Data
Título
Take
31.1.16

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Pelo quarto ano consecutivo, o Júri e o Público estiveram em concordância quanto ao Melhor Filme de Sundance, neste caso a escolha caiu em The Birth of Nation, o aplaudido filme do realizador / actor Nate Parker. Repescando o título da famosa obra de D.W. Griffith, para muitos o filme mais racista da História do Cinema, The Birth of Nation segue Nat Turner, um negro capaz de liderar a maior revolução esclavagistas dos EUA. Para além disso, esta obra resultou no maior negócio alguma vez feito no Festival de Sundance, tendo sido adquirido pela Fox Searchlight por 17,5 milhões de dólares, ultrapassando assim The Little Miss Sunshine que foi em 2006 vendido também para a Fox por 10,7 milhões de dólares.

 

Contudo, este não foi o único a ser unânime no júri e público, o documentário Sonita, de  Rokhsareh Ghaem Maghami, conseguiu também tamanha proeza. Uma co-produção iraniana, suíça e alemã que vai ao encontro da jovem Sonita, uma imigrante ilegal afegã que vive nos subúrbios da cidade de Teerão e que sonha ser a futura "Rihanna", porém, a família, ultra-conservadora, tem outros planos para a rapariga.

 

Destaque ainda para o prémio de Melhor Realização entregue à dupla Daniel Scheinart e Daniel Kwan, pelo seu Swiss Army Man, um filme protagonizado por Paul Dano e Daniel Radcliffe que não tem recolhido as melhores reacções por parte do público.

 

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Grande Prémio do Júri (Ficção / Drama)
The Birth of a Nation

 

Grande Prémio do Júri (Documentário)
Weiner

 

Prémio do Júri (World Cinema – Documentário)
Sonita

 

Prémio do Júri (World Cinema – Ficção / Drama)
Sand Storm

 

Prémio do Público (Documentário)
Jim: The James Foley Story

 

Prémio do Público (Ficção / Drama)
The Birth of a Nation

 

Prémio do Público (World Cinema – Documentário)
Sonita

 

Prémio do Público (World Cinema – Ficção / Drama)
Between Sea and Land

 

The Best of NEXT (Prémio do Público)
First Girl I Loved

 

Melhor Realizador (Documentário)
Roger Ross Williams, por Life, Animated

 

Melhor Realizador (Ficção / Drama)
The Daniels (Daniel Scheinart e Daniel Kwan), por Swiss Army Man

 

Melhor Realizador (World Cinema – Documentário)
All These Sleepless Nights

 

Melhor Realizador (World Cinema – Ficção / Drama)
Belgica

 

Melhor Argumento (Ficção / Drama)

Morris From America

 

Melhor Argumento (Documentário)

Kate Plays Christine

 

Melhor Argumento (World Cinema)

Mi Amiga del Parque

 

Prémio Especial de Júri (Documentário)

The Bad Kids

 

Prémio Especial de Júri (Ficção / Drama)

Miles Joris-Peyrafitte, por As You Are

 

Prémio Especial de Júri por Melhor Interpretação (Ficção / Drama)

Joe Seo, por Spa Night

 

Prémio Especial de Júri por Melhor Interpretação Individual (Ficção / Drama)

Melanie Lynskey, por The Intervention & Craig Robinson, por Morris from America

 

Prémio Alfred P. Sloan

El Abrazo de la Serpiente

 

Prémio Especial de Júri por Actuação (World Cinema - Ficção / Drama)

Vicky Hernandéz & Manolo Cruz, por Between Sea and Land

 

Prémio Especial de Júri por Visão Única e Design (World Cinema - Ficção / Drama)

The Lure

 

Prémio Especial de Júri para Melhor Primeiro Filme (World Cinema - Documentário)

When Two Worlds Collide

 

Prémio Especial de Júri para Melhor Fotografia (World Cinema - Documentário)

The Land of the Enlightened

 

Prémio Especial de Júri para Melhor Edição (World Cinema - Documentário)

We Are X

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:42
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27.1.16

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A curta-metragem de Jim Cummings, Thunder Road, tornou-se no grande vencedor da Competição de Curtas-Metragens do Festival de Sundance, a decorrer desde dia 21 de Janeiro no Park City. A produção norte-americana foi laureada com o Grande Prémio do Júri. No certame estavam inscritos mais de 72 curtas, que foram avaliadas por um júri composto pela crítica de cinema da MTV, Amy Nicholson, o comediante Key Keegan-Michael e Gina Kwon da Amazon.

