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Título
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14.8.18

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Foi divulgado o primeiro trailer de Green Book, filme que marcará a passagem do realizador Peter Farrelly, conhecido de comédias como There’s Something about Mary e Dumb & Dumber, para o território dramático. Viggo Mortensen e Mahershala Ali (Moonlight) são os protagonistas.  

 

O filme remete-nos a um segurança de Nova Iorque (Mortensen) que dirige um pianista de classe mundial (Ali) numa turnê no sul americano dos anos 60. Tem como vista de ser uma das grandes apostas da award season (temporada de prémios).

 

Com estreia prevista para os cinemas portugueses em dezembro.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:56
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13.8.18

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Depois da animação stop-motion, The Isle of Dogs, Wes Anderson regressa à ação-real. Segundo algumas fontes, o nova-iorquino irá filmará a sua décima longa-metragem em França, mais precisamente em Angoulême. A cidade é a capital do departamento de Charente, situado no sudoeste francês, e hoje alberga o maior festival de banda-desenhada da Europa.

 

Desconhece-se ainda os pormenores acerca do guião, produção assim como do elenco, mas as fontes apontam que a rodagem não demorará mais que quatro meses e que começará no próximo mês de fevereiro.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:15
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Já não vivemos isto?

 

O que é que torna The Darkest Minds no filme mais desinteressante desta temporada? Primeiro, o conceito que transpira a um "wannabe" X-Men com jovens prodígios e poderes vários a tomar conta da enésima temática distópica. Segundo, a inspiração de sagas infantojuvenis de tal natureza (são quatro livros da autoria de Alexandra Bracken [tendo em conta as bilheteiras, só iremos ficar por um volume no cinema]), e nesse “mundinho” o efeito déjá vu das fações, das divisórias e, por fim, dos vilões megalómanos que possuem influências na militarização e no seio politico.

 

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Por último, de forma a engrossar toda esta visão míope de entretenimento para os mais jovens (Hollywood tem culpa no cartório em persistir em matérias bocejantes e revistas na indústria), é uma espécie de “adultofobia”, com os jovens a tomar, inconsequentemente, papéis ou figurões de maturidade numa guerra entre faixas etárias. Prevalecem esses sintomas de recursos gastos para o vácuo da criatividade, onde se poderia ao menos salientar o bem empregue rigor técnico e narrativo. Ora vejamos, se em técnica este The Darkest Minds é acima da competência entediante (novamente a palmadinha das costas e os “good job!” desta vida), em narrativa é o pão que o diabo amassou.

 

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A padronizar os filmes e as audiências perante a puerilidade das personagens, relações e situações, para que no fim não exista sensação de perda, consequência, ou crítica político-social (nesse ramo, o seu congénere The Hunger Games saiu obviamente a ganhar). E falando em Jogos da Fome, a protagonista - Amanda Stenberg - encontra-se novamente presa a este tipo de produções (relembramos que ela fora a Rue, a impulsora da revolução da pseudo-heroína Jennifer Lawrence na mencionada saga). The Darkest Minds é somente isto, a mera gota no Oceano e, a esta altura do campeonato, é de uma profunda descartabilidade.

 

Real.: Jennifer Yuh Nelson / Int.: Amandla Stenberg, Bradley Whitford, Mandy Moore, Harris Dickinson, Gwendoline Christie, Gwendoline Christie

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 13:18
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4.8.18

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Patrick Stewart será  novamente o Capitão Jean-Luc Picard numa nova série de Star Trek, a ser preparada pela CBS All Acess. Segundo o The Hollywood Reporter, esta nova incursão no universo “trekkieno” não será um reboot de New Generations, mas sim uma continuação, com o intuito de explorar uma nova fase da vida do tão carismático capitão da USS Enterprise.

 

O anúncio deste retorno foi feito pelo próprio ator numa convenção Star Trek em Las Vegas, onde fez uma aparição surpresa: “Sempre terei orgulho de ter feito parte de Star Trek: New Generation, mas quando concluímos o último filme em 2002 senti que minha época com Star Trek chegou ao seu fim natural. Então, é uma maravilhosa surpresa estar animado e revigorado em reviver Jean-Luc Picard e explorar novas dimensões com ele”.

 

De momento desconhece-se o título da série, assim como o número de episódios irão integrar esta nova fase. Alex Kurtzman (realizador de A Múmia com Tom Cruise) e a sua equipa criativa, atualmente por detrás de Star Trek: Discovery, estarão envolvidos neste novo projeto. Patrick Stewart será o produtor executivo.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:43
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31.7.18

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Exercícios de ação!

 

Da História desta saga com mais duas décadas de existência (sem contar com a longevidade da série original o qual se inspirou), Christopher McQuarrie torna-se no único realizador a repetir a posse da batuta. Curiosamente, tendo em vista o anterior Rogue Nation, este Fallout (incrível como não houve tradução português do subtítulo) é um aprumo das revisitações. Ou seja, a experiência cometida com o quinto filme espelha-se como uma aprendizagem neste igualmente megalómano filão globalizado. Aliás, sejamos sinceros, Mission: Impossible é o exemplo de caricatura dos modelos hollywoodescos.

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Mas vamos por partes, o absurdismo adquirido em todo este período produtivo implante no próprio registo de Fallout. Há uma sensação de autoparódia. Existe um reconhecimento do ridículo culminado pelos elementos que forçam esta quimera de sequências de ação e até mesmo dos momentos dos lugares-comuns que pontuam em cada um dos capítulos. E McQuarrie fá-lo sem os estapafúrdios de John Woo e o seu infame segundo capitulo (sublinha-se, hoje visto como um produto do seu tempo). E nessas doseadas secreções de humor discreto e jubilante regista-se a grandiosa marca autoral hollywoodeana, hoje esquecida perante a dominância e facilitismo do CGI – os stunts.

