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27.9.13

Um Eléctrico Chamado Woody!

 

Como já é costume em cada ano cinematográfico, o sempre activo nova-iorquino Woody Allen volta a "abrir as portas do seu mundo", inserindo uma pausa na sua excursão turística e remeter-se ao seu filme mais negro desde Cassandra's Dream (2006) e Match Point (2005). Blue Jasmine ingressa um tom agridoce, a comédia irónica tão habitual na carreira do autor, para além de Cate Blanchett compor o perfeito modelo alleniano. Trata-se de uma variação livre da peça dramaturga de Tennessee Williams, A Streetcar Named Desire, e com claras ligações referenciais com a respectiva adaptação de Elia Kazan em 1951, com os actores Marlon Brando e Vivien Leigh em destaque. Aliás é no clássico de Kazan que encontramos a essência deste Blue Jasmine, a natureza rude e tiques a mimetizar Brando em Bobby Cannavale ou a psicótica ilusão em Blanchett como uma divinal  reencarnação de Vivien Leigh.

 

 

Para os cinéfilos esta nova obra de Woody Allen é uma "delicia turca", um deleite de referências e evocações que nos assombram de forma fantasmagórica as nossas fantasias. Com um argumento actual ao mesmo tempo que une com um vintage adquirido pelo autor, Blue Jasmine é uma pseudo-telenovela, com personagens definidas e complexas servidas com desempenhos deslumbrantes (Cate Blanchett está espantosa, quase digna de um Óscar), uma transgressão entre o comédia e o drama e acima de tudo o psicológico envolvente em sua narrativa e Blue Moon por Conal Fowkes. Trata-se de um filme simples, porém magistralmente orquestrado e dirigido com uma precisão cirúrgica, principalmente na apelação dos seus tons e das surpresas "à lá Woody Allen".

 

 

Neste retrato cómico-trágico, apenas existe uma reclamação a ser feita, a falta da magia inerente de Midnight in Paris (2011), contudo ambas as obras partilham os mesmos pontos de interesse, a sua apaixonante concretização pessoal. Blue Jasmine é a prova que Woody Allen continua a surpreender mesmo que nada mais tem a provar. Formidável exercício de ironia!

 

"Anxiety, nightmares and a nervous breakdown, there's only so many traumas a person can withstand until they take to the streets and start screaming."


Real.: Woody Allen / Int.: Cate Blanchett, Alec Baldwin, Peter Sarsgaard, Sally Hawkins, Bobby Cannavale, Andrew Dice Clay, Michael Stuhlbarg, Louis C.K.



9/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:24
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1 comentário:
De João a 28 de Setembro de 2013 às 17:23
Só não concordo com o "quase digna de um Óscar". Está mais que digna, sem qualquer dúvida ou hesitação.


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