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23.10.17

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À terceira é de vez … em 9 anos!

 

Não vamos aqui “histericamente” proclamar que este Ragnarok é o Filme da Marvel por excelência, como muita da imprensa norte-americana interessada em seguir como insiders os estúdios da Marvel / Disney considera em cada produção lançada, mas poderemos garantir que este era o filme que precisávamos (não totalmente) neste universo cinematográfico.

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Era fácil superar os dois standalones anteriores, tendo em conta que The Dark World (O Mundo das Trevas) representou tamanha pedra na qualidade narrativa e produtiva destes episódios-fílmicos. Em Ragnarok, o neozelandês Taika Waititi (What We Do in the Shadows, da série Flight of the Conchords) percebeu a tempo que a personagem-título necessitava de um “refresh”, de uma actualização (digamos assim), trazendo com isso consequências e implicações. Primeiro, a auto-paródia que preenche o protagonista, tornando-o adaptável para uma variedade estilística. Sim, Thor 3 é dos poucos que aposta numa divergência de estilo (anteriormente este título era de Guardians of Galaxy), nem que seja pelos cenários deliciosamente coloridos ou da música techno 80 de fazer chorar David Hasselhoff, tudo isto em enquadramento com o nosso “herói”, que subliminarmente é movido por vingança, sentimento primitivo raro neste universo colorido da Disney.

 

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Porém, se ficamos minimamente satisfeitos com este upgrade, por este precioso momento de causa-efeito, e as inconsequências disfarçadas por alguma preocupações de insurreição, Ragnarok é para todos os termos uma produção gloriosamente engendrada no seu A a B em linguagem argumentativa, pelo lufa-lufa narrativo e pelas constantes personagens unidimensionais (Cate Blanchett e Tessa Thompson são exemplos disso) que apenas vingam por alguns pormenores irreverentes.

 

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A cobardia da Marvel ao longo de 9 anos é compensada com “passos-coxos” avante, oferece-nos um entretenimento visual com uma noção satírica invejável … ou Jeff Goldblum como o merecedor imperador de uma nação. Já esperávamos isto por muito tempo (não me refiro apenas à iconoclastia de Goldblum), mas aos “ventos de mudança” que entraram no estúdio mais sobrevalorizado dos dias de hoje.  

 

"We know each other. He's a friend from work."

 

Real.: Taika Waititi / Int.: Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Tessa Thompson, Anthony Hopkins, Idris Elba, Karl Urban, Ray Stevenson, Jeff Goldblum, Mark Ruffalo, Benedict Cumberbatch, Taika Waititi, Matt Damon, Sam Neill

 

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publicado por Hugo Gomes às 12:46
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3.7.17

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O regresso ao Universo, mas afastamento da emancipação.

 

Para o bem ou para o mal, a trilogia Spider-Man de Sam Raimi obteve um relevante impacto no agora formado género de "cinema de super-heróis". Primeiramente, servindo de auto-consolo do fracasso de Darkman, a primeira incursão de Raimi neste modelo (se não considerarmos a emancipação da sua personagens, Ash de uma anterior trilogia, Evil Dead, como rascunho desse seu fascínio por heróis de ordem). Foi o realizador, juntamente com Bryan Singer em outra saga (X-Men), que recolocaram os "heróis de quadradinhos" no mapa "hollywoodesco", anteriormente de volta à marginalização com culpas voltadas para Joel Schumacher e o seu doloroso "retro camp".

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Contudo, é com Spider-Man 2 [ler crítica], em 2004, que por fim começou a olhar para o género com possibilidades dramáticas e no seu jeito limitado, intimistas. Passados três anos, o muito esperado terceiro filme assumiu-se como um autêntico abanão: os estúdios interferiram na anterior liberdade de construção e de decisão de Raimi, o que, não limpando as culpas no realizador, transformaram o desfecho numa esquizofrénica produção em permanente conflito. Conflito esse que levou à saída de Raimi, e com ele, os dois protagonistas: Tobey Maguire e Kirsten Dunst. Sem realizador e sem os actores principais, a Sony teria, não tendo outra alternativa, refazer a saga milionária, desta vez com atentamente observando o modelo implantado pela concorrente Marvel Studios / Disney (sedentos pelos direitos "caídos" do Homem-Aranha).

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The Amazing Spider-Man, com Andrew Garfield, era um projecto megalómano que foi vencido pela sua própria ambição. Numa saga onde um segundo filme rende menos que o primeiro, em linguagem militar, há que bater em retirada, e essa mesma deu-se com as tréguas ao até então estúdio rival. Spider-Man "regressou" a casa, noticiaram os medias perante a bombástica decisão da Sony em ceder os direitos do seu "aranhiço", personagem que teve a sua "triunfal" entrada em Capitão América: Civil War [ler crítica], uma aparição hipócrita tendo como margem a suposta temática politica e ideológica do filme. Depois da chegada, veio a emancipação, é assim que promete este filme a meias com o trocista título Homecoming.

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Tom Holland é o Peter Parker da nova geração, às ordens da Marvel Stu … perdão … do realizador Jon Watts, um homem vindo de produções independentes que já havia demonstrado uma delicadeza e conhecimento em abordar o universo infanto-juvenil. Vejamos o exemplo do seu anterior Cop Car [ler crítica], em que duas crianças encontram acidentalmente um abandonado carro de patrulha, deparando com duas personagens que tão bem ligam a inocência com a equivoca ignorância da "tenra idade", a inconsequência lado-a-lado com a rebeldia. Em Homecoming, as personagens joviais parecem forçadas ao seu próprio registo de estúdio, neste caso o regresso ao ambiente de liceu, com tentativas de encontrar influências em John Hughes, mas com os seus "herdeiros" Disney como esboços. Resultado: eis um enésimo ambiente pastiche que confunde inocência com prê-mecanismos estabelecidos.

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Mas quem espera ver um novo filme de Homem-Aranha, não espera encontrar um retrato realista de jovens de hoje, nem nada que pareça, mas sim, e sob o selo da MCU, um canónico episódio desta novela The Avengers. Se Tom Holland é de certa forma um talento, Jon Watts um realizador a ter em conta e um Michael Keaton aquilo que já sabemos, entre outros, é evidente que em Homecoming está investido talento. Porém, e infelizmente, como manda a indústria imperativa, os talentos são dissipados pela máquina oleada, pelo produto em reflexo do "universo partilhado" e assim ficamos pela "competência". Pela ausência de transgressão, pela ausência de motivar cinema para além dos testados vínculos narrativos que tão bem funcionam entre o público.

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E é pena que depois do passageiro hype (sim, Homecoming é simplesmente vitima de hype), esquecemo-nos dos agachamentos que a equipa de Jon Watts parece querer invocar por aqui: a vulgarização do super-herói, e a sua relevância imposta na cultura pop de hoje, com especial atenção às camadas mais jovens. Sim, existe uma espécie de autocrítica nisto tudo, mas a sua audiência esquece e o que parece importar é o "devolver" Peter Parker ao universo que supostamente pertence. Carece da ingenuidade marginal de Raimi e a sua vontade de homenagear os comics como plataforma narrativa ao invés do universo conhecedor dos fãs. Além disso, é urgente desligarmo-nos do militarismo de hoje (Homecoming perpetua esse fantasma imposto pela Marvel / Disney) e … ah, como dói o coração ver Keaton novamente numa personagem alada depois daquele statement em Birdman.

 

Real.: Jon Watts / Int.: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Zendaya, Marisa Tomei, Jon Favreau, Gwyneth Paltrow, Donald Glover, Chris Evans, Jennifer Connelly, Logan Marshall-Green

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publicado por Hugo Gomes às 14:01
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24.4.17

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O regresso dos desajeitados!

 

O Mundo poderia viver sem uma sequela de Guardiões da Galáxia? Claro que podia, mas digamos que a sua existência não nos levará ao Armagedão. Porém, o que era descontraído no primeiro filme, torna-se forçado e demasiado confiante no segundo. É a vida! São as leis de mercado e sobretudo as regras das “sequelites”. A proposta tem que ser maior, mais ambiciosa, e quantitativamente aliciante, o resto é jogar no seguro e fazer “rolar” a “magia” dos encantadores números do box-office.