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Deparamos então com um concerto de acrobacias, um jogo sem fronteiras cujo único concorrente é Tom Cruise, que endereça a maior percentagem destes “duelos entre a vida e morte” (a sua lesão nas rodagens serviu automaticamente como marketing). Desde as escaladas vertiginosas, as quedas voluntárias e coreograficamente programadas, sim, Fallout vence por todo esse espetáculo old school, pela restauração da nossa crença numa Hollywood arriscada e analógica (pelo menos utilizando o mínimo possível de CGI na ação gratificante).

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Entenda-se que do exercício de ação vertiginosa e frenética, Mission: Impossible não se ficou na sombra perante o valor de tais atributos técnicos e tacticistas. Christopher McQuarrie trabalhou sobretudo para interligar tais momentos através de uma rede de camadas, o qual constitui o guião, sempre pronto para relembrar os feitos passados da fasquia como um utopia abastada. Sim, o argumento tende acima de tudo induzir-se no espirito quer da saga, quer do simbolismo da mesma. A tendência de ilusão tão presente no eterno jogo de máscaras é aludida nesta trama que cruza a espionagem e a sua contraespionagem. Fallout é um exemplo de filme espião-duplo, incentivado, sobretudo, a induzir o espectador em erro em prol doutra ilusão.

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Falamos a verdade, Christopher McQuarrie concretizou um bem esgalhado enredo sem nunca perder o apetite pelo absurdismo nem da omnipresença do subgénero de espiões. E já que falamos de experiências, Mission: Impossible tem separado gradualmente da sua postura “ressaca James Bond”, focando inclusive na grande fraqueza / marca das aventuras de 007, as mulheres. Fallout não inventa nesse sentido, mas demonstra a relevância do sexo feminino na ação, sem nunca desbravar os clichés e as associações fáceis. Como anexo a essa tendência, o regresso da formidável Rebeca Ferguson ao mais solido papel anti-Bond Girl do recente cinema hollywoodeano.

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Nada que realmente envergonhe a indústria e muito mais a evolução desta, Tom Cruise autorreconhece-se como um dos grandes do género sem nunca conduzir-se no arquétipo “one-army man”, nem mesmo ceder às fragilidades “millennials”. É de momento um dos apogeus das acrobacias cinematográficas, que não se via desde Mad Max: Fury Road (sim, esta declaração soa quase a cliché!). Por agora deixo o aviso: esta crítica vai se autodestruir em 5 segundos. 5 … 4 … 3 … 2 … 1 …

 

Real.: Christopher McQuarrie / Int.: Tom Cruise, Ving Rhames, Henry Cavill, Rebecca Ferguson, Simon Pegg, Angela Bassett, Alec Baldwin, Sean Harris, Vanessa Kirby, Wes Bentley, Liang Yang

 

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7/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:26
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Priyanka Chopra (Quantico; Baywatch) está em negociações para se juntar à adaptação da Universal de Cowboy Ninja Viking. Chris Pratt (Os Guardiões da Galáxia) será o protagonista.

 

A criação de A.J. Lieberman e Riley Rossmo centra-se num assassino que manifesta as habilidades mais difíceis de três personalidades diferentes: um cowboy, um ninja e um viking.

 

O projeto, que tem o argumento de Dan Mazeau (Wrath of the Titans) e Ryan Engle (The Commuter). A chegada do filme aos cinemas está programada para junho de 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:52
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27.7.18

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Então, mas este estaminé faz os seus 11 anos de existência e nem celebro dia?!

 

Bem, sim, passamos a primeira década e continuamos em movimento, mesmo em modo lento. Enfim, mea culpa!

 

Agradeço a todos que me acompanham e que me ajudaram a tornar o Cinematograficamente Falando … naquilo que é hoje.

 

Muito obrigado! ;)

 


publicado por Hugo Gomes às 19:44
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26.7.18
26.7.18

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O Padrinho no cinema pós-Padrinho!

 

Um filme biográfico sobre a vida do chefe do crime organizado John Gotti seguindo as direções óbvias e quase ditadas da award season nunca funcionaria no grande ecrã, e infelizmente esse foi o resultado que obtivemos. O porquê? A primeira causa da repudia para com este trabalho algo pessoal de John Travolta, produtor e estrela, é a saturação dos códigos do dito cinema mobster, bem reconhecidos por parte do publico, e não referimos a nichos, mas sim ao apelidado “grande audiência”. A culpa? Bem, de crimes organizados, esquemas e mafiosos, a nossa Sétima Arte está mais que preenchida e nos últimos anos, desviando dos conceitos rasurados da Warner Bros. e do noir dos 40’, Francis Ford Coppolas e Martins Scorseses restauraram todo esse imaginário, transformando sobretudo o crime representado em grandes romances enxertados. Pouco se evolui neste subgénero depois das incursões scorseseanas, e os melhores trabalhos deste campo em pleno século XXI encontram-se refugiados nos autores de velha escola ou em outros cantos do mundo (em Hong Kong tivemos a trilogia Infernal Affairs e no Japão a trilogia Outrageous de Takeshi Kitano, só para dar alguns exemplos).

