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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

2020: uma odisseia na crítica de cinema

Hugo Gomes, 28.03.20

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 Les Sièges de l'Alcazar (Luc Moullet, 1989)

Inevitavelmente, a pandemia do novo Coronavírus tem vindo a reestruturar a crítica de cinema, uma seleção natural à moda do darwinismo nestes tempos de confinamento. A subsistência dessa arte, o qual integro-me, foi tentativamente documentada no meu artigo no portal C7nema, onde em distantes conversas abordei a situação com alguns dos respeitados profissionais do campo. Um muito obrigado a João Lopes, Inês Lourenço, Rui Pedro Tendinha, Jorge Leitão Ramos, Vasco Câmara e o crítico que preferiu não ser identificado, pelas respostas necessitadas para esta reflexão numa nova era que surge perante nós.

A quarentena forçada levou ao cancelamento de diversos eventos cinematográficos, pois nenhum é imune à ameaça patológica. A própria ida à sala do cinema tornou-se restrita, para não dizer nula, e nem mencionamos o trauma que virá a seguir e que a China - país onde já reabriram centenas de salas - está já a revelar. Na verdade, o cinema isolou-se agora em múltiplas plataformas de streaming, no VOD, Home Video ou simplesmente na incerteza.” ler texto aqui.

Todavia, mesmo antes da ameaça do Covid19, a crítica de cinema sofria com um abanão que fora o iminente fim da Cahiers du Cinèma, a sagrada instituição que valorizava a arte como um dos últimos redutos do pensamento cinematográfico. Para mais, ler aqui.

Stuart Gordon, um perverso que nos (re)animou ...

Hugo Gomes, 25.03.20

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Em matéria de canonização do género de terror, Stuart Gordon sempre se sentiu à margem da história desse mesmo universo. Alicerçado a um cinema 80’ de valor sintético e de somente jubilo, à imagem de tantos outros congéneres, nunca foi devidamente ‘resgatado’, tendo caindo na “graça” das produções Z ou das promessas de (re)ascensão que nunca foram cumpridas.

Stuart Gordon era mais que isso! Possivelmente hoje é difícil desassociá-lo do imaginário de H.P. Lovecraft, assim como os escritos adquiriram uma nova dimensão perante as suas adaptações. Deste lado, é com um sabor agridoce que recordo a astúcia, e por vezes delírio, de Re-Animator ou do perverso (muito, aliás) de From Beyond, e acima de tudo, o humor com que apresentava cada uma destas sessões durante o especial promovido pelo MOTELX.

Muito obrigado, Gordon.

Voltaremos a ver Mektoub?

Hugo Gomes, 22.03.20

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A segunda parte de uma planeada trilogia é hoje um filme "maldito", confinado a uma gaveta oculta de Abdellatiff Kechiche. Dou-me por sortudo por tê-lo visto na passada edição do Festival de Cannes, numa sessão que gradualmente ficou "às moscas" e aos resistentes perante aquele expoente jubilo. Poderemos nunca mais ver esta obra, pelo menos desta forma, e como tal deixo aqui o meu "testemunho" para que não haja dúvidas que ele existiu.

 

"A música é incansável e repetitiva, e por cada ABBA ou shot somos forçados a mais um teste de twerk ou de jovens dançantes, loucos por esquecer o exterior, abraçando o momento na esperança de que este se torne eterno. Mas esta representação do delírio boémio e auto-destruidor tem as suas limitações (sempre acompanhado por uma câmara tão ou mais "ébria" que os próprios jovens). O ensaio rompe pelas suas insensibilidades. Cansaço pode muito ser a vivência perante esta experiência, mas fora essas "sequelas" infligidas nada de mais se absorve. Kechiche auto-mutilou-se no preciso momento em que se deixa vencer pelo Tempo, sem saber o que fazer com ele e sucessivamente ser esmagado pelo mesmo." Ler crítica no C7nema.

Basta ter fé em Hollywood!

Hugo Gomes, 18.03.20

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A pandemia espetáculo à moda dos anos 90! Livremente inspirado na Ébola, um vírus mortal de proporções genocidas chega aos EUA hospedado num macaco, resultando numa iminente catástrofe.

Em dias de contingências e quarentenas, o medo foi encontrado sob a forma do retrato de Steven Soderbergh - Contágio (Contagion, 2011) – uma evocação ficcional do H1N1 (Gripe A) que contraiu contornos assustadoramente realistas, sendo o antídoto Outbreak: Fora de Controlo (Wolfgang Peterson, 1995), uma fantasia de heróis da pátria com perseguições e bombardeios à mistura para “embelezar” a contenção da epidemia-vilã. Há que ser otimista e acreditar que por vezes é nas fórmulas patriotas de Hollywood que deparamos com essas forças de vontade.

Prevenção acima de tudo. Tomem cuidado e aproveitem a “quarentena” para verem bons filme.