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17.6.18

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Pinar Toprak será a compositora musical do filme-a-solo de Captain Marvel, tornando-se assim na primeira mulher responsável de uma banda sonora no Universo Cinematográfico da Marvel. Contudo, esta não será a sua primeira vez a contribuir musicalmente no subgénero de super-heróis, Pinar Tropak trabalhou ao lado de Danny Elfman em Justice League, assim como é responsável pela banda sonora da série Krypton, a prequela televisa de Super-Homem.

 

Recordamos que Captain Marvel será protagonizado pela galardoada atriz Brie Larson (Room, Kong: Skull Island), e dirigido pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck, que estiveram por detrás de obras como Half Nelson e Mississipi Grind (A Febre do Mississípi). Jude Law, Ben Mendelsohn, Gemma Chan, Lee Pace, Samuel L. Jackson, Djimon Hounsou, Clark Gregg e Annette Bening completam o elenco.

 

Com um argumento da autoria de Meg LeFauve (Inside Out) e Nicole Perlman (Guardians of the Galaxy), o filme seguirá uma piloto da Força Aérea, Carol Danvers, que adquire dotes sobre-humanos após o contacto com tecnologia alienígena. Decidida a combater o crime e defender o seu planeta, ela torna-se a Captain Marvel.

 

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Vale a pena salientar que Captain Marvel, criado em 1967, era inicialmente um personagem masculino, uma resposta da editora ao rival Super-Homem da DC Comics, visto que ambos eram alienígena a tentarem adaptar ao planeta Terra. Carol Danvers, que fez a sua estreia em 1968, era descrita como o interesse amoroso do herói, mas as ideia do criador era de a converter numa super-heroína, visto que existia uma escassez nessa temática.

 

No inicio dos anos 70, estava agendado a primeira aventura a solo da personagem, o que não aconteceu em consequência dos executivos que acreditavam que a fabricação de super-heroínas era dispendioso e pouco rentável. Mas no final da década, Carol Danvers conseguiu a sua pessoal jornada heroica sob o título de Ms. Marvel, integrou também as equipas sobre-humanas, The Avengers: Os Vingadores e X:Men. Em 1982, o original Captain Marvel morre e Mrs. Marvel assume o seu legado.

 

O filme tem estreia para março de 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:57
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16.6.18

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Com estreia limitada nos EUA, a biopic Gotti, projeto onde John Travolta assume o papel do mafioso John Gotti, recebeu a pontuação 0% de críticas positivas no site agregador Rotten Tomatoes (contando com 20 críticas agregadas).

 

Esta não é a primeira vez que um filme obtêm tal número no site, porém, é surpreendente tendo em conta a ambição do projeto que foi levado com carinho pela sua estrela, que para além de atuar produz. É de recordar que Gotti esteve integrado na programação do Festival Cannes, mas com visionamentos discretos e fora das projeções do Palais du Festival (pavilhão onde decorre a Seleção Oficial). Para além disso, possuía inicialmente a sua data de estreia para o final de 2017, no calor da chamada award season (temporada dos prémios), pelo que o seu lançamento foi adiado a poucos dias da première.

 

A crítica norte-americana tem apontada para uma incoerência narrativa, assim como a sua inexistente ousadia de sair dos modelos do cinema mobster (crime organizado). Em relação à atuação, o consenso considera esforço o empenho de John Travolta, mas incapaz resgatar o filme do iminente desastre.

 

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Gotti assume-se como uma cinebiografia da homónima figura, líder da família Gambino, uma das principais associações criminosas na cidade de Nova Iorque. Depois de ter sido detido, Gotti foi absolvido em três julgamentos, tendo por fim, sido condenado a prisão perpétua em 1992. Ele acabaria por morrer na cadeia em 2002, devido a um cancro.

 

A própria esposa de Travolta, Kelly Preston, interpreta a mulher do gangster, Victoria Gotti. Kevin Connolly (Tudo a Perder) é o realizador.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:57
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13.6.18
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À Deriva em Hollywood …

 

Baltasar Kormákur parece ter adquirido o gosto pela sobrevivência sob o carimbo de factos verídicos. Provavelmente envolvido em formulas de sucesso, o islandês que tem partido para terras de Hollywood em busca de um lugar seu, optou pela porta grande do facilitismo como mão-de-obra barata. Perante os buddy cop movies e thrillers de ação, Everest foi das suas grandes conquistas de bilheteiras, sendo que tal modelo parece replicado neste Adrift, a viagem de sonho que se revela num autentico episódio de superação humana. Contudo, há que salientar que neste seu novo filme, em comparação com a expedição ao ponto mais alto do globo (em contraste com a travessia do maior oceano, prova que Kormákur é atraído pela dimensão do obstáculo), o resultado é mais afável e em certa maneira modesto.

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Trazendo à tona a dupla Shailene Woodley e Sam Claflin, o par romântico experimental cuja a química é inexistente, Adrift deriva entre o romance sparkeano e o thriller de cerco cujos lugares-comuns estão em voga, isto se não fosse o memorando “inspirado na história de uma sobrevivente real”. Contudo, o filme joga em compensação dos seus próprios fracassos, ou seja, temos a nosso dispor um romance sem fogo de vista que mendiga pela atenção do espectador assumindo como encadeado flashback em jeito de ferramenta de compreensão (de forma a atribuir coerência a um eventual plot twist), e como brinde uma Shailene Woodley que tenta impedir o esperado naufrágio.