 

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Sim, Guardiões da Galáxia é a “grandiosa” aposta para as audiências pré-estivais, aquele sci-fi humorado e colorido, recheado de easter eggs que vão do kitsch ao vintage e vice-versa, tendo como ingrediente extra, um recanto perfeito para famílias. Trata-se do regresso dos cinco “misfits”, agora consolidados a uma espécie de comunidade “familiar”, uma equipa de mercenários que protege a Galáxia por um bom preço. As personagens do anterior estão lá, conservadas em âmbar para que os espectadores não notem divergências e, pelo facto, são eles que nos trazem as boas novas desta continuação. A começar pelo wrestler David Bautista no papel do atípico Drax, a personagem que lhe mais condiz, e o verdadeiro comic relief de um universo cheio de comic reliefs. Nesse aspecto, temos aqui o perfeito clown intergaláctico. Pelo meio encontraremos guaxinins falantes, um par de “pombinhos” em constante vaivém e árvores “fofas”, esta última, uma aposta mais forte ao mercado do merchadising do que propriamente em trazer algo de útil a um filme com milhentas cenas inúteis.

 

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Será que vemos em Guardiões da Galáxia os ensinamentos de George Lucas, o cinema como uma tela branca, o facilitismo do CGI e, pior, a prolongação das sequências descartáveis como provas de manuseamento de tal tecnologia? Pois, se por eventualidade editássemos o nosso Volume 2, descartando toda essa frente de momentos slapstick e dignamente paródias, as runnings gags que persistem e perduram, as correrias que dão uso à palete de cores e à infinidade do CGI, e como não poderia deixar de ser, os easter eggs anexados a cameos, nomes, referências e ganchos para futuros capítulos. Se tirássemos isso tudo, Guardiões da Galáxia estaria despido a pouco mais de uma hora e meia de duração (ao invés das duas horas), integrado a um enredo corriqueiro de vilões com desejo de dominar o Mundo e as moralidades de sempre na Casa do Rato Mickey (a Disney tem um verdadeiro “daddy issue”).

 

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É um blockbuster de bons momentos, disso não há dúvida, sobretudo no jogo versátil de imagem com a musicalidade, mas é de um desequilíbrio total, um confronto entre a libertinagem de James Gunn frente a um megalómano estúdio que tem tudo para sufocar liberdades criativas. Pode ser cliché afirmar isto, mas cá vai. Não há frescura como o primeiro!

 

Real.: James Gunn / Int.: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Bradley Cooper, Vin Diesel, Michael Rooker, Sylvester Stallone, Kurt Russell

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:20
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25.10.16

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Um estranho caso chamado Marvel!

 

Numa certa entrevista, Steven Spielberg comparou esta "onda" de filmes de super-heróis com o fenómeno do western existente há décadas atrás (abundância era "coisa" que o valha). Produtos replicados e lançados sistematicamente, que só poucos conseguiram realmente enfrentar o "maior inimigo de todos" - o tempo - e no caso destes meta-humanos, ainda estaremos vivos até surgir o determinante período em que caiam em desuso. Para tal acontecer, é preciso existir um desinteresse por parte do público, um factor crucial que se dará com o primeiro "crash" de uma das majors, o primeiro flop financeiro para ser mais concreto.

 

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Enquanto vivemos nesse tempo de "vacas gordas", vamos espreitar este Doutor Estranho, o mais recente tomo da franchise Marvel Cinematic Universe, pelo qual foi lhe encarregue a missão de salvar uma saga que parece sofrer com uma modelização crónica. Tirando um ou outro, a Marvel tem pontuado com uma máquina industrial oleada, e como recentemente Joss Whedon afirmou em entrevista, questionado sobre o embate do estúdio com a sua rival DC, a grande proeza deste negócio encontra-se na sua narrativa, intacta desde o primeiro capítulo e completamente despida de qualquer transgressão estilística (relembramos a saída de Edgar Wright por divergências artísticas em Ant-Man).

 

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Enquanto, Zack Snyder, e companhia, tentam fazer um "treat" mais visual do outro lado do campo, o produtor executivo Kevin Feige tenta preencher a sua Marvel com os mais marcados dispositivos narrativos, como também apostando forte na concepção das suas personagens. Doctor Strange surge no tempo em que o visual torna-se sobretudo num bem essencial e necessitado neste mesmo universo, e a suas trips mágicas e dimensionais funcionam como um regalo aos olhos, mesmo que, para o espectador mais relembrado, nada disto é absolutamente original. Nota-se por exemplo, os túneis alucinogénicos de um 2001: A Space Odyssey (clássica referência do metafísico no cinema), como a desconstrução de cidades a dever muito a Inception: A Origem, de Christopher Nolan, ou seja, todos estes impressionáveis conjuntos de efeitos visuais, que consistem em formar o mundo espiritual diversas vezes referido, são de uma imaginação pobre.

 

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Essa pobreza torna-se ainda mais visível no argumento. Ora vejamos, sabemos que Dr. Stephen Strange é um egocêntrico, um arrogante com uma vida perfeita, que a certa altura, em consequências de um acidente, todo o seu mundo "cai". Fica então dependente da caridade de outros, e para sair desta mesma situação procura ajuda, nem que para isso siga para os lugares mais remotos do Mundo. Nessa sua peregrinação, dá de "caras" com uma legião de magos e feiticeiros, a partir daqui arranca outra jornada pessoal - a aprendizagem de forças que nem o próprio compreende. O nosso herói acaba por aprender uma lição que se torna útil para o desfecho do climax. É o moralismo típico Disney, mas não só, existe muita reciclagem aqui. Tirando o assunto de esoterismo pagão, este Doctor Strange é uma versão upgrade do primeiro Homem de Ferro, o filme realizado por Jon Favreau que lançou a saga bilionária, assim como Robert Downey Jr. à ribalta estrelar. Parece que a Marvel já não tem volta a dar na sua "originalidade", esgotou a fórmula e o que sobra são os mesmos truques de sempre, o humor, por exemplo, continua como a sua melhor arma. Mas até quando isso se durará?

 

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Todavia, este Doctor Strange aguenta-se "nas canelas", a razão desse mesmo apoio chama-se Benedict Cumberbatch, que adapta-se à sua personagem com o carisma necessário. Ele é o tour de force de toda esta demanda heróica influenciado por um outro universo sob o selo Disney, Star Wars. Mas nem o actor é capaz de salvar este Mundo da iminente destruição, apenas retardá-lo. Basta agora, esperar o que o tempo dirá a este novo, e vistoso, capítulo de feitos heróicos. Será que Steven Spielberg tem razão? Por enquanto, ficamos a aguardar com o discurso do nosso mais recente, assim como esquecível (prato do dia para a Marvel), vilão de serviço (desta vez é Mads Mikkelsen a vitima), na mente. O Tempo é o maior inimigo de todos, ele destrói tudo. Não, meus senhores, não estou a confundir com o Irréversible, de Gaspar Noé.     

 

"You're a man looking at the world through a keyhole. You've spent your life trying to widen it. Your work saved the lives of thousands. What if I told you that reality is one of many?"

 

Real.: Scott Derrickson / Int.: Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Chris Hemsworth, Benedict Wong, Scott Adkins, Benjamin Bratt, Michael Stuhlbarg

 

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27.4.16

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Vamos brincar às politicas de collants!

 

Capitão América reencontra o seu amigo de infância, agora inimigo da SHIELD e da ordem mundial, Bucky Barnes, num apartamento em Berlim. Neste secreto encontro, Bucky tenta convencer o nosso herói da sua inocência quanto a um tenebroso atentado à Sede das Nações Unidas, cujas provas apontam para o seu envolvimento. Entretanto surge a notícia de que tal edifício está cercado pela polícia de intervenção alemã e a única forma de ambos escaparem da massa policial é através dela. Bucky garante ao nosso amigo "que não irá matar ninguém". As sequências seguintes são de uma brutalidade avassaladora, o denominado Soldado do Inverno e o Capitão América tentam sair do prédio, golpeando, atirando "borda-fora" e fortemente batendo nos ditos policiais. As imagens são evidentes, são poucos os que conseguem resistir a tais golpes. Toda esta cena vem provar o que não precisa ser provado, estamos perante a um filme inconsequente nos seus actos. Tudo muito bem, o problema é quando se joga com a politica.

