30.11.08

“Nunca irei parar de fazer filmes. Não posso impedir-me disso”


Nasceu em São Paulo, Brasil, 9 de Novembro de 1955, estava integrando numa família de classe média. Estudou arquitectura na universidade de São Paulo, enquanto isso Meirelles era um apaixonado na realização e juntamente com amigos fazia filmes experimentais que venciam inúmeros prémios em Festivais no Brasil, até que em conjunto com os mesmos formam uma pequena companhia independente chamada Olhar Electrónico. Trabalhou durante vários anos na televisão, produzido anúncios e programas infantis muito populares. Nos primórdios dos anos 90, Meirelles integrou-se na O2 Films Productions, o qual realizou “O Menino Maluquinho 2 – A Aventura” (1998) e o ousado Domesticas (2001). Em 2002, conseguiu tornar-se mundialmente famoso pela adaptação cinematográfica de Cidade De Deus que foi apresentado no Festival de Cannes e percorrendo vários festivais no mundo, o qual iniciou uma arrecadação de prémios, o negro retrato das favelas brasileiras conseguiu nomeações importantes nos Óscares de 2003, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Realizador, despertando em Hollywood um interesse pelo autor paulista. Meirelles nunca trabalhou directamente para o grande marco do cinema norte-americano, realizando em 2005 o inglês, mas bem sucedido, The Constant Gardener, o filme onde Rachel Weisz venceu o Óscar de Melhor Actriz Secundaria, uma critica às grandes empresas farmacêuticas e em 2008, adaptou o premio Nobel da literatura Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, Blindness com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Danny Glover. Na televisão destacou-se pela produção e realização de alguns episódios da série A Cidade dos Homens e é o produtor da longa-metragem cinematográfica que estreou recentemente em Portugal.

 

             

 


publicado por Hugo Gomes às 23:25
link do post | comentar | partilhar

30.11.08

 

Real.: Lasse Hallstrom

Int.: Heath Ledger, Sienna Miller, Jeremy irons, Oliver Platt

 

 

Lasse Hallström é um daqueles realizadores mais que superficiais que conseguem bons resultados de bilheteira porque simplesmente consegue juntar 2 mais 2 naquilo que o grande publico deseja ver num filme. As suas obras são de teor familiar, que abrangem um vasto de leque de público e a sua composição clássica desperta os bons valores á muito perdidos no cinema norte-americano, o qual Hallström apesar de ser sueco realizou aí as suas fitas mais famosas (Chocolate, The Cider House Rules). Contudo é em Casanova que Lasse faz história, filmando uma aventura de época ambientado em Veneza, mas rodado na dita cidade italiana, coisa que não se fazia há mais 35 anos, porque de resto apenas por cenários e sets, simples atalhos para reduzir o orçamento. O filme em questão é mais uma adaptação da vida de Giacomo Casanova, esse seu nome completo, o terror da virgindade das moças de Veneza, o playboy falido mas sempre composto por charme foi protagonista de inúmeros filmes, telefilmes, séries de televisão e literatura romântica, no caso da cinematográfica Frederico Fellini realizou a sua bem sucedida versão em 1976 com Donald Sutherland no papel do romântico charlatão.

Passado 29 anos é Heath Ledger que veste a pele do veneziano sedutor, numa aventura inicialmente modesta que remota às conquistas de Casanova e a perseguição pela sua heresia sexual por parte da igreja cristã, representado pelo carismático Jeremy irons. Além de tudo neste capítulo da vida fugaz de Giacomo Casanova é essencialmente envolvida pela sua conquista para com Francesca Bruni (Sienna Miller) que diferencia das outras mulheres de Casanova, pelo seu idealismo, adaptação e rebeldia feminina, o qual os velhos métodos de sedução por parte dele são ineficazes. Mesmo com o desafio de Bruni, a tarefa complica-se ainda mais com a chegada do noivo dela (Oliver Platt) e da exaustiva perseguição de Pucci (Jeremy Irons), o enviado da Igreja, determinado a terminar o “reino” de Casanova.

Até a certo ponto, surpreendemo-nos pelo facto deste Casanova ser de origem Hallstrom, consegue enquadrar uma intriga divertida, cómica, inteligente e activante o qual o pano de fundo (Veneza) resulta num agradável regalo á vista e á descontracção mental do espectador, Heath Ledger sem ser o melhor Casanova do cinema, consegue o pedido, Oliver Platt é protagonista das cenas mais divertidas da fita e Irons garante presença forte, apenas a personagem Bruni é maltratada pelo estereotipo fraco de Sienna Miller, que apresenta pouca pujança no que requer a exibir rebeldia pedida.

O pior é quando as ideias abundam até demasia e o desfecho torna-se difícil executar em beleza e indolor e é então que Hallstrom faz uma das suas; Casanova torna-se um aspirante a um cinema familiar típico Disney ou de outro estúdio congénere, a personagem principal representa ousadia e nada de pudor, enquanto o filme em si se revela no conservadorismo mais que prejudicial e o final encaminha-se na trapalhada das receitas batidas, na moralidade, nos bons valores, na conversação espalhafatosa de algumas personagens e a irreverência, o erotismo e luxúria dissipa-se entre as escolhas de sucesso fácil por parte dos envolvidos. Assim o pano cai e tudo aquilo visto neste filme do sedutor mais famoso da historia não faz jus á grandeza de sua figura, com alguns momentos de inspiração Casanova de Lasse Hallstrom se safa, mas facilmente é apanhado pela “grande fabrica de fazer filmes”.

O melhor – as hilariantes cenas passadas no Carnaval veneziano

O pior – as “trapalhices” de Lasse Hallstrom

 

Recomedações – Frederico Fellini’s Casanova (1976), Sahara (2005), Leão da Estrela (1947) 

5/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 19:57
link do post | comentar | partilhar

 

Ele foi o príncipe Septimus no conto fantástico de Stardust (2007 – Matthew Vaughn), a adaptação da obra-prima literária de Neil Gaiman, contudo também esteve presente em inúmeras obras, mas muitas vezes despercebido ou ofuscado por outros actores de nome estrelar; Oliver Twist, Revolver, Syriana (2005), Tristan + Isolda, Scenes of Sexual Nature (2006), Sunshine e Miss Pettigrew Lives for a Day (2007) e recentemente também o vimos como Finn em Babylon AD. Neste momento está a destacar-se como o chefe das operações da Inteligência da Jordânia no novo filme de Ridley Scott – Body of Lies, ao lado de Leonardo DiCaprio e Russell Crowe, o qual garante bastante carisma. Brevemente surgirá no novo de Guy Ritchie, o qual trabalhou em Revolver, RockN’Rolla, sendo o seu desempenho bastante aclamado.


