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19.7.17

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O chileno “psico-mago” Alejandro Jodorowsky e o veterano produtor e realizador Roger Corman serão os homenageados da 11ª edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, a decorrer entre 5 a 10 Setembro.

 

Espera-se a presenças de ambos no decorrer do Festival, porém, recordamos que Corman havia sido anunciado como “homenageado do MOTELx” na edição passada, cuja vinda foi cancelada devido a problemas de saúde.  O mesmo se pode dizer sobre o chileno surrealista, cuja visita a Lisboa (no âmbito da anterior Mostra da América Latina) também fora cancelada por iguais motivos.

 

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Porém, falando em homenageados, a organização anunciou que irá preparar um tributo a George A. Romero, falecido recentemente, na programação deste ano. Nota-se que o “mestre dos mortos-vivos” esteve presente no MOTELx em 2010, e segundo a equipa do festival “foi a sessão de autógrafos mais longa em 11 anos de evento”.

 

O regresso do MOTELx irá assumir-se como o mais ambicioso até à data, cerca de 14 sessões diárias e mais de 100 filmes inserido numa programação sem precedentes, tendo em conta as palavras dos organizadores durante a conferência de imprensa.

 

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Para além dos habituais Warm-ups (sessões pré-festival), o infanto-juvenil Lobo Mau, os Prémios MOTELx (Melhor Curta de Terror Portuguesa, Yorn Microcurtas), o 11º MOTELx tem como principal novidade a associação com o Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017. No âmbito desta colaboração cultural, seremos presenteados com sessões especiais dedicadas a Jean Garrett, um dos nomes incontornáveis do cinema exploitation brasileiro dos anos 70, e ainda, o “desenterrar” de duas produções ibéricas, raras, que de certa forma tentaram preencher o vazio do fantástico no cinema português nos anos 70.

 

A mostra lisboeta de cinema de terror terá lugar no Cinema São Jorge, Teatro Tivoli BBVA, Cinemateca Portuguesa e Júnior, Rua da Moeda, Museu do Berardo, Lounge e Largo de São Carlos (sessões Warm-ups).

 

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publicado por Hugo Gomes às 01:08
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28.6.17

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A dois meses de arrancar a sua 11ª edição, o MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa divulgou a associação com o Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017 de forma a conduzir o público a explorar "a diversidade do cinema de género produzido na América do Sul e na Península Ibérica."

 

Para além da mostra que incluirá "títulos clássicos, filmes menos conhecidos do grande público e produções recentes", o MOTELx apresentará debates, masterclasses e outras actividades paralelas no âmbito da proposta intitulada de “O Estranho Mundo do Terror Latino”.

 

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Como grande novidade, o Festival exibirá The Bar, o mais recente filme de Alex de la Iglesia, um dos mais prolíferos e bem-sucedidos autores do fantástico a operar em Espanha. Apresentado no último Festival de Berlim, eis um arquétipo de "filme de cerco" onde um grupo de estranhos ficam presos dentro de um bar.

 

Do outro lado do Oceano, chega-nos The Untamed (La Región Salvaje), de Amat Escalante, visto como um dos nomes mais promissores do cinema mexicano. Trata-se de uma obra invulgar que mistura o tormento e prazer de um casal após o encontro com uma misteriosa criatura vinda do espaço.

 

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A mostra ainda nos traz algumas raridades, tais como o Excitação, do luso-brasileiro Jean Garrett (do sucesso de A Ilha do Desejo), uma das referência do cinema exploitation paulista dos anos 70 e Crime de Amor, de Rafael Moreno Alba, uma esquecida co-produção de Portugal/México/Espanha. Destaque ainda para a sessão infanto-juvenil O Livro da Vida, uma animação com produção de Guillermo Del Toro, e o ciclo de clássicos do terror latino a ter lugar na Cinemateca Portuguesa, que se alia ao MOTELx durante a proposta Warm-Up que precede o evento.

 

No dia 18 de Julho serão revelados mais detalhes sobre a programação desta 11.ª edição a decorrer entre 5 e 10 de Setembro, no Cinema São Jorge e Teatro Tivoli BBA.

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:13
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11.9.16

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O checo The Noonday Witch tornou-se no primeiro vencedor da “novíssimaCompetição Europeia de Longas-Metragens do MOTELx. Com a conquista do Prémio Melhor Longa Europeia/Méliès d’Argent, o filme realizado por Jiri Sádek (com apenas 27 anos de idade), irá representar o festival em Lund, na Suécia, durante a Gala Anual da Federação Europeia de Festivais de Cinema do Fantástico.

 

A representar também o MOTELx estará Post-Mortem, a curta de Belmiro Ribeiro, consagrado como a Melhor Curta Portuguesa, arrecadando assim os cinco mil euros de prémio. O júri descreveu o trabalho como possuidor de uma “macabra subtileza”. Enquanto isso, Palhaços, de Pedro Crispim, recebe uma menção honrosa.

 

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Porém, estes não foram os únicos prémios atribuídos no 10º MOTELx, o produtor e realizador Mick Garris, que fora um dos primeiros convidados do festival lisboeta e este ano membro do recém-formado júri da Competição de Longas-Metragens, recebe um Galardão Especial. Ruggero Deodato, o realizador do imortal e sempre controverso Holocausto Canibal, não saiu de “mãos abanar” da capital portuguesa, tendo sido laureado com o Prémio Mestres do Terror.

 

Mas o momento emocional destes seis dias de terror aconteceu no penúltimo dia com a entrega do Prémio de Carreira a António Macedo, um dos poucos realizadores a “fazer cinema de género em Portugal”. A cerimónia de entrega decorreu durante a estreia mundial de O Segredo das Pedras Vivas, uma longa-metragem que remexe superstições paleolíticas com bruxaria contemporânea, construído a partir de negativos originais de uma minissérie televisiva filmada pelo próprio há 25 anos atrás. 

 

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E seja quem for que ganhe... nós perdemos … literalmente!

 

Crossovers no género de terror é um truque mais antigo do que aquilo que se julga. Nos anos 40 e por aí fora era comum encontrar este tipo de registo de forma a “despacharfranchises, ícones ou simplesmente combinar dois “clubismos” num só. O resultado, Lobisomens contra Frankensteins, Frankensteins contra Dráculas, Dráculas contra Lobisomens, ou tudo ao “molho” como é o caso de House of Frankenstein (Erle C. Kenton, 1944).

 

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Do outro lado do Oceano, os japoneses não ficaram de fora perante esta artimanha, aliás foi essa mesma que serviu de plano de sobrevivência para uma saga sua, Gojira (Godzilla), e os casos mais gritantes como Gojira Vs King Kong (subliminarmente a desforra do resultado da Segunda Guerra Mundial) ou Gojira Vs Gamera. É lógico que passados estes anos todos, “coisas” como Alien Vs Predator e Freddy Vs Jason (este último acaba por ser o mais modesto dos exemplos hollywoodianos) integram a memória do espectador no preciso momento que se fala em crossovers, embates entre duas sagas.