 

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A Marvel prometeu uma Guerra Civil, baseada numa homónima série de BD, porém, o resultado é deveras decepcionante. Como já referi, neste franchise da Disney o terreno é fértilmente politico, digno do cinema adulto, mas o que consegue é nada mais, nada menos que um ensaio pueril que brinca com as ditas politicas da mesma forma que movimenta figuras de acção. Tudo começa com uma chamada aos tempos da Guerra Fria, que depois dos nazis disfarçados que fora a organização antagónica HYDRA , chega-nos os fantasmas da União Soviética, com o modelo do Candidato da Manchúria como primeira base.

 

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O anterior Soldado de Inverno continua a fazer das suas, integrado em mais missões terroristas que servem de pano de fundo para uma conspiração a cargo global. Mas o problema não está nos vilões “vermelhos”, mas sim nos próprios Vingadores, cada vez militarizados e convertidos em forças especiais a operar nos locais mais remotos em defensa de uma estilo de vida próprio, o qual acreditam piamente. Depois de uma missão que terminou em tragédia em Lagos, Nigéria, vitimando mais de uma dezena de civis, as Nações Unidas engendram um plano, não para destruir a iniciativa dos Vingadores, mas destituir os seus poderes e a liberdade destes, sendo que a única solução é uma interligação à NATO, o qual só operariam caso fossem precisos ou convocados.

 

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É um registo teoricamente interessante seguir este território pantanoso no subgénero de super-heróis, Christopher Nolan o conseguiu com a sua trilogia protofascista (The Dark Knight) e a última estância da DC Comics (Batman V Superman), sombreia a responsabilidade da imensidão dos poderes num só individuo. Mas a Marvel, ligada à sua Disney, apenas consegue proclamar ideologias fascistas e anárquicas no seu Capitão América, confundindo-as com alusões de liberdade individual e em politicas maniqueístas, e nada de ambiguidades, muito menos chamadas de "facas de dois gumes". Guerra Civil vai ao encontro dessas doutrinas e crenças, transformando o Homem de Ferro e os seus “seguidores”, a fim de tomar responsabilidades governamentais, como os verdadeiros vilões da fita. Com “brigas” atrás de “brigas”, o filme acaba por transmitir uma visão de um Mundo e esta “realidade” é estabelecida como a mais correcta das verdades.

 

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Conclusão, temos super-heróis politicamente perversos ao serviço de um argumento inconsequente que parece ter sido escrito por uma criança de 5 anos com toda aquela harmonia típica da Disney. Conforme são as nossas acções e posições acabamos por ser todos “amigos” perante uma causa comum. A moralidade no seu "melhor"! Mas o pior, é que como é um filme de super-heróis bem oleado, portanto, ninguém leva a sério estas tais politiquices jogadas num só norte. Infelizmente, é por estas e por outras que, com a ajuda dos ávidos seguidores de BD, filmes como estes são venerados e aclamados como produtos cinematográficos de requinte, até porque o que interessa é saber quem ganha no confronto Capitão VS Homem de Ferro, e o Homem-Aranha "enfiado a martelo”, apenas para providenciar futuros capítulos (um registo imaturo que só vem a provar para quem são direccionados este tipo de produções). O restante é simplesmente “peanuts”.

 

"I know how much Bucky means to you... Stay out of this one, please. You'll only make this worse."

 

Real.: Anthony e Joe Russo / Int.: Chris Evans, Robert Downey Jr., Tom Holland, Elizabeth Olsen, Scarlett Johansson, Paul Rudd, Sebastian Stan, Paul Bettany, Gwyneth Paltrow, Chadwick Boseman, Martin Freeman, Daniel Brühl

 

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24.4.15

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Salvando o Mundo! Outra Vez!

 

Depois de Guardians of the Galaxy ter expandido o Universo Cinematográfico da Marvel, expondo outra equipa de super-heróis, voltamos agora à "velha" trupe (Iron Man, Captain America, Thor, entre outros) num confronto directo com um inimigo comum, Ultron (com a voz de James Spader), o último "grito" de inteligência artificial e de ego megalómano. O desafio parece estar à altura para este conjunto de indivíduos de "dotes especiais", porém, o filme (The Avengers: Age of Ultron) não consegue fugir do bem oleado registo já encontrado por esta indústria, por outras palavras, quem é fã continua fã e quem não o é, não será desta que será convertido.

 

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Mais do mesmo são as palavras certas para classificar esta sequela directa do mega-êxito de 2012 (é até à data o terceiro filme mais rentável de sempre), onde Joss Whedon encontra-se novamente a bordo, contagiando uma narrativa com as suas intervenções cómicas dotadas de astúcia, assim como o argumento que o próprio escreveu. Contudo, enquanto que o primeiro filme deste "joint event" resultou numa "experiência modesta", aliás nervosa em relação aos eventuais resultados, com Age of Ultron, a confiança está ao rubro. Em consequência disso temos um extensivo prolongar do enredo, no qual se concentram mais personagens (talvez demasiadas) e respectivos subenredos (acontece tanta "coisa" em simultâneo), apostando assim, numa ênfase dramática mais acentuada do que o normal. Sim, este novo The Avengers está mais próximo do terceiro Iron Man do que propriamente da primeira estância de Joss Whedon neste franchising, igualmente interessado em tecer intrigas humanas aos seus heróis (um tempo perdido nesta concepção), para depois seguir à deriva do festim tecnológico e do vazio que esta parece emanar.

 

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Mas não se deixem enganar, Whedon faz a diferença e com essa marca "autoral" o demarca dos restantes capítulos deste Universo Partilhado, o seu pontuado humor está lá, mesmo em doses pequenas, mas triunfantes no preciso momento em que são retiradas da "cartola". O elenco é prestável nas suas encarnações (Elizabeth Olsen e Aaron Taylor-Johnson, sob um sotaque artificial, chegam mesmo resultar como novas adições) e até o vilão encontrado, o referido Ultron, reserva-se como uma surpresa, tão ou mais carismático que o maior trunfo da Marvel Studios na categoria dos antagonistas, falo obviamente de Tom Hiddlestone e o seu Loki. Mas a previsibilidade é por si impossível de contornar, não devemos esperar grandes surpresas nem sequer irreverências. Tudo corre como planeado, com direito a um colossal confronto final (esperado…) e, sinceramente, mastigado pelo uso e abuso dos efeitos visuais, assim como as personagens descartáveis e os intermináveis easter eggs que servem para contentar fãs e aficionados da BD, alimentando assim o "culto" para com o franchising.

 

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É um entretenimento que resistirá no teste dos espectadores, mas infelizmente é povoado por concertantes lugares-comuns geográficos e etnográficos, estereótipos servidos para simplificar todo um Mundo criado. Outro ponto negativo, se prestarmos atenção aos propósitos subliminares do filme, é o excesso de militarismo de que a iniciativa The Avengers parece adquirir, como por exemplo, Hawkeye (Jeremy Renner) a comportar-se como um autêntico Tio Sam: "we want you to join in our cause". Mas claro, fazer leituras politicas aqui é quase tão descabido como ir a um restaurante de fast food pedir uma sopa. Avancemos para o próximo episódio.  

 

"I've got no strings to hold me down / to make me fret, or make me frown / I had strings, but now I'm free / There are no strings on me!"

 

Real.: Joss Whedon / Int.: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Chris Evans, Scarlett Johansson, Mark Ruffallo, James Spader, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson, Cobie Smulders, Elizabeth Olsen, Aaron Taylor-Johnson, Anthony Mackie, Don Cheadle, Paul Bettany, Andy Serkis, Thomas Kretschmann, Stellan Skarsgård, Idris Elba, Julie Delpy

 

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12.8.14

Os Vingadores do Espaço sem fronteiras!

 

O estatuto da Marvel como produtora cinematográfica é tal que chegaram a contratar o quase desconhecido, mas competente, James Gunn (quem se lembra de Slither?) para dirigir uma das suas apostas mais arriscadas. Trata-se de Guardians of the Galaxy, uma das séries mais alternativas da Marvel enquanto editora, constituído por um elenco pouco apelativo para as grandes massas, mas que mesmo assim conseguiu um hype estrondoso durante os seus primeiros dias em cartaz, um frenesim que nenhum outro filme da Marvel havia "gozado" desde então. Mas será esse dito hype, algo merecido ou um puro exagero? Perguntam vocês e muito bem.

