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24.11.13

A Encarnação!

 

Alguma vez desejaram mudar de vida tão drasticamente que até mesmo o próprio nome é descartado? Para Avery Wallace (Colin Firth) tal desejo torna-se na única solução para uma vida sem volta, o qual não se orgulha de manter. Decidido a esquecer o seu passado e viver um futuro completamente diferente auspicioso, Wallace simula a sua morte e exerce a identidade de Arthur Newman, um promissor jogador de golfe em busca de uma oportunidade. Nesta sua jornada pessoal em busca da sua merecedora identidade e respectivo destino, "o agora" Arthur conhece Michaela "Mike" Fitzgerald (Emily Blunt), uma jovem problemática determinada a deixar para trás os assuntos inacabados que sempre a haviam atormentado.

 

 

Primeira longa-metragem de Dante Ariola, As Vidas de Arthur é uma fita reservada a sua própria ambiguidade, que não apenas encontra decifrada nas suas personagens mas como também na narrativa. Variação algo fetichista de Bonnie & Clyde, este é um drama seco, por vezes inspirado que atropela-se nas exaustivas buscas intrínsecas da identidade e na tendência em subvaloriza-la face a uma sempre crescente cobiça aspirativa. São inúmeras as vidas vividas por este "casal fictício" (Firth e Blunt), porém adaptáveis e simbióticos entre eles, assombrados pelos seus "demónios reais" derivados das responsabilidades que os perseguem furtivamente.

 

 

São as consequências da sua limitação de resposta que as acorrenta a um "turbilhão de almas farsantes", nota-se porém a intensidade com que os protagonista se "entregam" no ultimo ato, em que as suas personagens reais são por fim reveladas sobre um manto de ilusões. Escusado será dizer que os desempenhos dos atores são camaléonicos e perseverantes, mesmo sob as "camadas" de variações interpretativas. Colin Firth é fascinante e soberano e Emily Blunt emana talento (afirmo que a actriz encontra-se cada vez melhor nos seus últimos filmes).

 

 

Tal como os seus personagens, a fita Arthur Newman é envolta de mistério e argumentos inconclusivos que lhe acrescentam uma certa sedução do incógnito e uma descoberta longe de facilidades. Este é sim, um filme discreto e ao mesmo tempo cativante, que ainda presenteia-nos como trunfo, um dos finais mais ininteligíveis do cinema norte-americano desde Lost in Translation de Sofia Coppola.

 

Real.: Dante Ariola / Int.: Colin Firth, Emily Blunt, Anne Heche



 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:27
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