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3.11.17

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O Porto/Post/Doc regressará já no final deste mês - entre 27 de Novembro a 3 de Dezembro - para uma quarta edição. O Festival portuense dedicado especialmente ao documentário tem crescido bastante em tão pouco tempo de vida, tornando-se nos dias de hoje uma dos mais relevantes mostras de Cinema do país.

 

Contudo, apesar do “especial foco” no género documental e todas vias que diluem com essas realidades, o Porto/Post/Doc abrirá com a antestreia da tão esperada obra de Sofia Coppola, The Beguiled. Uma diferente perspectiva do clássico de Don Siegel que reuniu os actores Clint Eastwood e Geraldine Page, onde um soldado da união encontra abrigo no seio de mulheres sulistas, garantiu o prémio de Realização à realizadora durante a sua apresentação em Cannes. Nicole Kidman, Kirsten Dunst e Colin Farrell compõem o elenco deste atmosférico thriller no feminino. Este pedaço de ficção abrirá portas para a secção Highlights, recheado de obras diversificadas dedicadas a um público mais alargado. A sequela de Uma Verdade Inconveniente, o muito audaz 120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo (vencedor do Prémio Especial de Júri do Festival de Cannes), e Lucky, o derradeiro desempenho de Harry Dean Stanton, prometem fazer a delícias dos espectadores cinéfilos.

 

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Em destaque estará o Foco Miroslav Janek, com a projecção de duas obras incontornáveis da carreira de Janek, um cineasta checo com principal aptidão para a sensibilidade, o escutar dos menos privilegiados, dando assim voz às suas causas e emoções. Teremos ainda o ciclo Peter Muller Expanded, centrado na obra do realizador suíço-canadiano. Com apoio da Swiss Films, serão exibidos quatro trabalhos de Muller, filmes com principal aptidão para questões existenciais dos tempos modernos, em contraste com a natureza tribal que nos tornam nós, humanos, em seres comunitários de devidas exigências.

 

André Santos e Marco Leão, possivelmente, serão uma das duplas mais promissoras e fascinantes do nosso cinema. Na secção Intimidades, o Porto/Post/Doc convida o espectador a conhecer o que os une, a película entrelaçada nas suas vivências que se configura em enredos cinematográficos com cariz experimental e intimista. Outro convite irrecusável é a retrospectiva dedicada ao cinema-verdade de Jean Rouch, com cópias restauradas de forma a comemorar, da melhor maneira, o centésimo aniversário do seu nascimento.

 

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A Competição Internacional trará 12 filmes de produção recente, contando com a presença do muito elogiado Dragonfly Eyes (Olhos de Libélula), de Xu Bing (vencedor do Prémio FIPRESCI no último Festival de Locarno) e Era Uma Vez Brasília, de Adirley Queirós (realizador de Branco Sai, Preto Fica), que fora o filme de encerramento do Doclisboa. Para terminar, a intitulada Competição Cinema Novo, composto por 9 de filmes de universidades e politécnicos portugueses, ou de estudantes portugueses a estudar no estrangeiro, e a menção do documentário sobre rap portuense Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes, de Catarina David e Francisco Noronha.

 

O 4º Porto/Post/Doc decorrerá no Teatro Municipal do Porto – Rivoli, Faculdade de Belas Artes U.Porto, Cinema Passos Manuel e Maus Hábitos. Toda a programação, poderá ser vista aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:50
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24.5.17

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Os Rituais da Guerra dos Sexos!

 

O que realmente falta a este novo cinema americano, é a sua destreza na provocação, é a escapatória dos moldes implantados pela indústria, mesmo que, no caso de Sofia Coppola, ela represente uma espécie de outsider do badalado cinema mercantil. The Beguilled é a quinta longa-metragem da filha do lendário realizador de The Godfather e Apocalypse Now, uma aventurosa que tem vindo a emancipar-se da sombra do seu pai e desta forma difundir a sua voz no legado cinematográfico de Hollywood.

