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28.4.17

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Barulho para nós, música para Malick!

 

A música toca e toca em modo playlist, continuamente, imperativamente e ritmicamente perante as imagens que funcionam num vórtice de corpos vazios, que bailam ao som das mesmas de forma dessincronizada. A música, segundo Malick, é a alma de Austin, esse paraíso liberal num estado tão fechado como o Texas, e a única alma verdadeiramente sentida, por a arte invocada por estes ritmos diversos não engendrar com a narrativa visual que o realizador “tímido”, agora prometendo uma maior assiduidade na indústria, gera.

 

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Song to Song é a sua nona longa-metragem, a terceira da fase pós-2011 (sem considerar o seu documentário Voyage of Time), e a nova evidência de que os autores, por mais inconfundíveis que sejam, também cedem ao mais profundo conformismo. O “culpado” desta presença repentinamente está no digital, a infinidade e o facilitismo que as tecnologias atribuíram ao Cinema, mas para Malick é o prenúncio do seu fim enquanto ser misterioso da indústria, é o cansaço em pessoa de quem não tem mais nada de novo para contar. Triste realidade, Song to Song é mais do mesmo em doses malickianas, são as “maliquices” levadas até ao fim e o seu cinema tão “autoral” converteu-se na mais perfeita caricatura, a loucura da repetição e dos problemas de primeiro mundo como base de um prolongado sofrimento de personagens. Esse sofrimento entra em loop, na persistência dos mesmos planos “over and over”, e das frases sussurrantes cada vez menos inspiradas e cedidas a uma lamechice de pacotilha. Será Malick o Pedro Chagas Freitas cinematográfico?

 

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Song to Song começa com um triangulo amoroso (Michael Fassbender, Ryan Gosling e Rooney Mara), um ménage de Dreamers, de Bertulocci, com os mesmos “joguinho” sexuais e de foro emocional. Tais vértices vão-se afastando dando origens a trilhos cada vez mais paralelos entre as diferentes personagens. Sim, é triste chamar isto de personagens, até porque Malick brinca com o vazio, com os movimentos erráticos e circulares destas, nos diálogos impostos num falso-raccord. Não existe espaço para personagens, tudo são bonecos que se pavoneiam perante um autor que se assume desorganizado, espontâneo e refém do seu instinto.

 

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Será isso bom? Não será a Arte um veiculo pensante? Ou um instinto humano de comunicar? Conforme seja a escolha, a verdade é que o sedentarismo é um veneno e para Malick esperemos que encontre a cura. Song to Song é um som incorrespondido com a narrativa visual, é a prova de depois de Tree of Life (A Árvore da Vida), Malick não demonstra qualquer sinal de revitalização, mas sim de preguiça no mais incurável sentido.

 

"What part of me do you want?"

 

Real.: Terence Malick / Int.: Ryan Gosling, Rooney Mara, Michael Fassbender, Natalie Portman, Holly Hunter, Cate Blanchett, Lykke Li, Val Kilmer, Bérénice Marlohe

 

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3/10

publicado por Hugo Gomes às 16:17
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2.3.16

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Persisitir numa só arte!

 

Há quatro tipos de realizadores a exercerem a sua função como tal no Cinema: o ilustrador, o mero profissional no ramo dedicado a cumprir as ideias dos outros e os propósitos dos produtores; o megalómano, um pouco como as convenções formadas por Griffith que tornaram a cadeira de realizador em algo absoluto, competente para os seus propósitos como também dos seus superiores hierárquicos; os autores versáteis de ideias variadas que submetem a um gosto autoral criativo e sempre emergente; e por fim os autores formalistas, preso a uma marca e guiados em redor de uma solitária criativa.