 

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Mas voltando ao caso Gotti, desde o primeiro plano em que a encarnação de Travolta quebra a quarta parede mencionando os perigos que é viver numa outra Nova Iorque (Viver e Morrer em Nova Iorque bem podia ser um prolongação do célebre filme de William Friedkin), o filme tende em ‘sobreviver’ à deriva do previsível método narrativo agora endereçados ao subgénero. A ascensão e por fim, queda de um dos “padrinhos” acarinhados fora do imaginário da criação, aliás apesar desta submissão pelo já concretizado, Gotti tenta reafirmar-se como o autêntico em muito das suas compreensões de historieta. “O Verdadeiro Padrinho”, manchete que representa essa sobreposição da figura real acima de qualquer similaridade fictícia, enfim, o retardar da morte de um artista, neste caso de um filme automatizado sem poder de reação nem de ação.

 

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Dentro dessas falhas evidentes, existe pouco trabalho no que requer a aprofundar o ambiente envolto deste John Gotti, desde os secundário que por vezes não saem de simples menções até às encruzilhadas narrativas que não encontram meio termo na sua condução (o inicio é exemplo disso, sem nunca saber para que lado temporal seguir do registo). É um exercício esquemático, demasiado despreocupado com a sua natureza, e nisso reflete na proclamada crítica jurídica que o ultimo terço poderia representar. Nesse sentido, Gotti parece glorificar o homem e os seus crimes ilícitos em prol de um ataque furtivo ao sistema judicial e governamental dos EUA. Por outro lado, ouve-se os bens comunitários por parte da comunidade apoiante deste “padrinho”, mas tal é sentido ao de leve pelo simples facto … novamente mencionando … a ausência de trabalho para além da colagem de factos e eventos, com fins de aproveitar o reescrito cinematográfico.

 

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Quanto a John Travolta, nota-se a caricatura involuntária, o de criar uma figura imponente e ao mesmo tempo cair na ilusão do estereotipo vincado. Por outras palavras, o seu risco é em vão, o ator não consegue libertar-se de uma aprisionada carapaça. Tudo isto leva-nos a considerar que Gotti é realmente um produto falhado e sem fôlego para ingressar no grande ecrã … porém, está longe dos “horrores” escritos pelos comparsas norte-americanos vinculados no seu sistema de agregação de críticas. Por entre atentados cinematográficos, já vimos piores daqueles lados. Essa é a verdade.

 

Real.: Kevin Connolly / Int.: John Travolta, Spencer Rocco Lofranco, Kelly Preston, Stacey Keach, Pruitt Taylor Vince

 

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4/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:45
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Linhas de embaraço!

 

O pior filme do cinema português? Parece exagerado esta afirmação concreta, presunçosa que revela antes de mais insegurança em relação à armadilha deixada pela equipa de marketing de Linhas de Sangue. Nesta estratégia é nos deixado uma curta-metragem onde três “supostos” críticos entram em sala de projeção, rindo desalmadamente de todo o filme até que no final discutem as notas a dar. “Eu vou dar bola preta. Aliás, no meu jornal só dou bola”. Este pedaço de “comédia crítica” envenenada por todos os clichés e generalizações evidencia duas patologias. Uma, o desconhecimento do que é crítica de cinema e do que realmente se passa nos ditos visionamentos de imprensa e, segunda, uma vingança ressabiada reconhecível de um dos realizadores (visto que dos dois creditados só um ´sofreu´ nas mãos destes ´malvados´). Porém, por momentos, tenta-se não ser levado pela desinformação causada, até porque, vejamos, essa curta é afinal o melhor de um filme que nunca existiu. O pior é mesmo o seu anexo, aquele que dá pelo título de Linhas de Sangue.

 

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Mas … o pior filme do cinema português? É possível? Nesta quimera produzida sob as luzes de uma indústria inexistente, encontramos as influências, ou diríamos antes, o signo das comédias de Jim Abrahams e David Zucker, o simples spoof movie, hoje vulgarizado pela piada fácil e de teor escatológico. Da nossa memória prevalece Hot Shots: Ases Pelos Ares como principal fusão, o teor ridicularizado que nunca sai da mera caricatura. Porém, havia inteligência nesse sistema de gags, existia sobretudo conhecimento quanto à coletânea de referências e, pelo meio, uma espécie de parábola politica e social. O trabalho de Abrahams / Zucker formou muita da comédia hoje citada aos trambolhões.

 

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Em Linhas de Sangue, isso não acontece. Primeiro, porque não existe um cuidado em abordar seriedade sob o tom trocista e isso reflete-se na pouca sapiência dos gags e como estes são empregues. Dando o exemplo da primeira sequência, onde sobrevoamos uma Lisboa sob a legenda «Berlim, República Checa», a sátira que é desfeita logo de seguida com o anúncio de que tudo não passa de uma piada. Trata-se evidentemente de um método de autodefesa, ou até mesmo de insegurança. O resto é cair na série B (nada contra), sob os efeitos invejáveis de uma “megalómana” produção à portuguesa, os pequeninos sem a modéstia de aceitar uma industria que não existe e muito mais, um público não preparado. Todavia, neste último ponto a culpa não poderá ser totalmente do filme, mas sim da dominância de Hollywood e como certos elementos tornaram-se associados à esta mesma industria. Apropriados em Linhas de Sangue, dos mutantes às amazonas do Tejo, tudo soa a uma artificialidade desaprovadora, muito mais, quando nos apercebemos que tudo não passa de uma brincadeira chapada.

