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22.1.17
22.1.17

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Tudo isto é triste, tudo isto é Fado!

 

A primeira longa-metragem de Jonas Rothlaender revela-nos uma história de ciúme e obsessão (contado com o auxilio da imaginação do protagonista) que tem como palco de fundo uma Lisboa filmada sob um olhar meramente turístico. Mas antes de desatarmos a apelidar este "esforço" de "europudim" perdido na tradução, vale a pena salientar a sensibilidade do realizador em procurar a medula desta cidade à beira Tejo. Como diz até certa altura uma das personagem habitantes deste Fado, Lisboa é uma cidade camaleão que se confunde com o estado de espírito da pessoa, enquanto alegres se transforma no recanto mais belo do pedaço, enquanto tristes a cidade veste o seu manto de melancolia e de tristeza derrotada.

 

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Talvez seja a cidade ser tão nossa que nos faz sermos exigentes com o olhar estrangeiro de Rothlaender, mas vejamos, muitos dos realizadores portugueses filmaram Lisboa com os mesmos olhos, contando com Bruno de Almeida e o seu The Lovebirds, até João Pedro Rodrigues e o seu gesto desencantado com Odete, e Marcos Martins e a sua busca numa cidade sem identidade com Alice. O único pecado do jovem realizador é a sua ambição de filmar os lugares comuns de Lisboa e as utilizar a favor de uma história carente em psicologia, mas apta nas insinuações emocionais. Com isso junta-se uma certa miopia e não ir mais longe, e ocultado, o desejado de por fim, integrar a alma de Lisboa, invocando o seu lado camaleônico ao extremo. Chegamos ao ponto de desejar o iminente desastre.

 

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A obsessão, o ciúme, a ameaça de crime passional preenchem a intriga, que nos dá o ar de "faz-de-conta", de insuflação automática ao serviço de um co-produção. Mas nem isso, Fado, esse sentimento que só os portugueses parecem conhecer, leva o filme ao desastre. Apenas precisávamos mais de paixão no argumento, e menos fixação no cenário.

 

Filme visualizado no 14º KINO: Mostra de Cinema de Expressão Alemã

 

Real.: Jonas Rothlaender / Int.: Golo Euler, Luise Heyer, Albano Jerónimo, Duarte Grilo, Rui Morisson

 

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6/10
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20.1.17

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"Tu nada viste sobre Fukushima"!

 

À primeira vista, Grüße aus Fukushima (Fukushima, Meu Amor) tem como ponto partida o mítico filme de Alain Resnais. Em primeiro lugar, ambos especificam um desastre em terras nipónicas – uma Hiroshima devastada pela bomba atómica lançada pelos norte-americanos durante a Segunda Guerra Mundial no caso de Resnais, o acidente nuclear que ocorreu após um terramoto e tsunami que lançaram o caos na cidade-título no filme de Doris Dörrie. Mas as semelhanças não ficam somente pelo cenário / título, mas sim em como o passado assume o seu peso na jornada de duas personagens que gradualmente debatem os seus fantasmas – esses maus espíritos que se agarram e dificilmente se vão. 

 

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A obra de Dörrie arranca com uma jovem alemã (Rosalie Thomass) que sob um pesar de sonhos desfeitos viaja para o Japão, mais concretamente a dita “cidade-fantasma”, para ter o contacto com a desgraça total de forma a amenizar o seu próprio sofrimento. Um acto egoísta iludido na solidariedade, que logo cedo faz com que a protagonista ceda à sua realidade: “não passo de uma mulher branca, de classe média e alemã”. Neste momento, o filme torna-se claro e preciso na sua jornada: a cineasta germânica não estava interessada em delinear mais um caso de “culpa branca”. Ao invés disto, prefere abordar a sua experiência pessoal. 

 

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Segundo a realizadora, tendo amizades no Japão a notícia do desastre de Fukushima a fez partir num ato solidário, gesto que a fez entender o quanto pequenos e insignificantes somos perante ao sofrimento alheio – assim como privilegiados os europeus são. Exactamente como Emmanuelle Riva em Hiroshima, Mon Amour, que tentava convencer Eiji Okada, o seu amante japonês, que entendia o sofrimento da cidade em ruínas, ao que este respondia persistentemente “tu nada viste sobre Hiroshima” – uma frase intercalada por imagens reais do cenário. 

 

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Fukushima, Meu Amor não se torna evidente perante esses propósitos, mas assim apercebemos dessa linhagem quando a nossa protagonista revela, por fim, o seu “grande” pesar para com uma habitante da cidade (Kaori Momoi) – depois da personagem e do espectador testemunharem as vivências da nativa. A sua tristeza, a desgraça da jovem alemã, é despertada e automaticamente dissipada. Não é nada, em comparação do que esta “gente vive” e que mesmo assim persistem em caminhar perante um pesado passado. “Tu nada vistes sobre Fukushima”, uma frase não existente, mas que tão bem poderia integrar neste enredo com tendências de um neo-realismo disfarçado. 

 

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Doris Dörrie constrói um filme positivo em cenários negativos, um improvável “feel-good movie” que nos faz sair da sala a apreciarmos os nossos percursos, a fazer tréguas com os nossos fantasmas e a reconciliar com aquela felicidade que sentimos inatingível. Depois temos o espectro de Yasujiro Ozu a pairar nesta narrativa e no espectador, indo daquele plano à beira-mar convidativo para com as memórias de Tokyo Sonata até ao signo de “a felicidade não se espera, cria-se”. Neste caso, recria-se -  como a reconstrução das nossas recordações. Um comovente filme que nos faz querer acreditar na reencarnação como forma de anestesiar dores de alma.

 

Filme de abertura do 14º KINO: Mostra de Cinema de Expressão Alemã

 

Real.: Doris Dörrie / Int.: Rosalie Thomass, Kaori Momoi, Nami Kamata

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 15:51
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19.1.17

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No mesmo dia que estreia Silence, o esperado filme de Martin Scorsese sobre jesuítas portugueses que viajam para o Japão com intuito de propagar a sua fé, a 14ª edição do KINO: Mostra de Cinema de Expressão Alemã levará os seus espectadores também à terra do sol nascente. Mas ao contrário da produção de Hollywood, Grüße aus Fukushima (Fukushima, Meu Amor), de Doris Dörrie, não é um ensaio de pregação, mas o contrário; a busca de uma "", neste caso a crença na Humanidade.

 

Uma jovem alemã de sonhos desfeitos determinada a distanciar do seu Mundo para "mudar" o dos outros. É a história que remata o regresso do festival com desejos de quebrar as barreiras linguísticas e fronteiras nacionais. A edição deste ano terá como signo o feminino, representado desde a nova obra de Doris Dörrie (como havia sido referido), até à segunda longa-metragem da actriz e realizadora Maria Schrader, Vor der Morgenröte (Stefan Zweig: Adeus Europa) - um retrato biográfico do exílio do escritor Stefan Zweig, que encerra esta mostra de 11 dias, dividida em três cidades.