 

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Sadako Vs Kayako (de um lado Ringu, de Hideo Nakata, do outro Ju-On, de Takashi Shimizu), são duas “vitimas” do desgaste, sombras do que outrora foram - pioneiros no prolifero subgénero j-horror – encontram a única solução de revitalização num confronto cinematográfico. A quem acredite que todo esta manobra de comércio marque o fim de dois franchises, porém, algo é certo, Sadako Vs Kayako é um “caçador formidável”. Digo isto porque tem a proeza de “matar dois coelhos duma cajadada só”.

 

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Pois bem, a ideia está à vista de todos, “vamos juntar dois pesos-pesados do cinema de terror nipónico para facturar o que sobra destas espécies em vias de extinção”. Quanto a argumentos? Segundo a “mentalidade” dos produtores, qualquer coisa serve como desculpa (todo este episódio faz lembrar a "matança" a Freddy Krueger ocorrido em 1991). Os actores? Estes serão apenas reduzidos a caricaturas das caricaturas num filme que não consegue encontrar o seu verdadeiro tom. Quanto às poucas sequências de terror que o filme tenta emanar, palavra de honra, puros motivos de chacota para as audiências.

 

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Estes pesadelos converteram-se em inofensivas imagens, sem força alicerçada, nem sequer rigor para funcionar como sátira, é somente uma produção sem esforço nem vontade, "pastilha elástica" da pior qualidade. Aliás tudo resume-se a uma “palhaçada” com objectivo de extrair o que resta nestas duas sagas em vias de eutanásia. Visto isto, mais valem morrer sozinhas. Abaixo deixo a minha homenagem a estas duas sagas:

 

R.I.P. Ringu: 1998 - 2016

 

R.I.P. Ju-On: 2000 - 2016

 

Real.: Kôji Shiraishi / Int.: Mizuki Yamamoto, Tina Tamashiro, Aimi Satsukawa, Masanobu Andô

 

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Ler também

The Grudge 3 (2009)

The Grudge 2 (2006)

Ju-On: The Beggining of the End (2014)

2/10

publicado por Hugo Gomes às 17:14
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8.9.16
8.9.16

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Somos filhos da violência!

 

Será demência sinónimo de genialidade? Para Rob Zombie e a sua nova obra 31, está muito mais em jogo do que a simples homenagem ao cinema "nasty" e "torture" de um Texas Chainsaw Massacre ou de um I Spit in Your Grave. Está sim, o embate com um estilo próprio, de "mau gosto" para alguns, mas verdadeiramente requintado para a proposta que apresenta.

 

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Um cruzamento entre Texas Chainsaw Massacre e The Hunger Games, 31 centra-nos no típico "horror road trip" com demasiados "piscares de olhos" ao eterno filme de Tobe Hooper até chegar a uma delirante trip à lá Devil Rejects. Maniqueísmos estão à "borda do prato", a refeição é crua e indigesta e é nesse tipo de espectáculo que o músico e agora realizador, Rob Zombie, concentra na sua crítica social. Até porque nós todos somos "animais", as personagens que tentam sobreviver num sádico jogo orquestrado por aristocratas até nós, espectadores, que aceitamos a viagem imaculada dos seus acordes.

 

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A provocação é aqui facilitada, mas é nesse leque de "nasty things" que a exploração torna-se real para a audiência, tudo se resume a um circo munido por identificáveis peças, nada que não difere dos nossos habituais videojogos, das manchetes sedentas de mediatismo e do fascínio intimo de cada um pela violência. Sim, somos todos filhos da violência e Rob Zombie não é o demónio por nos mostrar isso ao longo da sua carreira enquanto realizador, porém, é o autor que mexe "cordelinhos" desse desejo proibido.

 

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A sua câmara que se desloca à velocidade da luz em alturas críticas revela-se numa poderosa aliada em território sensorial, não é todos os dias que vemos um filme de terror que nos desperta adrenalina, uma incomoda sensação de vermos tudo e ao mesmo tempo vermos absolutamente nada. Os maiores episódios de violência estão na mente do espectador, por esta altura Rob Zombie ri-se que nem um perdido perante tal feito.

 

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O único senão deste retrato é também aquela possível marca autoral do realizador, a sua mulher, Sheri Moon Zombie que nunca nos verdadeiramente convenceu. Mas tal é compensado com as participações de Judy Geeson (Rilington Place, de Fleischer), Meg Foster (They Live, de Carpenter) e Malcolm McDowell (Clockwork Orange, de Kubrick), entre outros, actores que instalam-se como memórias de uma terrifica cinéfila, o "lado negro" admirado pelo próprio Zombie, proclamador do género de terror. Ah, e já me ia esquecendo, Richard Brake a citar-se como um psicopata "campónio", transgredindo o estereotipo pelo qual é submetido.

 

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Pormenores que tornam 31 num filme que receamos em venerar, mas a confirmação de que Rob Zombie é um autor de terror, daqueles subvalorizado (tal como Eli Roth) por um cultura subjugada ao cinema de estúdio de um The Conjuring ou do enésimo remake de um clássico qualquer.  

 

"Now, you may think you see a grease-painted performer sitting before you. But trust me - I'm not here to brighten your dismal day; I am here to end your miserable life. You know, all in all, you've had a pretty good run, but deep down inside you must've known it all had to end somewhere - might as well be now."

 

Real.: Rob Zombie / Int.: Sheri Moon Zombie, Malcolm McDowell, Richard Brake, Jeff Daniel Phillips, Meg Foster, Judy Geeson, Pancho Moler, Tracey Walter, Lawrence Hilton-Jacobs, Kevin Jackson

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 19:33
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7.9.16

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O Conjuring coreano!

 

Os coreanos sempre foram assim, ambiciosos e igualmente descontraídos nas suas incursões fantásticas, e quem não se lembra de The Host, de Joon-ho Boong, esse reavivar do cinema kaiju, para dar uma ideia do que lidamos em relação a tons neste The Wailing.   

 

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Dirigido por Hong-jin Na (The Chaser), este é uma costura de variados “trapos” que consolida o terror com os lugares do suspense policial, o humor até mesmo a um fino drama familiar, sem com isso negar a sua atmosfera de “filme-de-desastre”. A enésima história de possessão teima aqui em não persistir em linha recta, vagueando fantasmagoricamente em outras nuances e complicações argumentativas, chegamos mesmo a pensar que uma simples intriga foi deliberadamente convertida numa pesadão “mastodonte”, a jornada é cansativa e as nossas forças cinéfilas tendem em desvanecer tais como a do nosso protagonista. 