publicado por Hugo Gomes às 19:49
link do post | comentar | partilhar

Real.: Anand Tucker

Int.: Colin Firth, Jim Broadbent, Matthew Beard, Elaine Cassidy, Juliet Stevenson

 

 

Por vezes só damos conta que amamos as pessoas depois de estas desaparecerem das nossas vidas, esse é mais ou menos a finalidade que esta história de relação entre pai e filho se revela; Blake Morrison (Colin Firth) sempre odiou o seu pai, Arthur Morrison (Jim Broadbent), o qual o culpa por tudo de mal e insólito que lhe acontece na sua vida. Esse suposto ódio leva Blake a explorar os segredos e más decisões do seu pai, levando-o a uma obsessão do passado do seu progenitor e é só quando este encontra-se nas últimas da sua vida, é que Blake apercebe-se e começa a questionar a si próprio se aquele ódio não será confundido com amor. Um filme que revela duas narrativas temporais de foram equilibrada e suave, sem que assemelham a flashbacks de empate.

Um filme britânico pertencente a Anand Tucker que havia realizado Shopgirl (2005) com Claire Danes e Steve Martin nos principais papeis, que tal como este And When You See Your Father Last Time? é um filme de aparência construtiva simples mas enriquecido com pormenores calorosos que transmitem uma certa canícula emocional. Acima de tudo esta jornada entre pai e filho é um veículo de comparação entre dois actores excepcionais do cinema britânico; Colin Firth (na sua melhor interpretação) e Jim Broadbent (inquestionável), ambos possuem química para dar e vender, e nisso também serve para transmitir uma sensação de familiaridade. Matthew Beard tem um desempenho discreto, mas eficaz como Blake em fase adolescente, uma das melhores interpretações juvenis deste ano e Elaine Cassidy irresistível com o seu sotaque escocês.

Poderá ser facilmente subestimado pela sua figura de telefilme de luxo da BBC, mas o filme de Anand Tucker tem algo de tão caloroso e semi-ausente no panorama cinematográfico actual, a sua invocação de emoções, a vénia ao valor humano, o pesar da consciência e o amor paternal que se revela nas mais improváveis formas. São dois actores igualmente menosprezados, mas duas classes distintas que se diferenciam de muitos profissionais que abundam na indústria cinematográfica e que se dão pelo nome de actores, é que Firth e Broadbent são dois gentlemens que enchem o ecrã e que “abraçam” o nosso coração. Drama discreto mas singular que retrata o homem que se esconde por detrás de cada individuo, o nosso pai.

“…. e afinal, quando foi a ultima vez que viste realmente o teu pai?”

 

O melhor – dois excelentes actores como protagonistas

O pior – a ilusão de ser um simples telefilme

 

Recomendação – Adeus, Pai (1996), Atrás das Nuvens (2007), About a Boy (2002)

 

9/10 ****

 


publicado por Hugo Gomes às 01:43
link do post | comentar | partilhar

27.11.08

Real.: Martin Scorsese

Int.: Paul Newman, Tom Cruise, Mary Elizabeth Mastrantonio, John Turturro, Forest Whitaker

 

 

Paul Newman regressa com uma das suas personagens mais celebres da sua carreira, “Fast” Eddie Felson do igualmente celebre The Hustler (1961) de Robert Rossen, que centra-se num talentoso jogador de bilhar que encontra nesse jogo de mesa uma forma de rendimento e sobretudo de desafio e é depois de 25 anos que uma sequela produzida, pela mão de Martin Scorsese adaptada da continuação literária escrita por Walter Tevis. The Color of Money continua a centrar-se em Eddie Felson, mas desta vez e logicamente com o passar dos anos, este encontra-se velho vivendo às custas do whisky que consegue vender e das glórias passadas que tenta relembrar, por vezes até mesmo esquecer. Pensando ter um vida calma e sem despique nenhum, encontra por acaso Vincent Lauria, um jovem que exibe grande talento na mesa de bilhar, sendo de natureza oportunista Eddie não deixa escapar tal oportunidade e decide ensinar e tornar banqueiro de Lauria para que este possa competir com os melhores nos campeonatos nacionais, e assim iniciam uma digressão. Contudo com o decorrer da jornada, Felson apercebe que não era bem ensinar um jovem a tornar-se o melhor que pretendia, mas sim regressar ao snooker.

Mesmo se tratando de uma sequela, o filme de Scorsese funciona com a independência de uma metragem singular, o qual não existe muitas ligações com o The Hustler, excepto certas referencias que se aceitam como espontâneas e claro a personagem Eddie Felson. È uma fita sobre a gloria e não exclusivo atractivo de bilhar, aliás Scorsese não o filma de maneira comercial, não persegue o jogo de bilhar como uma partida de football se trata-se, o que realmente capta são as emoções, da gloria á queda de um icon e a ascensão de outro. Paul Newman interpreta com força a sua oscarizada personagem, num desempenho notável e influente no olhar, já Tom Cruise prova ser aqui ser o magnifico actor que é, mas por vezes cai no narcisismo ou simplesmente no ridículo tablóide, o que aqui vemos é meramente um jovem talento que brilha ao lado do veterano e recem falecido actor, mas claro, sem o conseguir ofuscar, contudo poderemos considerar mais o contrario.

Ainda podemos considerar o excelente e também ele oscarizado desempenho de Mary Elizabeth Mastrantonio num sucesso de personagem feminina, forte de carácter e espessa de solidez, terminando assim um trio, uma viagem cativante que além de levar às mesas de bilhar transporta-nos ainda para o orgulho pessoal de cada um. Até mesmo um mestre fica intimidado com o seu discípulo, e sempre o discípulo tem o desejo de vencer o seu mestre e também o oposto. Vincent contra o lendário Eddie Felson, Tom Cruise contra o igualmente lendário Paul Newman, quem vencerá? As bolas estão em cima da mesa prometendo um confronto sem igual, Scorsese filma-o com solidez neste filme cheio de charme e sem nenhuma veia de oportunismo comercial em todo o seu conjunto.

PS – não percam também a famosa cena de jogo entre Newman e Forest Whitaker, numa época jovem mas já assim com demonstrações do grande actor que virá a ser.

O melhor – Paul Newman evidentemente como também a sobriedade de Scorsese em não transformar a sequela de The Hustler num festim de bilhar.

O pior – Ser constantemente comparado com o original, sendo ambos filmes distintos apesar da sequencia.