 

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Entre os nossos destaques, a não perder um curioso filme no dia 21: o ousado Wild (Selvagem), de Nicolette Krebitz, que demonstrará uma relação intensa entre uma miúda socialmente reprimida e um lobo adulto. Um filme que promete dar que falar. Filmes como Fado, de Jonas Rothlaender, 24 Weeks (24 Semanas), de Anne Zohra Berrached, que integrou a Competição de Berlim 2016, e o suíço Aloys, de Tobias Nölle (vencedor do Lince de Ouro do Festival FEST, em Espinho), são outras propostas convidativas da programação.

 

O evento de Lisboa decorrerá entre 19 a 24 de Janeiro, seguindo depois para a cidade do Porto  entre 26 a 29 de Janeiro, e terminando em Coimbra nos dias 1 a 3 de Fevereiro.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:25
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20.12.16

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KINO - Mostra de Cinema de Expressão Alemã irá regressar em 2017 para a sua 14ª edição. Atravessando três importantes cidades portuguesas, este evento especializado na cinematografia germânica arrancará em Lisboa (19 a 24 de Janeiro), passando pelo Porto (26 a 29 de Janeiro) e terminando em Coimbra (1 a 3 de Fevereiro).

 

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Na capital, mais concretamente a decorrer no Cinema São Jorge, KINO abrirá com a projecção de Fukushima, Meu Amor, o mais recente filme da talentosa Doris Dörrie. Apresentado na secção Panorama do último Festival de Berlim, esta obra remete-nos a uma mulher decepcionada com o rumo da sua vida, que para preencher esse "vazio", torna-se voluntária no auxilio às vitimas causadas pelo desastre de Fukushima, Japão, em 2011.

 

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A programação irá ainda brindar-nos com algumas iguarias, tais como Wild, de Nicolette Krebitz, que explicita uma relação intensa entre uma miúda socialmente reprimida e um lobo adulto, 24 Weeks, de Anne Zohra Berrached, que integrou a Competição de Berlim 2016, o suíço Aloys, de Tobias Nölle (vencedor do Lince de Ouro do Festival FEST, em Espinho) e ainda Vor der Morgenröte (Stefan Zweig: Farewell to Europe), a segunda longa-metragem da actriz e realizadora Maria Schrader (confirmada presença na mostra), uma obra de contornos biográficos sobre o exílio do escritor Stefan Zweig.

 

Para mais informação sobre a 14ª edição do KINO, ver aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 20:42
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2.2.16

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Juventude Inquieta!

 

Baseado no primeiro livro do escritor Clemens Meyer, Enquanto Sonhamos (Als wir Träumten) é a jornada de um grupo de jovens (Dani, Paul, Rico, Pittbul e Mark) que tentam manter-se imutáveis face às mudanças do mundo, até porque a acção desta história decorre logo após o fim do RDA, período em que o destino destes "prodígios" se alterou. Derivado a isso, temos uma juventude inconsequente, iludida por promessas ultrapassadas de um país que já não existe, e cujos espectros teimam em ser invocados. Constantemente mergulhados num submundo de drogas, álcool e violência, este "quinteto de cordas" é caoticamente conduzido à delinquência e a consequências maiores que marcarão para sempre as vidas de uma anteriormente aclamada geração de ouro.

 

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Do ascendente cineasta Andreas Dresen (que com o seu Halt auf freier Strecke, venceu um prémio na secção Un Certain Regard, no Festival de Cannes de 2011), Enquanto Sonhamos apresenta um registo narrativo que perpetua um constante confronto cronológico(os diferentes espaços temporais são conotados através do tratamento da sua fotografia). Tendo elementos base (por vezes encarados como lugares-comuns) sobre a autodestruição juvenil, o realizador parece partilhar a mesma visão destes jovens protagonistas, cujos actos irreversíveis são ilustrados como fantasias eufóricas percutidas pela música techno. Para quem julgava existir aqui um formato quase Trainspotting, o erro poderá ser fatal, até porque Dresen "veste" o seu filme com uma moralidade subliminar em relação às suas personagens, mais que um acolhimento dito ambíguo que a intriga poderia suscitar.

 

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O erro, é que com isto perde-se uma agressiva análise crítica de uma geração perdida, com reflexões a uma nação reunificada, rejuvenescida mas ainda traumatizada pelas memórias passadas, e ganha-se mais um episódio coming of age erguido com admiração incontestável deste universo. Depois temos um ligeiro maniqueísmo que infesta a caracterização das personagens, que por mero infortúnio (ou não) dificilmente se sobressaem da esquematização, nunca trespassando a mera promessa. Tinha potencial!

 

Filme visualizado no 13º KINO: Mostra de Cinema de Expressão Alemã

 

Real.: Andreas Dresen / Int.: Merlin Rose, Julius Nitschkoff, Joel Basman, Frederic Haselon, Ruby O. Fee

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:34
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30.1.16

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Onde nascem os Intolerantes?

 

Ponto sem Retorno (Rough Road Ahead / Von Jetzt an Kein Zurück) é um retrato de vidas desfeitas por gerações intolerantes às novas mudanças. Dirigido por Christian Frosch, eis uma variação Romeu e Julieta com o muro de Berlim em pano de fundo, onde duas personagens que deslumbram o espectador pela sua vivacidade, digna de rebeldia juvenil, são desafiadas pelas entidades paternais e por uma sociedade que parece não entende-los, guiando-se por velhas convenções e doutrinas.

 

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É automaticamente após os créditos iniciais que ficamos a conhecer os "criminosos", os pais, numa sequência na qual são interrogados e revelam as suas verdadeiras naturezas: traumatizados de guerra, conservadores religiosos, puros machistas, etc. Cenas que integram a narrativa mas que interagem de forma emocional com a audiência; "estes são os verdadeiros culpados da tragédia amorosa que sucederá", "prestem atenção a estes indivíduos". Apesar de se assumirem como personagens secundarias, este conjunto resulta em ícones dominadores que são constantemente revisitados, mesmo durante a sua ausência física nos frames.

 

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O destino de Ruby (Victoria Schulz) e Martin (Anton Spieker), dois amantes consolidados em sonhos inalcançáveis, são igualmente perpetuados de forma paralela por uma narrativa que se enquadra na situação, onde cada um tenta sobreviver à sua maneira nas instituições que os acolheram a mando dos progenitores. Esta sobrevivência não só ditará um panorama social e político da Alemanha do final dos anos 60, como também autoproclama o fim trágico de um assumido romance shakespeariano.