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O que Luís Ismael nos ensinou é que para levar o espectador a um cinema descontraído, fora das tendências do world cinema, é preciso ter paciência e assim aperfeiçoar-se cinematograficamente em cada tempo. Não é por menos que ele é o criador da trilogia Balas e Bolinhos, hoje tido como o case study de progressão técnica e também narrativa. Ora, Linhas de Sangue - sob um jeito glutão - tenta ser levado a sério e ao mesmo tempo pede clemência na perceção do espectador. Porque, afinal, não passa tudo de uma piada (novamente sublinha-se). Contudo, se em Balas’ existe uma certa paixão no seu material, em Linhas’ encontramos somente uma dedicação em criar um filme para amigos. Sim, estes que palmadinhas nas costas darão como etiqueta, sussurrando elogios como “bom trabalho” ou “glorioso”. Depois são 54 atores, caras conhecidas do universo televisivo e teatral do público português. Agora imaginem só os círculos de amigos que cada um detém … Mas no fim de contas, são os atores que elevam este produto, foram, sem dúvida alguma, eles quem mais se divertiram com tudo isto.

 

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Em relação ao pior filme do cinema português, assume-se que tal estatuto será difícil de confirmar até porque, no nosso circuito, muitos atentados já haviam sido produzidos. Só que Linhas de Sangue carece de alma e sobretudo humildade (não confundir com ser despretensioso), aliás, isso também falta aos apoiantes da tal campanha publicitária. Aqueles que persistem em estereótipos numa sociedade saturada deles.

 

PS: só não dou bola preta porque pegar numa câmara é exercício físico.

 

Real.: Sérgio Graciano, Manuel Pureza / Int.: Kelly Bailey, Soraia Chaves, Alba Baptista, José Fidalgo¸ José Raposo, Pedro Hoss, Catarina Furtado, Débora Monteiro, Joaquim Horta, Marina Mota, Miguel Costa, Paulo Pires, Ricardo Carriço, Tino Navarro, Dânia Neto, Gabriela Barros, Alfredo Brito

 

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 00:35
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24.7.18

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Segundo a Variety, Robert De Niro encontra-se em conversações para participar no filme sobre Joker, o famoso arqui-inimigo de Batman, um projeto que contará com produção de Martin Scorsese e protagonismo de Joaquim Phoenix.

 

Fontes revelam que o ator poderá interpretar um apresentador de TV, figura crucial para a ‘criação’ de Joker. A escolha de De Niro para este mesmo papel tem como vista o seu desempenho no filme The King of Comedy, dirigido por Scorsese, sobre um comediante falhado que rapta o apresentador de um popular talk-show para se tornar famoso. As mesmas fontes da Variety afirmam que neste caso, a prevista personagem de De Niro será o inverso da sua encarnação no anterior filme de Scorsese.

 

É de recordar que este novo projeto sob a alçada da Warner/DC, terá como foco a origem do famoso vilão de Batman, centrando a ação nos anos 80 em um estilo ligado ao género crime/drama. Alguns rumores apontam que o arco narrativo será inspirado na banda-desenhada The Killing Joke (A Piada Mortal) de Alan Moore e Brian Bolland. Todd Phillips é o realizador e também argumentista, ao lado de Scott Silver.

 

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Todd Phillips revelou ao THR que terá ao seu dispor um orçamento de 55 milhões de dólares, valor muito abaixo da maioria das produções do género. As rodagens arrancam no próximo mês de setembro.

 

É de recordar que este filme não pertencerá ao chamado Universo Cinematográfico da DC. A editora em conjunto com o estúdio irá apostar paralelamente em filmes independentes acerca destas personagens, sendo Batman de Matt Reeves um outro exemplo deste "outro caminho".

 

Enquanto isso, Jared Leto voltará a vestir a pele de Joker em um novo filme, este já integrado no corrente franchise.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:10
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21.7.18

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Chegou-nos o trailer de Godzilla: King of the Monsters, a continuação do êxito de 2014 , que contará com a jovem atriz Millie Bobby Brown (da série Stranger Things), como protagonista.

 

Dirigido por Michael Dougherty (Krampus), Godzilla: King of the Monsters conta ainda no elenco com Vera Farmiga, Kyle Chandler, Ken Watanabe, Sally Hawkins e Ziyi Zhang, entre outros.

 

O filme será lançado em março de 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:20
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19.7.18

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First Man será o filme de abertura do próximo Festival de Veneza, que decorrerá entre 29 de agosto a 8 de setembro.

 

Inspirado no livro biográfico de James R. Hansen, o filme focará na missão, assim como na vida pessoal do homem que certo dia aclamou “um pequeno passo para um homem, o grande passo para a Humanidade”, Neil Armstrong, que será interpretado por Ryan Gosling, novamente sob as ordens de Damien Chazelle (La La Land).

 

Claire Foy, a atriz que se destacará este ano como Lisbeth Salander no novo filme da saga Millennium (The Girl in the Spider's Web), será a mulher do explorador, Janet Armstrong. Kyle Chandler, Pablo Schreiber, Jason Clarke, Ciarán Hinds, Corey Stoll, Christopher Abbott e Lukas Haas completam o elenco.

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:40
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17.7.18

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O terror regressará a Lisboa em setembro com a 12ª edição do MOTELx, cuja organização revelou as primeiras novidades da programação, porém, ao contrário dos anos anteriores, ainda não foi divulgado qualquer convidado especial. Mas falando em especialidades, o horror e os calafrios serão os pratos principais do cardápio, a promessa foi feita com a melhor colheita anual do género, assim o expressaram os diretores de programação do evento no Cinema São Jorge.