 

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A conquista desta feita é um filme de 1971 de Don Siegel, protagonizado por Clint Eastwood, decorrida numa América mergulhada na sua Guerra Civil, onde um soldado da união, ferido, é acolhido e tratado por uma jovem rapariga sulista numa escola feminina. A referida obra espelhava uma guerra que se travava a metros do cenário da acção, uma casa onde se debatia dois lados ideológicos, assim como dois géneros em plena dominância. Contudo, bem verdade, que a versão de 1971 adquirir um rígido tom masculino, um filme sobre uma violência invisível que nos levaria, a certo ponto, à demonização da própria mulher. É aí que Sofia Coppola tem as armas perfeitas para expor a sua visão enquanto mulher. Notavelmente verificamos essa perspectiva por uma câmera focada nesta comunidade de “amazonas”, mulheres restringidas ao seu refúgio enquanto homens combatem as suas políticas. Averiguamos que o sexo masculino, por mais diferente seja a farda, continua, no seu fundo, como um ser de ambições dominantes, um verdadeiro elemento alfa em construção. Os dois filmes dialogam um com o outro nesse sentido. Porém, a versão de Coppola sai a perder num determinado ponto, é demasiado anorético.

 

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Uma hora e meia é pura velocidade, o espectador nunca consegue ter a noção de espaço nem de tempo do filme, nunca chegamos a conhecer verdadeiramente estas personagens (e aqui não se trata de mistério, é mesmo falta de ligação) e nota-se, verdadeiramente, um senso cosido do politicamente correcto. É um filme inofensivo que se quer fazer grande, mas que esquece do ainda mais óbvio, de emanar a sua própria ideologia, a capacidade de estabelecer um clima de conflito, quer interior, quer exterior. Sofia Coppola torna-se incapaz de tal coisa e o mesmo se aplica à sua relação com a violência. Os actos cometidos poderiam ter o mesmo conteúdo que uma banal conversa de café, não se vive, não se sente, não se respira, é pura automatização (ainda há quem acuse de Tarantino ter tornado tal num gesto confundível a quotidianos).

 

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Contudo, Coppola significa estética, a fotografia trabalhada e agradavelmente primitiva, a luz das velas que aquecem a mais densa escuridão (The Beguiled encontra-se no mesmo território que um Barry Lyndon), os bosques que não são mais que fronteiras para uma Guerra a acontecer longe, os canhões ouvem-se constantemente. Nesse sentido, entramos noutro atributo de The Beguiled, o som. O eco que intrusa nos diálogos das personagens, assim como os passos ocasionais que nos atribuem um plano sugestivo de espaço sonoro (pena que ela não consolide isso com a narrativa). The Beguiled é isso mesmo, uma produção construída sob adereços, sob cores e ruídos, mas o vazio acaba por reinar nesta guerra entre sexos. É pena, porque o filme de ’71 precisava do seu sexo oposto, com igual capacidade para transgredir. Longe do memorável.

 

Filme visualizado no 70o Festival de Cannes

 

Real.: Sofia Coppola / Int.: Kirsten Dunst, Nicole Kidman, Elle Fanning, Colin Farrell

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 16:27
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26.11.16

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Arranca hoje, a 3ª edição do Porto/Post/Doc, um Festival dedicado ao documentário que tem adquirido uma dimensão global em tão pouco tempo de longevidade. Esta nova programação focará primeiramente uma retrospectiva dedicada à Sensory Ethnography Lab, da Universidade de Harvard, um dos laboratórios de documentários mais entusiasmantes da última década, assim como o Cinema da cineasta checa Jana Ševcíková, devota a explorar comunidades esquecidas na Europa do Leste.

 

Eryk Rocha, um dos mais reconhecidos documentaristas brasileiros, estará integrado na programação com especial foco. Serão nove obras as serem apresentadas, incluindo o seu premiado Cinema Novo (vencedor do Prémio Golden Eye no Festival de Cannes de 2016), que abrirá o ciclo.  

