Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013

No quente do deserto …

 

Produzido por Luc Besson, Intersections é um thriller com claras atenções para o mercado internacional visto se tratar de uma produção francesa com um elenco misto de nacionalidades e maioritariamente falado em inglês (não são só os portugueses a executarem essa façanha), o que lhe reverte numa falta de identidade, não apenas cultural mas também cinematográfica. Resumindo tudo a cinema globalizado e industrializado, não são tais factores que estão aqui em causa.

 

 

 

A acção decorre em Marrocos, sendo que grande parte da mesma se centra em "nenhures" de um deserto marroquino onde, de formas algo inacreditáveis e impensáveis, um grupo de personagens se "enredam" uma com as outras, isolados num ambiente inóspito em consequências de uma aparatoso acidente. O exercício exposto na fita de David Marconi (contribuiu os argumentos de Die Hard 4.0 de Len Wiseman e Enemy of the State de Tony Scott) é tão "batido" que nada de novo, nem irreverente, encontramos no meio de toda esta poeira. Para além disso, o filme perde-se sobretudo pela fraca composição com que aborda os seus personagens, com evidentes sintomas de esquizofrenia pelo meio.

 

 

A sobrevivência leva a extremos, revela lados humanos nunca vistos nem sequer experimentados. Pois é, a psicologia humana nestes momentos ditados pela vida e morte sob um pesada atmosfera de suspeita, costumam ser servidos como reluzentes espectáculos cinematográficos (não só, relembro que Agatha Christie incutiu essa formula com uma inegável classe nas suas criações literárias). Contudo, em Intersections não é o caso, pois existe algo que impede a obra de "frequentar tais remotos cantos" e esse algo denomina-se por lógica.

 

 

Lógica essa que é ultrapassada por transposições quase surreais, personagens tão mal construídas que fazem com que o espectador deseje o fim destas o mais rápido possível e situações tão amnésicas e rebuscadas que negam qualquer deslumbramento nos constantes e exaustivos twists que a narrativa apresenta. Depois deste mau trabalho no argumento e até nas interpretações, com excepção de um "mecânico" (literalmente e não literalmente) Roschdy Zem (Days of Glory), Intersections ainda concentra bons valores técnicos, quer pela fotografia quer pela banda sonora, ainda que sejam apresentados na forma do bom e velho ditado com visíveis alusões ao deserto aqui exposto: "areia para os olhos".

 

Real.: David Marconi / Int.: Frank Grillo, Jaimie Alexander, Roschdy Zem

 

 

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:30
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