e é provavelmente a pior das histórias. Seguindo um jovem, vitima de bullying, decidido a vingar dos seus "agressores" através do uso de magia negra. Uma variação do americano Final Destination, com uma realização atribulada, remexida a assemelhar um videoclipp forçado. A juntar a isto, temos um argumento mais interessado na pirotecnia visual no que na consistência, emergido por efeitos especiais que soam o amadorismo e sobretudo muito "entulho". O de melhor nesta secção é mesmo um final gore. Do realizador de Body #19 (Paween Purikitpanya).

 

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Em terceiro lugar, temos o In the Middle do realizador Parkpoom Wongpoom (Shutter), que nos relata as experiências de quatro jovens que decidem acampar e praticar canoagem, até um deles desaparecer misteriosamente no rio. Naquela noite o amigo regressa ao acampamento causando confusão entre os outros comparsas que duvidam que este esteja realmente vivo. O melhor dos quatro, uma fita bem doseada com comédia, e alguns sustos, e um twist, mesmo que não seja muito surpreendente, aliás o efeito déjà vu será evidente, é recheado por uma certa ironia, o que o torna especial. Por fim temos “The Last Flight”, quando uma hospedeira de bordo é aterrorizada por o fantasma da Princesa Sophia, cujo corpo é levado a bordo. Do mesmo realizador do anterior, temos um vulgar conjunto de todos os clichés de um vulgar filme de assombração, conseguindo mesmo assim invocar eficácia no seu percurso rotineiro, e detentor de uma atmosférica provocante. Porém o final é sobretudo o mais constrangedor "lugar-comum".

 

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No seu todo temos um bom exemplo de terror fora Hollywood, e acima de tudo, uma homenagem à crescente cinematografia da Tailândia. Foi bom quando durou, um despretensioso misto de emoções, desde sustos a risos, 4Bia poderá não ser o último grito do género, mas é lúdico entretenimento que não envergonha ninguém. Todos os ingredientes estão lançados … já agora como jogo, procurem as conexões entre as quatro partes.

 

Filme visualizado na edição de 2009 do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa

 

Real.: Banjong Pisanthanakun, Paween Purikitpanya, Youngyooth Thongkonthun, Parkpoom Wongpoom / Int.: Laila Boonyasak, Pongsatorin Jongwillak, K. Permpoonpatcharasuk

 

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Recomendações – Three … Extremes (2004), Triangle (2007), Twilight Zone – The Movie (1983)

6/10

publicado por Hugo Gomes às 19:59
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E os Óscares?

últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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