 

Recomendação – 21 (2008), The Hustler (1961), Lung Dik Zyun Jan (1991)

 

8/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:03
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar


 

Real.: Oxide Pang Chun, Danny Pang

Int.: Nicolas Cage, James With, Charlie Yeung

 

 

È inegável o facto que Nicolas Cage está a passar um dos piores momentos da sua carreira, não em termos de popularidade e êxito, que nisso ele anda em alta mas sim na escolha dos projectos e a qualidade que estes emana. O motivo de tal desordem ainda é desconhecido – pura má escolha dos seus filmes, cheques chorudos ou por último como veio a especular devido a variadas declarações do actor é que este simplesmente diverte a fazer os seus filmes, se for este o caso então o “Inadaptado” merece um perdão grande, contudo o seus filmes são difíceis de perdoar. O sobrinho de Coppola brincou de super herói estafeta (Ghost Rider), jogou-se no remake de má qualidade (Wicker Man), atrapalhou-se na má ficção científica (Next) e procurou um tesouro sem desafio (National Treasure 2) e agora faz-se passar por Steven Seagal, ou mais ou menos no remake de um filme made in Hong Kong, Bangkok Dangerous (1999) dos irmãos Pang, também eles realizadores desta “cópia á americana”.

Perigo Espreita, titulo traduzido, é o relato de um hitman, assassino contratado, Joe (Nicolas Cage), que tem um novo serviço em Banguecoque o qual será a seu último trabalho antes da aposentação. Para o seu próprio bem, Joe sempre evitou manter contacto eterno, afeiçoar a alguém, a sal vida sempre girou á volta do trabalho e é o mesmo que define a sua vida, por outras palavras trata-se de um indivíduo solitário. No dito Banguecoque o hitman faz algo de invulgar, desata a ensinar auto-defesa e arte de matar a um jovem chinês, o qual adopta como seu aluno e apaixona-se por uma surda e muda farmacêutica, devido a essa aproximação a sua missão complica-se recebendo contornos mortais para aqueles que ele ama.

Oxy Pang e Danny Pang, dois irmãos e realizadores conhecidos em Hong Kong como no resto do Mundo por trazer até nós The Eye, o insólito filme de terror que combina o melhor do horror oriental com suspense e modelo ocidental, resultando num êxito de bilheteira e um tratamento de filme de culto do outro lado do globo. Os irmãos Pang realizaram em 1999, aquela que foi a sua entrada no mundo do cinema comercial, uma variação do famoso cinema de Hong Kong, Bangkok Dangerous, e como o sucesso The Departed de Martin Scorsese, também ele remake de uma obra de mesma nacionalidade, ainda se encontrava se de influência fresco, a adaptação mais americana da obra dos Pang era mais que certa e como a fraternidade já se encontrava em terreno hollywoodesco, The Messengers (2007), complementando-se á sua produção.

Bangkok Dangerous é infelizmente outro “dia mau” para Nicolas Cage, verifica-se um esforço, mas o material da fita em si nada avança ou atrasa no mundo do cinema, apenas marca presença de uma má reciclagem de conteúdos. A historia é pouco desenvolvida, as interpretações secundarias são medíocres, existem situações caricatas que puxam um bafado riso involuntário (a cena do assalto no parque) e as cenas de acção que poderiam ser muito bem a salvação, são do mais rudimentar, desinspirado e banal que existe no cinema de acção deste ano. Os irmãos Pang pensaram em fazer um filme de acção á la Hong kong, mas acabam por fazer uma variação de um filme qualquer protagonizado por Steven Seagal ou Van Damme, só que a excepção é um protagonista muito mais sólido. Não há grande coisa a ver aqui, é melhor mudar de sala.

 

O melhorNicolas Cage, apesar de tudo

O pior – apenas mais um filme de acção

 

Recomendações – Hitman (2007), Leon (1994), Matador (2005)

4/10

 

tags:

publicado por Hugo Gomes às 01:04
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

23.11.08
23.11.08

Rea.: Oliver Stone

Int.: Josh Brolin, James Cromwell, Elizabeth Banks, Richard Dreyfuss, Ioan Gruffudd, Ellen Burstyn, Jesse Bradford, Noah Wyle, Toby Jones, Jeffrey Wright, Thandie Newton

 

 

O mundo não é bem preto e branco como muitos querem tomar, não existe definição de bem nem sequer de mal, o que subsiste são escolhas e por vezes são essas que definem o homem em si. George W. Bush, apesar da legião de ódio que o persegue, não é um “mau” homem, um diabo na casa branca ou um “poço de mal que transpira pelos esporos” como muitos afirmam, é apenas uma “cabeça fria” que nos momentos mais drásticos do seu mandato tomou as decisões erradas, e sabendo que errar é humano e que o presidente dos EUA é além de tudo um homem como tantos outros, sendo essa a razão para que este filme fora criado. O realizador é tão improvável como a figura que aborda, Oliver Stone, um devoto patriota americano mas ao mesmo tempo um realizador de controvérsias e de ideais. Foi o autor do polémico Platoon e Born on the 4th of July, dois retratos críticos da guerra do Vietname e JFK e Nixon, duas abordagens a dois presidentes norte-americanos descritos com uma ferocidade singular. Quanto a W., Stone encontra-se “amassado”, com receio de ofender, contudo sente-se a falta dessa sua noção crítica que perdeu-se desde o “fiasco” de Alexander (2004), por outras palavras não possuímos um filme mordaz ao actual presidente dos EUA (até nisso Stone fez historia, sendo o primeiro biopic de um politico no activo) mas sim uma crónica mais humanista dele.

Temos uma narrativa que segue desde os trabalhos de Verão de Bush, a liderança na campanha presidencial do seu pai, a sua subida ao poder e a decisão de invasão no Iraque, tudo descrito de forma simples, humorada e light, o qual Josh Brolin tem um desempenho fenomenal, reproduzindo de forma semi-idêntica a imagem do presidente. Falando em semelhanças, temos a nosso dispor um elenco elaborado para se assemelhar às figuras políticas que representam como por exemplo Thandie Newton como Condolezza Rice, Richard Dreyfuss como Dick Cheney, Jeffrey Wright como Colin Powell (com alguns momentos de brilho) e Ioan Gruffudd como Tony Blair, tudo se soa idêntico e alguns casos temos a sensação de assistir a simples cópias estéticas, sendo muito dessas personagens de valor decorativo ao cenário da Casa Branca. Poderia se mesmo dizer que é Brolin que aguenta o barco para este não naufragar, mas W. reserva algumas surpresas que estão escondidos em ínfimos pormenores, tal como os diálogos ricos e bem-humorados, os comportamentos inadequados em reuniões políticas que presenteiam os raros momentos de satirização por parte de Stone e a química entre o protagonista e James Cromwell que desempenha o seu pai, George W. Bush sénior. Aliás é a figura paternal e a sua relação com o W. Jr que nos faz reflectir o tipo de homem que Bush é e que se tornou.