 

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O herói, interpretado por Do Won Kwak, bem poderia ser uma personagem extraída de uma comédia, um policia trapalhão cujo porte físico é representado por uns quilinhos a mais, bem, uma chacota digna lá para os lados de Hollywood. Contudo, é o exemplo de heroísmo acidental, sem com isso branqueá-lo do lado negro habitual do ser humano. É na construção deste protagonista que The Wailing demarca de muitas outras produções de terror, é nos seus laivos competentes de teor que chegamos curiosamente a dar uma espreitadela a esta sombra que paira numa tradicional cidade, assombrada por espíritos florestais e receosa por superstições arcaicas.  

 

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Não negando o charme de The Wailing, há, no entretanto, uma infelicidade em encontrar nesta produção sul-coreana uma replicada ambição de ser um The Conjuring (aviso desde já que o filme de James Wan é aqui inserido não sob forma de elogio). É como já havia referido, a costura de vários “trapos” é também reciclado, e a reciclagem teima em ser homenagem a um cinema de género. De The Exorcist até aos terrores amaldiçoados do J-Horror, passando pelo policial feroz de Fincher e até certo ponto um side-by-side de I Know What you Did in Last Summer, é novamente a impotência de não saber o que fazer com tantos lugares-comuns. Ganhou-se um sólido filme de género, mas perdeu-se uma eventual obra-prima.

 

Real.: Hong-jin Na / Int.: Do Won Kwak, Jun Kunimura, Jung-min Hwang, Woo-hee Chun

 

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7/10

publicado por Hugo Gomes às 23:09
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7.9.16

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Por entre um demoníaco caos!

 

Desde o primeiro momento que o espectador pressente um iminente caos. Todo o redor é estranho, indiferente e demasiado abrupto, até que por fim dá-se a verdadeira assombração. A juntar a isso, um casamento organizado no tempo de um viagem entre Inglaterra e Polónia, a união de facto que gradualmente torna-se num festival caótico, onde os espíritos, já muito moribundos, não querem ficar de fora do matrimónio, porque essa é a sua única oportunidade de pedir auxilio.

 

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A sensação de assistir Demon, o filme de Marcin Wrona, é idêntica a uma espreitadela a The Shinning, de Stanley Kubrick, a loucura vai tomando posição ao longo da intriga e o bizarro acontece em segundo plano, um filme por detrás do nosso filme. Mas não é somente  um paralelismo encontrado com a famosa obra com Jack Nicholson que nos deparamos, na realidade, não há que negar, Demon vai beber a água da mesma fonte, ora se o twist final tem muito de “replicado”, é na banda sonora que encontramos o elo mais tingivel, Krzysztof Penderecki, o compositor que havia trabalhado com Kubrick em 1980 em tal partitura, faz aqui a sua colaboração.

 

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Coincidências? Não creio. Contudo, as referências não terminam aqui, na carreira de Penderecki existe outro filme que merece a menção neste olhar a Demon, The Exorcist. Em relação ao celebrizado filme de William Friedkin a questão não está no exorcismo, nem em possessões (no caso de Demon a variação é judaica), mas sim na manifestação demoníaca que a entidade possuída parece comportar na presença de multidões até chegarmos a um embate ideológico entre ciência medicinal e teologia.

 

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Wrona pactua essa enésima incorporação espiritual com um humor negro corrosivo e um surrealismo que vai ganhando dimensão, maneirismos quase dignos do cinema imparável e inventivo da Nova Vaga e dos seus predecessores. Depois temos Itay Tiran a conseguir uma duplicidade invejável para com o ritmo do filme.

 

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Hilariantemente diabólico este Demon, um filme que se constrói com o “esqueleto” de fantasmas passados, mas nunca esquecidos, invocados sob a forma gasosa neste requintado exercício de extremos. 

 

Filme visualizado no 10º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa

 

Real.: Marcin Wrona / Int.: Itay Tiran, Agnieszka Zulewska, Andrzej Grabowski

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 19:08
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Como já era previsto, muitos foram aqueles que seguiram em massa para a abertura do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Aliás não são todos os dias que um festival lisboeta consegue chegar às 10 edições, sendo que, segundo os organizadores que discursaram na sessão de arranque, 2016 será um ano em festa, não apenas como data comemorativa (os por fim dois dígitos), mas pela apresentação de grandes novidades dentro da programação.

 

Dentro desse ramo, a Competição de Longas-Metragens é um feito, um sonho desejado pelo MOTELx durante os 10 anos de percurso que teve por fim concretizado. Esperemos, partilhando o mesmo desejo que os programadores, a hipótese de vermos longas-metragens de terror nacionais em competição num futuro próximo. Nas Curtas-Metragens existe também superações, o prémio da Competição é o maior de sempre no que refere a festivais nacionais, 5.000 euros serão dados à curta elegida pelo júri. Os resultados, por enquanto, só dia 11 de setembro, a data que marca um encerramento de mais uma “invasão” terrorífica na capital portuguesa.

 

Depois de apresentados os “brindes” deste MOTELx 2016 é então que é exibido o descrito filme-sensação Don’t Breathe (Nem Respires), que tem vindo a conquistar o box-office dos EUA durante duas semanas consecutivas, destronando o Suicide Squad. O público parece ter admirado com força a esta proposta de Fede Alvarez, o homem que cometeu a “loucura” de refazer o tão amado Evil Dead em 2013. Contudo, mesmo com óptima recepção por parte da audiência, uma sessão divertida e interactiva que contou com imensos aplausos, risos e até mesmo inquietações. Mas para o lado do Cinematigraficamente Falando … o fascínio parece ter ficado à porta.

 

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Nem Respires possui mestria técnica, nisso Fede Alvarez tem a minha saudação, os movimentos de câmara servem como “bengala de Hoover” para condensar o espaço sugerido do cenário e a sonoplastia é um acessório perfeito para acolher o ambiente claustrofóbico. Mas então o que falhou?

 

De Fede Alvarez, de todo o frenesim impulsionado pela crítica norte-americana, muito mais com as intermináveis aclamações da palavra “original”, esperava-se isso mesmo, uma proposta sobretudo criativa. Ao invés disso temos a confirmação dos problemas que tem vindo a abalar os filmes de estúdio, os receios de apresentar-nos personagens sem motivos (o medo dos EUA pelo ateísmo já é deplorável), implantam-nos maniqueísmo que nos leva aos acérrimos lugares-comuns. Aqueles momentos chaves desengonçados que apenas alimentam uma narrativa que ficaria dotada no minimalismo.

 

Nem Respires revelou-se numa proposta perdida no enxugado subgénero do home invasion, o enésimo caso do terror é sodomizado pelos estúdios e pela fórmula crowd pleasure. Deixou-se de lado as lições aprendidas em See No Evil (1971) e Wait Until Dark (1967), e até mesmo de You’re Next, de Adam Wingard, que encerrou uma edição do MOTELx com grande estilo.

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:44
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5.9.16

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Ruggero Deodato, o realizador do incontornável Cannibal Holocaust, estará presente na comemorativa 10ª edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Nesta edição, para além da homenagem ao autor do controverso filme que serviu de modelo para a geração seguinte de terror, visto nos dias de hoje como o pai do found footage, teremos ainda como grande novidade a primeira edição da Competição de Longas-Metragens, um certame dotado de sete filmes oriundos dos quatros cantos da Europa que certamente irão povoar os nossos mais profundos pesadelos.  