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Sim, a tragédia parece evitada, a atriz que brilha alto na minissérie Big Little Lies (para desamarrar das incursões juvenis) esforça-se fisicamente em atribuir veracidade a uma personagem condenada ao artificialismo. Por sua vez, Clafin, sempre carismático em projetos anteriores, diríamos, é um corpo morto em todo este trajeto ao sabor das ondas. Assim, são as filmagens em alto-mar, os jogos do costume que engrossam o nosso manual de sobrevivências e o fachada antes-créditos que nos relembra o quão “verdadeiro” foi todo esta (des)ventura. Adrift é meramente um produto passageiro, seguindo rota por correntes navegadas, deslumbrando o horizonte longinquamente escasso da criatividade dramática. Romances destes e sobrevivência destas existem ao pontapé.

 

Real.: Baltasar Kormákur / Int.: Shailene Woodley, Sam Claflin, Grace Palmer

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:12
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13.6.18

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No Cinema, Eva nunca foi nome de anjo!

 

Se é bem verdade que a Benoît Jacquot atribuímos a força das suas propostas acima do resultado, que revela-se na maior parte das vezes passivo, para Eva implicaria uma maior agressividade, o que acaba por nunca acontecer, visto que o propósito deste conto de luxuria e fantasias de farsante é o fascínio.

 

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E de onde vem esse fascínio? Na atriz, Isabelle Huppert, transformada numa persona acorrentada aos maneirismos reconhecidos da sua longa carreira, a mulher que o Cinema sonha e neste caso a fantasia sexual de qualquer homem empenhado. Da mesma forma que a personagem de Gaspard Ulliel absorve desta sua convivência com Huppert, a Eva do título para ser mais preciso (uma musa para a sua criação dramaturga somente planeada e projetada por vias de uma emotividade composta pelo tabu), Benoît Jacquot manipula o espectador a sentir a fenomenologia neste meta-enredo. Aliás, todos nós somos deslumbrados pela sua figura, até mesmo quando Huppert se torna somente Huppert, a mulher acima de qualquer homem.

 

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Nesse sentido, o filme inteira-se nessa mesma “proeza” e o realizador revela-se esforçado em atribuir a todas estes “crimes e escapadelas” uma natureza psicológica, algures entre o desejo e a obsessão, eficazmente cedendo à falsa perspetiva masculina (nota-se aqui palco para a dominância "hupperteana"). Mas Eva [o filme] tende a ceder na ideias esgotadas, assim encara o realizador perante o seu material, perdendo numa corrida contra ao tempo para o desfecho idealizado. Evidencia-se um desleixo técnico e narrativo nas proximidades do terceiro ato - deixando-se levar pela força do terceiro grau (o equivalente teatral) - o loop que nos guia à queda do protagonista em distorcido reflexo para com as primeiras cenas, a intro forçada no pecado do disfarce.

 

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Desaproveita-se o potencial da intriga, deixa-se à mercê o potencial da atriz Julia Roy (que trabalhou com maior afinco com Jacquot no anterior À Jamais) e desconeta-se a potência do desejo proposto. Assim, regressando ao primeiro ponto de partida, como manda a lei do terceiro grau, a proposta é sempre mais interessante que o todo. No final, caímos no universo teatral em jeito Almeida Garrett: “Quem é? Ninguém!”

 

Real.: Benoît Jacquot  / Int.: Isabelle Huppert, Gaspard Ulliel, Julia Roy

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publicado por Hugo Gomes às 19:59
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Foi revelado as primeiras imagens da sequela de Wonder Woman (A Mulher Maravilha), novamente sob a direção de Patty Jenkins. Esta continuação das aventuras da heroína da DC Comics decorrerá na década de 80.

 

Nelas é possível confirmar o regresso de Chris Pine ao elenco, o que desconhece é se este será um inesperado retorno da anterior personagem Steve Trevor ou, como tem sido teorizado, um possível descendente.

 

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Recordamos que Kristen Wiig será a vilã, Cheetah, uma mulher-leopardo que tem como principais habilidades, força sobre-humana e extrema agilidade. A personagem é hoje tida como a grande arqui-inimiga de Diane Prince, aqui novamente interpretada por Gal Gadot.

 

O filme tem estreia prevista para novembro de 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:44
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12.6.18

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Segundo a Deadline, Arachnophobia (Aracnofobia) poderá regressar aos cinemas. A comédia de terror de 1990 terá nova versão graças a James Wan, responsável pelos êxitos de Saw e The Conjuring- A Evocação, que se assumirá como produtor em da sua empresa Atomic Monster. De momento, não existe previsão de estreia.