 

 

Grande Prémio do Júri

Thunder Road

 

Prémio do Júri (Ficção EUA)

The Procedure

 

Prémio do Júri (Ficção Internacional)

Mom (s)

 

Prémio do Júri (Não Ficção)

Bacon & God Wrath

 

Prémio do Júri (Animação)

Edmond

 

Prémio Especial do Júri (Interpretação)

Grace Glowicki (Her Friend Adam)

 

Prémio Especial do Júri (Realização)

Peacock

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:17
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24.1.16

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A actriz portuguesa Kika Magalhães tem arrecadado elogios na imprensa norte-americana após o seu desempenho no filme The Eyes of My Mother, que foi apresentado na secção NEXT do Festival de Sundance.

 

Magalhães, que teve pequenas participações nas séries nacionais Morangos com Açúcar e Diário de Sofia, viajou para os EUA, há cerca de quatro anos atrás, em busca de uma carreira na área da representação. Num texto da agência Lusa, a actriz afirmava que ficaria satisfeita com meras duas linhas de diálogo em "peças baratas", mas a oportunidade de integrar o elenco de uma produção como a de The Eyes of My Mother, muito mais como protagonista e a competir em Sundance, estava para além dos seus sonhos.

 

Assinado por Nicolas Pesce, o filme, que foi rodado a preto e branco, remete-nos a uma inocente menina, Francisca, que vive com a sua mãe, uma ex-cirurgiã, e com o seu pai, numa quinta isolada num espaço não especifico. Certo dia, um estranho, aproveitando a ausência da entidade paternal, decide fazer uma visita e assim cometer um terrível crime.

 

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The Hollywood Reporter comparou o filme com as obras de Edgar Allan Poe e a The Playlist refere-o como uma possível proveniência dos psicopatas que cineastas orientais, como Takashi Miike e Kim Ki-Duk, veneram. Enquanto isso, a prestação de Kika Magalhães foi descrita como "intensa" pela THR, a Ioncinema caracterizou a actriz como "estrela emergente" e o site Roger Ebert descreveu, através de Brian Tallerico, como "muito eficaz".

 

The Eyes of My Mother é uma produção da Bordeline, empresa formada em 2003 pelos cineastas Antonio Campos (Afterschool), Sean Durkin (Martha Marcy May) e Josh Mond (James White). Segundo o site C7nema, o filme ainda não possui data de estreia em Portugal, mas prevê-se chegar ao nosso país através do festival Indielisboa.

 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:41
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23.1.16

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Foram precisos 8 filmes baseados em 7 livros da autoria de J.K. Rowling para colocar Daniel Radcliffe no "passeio da fama", porém, as obras que lhe atribuíram o sucesso que actualmente possui, são agora os responsáveis para o seu iminente fracasso. Parece que ninguém consegue esquecer o seu Harry Potter, apesar dos esforços do próprio Radcliffe em apostar em novos projectos, mantendo principalmente longe de grandes produções.

 

Depois dessa saga, o actor apenas arrecadou um êxito, o bem-sucedido filme de terror de James Watkins - A Woman in Black [ler crítica] - em 2012. De seguida viu-se envolvido em inúmeros "flops" que resultaram em autênticos fracassos de bilheteira como em obras mal recebidas quer pela crítica, como pelo público em geral. Recordamos que o seu último Victor Frankenstein, uma reinvenção do famoso conto de Mary Shelley, ao lado de James McAvoy, não resultou lá muito bem no box office norte-americano.

 

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Sabe-se agora que Daniel Radcliffe poderá juntar mais outro filme ao seu "baú de fracassos", pelos vistos é o que se entende, tendo em conta as primeiras reacções do Festival de Sundance (que decorre nos EUA desde a passada quinta-feira), onde foi projectado Swiss Army Man, uma obra de  Dan Kwan e Daniel Scheinert, o qual o actor protagoniza ao lado de Paul Dano e Mary Elizabeth Winstead.