 

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Ponto sem Retorno tem prestações fortes por parte do elenco, destacando-se principalmente Victoria Schulz. Porém, todos eles compõem personagens esquemáticas e diversas vezes limitadas aos estereótipos morais que representam, ainda que nada ofusque o exímio trabalho de câmara de Frosch e a belíssima fotografia a preto-e-branco (da autora de Frank Amann) que entra em concordância com os relatos temporais. Assim, este é um romance sólido que reflecte o estado de um país confrontado com a passagem de gerações.

 

Filme visualizado no 13º KINO: Mostra de Cinema de Expressão Alemã

 

Real.: Christian Frosch / Int.: Victoria Schulz, Anton Spieker, Ben Becker

 

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28.1.16

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A verdade é relativa!

 

Fabian Groys (Florian David Fitz) é um promissor jornalista de uma revista política bastante influente na Alemanha. O seu último trabalho consiste em investigar um suposto escândalo que envolve as Forças Armadas e a forma como lidam com militares incapacitados. O chefe de Groys tenta impingir-lhe uma assistente para que possam formar uma equipa, mas egocêntrico como é, Groys faz de tudo para se livrar dela. Como tal, envia-a no trilho de uma notícia que o próprio considera insignificante. Sem saber, essa mesma reportagem, banal e sem interesse, tem ligações ao caso das Forças Armadas que investiga, sendo aos poucos desvendada uma complexa teia de conspirações, propícia a um artigo jornalístico de excepção.

 

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As Mentiras dos Vencedores (Die Lügen der Sieger/The Lies of the Victors) possui uma temática pertinente e bem actual que merece um prolongado debate após o seu visionamento. Tratando-se da enésima obra a reafirmar o papel crucial dos Media na opinião pública, e das fragilidades deles perante a manipulação dos lobbies, o novo filme de Christoph Hochhäusler reflecte na célebre frase do poeta Lawrence Ferlinghetti ("A História é feita com as mentiras dos vencedores") um trabalho de pesquisa ocasionalmente frontal. Esta mesma frontalidade, que embate nas Forças Armadas Alemãs como principal alvo, limita toda a crítica social, até aqui construída apenas como uma "análise interna", como se uma "inside joke" tratasse.

 

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Mas vamos por partes, a condução do tema, seja de que natureza for, deve sim, possuir a emergência do nosso olhar. Porém, e como thriller, este As Mentiras dos Vencedores não sabe transpor na narrativa uma forma de atacar o seu alvo. Nessa narrativa, vincada na senda de outros filmes provocantes como All the President's Men e até mesmo o recente Spotlight, Hochhäusler demonstra uma incapacidade em impor a sua voz de revolta, o que é sublinhado na (falta de) motivação das personagens, como se a sua construção fosse demasiado encarecida de maniqueísmos pueris ou de moralidades subjacentes (a evidenciar na forma como o protagonista é caracterizada; um arrogante misógino com vicio no jogo).

 

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Ainda na sua natureza de thriller, é interessante ver os códigos "hitchockianos" que o realizador constantemente cita, entre os quais um clima de mistério nas tensas sequências, mais do que uma preocupação na concepção do próprio twist. Aliás, a dispensa dessa reviravolta evidencia a forma como este thriller é conduzido, nunca se assumindo no território do subgénero, mas sim usando esses elementos na sua noção crítica. E é nessa crítica que Hochhäusler interessa-se plenamente, nem que para isso prejudique a narrativa. Um dos casos mais flagrantes é a selecção de sequências desfragmentadas com a imprecisão do raccord, um exercício que nos indica o quão interessado está o autor no tema, mais do que propriamente no filme.

 

Filme de abertura do 13º KINO - Mostra de Expressão Alemã

 

Real.: Christoph Hochhäusler / Int.: Florian David Fitz, Horst Kotterba, Lilith Stangenberg

 

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publicado por Hugo Gomes às 11:56
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27.1.16

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Arranca hoje, dia 27 de Janeiro, a 13ª edição do KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã, que regressa ao Cinema São Jorge e ao Goethe-Institut com mais uma diversificada mostra cinematográfica oriunda da Alemanha, Áustria, Luxemburgo e Suíça. O festival, que prolongará até dia 4 de Fevereiro em Lisboa, contará este ano com duas extensões, em Coimbra (28 a 30 no teatro Gil Vicente) e Porto (30 a 1 de Fevereiro na Fundação Serralves e na Casa das Artes).

 

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The Lies of the Victors (As Mentiras dos Vencedores) terá as honras de abrir a selecção. Dirigido e co-escrito por Ulrich Peltzer (que estará presente na sessão), este thriller remete-nos à manipulação dos medias e os lobbies por detrás das Forças Armadas Alemãs. Trata-se de uma obra provocador sob o mesmo signo de um All President's Men, de Alan J. Pakula. Numa mostra principal por 12 longas-metragens, destaca-se ainda os filmes; We are Young. We Are Strong (Somos Jovens. Somos Fortes) sobre a juventude pós-RDA, os novos trabalhos de Faith Akin (The Cut) e Andreas Dresen (Als wir Träumten / Quando Sonhávamos), e ainda o romance trágico Von jetzt an kein Zurück (Ponto sem Retorno).

 

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O KINO orgulha-se ainda de apresentar uma retrospectiva dedicada a Rosa von Praunheim, um assumido precursor do movimento homossexual na Alemanha. Em colaboração com Cinemateca Portuguesa e com o crítico Augusto M. Seabra, o ciclo dará a conhecer oitos dos seus mais importantes filmes. O polémico cineasta estará presente na sessão do último filme apresentado, Härte (Brutalidade), uma obra que mistura entrevistas com encenações inspiradas em relatos autobiográficos do campeão de karaté, Andreas Marquardt. 

 

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Porém, não é só de ficção que se movimenta o KINO, os documentários adquirem aqui um papel importante na sua programação. Na secção KINOdoc será possível assistir a uma mostra recente desse mesmo género, correspondendo a temas mediáticos e bem actuais. Entre os quais Lampedusa im Winter (Lampedusa no Inverno), recentemente vencedor de um Prémio da Academia Austríaca, que aborda questões sensíveis, político-sociais da situação dos refugiados do Mediterrânea, explorando especificamente a apelidada "Ilha dos Refugiados", em Itália. Seguindo a mesma senda temos Neuland (Território Desconhecido), sobre a integração de jovem estrangeiros na Suíça, e Willkommen auf Deutsch ("Bem-Vindo" em Alemão) que nos demonstra um choque emocional e social de um pequena localidade alemã que recebe um grupo de refugiados.