 

Recordamos que Arachnophobia, dirigido por Frank Marshall (Congo), remete-nos a uma espécie de aranha assassina da América do Sul que é acidentalmente levado para os EUA onde começa a matar e a reproduzir. Tendo concretizado 50 milhões de dólares nas bilheteiras norte-americanas, o filme tornou-se culto muito derivado às transmissões televisivas e aos videoclubes.

 

John Goodman e Jeff Daniels eram os protagonistas.

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:40
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11.6.18

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Foi divulgado o trailer de The Little Stranger, o novo filme de Lenny Abrahamson, realizador do galardoado Room (Quarto) e Frank. Baseado numa novela de Sarah Waters, a obra segue um médico de província que é chamado caso de demência, porém, o que encontra é algo mais sombrio que a própria medicina.

 

Domhnall Gleeson, Ruth Wilson, Charlotte Rampling e Will Poulter são os protagonistas deste novo conto de assombrações com estreia prevista para agosto, nos cinemas portugueses.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:18
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10.6.18

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Depois de La La Land, Ryan Gosling regressará às ordens do realizador Damien Chazelle com First Man. O ator encarnará o astronauta Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua.

 

Inspirado no livro biográfico de James R. Hansen, este filme com vista para a próxima award season (estreia prevista para outubro nos EUA), focará na missão, assim como na vida pessoal do homem que certo dia aclamou “um pequeno passo para um homem, o grande passo para a Humanidade”. Claire Foy, atriz que se destacará este ano como Lisbeth Salander no novo filme da saga Millennium (The Girl in the Spider's Web), será a mulher do explorador, Janet Armstrong.

 

Kyle Chandler, Pablo Schreiber, Jason Clarke, Ciarán Hinds, Corey Stoll, Christopher Abbott e Lukas Haas completam o elenco.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:52
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7.6.18

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Foi divulgado o trailer do novo capítulo da saga Millennium, The Girl in the Spider's Web (A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha).

 

No filme, Claire Foy (da série The Crown) é Lisbeth Salander, Sylvia Hoeks (Blade Runner 2049) a sua irmã gémea, e Sverrir Gudnason (Borg/McEnroe) o famoso jornalista Mikael Blomkvist. Claes Bang, mais conhecido por The Square (O Quadrado), é o vilão. Vicky Krieps (Linha Fantasma) também faz parte do elenco. Este novo filme será lançado nos cinemas em novembro com Fede Alvarez (Don’t Breathe) como realizador.

 

Em A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha,  o quarto livro da saga Millennium e o primeiro que não foi escrito pelo criador da saga, Stieg Larsson, a hacker Lisbeth Salander e o jornalista de investigação Mikael Blomkvist são apanhados no centro de um emaranhado de espiões, criminosos cibernéticos e governos corruptos.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:29
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Salvar ou não salvar?

 

Life finds a way”, já dizia Jeff Goldblum na pele do Dr. Ian Malcolm quando deparava-se com os sonhos iludidos de um magnata que certo dia criou um parque de bestas jurássicas. Contudo, passados 25 anos desde o grande sucesso de Spielberg (aqui presente como produtor executivo), a adaptação do livro de Michael Crichton, o franchise equivocamente criado não parece encontrar o seu “dito” caminho.

 

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A extinção é iminente e J.A. Bayona (sim, o realizador de El Orfanato), o nosso novo condutor desta ida e volta ao parque cinematográfico mais famoso, está consciente nessa bifurcação: “evolução” ou erradicação em massa? De facto, as primeiras sequências revelam um conhecimento pela matéria original, muito mais no que refere ao “suspense” spielbergeano que a versão de ’93 continha … e muito. Depois disso, é uma jogada às referências, aos easters eggs e às memórias cinéfilas dessa aventura passada. Mas é aí que este Fallen Kingdom nos trai e surge Jeff Goldblum novamente revestido em tamanho ceticismo lançando a derradeira questão das questões: face a uma prevista extinção, deveremos salvar estes “dinossauros”, que não são mais que frutos de experiências genéticas?

 

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Bayona, incentivado por um ocasionalmente astuto argumento de Colin Trevorrow e Derek Connolly, coloca-nos num estilo aventureiro sob o pretexto de um “macguffin” vivo (ou diríamos antes digital). É preciso recolher as espécies neo/pré-históricas que povoam livremente a Ilha Nublar, esta, ameaçada por uma erupção catastrófica. Os “nossos heróis” inserem-se então no enredo como os únicos capazes de rastrear o último espécime de Raptor, que a personagem de Chris Pratt (que regressa ao registo) tão bem conhece.

 

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Obviamente que todo este dino-cataclismo encafuado na ilha que persegue o franchise remete-nos a um prolongado déjà vu, mas só vamos a meio do segundo ato quando Bayona comete a proeza do “reino caído”. A escolha do realizador espanhol neste projeto não foi mero acaso. Como havia provado nas suas últimas incursões, nomeadamente Monster’s Call, Bayona apropria-se da tecnologia (e aqui do legado encarregue) para incidir-se na emoção da perda. Uma perda com claras mensagens ambientalistas, porém, subliminarmente audaz na destruição de uma iconografia, de um “não-lugar” cinéfilo reduzido a cinzas. É previsível que fãs lacrimejam perante a perda daquele pedaço de memória cinematográfica (o primeiro dinossauro do parque é o último), entregue aos novos tempos sem indícios de readaptação. Salvar ou não salvar? Eis a questão. Jeff Golblum bem nos avisou e foi para o nosso bem. Todavia, como havíamos dito, só estamos ainda no segundo ato, o filme ainda tem muito que “correr” e Bayona terá mais uma prova para a sua aparente “audácia” (mas já lá vamos!).