 

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Nesses termos, Terrence Malick é um transcendente, tendo iniciado a sua carreira no terceiro tópico e terminando no último, um realizador condenado a olhar constantemente ao seu próprio umbigo e a utilizar o mesmo “truque de magia” vezes sem conta, a fim causar espanto, o que não apercebe é que o seu público poderá eventualmente cansar deste egocêntrico pretensiosismo. Na mesma demanda de cineastas barricados no seu artesanato, surge nesta discussão Yasujiro Ozu, o nipónico “parte-corações” que nos presenteou verdadeiras obras-primas como A Viagem a Tóquio e Flor do Equinócio, foi também acusado de apresentar-se constantemente num registo fechado e identificável à sua pessoa. Contudo, ao contrário deste Malick crente, as relações entre as personagens e a afeição destas para com a intriga encontram-se presentes e para além de gradualmente desafiadas e reinventadas.

 

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Em Knights of Cups (Cavaleiro de Copas), a demanda é outra. O cunho de Malick é visível, a jornada esotérica soa como um mero caso de estética, onde o nosso senhor repete a sua forma, assim como na invocação dos seus temas intrínsecos, entre os quais a sucessão patriarcal (Tree of Life) e uma busca por um amor absoluto, confinado à inexistência (To the Wonder). Neste ciclo "malickiano" encaramos o sonâmbulo, cuja vida é escrita como uma premonição derivada das lidas cartas de tarot, e é através dessa vidência, que Rick (Christian Bale) vagueia num prolongado e interminável sonho. Esse mesmo sonho arranca com a morte de um ente querido passando pela obsessão dum pai para que os seus herdeiros sigam um legado anteriormente construído. Morte e herança de braços dados tornam o nosso protagonista numa incompleta marioneta que aventura-se na boémia do dia e na luxúria da noite para compensar o seu incógnito signo (o filme é repartido em capítulos consoante as carta mística).

 

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Neste caso até poderei anexar o nosso Malick àquela expressão “que tão bem eu filmo”. Cavaleiro de Copas, tal como os anteriores filmes do cineasta, é recorrente a montagens rápidas e instáveis, com personagens erguidas pelas presenças físicas dos atores e pelas divagações filosóficas sussurrantes em voz off, os diálogos são uma raridade e quando aconteceu alienam a sua respectiva narrativa. Os dramas de Rick, os seus dotes de mulherengo são encurtados com as, admitimos, belíssimas imagens de Natureza ou da beleza encontrada em “cenários de cartão” ou edifícios imaculados pelo tempo e pelo espaço (quase como um Andy Warhol sem expressionismo).

 

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Mas o descaramento é a não-reinvenção de Malick, um homem preso à sua “ilha” que concebe um produto visualmente belo, mas vazio, atropelando esse suposto trabalho de construção com citações pseudo-filosóficas e uma burla ingressada num ciclo rotineiro. A certa altura, numa breve passagem, Joseph (Brian Dennehy), pai de Rick, vagueia de forma apática pelos cenários emanados por Malick até chegar a um palco de teatro, observado por uma multidão indiferente. Essa sequência transmite a verdadeira essência de Cavaleiro de Copas, um ensaio pouco expressivo, exposto e rasurado de forma a soar na sétima maravilha do Cinema Contemporâneo. Infelizmente, tal como é dito a determinada altura “Se o nariz de Cleópatra fosse menor, o Mundo mudaria”, neste caso, se o ego de Terrence Malick fosse menor, até poderíamos ter um grande filme. Ao invés disso … postais!

 

"You gave me peace. You gave me what the world can't give. Mercy. Love. Joy. All else is cloud. Mist. Be with me. Always."

 

Real.: Terrence Malick / Int.: Christian Bale, Cate Blanchett, Natalie Portman, Freida Pinto, Brian Dennehy, Antonio Banderas, Wes Bentley, Imogen Poots, Teresa Palmer, Dane DeHaan, Jason Clarke, Joel Kinnaman

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 23:59
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2.5.15

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Horizontes longínquos!

 

A primeira longa-metragem de Terrence Malick, Badlands - Noivos Sangrentos (anos-luz de se aventurar por território metafísico e à plena reflexão quase esotérica), é um filme que à primeira vista se poderia afirmar como uma construção rica e nesse sentido limitada quer a nível visual ou sonoro. No entanto, o retrato é mais extenso do que o espectro que é dado numa primeira visualização.