 

 

Na verdade, Guardians of the Galaxy resume-se a um filme fresco dentro dos parâmetros formatados do estúdio e com um claro bom gosto ao vintage. Esse último ponto torna-se evidente a banda sonora, uma alegoria de êxitos dos anos 70 e 80 (de David Bowie a Marvin Gaye, passando pelo vibrante Hooked on a Feeling, dos Blue Swede) e o tom satírico da obra que o distingue do humor quase "slapstick" dos anteriores capítulos da Marvel Cinematic Universe.

 

 

Quanto ao enredo, este centra-se na aventuras de cinco "desajustados" fora-da-lei inter-galáticos que decidem intervir para o bem de todo o Universo, ou seja, impedir que os maléficos planos de um vilão de serviço se concretizem. Esse dito "quinteto de cordas" é constituído pelo terráqueo John Quill e o seu forçado "alter-ego" Star-Lord (a ascensão de Chris Pratt para futura estrela), a assassina Gamora (Zoe Saldana e mais uma variação alienígena, desta verde), o brutamontes com problemas de expressão Drax the Destroyer (o wrestler Dave Bautista), a simpática árvore mutante Groot (Vin Diesel naquele que poderá ser o melhor papel da sua carreira e apenas munido com um frase, repetindo vezes sem conta) e por fim o guaxini rezingão e malicioso Rocket (Bradley Cooper). A química entre eles é impagável e invejável, sendo os cinco o "motor" de todo o filme, e talvez o motivo que baste para tornar a obra de James Gunn na melhor variação cinematográfica da Marvel Studios. Se não for o caso, talvez contagiado pelo hype envolto, Guardians of the Galaxy é por enquanto o mais divertido filme deste universo desde que Robert Downey Jr. vestiu pela primeira vez o fato metalizado de Iron Man.

 

 

Um deleite cómico aspirado nas aventuras cinematográficas mais antigas do que o habitual standard da linguagem de videojogo que muitos dos blockbusters parecem ter adquirido. É visível que James Gunn inspirou-se em Firefly/Serenity (atenção o criador desta série, Joss Whedon, é já um dos braços fortes da empresa) e em Star Wars, este último talvez a matriz de todo os filmes para as massas da actualidade, e tais comparações são ainda mais evidentes com a chegada do climax (o ato menos conseguido de todo o filme), onde o qual esboça um "déjà vu" arrastado (será que estou a ver a invasão dos rebeldes à Estrela da Morte!) e prejudicado por um vilão sem um pingo de carisma nem interacção com o quinteto heróico (tirando Loki de Tom Hiddlestone, a Marvel Studios não consegue criar mais nenhum memorável vilão).

 

 

Dito isto, há que salientar que a entrada de Gunn no mundo do blockbuster é ditado por uma das mais deliciosas conversões da BD, mas nem tudo são "rosas" aqui. Existe obviamente e dentro do cinema de entretenimento muitas arestas a ser limadas, e como jubilo cinéfilo é triste ver o desaproveitamento de atores como Glenn Close e Djimon Hounsou. Porém, a maior infelicidade do filme é talvez o seu destino frente à fervorosa maquina de "fazer dinheiro" que é a Marvel. O que preocupa aqui são os universos partilhados, que transforma talvez segmentos da banda desenhada que poderiam ser interessantemente explorados no grande ecrã em produtos modelizados por uma maquina industrial. Sabendo que será difícil digerir um elo que interliga o mundo de Guardians of the Galaxy com os anteriores Iron Man, Hulk e Thor, qualquer coisa que equivale a criar um crossover de Star Wars com The Lord of the Rings, demasiadas incoerências do que similaridades. Mas este ponto já é algo que deveríamos ter em conta muito antes de termos visualizado a obra, a Marvel não brinca em serviço no que requer em agradar as suas exigentes legiões de fãs. Ainda assim, Guardians of the Galaxy funciona como um filme a solo e por enquanto podemos por momentos fingir que se trata disso. Por enquanto, a sequela já se encontra a caminho ... e com mais "awesome mixtapes".

 

"I am Groot"

 

Real.: James Gunn / Int.: Chris Pratt, Vin Diesel, Bradley Cooper, Zoe Saldana, Dave Bautista, Glenn Close, Djimon Hounsou, Lee Pace, Josh Brolin, Karen Gillan, John C. Reilly, Benicio Del Toro, Seth Green

 

 

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7/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:41
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27.3.14

 

 Uma Guerra Fria by Marvel!

 

Actualmente os vulgarmente denominados "filmes de super-heróis" representam uma importante fatia da industria cinematográfica, estando estes longe dos tempos marginais em que estavam reduzidos a uma espécie de segunda divisão da indústria. Estas adaptações de BD, grande parte sob o selo da Marvel, apresentam-se a nós cada vez mais pomposas em termos produtivos e mais ambiciosas em abandonar de vez a catalogação pelo qual são ainda discriminadas. Captain America: The Winter Soldier é mais um exemplo deste "case study" da Marvel, a transformação de algo inconsequente mas afectivamente ligado à nostálgica juventude de muitas gerações em cinema de "gente grande".

 

 

Construído a partir da matriz pelo qual o estúdio requisitou nos últimos anos, uma formula vencedora por sinal, esta nova versão do herói criado por Joe Simon e Jack Kirby em 1941 para fins propagandistas da militarização norte-americana na Segunda Guerra Mundial funciona como uma fita vistosa contemplada por doses industriais de artifícios atraentes e primários, denunciando a sua dependência com o marketing envolvido. Porém, é verdade que ao nosso Capitão calhou-lhe na "rifa" um argumento mais que razoável, por vezes buscando inspiração aos thrillers dos anos 70 nos quais Robert Redford (a sua presença não é vão) foi por inúmeras vezes protagonista. Para além disso, este é dos poucos filmes da Marvel que pode ser visto sem a conexão das outras sagas implantadas, iniciando-se de forma energética onde por momentos temos a sensação de assistir a alguma acção "old school" (corpo-a-corpo e muito tiroteio numa dinâmica sequência inicial).

 

 

Mas isso termina rápido, porque The Winter Soldier tem mais na agenda do que ser propositadamente mais um filme de acção para veteranos de Guerra. Aliás, temos espaço para tudo - um pouco de drama a "três pancadas" (a formula bigger than life), o humor de intervenção e corriqueiro sem brilho, e uma conspiração que se avizinhava complexa mas que afinal é mais uma eventual dominação do Mundo como toda aquela "carrada" de vilões da saga James Bond. Para dificultar, temos ainda uma câmara que não sabe se é "carne ou peixe", ou seja, neste caso, ou é estática ou de ombro, o que corta o tom das inúmeras sequências de acção competentes.

 

 

Resumidamente, tudo parece um episódio alargado (mas do bom lote) do terrível spin-off televisivo S.H.I.E.L.D., com uma certa propaganda norte-americana à mistura (visto a personagem original ter essas origens). Captain America: The Winter Soldier é o típico produto do estúdio, bem lubrificando (os atores cumprem as suas funções e a intriga desespera em procurar a sua espectacularidade) e visualmente deslumbrante para as vastas audiências. Porém, não figura entre os melhores da Marvel, mas também está longe dos piores. Para heróis nacionais sempre preferi o nosso Major Alvega.

 

"Captain, in Order to build a better world, sometimes means turning the old one down... And that makes enemies."

 

Real.: Anthony Russo, Joe Russo / Int.: Chris Evans, Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Robert Redford, Samuel L. Jackson, Cobie Smulders, Emily VanCamp, Frank Grillo, Toby Jones

 

 

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6/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:57
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25.1.14

O trágico destino dos super-heróis!