 

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Fallen Kingdom abandona o seu template de “filme de aventuras” para espalhar-se ao comprido em mais “cantigas” genéticas e pedagogias antimilitares. Perdoando esses marcos que já viraram lugares-comuns, o realizador é desafiado – como revitalizar o interesse do espectador após o FIM daquilo que conhecemos? A resposta, seguindo à risca as lições deixadas por Spielberg em ’93 e clarificando as experiências vividas por El Orfanato. Ou seja, transformar um espaço limitado num palco para um novo jogo do "gato e rato”. Bayona emana novamente o seu terror, o suspense de pacotilha que preenche e faz uso dos espaços cénicos, assim como as sombras inerentes, reflexos e luz, instalando-se na competência do seu serviço.

 

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Após “caída” a perseguição que ocupou tempo (em demasia) num terceiro ato em desenvolvimento, a prova do FIM daquilo que nós conhecemos retorna. O fantasma de Jeff Golblum nos conscientiza para o estendido dilema, este que nos levará, não somente à resolução do debate invocado desde os “primórdios” do filme, como à extinção do franchise. Salvar ou não salvar?

 

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Sabendo que vivemos numa indústria governada por Marvels e Star Wars, imaginamos claramente o fim pressuposto. Como tal, o “fantasma do Natal passado”, sim, Golblum, quem mais, lança a sua profecia: “Welcome to the Jurassic World”. Ou seja, chegamos a um novo ciclo, onde a extinção vira regeneração. Pena o filme não ter tido a total audácia de seguir o primeiro ponto.

 

Real.: J.A. Bayona / Int.: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Jeff Goldblum, James Cromwell, Toby Jones, Justice Smith, B. D. Wong, Ted Levine, Rafe Spall

 

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 14:18
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6.6.18

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Por ocasião da retrospetiva na Cinemateca Francesa, o realizador Brian De Palma falou a vários órgãos da comunicação social francesa sobre os seus projetos, inclusive o guião em torno do caso Harvey Weinsten que está a escrever, assim como a sua carreira e visão sobre a indústria de cinema.

 

Numa conversa com a publicação Le Point, o célebre realizador de Carrie e Scarface respondeu ao jornalista após este referir David Fincher e Steven Soderbergh como “realizadores fortemente visuais”.

 

Steven Soderbergh, um realizador visual? Só podes estar a brincar? Dê-me um exemplo de uma grande cena visualmente memorável [de Soderbergh] ou uma sequência silenciosa baseada na encenação ... Eu vi um episódio de 'The Knick' e não há nada que me impressionou visualmente."

 

Recordamos ainda, que com os seus 77 anos, Brian De Palma finalizou o seu novo trabalho, Domino, um filme sobre terrorismo, rodado na Dinamarca, Bélgica e Espanha, e ainda revelou o facto de estar a trabalhar num romance 'Are Snakes Necessary?' (Les serpents sont-ils nécessaires ?), escrito em parceria com Susan Lehman.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:21
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Em entrevista ao CineNando, em promoção ao seu filme The Man Who Killed Don Quixote, Terry Gilliam demonstrou a sua indignação em relação aos filmes de super-heróis que dominam a indústria atual.

 

Eu odeio super-heróis. É parvoíce. Vá lá, cresçam! Nós não vamos ser adolescentes para o resto da vida. É bom sonhar com grandes poderes. Super-heróis são todos eles sobre poder. Isso é o que eu não gosto. Eles precisam vencer os outros super-heróis poderosos. Vamos lá, um pouco de paz, amor e compreensão é o que precisamos."

 

Na mesma entrevista, o realizador ainda guardou algumas palavras sobre os movimentos #MeToo e Time's Up, que entram em contradição do que foi dito em março deste ano. Recordamos que o realizador anteriormente considerou que ambos os movimentos "tornaram-se simplistas" e criaram "um mundo de vítimas". Contudo, para a CineNando, a afirmação foi a seguinte:

 

Tudo o que está a acontecer faz parte do processo de levar todo mundo até: ‘Tudo bem, as portas estão abertas para todos´. Agora é a tua escolha de passar por essas portas ou não. E algumas dessas portas são muito difíceis de passar. Mas acho que o mundo de agora é aquele que tu podes fazer o que quiser, mas para isso terá que acreditar no que queres e como tal tens que trabalhar para isso,

 

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Vale a pena recordar que foram precisos mais de 25 anos para completar The Man Who Killed Don Quixote. Com Jonathan Pryce, Adam Driver, Olga Kurylenko, Joana Ribeiro e Stellan Skarsgard no elenco, o filme segue um homem arrogante que retorna à aldeia onde filmou a sua adaptação cinematográfica de Don Quixote. Quando ele chega ao local, descobre o terrível efeito que o seu projeto estudantil teve na cidade, levando-o numa aventura improvável.