 

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Três anos depois da curta de graduação no American Film Institute, Lanton Mills, Malick remete-nos a um longo road movie entrelaçado com as influências coming-of-age, ao mesmo tempo que distorce uma lenda já firmada na sociedade norte-americana. O amor fervoroso, animalesco e por vezes grotesco entre Kit (Martin Sheen) e Holly (Sissy Spacek) tem de muito relacionado com o caso Honeymoon Killers, um casal de assassinos que nos anos 50 "assombravam" as estradas norte-americanas. Um enredo que conta e reconta, assim por dizer, a história de dois assassinos em plena "lua de mel" que já originou inúmeras obras entre as quais o celebre Bonnie & Clyde, de Arthur Penn, ou do perturbado e delirante Natural Born Killers, de Oliver Stone (com argumento de Quentin Tarantino).

 

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Então o que de singular e distinto tem este Badlands? A resposta centra-se no seu conjunto fílmico e na reflexão contraída pelo cineasta tendo em vista o panorama da sua sociedade. Uma sociedade a florir e a ser "arrancada" do seu "armário", é a glorificação da violência e o papel dos órgãos de comunicação nessa mesma divindade, como se pôde verificar numa das sequências, em que Kit é detido e é exposto a um bando de soldados, todos eles curiosos sobre as suas peculiaridades. Aliás, em busca destas mesmas singularidades que supostamente divergem de um "individuo comum" com um "individuo de gestos homicidas". A conclusão para esse último desafio social, é de uma indiferença desarmante, aliás, um ano depois surge nos cinemas, The Texas Chainsaw Massacre, de Tobe Hooper, que de certa forma retrata o assassino (nesse caso Leatherface) dotado de comportamentos "bestialescos" como uma bizarria humana. Kit de Martin Sheen é despido desse retrato, deparamos então com um indivíduo de aspecto aceitável para os parâmetros da sociedade (nomeadamente a referida semelhança com James Dean) e isente de perturbações acentuadas desse género. Terrence Malick já previa uma ligação ténue entre a figura do serial killer e do individuo comum, pensamento hoje tido no "boom" cinematográfico e até mesmo televisivo de tal personagem.

 

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Mas é nesse mesmo retrato que entra as influências "coming-of-age", o desenvolvimento do par de personagens, que por sua vez são "congeladas" pelo impasse que se dá pelo nome de enredo. Contudo, quer Kit e obviamente Holly, são dois adolescentes desencontrados (mesmo que a personagem de Sheen tenha 25 anos de idade) com o meio que vivem, ambos são os rebeldes sem causa (sim, a menção ao popular filme de Nicholas Ray, protagonizado por James Dean, não é por acaso) ligados por sentimentos contidos dilacerados pela frieza dos seus gestos e a inconsequência dos seus actos. História de amor conturbada que se guia pela paisagem que se transforma a meio da jornada, desde o vilarejo sem futuro do Sul de Dakota até às terras indomáveis e desabitadas de Montana, as "Badlands" (= terras más) do titulo. Neste último, a catarse para Malick "refugiar-se" na paisagem, é descrita como troço das decisões, o paraíso sem retorno ou simplesmente o inferno disfarçado de Éden.

 

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Dotado de uma incrível violência social e psicológica, Badlands é um dos elos de transição para o cinema contemporâneo, cuja distinção surgiu apenas com o passar dos anos. O sucesso, neste caso a falta dele, não foram favoráveis para o filme e para Malick na sua data de estreia. Houve um relançamento em 1979, seis anos depois da primeira estreia, como suporte da sua segunda longa-metragem, Days of Heaven, mas a recepção foi a mesma. Devido a esta frieza geral, tivemos que esperar pacientemente dezanove anos para vermos uma nova obra, o muito apreciado Thin Red Line. Todavia, e com a “carrada” de anos em cima, Badlands continua a fascinar corações, a extraí-los das suas zonas de conforto e imperativamente vivê-las sobre os calores da paixão e do sangue unificados.

 

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As danças ao luar ao som de “A Blossom Fells”, de Nat “King” Cole; o “gigante crucificado”, o tributo de Martin Sheen a James Dean e as suas respectivas rebeldias sem causa; a frieza da violência para com os olhos de Kit; o desconhecido que reside no coração de Holly e os enredos paralelos que geram especulações (protagonizado pelo próprio Terrence Malick), são algumas das características desta obra deveras memorável, tanto como a mítica frase que ecoa nesta consanguinidade com o Sonho Americano: “I’ll kiss your ass if he don’t look like James Dean". Indescritível!   