 

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Na secção Mostra Escolas, o KINO traz até nós a comédia Fack Ju Göhte!, de Bora Dağdekin, descrito como o filme alemão mais bem-sucedido, tendo levado de sete milhões de espectadores a assisti-lo na sua época de estreia.  

 

Para mais informação sobre o festival, ver aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 09:02
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12.3.15

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Por entre dois Mundos ligados por "pontes"!

 

Mesmo sob um palco bélico, este não é um filme de guerra. Inbetween Worlds, de Feo Adalag, assume-se como uma revisão ao choque cultural que se vive no conflito dos países árabes, situando a sua acção num Afeganistão sob operações da ISAF. No centro desta organização militar ao serviço da NATO, somos remetidos ao pelotão do Capitão Jesper (Ronald Zemrfeld) que terá que unir forças com a milícia de Arbaki para combater um inimigo comum. Mas a cumplicidade entre ambas e diferentes "culturas" é constantemente testada por situações que complementem a sua divergência. No âmbito disso, surge Tarik (Mohsin Ahmady), um jovem afegão que aceita operar como intérprete das referidas tropas ocidentais, a ponte linguística, e não só, de dois "mundos" completamente à parte.

 

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Numa breve cena ocorrida numa aula universitária, um professor refere as pontes que simbolizam a esperança. Na narrativa trata-se de uma alusão à personagem de Tarik, o tal último reduto dessa esperançosa harmonia entre aquela troca cultural sob fogo inimigo. Ele opera como um "antídoto" para todo o conflito que é exposto. Mas a questão é se ele será forte o suficiente para ultrapassar os obstáculos que lhe são dirigidos? A tarefa não será fácil e o destino de uma comunidade frágil, alicerçada por quebradiços pilares é várias vezes atentada a desabar. O elevado nível moral das  tropas alemãs e o fecho cultural das milícias afegãs são dois factores incompatíveis que trarão mais consequências que louvores, e o perigo é iminente, muito mais se a dita "ponte" ceder.

 

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Inbetween Worlds evita sistematicamente o conflito armado, ignorando os caminhos óbvios por territórios bélicos padronizados e ignora a incursão de um panfleto de guerra. O que Feo Adalag construiu foi um exemplo prático do paradoxo da torre de Babel, com vislumbres certeiros à situação que se vive no Mundo. Servido por boas prestações e uma narrativa demasiada calma no calor da guerra, Inbetween Worlds revela-nos a fragilidade das nossas "bolhas" sociais e alude ao efeito dominó das suas iminentes quebras. Todos diferentes, todos iguais, diria um slogan de campanhas humanitárias, mas na verdade é sempre a nossa diferença que prevalecerá.

 

Filme visualizado no KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã 2015

 

Real.: Feo Adalag / Int.: Ronald Zehrfeld, Mohsin Ahmady, Saida Barmaki

 

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publicado por Hugo Gomes às 07:11
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1.3.15

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Via Sacra de Maria!

 

A religião é tida como um assunto delicado. Qualquer abordagem a ela é automaticamente uma declaração de guerra, seja ela séria ou cómica o resultado é inevitável. Enquanto falamos exaustivamente no nosso quotidiano sobre Estados Islâmicos e medos racionais ou irracionais do extremismo muçulmano, é curioso assistir um filme como Kreuzweg (As Estações da Cruz), um retrato sufocante sobre o fascismo religioso e a sua influência na nossa sociedade. Tudo isso esquematizado na personagem de Maria (Lea Van Acken), uma adolescente que tem a mais fatal das decisões: enveredar pelo caminho de Cristo, sacrificando o seu corpo em prol da preservação do seu espírito.

 

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O amor a Deus não é transmitido ao espectador, ao invés, a intolerância e a sobreposição de pensamentos, que de certa forma irão influenciar a jovem, dedicada a morrer para que o seu sobrinho de quatro anos, diagnosticado com autismo, possa proferir as primeiras palavras. É penoso assistir a todo o processo de santificação, baseado nos ensinamentos mais fundamentalistas da Igreja Católica, mas Dietrich e Anna Buggermann tornam a experiência cativante através de uma narrativa composta por 13 longos planos, todos eles alusivos às 13 estações de Via Sacra de Jesus Cristo. Quanto mais avançamos na narrativa, mais conflituoso é o dilema de Maria, sucumbindo aos ideais religiosos, fortemente apoiada pela sua mãe intolerante.

 

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O primeiro plano, cerca de 15 minutos sem cortes nem mudanças de planificação, serve como introdução a esse "mundo" fechado, guiado pelo sofrimento e pela recompensa divina que é uma benevolente vida pós-morte. O padre refere-se a esses sacrifícios como um modo de vida correcto e castiga severamente o júbilo e a melodia como invocações satânicas. Maria ouve atentamente o sermão e confessa-se interessada no sacramento. A partir daqui, como espectadores, ansiamos por uma salvação divina da doce menina dessas correntes teológicas, temos esperança que a martirologia seja "sol de pouca dura", mas a contradição às nossas expectativas dará lugar a um dos finais mais penosamente satíricos. O par de realizadores aborda as dúvidas da crença e provoca uma dualidade no seu desfecho, porém, não poupam em castigos silenciosos e subliminares.

 

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Kreuzweg é um filme desencantador, duro de assistir, mas inventivo na sua alusão narrativa. As personagens são eficazes na sua provocação, aptos para leituras que de certa forma transmitem a actualidade do nosso "Mundo", cada vez mais à mercê das influências religiosas. Mas acima de tudo é um filme que ilustra hipocritamente a liberdade de escolha dos nossos filhos, mas com um pé sob a influência familiar e social. Por fim, tendo em conta a expansão do chamado cinema cristão, esta será uma obra dificilmente comercializada em território norte-americano, enquanto em Portugal a sua distribuição parece demorar.

 

Filme visualizado no KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã 2015

 

Real.: Dietrich Buggermann, Anna Buggermann / Int.: Lee Van Acken, Lucie Aron, Anna Brüggemann, Michael Kamp

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:26
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14.2.15

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Em Der Samurai (O Samurai), Till Kleinert construiu um filme barroco, alusivo e metafórico que joga com diferentes elementos do folclore alemão e não só. É um obra complexa que evidencia um talento obscuro, visto ser a segunda longa-metragem do jovem germânico.

O Cinematograficamente Falando … teve a honra de conversar com a revelação, tentando com isto, desconstruir a sua obra, identificando as suas marcas. Kleinert revelou-nos mais que isso: os seus projectos, os seus medos, fantasias e a sua adoração pelo género do terror. No final, deixa mesmo algumas recomendações...

 

 

Esta foi a sua primeira longa-metragem. Como foi a experiência?