 

O enredo segue uma personagem chamada de Hanks (Dano), um viajante que fica perdido e isolado numa ilha deserta. A certo dia,  depara-se, com um corpo na praia. Esse mesmo (interpretado pelo próprio Radcliffe), torna-se o seu "companheiro de viagens". Segundo consta, até à data as duas projecções desta fita foram marcadas pela saída de imensos espectadores que se sentiram ofendidos com as inúmeras sequências impostas pela obra. Entre as quais, destaca-se um beijo homo-erótico entre as duas personagens, e o facto do cadáver interpretado por Radcliffe manter constantemente uma erecção e produzir diversas ventosidades, para além das piadas feitas em torno desses odores nauseabundos.

 

A imprensa norte-americana apelidou Swiss Army Man como um filme recheado de "flatulência, necrofilia , e masturbação" ou “fart drama”, e a crítica especializada parece não ter ficado totalmente rendida com esta fórmula de comédia dramática.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:43
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22.1.16

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Depois do muito aclamado The Broken Circle Breakdown [ler crítica], o ensaio dramático que conectava religião e karma (conseguindo a proeza de obter uma nomeação ao Óscar), o cineasta belga Felix van Groeningen apresentou sua nova longa-metragem, Belgica, em território norte-americano. O filme, que antecederá a sua primeira experiência na indústria norte-americana ao filmar Beautiful Boy, foi a abertura da secção World Dramatic Competition (Cinema Mundial - Drama) do Festival de Sundance.

 

A história, que segundo o realizador tem inspiração nas vivências do seu pai, o qual geriu um pub e uma sala de concertos, centra em dois irmãos, que nada tem em comum que decidem abrir o seu próprio espaço, um bar. A fama começa então a invadir o estabelecimento, criando a si uma tensão e rivalidade entre os dois. Stef Aerts (Cub [ler crítica]) e Tom Vermeir (Rang 1) assumem o protagonismo desta fita que conta com banda-sonora composta pela dupla belga Soulwax [David e Stephen Dewaele], também conhecidos como os 2 Many DJs.

 

De momento a crítica norte-americana encontra-se dividida quanto à apreciação de Belgica. Curiosamente a The Hollywood Reporter, o apelidou de "A boisterous music-filled drama" [um drama recheado de música barulhenta].

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:51
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21.1.16

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Arrancou hoje, 21 de Janeiro, prolongando-se até dia 31, a 32ª edição do Festival de Cinema Independente de Sundance, aquele que deve ser considerado o primeiro grande festival do ano. Serão muitos os regressos, assim como as eventuais promessas a figurarem a selecção oficial desta tão badalada mostra de cinema independente de City Park, do estado do Utah (EUA). Entre as presenças contaremos com os vislumbres das novas obras de Kelly Rechardt (Certain Women), Rob Zombie (31), Kevin Smith (Yoga Hosers), Anne Fontaine (Agnus Dei), Asif Kapadia (Ali and Nino), Taika Waititi (Hunt For The Wilderpeople), Whit Stillman (Love and Friendship) e ainda o cineasta belga Felix Van Groeningen (Belgica).

 

O Cinematograficamente Falando … irá acompanhar o decorrer deste festival durante os próximos dias.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:12
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7.12.15

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Em Estado de Guerra!

 

"Nós sabemos o mal que isto faz a vocês. Mas somos pobres", justifica um membro de um cartel de droga a Matthew Heineman nos primeiros momentos deste Cartel Land (Terra de Cartéis). Esta tentativa de "branquear" os actos que praticam poderá levar nestes precisos segundos a inúmeros espectadores a torcer pelo seu lado, como se a pobreza fosse automaticamente sinónimo de sobrevivência, e esta como uma via amoral para visíveis soluções.

 

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Mas Heineman, que actua aqui como operador de câmara (cuja coragem será mais tarde evidenciada) e realizador, não se encontra interessado em esboçar lados imbatíveis, ou construir desde a raiz um documentário de propaganda maniqueísta, ao invés disso aposta numa longa "batata quente", narrando acontecimentos paralelos nas fronteiras do México, cujo único propósito é a luta aos cartéis. Sim, a desses homens que inicialmente proclamavam a sua pobreza como inibidor de culpa.