 

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A Competição trará 13 filmes de produção recente, contando com as presenças de filmes como Ama-san, de Cláudia Varejão, sobre uma comunidade de "sereias japonesas", vencedor do Prémio de Melhor Documentário da Competição Nacional do Doclisboa'16. El Dorado XXI, de Salomé Lamas, um intimo olhar à cidade mineira de La Rinconada (a mais alta do mundo). O épico de luxúria social, Bangkok Nites, de Katsuya Tomita, Mimosas, de Oliver Laxe, vencedor da Semana da Crítica de Cannes, uma peregrinação de um sheik moribundo, e ainda Tarrafal, de Pedro Neves.

 

O 3º Porto/Post/Doc decorrerá entre 26 de Novembro até 4 de Dezembro, no Teatro Municipal Rivoli, Passos Manuel e Maus Hábitos. Toda a programação, poderá ser vista aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 14:08
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8.12.15

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Behemoth, de Zhao Liang, vence o Grande Prémio Porto/Post/Doc nesta segunda edição do festival de documentário da cidade do Porto.

 

O júri composto pela programadora do Doclisboa, Cíntia Gil, pelos produtores Beli Martinez e Sandro Florin, jornalista Carmen Gray e pela fotógrafa Inês d’Orey consideraram a obra do realizador chinês, a rotina dos trabalhadores de uma produtora de aço numa China Contemporânea, no melhor da competição. Behemoth ainda recebeu o prémio Teenage.  

 

O francês Exotica, Erotica, Etc., de Evangelia Kranioti fica-se pela menção honrosa e Teboho Edkins é consagrado com o Prémio Biberstein Gusmão, destinado a novos cineastas, pelo seu trabalho em Coming of Age.

 

 

 

Grande Prémio Porto/Post/Doc

Behemoth

 

Menção Honrosa

Exotica, Erotica, Etc.

 

Prémio Biberstein Gusmão

Coming of Age

 

Prémio Teenage

Behemoth

 

 

Ver também

Começa hoje o Porto / Post / Doc 2015!

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:29
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7.12.15

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Em Estado de Guerra!

 

"Nós sabemos o mal que isto faz a vocês. Mas somos pobres", justifica um membro de um cartel de droga a Matthew Heineman nos primeiros momentos deste Cartel Land (Terra de Cartéis). Esta tentativa de "branquear" os actos que praticam poderá levar nestes precisos segundos a inúmeros espectadores a torcer pelo seu lado, como se a pobreza fosse automaticamente sinónimo de sobrevivência, e esta como uma via amoral para visíveis soluções.

 

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Mas Heineman, que actua aqui como operador de câmara (cuja coragem será mais tarde evidenciada) e realizador, não se encontra interessado em esboçar lados imbatíveis, ou construir desde a raiz um documentário de propaganda maniqueísta, ao invés disso aposta numa longa "batata quente", narrando acontecimentos paralelos nas fronteiras do México, cujo único propósito é a luta aos cartéis. Sim, a desses homens que inicialmente proclamavam a sua pobreza como inibidor de culpa.

 

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Cartel Land funciona ainda como uma espécie de cinema de guerrilha, cuja verdadeira rebelião encontra-se no seu protagonista, Heineman, que tenta revelar factos que muitos apenas conhecem da romantização cinematográfica. Mas mesmo filmando o real, o nosso realizador não deixa de ser poético visualmente. Um desses exemplos é nos momentos que sucedem o primeiro encontro com os traficantes, aqui sob as imagens da fronteira intercaladas com um discurso obviamente maniqueísta, mas citado com uma emoção credível por um vigilante americano decidido a combater e patrulhar os carteis com as suas próprias armas. A linguagem determina o bem e o mal segundo este "vingador", mas Cartel Land faz destas palavras não as suas, partido logo para outra acção: a sul do México, mais precisamente na região de Michoacán, onde um grupo de populares formam uma força de autodefesa para também eles expulsarem este "cancro".