Por mais que odiamos a personalidade, apercebemos com as conclusões tiradas da fita que este conseguiu todo aquele mérito sozinho, a sua subida ao mandato presencial foi de forma improvável, porque George W. Bush tem as mais variadas características que á partida se repugna como chefe maior do país mais poderoso do Mundo. Foi um homem problemático, alcoólico, que viveu na sombra do pai, o qual sempre o humilhou, que fala antes de pensar e que possui uma ideia maniqueísta do Mundo, uma ideia pura americana. Este é o Bush representado por Oliver Stone e é provavelmente a imagem que muitos não conhecerão ou nuca irão conhecer, num dos filmes mais importantes do ano, porém ausente de mediatismo, sensacionalismo, panfletarismo e se não fosse a personalidade que é, cairia facilmente no vulgar biopic. Interessante contudo.

O melhor – Josh Brolin e alguns pormenores hilariantes

O pior – o medo de Oliver Stone em criticar

 

Recomendações – Nixon (1995), American Dreamz (2006), JFK (1991)

 

 

W.” – 8 estrelas "Mesmo não sendo o regresso em grande de outros tempos de Oliver Stone, 'W.' consegue reunir todos os atributos necessários para mostrar a vida de um homem que passou por muito até chegar aonde está. Nunca foi tão agradável falar sobre George W. Bush." Ante-Cinema

W.” – 8 estrelas “Pode-se acusar “W.” de ser uma fita dotada de um certo banalismo biográfico, tanto pela forma como foi abordado, quer pelo estilo de filmagem. No entanto, é crucial ter em consideração o indivíduo que está a ser alvo de discussão e esse é um ser humano simples proveniente do mais ambíguo estado norte-americano, independentemente do seu passado familiar. Concluindo o trabalho de Stone, este oferece uma realização necessária e formal mas que presta sempre atenção aos pormenores onde a criatividade e inventividade complementam o estilo antiquado. Cinema is my Life

 

7/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 21:12
link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Real.: Ridley Scott

Int.: Leonardo DiCaprio, Russell Crowe, Mark Strong

 

 

Don’t trust anyone” (não confiei em ninguém) é uma das regras básicas da organização da inteligência americana, CIA, que no “modus operati” dos seus agentes, estes não devem afeiçoar a indivíduos do exterior que possam comprometer a sua missão, um dito agente da CIA deve e apenas confiar em si próprio, nas suas decisões mas sempre cumprindo as ordens dos seus superiores, que por vezes esquecem radicalmente do valor humano. Ridley Scott vai mais longe e engloba os indivíduos do interior da organização nessa regra de auto-protecção, criando assim um thriller incomodo sempre abalado por conspirações e por um sensação de desconfiança que abate quer no espectador, quer na personagem principal, Roger Ferris (Leonardo DiCaprio), um operacional da CIA que se encontra no terreno, mais exactamente na zona da Jordânia com o intuito de recolher informações que possam levar á captura de um terrorista extremista. Ferris actua sob as ordens de Edward Hoffman (Russell Crowe), seu supervisor que se encontra milhares de quilómetros de distância, além disso o agente coopera com a Inteligência da Jordânia o qual sob o pedido do chefe, Hani Salaam (Mark Strong) terá que mutuamente confiar. As situação complica-se quando a vida de Ferris está em risco, a de quem ama também, o qual este terá que sujeitar a testes de confianças para pedir auxilio a si próprio e para a missão que cumpre a todo o custo.

È um thriller de acção que combina os elementos do apelativo do suspense de Alfred Hitchcok com a sofisticação e complexidade de um Bourne, Scott aventura-se de novo na frágil posição do Oriente depois de Black Hawk Down e The Kingdom of Heaven e com um inteligente argumento de William Monahan, que por sua vez foi adaptado da obra literária de David Ignatius, resultando num filme sem moralidades evidentes, maniqueísmos mas com muito, mas muito suspense que captam o interesse imenso no espectador. Leonardo DiCaprio prova mais uma vez que é um actor nato na criação de dialectos, mas existe aquela sensação de que personagem por ele representado foi feito exclusivamente para este, mas a grande surpresa na área interpretativa é Russel Crowe que consegue provocar no espectador, o incomodo e a repulsa ao desempenhar um sujeito cínico que prova antes de mais ser uma representação figurativa á hipocrisia e frieza da CIA, sem falar de se tratar mau pai, mas isso é outra história. É a quarta cooperação entre o actor de Gladiador com o seu respectivo realizador, e neste caso consegue uma personagem bastante singular. A destacar também para Mark Strong, num papel no mínimo carismático.

Sabendo que ultimamente Scott tem-se reduzido ao mero esquematismo das suas obras, uma cruzada sem chama narrativa (The Kingdom of Heaven), um drama demasiado alcoólico (A Good Year) e o modelo do simples “gangster movie” (American Gangster). Body of Lies poderá ser o seu melhor filme no espaço de 4 anos, mas este thriller poderá não sobreviver num futuro que promete mais abordagens deste género, a sua narrativa é demasiado banal e os artifícios poderão esgotar-se sem a devida particularidade que poderia o distinguir. É bom filme no limite do seu género e bem melhor que Eagle’s Eye, o qual poderá trazer á memoria algumas semelhanças.

O melhorRussell Crowe numa personagem de antipatia

O pior – ser demasiado esquemático

 

Recomendações – Sabotage (1942), The Kingdom (2007), Eagle’s Eye (2008)

 

7/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 18:09
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

22.11.08

Este actor australiano além de ser conhecido pela sua agressividade é também um detentor de personagens tão insólitas e de grande peso na mente dos cinéfilos, trata-se de Russell Crowe, um dos protagonistas do recente filme de Ridley Scott, Body of Lies, um empolgante thriller sobre a confiança e a CIA. Vejamos algumas das personagens mais famosas e inesquecíveis deste irreconhecível actor.