 

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Cartel Land funciona ainda como uma espécie de cinema de guerrilha, cuja verdadeira rebelião encontra-se no seu protagonista, Heineman, que tenta revelar factos que muitos apenas conhecem da romantização cinematográfica. Mas mesmo filmando o real, o nosso realizador não deixa de ser poético visualmente. Um desses exemplos é nos momentos que sucedem o primeiro encontro com os traficantes, aqui sob as imagens da fronteira intercaladas com um discurso obviamente maniqueísta, mas citado com uma emoção credível por um vigilante americano decidido a combater e patrulhar os carteis com as suas próprias armas. A linguagem determina o bem e o mal segundo este "vingador", mas Cartel Land faz destas palavras não as suas, partido logo para outra acção: a sul do México, mais precisamente na região de Michoacán, onde um grupo de populares formam uma força de autodefesa para também eles expulsarem este "cancro".

 

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Heineman consegue nas mais variadas histórias glorificá-las e ao mesmo tempo humilhá-las, perante a ambiguidade desta luta, funcionando assim também como uma crítica politica ácida, envergada somente pela citação dos seus atores. Para além disso, o realizador tem o dom de depositar nesses momentos uma carga dramática dignamente cinematográfica, essa mesma ênfase que porventura funcionará como um manipulador emocional e um embelezamento da violência por si retratada. Cartel Land é assim um documentário sem medo da aproximação, e obviamente sem receio do grafismo e do explicito; é uma realidade injectada no ecrã com o realizador presente nas situações-limite.

 

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Contudo, o único grande defeito deste documentário é que em momento algum tenta transcender as suas fronteiras, ou seja, as acusações politicas permanecem bem internas, neste caso, dentro do território mexicano, sem nunca apontar o dedo noutra direcção. Uma direcção que, por exemplo, Sicario [ler crítica], o filme de Denis Villeneuve sobre o narcotráfico, seguiu pujantemente. Em nota de curiosidade, Kathryn Bigelow, a realizadora de o oscarizado The Hurt Locker [ler crítica] e Zero Dark Thirty [ler crítica], encontra-se creditada na produção executiva, sendo facilmente identificável neste Cartel Land os atributos que a fascinaram.

 

Real.: Matthew Heineman / Int.: Jose Mireles, Tim “Nailer” Foley

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 22:06
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18.5.15

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Repousa soldado, a tua hora chegou!

 

Um funeral de luzes, Apichatpong Weerasethakul regressa a Cannes com uma experiência visual puramente artesanal, esboçando uma Tailândia em plena reconstrução e em eterna ligação com o seu misticismo. Cemetery of Splendor evidencia-nos um retorno do cineasta ao estilo do seu O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores (vencedor da Palma de Ouro em 2010), cuja coexistência entre a realidade e o mundo fantástico de cariz mítico é de tal forma desarmante como natural. Neste seu registo do sobrenatural, Weerasethakul aproveita tal essência para incutir todo um conjunto de "what if", usufruindo de jogos de faz de conta para emanar a magia desta imaginação acorrentada por um medo social e politico. 

 

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Nesse sentido, Cemetery of Splendor revela-se num conto anti-militarista, tecendo sonhos perdidos e decepções destes militares "zombies", aprisionados num sono inacabado e ao mesmo tempo requisitados para defrontar batalhas que são tudo menos as suas. "Não há futuro no exército", revela-nos uma das personagens que de seguida salienta a futilidade que as próprias forças-armadas adquiriram na sociedade tailandesa. Porém, a mensagem poderá passar despercebida, visto que Apichatpong Weerasethakul faz um filme à sua maneira, sob uma solitude constante e com planos apenas para perdurar o seu olhar enquanto artista visualmente criativo, alguns dos quais verdadeiramente desnecessários e que pouco ou nada acrescentam à narrativa.

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Mas o seu mundo continua a ser convidativo, imaginativo e, sobretudo, guiado por um vórtice de estranheza. São deuses sob a forma humana, luzes funerárias que transmitem os sonhos dos seus "soldados caídos", um palácio imaginário algures numa trágica floresta e videntes ao serviço da nação: uma fantasia aberta para todos mas inerententemente "exquisite", isto vindo de um autor que continua, e muito, a deslumbrar uma comunidade cinéfila com as suas imagens harmoniosas e fantasmagóricas. Por fim, termina-se com "o desejo do Paraíso guia-nos ao Inferno". Citação que se encontra numa das placas deste Cemitério de Esplendores.