 

O Universo dos super-heróis, principalmente a da cada vez mais ambiciosa instituição da Marvel, têm conseguido tornar este subgénero que no passado esteve diversas vezes ligado a projectos "malditos", num género distinto e independente. Após cumprir o pilar da pretensão que foi The Avengers (Joss Whedon, 2012), um estrondoso sucesso de bilheteira, os estúdios da Marvel em coligação com a Disney estão prontos para repetir tal façanha. Mas apesar do êxito em todo o Mundo, da histeria envolto, os mais recentes filmes da Marvel tem sido enfraquecidos com as ambições comerciais e com uma clara iniciativa de agradar fãs das BDs em geral como os geeks disposto a tornar tais eventos cinematográficos em novos clássicos da 7ª Arte. Parece heresia esta ultima afirmação mas a verdade é que cada vez mais a sociedade actual tem adquirido a tendência e a obsessão para tal. Com isto para dizer que é frustrante ver um filme como Thor: The Dark World, a sequela do filme de 2011 dirigido por Kenneth Branagh, um artificio dos factores mais primitivos do blockbuster inconsequente, obter tamanha adesão e aclamação por parte da critica norte-americana.

 

 

Trata-se de uma continuação mais musculada, mais "espectacular" nos termos visuais e técnicos mas prejudicados pelo ego "bigger than life", a construção ou simplesmente "ilusão" de uma intriga tão pueril em Shakespeare. A verdade é que ao contrário da sua prequela mais modesta, onde as suas principais falhas advém dos objectivos "ocultos" do estúdio, The Dark World possui uma auto-estima insuportável, uma personalidade oca convencida de forma insaciável e incontrolável. Este é um filme pretensioso, concretizado a "três marteladas" e exposto como simples pirotécnica ou simplesmente fantasia adolescente e imatura.

 

 

Kenneth Branagh  dá a vez a Alan Taylor (anexado à série de Game of Thrones), um realizador sem profundidade que demonstra incapacidade em "moldar" um Universo tão limitado como também em trabalhar com actores pouco concentrado no filme, do que no cheque chorudo que os espera. E já que falamos em elenco, vale a pena referir que em nenhum caso (excepto Tom Hiddlestone) encontramos uma prestação esforçada do luxuoso leque de actores que se concentra aqui. Até mesmo Anthony Hopkins, uma presença imaculada, é aqui deteriorada pelos valores da produção e uma Natalie Portman que após ter vencido o Óscar em Black Swan de Darren Aronofsky (agora utilizando a expressão popular) "não tem dado mais nenhuma para a caixa". Ponto positivo aqui é que a produção apercebeu a tempo do erro que foi em 2011 ter transformado a actriz Rene Russo numa figurante, contudo em The Dark World acaba por servir de "carne para canhão" na construção de um suposto suporte emocional.

 

 

E será com isto tudo Thor: The Dark World agradará fãs? Acredito que os próprios fãs da Marvel, cegos pela "destrutiva" máquina de produção que estes filmes encontram-se agora integrados, parecem que perderam a sua exigência, iludindo-a com  os efeitos visuais, as sequências de acção e o elenco de luxo que cuidadosamente ousam em contratar. Se não isto, como podem explicar o êxito e recepção de um filme de super-heróis com um argumento homicida às memórias do sci-fi, todo aquele "stock" cientifico  de dimensões paralelas e buracos negros é digna do pior da série Z, um vilão tão carismático como "areia de praia", um romance "tosco" e sem química (Chris Hemsworth revela mais química com Hiddlestone) e por último um climax que tem mais parecenças com uma comédia digna de Mel Brooks que com um blockbuster de cariz pretensioso. É risível, é pretensiosamente inóspito e uma colagem rebuscada de fantasia exaustiva, Thor: Dark World faz-nos desejar os velhos tempos marginalizados dos filmes de super-heróis ao invés de produções formatadas e sem alma depositada.

 

"Some believe that before the universe, there was nothing. They're wrong. There was darkness... and it has survived."

 

Real.: Alan Taylor / Int.: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Stellan Skarsgård, Idris Elba, Christopher Eccleston, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Kat Dennings, Ray Stevenson, Zachary Levi, Rene Russo

 

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:43
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28.4.13

O Cavaleiro de Ferro?

 

Existe cada vez mais uma tendência em humanizar os super-heróis de BD no cinema, possivelmente Sam Raimi e Christopher Nolan tem culpas no cartório, estabelecendo um target que todos os estúdios visionam nas suas produções do género. Iron Man é um dos exemplos disso, o mais humano de todo os super-heróis do universo Marvel acaba de receber com este terceiro filme, um retrato mais fragilizado, mais afectivo, portanto mais humanizado, o que até não é uma má ideia a explorar, contudo o problema do terceiro tomo do Homem de Ferro é mesmo esse … explorar.

 

 

Para quem conhece a banda desenhada tem a perfeita noção que a própria personagem de Tony Stark em diversas edições enfrentou um inimigo bem real do que aqueles que normalmente confronta nas suas habituais aventuras, a dependência alcoólica, a sua kryptonite, que é na verdade uma fraqueza comum da Humanidade em geral. Esta aproximação com a vida real tinha bases para se tornar num foco emocional e dramático que em “boas mãos” resultaria num exercício bastante interessante e alternativo deste género algo sobrevalorizado nos dias de hoje, porém Iron Man 3 não foi feito para ser um filme melodramático nem sequer recitar rebeldia em afastar do território estabelecido, ou seja adeus alcoolismo (apenas abordado com ligeireza num segundo filme mais preocupado com The Avengers) e olá acção.

 

 

Nem eu pediria outra coisa para um blockbuster desta magnitude, esta nova aventura reúne porém tudo aquilo que pretendemos em algo deste género, sequências de acção bem conseguidas, os efeitos visuais soberbos e sim, Robert Downey Jr. a desempenhar com classe o personagem estrelar, realçando o seu egocentrismo e a sua ambiguidade, porém neste episódio sente-se um certo desequilíbrio nesse campo. Mas voltando à questão inicial, Iron Man 3 revela-se mais negro e sério que os anteriores, conseguindo na primeira meia hora uma trama actual e cativante, que a passos dá lugar a uma puerilidade convertida em falsos-pretensiosismos.

 

 

Depois do projecto sensação que foi The Avengers, este Iron Man parece perder algum sentido de existência, revelando-se inapto na consistência da sua intriga como também das personagens que explora por vias de “preguicite”. Fiquei com a sensação que este novo exercício da Marvel prometeu mais do que aquilo que nomeadamente cumpre, depois existe aquelas sequências que nos desmascaram por completo a fita. Um impagável Downey Jr. e a confirmação da “máquina oleada” deste tipo de produções continuam motivos para a compra do bilhete, mas Iron Man 3 se revela quase como “uma criança em território adulto”.  

 

Honestly, there's a hundred people who want to kill me. I hope I can protect the one thing I can't live without...”

 

Real.: Shane Black / Int.: Robert Downey Jr., Guy Pearce, Gwyneth Paltrow, Ben Kingsley, Paul Bettany, Don Cheadle, Jon Favreau, Rebecca Hall

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 02:48
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20.5.12

O Primeiro Vingador que afinal é o último!

 

É um dos heróis mais famosos da Marvel e talvez o mais icónico da companhia - o Capitão América. Criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby, este personagem se tornou num símbolo propagandista de inspiração e coragem para os soldados norte-americano que seguiam para a Guerra, numa época em que a Segunda Grande Guerra ameaçava os costumes da terra do Tio Sam. Porém no fim desses tempos difíceis, onde o ambiente de conflito dissipou e as mentalidades se modificaram, este super-herói da Marvel caiu em desuso e foi acusado prolongadamente de ser a imagem intencionalmente patriótica e narcisista dos norte-americanos, sendo que a sua popularidade caiu bruscamente no fim da Guerra e Capitão América desapareceu nos anos 50, até ser reavivado em 1953, integrando na BD colectiva – The Avengers.

 

 

A equipa de super-heróis da Marvel (The Avengers – Os Vingadores) se tornou nos dias de hoje no projecto maior da indústria de banda desenhada como produtora cinematográfica e a ressurreição de Capitão América era uma manobra arriscada e incerta, o 11 de Setembro fez com que o Mundo observasse os EUA com um diferente olhar e o patriotismo quase abusivo da nação era julgada e condenada pelos quatro cantos do planeta. Foi o primeiro herói da Marvel a ser adaptado para o cinema numa versão serial de 1944 protagonizado por Dick Purcell e em 1990 surge uma longa-metragem de baixo orçamento filmado na Jugoslávia, obra quase desconhecida e repudiada. Marvel Studios sabia perfeitamente aquilo que possuía entre mãos, é que o herói que se veste como a bandeira dos EUA não contém material de fácil adaptação. É que nas mãos erradas esta versão cinematográfica poderia cair no erro do excessivo patriotismo, e todos nós sabemos que o mundo em que vivemos actualmente tal coisa não seria aceitável.

