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11.8.07

 

O regressar às trevas do Homem-Morcego!

 

Traumatizado com o assassínio dos seus pais, Bruce Wayne  (Christian Bale), o herdeiro de um património incontável de Gotham City, percorre meio mundo em busca da sua identidade perdida ou em todos os casos a vingança que sempre havia pretendido. Wayne vai ao encontro da temível Liga Das Sombras, uma organização semi-terrorista em defensa da justiça e na luta da corrupção, com intuito de se tornar num homem mais forte e capaz de enfrentar os seus próprios medos. Alguns anos depois, o herdeiro perdido regressa à cidade natal, trazendo consigo inspirações e ideias na luta de tudo aquilo que tornou Gotham numa cidade suja e corrupta.  Batman foi o resultado desses mesmos ideais.

 

 

Quando falamos de Batman no cinema, logo referimos a duas versões distintas e caracterizadas por tons singulares, a primeira é uma comédia camp com Adam West num travestido homem-morcego numa versão de 1966, a segundo surgiu em 1989 com Tim Burton a provar o Mundo que as adaptações dos “heróis aos quadradinhos” são mais do que meros filmes familiares, mas no seu caso podendo bem ser obras de acção com criatividade cénica e atmosférica. Na pele do “cavaleiro das trevas” encontramos um Michael Keaton sombrio que se repetiu numa sequela em 1992, novamente dirigida por Burton. A visão gótica do herói da DC Comics foi seguida por duas sequelas que de certa forma levaram Batman para os seus “dias mais negros”, ele são Batman Forever (1995) e o “horrendoBatman & Robin (1997), a “gota de água” de um franchising que até somou êxitos. Ambos dirigidos por Joel Schumacher, cuja carreira não foi a mesma desde o triste episódios de 1997, onde confundiu criatividade com exaustão de neons, luz e muita core, uma narrativa “empapada” com excesso de informação e as acusações de fetichismo gay que advém de pormenores inúteis como um fato com mamilos utilizado por Batman e um igualmente apertado no seu sidekick Robin (interpretado por Chris O'Donnell), até “close-ups” duvidosos a fita continha. Batman & Robin acabou por se tornar num fiasco em consideração de um prejudicial “passa-palavra”, chegando a difamar a própria série e o herói em questão no cinema, salvo apenas através da originalidade trazida pelos na Banda Desenhada.

 

 

Foram precisos oito anos para que um dos mais famosos e incontornáveis figuras de banda desenhada conseguisse ignorar os “incidentes” e regressar ao grande ecrã, e verdade seja dita, o fez da melhor maneira possível. Christopher Nolan (Memento, Insomnia) é o responsável por este reboot que devolve as “trevas” a Batman, que em conjunto com David S. Goyer reuniram as mais interessantes histórias do seu legado de banda desenhada dos últimos anos, nomeadamente o aclamado The Dark Knight de Frank Miller, que redefiniu a série literária. Nolaninjectou” neste herói o realismo, as influências do neo-noir e acima de tudo a credibilidade, resultando num ambiente surpreendentemente simbiótico para um personagem de BD no cinema. Assim, Batman de “orgulho ferido” poderá finalmente erguer das trevas como era pretendido.

 

 

Um filme de acção vibrante e de uma força única que capta o melhor ambiente do cinema policial à moda antiga, mais do que o suposto “pastiche” da banda desenhada. Nolan reuniu um elenco de luxo na transposição dos conhecidos personagens de sempre, tendo o mutável Christian Bale na pele de Bruce Wayne e o alter-ego Batman (não é o melhor cavaleiro encapuçado mas confessa-se, é capaz de transmitir o seu lado mais negro e violento, contudo comporta-se como melhor Bruce Wayne, um dos objectivos a ser “rompidos” aqui). Para além da revelação de American Psycho (2000) e The Machinist (2004), Batman Begins presenteia-nos actores de calibre como Michael Caine (melhor Alfred não há!), Morgan Freeman (uma espécie de Q dos filmes do James Bond), Tom Wilkinson, Liam Neeson, Gary Oldman, um desperdiçado Ken Watanabe, um flexível Cillian Murphy como o vilão Scarecrow (O Espantalho na língua de Camões) e uma quase ruinosa Katie Holmes apresentando-se como um par romântico fraco envolvido com uma interpretação deslocada.

 

 

Engenhoso e sedutoramente negro, Batman – O Inicio (titulo traduzido)  é uma das mais sólidas adaptações da BD, e por mais que me custe dizer isto, é na minha opinião o melhor Batman feito para o cinema (perdoe-me fãs de Tim Burton). Nolan consegue ressuscitar um herói tão mal tratado pela indústria cinematográfica e atribuir-lhe um porto de abrigo, todavia nota-se que o realizador não possui a mesma visão de Gotham que de Tim Burton, apresentando-a como uma previsível cidade ausente de misticismo. Nota final para a pomposa banda sonora de Hans Zimmer. Para finalmente esquecermos dos dois desastres de Schumacher e os seus “fatos com mamilos”.

 

“You must become more than just a man in the mind of your opponent.”

 

Real.: Christopher Nolan / Int.: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes, Gary Oldman, Cillian Murphy, Tom Wilkinson, Rutger Hauer, Ken Watanabe, Mark Boone Junior, Linus Roache, Morgan Freeman, Larry Holden

 


8/10

publicado por Hugo Gomes às 16:51
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