 

Mandy, o filme revelação de Panos Cosmatos, que conta com Nicolas Cage no centro da ação (esperemos um regresso à ribalta), a segunda longa-metragem de Nicolas Pesce, Piercing, e os promissores Ghostland, de Pascal Laugier (de Martyrs), e o argentino Terrified, de Demián Rugna, descrito como uma das mais assustadoras obras do ano, são alguns dos primeiros títulos indicados para a montra de setembro.

 

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Outro destaque é o regresso do terror brasileiro com Morto Não Fala, de Dennison Ramalho, argumentistas dos filmes José Mojica Marins (mais conhecido como Zé do Caixão), que aventura-se na trama de um médium que faz part-time numa morgue. De forma a apimentar os gostos, The Nun, o esperado novo capítulo do universo The Conjuring será o filme de abertura.

 

Contudo, as novidades estão somente nos filmes, visto que as categorias e as secções mantém-se, desde o Prémio MOTELx para Melhor Curta de Terror Portuguesa até à Competição Principal [título ainda a divulgar], e os já esperado espaços Lobo Mau, dedicado ao público mais jovem, e as festas temáticas e eventos paralelos tais como o VHS Nights e o MOTELQuiz.

 

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Falando em paralelismos, na Cinemateca Portuguesa, em colaboração com o festival, decorrerá o ciclo “Frankenstein ou o Moderno Prometeu”, a celebração do bicentenário da famosa criação de Mary Shelley. Entre os filmes agendados nesta rúbrica, contaremos com os clássicos incontornáveis da Universal Pictures (Frankenstein e The Bride of Frankenstein), assim como obras mais juvenis como Frankenweenie, de Tim Burton.

 

Para finalizar, dois pontos a destacar na 12ª edição são a Exposição “Os Contos Mais Arrepiantes de H.P. Lovecraft”, uma mostra de trabalhos a preto e branco frutos de mais de 22 ilustradores e ainda a secção Quarto Perdido, este ano em homenagem a Solveig Nordlund, uma das mais aventurosas do cinema de género em Portugal. A Filha (2003) e Aparelho Voador de Baixa Altitude (2002) serão os representantes da sua filmografia.

 

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O MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa decorrerá entre 4 a 9 de setembro, tendo como espaço o Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema e Museu Coleção Berardo. A programação poderá ser vista aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:00
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A estrela de Call Me By Your Name (Chama-me Pelo Teu Nome), Timothée Chalamet encontra-se em negociações finais para protagonizar o remake de Dune, que será preparado pelo realizador canadiano Denis Villeneuve (Blade Runner 2049).

 

Esta nova versão de Dune, que segundo o próprio Villeneuve será dividido em duas partes, adaptará o homónimo romance de Frank Herbert, isto após a versão cinematográfica de David Lynch lançada em 1984, que se tornou um filme de culto, ter representado um desastre financeiro na época. É sabido que Lynch recusou dirigir o último capítulo da trilogia original de Star Wars - O Regresso de Jedi - para filmar esta adaptação, até hoje, declarada pelo próprio, como o seu maior fracasso de carreira.

 

Recordamos que o cineasta chileno Alejandro Jodorowsky tinha desejo de levar o romance de Frank Herbert ao grande ecrã por volta da década de 70. Esta sua versão contaria com um visual auxiliado pelos artistas H.R. Giger e Jean Giraud, tendo ainda participações enigmáticas no seu elenco, tais como os de Salvador Ali, Orson Welles e Gloria Swanson. Os visuais concebidos pelo próprio realizador foram repudiados pelo autor original da obra. O filme nunca chegaria a ser financiado. Tal material deu origem a um documentário em 2013 - Dune's Jodorowsky.


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publicado por Hugo Gomes às 00:28
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14.7.18

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O premiado filme da última edição da Semana da Crítica do Festival de Cannes, Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, terá as honras de abrir a 26ª Curtas Vila do Conde Festival Internacional de Cinema, que arranca hoje.

 

Integrado na secção Da Curta à Longa, no filme seguimos Diamantino (Carloto Cotta), ícone absoluto do futebol. Ao jogar o jogo mais importante da sua vida, as coisas correm mal e a sua carreira é interrompida. A estrela caída em desgraça busca então significado para a sua vida, mas as coisas não são o que parecem e, mal acompanhado por duas irmãs gémeas que só parecem querer o seu dinheiro, a vida do ingénuo Diamantino começa uma odisseia louca, cruzando-se com a crise migratória, o ressurgir do nacionalismo e o delirante tráfico genético.

 

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Ainda na mesma secção será apresentado Un couteau dans le coeur (2018), o último trabalho de Yann Gonzalez, também estreado no Festival de Cannes. Tendo como pano de fundo a indústria pornográfica do fim dos anos 70, em Paris, a longa-metragem narra a história de Anne (Vanessa Paradis), produtora de filmes porno de série B.

 

O realizador estará ainda em destaque através de uma carta branca no certame, materializada numa louca sessão de meia-noite, composta por filmes vanguardistas e algumas raridades, apresentada pelo próprio. Depressive Cop (2016), de Bertrand Mandico; Tout ce dont je me souviens (1969), de Christian Boltanski; The Cat Lady (1969), de Tom Chomont; Dellamorte Dellamorte Dellamore (2000), de David Matarasso; Jungle Island (1967), de Jack Smith; são algumas das escolhas do cineasta. Ainda na secção Da Curta à Longa serão apresentados The Green Fog, de Guy Maddin e Le Monde est à Toi, de Romain Gavras.