 

Filme visualizado na secção Un Certain Regard da 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Apichatpong Weerasethakul / Int.: Banlop Lomnoi, Jenjira Pongpas, Jarinpattra Rueangram

 

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Ver Também

Uncle Boonmee Who Recall His Past Lives (2010)

7/10

publicado por Hugo Gomes às 13:51
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15.5.15

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Os complexos amorosos da lagosta!

 

Não há mal nenhum em estranhar, até porque essa parece ser a atitude certa para uma obra como este The Lobster (A Lagosta), a nova criação do cineasta grego Yorgos Lanthimos, que se dispõe como uma fria sátira do quão burocráticos se tornaram os compromissos afectivos e a relevância impar que o estatuto social adquiriu na nossa sociedade. Obviamente, em toda essa crítica, na forma de uma prolongada metáfora distópica, o bizarro faz definitivamente parte da experiência, sendo incutido um surrealismo e um non sense nos desempenhos, todos eles aludindo a um alvo social, ou, neste caso, a um conjunto deles.

 

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A mente por trás do bizarro Canino, essa hipérbole da distorção social perpetrada pelos sistemas totalitaristas, tem ao seu dispor um elenco internacional que conta com as presenças de Colin Farrell, Rachel Weisz, Lea Seydoux e até Ben Whishaw. Apesar disso, Lanthimos não arredou o pé quanto à sua excentricidade e revelou-se um arquitecto niilista, onde um mundo não identificável é a sua maior obra de arte. Neste mundo ser solteiro é um crime, uma marginalidade onde os recém-solteiros apenas possuem um de dois objectivos da vida: ou arranjam um par, ou transformam-se num animal. Um pouco com Huxley e o seu Admirável Mundo Novo, aqui encontramos uma sociedade que coloca o sexo como o tópico mais natural e trivial de sempre, e nele reside a grande combustão para o quotidiano de qualquer um.

 

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Dividido em dois actos evidentes, The Lobster tenta colidir com os dois lados da mesma moeda. Em consequência disso, é dada uma profundidade, apesar de não parecer, a essa mesma distopia. Lanthimos contraiu uma linguagem influenciada pelo cinema inibido norte-americano, como o de Wes Anderson, tão presente nos desempenhos e personagens caricatas, assim como os diálogos que estão algures entre o delicioso e o surreal. Sim, eis uma viagem pelo sobrenatural das distopias, uma complexa crítica à essência sexual humana que, como animal monogâmico ou simplesmente solitário, define a sua estrutura social e matrimonial. Já os animais, mais que um dispositivo narrativo, comportam-se aqui como signos, como a própria lagosta, que possui um papel fundamental e simbólico.

 

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Nisto, muitas ideias poderão ser retiradas daqui, visto que Lanthimos dá espaço para ambiguidades e paradoxos. Porém, gosto de pensar como Orson Welles: "Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos". Tal citação enquadra-se na perfeição na sequência final, sugestivamente dolorosa mas que sublinha com acidez o seu ponto de vista.

 

Filme visualizado na 68ª edição do Festival de Cannes

 

Real.: Yorgos Lanthimos / Int.: Colin Farrell, Rachel Weisz, Lea Seydoux, Ben Whishaw, John C. Reilly, Jessica Barden, Michael Smiley

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 12:59
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1.2.15

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Um drama liceal conseguiu concretizar num terceiro ano consecutivo a concordância entre o júri e o público no 31º Festival Internacional de Cinema Independente do Sundance. Trata-se e Me & Earl & The Dying Girl, do cineasta mexicano Alfonso Gomez-Rejon, um filme protagonizado pelos actores Thomas Mann, R.J. Cyler e Connie Britton, que narra a história de um rapaz que se torna amigo de um colega de turma que sofre de cancro, sucedendo assim Fruitvale Station e Whiplash, também detentores de tal fenómeno.