Maximu / Gladiator (2000 – Ridley Scott)

 

John Nash / A Beautifull Mind (2001 – Ron Howard)

 

Jim Braddock / Cinderella Man (2005 – Ron Howard)

 

Bud White / L.A Confidential (1997 – Curtis Hanson)

 

Jeffrey Wigand / The Insider (2000 – Michael Mann)

 

Hando / Romper Stomper (1992 - Geoffrey Wright)

 

Sid 6.7 / Virtuosity (1995 – Brett Leonard)

 


publicado por Hugo Gomes às 23:40
link do post | comentar | partilhar

Real.: Sidney Lumet

Int.: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Ed Begley

 

 

Sidney Lumet é nos dias de hoje um verdadeiro “fóssil vivo”, com 84 anos possui uma já clássica e impressionante filmografia, a estreia de Before the Devil Know your´re Dead que estreou em Portugal vem a confirmara a sua vivência e inteligência por detrás das câmaras ainda continua de boa saúde, contudo a estreia foi discreta evidentemente, mas com a aclamação de ser um dos melhores filmes do autor durante um longo período de tempo. Antes do filme protagonizado por Ethan Hawke e Phillip Seymour Hoffman, muito antes de alguns dos seus filmes mais emblemáticos como Serpico, Dog Day Afternoon e Network, existia uma fita, o qual que lançou o nome de Lumet para os patamares superiores de Hollywood. Esse filme é nada mais, nada menos que 12 Angry Men – 12 Homens Em Fúria.

O que consiste este 12 Angry Men? Bem em termos técnicos e argumentativos trata-se do mais simples que há, mas é na engenhosidade, na captação de emoções, teorias, cruzar de ideias e de uma narrativa sempre cativante para o espectador mesmo que o local de acção seja reduzido e limitado a 95% dentro de uma sala de jurados. 12 Angry Men é um entretenimento inteligente que prova antes de mais que a palavra sinonima de divertimento cinematográfico pode muito bem ser oposta aos shows pirotecnia, gags e o habitual modelo hollywoodesco das grandes produções, o filme de Sidney Lumet é sóbrio e esclarecido a todo os pontos, não existem muitos cortes na narração, todo o processo do júri é levado por um única cena que nos faz interagir com o discursos dos actores e todos os diálogos são bem construídos, sofisticados e sem artifícios a roçar o bacocismo que a Academia tanto adora.

O filme inicia com a condenação de um crime, um jovem delinquente é acusado de matar o seu pai á facada o qual é julgado no tribunal, as audiências terminaram agora cabe os 12 jurados decidirem se o estatuto do jovem: inocente ou culpado? Sabendo que a decisão tem que ser unânime, 11 jurados apelam á culpa enquanto um afirma a inocência do rapaz, dando inicio a uma controversa de teorias e provas por elas apresentadas em tribunal, no que resulta numa discussão sem paralelo. Henry Fonda, a voz da inocência do julgado tem uma interpretação exemplar, um dos melhores desempenhos que á memória, mas de composição simples e eficaz, o resto do elenco se comprova em personalidades distintas que só evidencia um elenco não luxuoso, mas sim, profissional. È talvez dos filmes mais inteligentes da historia da sétima arte, mas de componência básica e simples que demonstra a sensatez de Lumet em trazer a mais sólida incursão do thriller jurídico, o qual o autor é pioneiro.

O melhor – a prova necessária para quem julga que entretenimento é sinal de hiperactividade

O pior - para quem julga que entretenimento é sinal de hiperactividade e que não precisa de provas

 

Recomendações – Runaway Jury (2003), 12 (2007), Find Me Guilty (2006)

 

10/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 19:37
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

I like to Move it!

 

A Dreamworks Animation Studios conseguiu alcançar o seu auge em 2001 quando apostou na animação digital com Shrek. Porém a carismática história do bem-sucedido ogre verde não funcionou apenas como um avanço tecnológico e gráfico, mas sim conduzindo uma nova matriz estilística e narrativa. Diríamos antes, que foi uma lufada de ar fresco para o género, um autêntico conto anti-Disney, cheio de irreverência e satirizações à cultura pop que tanto agradou miúdos como conquistou graúdos com a sua linguagem subtil e alusiva. Mesmo assim, o estúdio tentou persistir no tradicional modelo animado, negando que havia sido conquistado com o êxito anterior. Mas obviamente depois de um “next big thing”, difícil mesmo é insistir ao público o que supostamente já havia sido feito ou refeito. Devido aos inúmeros fiascos de bilheteira, a Dreamworks abandonou de vez a produção de tais animações, de moldes clássicos e de grafismo tradicional. Tudo isso decorreu em 2004 quando o estúdio produziu a sequela da sua franquia predilecta (Shrek) e um filme à parte (Shark Tale) que consistiram em dois dos maiores êxitos do referido ano.

 

2526418_Up5I1.jpg

 

Enquanto a Pixar era uma detentora em histórias de animação de ressonâncias clássicas da Disney, Dreamworks é uma verdadeira fábrica de criação de franchising animados e Shrek ocupava o lugar de mina de ouro. Mas longe do carismático ogre verde está a premissa de quatro animais (um leão, uma zebra, um hipopótamo e uma girafa) nascidos em cativeiro no Zoo de Central Park, Nova Iorque, que por engano são encaminhados para a remota ilha de Madagáscar. Tudo devido ao desejo de Marty (a zebra – com a voz de Chris Rock) em conhecer o mundo selvagem, fazendo assim com que o resto do quarteto enfrente os seus maiores medos, a independência dos seus meios e a ausência dos cuidados que tinham no zoo.

 

2526427_3ZkG4.jpg

 

Madagáscar é o título deste filme de animação que tornou-se previsivelmente num dos grandes êxitos de bilheteira do seu respectivo ano, sendo claramente o indício de uma nova série por parte da Dreamworks, visto que produziu um segundo filme e pondera a concepção de um terceiro. Para dizer a verdade, Madagáscar é uma obra demasiado presa a ressonâncias comerciais, uma animação que vive de uma premissa e pouco mais. Um dos seus pontos fracos é a vertente que os gags adquiriram, resumindo a referências ou de natureza mais imatura, contrapondo o seu primo Shrek.

 

20111017m2005rw5.jpg

 

A sua narrativa é light e em termos emocionais fica um pouco a leste do esperado. Sabendo também que a Dreamworks se esforça para separar de qualquer traço ou matriz dos habituais produtos da Disney, mas contrariamente a esse pensamento, até Shrek possuía a sua vertente emocional, e bem acentuada. Todavia esta descontraída fita é isente de motivação que o afasta da própria caricatura, mas por um lado é hábil, dotado de excelentes gráficos e servido por personagens, todas elas cativantes e originais, e um conjunto de vozes também ajuda e muito na simbiose entre as figuras, como a de Chris Rock a tentar rivalizar com Eddie Murphy e o seu burro do Shrek. Dito isto, as crianças vão delirar!