 

O filme teve as honras de encerrar a 71ª edição do Festival de Cannes.

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:42
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5.6.18

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Foi divulgado o primeiro trailer de Bumblebee, o spin-off da saga Transformers. Hailee Steinfeld, Stephen Schenider, John Cena, Jorge Lendeborg Jr., Jason Drucker e Kenneth Choi compõem o elenco.

 

O filme, baseado na personagem que esteve presente em todos os filmes da franquia Transformers, marcará a estreia do CEO da Laika e responsável por Kubo e as Duas Cordas (2016), Travis Knight, na realização de filmes em imagem real. Michael Bay, Lorenzo di Bonaventura e Steven Spielberg são os produtores deste projeto, cujo argumento é da autoria de Christina Hudson.

 

Bumblebee chegará aos cinemas portugueses em dezembro deste ano.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:30
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4.6.18

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Chega-nos o primeiro teaser de Suspiria, a obra-prima de Dario Argento que será readaptado aos novos tempos por Luca Guadagnino (Call Me By Your Name).

 

A atriz Chloe Moretz Grace lidera um elenco composto por Dakota Johnson, Mia Goth, Tilda Swinton e Jessica Harper (protagonista do original). Suspiria remete-nos a uma conceituada escola de dança que recebe uma jovem bailarina americana. Durante a sua estadia, fenómenos bizarros e assassinatos macabros ocorrem por dentro e por fora das paredes da Academia.

 

O original de 1977 foi o primeiro filme de uma trilogia que Dario Argento apelidou das "Três Mães", que fora posteriormente completado com Inferno (1980) e Mãe das Lágrimas: A Terceira Mãe (2007).

 

A nova versão estreará ainda este ano. De momento não existe data de estreia, mas espera-se integrar o próximo Festival de Veneza.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:36
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O mítico ator de Jurassic Park e The Fly, Jeff Goldblum, irá editar, ainda este ano, um álbum de jazz para a Decca Records, editora subsidiaria da Universal Music Group.

 

Tudo aconteceu no ano passado durante o programa The Graham Norton Show, na BBC, quando Goldblum decide tocar piano sob acompanhamento vocal de Gregory Porter dos Disclosure. A sua performance conquistou a produtora que chegou à frente com a proposta para a edição de um álbum.

 

Ele é um fantástico pianista de jazz, um grande líder de banda e quase o homem mais adorável do mundo. O seu amor pelo jazz é contagiante e sempre que ele toca, faz com que todos sintam felizes. Se pudermos levar a música de Jeff para as casas das pessoas, estaremos a ajudar, à nossa própria maneira, a tornar o mundo num lugar mais feliz.” Revelou Tom Lewis, diretor da Decca.

 

O ator, que iremos ver no novo capitulo de Jurassic World, que estreia esta semana nos cinemas,  expressou a sua gratidão pela proposta: “Estou bastante feliz por estar envolvido com as pessoas maravilhosas da Decca, uma das mais legais e prestigiadas gravadoras de todos os tempos.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:10
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25.5.18

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Traumas e ensaios mentais, golpes de génio.

 

Antes de seguirmos pelos labirínticos registos da existência de Eduardo Lourenço, é preciso falar de Miguel Gonçalves Mendes, realizador que se tem dedicado à evasão do formalismo e o formato academicamente aceite que o documentário português parece ter contraído no sentido em esquematizar “vidas e méritos alheios”. Por sua vez, é também fugaz a distorção dos cânones do docudrama que ultimamente tem caído num poço sem fundo de (não) criatividade. Passando pela lenda de mouras encantadas de Olhão, pela marca pessoal de Cesariny ou do romance que transgride o “eu” artístico e criador de José Saramago, Gonçalves Mendes aventura-se agora, ou deixa-se aventurar, pelos pensamentos de contradições de Eduardo Lourenço, ensaísta, professor e sobretudo “poeta da vida”.

 

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Nesta tendência de condensar um livro da autoria de Lourenço, O Labirinto da Saudade (1978), o realizador propõe ao catedrático uma demanda pessoal e pensante pelo seu intimo intelectual e fá-lo através do uso da tecnologia para colocar um velho sábio em perfeita confrontação com as suas ideias. Este é um caso em que a ideologia e o homem se confundem, parindo uma quimera de conscientização dos fantasmas da nossa nacionalidade, enquanto Lourenço se debate pela sua própria existência. A existência de um em paralelismo com o nosso legado enquanto portugueses, viventes de um país traumático, cujas mazelas agora convertidas em lendas e criaturas mitológicas, olharapos da nossa História (“A História é a ficção das ficções”).