 

Grande Prémio de Júri

Me & Earl & The Dying Girl

 

Prémio de Público

Me & Earl & The Dying Girl

 

Prémio Documentário

The Wolfpack

 

Grande Prémio de Júri (World Cinema)

Slow West

 

Prémio Especial de Júri (Edição)

Dope

 

Prémio Especial de Júri (Fotografia)

The Diary of a Teenage Girl

 

Prémio de Júri para Documentário (World Cinema)

The Russian Woodpecker

 

Prémio de Público (World Cinema)

Umrika

 

Prémio de Público para Documentário (EUA)

Meru

 

Prémio Público para Documentário (World Cinema)

Dark Horse

 

Melhor Realização em Documentário (EUA)
Cartel Land

 

Melhor Realização (USA)

The Witch

 

Melhor Realização em Documentário (World Cinema)

Dreamcatcher

 

Melhor Realização (World Cinema)

The Summer of Sangaile

 

Melhor Argumento (Prémio Walldo Scott)

The Stanford Prison

 

Prémio Impacto Social - Documentário (EUA)

3 1/2 Minutes

 

Prémio Impacto - Documentário (World Cinema)

Pervert Park

 

Melhor Edição para Documentário (World Cinema)

How to Change the World

 

Melhor Elenco (World Cinema)

Grassland / The Second Mother

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:36
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24.1.15

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Foi revelado o primeiro teaser trailer de Knock Knock, o mais recente filme de Eli Roth (Hostel) que se encontra a ser apresentado no presente Festival de Sundance, na famosa secção da "meia noite". O enredo segue uma fantasia dita masculina que se transforma num autêntico pesadelo, quando duas belas raparigas, a fim de protegerem de um temporal, pedem auxilio a um homem casado. Knock Knock é protagonizado por Keanu Reeves (Matrix, John Wick) e conta ainda no elenco com Lorenza Izzo, Ana De Armas, Aaron Burns, Ignacia Allamand e Colleen Camp.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:03
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27.1.14

 

Vencedor do Prémio de Melhor Realizador no Festival do Sundance, Cutter Hodierne transporta o espectador ao universo dos piratas da Somália em Fishing Without Nets, que tem como protagonista o jovem marido e pai Abdi que, para conseguir sustentar a sua família, converte-se à pirataria. Inicialmente produzido como uma homónima curta, que venceu em 2012 o Prémio de Júri de Melhor Curta-Metragem no Sundance (em Portugal foi exibido na digressão Future Shorts em Março de 2013) em Fishing Without Nets somos remetidos aos ideais e aos factores que levam humildes habitantes das pobres cidades costeiras da Somália a tornarem-se em tais criminosos marítimos. Tudo isto sob uma narrativa que consolida a ficção com a veia documental. Fishing Without Nets de Cutter Hodierne não possui de momento estreia prevista no circuito comercial dos EUA. 

 

 

 

Ver Também

Fishing Without Nets (2010)


publicado por Hugo Gomes às 00:15
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26.1.14

 

O drama escrito e realizado por Damien Chazelle, Whiplash, venceu o Grande Prémio de Júri e de Público do Festival de Sundance (que iniciou em 16 de Janeiro e terminou a dia 26), algo semelhante do que havia sucedido no ano passado onde Fruitvale Station de Ryan Coogler conquistou ambos, júri e público. Whiplash, que se concentra na história de um jovem músico (Miles Teller) que sonha em torna-se num profissional baterista de jazz (baseado na própria experiência do realizador de 28 anos), esteve quase para não existir em consequência da falta de recursos. Segundo Damien Chazelle, ninguém encontrava-se interessado em financiar um filme sobre um baterista de jazz. Porém a produção perante tal cenário não baixou os braços, conseguindo assim concretizar uma obra com poucos meios e integra-lo no Sundance, onde foi o elegido para abrir o festival. Desde então tem sido recebido por uma calorosa aclamação quer pelo público, quer pelo júri. Os seus direito já foram comprados pela Sony.  

 

 

Grande Prémio do Júri (Drama)

Whiplash

 

Grande Prémio do Júri (Documentário)

Rich Hill

 

Prémio do Júri (Cinema Mundial - Drama)

To Kill a Man

 

Prémio do Júri (Cinema Mundial - Documentário)

Return to Homs

 

Prémio do Público (Drama)

Whiplash

 

Prémio do Público (Documentário)

Alive Inside: A Story of Music & Memory

  

Prémio do Público (Cinema Mundial – Drama)

Difret

 

Prémio do Público (Cinema Mundial – Documentário)

The Green Prince

 

Prémio do Público (Next)

Imperial Dreams

 

Melhor Realizador (Drama)