 

Madagascar (2005)9.png

 

No futuro poderá vir a ser uma imagem de marca do “fabricante de Shrek”, mas por enquanto é um “poço de petróleo” inexplorado, onde os responsáveis ponderam tirar partido de novas aventuras de personagens tão irresistíveis. Contudo a tal falta de solidez na narrativa e na temática, nunca o levarão para caminhos “gloriosos” de conversão de clássico, tudo porque este Madagáscar não está muito longe dos inúmeros produtos que preenchem as manhãs aos mais novos. Agora resta apenas cantarolar “I like to Move it, move, it, move it, i like to move it”.

 

Real.: Eric Darnell, Tom McGrath / Int.: Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett Smith, Sacha Baron Cohen

 

jk3c6jovpyvkvyo.jpg

 

Recomendação – Wild (2006), The Lion King (1994), Ratatouille (2007)

 

O melhor – a qualidade das personagens

O pior – tem-se a sensação de tudo ser demasiado infantilizada 

 

 

5/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 12:36
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

20.11.08
20.11.08

Real.: Joshua Seftel

Int.: John Cusack, Hilary Duff, Marisa Tomei, Joan Cusack, Dan Aykroyd, Ben Kingsley

 

 

War, Inc explora aquilo que já toda a gente nesta Terra deve saber, e quem não sabe apenas cai no cepticismo ou é um americano 100% patriota. A verdade é que a natureza dos EUA é oportunista e claramente tal como a tagline deste filme, onde há guerra, os americanos vêm negócio, é a porta de entrada para que Joshua Seftel desenvolve-se aquilo que ele chama de sátira. Sátira esse que inicia com a historia de um hitman, protagonizado por John Cusack que possui uma nova missão, matar um poderoso líder no fictício país do Turaquistão para com os americanos consigam vender as suas armas e assim provocar um guerra 100% executiva.

O resultado desta obra é um embaraço que envolve uma noção de caricatura demasiado acentuada e pouco simbiótica com o filme. Um coisa é fazer sátira outra é não saber faze-lo e Seftel consegue a ultima, recria uma fita cheio de gags e situações providos de um comédia tresloucada e injecta-lhes o disfarce de critica social construtiva. Tudo soa a estereótipo, a exagerado e o elenco, que poderia salvar a fita encontra-se nos piores dias, excepto Dan Aykroyd. Cusack está igual a si, Marisa Tomei teve azar, calhou-lhe uma personagem desinteressante, Hillary Duff não convence em anda como estrela pop árabe, Joan Cusack tem exageros de interpretação considerável e a roçar para o teatral e Ben Kingsley parece mais um apresentador de wrestling que um oscarizado actor.

Para piorar a situação, juntou-se um certo sentimentalismo barato que provoca um desequilíbrio enorme entre a “brincadeira” e o “falando a sério”. Vale pela ideia, pela ousadia e pelas semelhanças caricaturais á realidade, mas como sátira inteligente o filme encontra-se muito, mas muito longe. Melhoras ao elenco!

O melhor – a curiosa taglineNo que toca à guerra... América significa negócio.”.

O pior – não saber distinguir entre caricatura e sátira

 

Recomendações – Thank You For Smoking (2005), Fast Food Nation (2006), Idiocracy (2006)

 

 

War, Inc” – 7 estrelas ““War, Inc” vale pela sua essência e pela inteligente e provocadora sátira. Cinema is my Life

 

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 19:34
link do post | comentar | partilhar

17.11.08

Real.: Roy Ward Baker

Int.: Richard Widmark, Marilyn Monroe, Anne Bancrof, Elisha Cook Jr.

 

 

Marilyn Monroe foi a actriz que todos já ouviram falar e o modelo que todas aspiram ser, a sua popularidade vem da sua beleza natural, talento e do jeito doce que interpreta as suas personagens como em Seven Year Inch e no célebre Some Like It Hot! (ambos realizados por Billy Wilder). Longe desses papes cómicos e bastantes estereotipados, encontra-se uma personalidade perturbada e psicótica, o seu desempenho como Nell em Don’t Bother to Knock de Roy Ward Baker, que revela-nos uma personificação assustadora entre a loucura e a obsessão.

Nell é um babysitter que tem como trabalho tomar conta de uma criança num hotel em Nova Iorque, no quarto ao lado está Jed Towers (Richard Widmark), um piloto de avião que acaba de sair de um relacionamento que não correu da melhor maneira. Ambos se conhecem, e que de inicio soava como um simples namorisco logo se converte numa obsessão por parte de Nell que começa a alucinar confundindo Jed com o seu falecido companheiro, também ele um piloto. Entre o cinema clássico norte-americano, Don’t Bother to Knock não se encontra entre os mais memoráveis dos cinéfilos, ou porque não teve nenhuma distinção que o distinguisse dos demais ou porque a personagem de Monroe tem um pouco a dever a Blanche DuBois (Vivien Leigh) no fantástico A Streetcar Called Desire que havia estreado ano antes, e o final deste mesmo filme é muito semelhante ao do filme de Elia Kazan, mesmo sabendo que se trata de uma adaptação de uma novela escrita por Charlotte Armstrong, e numa altura em que os filmes eram guardados nas memorias das pessoas, Don’t Bother To Knock passou como despercebido.

Mas não se trata de um filme “papagaio”, nem nada do género, Roy Ward Baker o trata como uma obra com tronco, pés e membros, bastante independente na sua execução com personagens próprias e vivas a começar pela estonteante Marilyn Monroe numa composição séria e maníaca, de expressões bastante próprias, se na altura o estereotipo de psicopata era pouco ou anda utilizado para preservar um pouco o conservadorismo, a personagem de Nell anda lá perto, mesmo sem grande recurso á violência e nada ao sadismo e fetichismo. Só por ela, o filme ganha um tempero próprio, no elenco podemos ainda encontrar o carismático Richard Widmark, conhecido pelos seus papéis em Warlock e Alamo, consegue criar simpatia com o espectador e Elisha Cook Jr, consegue criar um personagem no mínimo interessante e divertido de se ver. A narrativa, essa é bem temperada com alguns toques de humor acentuados e com sempre aquela ousadia limitada de Baker.

Mesmo não sendo nenhum marco na historia do cinema, Don’t Bother to Knock e um pequeno e entusiasmante clássico, cativante e arrojado para a sua época. Monroe exibe-se como a excelente actriz que ela é e Roy Ward Baker ficou-se por uma promessa perdida nos maus projectos, sequelas não homónimas e lixo televisivo. Enfim, um bom filme para assistir sempre a horas.