 

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As questões deparam-se, aguçadas como adagas feudais, no qual Eduardo Lourenço se defende com a serenidade e a lucidez pelo qual é visto, respeitado e venerado. E dentro dessa divindade, Gonçalves Mendes prepara um altar tecnológico, empacotado entre caixotes dimensionais e náutilos, a espiral logarítmica que nos leva ao córtex da sua concretização, mas ao mesmo tempo à sua tragédia. Por entre esses traumas evidenciados, existem dois que se cometem como pessoais, acima da reflexão pensante dos anteriores. A primeira cicatriz do nosso país que Eduardo Lourenço verdadeiramente testemunhou conta com Ricardo Araújo Pereira como o interveniente escolhido para uma exorcização do salazarismo vincado nas nossas raízes (“povo fascista e ‘fascizado’”), ou a análise do “sacerdote falhado”, Salazar em pessoa e a sua cruzada pelo país imaginário ainda hoje invocado com um martirológico saudosismo. O segundo “trauma” experienciado é mais quebradiço, até porque é o futuro que aborda, o futuro da nossa cidadania enquanto europeus, continentais acima de nacionais (“Precisamos mais que nunca ser europeus”).

 

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Essa questão das questões, a bandeja direta ao apocalipse identitário, guia-nos para o derradeiro dos destinos, no qual Lourenço encontra-se consciente. Nada é eterno, porém, “escrevemos como fossemos eternos”. Quanto à morte, a paragem final, que não aflige a sábios, aliás, porque a “verdadeira morte é a do outro”, nesse campo, Lourenço encontra-se calejado. A tragédia parece se abater nos últimos tempos deste Labirinto da Saudade, mas Miguel Gonçalves Mendes responde com um reencontro a um legado e fá-lo sob o jeito de um antecipado tributo. Fora a figura do sábio, que monta e desmonta a sua sapiência através de passos (planeados pela personificação de Diogo Dória), o filme em si, adverte para um sufocante cerco tecnológico e provavelmente não era preciso tantos “confettis” para celebrar tais ideias.

 

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Contudo, em defesa a Miguel Gonçalves Mendes, esta assoalhada artificial gira em volta da sua figura, portanto, saúda, e ouve atentamente à sua palavra, ao contrário dos textos que se querem fazer ouvir mas que são emudecidos pelas imagens salteadas de quem não sabe pensar além do seu umbigo. Acreditem, existem muitos autores assim, que se escondem por “correspondências”, mas Gonçalves Mendes não é um deles.

 

Real.: Miguel Gonçalves Mendes / Int.: Eduardo Lourenço, Diogo Dória, Ricardo Araújo Pereira, Adriana Calcanhotto, Pilar del Río, Gregório Duvivier, Álvaro Siza Vieira, Sabrina D. Marques

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 13:34
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17.5.18

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Solo se vive una vez!

 

Eis o projeto da Lucasfilm que encheu as manchetes. Em causa estiveram as complicações nos bastidores, mais precisamente quando os realizadores originais, os jovens Phil Lord e Chris Miller (21 Jump Street), foram despedidos em consequência, ainda por mera especulação, de “divergências criativas”. É um sinal de que as grandes majors nada facilitam em preservar as convenções criativas e artísticas dos jovens talentos que ousam sempre repescar para os seus megalomaníacos projetos, e isso veio verificou-se com a vinda de Ron Howard, realizador já calejado nestas andanças, que automaticamente satisfez as necessidades do estúdios Lucasfilm/Disney, segundo o comunicado oficial. Mas se os estúdios ficam agradados com estes velhos artesãos, porque procurar o moço da esquina? Provavelmente os custos são menores tendo um realizador inexperiente e verde, assim como é fácil moldá-lo aos requisitos do estúdio. Visto estes possuírem pouco “poder” na indústria, estes novatos transformam-se em verdadeiros cordeiros nas garras dos esfomeados tigres.

 

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Nunca iremos saber como seria realmente o Han Solo versão Lord & Miller, mas em relação à versão de Ron Howard, é um verdadeiro “vira o disco e toca o mesmo”. A Lucasfilm desesperadamente necessita de argumentistas nas suas aventuras intergalácticas, precisa de renovar os códigos do entretenimento e, por fim, surpreender. Neste último aspeto, não é através de cameos inesperados nem de easters eggs para fã ver, é preciso retirar o espectador do conforto, das “image-commodities” segundo o teórico Jonathan Beller, dos lugares-perpetuamente comuns, assim por dizer. Obviamente que todo este discurso cairá como gotas de água numa chuvada para as audiências direcionadas neste tipo de produções, ou quem procura, reduzindo, o mero entretenimento.

 

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Han Solo: A Star Wars Story é um filme sem ambições dos ditos canónicos, sendo que com isso lhe é atribuído um certo estado de graça, uma dinâmica na sua compostura e uma sensação falsa de simplismo. Sim, a competência de ser mais um na saga entre galáxias torna-o num desengonçado episódio que queremos estimar porque conhecemos as suas limitações face ao historial de produção por detrás. Infelizmente, carinhos por piedade não fazem filmes e Han Solo não possui força para  vingar nesse ramo.

 

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Porquê? Para além das fraquezas que o generalizam e o confundem nestas produções homogéneas, nenhuma personagem aqui, até mesmo o reconhecível Han Solo (Alden Ehrenreich a mimetizar tiques), possui capacidade de emancipar-se da mera caricatura, o romance convertido a template de resoluções argumentativas, querendo com isto burlar-nos com uma “complexidade insuflável”. A ação, cheia de números circenses neste registo de filmes, não possuiu qualquer tipo de coreografia a não ser as influências do videojogo.