Cutter Hodierne (Fishing Without Nets)

 

Melhor Realizador (Documentário)

Ben Cotner & Ryan White (The Case Against 8)

 

Melhor Realizador (Cinema Mundial – Drama)

Sophie Hyde (52 Tuesdays)

 

Melhor Realizador (Cinema Mundial -Documentário)

Iain Forsyth & Jane Pollard (20,000 Days on Earth)

 

Melhor Argumento (Prémio Walldo Scott)

Lake Bell, "In a World"

 

Melhor Argumento (Cinema Mundial)

The Skeleton Twins

 

Melhor Edição (Documentário)

Watchers of the Sky

 

Melhor Edição (Cinema Mundial – Documentário)

20,000 Days on Earth

 

Excelência em Cinematografia (Drama)

Low Down

 

Excelência em Cinematografia (Documentário)

E-TEAM

 

Excelência em Cinematografia (Cinema Mundial -Drama)

Lilting

 

Excelência em Cinematografia (Cinema Mundial -Documentário)

Happiness

 

Prémio Especial do Júri (Obra em Estreia)

Dear White People

 

Prémio Especial do Júri (Banda Sonora)

Kumiko, the Treasure Hunter

 

Prémio Especial do Júri (Filmagens Intuitivas)

The Overnighters

 

Prémio Especial do Júri (Por uso da animação)

Watchers of the Sky

 

Prémio Especial do Júri (Elenco)

God Help the Girl

 

Prémio Especial do Júri (Bravura no cinema)

We Come as Friends

 

Prémio Alfred P. Sloan

Origins

 

Prémio do Público Melhor curta-metragem

Of God and Dogs 

 


publicado por Hugo Gomes às 23:13
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21.1.14

 

The Better Angels do estreante realizador / argumentista A. J. Edwards, é uma produção de Terence Mallick (Tree of Life, Thin Red Line) que aborda a juventude o anterior presidente dos EUA, Abraham Lincoln, e dos factores que o moldaram como o homem pelo qual é mundialmente relembrado. A fita que conta com as participações de Jason Clarke, Diane Kruger e Wes Bentley foi apresentado no Festival de Sundance no passado Sábado e tem no geral arrecadado uma boa recepção. A sua próxima paragem será o Festival Internacional de Cinema de Belim em Fevereiro.  

 


publicado por Hugo Gomes às 22:40
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20.1.14

 

Há um filme que está a fazer furor na actual edição do Festival do Sundance. Chama-se Boyhood e remete-nos às crónicas de um rapaz desde os 6 anos até ao fim da sua adolescência. Algo que no papel soa perfeitamente banal e revisto, porém esta nova obra de Richard Linklater (Before Midnight) esconde um pormenor a nível produtivo. É que Boyhood demorou sensivelmente 12 anos a ser rodado, durante todo esse tempo o realizador manteve e acompanhou o mesmo elenco até ao fim, garantindo assim um documento único que visa o crescimento e amadurecimento dos seus personagens (e dos seus actores), tudo isto resumido num processo demoroso e paciente. Depois do Sundance, a próxima paragem é o Festival de Cinema Internacional de Berlim em Fevereiro. Em Boyhood poderemos contar com as participações dos actores Ellar Coltrane (Fast Food Nation), Ethan Hawke (Before Midnight) e Patricia Arquette (Lost Highway, Stigmata). 

 

 


publicado por Hugo Gomes às 23:57
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9.1.14

 

The Better Angels marca a estreia do realizador e argumentista A. J. Edwards que havia trabalhado antes como editor em filmes como New World e To the Wonder, ambos de Terrence Malick que aliás encontra-se na produção deste projecto. A fita que marcará estreia na próxima edição do Festival de Cinema de Sundance nos remete à juventude de Abraham Lincoln, o decimo presidente dos EUA e um dos homens cruciais para o desfecho da guerra civil norte-americana, uma viagem aos momentos que o moldaram e que tornaram-no no homem pelo qual foi eternizado. Jason Clarke, Diane Kruger, Brit Marling, Wes Bentley, Braydon Denney e Cameron Mitchell Williams completam o elenco. Para além do Sundance, The Better Angels marcará presença no Festival Internacional de Cinema de Berlim.

 

 


publicado por Hugo Gomes às 02:05
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