 

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Por sua vez, o cineasta israelita Nadav Lapid será o realizador em foco nesta edição. Para além da sua presença, Lapid estará no debate a decorrer Teatro Municipal de Vila do Conde, que se encontra integrado na 3.ª edição do Workshop de Crítica de Cinema, também este promovido pelo festival.

 

Serão 31, o número de integrantes na Competição Internacional desde Bertrand Mandico a João Paulo Miranda Maria, enquanto que a Nacional ostentará mais de 17 participantes, incluindo os novos trabalhos de João Viana (Madness), Rodrigo Areias (Pixel Frio), Ivo M. Ferreira (Equinócio) e a atriz Ana Moreira (Aquaparque). Em projeções especiais serão exibidos as novas curtas de Pedro Neves (Náufragos), Miguel Clara Vasconcelos (Circo do Amor) e José Magro (Rio Entre As Montanhas), e como encerramento, Eugène Green e o seu Como Fernando Pessoa Salvou Portugal (com Carloto Cotta, Diogo Dória, Ricardo Gross e Manuel Mozos no elenco) serão os honrados de tal tarefa.

 

A 26ª Curtas do Vila do Conde prolongará até dia 26 de julho. Toda a programação poderá ser vista aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:15
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13.7.18

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Cate Shortland (Lore, Berlin Syndrome) poderá dirigir o filme-a-solo de Black Widow (A Viúva Negra), personagem interpretada por Scarlett Johansson que até então tem sido sidekick na série The Avengers. O site Collider confirmou a contratação da realizadora australiana.

 

Durante anos tem sido discutido a produção de um standlone da personagem, a agente / espiã da S.H.I.E.L.D. que fora introduzido no Universo Partilhado da Marvel em Iron Man 2, mas o projeto ser fora adiado por múltiplas razões (entre as quais o argumento de "figuras de ação de heroínas não serem rentáveis no mercado dos brinquedos").

 

De momento desconhece-se a data de lançamento do filme, tendo em conta que a agenda de Johansson encontra-se demasiado preenchida.

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:48
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12.7.18

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Somos filhos da hipocrisia ou do destino?

 

Max Ophüls comanda um filme sobre a hipocrisia acabando por ser ele o próprio hipócrita no seio deste romantismo “burguês”, diríamos nós. É o destino que se torna na pesada sombra nesta demanda de joias, brincos que renunciam a sua característica de macguffin para se tornarem na catarse de todo o conflito.

 

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Em Madame de … - porque nunca somos merecedores de conher realmente o seu nome, e tal não importa, porque o anonimato é um privilégio e ninguém é mais privilegiado que esta ‘senhorita’ de alta sociedade, o qual chamaremos apenas de Condessa Louise (Danielle Darrieux) – a futilidade é por si um aviso no cartão de apresentação “nada lhe aconteceria se não fosse aquelas joias”. Reveja-se o privilegio de uma vida garantida, emocionalmente garantida para ser mais concreto, uma dama capaz das suas aventuras amorosas  - os seus pretendentes, muitos deles novos - simplesmente alheios às vontades do seu marido, Conde e General André de … (novamente o título / apelido não interessa), que por sua vez arrecada as suas tentações consumidas. Ele controla as relações de ambos, de forma a cair perfeitamente no gosto da sociedade vincada, por outras palavras, nada de escândalos aqui, a discrição é o maior dos privilégios. Porém, todo o controlo remete-nos ao iminente caos, mas este surge sob a aparência de destino.

 

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O destino é hipócrita e essa hipocrisia atinge quem não os convém, os mergulhados pela mesma atitude. E nada mais hipócrita (ou será destinado?) que a primeira cena, as joias marcadas sobre um ponto-de-vista, esses ‘malditos’ brincos que serão os verdadeiros protagonistas, e a decisão demorada da nossa madame, a descartabilidade perante a sua futilidade, em vender um dos seus bens (Será as peles? Será o colar?). Completada a escolha, Louise atravessa a rua em direção aos ourives, mas antes há que fazer um desvio, a igreja para pedir à sua santa uma venda rápida das joias. A religião une-se a essa mesma hipocrisia. Quem mais seria?

 

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Pedido cumprido, as joias são vendidas (o propósito desta venda, tal como o título, o espectador não é merecedor de o conhecer), mas o destino é nada mais, nada menos que um “brincalhão”, até porque estas acabam por ser secretamente revendidas ao Conde (Charles Boyer), que por sua vez oferece à sua ‘amante’ que entretanto o despedia em rumo ao Oriente, Constantinopla (“Uma mulher pode recusar uma joia que ainda não viu. Depois disso, é preciso heroísmo”). Lá, mais uma vez sob a ajuda “divina”, as peças acabam por cair nas mãos do Barão Fabrizio Donati (Vittorio di Sica, sim, o realizador italiano que tanto “pedinchou” um papel num filme de Ophüls) que parte para Paris como diplomata. A anedota do destino não termina aqui, o nosso Barão cruza acidentalmente com a nossa Madame e daí floresce a paixão. Poderia ser mais um pretendente, mas Louise nunca sentira tamanho carinho por alguém vivo, mesmo em perfeita negação (“Je ne t'aime pas, Je ne t'aime pas …”) e as joias, anteriormente dispensáveis para a mesma, convertem-se no maior símbolo dessa união. Pois é … esquecemos de mencionar, que as ditas cujas voltaram às mãos da sua primeira proprietária em forma de declaração de amor por parte do Barão.

