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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Born in the USA

Hugo Gomes, 24.11.20

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“Nomadland” ilude-nos à partida, é um retrato da América (essa frase cliché). Mas a questão é saber qual América? Através de uma Frances McDormand despida de qualquer manto ficcional percorremos o profundo do país dos “Pais Fundadores”, escutando relatos de desespero ou de propostas alternativas à escravatura capitalista e observando paisagens inóspitas, outras por vezes abandonadas, em busca de um lugar a quem se possa chamar Lar, esse Império (=Empire) transformado em não-lugar. Esta América, esta mesmo, que caminhamos sem eira nem beira, por trabalhos temporários, na subsistência e dependência da solidariedade dos outros, é a América de Obama. Revelando aqui, subversivamente, o que antecedeu ao triunfo de Trump em 2016. O que fez seguir até o radicalismo. Só que soluções nem vê-las, nem mesmo tal pode acontecer, até por que a postura nómada da personagem de McDormand é uma liberdade insuflada, uma ilusão vendida para crentes.

"You didn't get me down, Ray"!

Hugo Gomes, 14.11.20

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Comemoramos 40 anos de "Raging Bull" ("O Touro Enraivecido", 1980), aquele que é para muitos a obra-mestra de Martin Scorsese e, em matéria de desempenho, de  Robert DeNiro.
 
"Para fortalecer essa ideia, eis o “You didn't get me down, Ray”, o “Não me deitaste ao chão, Ray” que grita, ensanguentado, derrotado e, enfim, orgulho, o nosso pugilista no último combate com Sugar Ray Robinson. Trata-se da sua afirmação perante a luz que vislumbra no hiato entre o arremesso e o choque dos golpes do seu rival. Terá sido o divino a comunicar com ele, imperando para que se arrependa dos seus inúmeros pecados? Se foi, Jake LeMotta ignorou. Vendeu a alma ao diabo." Texto no SAPO, aqui.

 

 

Mais que nunca o Dia do Cinema deve ser “celebrado”!

Hugo Gomes, 05.11.20

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Voyage to the Moon (Georges Méliès, 1902)

Este ano, para muitos, atípico, para outros o início de uma nova fase da civilização moderna, poderão levar o cinema para caminhos de torturante subsistência, enquanto translada para o conforto das nossas casas assimilando cada vez à vontade do freguês e não como a resposta aos nossos dias. Não faço aqui juízos de valores sobre o que é cinema ou o que não é cinema, ou o velho sermão de que o Cinema só deve ser visto em sala como uma experiência partilhável, o que refiro é que chegamos a um momento crucial em que a Sétima Arte precisa de nós, para a iluminarmos e manter viva as suas memórias. É História preservada em pelicula, são ideias, gestos, paixões e arte. É como alguém disse e muito bem, perdendo-se na corrente das citações anonimizadas - Cinema é Vida!

O Cinema (ainda) não morreu, nem que o Godard tussa.

Ser ou não ser Sean Connery

Hugo Gomes, 31.10.20

Hoje morreu um dos meus heróis de ação, uma das grandes estrelas de cinema da minha contemporaneidade. Tinha 90 anos, eu sei, idade o qual já se perdoa a morte, mas não deixa ser uma perda das minhas, mais que percurso cinéfilo, memórias de infância. Sean Connery era uma lenda viva, um sinal de persistência no seu modo de interpretação, recusando alterar o seu sotaque escocês ferrenho e fugindo da indústria dececionado com o rumo desta. Grato pela tua existência, Sir.

 

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Apesar do fato ridículo, Zardoz (John Boorman, 1974) tornou-se um delicioso filme de culto

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O fracasso de The League of Extraordinary Gentlemen (Stephen Norrington, 2003) foi a gota de água que motivou o seu "divórcio" para com a indústria

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The Untouchables (Brian De Palma, 1987) o levou ao seu primeiro e único Óscar.

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O bélico The Hill (1965), foi uma das suas colaborações com o cineasta Sidney Lumet.

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Uma pausa durante as filmagens de Highlander (Russell Mulcahy, 1986).

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Um dos seus filmes mais populares nos anos 90, The Hunt for Red October (John McTiernan, 1990)

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Ao lado de Michael Caine na adaptação de Rudyard Kipling, The Man Who Would be King (John Huston, 1975)

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Durante as rodagens de Marnie (Alfred Hitchcock, 1964)

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Foi o primeiro 007 no cinema! Interpretou James Bond em 6 filmes e um tributo intitulado de Never Say Never Again (Irvin Kershner, 1983)

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A outra colaboração com o cineasta Sidney Lumet - The Offence (1973)

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Em Finding Forrester (Gus Van Sant, 2000) conseguiu uma das suas interpretações mais elogiadas

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Ao lado de um jovem Christian Slater no The Name of the Rose (Jean-Jacques Annaud, 1986), uma adaptação (ou será mais interpretação) do livro de Umberto Eco