 

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São encontrões que nos fazem deparar em mais um, mas no caso de Han Solo, assim como em muitas das sequelas, prequelas, spin-offs desta nova fase Star Wars, assim como espelho de muitas outras rotinas dos grandes estúdios, é o sacrilégio de mexer na personagem. Como sabemos e não é novidade nenhuma, a figura de Han Solo, ao longo destes anos, era visto como uma encarnação exclusiva de Harrison Ford na saga original de George Lucas, mas ao revisitar o seu passado e atribuir-lhe uma nova face, perdemos essa associação, esse carinho, essa memória cinéfila. Nenhuma personagem meramente cinematográfica é imune a estes novos tempos, nem sequer os seus passados são deixados à sua sorte. Perde-se a mística, como se perde o nosso imaginário perante uma indústria que nada quer deixar ao espectador. Han Solo: A Star Wars Story não foi o primeiro, nem será o último, mas é um grito de ajuda.   

 

Filme visualizado no 71º Festival de Cannes

 

Real.: Ron Howard / Int.: Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke, Joonas Suotamo, Donald Glover, Thandie Newton, Paul Bettany, Jon Favreau, Phoebe Waller-Bridge, Ray Park

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 15:51
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12.5.18

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O lendário cineasta Jean-Luc Godard marcou presença na conferência de imprensa em promoção ao seu mais recente filme, Le Livre d’Images, em competição no Festival. Contudo, não o fez fisicamente, tendo surgido perante os jornalistas via Facetime no smartphone do seu diretor de fotografia Fabrice Aragno.

 

Despenteado e com um cigarro entre os dedos, Godard convocou os jornalista a afilarem-se perante o dispositivo, cada um com uma questão a propor ao realizador de 87 anos. Muito se debateu, desde o filme e a sua natureza, passando pelo futuro do Cinema, assim como se tocou na situação da Rússia, na qual o autor de Pierrot le Fou aconselhou que devemos “ser todos cordiais”

 

Godard respondeu, em jeito bem-humorado, à definição de cinema dando uma equação matemática: “´Voilá´. X + 3 = 1, esta é a chave do cinema. Mas quando dizemos que é a chave, não podemos esquecer da fechadura", como também, de forma mais séria, ao futuro da Sétima Arte e do Cinemas. “Nos próximos 10 anos nós encararemos alguns cinemas que serão bastante vanguardistas. Eles vão exibir os meus filmes assim, como filmes em geral”, tal como a educação cinematográfica. "Não estudei em nenhuma escola de cinema. Sou do tempo em que estudar cinema implicava ver filmes, ir a cineclubes, procurar a relevância e identificação em filmes por vezes obscuros".

 

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Le Livre d’images é descrito como um filme-arquivo onde o realizador trabalhou com um conjunto de imagens providas de filmes e outros materiais. Em relação a este registo e à ausência de atores, Godard afirmou que “na ficção existe o risco do ator estar associado às praticas totalitárias, dependendo das imagens o qual integram”.

 

Apesar do episódio insólito, esta não é a primeira vez que o realizador reinventa a Conferência de Imprensa em Cannes, reafirmando o seu antagonismo para com o evento. Em 2005, na sequência do seu Notre Musique, Godard convidou um representante do sindicato de atores e técnicos do Cinema Francês para responder às questões dos jornalistas.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:05
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10.5.18

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36 anos depois da sua projeção em Cannes, A Ilha dos Amores regressa à Riviera como um dos filme-evento desta 71ª edição. O seu retorno não é em vão, em causa está um trabalho de restauro invejável por parte da Cinemateca Portuguesa, com digitalização 4K com wet gate de interpositivos de imagem e som em 35mm tirados num laboratório japonês em 1996.

 

Com isto, foi conservada na obra de Paulo Rocha a esplendorosa fotografia de Acácio de Almeida e a acústica sonora que nos transporta para um Oriente distante à boleia do eterno trágico-romântico Wenceslau de Moraes, interpretado por um dos “santos” do cinema português, Luís Miguel Cintra. O ator esteve presente na sessão especial ao lado do diretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa.

 

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A imaculada beleza captada pelo olhar clinico de Rocha, desde a simetria cénica até a profundidade que nos convida a um outro filme presento nos espelhos, A Ilha dos Amores preencheu cada espaço do ecrã da Sala Buñuel. Apesar de ser um filme narrativamente difícil de se ver durante a euforia de Cannes, os seus magistrais planos não deixaram ninguém indiferente quanto à restauração.

 

Regressando agora a 2018, à Competição Oficial, que tem por fim, algum dinamismo. A primeira com Leto, retrato punk da juventude inquieta da Leninegrado dos anos 80. Trata-se do novo filme do dissidente russo Kirill Serebrennikov, que para além de ser uma vibrante coletânea musical (Bowie, Sex Pistols, T-Rex, Blondie, etc) apresenta-nos uma bidimensionalidade narrativa que desfaz muito dos formatos de cinebiografia.