Não é muito diferente de fazer curtas-metragens, apenas o processo é maior e o trabalho mais continuo. Para tal, temos que aprender negociar a nossa energia, porque gravar catorze horas diárias torna-se bastante cansativo após várias semanas. Por isso eu tento não ficar tão exausto, por mim e para a equipa de rodagem. De resto? Não sei, costumo ser feliz quando estou a trabalhar num filme. Mas sim, basicamente é uma experiência idêntica a de uma curta-metragem.

 


Como surgiu a ideia para Der Samurai?

Os meus projectos surgem através de uma imagem chave, como uma situação ou simplesmente uma imagem que tento configurar durante o processo de criação. Aí tento perceber em qual género encaixa e que tipo de filme desencadeará. Por isso eu não sei nada sobre a história. Esta imagem [Der Samurai] surgiu numa viagem de comboio. Imaginei uma pequena cidade alemã, meio rústica, meio moderna, rodeada por uma floresta e no meio uma figura sombria a vaguear por essas mesmas ruas a ameaçar e a desafiar as autoridades. Apenas apareceu, sem que  eu soubesse o que significa ou porque estava lá. Vi essa imagem e pensei: "isto é fantástico, gostaria de ver esta figura a percorrer essas ruas e vilas". Por isso tentei associa-la a uma história que funcionasse. Foi mais ou menos isto que se sucedeu.

 


Porquê uma espada japonesa?

Essa imagem apareceu-me visualmente semi-formada, por isso tentei configura-la, assim como a espada japonesa, que também surgiu. É como sonhar. Nós temos uma razão racional para o sonho? Podes tentar sempre analisa-los, mas isso não significa que haja razão para tal. Então acho que durante a minha analise, existe qualquer coisa envolvente nas espadas e outras armas que atraem pessoas marginalizadas. Como na Alemanha as pessoas estão no pico da ira e têm que libertá-la de qualquer forma, talvez em destruir algo ou agredir alguém que odeiam.

 

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Podia procurar um artigo de jornal sobre o tema, mas provavelmente não existiria uma katana no meio. Penso que a espada funciona como um combustível, uma fantasia fetichista da vingança. Também porque joguei muitos videojogos enquanto era mais jovem, principalmente RPG (Role Playing Games) japoneses, onde os vilões são tipos grandes de cabelo comprido e sempre munidos com espadas. Quando pesquisei no Google, encontrei traços que gostaria de expor no filme. Mas pessoalmente, interpretando toda esta ideia do filme, se a personagem "heróica" somos nós, o outro tipo é uma representação selvagem de nós mesmos. É algo muito próximo daquilo que eu "sonhei". Bem, novamente refiro, não existe algo de racional em toda esta combinação de elementos.

 

 

A representação do lobo, tem influências com as fábulas alemãs?

Sim, obviamente. É como o Capuchinho Vermelho para mim. O lobo é supostamente um símbolo de toda a repressão afectuosa. A minha interpretação sobre essa fábula é que há sempre um homem (ou alguém) que pretende ter sexo contigo. Tal retrato já fora mostrado em The Company of Wolves, de Neil Jordan. Nesta versão o suposto lobo é um homem que tenta tirar a virgindade dela. Essa virgindade o seu isco. É um símbolo de algo selvagem, uma tentação, um impulso que corre por excitação e, sim, de agressão sexual. Mas ao mesmo tempo neste filme queria ligar isso ao realismo, factos que estão a acontecer na Alemanha neste momento. Por isso refiro o regresso dos lobos à Alemanha. Estiveram quase desaparecidos por mais de 100 anos e agora estão a retornar às fronteiras europeias. Eu li num jornal acerca deste regresso e o medo das pequenas aldeias e cidades destes, visto que receiam que ataquem os animais. É algo de verdadeiro que está a acontecer. E é engraçado porque na verdade o que os ajudou a estabelecerem-se no território foram as bases soviéticas abandonadas, mas que continuam proibidas para os cidadãos, talvez devido a armamento ou outro equipamento militar que possa funcionar. Por isso, essas bases vazias são perfeitas como tocas ou território para os lobos e estão em zonas remotas, afastadas da população humana. Ao mesmo tempo existe um medo irracional em relação ao lobo e tal continuar existir mesmo nos dias de hoje. Isso foi um elemento que quis transmitir no filme.

 

 

É como o regresso do "Bicho-Papão"?

Sim, é como fosse o regresso da repressão, de algo que se tentaram livrar e que não conseguiram.

 

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Porque razão não se produzem muitos filmes de terror ou fantasia na Alemanha?
Sinceramente, não sei. Provavelmente tem a haver com o sistema de financiamento na Alemanha. Nós quando queremos fazer um filme seguimos para uma agência governamental, para nos financiar o projecto. Por isso, para receber o financiamento, somos avaliados por este grupo de pessoas que decide o que se deve ou não filmar. Talvez a razão do género do terror não ser muito comum na Alemanha seja um ponto de vista politico. Mais facilmente são aceites filmes dramáticos de cariz sociológicos ou outras temáticas mais sensíveis. Penso que existe problemas a níveis sociais, então o terror lúdico não é muito aceite, sendo que é necessário rever se o projecto funcionará e se o espectador conseguirá obter algo desse visionamento.

Acho que é um assunto muito politico. Mas mesmo assim, nós [realizadores] temos que ter a certeza do porquê que é que queremos fazer isto. No meu caso, é um filme com contornos de fábula dos irmãos Grimm. Por isso tenho que ser preciso na razão porque é que tem que ser tão negro e sangrento. Para isso temos que fazer um grande texto argumentativo. Normalmente eles dão algum dinheiro pela ideia, mas no geral é complicado, este género é uma ideia algo suicida.

 

 

Quais são os seus projectos para o futuro?

Estou a trabalhar em algo agora, pelo qual estou muito entusiasmado. Vou filmar um episódio-piloto de uma futura série que ocorre toda dentro de uma casa, um complexo, daquelas grandes casas que se pode encontrar nos limites das cidades. Dentro dela temos várias personagens, famílias todas elas diferentes, que possuem as suas tramas e conflitos. Quero avançar com algo sobre gerações, diferentes tempos e até classes sociais. É um projecto pessoal, visto que eu cresci numa destas casas. Também porque estou me a tornar num cineasta. Terminei o meu segundo filme e preciso urgentemente dinheiro para iniciar novas produções, mas também quero tentar apostar em coisas novas, demonstrar que não sou aquilo que aparento ser, nem aquilo que os outros pensam que sou. Basicamente é isso, uma nova etapa.

 

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Você gosta de filmes de terror?

Sim, certamente.

 

 

Qual é o seu favorito?