 

O festival arrancará amanhã (6 de Setembro) com a sensação de Fede Alvarez, Don't Breathe (Nem Respires), que tem vindo a dominar o box-office norte-americano nas passadas duas semanas. O realizador do remake de Evil Dead apresenta-nos três jovens assaltantes dispostos a executar um último, mas perfeito golpe. A tentativa de assaltar a casa de um velho cego abastado revela-se automaticamente num mórbido pesadelo.

 

Existe muito por onde olhar, por outras palavras, "assustar" nesta nova mostra de terror, desde o resgate crítico de Walerian Borowczyk, o excêntrico realizador polaco radicado na França, que será representado por duas das suas perversas obras (La Béte, Docteur Jekyll et les Femmes), até à estreia mundial de O Segredo das Pedras Vivas, uma obra de produção complicada do mestre da fantasia lusitana, António de Macedo, a marcar a já habitual secção Quarto Perdido.

 

Para ver mais sobre a programação, cliquem aqui.

 

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Cinema de terror em grande com o MOTELx!

Dez anos de MOTELx! Vejam as primeiras novidades da esperada edição! 

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:29
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24.8.16

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Don't Breathe, a nova sensação do terror norte-americano de Fede Alvarez (Evil Dead), vai abrir a décima mostra de Cinema de Terror em Lisboa, por outras palavras, MOTELx. Descrito como um novo fôlego no subgénero home invasion, Don't Breathe apresenta-nos três ladrões que deparam-se com tenebrosos obstáculos quando tentam orquestrar o "perfeito golpe".  

 

A programação, agora completamente revelada (ver aqui), esconde algumas novidades curiosas e esperadas no circuito do cinema de terror. Entre as quais, poderemos contar com 31, o novo e badalado filme de Rob Zombie, o ex-músico dos White Zombie tem-se revelado cada vez mais num particular autor "por estas bandas". O mais recente filme de Olivier Assayas, Personal Shopper, o vencedor do prémio de Melhor Realizador no último Festival de Cannes, também estará presente na programação. A história centra em Maureen (Kristen Stewart), uma mulher com dons sobrenaturais que trabalha como "personal shopper" para personalidades de discreto "profile". A juntar a isto ainda temos The Wailing, do sul-coreano Na Hong-jin, um exercício de terror que evoca The Exorcist.

 

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Mas a grande novidade desta décima edição é o lançamento da Competição de Melhor Longa-Metragem Europeia, uma iniciativa que tende em promover e divulgar cinema fantástico europeu, e quem sabe, até mesmo português. Ruggero Deodato, o realizador do mítico Holocausto Canibal, que para além de ser um dos convidados especiais do festival, será o presidente de júri, que tem como restante formação: o realizador e produtor Mick Garris e Fernando Ribeiro (vocalista da banda Moonspell).

 

O 10º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa decorrerá no Cinema São Jorge, Cinemateca e Teatro Tivoli BBVA, entre 6 a 11 de Setembro.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:29
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26.7.16

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Como já é tradição, Lisboa vai voltar a ser invadida pelo terror a partir do mês de Setembro, mais concretamente entre o dia 6 e 11.

 

Trata-se do MOTELx, um dos festivais lisboetas que mais cresceu nos últimos anos, e falando em anos, vale a pena salientar que temos “à porta” a 10ª edição do Festival Internacional de Terror de Lisboa. A grande novidade, que começará a ser implantada nas edições posteriores, é a tão esperada Competição Nacional de Longas-Metragens, que segundo a organização servirá como incentivo para o preenchimento de um lote tão vago no nosso cinema, o género terror e fantástico.

 

Mas as novidades são muitas, entre elas a vinda de Ruggero Deodato, produtor e realizador de uma das mais badaladas obras de terror dos anos 80, Cannibal Holocaust. Relembro que o filme que remete a um grupo de documentaristas em busca de um perdida tribo amazónica, acabando por se tornar o “prato principal” deste seio canibal, foi um dos precursores do found footage de terror que originou produtos tão célebres como Blair Witch Project, [REC] e Paranormal Activity. Para além de mencionar que a obra foi proibida em inúmeros países e a sua estreia foi tão controversa que Deodato teve que provar em tribunal que os actores encontravam-se vivos e bem de saúde.

 

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Entre a selecção, a secção Serviço de Quarto, existe um dedicada preocupação pela geografia e pela diversidade desta, ao mesmo tempo presenteando ao espectador uma vasta gama de obras asiáticas que não fossem este tipo de iniciativas, de certo demorariam ou provavelmente nunca chegariam ao nosso país. Entre os revelados para preencher a programação do MOTELx estão; o êxito nipónico Sadako Vs Kayako, o crossover de duas importantes sagas de J-Horror (Ringu e Ju-On), o regresso de Kyoshi Kurosawa (Journey to the Shore) ao género de terror com Creepy, o exercício de medo vindo directamente do Irão, Intitulado de Under the Shadow e a homenagem vampírica, The Transfiguration, que fora apresentado no último Un Certain Regard, em Cannes.

 

Na secção de documentário poderemos encontrar o muito elogiado DePalma, a conversa entre o realizador de Carrie e Scarface com Noah Baumbach e Jake Paltrow que tem servido como um dispositivo de reavaliação de um homem apontado como o herdeiro de Hitchcock. E o muito esperado Tickled, uma investigação a um jogo de cócegas que se revela num autêntico filme de terror.

 

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Em O Quarto Perdido, secção que visa em recuperar pérolas e filmes perdidos da nossa cinematografia, vai contar com a estreia mundial de O Segredo das Pedras Vivas, uma obra de produção complicada do mestre da fantasia lusitana, António de Macedo. Enquanto isso, em paralelo, um ciclo dedicada ao excêntrico e alienado Walerian Borowczyk, um realizador polaco radicado na França que foi o autor de obras oníricas, fantasias quase buñueliana recheados de erotismo e bizarria. Borowczyk faleceu em 2006, a partir daí seguiu-se um trabalho de restauração do seu legado e a reanálise da sua visão cinematográfica. As sessões (La Béte, Docteur Jekyll et les Femmes) serão apresentadas na Cinemateca sob uma iniciativa da White Noise.

 

Destaque ainda para o visual e spot deste ano, um fantasma de uma das mais lendárias personalidades da nossa História, D. Sebastião, o rei que nunca voltou a casa, mais um trabalho prometedor da Take It Easy / Easy Lab, com realização de Jerónimo Rocha.

 

O 10º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa decorrerá no Cinema São Jorge, Cinemateca e Teatro Tivoli BBVA.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:09
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16.5.16

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Um Sexto Sentido!