O melhor – os desempenhos de Marilyn Monroe e Richard Widmark

O pior – algumas semelhanças com A Streetcar Called Desire de Elia Kazan

 

Recomendações – Sunset Boulevard (1950), A Streetcar Called Desire (1951), The Hand that Rocks the Cradle (1992)

 

 

8/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:18
link do post | comentar | partilhar

16.11.08
16.11.08

Real.: David Hackl

Int.: Tobin Bell, Costa Mandylor, Julie Benz

 

 

Quando Hollywood não tem ideias o resultado é mais uma sequela de Saw para encher os bolsos da LionsGate Studios, uma espremida intensa ao filão que James Wan e Leigh Whannell conceberam em 2004. Originalmente é um filme descendente do excepcional Se7en (1995 – David Fincher), que além de ter um argumento minimamente fresco possuía um twist final pavoroso que já se adivinhava as futuras continuações. Um legado de fãs foi criado e a série se tornou numa espécie de Pascoa, uma vez por ano, ou seja um filme “rotineiro” por ano, resultando em sucessos que garantissem a vivencia da fasquia. Mas o que fazer quando a série não tem mais ideias frescas? Quando o enredo parece cansado e até mesmo Darren Lynn Bousman (o realizador do 2º, 3º e capitulo) se cansou? A resposta encontra-se neste quinto filme, por outras palavras – nada, tudo continua na mesma; armadilhas, mortes, mais twists para a história e um novo fôlego que tentam escusadamente dar á fita depois da morte de Jigsaw (Tobin Bell) em Saw 3.

David Hackl, que foi o produtor designer dos capítulos anteriores, toma rédeas na realização na sua estreia nesse mesmo trabalho, Bousman decidiu não dirigir o filme para explorar novos projectos (e fez ele muito bem!). O que dizer deste novo realizador? Bem, para começar Hackl é muito mais calmo que Bousman, tem menos psicadélices, menos montagens rápidas e talvez menos explicidade nas torturas macabras, devido a isso tenho a ousadia de dizer que este Saw é o mais “leve” de todos, apesar de tudo, garante a sua dose generosa de sangue, o autor tenta seguir o legado deixado por Bousman, que por sua vez segue James Wan, e tudo acaba com pequenas diferenças, mas exactamente o mesmo. A sonoplastia é intensa e muito barulhenta e Tobin Bell, a estrela da série, está apenas presente em flashbacks que baralham ainda mais a história.

Tudo se repete, o filão torna-se cansativo, exactamente o mesmo para ser preciso e uma ida do cinema torna-se numa experiencia já vista, pelo menos 5 vezes. Hackl garante uma lufada de ar fresco por ser um realizador mais calmo, mas (irra!) isto já cansa e muito. Cinema fast-food marcar presença no cinema (pela quinta vez consecutiva).

PS – aquele Costa Mandylor tem estilo, não tem?

 

O melhorDavid Hackl ser um realizador mais sóbrio que Bousman

O pior – Será que isto já não cansa?

 

Recomendações – Saw IV (2007), Hostel II (2007), Untraceable (2008)

 

 

3/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 18:57
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Tim Burton realizou em 2005, aquele que é um dos mais maravilhosos filmes da sua filmografia e da animação recente. Corpse Bride - Noiva Cadáver, um misto de animação stop-motion com o musical de Danny Elfman. Eis uma das cenas mais belas de um filme tão bizarro e gótico como este. Grande filme sem dúvida e a música Tears to Shed na minha selecção das melhores da cinéfila.

tags:

publicado por Hugo Gomes às 14:59
link do post | comentar | partilhar

15.11.08
15.11.08

Real.: David Cronenberg

Int.: Jude Law, Jennifer Jason Leigh, ian Holm,Wllem Dafoe

 

 

Em 1997 um despercebido filme como Dark City de Alex Proyas levantava a possibilidade de vivermos num mundo controladamente falso, no caso sendo um “tubo de ensaio” para extraterrestres, mas passado 1 ano, os irmãos Wachowski concretizaram aquele que é um dos filmes eternos do cinema americano, Matrix, uma parábola que reflecte na diminutiva diferença entre Realidade e Virtual, o resultado foi um dos maiores êxitos de bilheteira e num legado que ainda hoje perdura no estilo e referencias. Seguidamente surgiram muitos outros filmes que discutiam a pseudo-realidade, construindo filmes quebra-cabeças, provocadores e altamente sofisticados. Surgiram uma nova era de ficção cientifica, uma era que se tornou normal interrogar da integridade do nosso meio, será que vivemos num mundo real?

David Cronenberg já havia interpretado a realidade virtual em Videodrome, e os seus perigos em termos psicológicos e físicos, aqui a volta a faze-lo, talvez aproveitando um pouco a onda de Matrix, o autor inconfundível de The Fly cria um provocante filme de ficção científica que gira á volta de um jogo de realidade virtual e de uma programadora ameaçada de morte, o qual o seu guarda pessoal é a única pessoa com quem pode contar. Enquanto Matrix dos irmãos Wachowski era um detentor de efeitos especiais e de um hype característico, eXistenZ é negro, intensamente psicológico, inquietante e arrepiante, quer nas cenas de carnificina ditadas por Cronenberg, quer pela dúvida controversa que paira toda a narrativa.

Jude Law está em eXistenZ como Keanu Reeves está para Matrix, ambas são personagens alienadas ao mundo que rodeia, ou seja pelas regras do filme, respectivamente terão que aprender a viver nesse meio a todo o custo, enquanto Reeves protagoniza como um escolhido, Law interpreta um “ponto de interrogação” sobre a evolução tecnológica e o sedentarismo de mesmo tipo. Jennifer Jason Leigh, uma discreta actriz oriunda de inúmeros thrillers psicologicamente fortes tem aqui o seu papel mais sexy e provavelmente a sua melhor interpretação. Ian Holm coincide a um déja vu da sua personagem em Alien, com um sotaque mais elaborado e Willem Dafoe consegue ser protagonistas das suas próprias cenas. Ou seja temos aqui um filme muito bem interpretado, que com a ajuda de um realizador forte o suficiente para perturbar-nos com um filme tão perspicaz.

Nos dias de hoje assistimos a um boom das novas tecnológicas, principalmente á indústria de videojogos, resultando, mais solidão, menos interactividade, menos percepção do mundo em que vivemos. Filmes como eXistenZ mostram-nos sobretudo do estado mental desse “mundo informático”, não cai no panfletário, mas exibe-se como uma fita perdurante na memória, as suas questões são impertinentes e ao mesmo tempo são geniais. Um filme insólito a não perder!