O meu favorito? O meu favorito de todos os tempos? É o The Texas Chainsaw Massacre. Penso que é um filme perfeito. É um daqueles filmes que não se consegue alterar nada para se tornar melhor. É o que eu penso. Adoro tudo nesse filme, até mesmo ser pouco cerebral ou não ser uma grande produção. Mas existe algo nele que me faz sentir tão certo, ao mesmo tempo perigoso, é um pesadelo. Tal como um pesadelo que eu não posso acordar. É perfeito, é tão niilista.

 

Eu procuro sempre um filme que me faça sentir isso e o The Texas Chainsaw Massacre consegue. É isento de esperança. É tão humanamente feio no geral. Eu adoro! Por acaso, adoro vários filmes de terror. The Exorcist é um dos grandes! Wicker Man é espantoso! E todos eles são dos anos 70. Faz-me pensar que essa foi a década de ouro do cinema de terror. Aí surgiu uma data de filmes, todos eles horríficos, mas nenhum seguindo uma formula concreta. Isso é algo que sinto faltar ao terror moderno. Sinto que nos dias de hoje tenta-se recriar as formulas. É como uma geração pós-Scream, toda a gente sabe as regras, mas ninguém as quebra, apenas trabalham com base nelas Eu não gosto disso. O que gosto é de ir ver um filme do qual eu não estou à espera do que vai acontecer. E pretendo ver algo chocante e surpreendente nesse termo. Algo não formatado. Mas ainda existe coisas boas nos tempos de hoje. Por exemplo, o Kill List- Uma Lista a Abater. É algo diferente dos títulos actuais, mas funciona. O que nos assusta verdadeiramente é aquilo que não conseguimos ver e nisso ele trabalha bem. Porém, eu não sou adepto do filme de psicopata, como o "teen slasher", em que este passa o filme todo a matar pessoas. É divertido, mas não faz o meu género. E aqueles adolescentes? É cínico, mas sentimos que eles merecem. São tão estúpidos! Mas há excepções, como o It Follows. É o melhor slasher movie dos últimos anos. Muito bem feito, muito persuasivo. Vale a pena. Mas bem, isto tudo para dizer que adoro filmes de terror. Penso que não fiz um filme de terror. O meu filme não é assustador, tem elementos dignos do terror, mas não assusta. Mas também o Wicker Man não é verdadeiramente assustador, mas a ideia em si é pavorosa, aquela fobia gerada pelas personagens.

 

 

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Der Samurai (2014)

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:42
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13.2.15

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Quem tem medo do Lobo-Mau?

 

Till Kleinert transformou o seu Der Samurai (O Samurai) numa variação aos contos dos irmãos Grimm, com o regresso da floresta negra como magnetismo do infortúnio e a figura do lobo como um ser de origem quase demoníaca, acompanhado por desenganos e de falsas juras. Mas o tratamento recebido destes elementos fabulistas tem muito menos de fantástico e mais de intimista. A floresta, esse poço de mau agoiro, é metaforicamente servido como um "armário" interior, um canto remoto da perversão e da mais negra fantasia do ser, onde reside um "monstro" que anseia ser libertado. Por outras palavras, a ideia intrínseca caixa de Pandora.

 

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Sendo evidentes a natureza desses monstros e muito mais dessas vítimas, o jovem cineasta tem a capacidade de direccionar o olhar do espectador para os locais certos e, até certa altura, esconder os seus verdadeiros propósitos em prol uma fachada, que se dá pelo nome de alusão. É no fundo o revisitar da história do caçador e do "lobo-mau", onde perseguição é distorcida em toda a sua jornada. Mas quem na verdade é a besta e quem é o homem será decidido nesta corrida macabra pelo tempo. Kleinert incute o estilismo gráfico que evidencia mais essa referida aura de fábula negra e aposta, sobretudo, na figura antagonista interpretada por Pit Bukowski, que para o espectador mais atento é uma fusão de referências, quer cinematográficas, quer sociais. Trata-se de um "Ed Gein", um travestido personagem saído quer do negro imaginário de Thomas Harris, quer do signo cinematográfico de Tarantino ou Jarmusch. "Did you like what you see?" - frase proferida pelo personagem e arrancada directamente de The Silence of the Lambs é um dos factores que confirma essa dita hibridez de menções.

 

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O nosso "herói" (Michel Diercks) é um confrangido homem que luta por uma posição na sua comunidade. Porém, é evadido por as mais negras fantasias. Visto assim como o caçador desta fabula concentrada, Der Samurai aposta num jogo de químicas, a empatia entre o assassino e o nosso protagonista, confrontados algures entre uma batalha psicológica e gráfica. O grande climax dá-se com a dança dos torturados, a libertação de uma prisão consequencial, dando seguimento ao estilismo quase metafórico das imagens transmitidas por Kleinert. A licantropia, a diferença individual é vista aqui como a metáfora da homossexualidade, como ultimo reduto da besta e da consagração do herói que por fim enfrenta os seus medos mais pessoais através da katana.

 

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Der Samurai funciona assim como um exercício de estilo, uma vanguarda do cinema fantástico alemão (provavelmente uma nova expressão na respectiva cinematografia) ao mesmo tempo adquirindo-se como uma metáfora, quer intimista e até social, de um país confrontado com os seus medos mais primitivos, ou no ponto vista mais pessoal, o hino à emancipação de espírito. Uma experiência surrealmente sedutora.

 

Filme visualizado no MOTELx 2014: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa e no no KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã 2015

 

Real.: Till Kleinert / Int.: Michel Diercks, Pit Bukowski, Uwe Preuss

 

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9/10

publicado por Hugo Gomes às 19:27
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4.2.15

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Outubro contra Novembro!

 

Oktober November é um filme que remete-nos a vidas geradas envolto de um cerco, meros frutos de constantes decisões erradas, ao mesmo tempo que decifra o existencialismo dos respectivos personagens. Dois meses distintos, apesar de próximos, correspondem a duas almas aprisionadas nesses mundos criados, a primeira é a da actriz Sonja (Nora von Waldstätten), intrigada com a sua natureza indefesa, mesmo não aparente, vagueia em busca de uma invisível razão de existência. Do outro lado da "moeda", a sua irmã Verena (Ursula Strauss), vive no refugio do seu relacionamento proibido como complemento de uma vida indesejada a mercê dos deveres herdados pela sua falecida mãe. Quando o pai destas duas personagens adoece mortalmente, estes dois mundos, aparentemente diferentes mas intrinsecamente idênticos, unem esforços para combater um mal comum. Mas o choque das divergências e dos elos sanguíneos desencadeará o desvendar de ocultos segredos que drasticamente alterarão a vida de ambas.