 

Kristen Stewart é uma "personal shopper", Maureen, uma mulher que se dedica às compras de quem possui um "profile" discreto. Porém, ela é mais que uma mera servente, é uma médium. Os seus "talentos", consideramos assim, sempre a levaram para os mais inesperados encontros com o outro mundo, um lado espiritual que todos duvidam a existência, mesmo ela própria, mas que providenciam fascínio. Quando o seu irmão gémeo - que também partilhava o dom - morre, Maureen adquire uma nova rotina com base numa promessa feita entre os dois. O primeiro a morrer teria que enviar uma mensagem a declarar se existe ou não vida para além da morte, mas para a receber terá que passar as noites na antiga e abandonada casa.

 

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Depois do fabuloso estudo da natureza da interpretação em Clouds of Sils Maria, a dupla Olivier Assayas / Kristen Stewart aposta num thriller sobrenatural que navega impreensionatemente no território autoral. Com um pé sobre esse mesmo registo já estabelecido pelo cinema de Assayas e outro nos lugares-comuns do cinema de terror mainstream, Personal Shopper explicita um cinema diversificado, sem géneros, sem categorias nem audiências definidas.

 

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É uma ode à transgressão e nesse sentido o desempenho de Stewart eleva tal definição. Será este o melhor filme de terror dos últimos anos? Para responder a isso teria que seguir tudo aquilo que a obra desaprova (a categorização), não é nem nunca será um terror de estúdio, nisso estamos certos, e os elementos desse mesmo território são reproduzidos por uma técnica repercussiva. Os clichés tem consequências e é sob essas mesmas que Personal Shopper faz todo o sentido, para além de Assayas ser um conhecedor do medo interior do espectador.

 

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Existem sequências assustadoras, aparentemente vulgares, todavia glorificadas por um impressionante conhecimento no uso e na simbiose do som, da escuridão e por fim, com a sua actriz. Por outro lado, a atração quase adolescente pela espiritualidade, onde um iPhone serve de tábua de ouija em contato com os mais aterrorizantes espíritos ou os "não-vivos", conforme quiserem apelidar.

 

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Essa referência da tecnologia e da comunicação sempre estiveram ligados ao Cinema de Terror nos mais recentes anos, desde as maldições invocadas em Ringu, de Hideo Nakata (recuso a falar da vendida versão norte-americana com Naomi Watts) ou no veia umbilical entre vitima e agressor de um Scream: Gritos, de Wes Craven. Essa remodelação dos códigos, que com o prazo de validade expirado passaram a se denominar de clichés, desafiam Stewart no seu método interpretativo, à constante improvisação da sua perfomance e ao naturalismo do seu ego. Será este o empenho mais ousado da atriz? Só o tempo dirá!

 

Filme visualizado no 69º Festival de Cannes

 

Real.: Olivier Assayas / Int.: Kristen Stewart, Anders Danielsen Lie, Lars Eidinger

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 23:35
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15.9.15

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Os monstros aqui são outros!

 

De “Ruína Azul” para o “Quarto Verde”, Jeremy Saulnier persiste no seu percurso por esta América profunda e nada recomendável. Uma faceta negra de um país egocêntrico que tem nos últimos tempos a revelar-se numa ameaça que qualquer "outra coisa", sim, refiro à ascensão de Trump na política que tem, por fim, dado voz a esta faixa social.

 

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Ambos os capítulos tem em comum a sua violência, quer gráfica, e a intrinsecamente “acarraçada” nas suas personagens. Em Blue Ruin (Ruína Azul), a situação tendia em subliminarmente criar um episódio de carácter violento, enquanto que em Green Room, sob uma profunda fotografia verde que automaticamente nos transporta para as atmosferas mais sombrias dos filmes de terror, concretiza-se um exercício dessa mesma vertente, o acto da explosão versus a procrastinação paciente. Mas que exercício é esse? Green Room é definitivamente mais um filme de cerco, personagens encurraladas que a todo o custo tentam sair do enclausuramento, porém, sob a ameaça de monstros. Contudo, estes monstros são mais reais do que aquilo que se pensa … por outras palavras … temos neonazis do outro lado da porta, à espera para nos desmembrar.

 

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Saulnier brinca aos “wannabes” de John Carpenter, replica Assault on Precinct 13 (Assalto à 13ª Esquadra) e prolonga-se para os pontos definidos do subgénero. A corrida contra o tempo faz-se por essa violência tremenda, nem que para isso transforma-se homens em maniqueísmos automáticos ao serviço de um agenda de correcta politica contra esta América Proibida. Se o leitor automaticamente, perante estas palavras, recordou o famoso filme de Tony Kaye onde Edward Norton é uma figura respeitada de um movimento neonazi, não é por menos, a nova obra de Saultner interliga-se moralmente a esse dito produto mainstream. É demasiado “moralista" em relação às ideologias básicas das suas personagens, tornando-se na mais pura evidencia que o cinema norte-americano precisa de uma suástica tatuada no ombro continua para personifica o puro mal. Patrick Stewart, é em todo o caso, o vilão perfeito para se odiar, mas novamente, um embrião de América Proibida (America History X) em força, a traição do líder perante a força ideológica do movimento que lidera.

 

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Contudo, há que prezar algumas tendências bem aprumadas deste Green Room, a urgência de descartar abomináveis criaturas fantásticas para se emergir numa crítica social, por vezes tão totalitarista que os seus mesmos antagonistas. Violência com violência se paga, a enésima catarse da sua animalidade interior, quer com nazis ou não. Enfim, não é a sétima maravilha que se fala por aí.

 

Filme visualizado no 9º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa

 

Real.: Jeremy Saulnier / Int.: Anton Yelchin, Patrick Stewart, Imogen Poots, Alia Shawkat, Mark Webber

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 01:29
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14.9.15

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Brincadeiras (quase) perigosas!

 

Foi numa noite tempestuosa quando duas beldades bateram à parta de Evan Webber (Keanu Reeves), um devoto esposo e pai de família, pedindo auxilio e abrigo. Para Webber, o difícil foi dizer que não, vergado pelo espírito solidário, mas também de macho dominante que aproveita a situação para seu perfeito jubilo. Contudo, esta decisão trará consigo consequências inimagináveis.

 

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Curiosamente, Knock Knock, a refilmagem do quase desconhecido Death Game, de Peter S. Traynor, arranca como uma fantasia masculina para dar lugar a uma "home invasion" com mais tendências à vaga fermentada por Funny Games, de Michael Haneke, do que propriamente com a matéria original datada de 1977. Eli Roth demonstra mais uma vez que é um conhecedor das matrizes e códigos do género de terror, uma evidência vistosa com as claras reviravoltas que uma intriga aparentemente simples converte-se.