 

Real.: Terrence Malick / Int.: Martin Sheen, Sissy Spacek, Warren Oates, Ramon Bieri, Gary Littlejohn, Terrence Malick

 

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Ver Também

The Tree of Life (2011)

To the Wonder (2012)

 

10/10

publicado por Hugo Gomes às 23:06
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20.4.14

Entre as "maravilhas" de Malick!

 

Preso ao seu estilo, Terrence Malick nos apresenta, segundo a critica, o seu "Blue Valentine", tudo devido à natureza do tema. Apenas concretizado um ano depois do seu muito ambicioso mas transversal Tree of Life (o que é um recorde, tendo em conta o próprio enigma que é Malick), o autor traz um quadro de decepção e procura por novos amores, onde o preenche com as habituais e belas sequências que acentuam a ligação forte entre Homem e Natureza. É uma simples história matrimonial, o "feliz para sempre" de qualquer modelar romance cinematográfico que sucessivamente dá lugar ao fim da mesma, a separação, e a busca dos variados elementos em desvanecer o vazio inerente.

 

 

Pegar Terrence Malick pelo seu estilo adquirido não é fácil e talvez de certa maneira ingrato, sendo este e talvez um dos relevantes aspectos da sua filmografia, a sua alma cinematográfica, o reduto da sua criatividade, contudo e popularmente falando "que é demais enjoa" e To the Wonder é basicamente isso, um regresso ao mesmo olhar, à mesma convicção e a mesma essência artística, o seu activo espírito esotérico. Com isto saliento que apesar de tudo a nova obra de Malick não deve ser encarada de maneira com uma obra menor, aliás quem dera a imensos cineastas ter a capacidade de reproduzir um filme destes a nível técnico, o problema de To the Wonder é apenas a sua limitação estética, estilística e narrativa que sucede ao cansaço rotineiro ao espectador que anseia por mais, mas sob uma nova vertente pelas mãos do misterioso realizador de The Thin Red Line.

 

 

Assim sendo, para o aficionado malickiano (acredito que um autor destes possui uma legião de acérrimos fãs) este é um filme a reter, não a sua melhor e mais entusiasmante obra mas algo que merece a dita veneração por entre filosofias e poesias citadas, mas para o resto dos cinéfilos, e tendo em conta que são conhecedores dos trabalhos de Malick, é um drama seco, pretensioso e artisticamente narcisista (aliás quando um autor não consegue sair do seu estilo tem tendência a converter a tal). Por fim temos a oportunidade de assistir a bonecos autómatos ao invés de personagens e um actor do calibre de Javier Bardem reduzido a tal.

 

"We wish to live inside the safety of the laws. We fear to choose. Jesus insists on choice. The one thing he condemns utterly is avoiding the choice. To choose is to commit yourself. And to commit yourself is to run the risk, is to run the risk of failure, the risk of sin, the risk of betrayal. But Jesus can deal with all of those. Forgiveness he never denies us. The man who makes a mistake can repent. But the man who hesitates, who does nothing, who buries his talent in the earth, with him he can do nothing."

 

Real.: Terrence Malick / Int.: Ben Affleck, Rachel McAdams, Olga Kurylenko, Javier Bardem

 

 

Ver Também

The Tree of Life (2011)

 

5/10

publicado por Hugo Gomes às 21:24
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7.6.11

1950, Odisseia da Vida!

 

Terrence Malick é um dos autores mais misteriosos da actual indústria cinematográfica, iniciou a sua carreira em 1969 com a curta Lanton Mills, e em 42 anos no activo ainda apenas conseguiu concluir 6 obras. Apesar de não se encontrar muito presente na indústria cinematográfica, Malick foi muitas vezes comparado com Stanley Kubrick, suas obras revelam em magistrais ensaios de sensibilidade e reflexão, sem contar com a indiscutível beleza dos seus planos. Tree of Life marca assim seis anos desde a sua última obra, New World, um recontar da história de Pocahontas com claras abordagens da colonização da América do Norte (muitas vezes chamado de Novo Mundo), no seu novo filme nos revela algo colossal em termos de mensagem, o tipo de filme que nas mãos erradas poderia servir apenas de panfleto evangélico.