 

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Trata-se de um filme de forte ligação com a natureza e com os espaços em redor, ao mesmo tempo que tenta esboçar um ensaio existencialista sob uma conduta tragicamente melancólica. Porém, o resultado deste drama extensivo é de um provocante desequilíbrio. Enquanto que Oktober November inicia sob um ritmo pausado, mas essencialmente recorrente ao trabalho de câmara por parte Götz Spielmann, que pelo meio desafia as próprias convenções académicas. As interpretações falam por si, transportando todo o dramalhão, até certa altura, credível, o mesmo se pode aclamar aos estados de alma sugeridos, nomeadamente Nora von Waldstätten que demonstra esse subtil e desgastante sofrimento e Ursula Strauss que evidencia as suas "invisíveis" correntes.

 

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Mas então o que realmente falha neste Oktober November? Obviamente a sua depressão fílmica. Se tal termo fosse uma patologia, a fita de Spielmann era um autêntico sofredor, comparativamente com o castigo indevido que comete com um dos personagens mais carismáticos da trama, que fora merecedor de uma das mortes mais penosas, desesperantes e pornográficas dos últimos anos no cinema. Ao invés de jogar com o efeito de sugestão para não romper o clima criado desde então, o realizador prefere ilustrar o tormento como comédia involuntária se tratasse. Esperava-se mais deste registo, algo libertador e mais benéfico para o elenco que Spielmann reúne e não uma novela dramaticamente exagerada!

 

Filme visualizado no KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã 2015

 

Real.: Götz Spielmann / Int.: Nora von Waldstätten, Peter Simonischek, Sebastian Koch, Ursula Strauss

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 22:01
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31.1.15

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Animalidades amorosas! O impulso do cinema geracional!

 

Num hotel de luxo, dois funcionários vivem um amor desvairado, a harmonia encontrada entre ambos é inconstante, mas essa inconstância soa como uma anarquia em todo o estabelecimento. O hotel vê com maus olhos esta relação algo autodestrutiva.

 

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Em Love Steaks, de Jakob Lass, existe um impulso animalesco que o torna primariamente sedutor. Eis um filme que remete-nos à linguagem de uma nova geração de cineastas. Geração essa que nasceu com a proliferação dos videoclipes e da sua influência no cinema, também esta a geração que cresceu com a ousadia e o minimalismo das produções MTV. Mas Lass evidencia mais do que preguiça em ilustrar o retrato frenético e de cariz adolescente. Invés disso, filma uma história recorrente à química dos seus protagonistas, da bizarria dos seus comportamentos e da sua cumplicidade alienada. Mas apesar do toque, fica sempre longe dos lugares-comuns ou da tentação de se rever numa trama "mainstream".

 

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Love Steaks é uma panóplia de gestos, é o embate entre dois seres deslocados do seu meio ambiente, perdidos entre o rigor de um sistema estabelecido e libertinos na respectiva aura (quase soando como uma metáfora coming-of-age, embrulhado com um retrato social alusivo). Lana Cooper e Franz Rogowski expõem essa mesma química sem remorsos de pudor, sem timidez nem receio da eventual humilhação. As suas entregas interpretativas funcionam como combustão neste filme minimalista que procura ser o que todos pretendem: uma rebeldia adolescente evidente da qual não é possível fugir.

 

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Porém, é curioso o interesse dado pelas suas personagens e a relação de ambos, tão inatural como "perfeito". Na verdade, tudo se resume a um golpe de sorte do seu realizador, Jakob Lass, que filma por instinto e usufrui de uma linguagem leve, revoltante aos modelos aristotélicos do cinema, ao mesmo tempo que aspira os códigos do espírito jovem. Um exercício de dinamismo e aptidão.

 

Filme visualizado no KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã 2015

 

Real.: Jakob Lass / Int.: Lana Cooper, Franz Rogowski

 

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6/10
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publicado por Hugo Gomes às 05:54
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29.1.15

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A mostra de 2015 do KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã encerra amanhã, dia 30 de Janeiro, com a antestreia nacional de As Estações da Cruz (Kreuzweg), de Dietrich Brüggemann (sendo exibido no Cinema São Jorge, em Lisboa, pelas 21h). O filme centra em Maria, um adolescente de catorze anos que comporta-se como qualquer outro adolescente da sua idade se comportaria, mas em casa segue os ensinamentos da Irmandade Sacerdotal de Pio XII e a sua interpretação conservadora do catolicismo. Esta vida conservadora e rígida é imposta pela sua severa mãe, que tenta a todo o custo tornar a filha numa santa. Porém, Maria encontra-se dividida entre dois mundos, que embatem constantemente. Galardoado com o Urso de Prata para melhor argumento no Festival de Berlim, Kreuzweg  foi exibido em vários festivais como o Festival Internacional de Cinema da Noruega  ou o Festival Internacional de Cinema de Edimburgo, entre muitos outros.

 

 

Depois de Lisboa, a KINO seguirá para Coimbra de 3 a 5 de Fevereiro com mais filmes de língua alemã.

 

 

Ver Também

Das Finstere Tal (2014)

Die Geliebten Schwestern (2014)

Arranca Amanhã - KINO: Mostra de Cinema de Expressão Alemã 2015

 

 

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26.1.15

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Entre os vales da morte!

 

A história da mais recente aposta cinematográfica de Andreas Prochaska decorre nos longínquos Alpes, num obscuro vale onde encontramos uma remota vila, governada de forma tirânica por uma família de irmãos. Certo dia, nas vésperas da chegada do Inverno, um desconhecido chega à referida vila em busca de asilo. Visto com desconfiança por parte dos habitantes, o desconhecido fica assim instalado, mas sob constante observação por parte dos irmãos Brenner. Pouco tempo depois deste episódio, começam a ocorrer misteriosos crimes no sombrio vale, ficando o desconhecido associado aos mesmos.

 

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Das Finstere Tal (O Vale Negro) funciona como uma vasta menção de referências, quer cinematográficas ou literárias, para que no fundo opere como um simples filme de vingança, onde o estético é sobretudo salientado. Tudo começa com uma invocação do western profundo (neste caso podemos apelidar de "eastern", tendo a origem da produção), convertendo gradualmente numa variação à memória de Agatha Christie, tentando até certo ponto elaborar um "whodunit", até se moldar ao referido desfecho. Contudo, o seu trajecto é desenvolvido de forma pausada e pouco apressada, ao mesmo tempo que incute um ritmo estilístico na sua narrativa.

 

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O Vale Negro beneficia ainda da paisagem envolvente, cujo longínquo vale é simbiótico em transmitir uma aura de desolação e silenciosa misericórdia. No centro desta intriga encontramos Sam Rilley, o actor inglês que desempenha o sujeito desconhecido, dotado de poucos diálogos (o actor teve que falar alemão). É carismático o suficiente para conduzir o espectador a tornar-se o seu cúmplice. Uma cumplicidade que nos fará esquecer moralidades, maniqueísmos e  "politiquices" correctas, inquestionavelmente ligadas ao leque de "malfeitores", roçando o pastiche.