 

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Porém, o realizador exibe outro dote, o da ousadia. É que esta invasão doméstica, claramente doseada com um certo humor negro, é instalada como uma alusão social em defesa dos homens enquanto seres facilmente puníveis pelo sistema de justiça e pelo senso comum. Isso, rebeldia em pessoa, frente a uma imensa onda politicamente correcta e a crescente preocupação por parte do cinema norte-americano em dar voz à luta pela igualdade social das mulheres. Nesse sentido, Roth parece ter aprendido com David Slade e o seu curioso - mas não suficientemente capaz - Hard Candy. Mesmo com análises críticas por parte de um realizador que está pouco "marimbando" para opiniões alheias, Knock Knock sustém por influências dignamente trash, nunca cedendo ao espectáculo sério que os grandes estúdios tentam a todo o custo lançar, nem com aspirações para ser o próximo "big thing" do género, tal como fora, por exemplo, o seu díptico Hostel.

 

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Por outro lado, há que aplaudir Roth de conseguir, num só filme, extrair em Keanu Reeves expressividades raramente vistas no cinema por parte deste. É óbvio que a estrela de Matrix não nos brinda com um desempenho digno de Óscar ou de um registo pintado sob tinta permanente, porém, funciona na perfeição como a representação masculina requisitada para o filme.

 

"Death? Death? You're gonna kill me? You're gonna fucking kill me? Why? WHY? Because I fucked you? You fucked me! You fucked ME! You came to MY house! You came to ME! I got you a car, I brought you your clothes, you took a fuckin' BUBBLE BATH! You wanted it! You wanted it! You came on to me! What was I supposed to do? You sucked my cock, you both fucking sucked my cock! It was FREE PIZZA! Free fuckin' pizza! It just shows up at my fuckin' door! What am I supposed to do? "We're flight attendants. Come on, fuck us! No one will know. Come on, fuck us!" Oh, twosomes, threesomes. It doesn't matter! Starfish! Husbands! You don't give a fuck, you'll just fuck anything, you'll just fuck anything! Well, you lied to me, I tried to help you! I let you in, I was a good guy, I'm a good father! And you just fucking fucked me! What? Now, you're gonna kill me? You're gonna kill me? Why? Why? 'Cause you fucked me? What the fuck-FUCK-FUCK, this is fucking insane!"

 

Filme de encerramento da 9ª edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa

 

Real.: Eli Roth / Int.: Keanu Reeves, Lorenza Izzo, Ana de Armas, Aaron Burns

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 17:06
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Já no quinto dia, Ghost Theater, o novo filme de Hideo Nakata (Ringu), abriu a mostra de longas-metragens diárias, uma assombração falhada de um cineasta cada vez mais longe de destaque no J-Horror. A melhor experiência foi a curta-metragem norueguesa que o antecedeu, Autumn Harvest, de Fredik S. Hana, sob um misto de identidades "bergmanianas" com influências de Lovecraft. Para aqueles que consideram que os fantasmas e nipónicos não são uma proposta cinematográfica interessante, sempre puderam contar com a reposição de Cop Car [ler crítica].

 

Depois seguiu-se Coin Locker Girl, apresentado na última Semana da Crítica em Cannes, um thriller melodramático que só os coreanos conseguem incutir. No final da tarde surgiu Extinction, onde Miguel Ángel Vivas transforma um cenário pós-apocalíptico num "campo propício" a dramas humanos, apesar de falhados sobre um tom demasiado rebuscado e um elenco com limitações interpretativas.

 

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Na sala ao lado tivemos a oportunidade de visualizar A Caçada do Malhadeiro, o primeiro filme integrado na secção Quarto Perdido, este ano dedicado ao "lusoxploitation", termo que poderá cair no uso a partir desta mostra. Recuperado pela Cinemateca-Portuguesa, uma cópia "fresquinha" e de semi-perfeita qualidade, o filme foi projectado na sala 3, antecedido por um pequeno discurso de José Manuel Costa, director da Cinemateca, que salientou a importância de iniciativas como estas e o trabalho incansável do Museu do Cinema em recuperar memórias perdidas de um Portugal esquecido.

 

A Caçada do Malhadeiro poderá ser generalizado como um I Spit on Your Grave lusitano, onde é evidente o complexo de Padeira de Aljubarrota e a firmeza do valores portugueses face a "invasões estrangeiras". O enredo é simples e directo: soldados napoleónicos perdidos num Portugal profundo em direcção à fronteira, que tentam se reabastecer numa casa remota pertencente a camponeses. Porém, a luxúria falou mais alto e parte destes homens acabam por violar a filha do camponês. A vingança é aqui um elemento condutor de toda a narrativa, enquanto que Quirino Simões, o realizador, demonstra a sua aptidão para cinema de guerrilha, visto que havia executado trabalhos de registo audiovisual militar durante a Guerra do Ultramar. Um dos atores do filme, Vítor "Gato Preto" Gomes, encontrou-se presente na sessão.

 

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Neste dia, a noite foi tudo menos entediante. Aliás, o grande destaque foi a sessão especial de The Rocky Horror Picture Show. O mais famoso dos midnight movies tem por fim a sua merecida projecção no nosso país. A sessão foi interactiva e divertida e o filme de Jim Sharman, com o excêntrico desempenho de Tim Curry, demonstra que não envelheceu mal e continua a deslumbrar gerações com uma arrojada fórmula de sátira à série B.

 

Porém, foi no último dia que as propostas foram mais intensas. Green Room, por exemplo, fez vitimas. Depois da Blue Ruin [ler crítica], Jeremy Saulnier regressa à sua simplicidade, construindo um arquétipo de filme de terror de cerco onde à sua particularidade é a veracidade dos "monstros", aqui neonazis liderados por um sinistro Patrick Stewart. Já Takashi Miike prova que trabalha sob uma absoluta liberdade criativa e o seu Yakuza Apocalypse é uma comédia de acção e terror com elementos inesperados e bizarros.

 

Yakuza Apocalypse

 

Richard Stanley prova ser o protagonista desta edição do MOTELx com a coordenação de uma masterclass e a exibição de Dust Devil, até à data a sua melhor obra, um trabalho infernal e de cariz intenso de crítica social e politica à África do Sul. Atmosférico, esotérico, um verdadeiro "choque" para com o espectador, vale a pena "resgatar" Dust Devil da "tumba do esquecimento".


Os muitos raros Sinal Vermelho (uma esquecida co-produção portuguesa e espanhola) e Eugénie (no âmbito da homenagem a Christopher Lee) marcaram a programação deste dia. Na recta final, Kim Basinger motivou debates com I am Here, um drama psicologicamente tenso que evidencia a vontade do MOTELx expor uma variedade de paladares "terroríficos". Afinal, o que é o terror? Um questão pertinente que o festival tem levantado nos últimos anos.

 

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Finalmente, chegamos à sessão de encerramento com a antestreia de Knock Knock, de Eli Roth. Um cineasta que prova mais uma vez que é um conhecedor do género. Aqui, Keanu Reeves fica a mercê de duas beldades que misteriosamente batem-lhe à porta. Uma hábil mistura de Funny Games, de Haneke, com Hard Candy, de David Slade, que funciona como um espelho de fragilidades do homem na sociedade norte-americana e a constante subestimação do sexo feminino. O público reagiu bastante bem ao filme, sendo constantes os aplausos e gargalhadas.