 

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Já o segundo filme a demonstrar a sua “garra” na Seleção Oficial é Plaire, Aimer et Courir Vite, de Christophe Honoré, a sua resposta ao êxito de Moonlight. Segundo o realizador de Canções de Amor, o filme galardoado ao Óscar em 2017 apresentava a homossexualidade como uma maldição digna de vitimização. No seu novo trabalho, somos apresentados aos amores e desamores de um homossexual em Paris do inicio dos 90’, no calor da epidemia do HIV. Ao contrário do que poderia suscitar com o contexto histórico, Plaire, Aimer et Courir Vite celebra o amor nas mais diferentes formas, para além de encarar a homossexualidade como algo normalizado, consciente e, porque não, humanista. Até ao fim não existem vitimizações, tudo faz parte do ato de amar e de ser amado. Encontramos a sidequel de 120 Battements per Minute!

 

Já na Quinzena de Realizadores, o último filme do espanhol Jaime Rosales, um experiente no Croisette, divide critica e público. Petra, titulo que também serve de nome à personagem principal (Bárbara Lennie, que também ingressou o elenco de Todos lo Saben, de Asghar Farhadi), é um drama em busca da paternidade que abraça um forte fluxo de tragédia. Rosales evita em toda sua condução, uma emotividade farsante, sendo que a principal característica desse afastamento é a recusa pelo grande plano e pela decopagem técnica. Ficamos a saber, numa entrevista a publicar brevemente, que Rosales foi convidado a trabalhar com a Netflix. Aceitará? Veremos...

 

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Hoje teremos o muito antecipado Jean-Luc Godard e o seu Le Livre d’Image, seguido pelo novo de Jia Zhangkee e de Pawel Pawlikowski.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:01
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Cannes ficou em sobressalto após uma convocatória de última hora do produtor Paulo Branco. A Amazon abandonava a distribuição norte-americana de Dom Quixote, o que levou Branco a manifestar-se frente aos jornalistas que se amontoavam na bancada da Alfama Films, no Marché du Film.

 

Eram 15h00 (hora francesa) e esperava-se a decisão do tribunal em relação à projeção do “filme maldito” de Terry Gilliam no Croisette. Enquanto isso, o produtor português não poupou palavras em direção a Thierry Frémaux e à organização do Festival, acusando-os de calúnia e difamação. Ainda assim, o próprio referiu que caso o tribunal proibisse a exibição do filme no Festival, estaria disposto a negociar a sua projeção, sublinhando a ausência de qualquer transação financeira. Ou seja, estamos perante uma questão de orgulho. Pouco tempo depois, o tribunal de Paris indeferiu o pedido de Paulo Branco. O Festival de Cannes não tem que se preocupar, The Man who Killed Don Quixote (O Homem Que Matou Dom Quixote) continua designado como o filme de encerramento da sua 71ª edição e Thierry Frémaux tem razões para rir.

 

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Em outras notícias, o realizador dissidente russo Kirill Serebrennikov encontra-se detido na Rússia, impossibilitando a sua ida ao Festival para apresentar a sua obra, Leto, em Competição. O delegado referiu que a organização tentou tudo ao seu alcance para trazer o realizador à Riviera Francesa, mas segundo Frémaux, Putin terá lhe dito que “na Rússia, a justiça é independente”, relato que suscitou gargalhadas entre o público.

 

Mas a piada acabou, apesar de tudo, por ser outra. O filme Yomeddine, a primeira longa-metragem do egípcio A.B. Shawky, encontra-se em Competição, um filme manipulador e sobretudo ofensivo. O porquê? Porque o jovem realizador decide contar a história de um leproso viúvo que viagem pelo Egipto em busca do pai que o abandonou. Ao seu lado conta com a companhia de um burro e de um menino órfão. A viagem é atribulada e desafortunada, com todos os tiques para o espectador de condescendência do seu protagonista, o qual deve-se salientar que é um não-ator que sofre das reais “deformidades”. Para além deste sentimento de pena, junta-se um perfeito desleixo na realização, fraca aptidão no tratamento das personagens e uma banda sonora omnipresente para os efeitos previstos: emocionar imperativamente. No final houve aplausos … tímidos … mas, houve.

 

Rafiki, o romance lésbico queniano que faz História, trata-se do primeiro filme desse país selecionado para o Festival, uma honra que levou a realizadora Wanuri Kahiu, em palco, a gritar “We are proud to be Kenyan”. Quanto ao filme em si, bem, as boas intenção não fazem Cinema, sendo que ao contrário de Yomeddine, o grande problema de Rafiki é a sua ingenuidade, o que por sua vez o leva a caminhos panfletários que prejudicam as personagens e até mesmo as suas relações.

 

Se a Seleção Oficial ainda não mostrou a prometida garra, a Quinzena dos Realizadores abre com audácia e furtividade requerida. O colombiano Ciro Guerra regressa à secção com Pajaros de Verano (realizado com a colaboração de Cristina Gallego), uma trama de gangsters e narcotráfico sob um cenário indígena tribal. Recordamos que Martin Scorsese encontrou-se presente na abertura para receber a La Carrosse d’Or.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:55
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