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21.4.14

Super-Heróis, a arma do cinema contra a televisão!

 

Com apenas dez anos de existência, já se ouvia falar sobre a morte do cinema, por isso é fácil de imaginar que em 100 anos de vida foram imensos os ultimatos ao fim da longevidade da Sétima Arte. O cinema passou por muito; crises económicas e sociais, duas grandes guerras, entre outros, contudo conseguiu sobreviver através dos tempos porque simplesmente conseguiu adaptar. Anos 50 surgiu então o verdadeiro "inimigo", a televisão e a sua expansão nas casas dos anteriores espectadores assíduos do cinema,  oferecendo apostas de diferentes conteúdos audiovisuais sem que seja preciso sair do conforto de casa. Assim sendo o cinema teve que adaptar mais uma vez para enfrentar este seu "inimigo público", apostando em grandes produções e projectos ambiciosos que a televisão era incapaz de oferecer na época. Ou seja para além dos chamados filmes de orçamentos colossais, o sexo e a violência foram outros atractivos importantes. Contudo até mesma televisão teve que adaptar à sociedade actual e responder às necessidades do seu público e assim vice versa, o confronto entre pequeno e grande ecrã ditou as mudanças de ambas as plataformas.

 

 

Actualmente, sem parecer puro acto de pessimismo, a televisão aufere apostas mais diversificadas e irreverentes com o cinema, sendo que este último como escape à sua extinção e decréscimo acentuado, adquiriu uma linguagem própria do mundo televisivo. Um dos factores mais evidentes deste "contágio" encontra-se nos filmes da Marvel, capítulos que se interligam diversas sagas e produzidas sob um frenesim incansável pelos seus respectivos estúdios. Ora vejamos, Thor tem de relacionado com Homem de Ferro, e Homem de Ferro tem muito de Capitão América. Tudo se tornou uma grande industria em que supostamente o gratuito é logo pensado em outro projecto, sucedidos filmes que levam uma legião de fãs a ver "religiosamente", não filmes, mas mais um capitulo da sua série cinematográfica, facilmente similar às séries televisivas só com orçamentos e custos de produção elevados.

 

 

Porém nos dias de hoje até o universo dos super-heróis é abalado pela televisão, sendo que os respectivos estúdios apostem mais uma vez no pequeno ecrã, com séries spin-offs a ser transmitidas como suplementos das sagas cinematográficas (como por exemplo S.H.I.E.L.D. por parte da Marvel ou Arrow e o ainda em produção Gotham da DC Comics). O cinema para contornar este conformismo por parte dos seus ditos e "fieis" espectadores optou por criar filmes ambiciosos onde os factores que dificilmente encontraremos nas produções televisivas, estão presentes em doses industriais, um desses é definitivamente os efeitos visuais que resultam em sequencias de acção nunca vistas.  

 

 

Marc Webb, realizador da pérola indie (500) Dias com Summer e do primeiro e satisfatório The Amazing Spider-Man, revelou recentemente durante o evento SXSW que na produção deste segundo filme foi induzido pelo estúdio em utilizar e abusar dos CGI, efeitos visuais e sonoros que pudessem coligar com a tecnologia 3D, ainda visto hoje uma atracção circense cinematográfico, a fim de auferir uma grandiosidade visual. E talvez seja por isso que The Amazing Spider-Man 2 seja um mimo para vista, um objecto minado de uma linguagem de videojogo capaz de agradar às mais vastas audiências. Mas tal como "pacto do Diabo", tais decisões trazem consigo consequências graves do foro narrativo e de ênfase dramática.

 

 

O produto de Marc Webb possuía potencial para mais do que um simples blockbuster inconsequente e visualmente pomposo, mas nada feito, a carga dramática que o realizador por vezes incursa é jogado para o segundo plano, transformando com isso as suas personagens em seres unidimensionais e vazios. Apenas o elenco consegue transmitir alguma vida a este dito conjunto de "bonecos" caricaturais (Emma Stone, o talentoso Dane DeHaan e Jamie Foxx, só para dar um exemplo). Mas até eles são desperdiçados, porque simplesmente este The Amazing Spider-Man 2 foi pensado desde o inicio em simplesmente perfazer os requisitos dos spin-offs que estão de momento a ser produzidas e as sequelas agendadas e rodadas em simultâneo, ou seja criação de uma nova saga "marvelesca".

 

 

Mas então o que é que nos resta neste filme, fora os seus atributos tecnológicos? Praticamente um percurso aos marcos da banda desenhada e formulas sobre formulas, enraizadas em mais formulas, e todas elas coladas com "cuspo". Soará como cantiga de velho, purista ou simplesmente ignorante perante a crescente relevância da banda desenhada na sociedade actual, mas isto é apenas um produto de merchandising, feito por questões obvias - vender - e a qualquer custo. Quanto às aventuras do "aranhiço" propriamente ditas, Sam Raimi construiu algo mais consistente nos seus filmes (não, não conto com Spider-Man 3), onde usufruiu de uma liberdade audaz, antes da ditatorial tomada dos estúdios. Um filme com prefixo de Fantástico, que de fantástico nada tem.

 

"You know what it is I love about being Spider-Man? Everything!"

 

Real.: Marc Webb / Int.: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Dane DeHaan, Paul Giamatti, Sally Field, Paul Giamatti, Chris Cooper, Colm Feore, Felicity Jones

 

 

 

Ver Também

The Amazing Spider-Man (2012)

Spider-Man 2 (2004)

Spider-Man 3 (2007)

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:19
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