 

Assim, terminou o MOTELx, naquela que foi até à data a sua mais movimentada e diversificada edição. Para o ano, graças ao 10º aniversário, as promessas de um evento maior, mais selectivo e atmosférico, foram feitas no palco da Sala Manoel de Oliveira, no Cinema São Jorge.

 

Knock Knock

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:48
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13.9.15

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O sonho de fama de uma adolescente transforma-se numa perigosa obsessão. Assim é descrita a sinopse da curta Miami, a grande vencedora do Prémio Mov MOTELx 2015. O realizador Simão Cayatte e a respectiva equipa recebem o maior prémio de competição da História do festival, tratando-se de uma quantia monetária de 5.000 €, dois milhares acima dos anteriores. O júri deste mesmo palmaré foi formado pelo actor português Albano Jerónimo, Kier-la Janisse, programadora do Alamo Drafthouse e do Fantastic Fest em Austin e do escritor Mike Hostench. Na menção honrosa está a animação stop-motion Andlit, de João Teixeira.

 

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:10
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12.9.15
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O segredo está na simplicidade!

 

Antes de se aventurar em super-heróis envolvidos em enredos pomposos (está anunciado como o realizador do próximo filme do Spider-Man), Jon Watts instala-se no minimalismo e extrai dele as ramificações do drama e a corrente enfática deste filme. Cop Car, cujo título revela o macguffin por detrás de toda a intriga, é um carro de patrulha que se estabelece como impulso para as suas personagens, tão desconhecidas como familiares. Aqui, o veículo, supostamente ao abandono numa isolada clareira, é encontrado por duas crianças que decidem experimentar esta oportunidade "caída dos céus". Uma brincadeira inocente que acaba por se transformar num curioso jogo de gato e rato no preciso momento em que o xerife, detentor da viatura, as persegue a fim de evitar uma verdadeira catástrofe que terá consequências para ambos os lados.

 

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Cop Car resolve-se numa intensa catarse para com o seu tema principal, a América profunda dominada pela violência e pela ignorância, esta última aludida através da sugerida inocência das duas crianças protagonistas. Jon Watts pode ter construído uma obra onde a simplicidade é mais um factor com aparente limitação argumentativa, mas o que deparamos é um extenso ensaio subliminar. Uma mensagem social e complexa inserida numa garrafa e jogada para o seio do oceano, vaga mas suficientemente propícia a leituras desse foro, apenas disponíveis a quem realmente deseja procurá-las.

 

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A exposição da juventude face a tais elementos de violência (como armas) ou da inevitável tentação do crime (neste caso o furto) resultam numa sequência ideológica que se ergue como uma escadaria para um rompante clímax. Neste terceiro ato, confirma-se que o espectador é sobretudo uma audiência visual, sem nunca superar o conhecimento face ao leque de personagens e seus respectivos destinos. No final, a escuridão da noite abraça o destino destas figuras ambulantes, de partida incógnita e de chegada indefinida, a perfeita metáfora do desconhecido que nos afronta. Novamente sublinhando, Jon Watts tornou possível tamanha simplicidade estrutural, mas por vezes é essa aparente singeleza que se esconde as mais ricas palavras e expressões. Um exercício sugestivo!

 

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Pelo meio, um Kevin Bacon regressado aos seus desempenhos vitalícios: claramente o seu xerife é uma porção generosa de ambiguidade que desperta um sentimento de desconfiança em pleno confronto.

 

Filme visualizado na 9ª edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa

 

Real.: Jon Watts / Int.: Kevin Bacon, James Freedson-Jackson, Hays Wellford

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 17:26
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O quarto dia abriu de certa maneira histérica face à adaptação da popular manga de Yusei Matsui, Assassination Classroom, um sucesso nipónico que confere que os maneirismos desta mesma matéria-prima estão muito longe de ser simbióticas para com o território cinematográfico. Existe aqui, nesta bizarra história de um extraterrestre que ensina os piores alunos do Japão como matá-lo, para que não cumpra a sua promessa de destruição da Terra (?), um verdadeiro desequilíbrio entre comédia, drama, o sintético das páginas da manga e a acção estilosa mas sem personalidade. Um fruto de fascínio dos fãs dessa mesma cultura, mas não do cinema como veiculo na arte de narrar intrigas ou expressar-se por vias das imagens. Melhor forma encontrou-se a curta que o antecedeu, Badguys #2, do norte-americano Chris Mclnroy, que adquire contornos de prazenteiros na sua disposição de humor negro (e bem negro).

 

O dia festivaleiro continua, agora divido entre o belga Cub, de Jonas Govaerst, o enésimo exercício de medo da floresta (the woods) e de Hardware, o filme de 1990 que encontra-se integrado na retrospectiva de Richard Stanley, que está presente ao logo do MOTELx e cuja sua figura é notada a metros de distância. Figura essa, com o seu chapéu estilo panamá, disposto a demonstrar em todo o edifício do Cinema São Jorge a verdadeira essência de Festival de Cinema, convidativo para todos os que o abordam. Porém, voltando aos filmes, Hardware é uma ficção científica tão assimilada no terror físico que transcreve referências do género durante o seu desenrolar narrativo. Descrito com emoção visual e muitas surpresas no foro estético, a revolta das máquinas adquire aqui um tratamento trash, comparado com o primeiro Terminator [ler crítica], mas sob um orçamento mais baixo que o atribui contornos algo artesanais.

 

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Um dos grandes eventos do dia seguiu no final da tarde com a apresentação do “malditoRoar, a obra que recebeu, merecidamente, o estatuto de “filme mais perigoso alguma vez rodado”. Contando com várias dezenas de animais reais, incluindo leões, tigres, pumas e elefantes, não é fácil esconder o pavor do elenco em não conseguir contracenar com estes animais, tudo menos amestrados. O produtor de The Exorcist, Noel Marshall decidiu apostar num drama familiar de contornosecológicos no seio de África, o qual contou com a sua própria família como protagonistas. A sua mulher, Tippi Hedren, conseguiu lidar com os Pássaros de Alfred Hitchcock, filme o qual a converteu numa estrela, mas foi insuficiente para “dominar” as bestas selvagens propostas pelo seu marido, nem mesmo a filha, Melanie Griffth escapou ilesa a esta traumatizante experiência, segundo elas.

