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2.11.13

Uma relação atribulada entre o visual e o inerente!

 

Cada vez mais fascinado pelo bizarro e a diferença como linguagem fílmica, Michel Gondry aventura-se na obra-prima de Boris Vian, um dos pais do movimento surrealista na literatura, L’Écume des Jours (A Espuma dos Dias). Uma reflexão algo pessoal do autor que conecta aqui a sua distorcida, ao mesmo tempo criativa, visão com as suas vivências a foro pessoal que nas mãos do realizador assemelha a um substituto incomparável de Charlie Kaufman, o argumentista que havia trabalhado na concepção de inúmeras obras como o caso de Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Aliás existe algo de semelhante entre o filme de 2004 interpretado por Jim Carrey e o escrito de Boris Vian, ambos parecem desconstruir a estrutura modelar do dito romance, enquanto Eternal Sunshine o concebe através do gosto melancólica de uma ficção cientifica,  L'Écume des Jours parece usufruir da linguagem surrealista como metáforas expostas para os mais atentos.

 

 

Porém o que indicava ser uma cumplicidade "explosiva" de duas perspectivas (o visual e o imaginado) em compartilha do mesmo mundo se revela num elo quebradiço que tende em agravar a incompatibilidade dos dois autores. Enquanto Boris Vian é profundo nas suas palavras, Gondry apenas o ilustra sem a naturalidade dos seus fluxos imaginários, é como ver uma pintura que ostenta elementos barrocos que nunca encontra uma objectividade fluida capaz de envolver o espectador a integrar no seu encanto.

 

 

Devido a isso, L'Écume des Jours soa a plasticidade, a algo forçado e com aspirações para tal, o que de certa forma prejudica as prestações do seu elenco (Roman Duris é admirável pela sua flexibilidade quanto às constantes mudanças de ritmo transmitidas pela obra) e dos rasgos criativos e competentes que Michel Gondry parece invocar. Nota-se a criação de cenários e a metamorfose tingida nestes que de certa forma adulteram o estado dos seus personagens e uma sonoplastia de citações boémias. Mas esses momentos puramente prazenteiros parece não possuir relevância a um burlesco espectro daquilo que poderia ter sido. Fantasia decepcionante, mesmo que simbólica!

 

Filme visualizado na 14ª Festa do Cinema Francês

 

Real.: Michel Gondry / Int.: Romain Duris, Audrey Tautou, Gad Elmaleh, Omar Sy

 


 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 13:44
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