 

 

Captain America – The First Avenger, que caiu nas mãos de Joe Johnston, o homem por detrás do êxito de Jumanji (1995) com Robin Williams no papel principal e do incompreendido “fiasco” The Wolfman (a versão de 2010), segue as origens deste herói em pleno conflito da Segunda Guerra Mundial, sabiamente ligando o personagem de Simon e Kirby às verdadeiras intenções da sua criação. A primeira parte deste assumido filme de aventuras é uma interessante incursão da BD aos elementos da época onde enquadra-se o nosso herói, algo já feito com o recente X-Men: First Class, em que Matthew Vaughn eficazmente interliga as origens dos mutantes mais famosos com o ambiente dos anos 60.

 

 

Mas é quando chegamos à segunda parte do filme que tudo descarrila, The First Avenger se torna tão banal como muitos blockbusters que abundam, as sequências de acção perdem espectacularidade e o espaço entre as diferentes cenas são tão curtas dando a ideia de despacho fervoroso. O drama é substituído por elementos bacocos de bolso, os personagens secundários são resumidos a mero bonecos e até mesmo o vilão, o celebre Red Skull por Hugo Weaving (que já provou que não é má escolha para desempenhar personagens antagónicas) encontra-se sem chama. Tudo se resume a um apressado objecto, um arranque para um trabalho maior, esse The Avengers.

 

 

O que vale é que Chris Evans, que chegou a desempenhar outra figura imponente do universo da Marvel, o The Human Torch dos dois Fantastic Four de Tim Story, consegue criar um Capitão América moralista e carismaticamente heróico, um modelo de herói já há muito perdido. Todavia, quanto ao filme de Johnston, este é definitivamente a melhor transfusão deste herói de banda desenhada para o cinema, porém não se deixem enganar, tal afirmação não quer dizer muito, já que este The First Avenger compete com exemplos de muita baixa categoria. Um dos mais fracos filmes da Marvel desde que a Marvel se tornou estúdio.

 

Why someone weak? Because a weak man knows the value of strength, the value of power…”

 

Real.: Joe Johnston / Int.: Chris Evans, Hugo Weaving, Natalie Dormer, Stanley Tucci, Tommy Lee Jones, Toby Jones, Samuel L. Jackson

 

 

O Melhor – Ambientar Capitão América na sua época original

O Pior – narrativa apressada, apenas servindo de arranque para The Avengers

 

Recomendações – X-Men: First Class (2011), Thor (2011), Sky Captain and the World of Tomorrow (2004)

 

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:21
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12.5.12

A Liga dos Indivíduos Extraordinários!

 

Eis que por fim estreia aquele que é o dito projecto de sonho da Marvel Studios desde o inicio da fundação.E verdade seja dita, os últimos filmes baseado nas suas bandas desenhadas existiram essencialmente em prol desta iniciativa The Avengers, servindo de arranque ou despacho para introdução das suas personagens. Por isso é que notamos que as recentes incursões do universo da Marvel: Iron Man 2, Thor, Captain America têm sido prejudicados por esta ambição capitalista, obviamente de um sucesso automático, como tem vindo a ser confirmado segundo as noticias por esse mundo fora, revelando a nova fita de Joss Whedon (criador das séries Buffy e Firefly, como também da longa-metragem Serenity) num recordista de box-office. Mas o que afinal se tem a dizer da obra que tanto foi antecipada pelo estúdio? Será que esta forte aposta é assim por dizer a mais espectacular aventura de super-heróis que o cinema já presenciou?

 

 

A manobra inteligente da Marvel em saltar às introduções dos seus personagens estrelares, sendo que os spin-offs já cumpriram as suas tarefas, faz com que The Avengers seja uma obra propositada directamente para o climax, ao espectáculo visual e sonoro, aos efeitos visuais e às sequências de acção de fazer corar qualquer videojogo já alguma vez feito. Isto sim é um filme para massas, e disso ninguém nega. Baseado numa banda desenhada de 1963 criada por Stan Lee, The Avengers: The Mightest Heroes of Earth, como resposta ao sucesso da rival DC Comics: Justice League, a nova fita de Joss Whedon tenta de certa forma construir uma linha fiel com a sua matéria-prima, ao mesmo tempo que pretende ser algo mais do que apenas entretenimento inconsequente, introduzindo no seu argumento um ou dois palavrões científicos que iludem alguma inteligência numa premissa que supostamente se resume “when a bad guy try to take the world”.

 

 

Todavia é verdade que todos aqueles que esperaram atenciosamente por este megalómano blockbuster não sairão fraudados da sala de cinema, e mesmo sob o seu gene mais comercial, The Avengers consegue preservar algum cuidado e profissionalismo as níveis notáveis. O elenco que teve árdua tarefa de partilhar devidamente os seus “spotlights”, conseguem encontrar os seus momentos chaves, porém nesta guerra de protagonismo, Robert Downey Jr. (Iron Man) e a recente aquisição Mark Ruffalo (Bruce Banner / Hulk) saem a ganhar. Este último, sendo o terceiro actor a interpretar o anti-herói verde de raiva (precedido por Eric Bana e Edward Norton) tem a perícia que captar um Bruce Banner mais fiel à suas origens de BD, enquanto o seu Hulk tem sido palco de elogios pelas suas elaboradas e espectaculares sequências de acção. Enquanto isso Chris Evans como Capitão América parece reduzido por vezes a uma caricatura (sendo este o medo inicial do seu filme-solo) e Scarlett Johansson não convence na frieza quase esquizofrénica da sua personagem, contudo Samuel L. Jackson tem carisma suficiente para dar e vender, Clark Gregg destaca-se, Jeremy Renner encontra-se em modo “bad-ass”(apenas isso), mas é o actor Tom Hiddlestone como vilão Loki que cativa, nesta obra a sua personagem demonstra supremacia mental sobre o seu irmão / herói Thor (interpretado pelo insonso Chris Hemsworth).

 

 

A batalha final de The Avengers, o auge do climax, tem um aspecto por sim bastante dispendioso, sendo que os estúdios não olharam a meios de reconstruir uma das mais espectaculares sequências de acção de que há memoria. Existe de tudo aqui, desde humor, destruição a rolos, explosões e a mítica frase “Hulk Smash”, é que o nosso gigante verde torna-se num poeta face a este cenário semi-apocalíptico. Só por esta sequencia que faz vibrar todo uma sala de cinema, Transformers : Dark of the Moon de Michael Bay em comparação com isto é quase um Noddy. No final, as luzes da sala de projecção ligam e os créditos finais surgem,  e assim sendo um dos filmes mais esperados do ano dá por si terminado. Ao sair da sala senti satisfação ao ver que The Avengers não se resumiu a uma trapalhice estrelar, mas fiquei com a sensação de que acabei de sair de um “restaurante” de fast-food, satisfaz por momentos mas não nos enche por completo.

 

 

A fita de Joss Whedon não possui a maturidade de um The Dark Knight de Christopher Nolan ou de um Spider-Man 2 de Sam Raimi, é um filme de super-heróis com uma qualidade de espectacularidade elevada e por vezes divertido nas suas apostas cómicas, mas tudo limitado aos parâmetros normais das obras deste género. É um exercício de pirotecnia e “arrebenta-paredes” que de facto liderará multidões. Mas isso não basta para fazer verdadeiramente cinema, mas sim espectáculos circenses, contudo The Avengers não é dos piores e acaba mesmo por superar muitas das suas prequelas.

 

“We have a Hulk.”

 

Real.: Joss Whedon / Int.: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Clark Gregg, Stellan Skarsgård, Gwyneth Paltrow, Paul Bettany

 

 

O Melhor – Um filme visualmente espectacular e admito, divertido

O Pior – a verdade seja dita, surpreende a nível técnico, mas não intrinsecamente

 

Recomendações – The League of Extraordinary Gentlemen (2003), Iron Man (2008), Thor (2011)

 

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6/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:53
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1.5.11
1.5.11

 

Do folclore Viking até às BDs da Marvel!