 

Curiosamente, o director de fotografia, Jan de Bont, mais tarde conhecido como realizador de Speed e do ridículo The Haunting, foi atacado por um destes animais, sendo que 20 dias depois regressa à rodagem da mesma. Os ferimentos causados por esse animal poderiam ser fatais, um facto que é demonstrado no poster de promoção, onde é possível ver a sua fotografia após o acidente, com um ferimento sob pontos na nuca. Nesse mesmo posterencontra-se estampado a seguinte tagline “nenhum animal foi ferido durante as rodagens, mas cerca de 70 membros da equipa foram”. Lançado em 1981, Roar foi um autêntico fiasco de bilheteira e crítica, tendo desaparecido desde então, até ser redescoberto pela Drafthouse e agora lançado numa digressão internacional para verdadeiro desagrado dos actores e realizador. O filho deste, John Marshall, encontrou-se presente na sessão, que fora bastante divertida face a um acidente constrangedor e nunca visto, que provou nos dias de hoje funcionar como perfeita comédia involuntária.

 

De seguida, o “xerifeKevin Bacon tentou reaver o seu carro de patrulha da mão de duas inocentes crianças em Cop Car [ler crítica], do futuro realizador de Spider-Man, Jon Watts. Uma obra simples, bastante vincada no cinema de interior norte-americano e no realismo formalizado desse mesmo estilo. No mesmo horário, mas na sala ao lado [sala 3], vemos o regresso do mexicano Adrían García Bogliano ao MOTELx com Scherzo Diabolico, e o resto da noite ficou entregue ao double bill, Turbo Kid / Everly [ler crítica] e às crónicas imortalizadas de What We Do In The Shadows.  

 

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publicado por Hugo Gomes às 00:20
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11.9.15
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A floresta como poço da morte!

 

Cub volta a invocar um dos medos mais primitivos da Humanidade, a floresta (the woods) e a sua respectiva aura de sombrio mistério. Cenário perfeito para a imaginação humana, muito antes do cinema ser cinema, e que na chegada da dita Sétima Arte tem sido um dos importantes vectores do terror. Facilmente chega à nossa memória os exemplos de Friday the 13, Evil Dead [ler crítica] ou até mesmo o recente e sobrestimado Cabin in the Woods [ler crítica], filmes que conotaram a floresta e todos os seus adereços como parte integra da narrativa e como um aditivo aos sustos expostos. Concluído com apoio de um crownfunding, a primeira longa-metragem de Jonas Govaerts não será certamente um filme que ficará na memória ou marcado a ferro na História do Cinema de Terror, mas é sobretudo uma obra que nos reserva ousadia e audácia.

 

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A intriga segue Sam (Maurice Luijten), um rapaz de 12 anos com certos traumas psicológicos, que faz parte de um grupo de escuteiros que preparam o seu mais recente acampamento. Quando o local para tal experiência predestinada é abalada pela presença de rufias, os monitores do grupo arranjam uma solução de última hora, acampar no local mais remoto da floresta. Um cenário perfeito para a aventura e, sobretudo, para a presença de criaturas inimagináveis.

 

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Govaerts aproveita a atmosfera intensa da floresta para incutir o terror no seu jeito mais puro. Porém, o realizador e também co-argumentista beneficia da ausência de grafismo para jogar com a sugestão plena, o desconhecido que soa como ignorância imperativa para o espectador e reflecte como um catalisador para a imaginação de cada um. E é aí que reside a verdadeira "aventura" campal de Cub, uma tímida homenagem ao cinema gore que prova que nem sempre o explicito é sinónimo de choque, neste caso a ausência dele insere-se como liberdade criativa (existem pelo menos duas sequências chocantes e quase impossíveis para o sistema industrial de Hollywood).

 

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Existe ritmo, bons desempenhos e uma direcção segura por parte de Govaerts que convertem a obra num exercício de medo passageiro, mesmo sob uma transfigurada "bandeja" de referências. Infelizmente, é nesse termo que o filme não possui a capacidade de "vingança", de transcender esse cinema reflexivo e conhecedor dos seus próprios moldes. Começam a faltar ideias ao terror, mesmo sendo ele conduzido com tamanha profissionalidade e dedicação.

 

Filme visualizado na 9ª edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa

 

Real.: Jonas Govaerts / Int.: Maurice Luijten, Evelien Bosmans, Titus De Voogdt

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 19:40
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Aprendendo a matar com o próprio alvo!

 

Existe uma ideia jubilante em todo o conceito de Assassination Classroom: o desejo de matar o professor é aqui enquadrado de uma forma fantasiosa e simultaneamente argumentativa para soar como perversão homicida. Baseado num trabalho de Yusei Matsui, Assassination Classroom é um dos mais recentes exemplos de como uma adaptação cinematográfica de uma manga ou anime não deve preservar os respectivos tiques e maneirismos, não existindo assim um perfeito estado de diluição, apenas camadas de teor sobrepostas e em constante confronto. O resultado está à vista de todos, um filme "cartoonesco" e demasiado hiperactivo para a saúde da sua narrativa.

 

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Deixando tal factor de lado, por momentos, vale a pena salientar o que afinal esta obra de Eiichiro Hasumi tratar. Assassination Classroom aborda uma peculiar invasão alienígena, cujo extraterrestre, apenas apelidado de Profin (ou Kuronsensei em versão original), destrói a Lua e ameaça a Terra do mesmo destino caso ninguém consiga matá-lo. Como tal, a proposta feita por esta estranha criatura amarela de tentáculos com os terráqueos, nomeadamente o Governo do Japão, é a seguinte - leccionar alguns dos piores alunos e simplesmente transformá-los em perfeitos assassinos, sendo que cada um terá a responsabilidade de assassinar o seu respectivo "professor" até ao final do semestre.

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Para quem desconhece a matéria original, encontra um todo bizarro registo de difícil interacção, mas nem é por essa questão de gosto que Assassination Classroom falha redondamente. A questão aqui é a sua linguagem cinematográfica: nada justifica os seus altos e baixos dramáticos, dificilmente inseridos numa intriga que se esforça em equilibrar o seu lado de animação e a comédia de apelo cinemático. As personagens raramente saem da sua capa de caricatura e a emocionalidade que poderia ser trazida na relação entre estas figuras é demasiado rebuscada, colocado aos “trambolhões”, lado-a-lado com os imensos easter eggs que fazem “piscar” os olhos dos adeptos desta modalidade japonesa. Por um lado, os efeitos visuais são irrepreensíveis, mesmo em retratar um “monstro” altamente incredível em termos estéticos. Porém, é essa criatura tecnológica que encontramos o grande comic relief desta jornada que nem é carne nem tofu.

 

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Quando se julga que adaptar uma manga é ser-se puramente fiel, mesmo em termos estilísticos, basta verificar os tempos de Battle Royale [ler crítica], e perceber que dois mundos distintos podem interligar-se quando ambos estão dispostos a sacrificar-se os seus valores pessoais, assim adquirindo uma nova personalidade cinematográfica. Assassination Classroom é claramente um filme carente desse tal efeito.

 

Filme visualizado na 9ª edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa

 

Real.: Eiichirô Hasumi / Int.: Okuma Anmi, Wakana Aoi, Shôta Arai

 

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4/10

publicado por Hugo Gomes às 17:29
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Cinquenta tons de anônimo
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10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
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