 

 

Tree of Life é a visão de Malick para a odisseia da Vida, desde a sua criação até á sua predominância no Planeta Terra. É a tentativa de personificar a figura divina de Deus através da beleza natural do nosso Mundo como também aproveitando o lado negro desta, que nos remete a um Deus por vezes cruel e injusto. Nessa recolha de imagens temos algumas de teor tão belo que chegam a calar-nos putrefactos. Perante nós temos uma surpreendente colectânea de visuais espaciais de quasares, galáxias, estrelas e planetas, ao som de emotivo Lacrimosa. De seguida assistimos ao multiplicar da vida com exemplos perfeitos da diversidade da mesma, assistimos também raros momentos tais como a compaixão dos Dinossauros, que Terrence Malick não os representa como meras máquinas biológicas. Ao terminar esta epopeia de imagens que nos obsequeiam uma teoria cientifica sobre a origem das espécies (damos graças a um filme que invoca varias vezes Deus e que não nos fale de um visão criacionista como grande parte dos norte-americanos acreditam).

 

 

Não julgam que entraram por engano na sala de cinema e estão a assistir um documentário com o selo da BBC, não, tirando estes fabulosos minutos de implacável beleza e de pureza, temos um drama puramente malickianoTree of Life pode muito bem ser uma homenagem à vida e a dita personificação de Deus como já havia referido, mas por detrás dele temos a história de Jack (Hunter McCracken, desempenhado por Sean Penn na sua fase adulta), uma simples criança de uma típica família americana em plenos anos 50. Tree of Life é sobre a sua jornada de vida, desde os inocentes tempos em que dava os primeiros passos, mirando um mundo imaculadamente belo e perfeito até chegar a tempos sombrios onde a rebeldia da adolescência desperta nele sentimentos nunca antes sentidos.

 

 

Nessa narrativa que segue Jack como um álbum de recordações, sentimos em todo ele a impressão digital de Malick, que são obviamente a inserção dos pensamentos dos personagens que narram com emoção as situações filmadas, como também se revelam reflexões idênticas a citações extraídas de clássicos literários, quer pela sua riqueza verbal até a força que emanam. Claro que estes tipos artísticos de Malick, que de forma traduz o seu ADN modelar que tanto caracteriza os seus filmes, pode tornar em puro narcisismo de autor, para somente quem opina que as narrações múltiplas irritantes, as qualidade das imagens e a beleza dos desempenhos ofuscam por completo tal forma. 

 

 

Desempenhos esses, sem falhas, pertencentes a actores de nome como Brad Pitt (provando ser mais que uma simples vedeta) e Sean Penn (um pouco mal aproveitado) até às revelações do jovem Hunter McCracken e Jessica Chastain, esta ultima como uma interpretação tão inocente como bela. Tree of Life é uma experiência nunca vista numa sala de cinema, requisitando o abstracto para se expressar e a beleza para exprimir. Este é de facto o 2001: A Space Odyssey do novo milénio. Obra-prima, único, como só ele, o merecedor vencedor de Cannes.

 

"Nature only wants to please itself. Get others to please it too. Likes to lord it over them. To have its own way. It finds reasons to be unhappy when all the world is shining around it. And love is smiling through all things."

 

Real.: Terrence Malick / Int.: Brad Pitt, Jessica Chastain, Sean Penn, Hunter McCracken

 

 

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2001, A Space Odyssey (1968)

10/10

publicado por Hugo Gomes às 00:31
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The Tree of Life (2011)

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Uma das maiores surpresas do ano, mesmo sendo do W...
I bought Raytheon on this site, I do not know whet...
Muito ansioso, especialmente por ser do Wes Anders...
ou seja, uma bosta de comentario de quem nao enten...
Obrigado pelo reparo, corrigido ;)
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