 

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Max Ophüls preenche a tela e estas tentadoras ligações com uma sufocante caracterização do quotidiano “burguês / aristocrata”, o guarda-roupa pomposo e as cuincarias / joias ostentadas sob o prazer da mostra, Madame de … é sobretudo um filme que respira por uma pequena frincha de ar, completamente objetivo, negligenciando todo o redor em prol da ajustada mira no triangulo amoroso. Não confundamos as atitudes, por mais burguês seja o conto da mulher e das suas preciosidades, este não é um filme burguês, antes disso, veste a pele para se induzir num ciclo de moralidades. Essa, que reveste no liberalismo das relações terciárias entre a Madame e o seu Monsieur, o foco absorvido a servir de exemplo modelar à mais pura das ingenuidades (podemos considerar isso a outra face da hipocrisia), o realce do amor como a evasão às nossas futilidades.

 

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A burguesia é assim o grande tubo de ensaio para as pensativas reflexões de Max Ophüls sobre a natureza da nossa contenção, nunca um realizador debruçou-se tanto pela felicidade e o amor, desmistificando os seus papeis na grandes narrativas do Cinema. Enquanto que O Prazer (Le Plaisir) (filmado um ano antes deste Madame de …), a “felicidade é triste” no encontro com a definição pura do romantismo (a tragédia que dilui nesse termo tão literário), a “infelicidade é uma invenção” neste Madame de …, em resposta do bovarismo que se conduz a paixões fantasiadas. Aliás, a burguesia, tema recorrente da sua obra, realçasse como uma fenomenologia, o espectador sai a perder perante este universo de berços de ouro, completamente negligenciado e desprezado. Mas as classes sociais são apenas frutos do tempo, e fora essas joias, peles e todos os costumes nada brandos, os burgueses desta vida, por mais que queiram, cedem aos prazeres mundanos e mortalizados. O amor, romance empacotado no seio cinematográfico, ou a definição quase shakespeariana, não é, nada menos que a fragilidade destes seres desamparados.

 

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Porém, Madame de …, a narrativa entrelaça com as vontades da sua protagonista, assim,  como, na primeira sequência, a escolha entre as preciosidades descartabilidades, a câmara encarna na personagem antes desta se tornar numa independente aos olhos do espectador. Em certo jeito, existe uma madame anónima no interior de cada um, a felicidade inalcançável, a fé profunda nos símbolos da nossa sociedade (quer religião, quer o ‘concretizado’ romance). Será isto tudo somente hipocrisia? Hipocrisia ou não, a verdade é que, incompreendido no seu tempo, considerado na sua contemporaneidade num mero esteta, Max Ophüls é possivelmente um dos profundos e (positivamente) hipócritas cineastas franceses da sua época.

 

Real.: Max Ophüls / Int.: Charles Boyer, Danielle Darrieux, Vittorio De Sica, Jean Debucourt

 

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10/10

publicado por Hugo Gomes às 23:06
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Morreu a atriz Laura Soveral. A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã  através da Casa do Artista. Tinha 85 anos.

 

Nascida em Angola a 23 de março de 1933, Soveral enveredou pela representação ao estabelecer-se em Lisboa, onde frequentou a Filologia Germânica, na Faculdade de Letras, iniciando-se em 1964, no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d'Ávila. Entretanto, inscreveu-se na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, começando assim uma carreira que se prolongou por 6 décadas.

 

Figura forte no mundo do Teatro, a atriz participou igualmente em inúmeros projetos cinematográficos, trabalhando com cineastas como Manoel de Oliveira (Vale Abraão; A Divina Comédia), Fernando Lopes (Uma Abelha na Chuva; Matar Saudades; O Delfim), João Botelho (Aqui na Terra; O Fatalista, A Mulher que Acreditava Ser Presidente Dos EUA, A Corte do Norte, Filme do Desassossego, Os Maias e Tráfico), José Fonseca e Costa (Cinco Dias, Cinco Noites) Teresa Villaverde (Três Irmãos), José Álvaro Morais (Quaresma), Marco Martins (Alice) e Miguel Gomes (Tabu).

 

Com uma carreira igualmente forte na TV, Soveral participou em telenovelas e séries como Belmonte, Morangos com Açúcar, Vila Faia, Chuva na Areia e A Viúva do Enforcado.

 

Recorde-se que a atriz foi distinguida em 2016 com o Prémio Bárbara Virgínia, atribuído pela Academia Portuguesa de Cinema, pela "carreira ímpar no cinema e no teatro nacional".

 

Laura Soveral (1933 - 2018)


publicado por Hugo Gomes às 15:25
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11.7.18

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Neill Blomkamp (Chappie, District 9) irá dirigir RoboCop Returns, a nova sequela do clássico filme de Paul Verhoeven de 1987. Em janeiro deste ano, o argumentista Ed Neumeier (que esteve do guião do original) confirmou que a MGM estaria a preparar um novo filme e que não seria nenhuma continuação da “infame” versão de 2014.

 

Justin Rhodes, argumentista do novo filme de Terminator, a ser preparado por Tim Miller (Deadpool), irá reescrever o guião deixado por Neumeier e Michael Miner.