 

O filme de Kenneth Branagh leva o espectador a Aasgard (o reino dos Deuses), ao encontro de Thor (Chris Hemsworth), um guerreiro imortal de carácter arrogante cuja suas atitudes imaturas originaram consequências graves para o seu próprio povo. Devido a tal, mesmo sendo filho do todo-poderoso Odin (Anthony Hopkins), o pai de todo os deuses, é banido do de Asgard sob a ordem do seu progenitor e enviado para o Terra, isente de qualquer poder original. Contudo mesmo no seio dos terráqueos, o seu eterno inimigo o persegue, orquestrado inúmeros planos para derrotar aquele que é o legitimo herdeiro do trono. Para combater tal ameaça, Thor tem que comportar como um verdadeiro herói, um líder sempre pronto a sacrificar-se para um bem maior.

 

 

Thor invoca nostalgia para Kenneth Branagh (Hamlet, Mary Shelley’s Frankenstein), o qual revelou durante a produção que enquanto criança sempre sentiu fascinado com a imagem de mártir e algo divina deste super-herói da Marvel (sublinhando “super”). O actor e realizador não hesitou em aceitar o papel como director na adaptação ao grande ecrã em serviço da Marvel Studios, assim concretizando o dito desejo de criança. Thor ao contrário de Hulk ou Iron Man (nomeando dois dos principais heróis da linha Marvel) não foi um produto da imaginação dos seus criadores, mas sim uma readaptação do folclore nórdico em que deuses como o homónimo protagonista, Odin ou Loki, faziam parte das figuras religiosas que muitos dos povos bárbaros veneravam, nomeadamente os infames vikings.

 

 

Não existe dúvidas que Kenneth Branagh é um excelente visionário como realizador, mas em Thor parece encontrar-se apenas em modo de serviço, “biscate” como vulgarmente costuma-se dizer. É que na verdade esta sua nova produção tem mais de demo (mais um!) para o ambicioso projecto intitulado de The Avengers (com estreia prevista para 2012), carecendo identidade e acima de tudo solidez no tratamento algo moralista que tenta incutir no seu herói.  Este é um claro exemplo de potencial corrompido pela dependência entre obras, o sacrifício em prol de um único propósito, um mero acessório aos "quadradinhos" visionados por Stan Lee.

 

 

Assim sendo, Thor tem todas as características dos recentes blockbusters; muitos efeitos visuais e uma enredo envolvido em vácuo. É nervoso em criar o seu próprio legado e compor as personagens apresentadas, sendo que elas (as humanas principalmente) aspiram o bacoco, o qual as suas insuficiências como tal são recorridas ao modo descartável (saudades de Natalie Portman em V for Vendetta). Chris Hemsworth como Thor, o Deus do Trovão, assemelha-se mais a um embrião de Schwarzenegger, inexpressivo e vazio como dito austríaco, do que na verdade um herói de banda desenhada de qualidades divinas. Tom Hiddleston, o arqui-inimigo e o veterano Anthony Hopkins (excelente como sempre) são a força motora o qual o filme de Kenneth Branagh sobrevive. O desequilíbrio toma conta da fita e o cansaço se sente na sua narrativa, felizmente existe algum humor que torna esta experiência menos maçadora, principalmente vindo da personagem da tão descontraída e por vezes egocêntrica Kat Dennings.

 

 

Por fim, os estrondosos efeitos especiais, são firmados como cartões de visita deste tipo de produções, conduzem-nos a uma decadência de ideias sobressaída por uma riqueza visual e técnica. Thor torna-se assim num rotineiro blockbuster, um filme tão mecanizado e ausente de alma que parece mesmo que foi concebido "às três pancadas", sarcasticamente digno de uma boa "martelada". O pior mesmo é insinuar que por detrás desta tamanha farsa estamos perante um filme da autoria de Kenneth Branagh,incapaz de desenvolver o toque shakespeariano da sua intriga. Pois bem, é que com Thor vem-se salientar que os super-heróis encontra-se cada vez mais restringidos às eventuais batalhas entre estúdios. PS – ainda temos a nossa mercê um escusado e fútil cameo de Jeremy Renner como o futuro Hawkeye, que para os menos informados na matéria é mais um membro da ambiciosa equipa de super-heróis.

 

"Thor Odinson... you have betrayed the express command of your king. Through your arrogance and stupidity, you've opened these peaceful realms and innocent lives to the horror and desolation of war! You are unworthy of these realms, you're unworthy of your title, you're unworthy... of the loved ones you have betrayed! I now take from you your power! In the name of my father and his father before, I, Odin Allfather, cast you out!"

 

Real.: Kenneth Branagh / Int.: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Tom Hiddleston, Clark Gregg, Stellan Skarsgard, Ray Stevenson, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson, Colm Feore, Kat Dennings

 

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:27
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1.5.10

A caminho dos Vingadores: a segunda volta do Homem de Ferro!

 

Em tempos, os filmes baseados em super-heróis de banda desenhada eram marginalizados, jogados para a segunda divisão, porém nos nossos dias, a BD como neste caso a Marvel se converteram nalgumas das mais valiosas fatias de lucro cinematográfico norte-americano, firmando também, ou pelo menos aspira ser, um ensaio experimental de autores e actores. Nestas adaptações nota-se um pretensiosismo evidente e cada vez mais competitivo entre si, não se trata de fazer entretenimento aos mais populares, trata-se de fazer História e lucro ao mesmo tempo. Iron Man de Jon Favreau, que estreou em 2008, foi um aposta arriscada de uma BD que em termos de popularidade não conseguiria competir com um X-Men ou um Homem-Aranha, mas o resultado foi revitalizante, pois com um realizador bem motivado, o qual ninguém dava "nada" por ele, até um protagonista, Robert Downey Jr., com entrada directa numa gloriosa ressurreição, revelando um “one-man-show”. Após render mais de 500 milhões de dólares em todo o Mundo, eis que finalmente surge a esperada sequela, onde é possível deparar com o dito pretensiosismo, bem catita aliás.

 

 

Iron Man 2, novamente dirigido por Favreau, volta à história de Tony Stark (Robert Downey Jr.), agora conhecido mundialmente por Iron Man. O nosso herói tem vindo a conquistar prestígio e fama como também inveja por parte dos seus rivais, principalmente Justin Hammer (Sam Rockwell), dono de uma companhia de armamento militar. Porém a verdadeira ameaça a Tony Stark advém de um misterioso homem, Ivan Vanko (Mickey Rourke) que jura concretizar uma vingança antiga e "esquecida".

 

 

Em Iron Man 2 a verdadeira estrela não são os efeitos visuais nem sequer a figura mecânica vermelha e amarela, mas sim o regresso do, já referenciado, “one-man-show” que Downey Jr. representa. Sendo talvez o grande sucesso do primeiro, aqui é equilibrado de forma a preencher uma complexa intriga em que os produtores decidiram introduzir. Para que o sufixo de “2” seja justificável, temos o dobro da acção com aquela suave critica ao tráfico de armamento e pela produção da mesma. Iron Man 2 aposta em grande nesta trama, os seus recursos para o fazer interagir com o protagonista são bastante eficazes, uma prova que Jon Favreau é o homem indicado para lançar o herói da Marvel para o grande ecrã.

 

 

Mas agora passemos às noticias menos felizes, é que esta sequela está uns furos abaixo do primeiro, não só porque de certa forma o elenco secundário é deixado à deriva da maré (Gwyneth Paltrow é novamente desperdiçada), como também o pretensiosismo complexar da historia acaba por leva-lo a "correrias" forçadas, principalmente na recta final, sem falar da "injecção" algo fútil da iniciativa Avengers (um sonho preste a ser concretizado pelo estúdio). Tirando isso temos um dos mais divertidos blockbusters do ano. As novas adições foram no portanto, frutíferas, como por exemplo, Mickey Rourke partilha similaridades com Downey Jr., ambos se encontram em ascensão cinematográfica. Sam Rockwell que antes havia sido cobiçado pelo realizador para ser o original Tony Stark, completa-se com o rival do mesmo, o homem tem jeito para a coisa. Scarlett Johansson em vias de se tornar numa vedeta de Hollywood do que numa actriz de “A” grande, a verdade que bela ela é, enchendo o olho mas não preenchendo os requisitos para além do "papel de cheque". Don Cheadle a substituir com grande estilo o actor Terrence Howard, que abandonou a produção devido a conflitos salariais, Samuel L. Jackson como um Nick Fury de "tiques egocêntricos" e por fim o próprio Jon Favreau, como o infeliz guarda-costas de Stark, um não tão preciso veiculo humorístico.  