 

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Heineman consegue nas mais variadas histórias glorificá-las e ao mesmo tempo humilhá-las, perante a ambiguidade desta luta, funcionando assim também como uma crítica politica ácida, envergada somente pela citação dos seus atores. Para além disso, o realizador tem o dom de depositar nesses momentos uma carga dramática dignamente cinematográfica, essa mesma ênfase que porventura funcionará como um manipulador emocional e um embelezamento da violência por si retratada. Cartel Land é assim um documentário sem medo da aproximação, e obviamente sem receio do grafismo e do explicito; é uma realidade injectada no ecrã com o realizador presente nas situações-limite.

 

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Contudo, o único grande defeito deste documentário é que em momento algum tenta transcender as suas fronteiras, ou seja, as acusações politicas permanecem bem internas, neste caso, dentro do território mexicano, sem nunca apontar o dedo noutra direcção. Uma direcção que, por exemplo, Sicario [ler crítica], o filme de Denis Villeneuve sobre o narcotráfico, seguiu pujantemente. Em nota de curiosidade, Kathryn Bigelow, a realizadora de o oscarizado The Hurt Locker [ler crítica] e Zero Dark Thirty [ler crítica], encontra-se creditada na produção executiva, sendo facilmente identificável neste Cartel Land os atributos que a fascinaram.

 

Real.: Matthew Heineman / Int.: Jose Mireles, Tim “Nailer” Foley

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 22:06
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1.12.15

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Arrancou hoje (1 de Dezembro), prolongando-se até dia 8, a segunda edição do Porto / Post / Doc, uma mostra de documentários que irá decorrer na cidade do Porto no Rivoli Teatro Municipal, no Passos Manuel e no espaço de intervenção cultural Maus Hábitos.

 

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Serão no total mais de 66 obras correspondentes a 26 países, entre os quais 11 delas são estreias mundiais. Na edição deste ano destaca-se a homenagem à falecida cineasta Chantal Akerman, o qual será projectado o seu último filme, No Home Movie [ler crítica], o Foco Thom Anderson, que nos remeterá à obra de uma mais misteriosos cineastas norte-americanos, a novíssima secção Teenage, que segundo a organização são "filmes feitos por teenagers, para teenagers ou sobre teenagers", e por fins as secções de Cinema Falado e Transmission, que liga tesa uma ligação entre as imagens e a música.

 

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Na competição poderemos ainda encontrar os novos filmes de Serge Loznitsa (The Event), João Canijo (Portugal - Um Dia de Cada Vez) e Zhao Liang (Behemoth). Vale ainda a pena salientar as presenças dos muitos badalados Cartel Land (Terra de Carteis), Toca do Lobo, de Catarina Mourão, e  Exotica, Erotica, Etc.

 

Mais sobre a programação, ver aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:47
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13.12.14

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Letters to Max, de Éric Baudelaire, foi premiado com o Grande Prémio na primeira edição do Porto / Post / Doc, que termina amanhã, dia 8 de Dezembro na cidade do Porto, mais precisamente no Rivoli Teatro Municipal, no Passos Manuel e no espaço de intervenção cultural Maus Hábitos. O filme que já havia sido distinguido no último Doclisboa com o Prémio Especial de Júri, foi o favorito de um júri composto por Isabel Nogueira, Mark Peranson, Jean-Pierre Rehm, Niklas Engström e André Cepeda, que ainda atribuíram a menção honrosa a João Bénard da Costa: Outros Amarão as Coisas que eu Amei, de Manuel Mozos, também ele presente no último Doclisboa e Storm Children – Book One, do filipino Lav Diaz.

 

Outras distinção atribuída no Porto / Post / Doc foi a de Novos Cineastas, a escolha caiu à suíça Nicole Vögele, pelo seu trabalho em Nebel, e quanto à menção honrosa - Muhammad Ali Atassi e Ziad Homsi por Our Terrible Country.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:47
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