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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Été 85: o verão de um "condenado" amoroso

Hugo Gomes, 11.09.20

MV5BOTM4ZTg5ZjItNzdhNy00M2E1LThkOTUtODAyMzdiZjJjMjFalou-se aqui de um “Call Me By Your Name” francês, sendo que a única coisa que tem de comum (para além do óbvio romance homossexual) é o saudosismo para com a época descrita, transformando músicas pirosas em marcos da nossa emotividade e paixonetas estivais por amores shakespearianos com a sua pitada de macabro. É um (pequeno) grande passo de Ozon após o certinho e igualmente deslavado “Grâce à Dieu”, evidenciando aqui um jeito algo tosco em salivar por velhos temas existenciais e eternos gestos autorais. É um filme com a sua personalidade, mesmo que por vezes seja levado pelas ondas ("como uma onda no mar", já dizia o 'outro')

Quantos Nolans cabem em Tenet?

Hugo Gomes, 24.08.20

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À espera de Nolan … assim estão algumas cadeias de cinema que olham para este blockbuster de quase 200 milhões de dólares de orçamento como a salvação de um negócio em ruínas. E quanto a nós, espectadores? O que podemos esperar de Nolan e o seu Tenet? Fácil, o cinema equacional, simples mas distorcido num quebra-cabeças chapado só para nos dar o seu ar de pseudo-intelectual. Pesado enfarta-brutos dramático com ação como se última de ponta fosse. Nolan a ser Nolan e a esquecer que é preciso menos Nolan para aguentar esta quantidade de Nolan.

 

Até ver o "Fim do Mundo" ...

Hugo Gomes, 19.08.20

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Depois do místico “Até ver a Luz”, Basil da Cunha continua a dar palco às vozes marginalizadas, num conto de náufragos sem vitimizaçõe, nem heroísmos. Estes são os nossos “Miseráveis”, os nossos subúrbios, a continuação do biótopo à desmoronar como um certo Quarto’, que hoje acreditamos ter mudado a face do cinema português para o novo milénio, avançou. Mas não se deixem colar pela menção, há aqui, neste “O Fim do Mundo”, artificio calculado, engenho e verdadeiramente, Cinema com sangue na guelra. Depois da sua estreia mundial em Locarno no ano passado e com chegada marcada para os cinemas em setembro (sem antes fazer a sua visita no Indielisboa), será este o filme português do ano (mesmo sendo coprodução)? Bem, confesso que estou maravilhado com este universo.

Três décadas de bom Parker!

Hugo Gomes, 31.07.20

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Angel Heart (1987)

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Bugsy Malone (1976)

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The Commitments (1991)

 
Não filmava desde 2003, e essa despedida não foi de todo memorável [“The Life of David Gale”], mas não deixemos que isso faça-nos menosprezar a sua obra que atravessou alguns períodos bem vincados. Contudo, fora dos óbvios “Midnight Express” e do “Mississippi Burning”, levo comigo três filmes, algo esquecidos, que, abordam sobretudo, a diversidade do realizador Alan Parker.
 
O literalmente “faz-de-conta” “Bugsy Malone” (1976), a sua primeira longa-metragem (se não contarmos com o projeto televisivo de “The Evacuues”), o thriller com Mickey Rourke à cabeça (em tempos de galã) e um infernal Robert De Niro - “Angel Heart” (1987) - e por fim, aquele que mais aprecio da sua obra, “The Commitments” (1991), um caso à beira do sucesso de um improvisado grupo musical.
 
“- Well, that's a tricky question, Terry. But as I always say, we skipped the light fandango, turned cartweels 'cross the floor. I was feelin' kinda seasick, but the crowd called out for more.
- That's very profound Jimmy! What does it mean?
- I'm fucked if I know,Terry!
 
 
Alan Parker (1944 - 2020)

Esses teus lindos e desgostosos olhos

Hugo Gomes, 29.07.20

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Passados estes anos todos, e talvez com uma restauração 4K em cima, os tristes olhos de Giulietta Masina continuam luminosos e sentidos como nunca. "La Strada: A Estrada", o Fellini consensual e nem por isso desmerecedor, regressa aos cinemas portugueses com novas vestes, a partir de 13 de agosto.
 
Continua fantástico e tão ... felliniano! Que bom foi relembrar o meu (primeiro) Fellini!

Hollywood Clássica, oficialmente extinta

Hugo Gomes, 26.07.20

No inicio do mês comemorou os 104 anos … idade invejável não é? O fim chegou! Olivia de Havilland morreu e com ela todo um Cinema, que a partir de hoje declaradamente, extingui. O último rasto … a última lenda viva da Hollywood de ouro.

Olivia de Havilland (1916 - 2020)

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The Heiress (William Wyler, 1949)

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The Private Lives of Elizabeth and Essex (Michael Curtiz, 1939)

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Gone with the Wind (Victor Fleming, 1939)

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Olivia de Havilland e Basil Rathbone nos bastidores de "Robin Hood" (Michael Curtiz & William Keighley, 1938)