 

Recordamos que graças ao sucesso do primeiro filme, Robocop teve duas sequelas, um reboot e duas séries televisivas. O enredo remete a um futuro próximo, com uma Detroit assolada pela violência e crime. A polícia torna-se incapaz de manter a ordem e segurança aos seus habitantes, sendo que a cooperativa OCP (Omni Consumer Products) encontra a solução. Essa reside na criação de novos agentes da autoridade, híbridos entre humanos e máquinas, e o primeiro exemplar dessa experiência será o agente Alex Murphy (Peter Weller), morto em serviço. Com memórias apagadas e um corpo “fabricado,” ele torna-se no RoboCop. O ator Peter Weller foi o Polícia do Futuro mais uma vez, na sequela direta de 1990, tendo sido substituído por Robert John Burke no último filme da trilogia, em 1993.

 

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Uma série com mais de 20 episódios surge um ano depois, com Richard Eden no papel de Murphy e, em 2001, RoboCop: Prime Directives, um autêntico fracasso televisivo que se ficou pelos 6 episódios.

 

Em 2014, o brasileiro José Padilha, o mesmo do duo Tropa de Elite, dirige um reboot que se tornou num fracasso, repudiado pela crítica e pelo público. Joel Kinnaman vestiu a pele de RoboCop num filme que contou com os desempenhos de Gary Oldman, Michael Keaton e Samuel L. Jackson.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:33
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O Taxi Driver ‘reformado’!

 

Paul Schrader sempre fora estudado como um curioso caso isolado. Cinéfilos de gema e com profundos conhecimentos da natureza cinematográfica, por norma, nunca geram grandes cineastas e o invocado é exemplo disso. Por mais esforços que cometa (até mesmo o próprio admite), será relembrado no fim dos seus dias como o argumentista ao invés da sua carreira a solo, esta diversas vezes subestimada na indústria que insere. Em todo o caso, Schrader é um “outsider” duma Hollywood que não acredita em si própria, e os seus filmes [dirigidos] são a prova de uma total descrença no sistema como na emanada cinematografia. Contudo, eis que nos chega First Reformed, que diríamos ser o fim de uma dificultada maratona, uma corrida de resistência que culmina uma fadiga constante de um autor dececionante perante os obstáculos que sucedem a (ainda) outros obstáculos. Provavelmente esta é a sua epifania, a desilusão a tomar conta da figura, e esta projetada no destino da Humanidade por via da sua ferramenta mais intima.

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Sob o protagonismo envolvente de Ethan Hawke (possivelmente o seu papel mais visceral, inerentemente falando), First Reformed nos leva, como as palavras indica, a passos cuidadosos para uma igreja secular, o travelling de espera na passagem dos créditos iniciais nos transmite um efeito de reconhecimento perante o cenário que servirá mais que template da narrativa, uma aura fantasmagórica, a ponte invisível entre mortal e o divino imortal. Nela, Hawke, um “pároco” (reverendo Ernst Toller) que perdera o seu filho na Guerra, fustigado por uma angustia silenciosa somente tranquilizada pela fé pregada, ou sem rodeios, uma espécie de analgésico espiritual. Mas é ao encontro de um dos seus “cordeiros”, um ambientalista desesperado pela descrença na tão negligenciada humanidade, que Toller despertará para uma nova realidade, um fosso que parece interligar o seu luto que se revolta para com o estado das coisas que o rodeiam.

 

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Por mais referências que encontremos neste espiritualismo mutilador, de Bresson a Ozu (passando por Dryer e Bergman), que transcrevem os planos e os movimentos destas personagens suicidas, é a autorreferência de Schrader que First Reformed triunfa como uma meta atingida. É o Taxi Driver do novo século, inserido num mundo no qual tem que partilhar com os imensos “rebentos” do mundialmente conceituado filme de Martin Scorsese (que o próprio Schrader escreveu). É a estrutura intacta a servir de fortalecimento a este grito de ajuda, tal como a igreja que assume -se como vetor narrativo, é a reconstituição moderna perante um “esqueleto” de outros tempos, assim, First Reformed sob um tremendo ar bafiento de ’70 (não com isto insinuar que o Cinema precisa diariamente de lufadas de ar fresco) ergue-se numa ousadia modernizada.

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Enquanto que Taxi Driver  resumia aos grunhos e ao seu ativismo algo anárquico, esta nova chance de Paul Schrader remete-nos ao ativismo dos sábios. Impulsores divergentes, causas percorridas em iguais pisadas. É na descrença que a verdadeira fé é atingida, poderemos contar com isto num filme religioso, mas a crença não se baseia em teologias fundamentalistas, First Reformed olha para o mundo deixado por Taxi Driver, e o atualiza, refletindo-o numa dolorosa agonia. É a politica, sob as agendas anti-trumpistas, fervorosamente renegando outras politizadas tarefas, como o ambientalismo a fugir dos panfletismos Al Gore (possivelmente, e em certa parte, o mais sóbrio dos filmes ecológicos).

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Não saindo da temática das causas, First Reformed liberta-se do filme-ficção para endurecer como a causa que Paul Schrader fervelhava no seu negro intimo. E sob o reflexo das suas paralelas criações (First’ e Taxi’), eis a redenção encontrada de um autor que nunca se confirmou (até então). Atenção, daqui fala um anterior cético (à imagem da descrença absoluta de Ethan Hawke) que, também graças à bênção divinal nos braços de Amanda Seyfried, tornou-se num crente. Devastador e destemido. Existem atualmente poucos filmes assim.

 

Real.: Paul Schrader / Int.: Ethan Hawke, Amanda Seyfried, Cedric the Entertainer, Victoria Hill, Michael Gaston

 

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10/10

publicado por Hugo Gomes às 20:20
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