O melhor – Um labirinto psicologicamente forte

O pior – as demasiadas explicações ao mundo em que se decorre o filme

 

Recomendação – The Thirteenth Floor (1999), Matrix (1998), Videodrome (1983) 

9/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 23:13
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Eles são os segundos pais da nossa vida, educam, ensinam, fortalecem laços há muito perdidos e praticam milagrosamente a mudança intrínseca de qualquer indivíduo e identidade. São representados no cinema como guia espirituais ou cívicos, eles são os professores. Profissão por vezes de alto risco, duro, paciente e incompreendido, o cinema teve o mérito de apresentar as mais esperançosas figuras da educação, sendo inspirações quer para a carreira, quer para o resto do Mundo. Com a estreia de Entre Les Murs, o professor François (François Bégaudeau) está condenado a pertencer numa categoria impar deste grupo de personagens, agora relembremos outros marcantes professores ou mestres no cinema.

 

John Keating, Dead Poets Society (1988 – Peter Weir) Robin Williams

William Hundert, The Emperor’s Club (2002 – Michael Hoffman) Kevin Kline

Reginald F. 'R. J.' Johnston, The Last Emperor (1987 – Bernando Bertolucci) Peter O’Toole

Henry “Indiana” Jones Jr., The Raiders of The Lost Ark (1981 – Steven Spielberg) Harrison Ford

Dan Dunne, Half Nelson (2006 – Ryan Fleck) Ryan Gosling

Louanne Johnson, Dangerous Mind (1995 – John N. Smith) Michelle Pfeiffer

Mr. Myiagi, The Karate Kid (1984 – John G. Avildsen) Noriyuki Morita

 

tags:

publicado por Hugo Gomes às 20:03
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

tags:

publicado por Hugo Gomes às 13:09
link do post | comentar | partilhar

Foram lançados dois trailers de dois filmes que apresentam a destruição do Mundo, primeiro vemos o novo trailer do remake The Day the Earth Stood Still – O Dia Em Que A terra Parou, o qual Keanu Reeves desempenha o celebre papel de Klaatu (que fora desempenhado por Michael Reenie na versão de 1951 de Robert Wise). O filme é sobre a história da demolição do planeta por extraterrestres que decidem terminar com a guerra e ódio da Terra. Com Jennifer Connely, Kathy Bates e John Cleese. Um filme de Scott Derrickson. O segundo trailer, que é mais um teaser, é a apresentação do próximo megalómano projecto de Rolland Emmerich, 2012, outro filme catástrofe baseado num mito maia que profetiza que a Terra será destruída em 2012.


publicado por Hugo Gomes às 12:50
link do post | comentar | partilhar

Dois titãs em filme medíocre!


A ideia de reunir dois pesos-pesados da galeria de actores norte-americanos, Al Pacino e Robert De Niro, tem muito que se diga sendo por norma um resultado fenomenal, vejamos o primeiro caso no brilhante retrato da máfia italiana em The Godfather II de Francis Ford Coppola  (1974), o qual apresenta uma abordagem quase documental da América anos 30, contudo os dois actores nunca chegaram a contracenar no mesmo plano porque em termos narrativos ambos protagonizam uma história de grande diferença temporal. Porém foi preciso esperar 21 anos para finalmente ambos partilharem o mesmo ecrã com Heat de Michael Mann  (1995), provavelmente o conto urbano por excelência, o qual os dois actores contracenaram em somente 4 cenas, adquirindo contornos quase messiânicos a esse “evento”. 13 Anos depois, tudo é levado quase ao excesso, Jon Avnet conseguiu a oportunidade única de uma vida e fez com que os dois actores parecem-se siameses neste Righteous Kill.



Robert De Niro e Al Pacino interpretam dois detectives de longa data que investigam um caso mórbido de um suposto serial-killer com algum toque de justiça, contudo estes conhecem as vítimas, sempre condenações suas ou sujeitos de alta criminalidade pertencentes ao passado da personagem de De Niro, fazendo com que a dupla fosse suspeita de tais crimes. Jon Avnet já havia trabalhado com Pacino em 88 Minutos, um policial com uma premissa muito tendência Saw que resultou num amadorismo desconcertante, desta vez, além de ter a honra de fazer certa história no cinema americano, dirige ambos os “titãs” neste misto de policial e thriller psicopático. Resultado? Muito além do esperado (negativamente).

 

 

Parece que o filme cujos dois actores de The Godfather contracenam filme inteiro, revela á partida numa oportunidade de comércio valioso, mesmo sob um produto tão menor e tão pouco trabalhado como este. Tudo indica que Avnet nunca foi homem para grandes filmes, a sua realização baseia-se na “fundamental” base de montagens rápidas, flashbacks e um tempero á MTV, o argumento tem mais pontas soltas que se possa imaginar e o pior de tudo, Righteous Kill nunca chega a ser credível o suficiente para simpatizarmos com as personagens, mesmo sendo elas a De Niro  (detentor de uma bocejante narração) e Al Pacino que parece ter perdido a sua vocação por um cheque primoroso.

 

 

Trata-se de um thriller tão banal como tipicamente adolescente, cuja inconsequência é visível, além disso temos á nossa mercê o rapper 50 Cent numa personagem mais que previsível que só prova tais afirmações. Sem grande ou nenhuma intensidade psicológica e sem grande força de vontade, Righteous Kill foi escrito pelo mesmo autor de Inside Man, mas pelo vistos foi “cuspido” para conformar com dois excelentes actores se esforçam pouco num filme que sabe a muito pouco. Já pensaram o que seria deste filme, sem ambos?

 

“Most people respect the badge. Everyone respects the gun”

 


O melhor – De Niro e Pacino, apesar de tudo

O pior – um argumento com manias de grandezas e uma realização incómoda

 

Real.: Jon Avnet /Int.: Robert De Niro, Al Pacino, Carla Gugino, 50 Cent, John Leguizamo



 

Recomendações – Heat (1995), Brave One (2008), Serpico (1973)

4/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 12:23
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Primeiras Impressões: «Te...

Parasitismo da Palma de O...

Porque todo o começo tem ...

Primeiras Impressões: «Jo...

Primeiras reacções: Ad As...

Primeiras impressões: «Mi...

RHI: Revolution Hope Imag...

Dor e Glória, o mapa para...

It: Chapter Two: integrar...

Quote #11: Limelight (Cha...

últ. comentários
aprenda a limpar fogão encardido...
10 ótimas dicas de pesca.
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
31 comentários
25 comentários
20 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
SAPO Blogs