 

 

Enfim, Iron Man 2 promete ser concorrência forte nas bilheteiras de todo o mundo, tornando assim num dos "braços fortes" da Marvel, que aposta em grande na sua compilação de super-heróis. Entretenimento garantido, é a palavra de ordem, mas para quem procura algo fresco para este inicio de Verão decerto que este O Homem de Ferro não irá fazer parte da lista. Felizmente refresca. Um aviso, fiquem na sala até ao final dos créditos!

“If you could make God bleed, people will cease to believe in Him. There will be blood in the water, and the sharks will come.”

 

Real.: Jon Favreau / Int.: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Mickey Rourke, Jon Favreau, Mickey Rourke, Clark Gregg

 

 

 

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Iron Man (2008)

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:22
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17.6.08

De Incrível não tem nada!

 

Uma coisa é certa, Hulk é uma personagem da Marvel com estofo suficiente para interessantes incursões cinematográfica, com diversas vertentes para explorar e Ang Lee soube disso quando aventurou neste Universo, emanando uma variação de Dr. Jekyll / Mr. Hyde que resultou num filme mais "cerebral" do que aquilo que os fãs estavam à espera. A reprovação dos mesmos foi só a ponta do iceberg para a condução deste "reboot", porque o motivo maior e talvez o mais relevante na produção cinematográfica foi o "falhanço" que Hulk de Ang Lee obteve nos mercados internacionais.

 

 

Depois disto seguiram as recusas do realizador e dos respectivos actores em dar uma continuação, segundo o autor "Hulk é um filme só", o que irritou ainda mais os estúdios da Paramount Pictures, que continham ambições predefinidas neste Universo cinematográfico. Em prol disso esta nova aventura fora produzida, contornando as tendências anteriores e apostando num modelo "tradicional" do entretenimento norte-americano do século XXI (ironicamente!), ou seja um filme acelerado, barulhento que faz uso e abuso dos efeitos visuais e da dinâmica das suas sequências de acção.

 

 

Para isso foi chamado Louis Leterrier, um "aprendiz" de Luc Besson, e um elenco renovado que vai desde um automático William Hurt até a um "vendido" Tim Roth, porém a estranheza é a integração de Edward Norton no projecto, sucedendo assim Eric Bana na pele do trágico Bruce Banner. Um dos mais importantes actores norte-americanos da sua geração, Norton sempre havia mantido afastado do cinema "blockbuster" desde então, sendo que o choque inicial com o espectador é duma eventual renuncia aos típicos protótipos destas produção descaradamente comerciais, brindando com algumas sequências cativantes como o traveling impressionante de uma favela do Rio de Janeiro ou até mesmo o esforço da estrela em recriar a figura trágica.

 

 

Todavia o facilitismo comercial fala mais alto e The Incredible Hulk, um titulo que alude fidelidade com a BD, se transforma naquilo que Ang Lee mais temia, um rotineiro blockbuster preso às suas crenças de "vendedor" e aos artifícios tecnológicos, como salienta o climax final. Ninguém nega que estamos perante numa obra com ritmo, directo à acção (nota-se pelo descarta da introdução das personagens), porém inconstante e na chegada do ultimo acto, automático como um videojogo se tratasse. Contudo é produtos como este que agradam em demasia os estúdios e claro, fãs e espectadores de passagem (com direito a cameo de Robert Downey Jr. e tudo). Ah! Já estava a esquecer, The Incredible Hulk ainda tem a "proeza" de trocar Jennifer Connelly por Liv Tyler.

 

"As far as I'm concerned, that man's whole body is property of the U.S. army."

 

Real.: Louis Leterrier / Int.: Edward Norton, Liv Tyler, Tim Roth, William Hurt, Tim Blake Nelson, Christina Cabot, Lou Ferrigno, Martin Starr, Ty Burrell, Robert Downey Jr.

 

 

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Hulk (2003)

Iron Man (2008)

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 10:25
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3.5.08

 Um majestoso homem de lata; o factor Downey!

 

Robert Downey Jr. como o herói de fato metálico e um realizador vindo do universo dos filmes de família, são a dupla improvável para a transição de Iron Man das BDs para o cinema. Um atento arriscado que não era possível ser concretizada se as anteriores adaptações do Universo da Marvel (Spider-Man por Sam Raimi e X-Men por Bryan Singer) não ostentassem (muito) favoráveis resultados.

 

Assim sendo, eis que surge um entertainment de massas que parece gozar do seu star system, nem caso a ascensão do seu protagonista, o há muito desaparecido Downey Jr.  A verdade é que de estilo próprio e de um carisma transbordante, o actor compõe uma das mais interessantes incursões de super-heróis, um dos raros exemplos onde a pessoa parece ser mais cativante que o alter-ego. Outro factor para a sua composição sedutora é a personagem ambígua que apresenta e os esforços dos argumentistas ao tentar interligar um suposto herói aos fantasmas do 11 de Setembro, aliás o dia que mudou não só a posição dos EUA no Mundo, mas também a própria definição de herói americano. Um vendedor e fabricante de armamento é das escolhas mais ousadas para o Universo Marvel, mas a verdade é que tal toque de irreverência é capaz de oferecer o espectador cerca de uma hora do mais astuto divertimento, e a reparar é que nem os stocks do género são necessariamente invocados.

 

E é então que passada a hora de introdução, o nascimento do alter-ego Iron Man, que a fita de Jon Favreau tende em cair no rotineiro, na vulgarização do seu subgénero e do modelo de blockbuster de Verão. Contudo o realizador é seguro, envolvente nas diferentes camadas (balançado a acção, a comédia e a ênfase dramática equilibradamente), e o protagonista é imparável, uma dupla explosiva que fazem com que Iron Man aguente até ao seu desfecho com a melhor das glórias sem nunca vacilar para territórios duvidosos ou descaramento comercial. A juntar a isto temos um elenco de luxo que vai desde Jeff Bridges como o calculista vilão de serviço, uma Gwyneth Paltrow reduzida a segundo plano e um Terrence Howard que proporciona a par de Downey Jr. alguns dos melhores momentos da fita.

 

 

E como blockbuster de Verão não poderiam faltar os CGIs, os efeitos visuais cuidados e hiperactivos, as sequências de acção explosivas que não caiem no excessivo a Michael Bay e um final imprevisivelmente pouco ortodoxo neste tipo de produções, a marcar pontos no julgamento, e uma banda sonora preenchida com os grandes êxitos da banda AC/DC a auferir estilo em todos os poros. Ao contrario dos anteriores Spider-Man e X-Men, este Iron Man é descontraído, colorido e flexível como entretenimento. Não é entediante e sim, uma dos melhores adaptações da Marvel. PS: não percam a sequência no final dos créditos, cheira aí projecto dos grandes.

 

"I am the Iron Man"

 

Real.: Jon Favreau / Int.: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Terrence Howard, Jeff Bridges

 

 

O melhor – Acima dos CGI, só mesmo Robert Downey Jr. 

O pior – Algumas situações e “tiques” demasiado clichés

 

ron Man” – 7 EstrelasFalta-lhe, obrigatoriamente algo que o faça distinguir dos demais, pelo que a banalidade torna-se patente assim como a falta de criatividade. Em suma, Robert Downey Jr. salva uma fita que quer ser tudo aquilo que não é, apesar do entretenimento de qualidade ser um factor garantido.”Cinema is my Life

“Iron Man” - 7 Estrelas "Um bom blockbuster do início ao fim. Uma das melhores adaptações da Marvel até ao momento, e que bem servido está Iron Man com Robert Downey Jr. Um filme que vai atrair muito público." Ante-Cinema

 

-

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 19:54
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