 

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Para terminar esta jornada que termina por ser igual a tantos outros filmes, não se deve negar a sua envolvência emocional. É a sua banda sonora, principalmente os trechos de One Two Three and A Tiger e de Lana Sharp que transmitem uma essência mais alternativa a estes "vales da morte". Um agradável entretenimento, sem duvida.

 

Filme visualizado no KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã 2015

 

Real.: Andreas Prochaska / Int.: Sam Riley, Tobias Moretti, Helmuth Häusler

 

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6/10
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publicado por Hugo Gomes às 21:18
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23.1.15

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Entre amores e desamores, ignorando a História!

 

O mais constrangedor em Die Geliebten Schwestern (Beloved Sisters), não é o facto de ter sido o candidato alemão aos Óscares, mas sim por adoptar uma postura quase novelesca aos relevantes eventos que a época parece transmitir. No filme de Dominik Graf somos remetidos a um triangulo amoroso que desafiou as convenções da altura, a do poeta clássico Friedrich Schiller (Florian Stetter) com as irmãs Von Legenfeld - Charlotte (Henriette Confurius) e Caroline (Hannah Herzsprung) - estas últimas que haviam feito uma jura de partilharem tudo o que possuem, até mesmo as conquistas do foro romântica. Porém essa promessa trará consequências inevitáveis na relação de ambas.

 

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O argumento da autoria Graf condena as personagens a restringirem a caricaturas falantes, ao mesmo tempo que limita o ritmo e a amplitude da sua reconstituição de época. Nos primeiros momentos o espectador depara-se com um primo quase austero do imaginário de Jane Austen, dilacerando as mudanças sociais anexados com a figura do poeta Schiller (ele foi um dos mais importantes homens de letras do seu tempo) para um conflito quase burlesco e meramente aristocrata. O romance, aquilo que deveria ser a sua virtude, é isente de erotismo e pior de densidade emocional. Depois disso, é a narrativa, que tenta, mesmo sobre o cerco criado por Graf, libertar-se, mas é forçada por um artificialismo quase teatral, e envolvente em labirínticos paradoxismo em termos de personagens e situações. Personagens, é o que não falta nesta demanda romântica, o pior é a sua falta de profundidade e realismos das suas acções.

 

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Die Geliebten Schwestern prolonga-se por mais de duas horas sem coerência nem crença no seu enredo, muito menos nas figuras unidimensionais o qual descaradamente apelida de personagens. O segundo acto é penoso, fugindo dos temas que tão bem mereciam ser explorados, para apostar em uma novela sem razão de ser, o pior é que nem nesse facto, o filme consegue consolidar com o espectador. O resultado é uma bizarria confusa, parola e irrelevante, uma biografia parcial que não faz jus às figuras homenageadas.

 

Filme visualizado no KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã 2015

 

Real.: Dominik Graf / Int.: Hannah Herzsprung, Florian Stetter, Henriette Confurius, Ronald Zehrfeld

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:09
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21.1.15

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Arranca amanhã, 22 de Janeiro, a 11ª edição da KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã, que nos apresentará uma variedade mostra de cinema seleccionado produzido na  Alemanha, Áustria, Luxemburgo e Suíça. Die Geliebten Schwestern (Beloved Sisters) que foi o candidato alemão aos Óscares, será o filme de abertura da mostra que se prolongará até dia 30 de Janeiro na capital portuguesa, decorrendo no Cinema São Jorge e na Goeth-Institut (o organizador do festival). A obra dirigida por Dominik Graf remete-nos ao triângulo amoroso vivido pelo poeta Friedrich Schiller e por duas aristocratas irmãs da Turíngia. Uma disputa amorosa que desafia as próprias convenções de seu tempo.

 

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Das Finsterne Tal (O Vale Negro), é um dos grandes destaques da programação do KINO. Este western profundo com toques de thriller, que esteve presente no Festival Internacional de Berlim de 2014, centra numa vila remota dos Alpes, o qual tem sido devastada por misteriosos assassinatos e que cuja a suspeita "cai" num desconhecido viajante, Greider. Com o actor inglês Sam Reily (Maléficent) no principal papel, O Vale Negro será apresentado no  festival pelo próprio realizador, Andreas Prochaska. Zwischen Welten (Entre Mundos), de Feo Aladag, também ele presente no Festival de Berlim e vencedor do Grande Prémio no Festival de São Paulo, e a fantasia negra Der Samurai (O Samurai), a segunda longa-metragem do jovem realizador Till Kleinert, são duas obras que merecerão de certo a nossa atenção no decorrer do festival.

 

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Porém, não é só de ficção que o KINO funciona, os documentários também têm um papel relevante na sua programação. Na secção KINOdoc será possível assistir a uma mostra recente desse mesmo género, a maioria dos quais apresentados no DOKLeipzig, como é o caso de Master of the Universe, um registo de depoimentos de Rainer Voss, aquele que é um dos mais importantes banqueiros de investimento da Alemanha. O filme foi recentemente premiado como Melhor Documentário Europeu 2014 no referido festival. Para assinalar os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, será exibido "Produções Da DEFA Após 1945", um ciclo temático especial da DEFA, um estúdio da antiga RDA, sobre o passado nacional-socialista, o qual serão apresentados algumas das suas obras mais conhecidas. Tema também escolhido para integrar a Mostra Escolas, que contará com filmes de jovens protagonista, com o intuito de proporcionar uma perspectiva igualmente jovem do panorama da época, assim como o Holocausto e outras atrocidades cometidas.

 

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O KINO inaugurará uma nova secção, KINOzinha, criado especialmente para os espectadores mais novos, uma selecção de filmes de animação infantis exibidos no festival DOKLeipzig. No Goeth-Institut será possível assistir ao Cinema Jovem, rubrica de filmes protagonizados por jovens e dotados com uma temática mais juvenil. E por fim, as secções Novas Tendências, com os filmes de Dicke Mädchen e Love Steaks, e Next Generation: Short Tiger, uma selecção de curtas-metragens das mais importantes escolas de cinema da Alemanha, exibidas no festival de Cannes.

 

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A 11ª edição da KINO – Mostra de Cinema de Expressão Alemã estenderá ainda a sua programação para a cidade do Porto (Fundação Alves e Casa das Artes, 24 a 27 de Janeiro) e para Coimbra (Teatro Gil Vicente, 3 a 5 de Fevereiro).

 

Para mais informação sobre o festival, ver aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:00
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